quarta-feira, junho 03, 2026

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Publicado em 3 de junho de 2026 por Tribuna da Internet

Destruição ininterrupta de Gaza significa um desgaste moral de todo o Ocidente

Publicado em 3 de junho de 2026 por Tribuna da Internet

Vulnerabilidade e impotência marcam o cotidiano em Gaza

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

Quando ativistas europeus surgiram algemados após a interceptação israelense da flotilha humanitária que tentava se aproximar de Gaza, o impacto político das imagens foi imediato em diversas capitais europeias. Não apenas pelo incidente diplomático em si, mas porque aquele episódio expôs, de forma particularmente desconfortável para o Ocidente, uma realidade cada vez mais difícil de ignorar desde o início da guerra: a de que o conflito deixou há muito de ser apenas uma questão regional do Oriente Médio e passou a se transformar em um teste decisivo à credibilidade moral e política das democracias ocidentais.

Pela primeira vez em muitos meses, cidadãos europeus surgiam expostos, ainda que momentaneamente, à mesma lógica de vulnerabilidade e impotência que passou a marcar o cotidiano em Gaza. O episódio condensou simbolicamente uma inquietação crescente dentro da Europa, onde aumenta o receio de que o custo internacional da guerra já ultrapasse largamente os limites da dimensão militar e humanitária do conflito.

CONTRADIÇÕES – A verdadeira dimensão geopolítica da guerra talvez resida precisamente nesse ponto. Gaza transformou-se em um espelho desconfortável das contradições da ordem internacional construída pelos Estados Unidos e pela Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Durante décadas, o poder ocidental não se apoiou apenas na superioridade militar, tecnológica ou financeira, mas sobretudo na capacidade de apresentar seus valores políticos como referências universais de legitimidade internacional. Direitos humanos, legalidade multilateral, proteção de civis, defesa da democracia liberal e respeito ao direito internacional converteram-se em instrumentos centrais de influência global. Foi essa autoridade moral que permitiu ao Ocidente condenar invasões, impor sanções e definir, em larga medida, os parâmetros éticos da política internacional contemporânea.

Existem momentos históricos em que a distância entre os princípios proclamados e a realidade observada se torna visível demais para continuar sendo administrada diplomaticamente. Gaza talvez esteja se tornando exatamente esse momento. A devastação humanitária acumulada ao longo dos últimos meses, o colapso da infraestrutura civil, a dimensão das mortes, os deslocamentos forçados e a percepção crescente de punição coletiva começaram a produzir um desgaste político internacional muito superior ao inicialmente previsto pelas principais capitais ocidentais.

DESTRUIÇÃO HUMANITÁRIA – A dificuldade tornou-se particularmente delicada porque o conflito expôs uma contradição estrutural profundamente desconfortável para as democracias liberais. Desde 7 de outubro de 2023, governos europeus e norte-americanos tentaram equilibrar duas realidades politicamente difíceis de conciliar: o reconhecimento do trauma provocado pelos ataques do Hamas e das preocupações de segurança israelenses e, ao mesmo tempo, a crescente incapacidade de justificar, diante de parte significativa da comunidade internacional, a dimensão da destruição humanitária produzida pela guerra.

Esse equilíbrio se deteriorou à medida que bairros inteiros reduzidos a ruínas, civis encurralados e hospitais colapsados passaram a dominar o espaço midiático internacional. O problema deixou então de ser exclusivamente militar ou diplomático. Tornou-se moral, narrativo e civilizacional.

SELETIVIDADE – Em grande parte do Sul Global — especialmente em países africanos, árabes, asiáticos e latino-americanos — consolidou-se a percepção de que o Ocidente aplica os princípios do direito internacional de forma seletiva, condicionando frequentemente a defesa dos direitos humanos a seus interesses estratégicos e alianças políticas.

Essa leitura não se disseminou apenas entre governos tradicionalmente hostis a Washington ou Bruxelas. Espalhou-se também por universidades, organizações internacionais, fóruns diplomáticos e setores da sociedade civil que durante décadas olharam para a Europa e para os Estados Unidos como referências relativamente estáveis de legitimidade democrática.

A crescente pressão no espaço político europeu pelo reconhecimento formal do Estado palestino reflete precisamente esse desconforto. Nos bastidores de Bruxelas tornou-se evidente o receio de que a continuidade do conflito provoque um dano estrutural à imagem internacional do continente, sobretudo diante das novas gerações e dos países emergentes.

CREDIBILIDADE – O reconhecimento da Palestina deixou gradualmente de ser encarado apenas como uma questão diplomática ligada ao Oriente Médio e começou a assumir, em várias capitais ocidentais, o significado político de uma tentativa de recuperar parte da credibilidade internacional perdida ao longo da guerra.

Essa erosão de legitimidade tornou-se ainda mais sensível porque ocorre em um momento de fragilidade crescente das próprias democracias ocidentais. A polarização política, a ascensão dos populismos, a radicalização digital e a perda de confiança institucional já fragilizavam a autoridade moral do Ocidente muito antes de Gaza ocupar o centro do debate internacional. A guerra funcionou, nesse contexto, como um acelerador brutal de tendências que já estavam em curso.

QUESTIONAMENTO –  Pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, parte significativa da opinião pública internacional começou a questionar não apenas decisões concretas da política externa ocidental, mas a própria coerência do modelo político e moral que sustentou durante décadas a liderança internacional dos Estados Unidos e da Europa.

A China percebeu rapidamente o alcance estratégico dessa transformação. A Rússia também. Pequim explora de forma sistemática o desgaste moral do Ocidente para reforçar a ideia de uma ordem internacional multipolar menos subordinada aos critérios políticos definidos por Washington.

Moscou utiliza o conflito para denunciar aquilo que descreve como incoerência estrutural das democracias liberais sempre que interesses estratégicos entram em colisão com princípios humanitários. Ambos compreenderam que, em um sistema internacional cada vez mais fragmentado, a perda de legitimidade narrativa pode produzir efeitos geopolíticos tão relevantes quanto crises econômicas ou derrotas militares.

RUPTURA GERACIONAL – Mas talvez o aspecto mais significativo dessa transformação esteja ocorrendo dentro das próprias sociedades ocidentais. Entre setores mais jovens das elites acadêmicas, midiáticas e políticas, Gaza passou gradualmente a simbolizar uma ruptura geracional mais profunda: a erosão da convicção de que o Ocidente atuaria, apesar de suas contradições, como referência relativamente coerente da ordem liberal internacional construída após a Guerra Fria.

O poder internacional nunca depende apenas de força militar ou capacidade econômica. Depende também da confiança que uma potência consegue projetar sobre os valores que afirma defender. Quando essa confiança começa a se deteriorar, o desgaste ultrapassa rapidamente o plano diplomático e se instala no próprio imaginário político internacional. É precisamente esse tipo de fragilidade que o conflito em Gaza parece hoje expor de maneira particularmente incômoda para o Ocidente.

Gaza talvez venha a ser lembrada não apenas pela dimensão da devastação humanitária que produziu, mas pelo impacto político e moral que esse conflito provocou na percepção global sobre o Ocidente. À medida que a guerra avançava, tornou-se progressivamente mais difícil para os Estados Unidos e para a Europa convencerem parte significativa da comunidade internacional da coerência dos princípios que durante décadas sustentaram sua influência política e diplomática.


O novo embaixador de Trump e o desafio de reaproximar Brasil e Estados Unidos



Precisamos saber quantos parlamentares beneficiaram negócios de Daniel Vorcaro


Mensalão do Master no caso Vorcaro | Charges | O Liberal

Charge do J.Bosco (O Liberal)

 

Alexandre Garcia
Gazeta do Povo

 Quando eu falo em figura pública, ou funcionário público, eu me refiro àqueles que estão sob a observação e fiscalização da origem do poder, que é o povo. Quando pagamos impostos, estamos bancando a folha de pagamento de toda essa gente, e merecemos respeito. Eles precisam estar sempre sob o escrutínio do povo, e por isso ficamos de olho em ministro do Supremo, em presidente da Câmara, em senador, por isso acompanhamos esses casos de gente que vende emendas, recebe dinheiro para isso.

O senador Renan Calheiros fez uma denúncia impressionante: Hugo Motta, presidente da Câmara, teria incluído um “jabuti” em um projeto de lei para permitir que fundos de previdência – que hoje estão todos com um rombo imenso – pudessem aportar no Banco Master. Calheiros ainda disse que a cunhada de Motta recebeu um empréstimo do Master no valor de R$ 140 milhões, que nunca foi cobrado.

É muita corrupção, muita concussão – quando um funcionário público, em razão do seu cargo, pede alguma coisa direta ou indiretamente para si ou para outrem, um crime que dá até 12 anos de prisão.

AMIGA DE VORCARO – Para vermos o tamanho do problema da corrupção, basta ver a história da delegada federal Valéria Vieira da Silva, que tinha sido afastada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master.

Ela está impedida de sair do país, não pode mais acessar os sistemas da Polícia Federal como ela fazia, usando sua senha, para olhar coisas como o inquérito do Master.

Ela e o marido, o policial federal aposentado Francisco José da Silva, pegavam aquilo, sabe-se lá quanto recebiam por isso, e repassavam para aquela “turma”, o pessoal da pesada da máfia de Daniel Vorcaro. É triste vermos isso.

ABUSO DE AUTORIDADE – E também há os que cometem abuso de autoridade. Fiquei muito chocado só de ler, mas acho que quem ficou chocada mesmo, para toda a vida, foi uma menininha de 4 anos. Falo de um episódio ocorrido em Cuiabá (MT), em 2022, com um policial civil, delegado de polícia, que se envolveu em uma briga de condomínio – uma senhora havia xingado um enteado dele, ou algo parecido.

O delegado invadiu a casa dessa senhora sem mandado judicial, com dois policiais uniformizados, camuflados, de arma na mão; ele apontava a arma, dizendo que ia estourar a cabeça da mulher, e a criança ao lado vendo tudo. A mulher estava convalescendo de uma cirurgia, a menininha estava aos berros, foi chocante.

O delegado acabou de ser condenado a 2 anos e meio em regime semiaberto, mais multa de 20 vezes meio salário mínimo da época em que ocorreu a invasão. E o juiz lavou as mãos como Pilatos, dizendo que, se houver algo a mais, Corregedoria da Polícia Civil é que vai resolver. Decisões assim não dão um bom exemplo contra abuso de autoridade.

PAÍS VAI PARANDO – Nesta segunda um espanhol me perguntou se o Brasil não gosta de si próprio, se o brasileiro não gosta do Brasil. Eu tenho dito que o brasileiro é masoquista, porque durante 15 anos os prefeitos de Lavras do Sul brigaram para a cidade poder explorar o que está ali, à flor da terra: os fosfatados necessários para fazer a combinação do NPK, a base do fertilizante.

Nós importamos dois terços do fertilizante que consumimos, importamos da Rússia, da China, do Canadá, do Marrocos. Foram 15 anos brigando, e impediam a exploração por questões ambientais. Acho que somos loucos mesmo.

Mas finalmente saiu a licença ambiental, houve até cerimônia no palácio do governo do Rio Grande do Sul.

PIB EM QUEDA – Se não aparecer nenhum Ministério Público aí para impedir, uma empresa chamada Águia Fertilizantes pode tirar até 300 mil toneladas anuais de fosfato. É um investimento de R$ 180 milhões; comparando com os R$ 140 milhões que o Master teria pago à cunhada de Hugo Motta, parece pouco até.

É por essas e por outras que a prévia do Banco Central está indicando um PIB amarrado. Nos últimos 12 meses, nós crescemos 1,8%.

Agora, em março, houve queda de 0,8% nos serviços, 0,2% no agro, 0,2% na indústria. Esse é o nosso país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo de Alexandre Garcia, enviado por Mário Assis Causanilhas. O texto mostra por que o Brasil está hoje em adiantado processo de degeneração. (C.N.)


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