domingo, abril 05, 2026

Colegiado do PT no Semiárido critica articulações e reage a filiação de deputados à sigla

 

Colegiado do PT no Semiárido critica articulações e reage a filiação de deputados à sigla

Por Política Livre

04/04/2026 às 14:20

Foto: Divulgação

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O Colegiado do PT do Semiárido Nordeste II divulgou nota pública manifestando “profunda indignação” diante de articulações internas que, segundo o grupo, buscam abrir espaço no partido — ou na federação — para a entrada de parlamentares oriundos de outras legendas.

No documento, o colegiado cita diretamente os nomes dos deputados Eduardo Salles e Fabíola Mansur, além da possibilidade de filiação de Ângelo Almeida, como exemplos de movimentações consideradas inadequadas pela base partidária na região.

Segundo a nota, essas articulações representam uma tentativa de uso do partido como “mero instrumento eleitoral”, em desconsideração à militância histórica da sigla. O colegiado afirma que não aceitará que interesses eleitorais de ocasião se sobreponham à trajetória de filiados que constroem o PT no cotidiano.

“Não aceitaremos que interesses eleitorais de ocasião se sobreponham à defesa dos mandatos dos deputados e deputadas petistas. O partido não pode servir de abrigo para projetos pessoais”, diz um trecho do posicionamento.

O grupo também critica a possibilidade de filiações realizadas sem debate interno, especialmente às vésperas do encerramento do prazo da janela partidária. Para o colegiado, esse tipo de movimentação desrespeita as instâncias partidárias e fragiliza a organização política.

“Rechaçamos, de forma veemente, qualquer tentativa de filiação no apagar das luzes, sem debate e sem respeito às instâncias partidárias”, acrescenta a nota.

Ao final, o colegiado reforça a defesa da identidade histórica do partido e do vínculo com sua base social. “O PT tem história, tem base e tem lado. E não será transformado em legenda de conveniência”, conclui o documento.

Politica Livre

INSS sob Bolsonaro alterou regras e contemplou Credcesta 16 dias após ofício do Master

 

INSS sob Bolsonaro alterou regras e contemplou Credcesta 16 dias após ofício do Master

Por Vinícius Sassine / Folhapress

05/04/2026 às 07:40

Foto: Lula Marques / Agência Brasil

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O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) fez alterações em regras sobre o crédito consignado para permitir o funcionamento de um cartão de benefícios que impulsionou o Banco Master entre 2022 e 2025, até a derrocada da instituição financeira. Uma dessas mudanças foi implementada pelo órgão federal 16 dias após o recebimento de um ofício do Master com a intenção de operação do cartão.

A criação de normas específicas para o funcionamento do chamado cartão consignado de benefício, no último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), alavancou as operações do Credcesta, do Master, uma modalidade de crédito consignado levada para o banco de Daniel Vorcaro por Augusto Lima –os dois viriam a se tornar sócios.

O Credcesta –um cartão consignado que incluía serviços adicionais, como desconto em farmácia e auxílio-funeral– funcionou como um motor do Master, praticamente até a liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado. Expandiu-se por 24 estados e 176 municípios, com foco em servidores públicos nas esferas estaduais e municipais.

Com a alteração de regras no INSS, o Credcesta passou a operar junto a aposentados e pensionistas do regime geral de previdência, além de beneficiários do BPC (benefício de prestação continuada). Dados compilados pelo INSS, extraídos pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), mostram que os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.

Documentos do acordo de cooperação técnica firmado entre o INSS e o Master, obtidos pela reportagem, mostram que as regras adotadas sob medida em 2022 permitiram o funcionamento do Credcesta no mesmo ano, com expansão acelerada nos anos seguintes e de forma irregular, conforme a interpretação da atual gestão do INSS.

Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master sempre atuou em observância a normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, "incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento".

Em 25 de março de 2022, o então presidente do INSS, José Carlos Oliveira, assinou uma instrução normativa que passou a permitir operações com cartão consignado de benefício, como o Credcesta, junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. A instrução normativa alterou regras vigentes desde 2008 e não detalhou como se daria essa operação.

Com base nessa norma, o Master buscou o INSS para que fosse feito um aditivo no acordo de cooperação voltado a operações de crédito consignado. Esse acordo vigorou entre 2020 e 2025, e deixou de ser renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do banco de Vorcaro, investigadas pela PF (Polícia Federal).

Em um ofício ao INSS em 7 de junho de 2022, o Master pediu "aditamento do acordo de cooperação técnica para inclusão do cartão consignado de benefício". O banco citou, como base para o pedido, a instrução normativa publicada em março.

Até então, não havia um detalhamento sobre como esse cartão deveria operar, o que passou a estar previsto em nova instrução normativa, publicada no Diário Oficial da União em 23 de junho, 16 dias após o envio do ofício do Master.

Essa segunda norma sobre cartões consignados, como o Credcesta do Master, foi assinada por uma presidente substituta do INSS, Larissa Mora, servidora efetiva do órgão. José Carlos Oliveira havia sido nomeado por Bolsonaro, em 30 de março, para o cargo de ministro do Trabalho e Previdência.

O termo aditivo para inclusão do Credcesta no escopo do acordo de cooperação técnica com o INSS foi assinado em 13 de julho. Quem assinou o aditivo pelo Master foi o diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do banco, Luiz Antonio Bull.

O INSS não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem por e-mail e por WhatsApp na tarde de segunda-feira (30).

A reportagem buscou a defesa de Oliveira na segunda, mas não conseguiu contato. O ex-gestor esteve acompanhado do advogado durante o depoimento prestado na CPMI do INSS em setembro do ano passado.

No depoimento no Senado, o ex-presidente do INSS disse que o órgão não tinha capacidade de fiscalizar acordos de cooperação técnica firmados e que esses processos se davam de forma "mecânica", após passarem por diversos setores da autarquia.

O Master foi a primeira instituição financeira a fazer uso do novo regramento, com início das operações do cartão consignado de benefício, conforme acordos ou aditivos publicados no Diário Oficial da União, referentes a outras instituições financeiras.

Ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro, Oliveira mudou de nome e passou a se chamar Ahmed Mohamad Oliveira. A PF afirma que ele teve participação, de forma estratégica, no esquema de desvio de dinheiro de aposentadorias por meio de descontos fraudulentos. A polícia diz ter existido recebimento de propina pelo ex-gestor.

Bull, por sua vez, foi preso pela PF junto com Vorcaro, na primeira prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025. Naquele momento, as principais suspeitas investigadas eram de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília), com créditos inexistentes no valor de R$ 12,2 bilhões.

Vorcaro voltou a ser preso preventivamente, no último dia 4, e negocia um acordo de delação premiada com a PF e com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 13 de fevereiro mostrou a explosão dos contratos do Credcesta –um aumento de 2.500% em dois anos, com base em dados extraídos pela Dataprev– e o padrão reiterado de "desconformidades", além do risco de danos aos beneficiários, elencados pelo INSS. A atual gestão do órgão decidiu não renovar o acordo de cooperação.

Em 2 de março, em outra reportagem veiculada no jornal, o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que o Credcesta operou de forma irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados.

"Quando se faz um [contrato de] Credcesta, ele começa com o empréstimo pessoal. Havendo margem, esse crédito pessoal migra para o crédito consignado. Na visão do INSS, isso é irregular", disse Waller Júnior. "Nosso aposentado e pensionista têm de assinar um crédito consignado do INSS com todas as cláusulas e informações específicas."

Politica Livre

Tendência do PT alerta para impacto de filiações e pede debate interno sobre estratégia eleitoral

 

Tendência do PT alerta para impacto de filiações e pede debate interno sobre estratégia eleitoral

Por Política Livre

05/04/2026 às 08:00

Foto: Lula Marques/Agência PT

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A “CNB de Todas as Lutas”, tendência interna do Partido dos Trabalhadores (PT), divulgou nota pública manifestando preocupação com as recentes filiações realizadas pelo partido às vésperas do encerramento da janela partidária. No documento, o grupo aponta possíveis impactos na composição das bancadas federal e estadual da legenda.

Segundo a tendência, o cenário projetado para a eleição de deputados federais já acende um alerta. A federação partidária estima a eleição de cerca de 10 parlamentares, enquanto o PT atualmente conta com sete deputados federais. Pelos cálculos apresentados, haveria risco de redução dessa bancada para até cinco cadeiras.

A nota também menciona perdas consideradas relevantes para a composição da chapa proporcional, como as de Elizângela e Moema Gramacho, além da indefinição envolvendo Geraldo Simões.

No âmbito estadual, a preocupação é ainda maior, de acordo com o grupo. A CNB afirma que havia um entendimento interno para evitar, neste momento, a filiação de parlamentares com mandato, justamente para preservar a atual composição das bancadas do PT e de partidos da federação, como PV e PCdoB.

Apesar disso, a tendência afirma ter sido surpreendida por novas filiações, citando os deputados Eduardo SallesAntônio Henrique JúniorFabíola Mansur e Ângelo Almeida.

No documento, o grupo reconhece que, no caso de Fabíola Mansur, há histórico de alinhamento com a esquerda, e que Ângelo Almeida já integrou o partido. Por outro lado, aponta que as filiações de Antônio Henrique e Eduardo Salles geraram “estranheza” na militância, por, segundo a nota, não refletirem acúmulo programático compatível com os princípios defendidos pela federação.

Ainda de acordo com a CNB, essas movimentações podem resultar na perda de uma ou até duas vagas da atual bancada petista na Assembleia Legislativa da Bahia, o que, na avaliação da corrente, não contribui para o fortalecimento do partido.

Apesar das críticas, o grupo reafirma compromisso com os principais objetivos eleitorais do campo governista, incluindo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues e do senador Jaques Wagner, além da eleição do senador Rui Costa.

Por fim, a tendência defende que o crescimento da federação ocorra com “coerência política, responsabilidade estratégica e compromisso com a militância”, e conclama o partido a promover um debate interno sobre a estratégia eleitoral na Bahia.

Polirica Livre

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