sábado, março 21, 2026

Donald Trump emite sinais trocados sobre planos para a guerra no Irã

Presidente dos Estados Unidos avalia empregar fuzileiros navais para forçar a reabertura do Estreito de Ormuz e remover o urânio enriquecido do Irã, mas prevê redução gradual das operações militares no Irã. Em novo ataque, republicano chama aliados da Otan de "covardes"

postado em 21/03/2026 05:50

Donald Trump caminha por um dos corredores da Casa Branca: indisposição com aliados históricos - (crédito: Brendan Smialowski/AFP)
Além de chamar de "covardes" aliados históricos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Donald Trump avisou que não deseja um cessar-fogo com o Irã e garantiu que Israel somente estará pronto para pôr fim à guerra quando os Estados Unidos também estiverem. Na tentativa de liberar a navegação no Estreito de Ormuz, canal marítimo responsável pelo escoamento de 20% do petróleo mundial, os Estados Unidos Unidos intensificaram os ataques a alvos iranianos. O Pentágono também decidiu pelo envio ao Golfo Pérsico de 2,5 mil homens da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, baseada em Camp Pendleton (Califórnia). Parte da força terrestre viajará ao Oriente Médio a bordo do navio de assalto anfíbio USS Boxer.

No fim da tarde desta sexta-feira (20/3), Trump emitiu sinais trocados, ao admitir que estuda "reduzir gradualmente" as operações militares no Irã. "Estamos prestes a alcançar nossos objetivos enquanto consideramos reduzir gradualmente nossos importantes esforços militares no Oriente Médio contra o regime terrorista iraniano", escreveu na plataforma Truth Social. "O Estreito de Ormuz deverá ser vigiado e controlado, se necessário, pelos demais países que o utilizam — o que não é o caso dos Estados Unidos!", afirmou.

Mais cedo, o jornal The Wall Street Journal informou que a Casa Branca avalia utilizar os marines para assegurar o livre trânsito pelo Estreito de Ormuz. A imprensa norte-americana também admite que soldados poderiam ser utilizados para retirar o urânio enriquecido do Irã. Antes de falar sobre a redução das ações bélicas, Trump não quis revelar como as tropas serão empregadas no conflito com o Irã. Durante discurso em evento com cadetes da Marinha, o republicano fez  um elogio aos marines, sem citar a guerra no Oriente Médico. "Nenhuma força na Terra pode derrotar os fuzileiros navais americanos nem o Exército dos Estados Unidos", insistiu.

Moradores de Teerã participam do funeral do ministro da Inteligência, Esmail Khatib, morto em um bombardeio israelense
Moradores de Teerã participam do funeral do ministro da Inteligência, Esmail Khatib, morto em um bombardeio israelense(foto: AFP)

Em outro momento, ao receber jornalistas na Casa Branca, Trump descartou suspender a "Operação Fúria Épica". "Não quero um cessar-fogo. Você não faz um cessar-fogo quando está literalmente aniquilando o adversário. Estamos atingido eles com uma força terrível. Não acho que seja possível receber golpes mais fortes", declarou. Apesar da retórica triunfante, ele tornou a atacar a aliança militar ocidental. "Sem os Estados Unidos, a Otan é um tigre de papel. Eles não quiseram se unir à luta para deter um Irã movido a energia nuclear. Agora que essa guerra está militarmente ganha, com muito pouco perigo para eles, reclamam sobre os altos preços do petróleo pelos quais são forçados a pagar", escreveu o presidente dos EUA em sua plataforma Truth Social. "Mas, não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz. (...) Covardes! Nós nos lembraremos (disso)."

Professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker não se surpreende com a postura errática de Trump. "Ele adota a mudança repentina de retórica como tática para confundir, no sentido de que o Irã poderia se preparar para um aumento de tropas americanas. A ideia é fazer com que seus inimigos não entendam qual será o próximo movimento. Trump tinha a expectativa grande de que os aliados europeus entrariam no conflito para apoiar a posição dos EUA, por meio da Otan. Mas a forma como ele tem tratado seus parceiros causou uma desconfiança. Os europeus também não têm um consenso em relação a um apoio militar e alguns países defendem atuar com o Irã de outra forma", explicou ao Correio

Holzhacker adverte que o eventual uso de tropas no Irã é uma situação de "alto risco" para Trump. "Isso afeta a base política dele e pode expandir as perdas de soldados, algo sempre visto com preocupação nos Estados Unidos. A decisão poderia ser associada ao fracasso de outras operações americanas, como no Afeganistão e no Iraque", alertou, ao apontar um cenário de maior complexidade, o qual não descartaria uma presença ameicana no Irã. Ela lembra que, nos últimos dias, Israel bombardeou poços de gás do Irã e Trump pediu que o aliado parasse. "Trump calcula os riscos e os impactos da guerra na política interna americana e no preço dos combustíveis para o consumidor americano." 

Obuseiro israelense dispara projéteis em direção ao sul do Líbano a partir de uma posição na Alta Galileia
Obuseiro israelense dispara projéteis em direção ao sul do Líbano a partir de uma posição na Alta Galileia(foto: Jalaa Marey/AFP)

Em alusão ao Noruz, o Ano-Novo persa, uma mensagem atribuída ao aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo iraniano, garante que o Irã desferiu um "golpe fulminante" e "derrotou" o inimigo da guerra. "Neste momento, graças à unidade especial que se formou entre vocês, nossos compatriotas, apesar de todas as diferenças de origem religiosa, intelectual, cultural e política, o inimigo foi derrotado", assegurou o clérigo, que segue longe dos holofotes, em meio a rumores de que teria sofrido uma laceração no rosto e fraturado uma das pernas, em um bombardeio israelense. Também no Ano-Novo, Israel matou Ali Mohamadi Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, e Esmail Ahmadi, chefe da unidade de inteligência da milícia paramilitar Basij — a força responsável pela repressão a protestos no país islâmico.

"Apesar de ter testemunhado que confessou sob tortura e coerção, o tribunal rejeitou sua alegação, baseando-se nas confissões feitas na reconstituição do crime e em 'depoimentos de testemunhas oculares' como prova de sua condenação", acrescentou Moghaddam. Por sua vez, Kamaran Taimori — membro da diretoria da Organização Hengaw de Direitos Humanos — disse à reportagem que Mohammadi foi executado com dois cúmplices, Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi. "Entre outras acusações, eles responderam por 'incitar o povo à guerra e matar com a intenão de perturbar a segurança nacional'. Como no passado, as instituições de segurança e judiciais do Irã usam essas acusações para impor penas de prisão ou pena de morte a manifestantes detidos ou presos políticos e ideológicos", explicou Taimori. (RC)

Rodrigo Craveiro - Correio Braziliense


Lei determina que a delação de Vorcaro esclareça suas relações com o Supremo


A charge mostra políticos em uma moita. Numa primeira área da moita estão Ciro Nogueira, Antonio Rueda, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Numa segunda área aparecem Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro, Ibaneis Rocha, Ricardo Lewandowski, Ibaneis Rocha e Lula. Todos eles estão preocupados ao olhar para um papel que aparece no chão. No papel há o texto “Pauta da semana: delação de Vorcaro”. Lula coloca uma plaquinha com a inscrição “Moita lotada”.

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Raquel Landim
Estadão

Chegamos num tal nível de desconfiança sobre as relações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro que é inaceitável uma delação premiada do ex-banqueiro que não esclareça o que realmente aconteceu entre eles.

A cobrança não é apenas da opinião pública, mas da legislação. Qualquer seletividade de Vorcaro, caso tolerada pelas autoridades competentes, corre o risco de desmoralizar de vez o instrumento de colaboração premiada no Brasil.

JOGAR LIMPO – Três princípios básicos regem uma delação premiada: lealdade processual, integridade de ambos os lados envolvidos (delator e autoridades) e a proibição de fazer “reserva mental” dos fatos. De uma forma bem simples, é preciso jogar limpo.

Colaborador não pode mentir ou omitir. Da mesma maneira que comete crime se acusar falsamente alguém, perde os benefícios de redução de pena se deixar alguém de fora. Ele não pode preservar ninguém que esteja ligado com a investigação – por mais poderoso que seja.

No artigo 4º da Lei 12.850 de 2013, que estabeleceu a colaboração premiada no Brasil, está escrito que “o colaborador renunciará, na presença do seu defensor, ao direito ao silêncio, e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade”.

SERÁ RESCINDIDO – No artigo 17, esse princípio ficou reforçado: “O acordo homologado poderá ser rescindido em caso de omissão dolosa sobre os fatos objetos da colaboração”.

Podemos citar, por exemplo, quando Joesley Batista, dono da JBS, chegou a ser preso e quase perdeu sua delação premiada quando tentou preservar o senador Ciro Nogueira, de quem era amigo.

É interessante porque vale para os dois lados. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a Polícia Federal também não podem escolher o que querem ouvir. Ficam impedidos de proteger qualquer grupo político. É preciso investigar tudo.

PRODUZIR PROVAS – O colaborador também não precisa apresentar provas. Ele conta o que sabe, entrega contatos, dados de contas bancárias – tudo que conseguir obter. Mas ele não tem capacidade de quebrar sigilos, grampear telefones. O dever de coletar provas é das autoridades competentes, de novo, a PGR e a PF.

A colaboração premiada passou por testes de fogo desde que foi estabelecida no Brasil. As delações e punições da Lava Jato foram praticamente todas anuladas pela caneta de Toffoli com base em supostas infrações da cadeia de custódia de provas.

Sérgio Moro, naquela época juiz e hoje senador, foi muito criticado por advogados criminalistas por seus métodos que apostavam em prisões alongadas para que os criminosos falassem.

CASO DO CID – Relator da trama golpista, Moraes permitiu que o tenente-coronel Mauro Cid alterasse sua delação premiada cinco vezes em 12 depoimentos entre STF e PF – uma evidência de que já não era mais um colaborador confiável. E ainda assim Cid manteve todos os seus benefícios.

A delação de Vorcaro promete ser muito mais delicada que qualquer outro caso de grande repercussão no país, porque, pela primeira vez, aparecem evidências de comprometimento do Judiciário, instituição que rege a ordem democrática.

Até aqui, o ministro André Mendonça, que recebeu a relatoria do caso Master, vem conduzindo as investigações com zelo. É com ele que a defesa de Vorcaro começou a conversar sobre uma colaboração. Caberá a ele garantir o futuro ou desmoralizar de vez esse instrumento tão importante para as investigações no Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Mais uma importante matéria enviada pelo jornalista e advogado José Carlos Werneck. O texto explica com clareza o que diz a lei, que precisa ser obedecida. Mas acontece que nos dias de hoje, especialmente no Supremo, não está garantido que a lei prevaleça. O exemplo de Mauro Cid é bastante revelador. Sua delação estava cheia de furos e teve o claro objetivo de evitar a prisão dele, um militar covarde, que chorou ao ser preso pela primeira vez, por mentir ao depor. Infelizmente, porém, sua delação foi aceita e causou essas penas rigorosas e ilegais que Moraes aplicou e que serviram para transformar em terroristas cerca de 1,5 mil brasileiros que deveriam ter sido julgados apenas por invasão de prédios públicos e depredação de objetos tombados. E todos eles viraram membros de “organização criminosa armada”, embora não se conhecessem entre si, não tivessem chefes nem portassem armas. Ah, essas coisas, só no Brasil, mesmo… (C.N.)


Centrão trava apoio a Flávio e prioriza acordos estaduais antes da corrida ao Planalto



PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual à ministra Anielle Franco

 

PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual à ministra Anielle Franco

Defesa disse que o caso segue sigiloso e reafirmou notas anteriores em que o ex-ministro negou as acusações

Por Ana Pompeu/Folhapress

21/03/2026 às 08:40

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual à ministra Anielle Franco

Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula

A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de importunação sexual à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral, Paulo Gonet. O processo corre sob sigilo no STF e é conduzido pelo ministro André Mendonça.

Na peça, Gonet afirma que há indícios que respaldam o relato de Anielle. Dentre os depoimentos que corroboram as declarações da ministra está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Procurada, a defesa do ex-ministro afirmou que o caso permanece sigiloso e reafirmou declarações anteriores. Silvio Almeida vem argumentando que as acusações não têm materialidade e tratam de ilações.

Andrei participou da reunião de maio de 2023 na sede do Ministério da Igualdade Racial na qual Almeida teria assediado Anielle. O diretor-geral foi ouvido no caso e, segundo a PGR, deu um relato em consonância com o descrito pela ministra.

De acordo com a denúncia, Andrei diz ter sentido Anielle muito abatida depois da reunião e teria feito comentários fortes, como "não aguentar mais". Na ocasião, ela não teria citado o nome de Almeida, mas saiu chateada do encontro, relatando desconfortos.

A corregedora-geral da PF, Aletea Vega Marona Kunde, esteve presente no encontro e, também ouvida no inquérito, deu relato semelhante. Há, ainda, relatos de amigas com quem Anielle conversou na época sobre o momento que vivia.

O indiciamento de Silvio Almeida ocorreu em novembro passado pela PF e foi embasado na suspeita de importunação sexual contra Anielle e a professora Isabel Rodrigues. A denúncia da PGR, no entanto, aborda apenas o caso de Anielle.

Segundo o entendimento apontado pela Procuradoria, o segundo caso foi enviado à primeira instância para seguir a jurisprudência do STF, já que, à época dos fatos relacionados à professora, Almeida não era ministro.

De acordo com informações de pessoas que tiveram acesso ao documento, a PF considerou que houve prescrição em relação a outros casos suspeitos —quando o Estado não pode mais punir alguém pela prática de um crime ou executar uma pena pelo tempo passado desde o fato.

Somadas, as penas podem resultar em dez anos de prisão.

O indiciamento foi encaminhado à corte após investigação que apurou acusações de assédio sexual. No início de 2025, durante as investigações, Silvio Almeida chegou a depor por mais de duas horas à Polícia Federal.

Em depoimento à PF, Anielle disse que as "abordagens inadequadas" do colega foram escalando até a importunação física.

À revista Veja a ministra disse que houve "atitudes inconvenientes" por parte de Almeida, como toques inapropriados e convites impertinentes, mas que ela não reportou os episódios por "medo do descrédito e dos julgamentos", além da sensação de que a culpa era da vítima, não do agressor.

No caso da professora, ela publicou um vídeo em setembro passado acusando o ex-ministro de tê-la tocado sem consentimento durante um almoço na presença de outras pessoas, em 2019, antes de ele se tornar ministro dos Direitos Humanos do governo Lula.

Silvio Almeida chegou a dizer, em entrevista ao UOL, em 2025, que Anielle teria "se perdido no personagem" e caído em uma armadilha política.

O ex-ministro negou ter feito comentários indevidos a Anielle e passado a mão nas pernas dela em reunião ministerial, como é acusado. Disse que naquela ocasião houve encontro tenso e que surgiram divergências entre o que os dois propunham.

Também negou outros supostos casos de assédio. "Dou aula há 20 anos. Tive, aproximadamente, 40 mil alunos. Metade disso são mulheres. Em todas as universidades que passei, isso está dito de maneira oficial, nunca tive nenhum tipo de acusação".

"Não fiz isso. Não sei por que as pessoas mentem. E quem mente tem responsabilidade".

Na época, o ex-ministro publicou um manifesto nas redes sociais no qual afirmou que retomaria suas atividades públicas. "Estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão nem 'segunda chance'. Eu quero justiça."

O caso levou o presidente Lula a demitir Silvio Almeida um dia após a revelação das denúncias, em setembro de 2024. Antes da decisão, o petista se reuniu separadamente com Almeida e, após publicar a demissão, com Anielle Franco. Desde então, a pasta dos Direitos Humanos é comandada por Macaé Evaristo.

No comunicado oficial da demissão, o governo informava que o presidente considerava "insustentável" a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual.

O caso também está em apuração pela Comissão de Ética Pública da Presidência, sob sigilo. O órgão apura os fatos na esfera administrativa, por envolver um agente público.

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