quarta-feira, março 11, 2026

Tribunal barra tentativa de reabrir caso da “rachadinha” de Flávio Bolsonaro


Charge do Cospe Fogo (Arquivo do Google)

Italo Nogueira
Folha

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou, no ano passado, uma nova tentativa de retomada das investigações sobre o caso da “rachadinha” no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Em setembro, a 2ª Câmara de Direito Público rejeitou um recurso do Ministério Público para realizar uma nova quebra de sigilo bancário e fiscal do senador.

SEGREDO DE JUSTIÇA – O processo corre sob segredo de Justiça. Segundo a Folha apurou, o pedido havia sido feito junto com uma ação civil pública por improbidade administrativa proposta contra oito ex-assessores de Flávio na Alerj, entre eles Fabrício Queiroz, PM apontado como operador do esquema.

Os desembargadores entenderam que Flávio deveria ser incluído no pólo passivo da ação para ser alvo da medida. Contudo, como o procedimento cível da Promotoria contra o senador já foi arquivado no fim de 2024, essa mudança dificilmente ocorrerá. Em nota, o senador, que hoje é pré-candidato à Presidência, afirma que teve “suas contas devassadas e a vida revirada” sem que nenhuma irregularidade fosse encontrada.

“As investigações são prova irrefutável da honestidade de Flávio Bolsonaro. Ao contrário de Lula, que foi condenado por nove juízes diferentes. Atualmente, não existe qualquer inquérito que acuse ou investigue Flávio Bolsonaro por ilícito ou malversação”, diz a assessoria do senador, em nota.

QUEBRA DE SIGILO – A nova tentativa de quebra de sigilo do senador foi feita em 2023, pouco antes da prescrição da possível improbidade administrativa no caso – intervalo de cinco anos após o fim do mandato em que a suposta irregularidade foi cometida, prazo que a Promotoria tem para propor ação civil pública.

Na ocasião, o Ministério Público apresentou uma ação civil pública contra Queiroz e mais sete ex-funcionários do senador na Alerj. Ela teve como base principal o primeiro relatório do Coaf que apontava as movimentações suspeitas nas contas de Queiroz, origem de todo o caso. Essa foi a única prova não anulada por decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do STF (Supremo Tribunal Federal) contra a investigação criminal.

Ao oferecer essa ação, o Ministério Público pediu também a quebra de sigilo de Flávio, a fim de ampliar as investigações sobre as transações. A avaliação foi de que, apenas com o relatório do Coaf, não era possível incluir o senador entre os acusados, já que o documento não aponta qualquer movimentação financeira dele.

ARQUIVAMENTO – Na primeira instância, o entendimento foi de que a quebra de sigilo de Flávio só poderia ocorrer se ele fosse parte do processo. O Ministério Público recorreu da decisão, mas perdeu em setembro passado. No período entre as decisões de primeira e segunda instâncias, o Conselho Superior do MP-RJ arquivou o procedimento cível contra Flávio.

O colegiado entendeu que a quebra de sigilo negada era imprescindível para o avanço da investigação e que, passados cinco anos do fim do mandato de deputado estadual de Flávio, o caso já estaria prescrito em relação a ele. Agora, cabe à Promotoria avaliar se mantém a ação proposta apenas contra Queiroz e os ex-assessores de Flávio.

Essa não foi a primeira vez que o MP-RJ tenta reativar o caso da “rachadinha” após a anulação das provas obtidas contra o senador. Como a Folha revelou em 2021, a Promotoria solicitou a quebra de sigilo de Flávio e 38 ex-funcionários e empresas no âmbito deste mesmo procedimento cível. A medida, chamada de produção antecipada de provas, também foi negada na primeira e segunda instâncias da Justiça do Rio de Janeiro.

RECONSTITUIÇÃO – As medidas visavam reconstituir as provas obtidas no procedimento criminal que embasaram a denúncia contra Flávio em novembro de 2020 sob acusação de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Ele foi apontado como o responsável pelo desvio de R$ 6,1 milhões dos cofres públicos por meio de um esquema que recolhia parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio —prática conhecida como “rachadinha”.

O STJ anulou todas as decisões do juiz Flávio Itabaiana, que determinou a quebra de sigilo de Flávio e seus ex-funcionários. O entendimento foi que o senador deveria ser julgado pelo órgão especial do TJ-RJ, foro especial de deputados estaduais, cargo que ele ocupava à época dos fatos investigados. Posteriormente, o STF invalidou todas as provas colhidas pelo MP-RJ ao longo do procedimento.

Com essas decisões, o próprio Ministério Público solicitou a retirada da denúncia, já que as provas que fundamentaram a acusação haviam sido anuladas. O órgão especial rejeitou a denúncia em maio de 2022. A Procuradoria-Geral de Justiça recorreu contra a forma como o arquivamento foi realizado, por entender que a decisão impedia a reabertura do caso. No ano passado, o ministro Gilmar Mendes negou esse recurso, impondo o fim das apurações criminais do caso.


Aumenta cada vez mais a possibilidade de haver impeachments na Suprema Corte

Aumenta cada vez mais a possibilidade de haver impeachments na Suprema Corte

AMB questiona quórum para impeachment de ministros do STF

Reprodução do site Migalhas

Merval Pereira
O Globo

A resposta que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, deu à comissão da OAB, de que as apurações do caso Master vão seguir e que nada ficará sob o tapete tinha de ser dada, mas vamos ver os fatos, o que realmente acontecerá na prática.

Foi bom o presidente do STF ter dado esta declaração, porque pelo menos constrange os que, dentro do próprio STF, estão tentando negociar que tudo fique debaixo do tapete. Não é à toa que Fachin falou isso. Ele certamente sabe o que está acontecendo, e se avançar esta tentativa de parte do Congresso, parte do STF e parte do Judiciário de maneira geral para que não haja uma solução. será uma crise maior do que a que está acontecendo.

E OS MILITARES? – A opinião pública não vai aceitar, os militares estão muito incomodados – a não ser que eles entrem também no acordão, mas é muito difícil. Tenho a impressão de que, num país normal, que não é o nosso caso, isso seria resolvido pela Justiça.

Fachin está dando o norte – não sei se é o que a maioria do STF quer, mas ele está cumprindo sua missão. Ser presidente do STF é uma honraria menor, porque não é por mérito e sim por rodízio que se assume a presidência. Isso significa que o presidente não tem ascendência sobre ninguém. São todos iguais, o presidente tem algumas prerrogativas, mas nada que faça com que ele obrigue algum ministro a alguma coisa.

Só há a pressão moral, a pressão da sociedade, mas não é algo que tenha punição. É difícil comandar 11 “ilhas”, e às vezes elas se unem para proteger umas às outras, como está acontecendo no caso Master. Vamos ver se conseguimos ir adiante dentro da lei.

PUNIR É PRECISO – De uma maneira ou de outra, os ministros devem ser punidos, porque se não acontecer nada agora, é quase certo que no ano que vem, diante de um Senado majoritariamente de direita, um deles, ou os dois ministros sofram impeachment. Isso não vai parar.

STF e banco Master são o centro da discussão política num ano eleitoral. Cada explicação dada é pior do que a anterior, como a que a mulher de Alexandre de Moraes agora apresentou.

O Chat GPT faz aquilo em um minuto, não têm o menor sentido a tentativa de justificar o que é injustificável.

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Nota da Redação deste Blog:


Lava Jato 2.0: Merval Pereira retoma golpismo de 2016 e pede para comandantes militares enquadrarem Lula

Porta-voz político do clã Marinho, da Globo, Merval convoca comandantes militares contra Lula e faz uma espécie de copywriting de um artigo escrito em 2016, em meio à condução coercitiva determinada por Moro, citando tese do "artigo 142" adotada depois pelos bolsonaristas.

Por: Plinio TeodoroPublicado: 10/03/2026 - às 07h50Atualizado: 10/03/2026 - às 07h52| 6 min de leitura
Merval Pereira e Sergio Moro em evento da Globo
- Sergio Moro e Merval Pereira, do jornal O Globo (Isaac Amorim/MJSP)

orta-voz do clã Marinho, o editorialista Merval Pereira retomou o roteiro do golpe contra Dilma Rousseff em 2016 e fez um espécie de copywriting de um artigo escrito à época para pedir que comandantes militares enquadrem Lula, em uma reedição do que já vem sendo tratado como Lava Jato 2.0, em meio aos vazamentos seletivos de informações para jornalistas do grupo Globo.
Abra este Link e Leia Matéria completa:
https://revistaforum.com.br/politica/lava-jato-merval-pereira-militares-lula/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

“Honorários” de Viviane Moraes são considerados fantasiosos por especialistas


“Explicações” de Viviane não explicam absolutamente nada

Weslley Galzo,
Carlos Eduardo Valim,
Jenne Andrade e
Cristiane Barbieri
Estadão

Após três meses de silêncio desde que veio à tona um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, apresentou uma nota na qual descreve os serviços prestados à instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde o dia 4.

O Estadão consultou, sob condição de anonimato, 13 escritórios de advocacia nas áreas penal e de compliance, todos de renome nacional. Para a grande maioria deles, os valores praticados no contrato estão muito acima do que é cobrado pela média do mercado de elite nas áreas em que Viviane afirma ter atuado em nome do Master. Procurado para falar sobre a questão dos valores, o escritório Barci de Moraes informou apenas já ter se manifestado “por meio de nota pública sobre o escopo dos serviços prestados ao Banco Master”.

VALORES – Não há informações públicas sobre os valores recebidos efetivamente pelo Barci de Moraes. Segundo nota divulgada pelo escritório, a contratação aconteceu para o período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 — ou seja, por 22 meses. Se o contrato de R$ 129 milhões fosse válido por esse período, equivaleria a R$ 5,8 milhões por mês.

A informação revelada em dezembro passado pelo jornal O Globo, porém, é de que o valor total de R$ 129 milhões teria sido acertado por um período de três anos. Nesse caso, os ganhos mensais seriam de R$ 3,6 milhões à banca da família Moraes. Nesse caso, pelo período de 22 meses divulgado pelo escritório, o pagamento total teria sido de R$ 79,2 milhões,

Em consulta a especialistas, o Estadão tentou fazer um cálculo aproximado dos serviços prestados, considerando os valores mais altos praticados pelos escritórios. Trata-se de uma conta imperfeita, já que não há detalhes dos serviços e das horas gastas pelos 15 profissionais que atuaram sob supervisão do Barci de Moraes. Mas a conta dificilmente chega perto dos R$ 5,8 milhões mensais ou mesmo dos R$ 3,6 milhões mensais.

HONORÁRIOS ELEVADOS – Mesmo que o valor tivesse sido majorado para contemplar os outros três escritórios que o Barci de Moraes diz ter contratado para ajudá-lo na causa, especialistas afirmam desconhecer precedentes de trabalhos, como este prestado ao Master, que tenham gerado honorários tão elevados. Nenhum deles também ouviu falar quais foram os prestadores de serviços subcontratados pelo Barci de Moraes.

O mercado jurídico nacional opera geralmente com três modelos de contratação. O mais comum é o time sheet (pagamento por hora), adotado pelos maiores escritórios do País e também no exterior. Nele, o advogado recebe pelas horas dedicadas ao caso.

Diversas pessoas dos escritórios ouvidas pelo Estadão relataram que o valor médio cobrado por um advogado sênior, com anos de experiência e reconhecimento profissional, figura próximo dos R$ 4 mil por hora trabalhada. Um sócio de escritório pode chegar a cobrar R$ 5 mil por hora, enquanto estagiários e advogados juniores não rompem a barreira dos R$ 1 mil. Em grandes casos, geralmente são dados descontos pelos valores cobrados por hora.

“PACOTE FECHADO” – A outra forma de celebrar um contrato de representação jurídica é por meio do “pacote fechado”. Esse modelo costuma ser ofertado por grandes juristas e pareceristas, como ex-ministros de tribunais superiores e professores renomados. A prática consiste em fixar um valor de partida para entrar na causa e prevê o cumprimento de atividades previamente acordadas, como participar de audiências ou produzir pareceres jurídicos.

A terceira forma de celebrar contratos na advocacia é a aposta na “cláusula de êxito”. Os advogados que optam por esse modelo costumam estabelecer um valor base para prestação de serviços, nos mesmos moldes do pacote fechado, e incluem um adicional substancial para além dos honorários caso saiam vencedores da causa.

A nota emitida por Viviane não esclarece qual foi o modelo de contrato adotado nos serviços prestados ao Master, mas a advogada detalha parte das horas dedicadas ao caso. Pela descrição da nota do Barci de Moraes, foram ao menos 264 horas consumidas em reuniões institucionais.

PARECERES – Além disso, a advogada afirma que a equipe produziu 96 pareceres jurídicos, o que aumentaria o tempo consumido. Mas, para alcançar o valor de R$ 129 milhões pelo modelo time sheet, seria preciso que o escritório Barci de Moraes dedicasse mais de 25 mil horas ao Master com honorários de R$ 5 mil por hora trabalhada. Um ano tem 8.766 horas. O valor total só seria alcançado em aproximadamente três anos, mesmo prazo do contrato identificado pela Polícia Federal (PF) no contrato de Vorcaro.

Na avaliação de um especialista em compliance, que figura entre os cinco maiores do Brasil nos rankings da categoria, um trabalho como o desenvolvido pelo Barci de Moraes, envolvendo a criação de um código de ética e a revisão de regras internas do Master, custaria no máximo R$ 10 milhões, independentemente do modelo adotado. Ele diz ainda que os serviços descritos pela advogada não estão entre os mais complexos da área.

Diferentes escritórios também deram exemplos das causas mais vultosas que ganharam. Um deles foi um processo de fusão e aquisição (M&A) que durou mais de um ano, com centenas de profissionais de diferentes especialidades envolvidos. Incluíam especialistas em direito societário, tributário, concorrencial e do mercado de capitais. Com o sucesso do negócio, que movimentou algumas centenas de milhões de reais, o escritório ganhou R$ 8 milhões. Na venda de um banco, no qual trabalharam 42 advogados por 15 meses, o escritório embolsou R$ 42 milhões.

CASO BILIONÁRIO – Em uma das maiores disputas jurídico-empresariais da história do País, a estrangeira Paper Excellence, que litigou por anos em diferentes instâncias contra a J&F no processo sobre a venda da empresa Eldorado Celulose, estimou que teria gastado em torno de R$ 300 milhões com cerca de 40 advogados de diversos escritórios. O caso em questão envolvia mais de R$ 15 bilhões, enquanto que as ações criminais e de compliance envolvendo o Master ocorreram em um período em que o banco ainda não enfrentava acusações de fraude e buscava se alavancar no mercado.

Um reconhecido advogado com mais de 35 anos de experiência afirma que contratos de mais de R$ 100 milhões para um único escritório, em valores atualizados, só teriam existido no Brasil em causas fiscais bilionárias.

RECONHECIMENTO TÉCNICO –  Os especialistas consultados pelo Estadão dizem que, além de os valores serem fora dos padrões adotados pelo mercado, o escritório da família Moraes não tem o reconhecimento técnico dos pares nas áreas criminal e de compliance que justificassem um investimento tão grande na sua contratação. Neste sentido, gera estranheza a emissão de 36 pareceres e opiniões legais. Os pareceres emitidos pelo Barci de Moraes, na avaliação dos especialistas, certamente seriam internos e para consumo da própria empresa, e não para serem usados em tribunais.

Um parecer jurídico é uma análise técnica feita por um jurista reconhecido em determinado segmento do direito para orientar decisões, contratações ou riscos. O objetivo é influenciar decisões de cortes. É justamente nessa área que atuam os grandes nomes do direito, como os ex-ministros do STF, cujo notório saber jurídico e a chancela política são desejados pelos clientes para ajudá-los a munir a causa com dados relevantes.

No mercado, esse tipo de peça jurídica pode chegar a custar R$ 500 mil, a depender do especialista contratado. Entretanto, o Barci de Moraes não é reconhecido como um escritório com perfil para elaboração desse tipo de documento.

CIFRA ALCANÇÁVEL – Dos advogados consultados pelo Estadão, apenas Giovani Magalhães, mestre em direito constitucional e relações econômicas e consultor sênior da Abimael Carvalho Advocacia Empresarial, diz que a cifra é alcançável. Ele considerou um cenário em que os 15 advogados contratados por Viviane Barci trabalhassem concentrados unicamente nas demandas do Banco Master por pelo menos 1,7 mil horas cada um — algo em torno de sete meses de trabalho ininterrupto, considerando um expediente de 8 horas por dia, sete dias por semana — e cobrando o topo do valor-hora. Ou seja, pelo menos R$ 5 mil.

“O problema não é o quantitativo, é existir uma comprovação documental, contábil e financeira, para chegar a esse valor”, diz Magalhães. No entanto, a página do Barci de Moraes na internet mostra que ao menos sete integrantes da banca são jovens em início de carreira e sem títulos expressivos como mestrado ou doutorado, o que tornaria injustificável o pagamento de R$ 5 mil por hora de trabalho de maneira igualitária para cada um dos membros da equipe.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A nota oficial da mulher de Moraes mostra que ela tem uma criatividade tão espantosa que deveria mudar de profissão. Se fosse morar nos Estados Unidos, seria imediatamente contratada como roteirista de novelas. Infelizmente, porém, não é recomendável mudar para lá. O presidente Trump está processando o marido dela, Alexandre de Moraes, justamente pelo excesso de criatividade, porque tomou decisões judiciais aqui do Brasil e mandou que fossem cumpridas pela Justiça americana, uma espécie de Piada do Século. (C.N.)

Sinais de alerta na política brasileira, com desgaste da imagem de Lula

Publicado em 11 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Desgaste de Lula cresce e acende luz amarela no Planalto

Pedro do Coutto

A política costuma reagir rapidamente aos movimentos da opinião pública, e poucas coisas são observadas com tanta atenção em Brasília quanto as pesquisas eleitorais. Levantamento recente do Datafolha, divulgado em reportagem de O Globo, trouxe um dado que acendeu luz amarela no Palácio do Planalto: a aprovação do presidente Lula da Silva registrou queda significativa, enquanto o senador Flávio Bolsonaro avançou nas intenções de voto. A oscilação, embora ainda mantenha Lula em posição competitiva, sugere um cenário mais apertado e volátil para a disputa presidencial de 2026.

Os números indicam mudanças importantes na composição do eleitorado. Lula continua relativamente forte entre os brasileiros de menor renda — especialmente entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, segmento que historicamente constitui uma de suas principais bases eleitorais.

“NOVA CLASSE MÉDIA” – Programas sociais e políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, continuam a sustentar parte desse apoio. No entanto, a pesquisa revela que o presidente perdeu terreno entre os eleitores que recebem entre dois e cinco salários mínimos. Essa faixa, que costuma representar a classe trabalhadora urbana e setores da chamada “nova classe média”, pode se tornar decisiva em um eventual segundo turno.

Outro dado relevante está na divisão por gênero. Entre as mulheres, Lula ainda preserva vantagem e mantém índices de aprovação relativamente sólidos. Esse fenômeno não é novo: estudos eleitorais frequentemente apontam que eleitoras tendem a avaliar com maior peso políticas sociais e estabilidade econômica. Já entre os homens, o crescimento de Flávio Bolsonaro foi mais expressivo, reduzindo a diferença e indicando uma possível recomposição do campo conservador. Se essa tendência se consolidar, o equilíbrio eleitoral pode se alterar de forma significativa nos próximos levantamentos.

A renda também continua sendo um divisor claro. Entre os eleitores de renda mais alta, acima de dez salários mínimos, Flávio Bolsonaro aparece com vantagem, embora esse segmento represente parcela relativamente pequena do eleitorado brasileiro. Ainda assim, trata-se de um indicador importante porque revela onde a oposição ao governo encontra maior ressonância. Por outro lado, Lula ainda mantém desempenho competitivo em diversas faixas intermediárias, o que explica por que, na soma geral, segue à frente — ainda que com margem menor do que a observada em pesquisas anteriores.

SINAL DE TENDÊNCIA – No ambiente político, a leitura dominante é que pesquisas como essa funcionam menos como um retrato definitivo e mais como um sinal de tendência. Analistas do Insper e da Fundação Getulio Vargas costumam lembrar que oscilações desse tipo são comuns em ciclos eleitorais longos, especialmente quando ainda faltam muitos meses para o início formal das campanhas. Mesmo assim, partidos e estrategistas observam cada variação com atenção, pois elas indicam quais temas podem mobilizar — ou desgastar — determinados grupos do eleitorado.

Parte do desgaste recente do governo também está ligada ao ambiente de crise política que se formou em torno de investigações e denúncias envolvendo figuras próximas ao poder. O chamado caso do INSS e as investigações relacionadas ao Banco Master ampliaram o clima de tensão em Brasília. Ao mesmo tempo, episódios que envolvem o entorno de autoridades — como contratos milionários ligados ao escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — alimentam o debate público sobre transparência e conflitos de interesse. Ainda que muitos desses temas estejam sob investigação e sem conclusões definitivas, o impacto político imediato costuma ser inevitável.

HUMOR DO ELEITORADO – Essas crises se somam a uma característica recorrente da política brasileira: a percepção de que escândalos e disputas institucionais influenciam diretamente o humor do eleitorado. A experiência recente do país mostra que investigações conduzidas por órgãos como a Polícia Federal podem alterar narrativas políticas e redefinir alianças. Em diferentes momentos das últimas décadas — da crise do mensalão às investigações da Lava Jato — episódios dessa natureza contribuíram para reconfigurar o cenário eleitoral.

No caso atual, o impacto eleitoral dependerá muito da evolução dos fatos e da capacidade dos atores políticos de oferecer explicações convincentes à sociedade. O eleitor brasileiro, especialmente depois de anos marcados por sucessivos escândalos, tornou-se mais sensível a temas relacionados à ética pública e ao uso de recursos. Qualquer episódio que pareça reforçar a ideia de privilégio ou de favorecimento institucional tende a gerar desgaste político imediato.

BASE SOCIAL RELEVANTE – Apesar das dificuldades, seria precipitado afirmar que o cenário está definido. Lula ainda conserva uma base social relevante e um capital político acumulado ao longo de décadas de protagonismo na vida pública brasileira. Ao mesmo tempo, o avanço de Flávio Bolsonaro indica que o campo conservador continua mobilizado e busca consolidar uma alternativa competitiva para a próxima disputa presidencial.

O que as pesquisas recentes mostram, em última análise, é que a eleição de 2026 começa a ganhar contornos mais claros — e potencialmente mais disputados. Em um país marcado por profundas divisões políticas e sociais, pequenas mudanças na percepção do eleitorado podem produzir grandes efeitos nas urnas. Para o governo e para a oposição, o desafio agora é compreender esses sinais e responder a eles antes que se transformem em tendências irreversíveis.

Emília Corrêa exonera Simone Valadares da Secretaria de Assistência Social

 A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 10, por meio de publicação nas redes sociais da gestora

(Foto: reprodução/rede social)

A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, anunciou a exoneração da secretária da Família e da Assistência Social, Simone Valadares, mão do deputado federal Rodrigo Valadares (PL). A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 10, por meio de publicação nas redes sociais da gestora,

De acordo com a prefeita, a exoneração já foi oficializada no Diário Oficial e também inclui cargos vinculados à pasta. No comunicado, Emília Corrêa informou que a secretaria passa a ser comandada por Luciano Paz.

Segundo a prefeita, a mudança ocorre por questões de alinhamento político dentro da gestão municipal. “A gestão pública exige alinhamento político e compromisso com o projeto que foi apresentado à cidade. Quando esse alinhamento deixa de existir, é meu dever, como prefeita, tomar as decisões necessárias para preservar a estabilidade da administração”, afirmou.

Emília destacou ainda que a escolha do novo titular da pasta foi técnica e feita com responsabilidade. “A partir de agora, a secretaria passa a ser comandada por Luciano Paz. Uma escolha técnica e feita com total responsabilidade. O trabalho continua”, declarou.

Apesar da mudança, a prefeita também agradeceu à atuação de Simone Valadares durante o período em que esteve à frente da secretaria. “Quero registrar o reconhecimento ao trabalho que foi desenvolvido ao longo desse período pela secretária Simone Valadares e sua equipe. Houve dedicação, esforço e entregas importantes para a população”, disse.

A exoneração ocorre após o anúncio da pré-candidatura do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques (que recentemente tornou público o rompimento político com a prefeita), ao Governo do Estado, pelo PL, sob articulação do deputado federal Rodrigo Valadares.

Por Verlane Estácio

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Nota da Redação Deste Blog - Alinhamento político e cargos de confiança na administração pública.

Por José Montalvão

A prefeita de Emília Corrêa anunciou a exoneração da secretária da Família e da Assistência Social, Simone Valadares, decisão divulgada nas redes sociais da gestora nesta terça-feira, 10. Simone é mãe do deputado federal Rodrigo Valadares, e sua saída do cargo ocorre em meio a um cenário de reconfiguração política na capital sergipana.

Segundo a prefeita, a decisão foi motivada por questões de alinhamento dentro da administração municipal. Em declaração pública, Emília Corrêa destacou que governar exige unidade de pensamento e compromisso com o projeto apresentado à população. Quando esse alinhamento deixa de existir, afirmou, cabe ao gestor tomar decisões para preservar a estabilidade administrativa.

O episódio ganhou ainda mais relevância após o anúncio da pré-candidatura do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, ao Governo do Estado pelo PL, movimento político articulado justamente pelo deputado Rodrigo Valadares. O vice-prefeito recentemente tornou público o rompimento político com a prefeita, o que ampliou as tensões no cenário político local.

Na prática administrativa, a decisão da prefeita encontra respaldo em um princípio bastante conhecido da gestão pública brasileira: os cargos de confiança são de livre nomeação e exoneração. Secretários municipais, diretores e assessores especiais ocupam funções que dependem não apenas de competência técnica, mas também de confiança política direta do chefe do Executivo.

Isso significa que o prefeito ou prefeita pode exonerar o ocupante de um cargo comissionado a qualquer momento, sem necessidade de apresentar uma “justa causa” formal, bastando que exista a perda da confiança política. Divergências sobre o rumo da gestão, estratégias eleitorais ou apoio a projetos políticos distintos costumam ser motivos suficientes para a substituição desses auxiliares.

Do ponto de vista jurídico, não existe uma lei que proíba um secretário municipal de votar ou simpatizar com outro candidato. Contudo, na dinâmica política real, o apoio público a adversários do grupo político do prefeito representa, quase sempre, uma quebra de confiança. Em cargos estratégicos da administração, fidelidade política e compromisso com o projeto de governo são considerados elementos fundamentais para a continuidade no posto.

Outro aspecto importante diz respeito às chamadas condutas vedadas no período eleitoral. Servidores públicos, especialmente os que ocupam cargos de confiança, não podem utilizar a máquina pública — veículos oficiais, estrutura administrativa, recursos ou horário de expediente — para promover candidatos, partidos ou campanhas. Essa regra existe justamente para preservar a igualdade na disputa eleitoral.

Há ainda o instituto da desincompatibilização. Quando um servidor público ou ocupante de cargo de confiança pretende participar ativamente de uma campanha ou disputar uma eleição, ele precisa se afastar da função dentro de prazos estabelecidos pela legislação eleitoral. Esse mecanismo busca impedir que o poder do cargo público seja usado em benefício eleitoral.

Diante desse contexto, a exoneração de Simone Valadares não pode ser analisada apenas como um fato isolado da política local, mas como parte de uma lógica comum à administração pública brasileira. Em cargos de confiança, a permanência depende diretamente da sintonia entre o auxiliar e o chefe do Executivo.

Em política, muitas vezes a regra é simples: quando a música do governo muda e alguém decide dançar outro ritmo, a troca de parceiros torna-se inevitável. E, no caso da gestão pública, preservar o alinhamento interno costuma ser considerado essencial para manter a governabilidade e a coerência do projeto apresentado à população.

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 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


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