quinta-feira, abril 16, 2026

Wellington Dias expõe falha política e diz que Lula não colhe frutos de suas obras


Ministro culpa aliados de Lula nos estados

Caio Spechoto
Catia Seabra
Folha

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), disse à Folha que a falta de organização na base de apoio político do presidente Lula faz com que os programas do governo federal não impulsionem a popularidade do petista como poderiam.

Segundo esse raciocínio, setores aliados de Lula em alguns estados não creditam ao governo o mérito por programas federais, permitindo que o eleitorado associe as obras a outros grupos políticos. Dias mencionou indiretamente o fato de estarem computados como conquistas de políticos que, na prática, são oposição —mas não citou nomes.

CONGRESSO DOMINADO –  Lula —que, em 2025, disse que se tornaria cada vez mais esquerdista— convive com um Congresso hoje dominado por deputados e senadores de direita e do centrão. Conseguiu obter vitórias em votações importantes cedendo espaços a partidos que só o apoiam parcialmente, como PP e União Brasil.

O ministro admite que uma aliança tão ampla impõe como consequência a dificuldade de o governo reivindicar a autoria de suas obras. “Há esse efeito colateral onde ao mesmo tempo estamos fazendo [obras] com quem é governo e com quem é oposição”, diz.

GESTÃO FEDERAL – “Não tinha um sistema de água, agora tem. Não tinha uma UTI na cidade, agora tem. E, para a pessoa, quem fez isso não foi o governo do Brasil”, afirma. Dias cita que o governo federal transfere recursos para estados e municípios e que os políticos do local nem sempre explicitam que a ação realizada é em parceria com a gestão Lula.

“É como se fosse só do município ou só do estado. Em muitos lugares mudam até o nome do programa”, declara. “Em boa parte do país é como se a gente estivesse jogando [as ações] de um helicóptero. Quem está lá em baixo não sabe quem está no helicóptero”, acrescenta.

POPULARIDADE – O ministro cita o Piauí, onde foi governador por dois mandatos, como um dos lugares onde Lula é mais popular e obtém as maiores votações. O ministro atribui esses resultados à organização da base política local e à delimitação clara entre governistas e opositores.

“Quando a base do governo é mais organizada e mais presente, chega melhor à população a percepção de quem fez [a obra].”O órgão do governo com maior responsabilidade sobre a organização do apoio político ao presidente da República é o Ministério das Relações Institucionais. A pasta já foi comandada, no atual mandato de Lula, por Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann, ambos do PT. Dias não responsabiliza o ministério nem seus antigos ocupantes por essa falta de organização.

CARGO VAGO – O cargo de ministro das Relações Institucionais está vago desde quando Gleisi deixou o posto para poder se candidatar a senadora pelo PT do Paraná. Dias é um dos citados, nos bastidores, como possível substituto da agora ex-ministra.

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