sábado, fevereiro 14, 2026

Leia diálogos dos ministros em reunião que afastou Toffoli, segundo site


Poder 360 divulgou trechos de falas que seriam dos ministros do STF; a CNN Brasil não teve acesso ao conteúdo original e, portanto, não conseguiu checar a veracidade

Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília

13/02/26 às 19:01 | Atualizado 13/02/26 às 19:01 

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Vista do Supremo Tribunal Federal (STF)  • Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil


Os dez ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se reuniram, na quinta-feira (12), em uma sessão reservada para tratar da situação que envolve o Banco Master e integrantes da Corte. Segundo o portal Poder 360, oito dos participantes foram favoráveis à permanência do ministro Dias Toffoli à frente do caso e dois contrários.

O que estava em questão: um relatório de 200 páginas feito pela PF (Polícia Federal). Esse material deveria servir para arguir a suspeição de Dias Toffoli como relator do caso do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 e com um rombo na casa dos R$ 50 bilhões para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Segundo a reportagem, por sugestão do ministro Flávio Dino, amigo pessoal de Toffoli há mais de 20 anos, os magistrados concordaram em soltar uma nota de apoio a Toffoli e, em troca, o ministro entregou o caso para ser redistribuído — o novo relator passou a ser André Mendonça.

  • Teriam ficado a favor de Toffoli: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques (além de Toffoli);
  • Contrários a Toffoli: Cármen Lúcia e Edson Fachin

Após o encontro, Toffoli deixou a relatoria do caso.

Veja abaixo como cada ministro teria se expressado durante a reunião, conforme o Poder 360. A CNN Brasil não teve acesso ao conteúdo original e, portanto, não conseguiu checar a veracidade nem como foi feita a edição dos trechos.

Gilmar Mendes

O decano do STF, ministro Gilmar Mendes foi o primeiro a falar depois da exposição inicial de Toffoli, dizendo: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar.”

Cármen Lúcia

“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, segundo Cármen Lúcia.

E ainda complementou que tinha “confiança” em Toffoli, mas era necessário “pensar na institucionalidade”.

Citou ainda que não havia lido o material da PF, defendendo que fosse realizada nesta sexta-feira (13) uma sessão extraordinária, para resolver o caso antes do Carnaval, "para isso não ficar sangrando, porque não é só você [Toffoli] que sangra, é a Corte inteira".

Luiz Fux

“O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”, disse Luiz Fux, numa das intervenções mais rápidas da sessão reservada.

Alexandre de Moraes

Moraes disse ser “amigo” de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, mas que seu voto seria a favor de Toffoli.

O ministro falou em defesa da “institucionalidade”, que a PF fez um papel sujo e que, se houve uma investigação, era tudo nulo.

Nunes Marques

“Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil", disse Nunes Marques, citando que não caberia suspeição na relatoria de Toffoli.

"O sr. [Fachin] não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”, prosseguiu.

André Mendonça

Por sua vez, Mendonça concordou com Cármen Lúcia a respeito de existir uma "crise de institucionalidade" na Corte.

Ainda segundo o novo relator do caso, ele listou o que leu do relatório da PF.  “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli e Vorcaro", ponderou.

“Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”, seguiu.

E finalizou dizendo: "Pode acontecer com qualquer um de nós [investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim."

Cristiano Zanin

Na abertura de sua fala, Zanin disse que pretendia votar a favor da permanência de Toffoli como relator.

“Sou há um ano e meio relator de um caso que envolve três ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo.”

Flávio Dino

O ministro Flávio Dino começou dizendo que concordava “com tudo o que foi dito”.

Mas foi logo afirmando: “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/leia-dialogos-dos-ministros-em-reuniao-que-afastou-toffoli-segundo-site/


Nota da Redação Deste Blog -


 Por José Montalvão


Isso tudo faz lembrar uma das frases mais sombrias da história política brasileira, pronunciada por Jarbas Passarinho em 13 de dezembro de 1968, durante a reunião que aprovou o Ato Institucional nº 5: “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência.”

Naquele instante, sob o governo de Costa e Silva, o Brasil mergulhava na fase mais dura da ditadura militar. O AI-5 fechou o Congresso, suspendeu direitos políticos, institucionalizou a censura e abriu caminho para perseguições, prisões e cassações. A frase de Passarinho simbolizou o abandono deliberado dos limites morais em nome de um suposto “interesse superior” do regime.

Quando hoje surgem notícias de que ministros do Supremo Tribunal Federal se reúnem em sessão reservada para tratar de um caso envolvendo o Banco Master — instituição liquidada com um rombo estimado em R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos — e que há suspeitas de gravação clandestina do encontro, instala-se um clima de perplexidade institucional.

Segundo divulgado pelo portal Poder360, oito ministros teriam apoiado a permanência de Dias Toffoli na relatoria, enquanto dois se posicionaram contra. O relatório da Polícia Federal, com cerca de 200 páginas, teria sido produzido para fundamentar eventual arguição de suspeição. Posteriormente, após debates internos, o caso foi redistribuído para André Mendonça.

Chama atenção o tom atribuído ao ministro Flávio Dino, que teria classificado o relatório como “lixo jurídico” e afirmado que a crise seria política, não técnica. A fala — se fielmente reproduzida — revela tensão entre os limites jurídicos e as conveniências institucionais.

É evidente que não se vive hoje um regime de exceção como o inaugurado pelo AI-5. As instituições funcionam, há imprensa livre, controle social e mecanismos de responsabilização. No entanto, a lembrança histórica serve como alerta: toda vez que o debate jurídico cede espaço à lógica da conveniência política, o risco é o enfraquecimento da confiança pública.

O Judiciário, especialmente a Suprema Corte, não pode agir sob a lógica de “ônus e bônus” pessoais ou corporativos. Sua força reside na credibilidade, na transparência e na estrita observância dos princípios constitucionais. Reuniões reservadas são legítimas em determinadas circunstâncias, mas qualquer sombra de opacidade, ainda mais acompanhada da suspeita de gravações clandestinas, corrói a autoridade moral da instituição.

A democracia não se sustenta apenas pelo texto da Constituição, mas pela prática cotidiana do respeito às regras. A frase de 1968 ecoa como advertência histórica: quando se colocam “às favas” os escrúpulos de consciência, abre-se uma porta perigosa. A maturidade institucional exige justamente o contrário — mais responsabilidade, mais transparência e mais compromisso com o devido processo legal.

A história mostra que as instituições se fortalecem quando enfrentam crises com luz, e não com sombras.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025




Pressão política empurrou STF para tirar Toffoli do caso Master


Quem traiu os parças do Toffoli?

 

Arte: Marcelo Chello

Não faltaram parças do Toffoli na reunião suprema secreta do ano. Foi Dino. Foi Fux. Foi Gilmar. Foi André. Foi Zanin. Foi Nunes Marques. Foi Xandão. Estavam todos no modo “je suis Toffoli”. Era um tal de ninguém larga a toga de ninguém de fazer inveja mundial. Lixo jurídico, bradava um sobre o relatório da Polícia Federal. Isso aí é o pessoal do Mossad, dizia o outro. Pode acontecer com qualquer um, vaticinava o ministro virtual. Data vênia, mas o que são 16 milhões num golpe de 50 bilhões?, justificava o outro sobre o dinheirinho do rolê do Tayayá com a family Toffoli. Se segura, BRASEW, que a República está grampeada e merece o quê? O quê? O quê? Os reacts da Tixa. Vem que é carnaval.

Para os Perdidos. Nesta semana, a Polícia Federal entregou um relatório de 200 páginas para o presidente do Supremo, Edson Fachin, que mostrava troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Dias Toffoli. E mais, que rolou uma transferência de dinheiro. Toffoli, que, desde que assumiu a relatoria do Banco Master, foi questionado por sua atuação cheia de plot twists jurídicos, teve que confessar que era o dono do Tayayá. Mas garantiu que não sabia que o dinheiro era do Vorcaro.

A pressão foi infernal e os supremos se encontraram em uma reunião secreta. Nela, decidiram que não haveria suspeição de Toffoli, que ele é um ministro maravilhoso, mas que é tão maravilhoso que decidiu, por conta própria, deixar a relatoria do caso. E aí vazam as falas dos ministros, com riqueza de detalhes. E as falas todas beneficiando a imagem de Toffoli como um supremo que queria transparência (mas Gilmar não curtiu esse rolê de transparência), que estava sendo apoiado por seus parças incondicionalmente.

Só Cármen Lúcia e Edson Fachin eram contra ele permanecer relator. Estavam preocupados com a imagem do Supremo. Acabaram por decidir pela saída de Toffoli. E o Poder 360 revelou parte do que os ministros conversaram, no maior vazamento secreto supremo.

Vamos aos reacts

O supremo Gilmar Mendes

“Nós não estamos aqui para discutir Código de Ética.”

Esse foi o supremo dono do Gilmarpalooza, rápido no pensamento quando Toffoli sugeriu que queria um Código de Ética e que, inclusive, abriria todas as suas contas bancárias. Mas não abriria nada sozinho, os outros ministros também teriam que mostrar suas contas. Toffoli querendo levar os parças tudo junto.

A suprema Carminha

“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo.”

Carminha tentando salvar alguma coisa do Supremo.

O supremo in Fux we Trust

“O ministro Toffoli, para mim, tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.”

Love you, Toffu. Tamo junto, irmão. Gente, como são as gírias de lutador de jiu-jítsu?

O supremo Xandão

“Eu conheço. Isso aí é o pessoal do Mossad”...

Xandão mostrando todo seu conhecimento quando o supremo Zanin disse estar na dúvida sobre que firma era a tal Black Wall Global, contratada por Vorcaro para fazer espionagem. Ao que Xandão deu o esclarecimento. (Fiquei aqui pensando: a segurança suprema é párea para o Mossad?). Xandão, a propósito, foi outro que disse que era Toffoli desde criancinha e que, apesar de ser amigo do delegado-geral da Polícia, tinha avisado que ele não podia fazer investigação do povo com foro megablaster sem pedir autorização judicial.

O supremo terrivelmente evangélico

“Pode acontecer com qualquer um de nós. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim. E encerro aqui.”

Esse foi o terrivelmente evangélico André Mendonça, antes mesmo de saber que ia ser o novo relator do caso. Mendonça está no modo “sou relator do caso do roubo dos aposentados e quero investigar o Lulinha”.

O supremo Dino

“Isso aqui é um lixo jurídico. Esse problema é político. O ministro pegou uma causa bilionária de R$ 55 bilhões e um negócio dele lá com um fundo de R$ 16 milhões é o problema do país? É óbvio que esse não é o problema do país. Isso é para encobrir os interesses dos grandes empresários.”

Deixa eu ver se entendi, então não se deve perder tempo com os 16 milhões para saber se estava tudo legal porque o rombo é de 55 bi??? Humm, não entendi.

O pessoal no X

“A situação do Toffoli está tão delicada que não me surpreenderia se ele contratasse a esposa de Moraes.”

Ah, que maldade, gente. Não vou endossar isso, não.

O Centrão

“A Federação União Progressista manifesta sua preocupação com as narrativas que querem colocar a opinião pública contra o ministro Dias Toffoli. É preciso ponderar que as injustiças acontecem quando se tem apenas um lado de uma versão repetida inúmeras vezes sem base sólida. Uma versão caluniosa, que passa a ser tratada como verdadeira justamente pela repetição.”

Esses foram os cidadãos de bem, patriotas e líderes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. É isso aí, Cirão. Je suis Toffoli.

O Lula

“Pelo menos caiu com alguém sério.”

Não, o presidente não estava na reunião. Isso daí foi o que ele fez vazar para a imprensa sobre a sua reação à escolha de André Mendonça para ser o relator do caso Master. Ahã, claro, claro.

Curtíssimas

Chega de reacts e vamos às últimas curtinhas do Master. As conversas do telefone de Daniel Vorcaro revelam que a polícia suspeita que a esposa do supremo Toffoli também atuou como advogada para o Master. Gente, mas todo parente supremo é advogado?

E o Fábio Faria, ex-ministro do Bolsonaro, presidente do SBT News, ex-diretor do Andrezito Esteves, que era best friend do Vorcaro? Parece que mensagens dele para o Dani é o que não falta no telefone do amigo. E ele andou falando sobre um caso que interessava no Supremo para o Vorcaro

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