sábado, fevereiro 14, 2026

Fim da escala 6x1: o terrorismo das elites contra os direitos do trabalhador

 


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08:44 (há 16 minutos)
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Fim da escala 6x1: o terrorismo das elites contra os direitos do trabalhador

De Barão de Cotegipe a Sóstenes Cavalcante, o discurso do "caos econômico" se repete para barrar direitos. Com 70% de apoio popular, a PEC avança na Câmara, mas sofre pressão para ser desidratada.

Com o apoio de mais de 70% da população, a PEC que acaba com a escala 6x1 ganhou força e deve ser aprovada na Câmara até o fim de maio. O presidente Hugo Motta tem se mostrado entusiasmado com o projeto e disse que será uma das prioridades da casa em 2026.


Trata-se de um milagre de ano eleitoral, já que Motta costuma evitar a fadiga na hora de defender direitos dos trabalhadores. O mesmo fenômeno se viu até em alguns parlamentares da extrema direita, como é o caso do senador Cleitinho, aquele falastrão do Republicanos, que está cotado para ser o candidato a governador da família Bolsonaro em Minas Gerais.


Mas o jogo não está ganho para quem defende uma jornada minimamente digna para os trabalhadores.


As elites produtivas e financeiras já estão mobilizadas no Congresso e na grande imprensa para tentar vender caro a aprovação do fim da escala 6x1. Empresários têm pressionado deputados para que se mantenha as atuais 44 horas semanais de trabalho, em vez das 36 horas da proposta original da deputada Erika Hilton. Em outra frente de pressão, grandes veículos militaram ostensivamente contra a PEC.


Chilique apocalíptico de patrão


Toda vez que as elites sentem-se ameaçadas por alguma medida a favor dos trabalhadores, segue-se um roteiro que está manjado há séculos.


Apela-se ao terrorismo no debate público, apontando um futuro sombrio para a economia e para a sociedade caso a mudança seja concretizada. A comparação com as reações das elites em outros períodos da história é inevitável.


Na internet, muitos recuperam notícias dos tempos em que se debatia a introdução do 13º salário, a criação do salário mínimo, do direito às férias ou a abolição da escravatura. Impressiona como as reações das elites são semelhantes com as atuais. É tudo tão parecido que chega a ser caricatural.


Os chiliques são sempre apocalípticos, apontando uma crise econômica sem precedentes. O debate público passa a ser tomado pelo terrorismo, e a defesa por novos direitos é tratada como populista e demagoga. Passam-se os séculos, o apocalipse não chega nunca, mas as elites continuam agindo do mesmo jeito.


É um cacoete histórico de uma casta que, durante séculos, enriqueceu com a exploração do trabalho escravo. Toda e qualquer expansão de direitos ao trabalhador sempre foi tratada historicamente como um atentado contra a economia.


Vejamos o depoimento de Barão de Cotegipe, que representava grandes fazendeiros no Senado, durante os debates que antecedem a implementação da Lei Áurea: “Tenho conhecimento da nossa lavoura, especialmente das províncias de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, e afianço que a crise será medonha. A verdade é que haverá uma perturbação enorme no país durante muitos anos".

Corta para 2026 com a
 fala do deputado Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro, um dos críticos mais ferozes do fim da escala 6x1: “Este é um tiro de morte no coração da economia”. Mais de um século e meio se passou, mas as trombetas do apocalipse seguem tocando no mesmo tom terrorista.


O papel da imprensa na defesa dos interesses patronais


Na imprensa, não faltam jornalistas empenhados em defender os interesses dos patrões. A proposta por uma jornada de trabalho menos indigna é tratada como um populismo barato em ano eleitoral que trará consequências gravíssimas para a economia.


O Estadão manchetou: “Fim da escala 6x1: entidades da indústria se dizem preocupadas e citam ‘graves prejuízos à economia’” e não se dignou a ouvir opiniões contrárias. É o mesmo jornal que durante a escravidão fazia anúncio de vendas de escravos e que militou para adiar ao máximo a abolição da escravatura.  


Na Band, o jornalista Eduardo Oinegue foi escalado para atacar o fim da escala 6x1. Depois de se escorar na falácia de que o trabalhador brasileiro é um dos mais improdutivos do mundo, o jornalista chama afirma que a “redução de jornada de trabalho sem redução salarial é populismo barato".

É basicamente a atualização de uma frase que o Barão de Cotegipe disse para a Princesa Isabel em uma de suas batalhas contra o fim da escravidão: “O governo não deve ser um instrumento de paixões, nem deve se deixar arrastar pelo entusiasmo das massas que não medem as consequências dos seus atos."


Os que defendem direitos dos trabalhadores são historicamente pintados como idiotas populistas que vão destruir a economia do país com sua demagogia. 


A história de todas as sociedades é mesmo a história da luta de classes, como diria aquele famoso barbudo alemão. Entra século e sai século, lá estão as elites usando o terrorismo para manter seus privilégios históricos.


Bolsonaro prometeu “menos direitos e mais empregos" e o que se viu durante sua gestão foi menos direitos e menos empregos.


Já o seu ministro da economia, Paulo Guedes, defendeu fervorosamente o não aumento do salário mínimo, com um terrorismo que fez o Barão de Cotegipe sorrir no inferno: “Hoje, se você der um aumento de salário mínimo, vão ter no mínimo milhares e talvez milhões de pessoas que vão ser demitidas. Você está no meio de uma crise de emprego terrível, todo mundo desempregado, você dar um aumento de salário, vai condenar as pessoas ao desemprego.”

Corta para 2026, com o Brasil vindo de três anos seguidos de aumento real do salário mínimo e sem aumento de desemprego. Pelo contrário: dados oficiais apontam que o Brasil  atingiu os menores níveis de desocupação da série histórica justamente nesse período de valorização do salário mínimo.


O fim da escala 6x1 vai quebrar o Brasil?


Não nos esqueçamos também da clássica manchete de capa do jornal O Globo em abril de 1962, anunciando a tragédia que seria a implantação do 13º salário: “Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”. É o mesmo jornal que hoje critica o reajuste do Benefício de Prestação Continuada, o BPD, e das aposentadorias pelo salário mínimo. 


Vendo que o jogo pela escala 6x1 está perdido, os parlamentares que representam as elites agora lutam para sair perdendo menos. Vão acatar a escala 6x1, mas não abrem mão das 44 horas semanais de trabalho. É muito semelhante com o que fez Barão de Cotegipe e sua turma que, ao verem a abolição como inevitável, lutaram para que os proprietários de escravos fossem indenizados pelo estado. 


No século passado, as jornadas de trabalho eram exaustivas e os direitos escassos. De lá pra cá, o que se viu foi um aumento vertiginoso da produtividade da economia brasileira, provando que essa correlação com o aumento de direitos trabalhistas é falsa. Mesmo assim, ninguém tem dúvidas de que essa amnésia conveniente continuará surgindo toda vez que se proponha alguma melhoria para o trabalhador.

O apocalipse econômico evocado pelos críticos de todas as grandes reformas sociais nunca se concretizou. Muito pelo contrário, a economia e a sociedade acabam se adaptando aos novos padrões de dignidade humana.


E, convenhamos, o fim da escala 6x1 é pouco ou quase nada para a maioria dos trabalhadores brasileiro, que sofre com baixos salários e más condições de trabalho. Defender com unhas e dentes a negação dessa migalha mostra a crueldade histórica das elites brasileiras com o povo.

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Políticos amigos do banco Master fazem manifesto de apoio ao ministro Dias Toffoli

 

Políticos amigos do banco Master fazem manifesto de apoio ao ministro Dias Toffoli

Federação liderada por Ciro Nogueira e Antonio Rueda fala em ‘versão caluniosa’ contra ministro do STF

Por João Pedro Bitencourt/Estadão

14/02/2026 às 07:40

Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo

Imagem de Políticos amigos do banco Master fazem manifesto de apoio ao ministro Dias Toffoli

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF)

A Federação União Progressista divulgou nesta sexta-feira, 13, uma nota em defesa do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que há uma tentativa de criar narrativas para colocar a opinião pública contra o magistrado.

O texto é assinado pelo presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira, e pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda. A federação sustenta que “é preciso ponderar que as injustiças acontecem quando se tem apenas um lado de uma versão repetida inúmeras vezes sem base sólida”.

A manifestação ocorre em meio à repercussão das menções encontradas a Toffoli no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro pela Polícia Federal (PF). O ministro admitiu ser sócio da empresa que vendeu participação em um resort ao cunhado do banqueiro e deixou a relatoria do caso no Supremo, posteriormente assumida por André Mendonça.

Uma das pessoas mais próximas a Vorcaro em Brasília era Ciro Nogueira. Segundo relatos de pessoas próximas ao parlamentar, ele foi ouvido antes de o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, dar aval à oferta de compra do Master pelo BRB e é considerado peça-chave na negociação, já que Ibaneis busca apoio para a eleição de 2026, quando pretende disputar o Senado.

Antes mesmo da formalização da federação União Progressista, Rueda ofereceu uma aliança para pavimentar a campanha de Ibaneis em 2026. Além disso, Ciro apresentou emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central para elevar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A proposta foi identificada por parlamentares e integrantes do mercado financeiro como uma das primeiras iniciativas no Congresso que poderiam beneficiar o Master.

Rueda também é apontado por parlamentares como articulador de interesses do banco no Congresso. O União Brasil, partido que preside, controla o RioPrevidência, fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, que aplicou cerca de R$ 1 bilhão no Master. O fundo foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades na operação, considerada incompatível com a finalidade do instituto e de alto risco.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, resistem à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Segundo apuração do jornal O Estado de São Paulo, Rueda também atuou nos bastidores para barrar a comissão. A mensagem transmitida a parlamentares que coletam assinaturas é que o dirigente estava pessoalmente interessado nas discussões e teria determinado o envio de emissários do União para tratar do tema. Nos bastidores, essas movimentações são atribuídas à chamada “Bancada do Master”.

Na nota divulgada nesta sexta, a federação afirma que as acusações contra Toffoli representam “uma versão caluniosa, que passa a ser tratada como verdadeira justamente pela repetição”. O texto acrescenta que é preciso atenção às narrativas que buscam colocar a população contra o ministro e defende que “a Justiça se fortalece quando há equilíbrio e respeito às instituições”.

Ao final, a União Progressista reitera “confiança na integridade do ministro Dias Toffoli” e afirma acreditar que “a verdade vai, mais uma vez, prevalecer”.

Nota do Solidariedade

O presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulinho da Força, também divulgou nota pública em defesa de Toffoli.

Relator do PL da Dosimetria na Câmara, Paulinho afirmou que “manifestações firmes se fazem essenciais para lidar com momentos turbulentos” e destacou os “quase vinte anos de relevantes serviços prestados na magistratura brasileira” pelo ministro.

Na nota, o dirigente criticou o que classificou como “linchamento moral de autoridades públicas com base em pré-julgamentos e vazamentos seletivos de elementos de informação” e disse que “não se pode admitir que corporações e uma parcela da mídia” promovam esse tipo de conduta.

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