Recentemente, em Jacarta, na Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva selou o que muitos já previam: aos 80 anos, ele disputará o seu quarto mandato em 2026. A notícia levanta a questão que domina as rodas de conversa política: por que, após décadas de vida pública, prisões, crises e vitórias, uma parcela tão fiel do eleitorado se recusa a abandonar o líder petista?
1. A Memória do Prato Cheio
A popularidade de Lula não é abstrata; ela está ancorada na memória afetiva e prática de milhões de brasileiros. Para quem viveu a ascensão social entre 2003 e 2010, o nome de Lula é indissociável de um período de geladeiras cheias, universidades acessíveis e a saída do Brasil do Mapa da Fome através do Bolsa Família. O eleitor não vota apenas no "político", mas na lembrança de um Brasil que parecia mais próspero.
2. A Identificação da Origem
A trajetória de Lula — do sertão pernambucano ao movimento sindical e, enfim, à presidência — cria uma conexão que poucos políticos conseguem replicar. Ele não fala para as classes populares; ele fala como elas. Essa identidade de classe atua como um escudo contra ataques de adversários, pois o eleitor se vê representado na figura do presidente.
3. O Desafio do Presente e o "Recall" de 2022
Embora os dados de 2025 mostrem uma aprovação em torno de 24% (segundo o Datafolha), patamar baixo para o seu histórico, Lula ainda detém o maior "recall" de votos do país. Em 2022, ele venceu sob a promessa de reconstrução. O eleitor que o sustenta hoje acredita que, se o passado foi bom, ele é o único capaz de consertar os problemas de inflação e custo de vida que surgiram no pós-pandemia.
A Polarização e o Cenário de 2026
O artigo da CNN deixa claro: o Brasil está rachado. De um lado, o lulismo fiel; do outro, críticos ferrenhos que apontam falhas éticas e na condução da economia.
O que está em jogo em 2026 não é apenas um cargo, mas a permanência de um modelo de país. Se vencer, Lula poderá governar até 2031, tornando-se o presidente com maior tempo de poder eleito pelo povo na história da República.
Conclusão: Energia aos 80
Ao declarar que tem "energia de 30 aos 80 anos", Lula sinaliza que o cansaço não será um fator para sua retirada. O eleitor não o abandona porque, para uma fatia considerável do Brasil, ele ainda representa a esperança de um retorno a um passado de estabilidade, enquanto para outros, ele é o único muro de contenção contra o avanço da oposição radical.
O ano de 2026 será o teste final para essa lealdade. O povo votará na memória do que foi ou na realidade do que está sendo?
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/R/v/ezHm5zSIuTpPTlr0YTIw/bolsonaro.jpg)