sexta-feira, fevereiro 06, 2026

Antecedentes e ataques à democracia pesam contra Bolsonaro e Braga Netto no STM


Bolsonaro e Braga Netto enfrentam cenário mais adverso

Ana Flor
G1

Dentro do Superior Tribunal Militar (STM), o julgamento dos condenados por tentativa de golpe no STF é considerado imprevisível, mas dois dos réus que podem ter a perda de patente por indignidade determinada pelos ministros têm situação considerada mais grave: o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, Walter Braga Netto.

Na análise do caso de Bolsonaro, segundo ministros, ex-ministros da Corte e especialistas na Justiça Militar afirmaram que pesará o antecedente de já ter sido julgado no STM por conduta irregular. Entre 1987 e 1988, Bolsonaro foi julgado duas vezes, por diferentes Conselhos de Justificação. Condenado por unanimidade na primeira instância, foi considerado não culpado em 1988 por maioria do STM.

SEGUNDA VEZ – “Antecedentes pesam na análise dos ministros militares”, afirmou o professor da UFRJ e historiador Carlos Fico. “Sempre existe a aura de ser ‘uma segunda vez’”, diz ele. No caso de Braga Netto, a imagem chamuscada dentro das Forças Armadas se dá pelos ataques orquestrados a militares do alto comando, na tentativa de mobilizar apoio para a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022, segundo mensagens e documentos encontrados pelos investigadores.

Em tese, a decisão do STM é apenas dizer se pessoas que foram condenadas em última instância por ataque à democracia e tentativa de golpe de Estado não são dignas do oficialato. Uma reação aos crimes graves a que os cinco, agora réus no STM, foram condenados. Além deles, Mauro Cid foi condenado, mas a uma pena de até dois anos, que não leva o caso à análise do STM. A pena do tenente-coronel foi diminuída pelo acordo de colaboração.

COM CAUTELA – No tribunal, entretanto, o caso de Augusto Heleno e até de Almir Garnier será visto com cuidado por ministros militares. Heleno, pela saúde e idade, mas sobretudo por ser admirado dentro do tribunal. Já Garnier, lembra um analista que acompanha o tribunal, tem entre ministros ex-colegas de almirantado.

“De qualquer forma, um ministro terá que buscar muitos argumentos para dizer que não concorda que aquelas pessoas são indignas para o oficialato mesmo com uma condenação porque conspiraram contra a democracia”, pondera.

Decisão de Dino sobre fim dos supersalários pode destravar reforma administrativa, diz relator

 

Decisão de Dino sobre fim dos supersalários pode destravar reforma administrativa, diz relator

Pedro Paulo vê que determinação do ministro do STF é ‘corajosa, excepcional e moralizadora’; para ele, agora há um ambiente em que poderá haver o debate

Por Levy Teles/Estadão

05/02/2026 às 20:45

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

Imagem de Decisão de Dino sobre fim dos supersalários pode destravar reforma administrativa, diz relator

O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa

O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa disse ao jornal O Estado de São Paulo que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar a suspensão de pagamentos de penduricalhos pelos Três Poderes, poderá fazer acelerar a tramitação da proposta na Câmara.

Ele, que estava descrente que o tema pudesse sequer entrar em pauta neste ano, agora crê que há uma razão para o Parlamento votar a matéria.

“O ambiente que você tinha no passado, que você tinha ontem, da política querendo empurrar para frente, ‘vamos falar depois da eleição’, a decisão do ministro Dino pode ir ao contrário e acelerar essa discussão”, afirmou.

O texto da reforma administrativa prevê o fim dos penduricalhos e um limite no salário de funcionários públicos. Benefícios fora do teto deverão ser transitórios e pagos em situações excepcionais, e não mais a todos os servidores de uma categoria de forma indistinta e generalizada, como acontece hoje. Nesse caso, as verbas que podem ser pagas fora do limite deverão ser aprovadas em lei pelo Congresso Nacional.

O placar do Estadão revelou que 217 dos 513 deputados federais são favoráveis à extinção de remunerações pagas acima do teto salarial do funcionalismo público, os chamados supersalários, presente no texto da reforma administrativa.

Pela decisão, os pagamentos de adicionais que não estão previstos em lei devem ser suspensos após 60 dias. Até lá, os Três Poderes deverão rever todos os itens pagos como adicionais salariais e que acabam contribuindo para que vencimentos no funcionalismo ultrapassem o teto que é o salário de um ministro do STF, equivalente hoje a R$ 46,3 mil.

Dino defendeu que o Congresso regule uma lei que defina quais são as verbas indenizatórias “realmente admissíveis como exceção ao teto e ao subteto”.

Ele intimou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que tomem as medidas políticas para suprir a omissão inconstitucional.

A decisão de Dino foi bem recebida por Pedro Paulo. Ele acredita que uma ação “excepcional, moralizadora, provoca o debate e é corajosa”. “Fiquei feliz que ele traz no texto elementos que tratei na reforma”, afirmou. “Essa decisão reflete a indignação da sociedade”.

Para o parlamentar isso também é fruto da indisposição da elite do funcionalismo público em dialogar com o Congresso para encontrar uma solução pelo consenso no Legislativo.

“Essa negativa da política (por representantes da elite dos servidores públicos brasileiros) em negociar dá nisso. Veio aí uma decisão extemporânea. Se não foi por bem, vai à força, ao invés de fazer no ambiente do Parlamento. A negativa desses segmentos não quererem negociar acaba nisso”, afirmou.

Ele acredita que haverá reação e por isso a determinação é “corajosa”. “O ministro jogou uma granada. Jogou uma bomba com efeito nuclear. A quantidade hoje dessa elite do servidor que recebe esses penduricalhos é muito grande. Vai ter uma fortíssima reação. Por isso é corajosa. Aliás a decisão é mais radical que um texto, que tem um aspecto negociado”, disse.

Antes da determinação, Paulo acreditava que a reforma dificilmente avançaria na Câmara, e que em ano eleitoral dificilmente os parlamentares vão querer tratar de temas espinhosos que envolvem corte de supersalários e penduricalhos do funcionalismo público.

Entre os governistas, a determinação do ministro do STF foi celebrada. “Nós aplaudimos a decisão do ministro Flávio Dino, e ele na verdade se antecipa a uma decisão que o presidente Lula já tinha tomado, de vetar todos os aumentos acima do teto, seja do Judiciário, do Legislativo. Essa coisa o presidente ia fazer. Nós da bancada temos uma proposta, para que nenhum servidor ganhe acima do teto e a sociedade vai aplaudir”, afirmou Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi líder do PT na Casa até o final de janeiro.

O líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG) vê com bons olhos a decisão do ministro Flávio Dino e crê que pode dar impulso para a reforma administrativa neste ano. “Eu acredito que pode ajudar a avançar a reforma administrativa. Agora é um texto difícil, porque interesses de tudo quanto é Poder. E quando tem muito interesse, tem muita dificuldade de concatenar interesses e sair uma coisa razoável. Mas de certa forma possibilita avanço”, afirmou.

A determinação teve boa repercussão até mesmo na oposição. “É uma avaliação correta, da transparência, da moralidade e do cumprimento daquilo que está previsto na Constituição. Sempre se cria um artifício para furar esse limite”, disse o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), que fez críticas ao governo. “O governo do PT nunca olhou pra isso, deixou isso de lado".

Já o senador Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado afirmou que é uma “decisão que tem que ser elogiada”. “Temos cobrado, eu pessoalmente na CCJ, em todas as reuniões, o avanço do fim dos penduricalhos”, afirmou. Um projeto sobre o tema tramita nessa Casa – essa matéria já tinha sido aprovada na Câmara em 2021 e está travada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desde aquele ano.

“A decisão vem em boa hora e obriga o Parlamento a se manifestar, a avançar num projeto de lei. Não dá”, disse o senador.

A avaliação inicial de outros líderes da Câmara é que não deverá haver maior reação do Parlamento dada a popularidade do tema do fim dos supersalários e pelo entendimento que o Congresso Nacional não é o maior beneficiário disso.

Apesar dos pontos elencados, nesta última terça-feira, 3, um projeto de lei que concede reajuste “fura-teto” no salário de servidores da Câmara e outra proposta que estabelece um novo plano de carreira para servidores do Senado, também com reajustes na remuneração.

Com essa nova gratificação, um salário de um servidor da Câmara pode chegar aos R$ 77 mil.

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Samantha Klein
CNN Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar para suspender os chamados “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes da República, no país inteiro.

A decisão dele vem no bojo da aprovação, nesta semana, do projeto da Mesa Diretora que abre brecha para o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto do funcionalismo para alguns cargos.

PRAZO PARA REVER – A cautelar determina que, em até 60 dias, órgãos de todos os níveis da Federação revisem as verbas pagas e suspendam aquelas que não possuam base legal. Além disso, cobra do Congresso Nacional a edição da lei que regulamente quais verbas indenizatórias são efetivamente admissíveis como exceção ao teto.

A decisão será submetida ao Plenário, em data ainda a ser definida pela Presidência do STF.

Na decisão, o ministro alerta para o uso indevido de verbas “indenizatórias” que, na prática, servem para turbinar salários e ultrapassar o limite previsto na Constituição. Apenas parcelas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ficar fora do teto, conforme entendimento já consolidado pelo STF.

TETO CONSTITUCIONAL – Segundo Dino, a medida, baseada em decisão da Corte de fevereiro do ano passado, reforça o cumprimento do teto constitucional de remuneração.

O ministro também citou o presidente Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para dar ciência da decisão com o objetivo de que sejam adotadas medidas políticas e legislativas para cumprir a determinação.

Na prática, todos os penduricalhos ilegais, sem previsão legal, precisam ser suspensos. Segundo líderes da Câmara ouvidos pela reportagem da CBN, além de derrubar os “penduricalhos”, uma das metas é rediscutir uma revisão do teto constitucional, evitando que valores sejam pagos fora da legislação. Ou seja, trata-se de um repasse, já que esses auxílios não sofrem desconto de imposto de renda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Flávio Dino elaborou um voto histórico. Está tentando eliminar um dos maiores problemas do país, que é a exploração do Estado pelo homem. O serviço público não pode nem deve ser fator de enriquecimento ilícito de servidores. O jovem que pretende ser rico deve disputar no mundo dos negócios. Tentar ficar rico como funcionário público é uma distorção escatológica, digamos assim, algo verdadeiramente repugnante. Vamos apoiar Flávio Dino, que pode se transformar num exemplo para o STF. (C.N.)


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