quarta-feira, junho 04, 2025

Banco Central anuncia o Pix automático

 Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil/Arquivo

Ele estará disponível nos bancos a partir do dia 16 de junho04 de junho de 2025 | 13:46

Banco Central anuncia o Pix automático

economia

O Banco Central (BC) lançou hoje (4), em São Paulo, o Pix Automático, que vai permitir o agendamento de despesas periódicas e recorrentes, como contas de luz, mensalidades escolares, academias e serviços por assinatura.

Por meio dessa ferramenta, informou o Banco Central, o pagador vai precisar autorizar uma única vez a operação, sem precisar fazer um novo pagamento a cada nova cobrança.

“O Pix é o dinheiro que anda na velocidade do nosso tempo”, disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante o evento denominado Conexão Pix, realizado durante todo o dia de hoje na capital paulista.

“O Pix é um ativo de todos os brasileiros, da sociedade brasileira, do setor privado, dos indivíduos, das pessoas físicas, do Banco Central, de todo mundo”, ressaltou.

Com essa nova modalidade do Pix, o presidente do Banco Central disse que “as grandes empresas vão poder colocar cobranças recorrentes de maneira automática com muito menos custo e com a segurança de que vão receber”.

Além disso, enfatizou ele, “60 milhões de pessoas que hoje não tem o cartão de crédito vão poder ter acesso a uma série de serviços ou a uma série de facilidades”.

Só no ano passado, o Pix alcançou um marco histórico ao registrar mais de R$ 26 trilhões em transações realizadas.

Pix automático

A primeira instituição a utilizar o Pix automático foi o Banco do Brasil, que o implantou no fim do mês de maio. Pelo cronograma oficial, no entanto, a ferramenta só estará disponível nos demais bancos a partir do dia 16 de junho, com pessoas físicas como pagadoras e empresas como recebedoras.

De acordo com o BC, o Pix automático vai funcionar da seguinte forma: o pagador fará a autorização do pagamento e definirá regras, como o valor máximo de cada pagamento. Nos dias anteriores ao pagamento, a empresa deverá enviar a cobrança ao banco do pagador que, por sua vez, fará o agendamento do pagamento e notificará o pagador para que ele possa conferir, antes do dia do pagamento, se o valor cobrado está correto. O Pix Automático será gratuito para a pessoa pagadora.

Segundo o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, o Pix automático deverá sintetizar comodidade, facilidade e controle.

Facilidade

“Comodidade porque o consumidor vai realizar todos seus pagamentos recorrentes de forma automática, sem preocupação. Facilidade porque o consentimento será dado uma vez e aquele serviço vai ficar disponível por um tempo indeterminado. E controle, porque o consumidor não só vai ter que consentir para participar daquele serviço como vai poder estabelecer um limite máximo para cada pagamento recorrente que será realizado, podendo cancelar aquilo a qualquer momento”, disse Gomes.

Com a modalidade de Pix Automático, o BC calcula que as empresas que receberão por essa modalidade de pagamento vão diminuir os custos de cobrança, pois a operação independe de convênios bilaterais, como ocorre atualmente no débito em conta, e usa a infraestrutura criada para o funcionamento do Pix.

Outra vantagem apontada pelo BC é a possível redução da inadimplência porque os pagamentos ficarão programados na conta do cliente.

Agência Brasil

Lindbergh aciona STF para que Bolsonaro use tornozeleira eletrônica e não ‘fuja como Zambelli’

 Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/TSE

O ex-presidente Jair Bolsonaro04 de junho de 2025 | 09:14

Lindbergh aciona STF para que Bolsonaro use tornozeleira eletrônica e não ‘fuja como Zambelli’

brasil

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça (3) um pedido para que o Supremo Tribunal Federal (STF) imponha ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o uso de tornozeleira eletrônica.

O deputado petista alega risco de fuga do ex-presidente, citando como precedente a deputada Carla Zambelli (PL-SP), que disse ter deixado o Brasil e que não voltará ao país.

“É preciso evitar que ele fuja como a Zambelli”, diz.

Além da deputada, o parlamentar menciona Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O filho do ex-presidente está nos EUA para, segundo diz, articular sanções do governo de Donald Trump contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

“Posteriormente à formalização da denúncia [da PGR], Jair Bolsonaro tem adotado posturas públicas e privadas que denotam periculosidade processual concreta, com risco real à instrução criminal, à aplicação da lei penal e à preservação da ordem pública e institucional”, diz Lindbergh no documento.

“Ambos [Eduardo e Zambelli] são investigados em procedimentos análogos e possuem conexão direta com Jair Bolsonaro, que inclusive admitiu publicamente o financiamento da permanência de Eduardo nos EUA por meio de doações realizadas via Pix”, prossegue.

Lindbergh pede a proibição de acesso de Bolsonaro a embaixadas, consulados, aeroportos, rodoviárias, portos e fronteiras.

Também solicita o impedimento de contato com testemunhas e investigados no processo no STF contra o núcleo central da trama golpista de 2022 e que Bolsonaro não possa sair do Distrito Federal sem autorização judicial.

A representação também menciona que Bolsonaro foi alvo de outra representação anterior por ter feito ligação telefônica ao senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente, na véspera do depoimento dele nos autos da ação penal.

À coluna Mourão afirmou que a conversa foi apenas para confirmar data e horário do depoimento e que falaram sobre saúde e “coisas genéricas de companheiros de longas datas”.

No documento, Lindbergh também afirma que há “a necessidade de impedir o acesso do réu a locais sensíveis” que poderiam ser utilizados como via diplomática para fuga ou articulação contra o Estado brasileiro. Segundo a representação, a proibição de ingresso a embaixadas, consulados, organismos internacionais e aeroportos é essencial, pois há “precedentes concretos de uso dessas estruturas para buscar frustrar a instrução criminal e a aplicação da lei penal”.

O ex-presidente se alojou na embaixada da Hungria, em busca de asilo, no Carnaval de 2024.

O pedido foi encaminhado ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação.

Lindbergh afirma acreditar que a saída de Eduardo e Zambelli do país fazem parte de um movimento mais amplo de tentativa de desmoralização do Judiciário brasileiro.

O parlamentar é o autor do requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedisse à Corte investigação contra Eduardo Bolsonaro por tentativa de coação do ministro do STF Alexandre de Moraes no curso do processo em que seu pai é investigado.

Lindbergh também pediu nesta terça (3) a prisão de Zambelli e a cassação de seu passaporte diplomático.

No exterior, a parlamentar disse querer ter uma atuação como a do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, fazendo o que chama de “denúncias” contra os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Zambelli ressaltou que não receberá mais salário. Seu gabinete será agora ocupado pelo suplente da parlamentar. “Queria anunciar que estou fora do Brasil, já faz alguns dias, vim à princípio buscar tratamento médico, que já fazia aqui, e agora vou pedir inclusive para que eu possa me afastar do cargo”, disse ela, em entrevista à rádio Auriverde.

Mônica Bergamo/Folhapress

Parlamentar italiano pede extradição de Zambelli antes de sua chegada ao país; veja argumentos

 Foto: Reprodução Instagram

Deputado italiano Angelo Bonelli pede extradição de Carla Zambelli04 de junho de 2025 | 14:18

Parlamentar italiano pede extradição de Zambelli antes de sua chegada ao país; veja argumentos

brasil

O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, apresentou nesta quarta-feira (4) um ofício formal de interpelação aos ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália, no qual solicita “medidas urgentes” para impedir que o país conceda refúgio à deputada brasileira Carla Zambelli, que deixou o Brasil após ser condenada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, ela foi sentenciada a dez anos de prisão e à perda do mandato como parlamentar pela Primeira Turma da Corte. Zambelli, que possui cidadania italiana, afirmou em entrevista à CNN que sua ida ao país teria como objetivo buscar tratamento médico mais acessível. “Aqui nos Estados Unidos é muito caro”, justificou.

Ao longo do documento, o deputado Angelo Bonelli detalha os crimes atribuídos à deputada brasileira, que incluem a “propagação de notícias falsas”, a “invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça — com o objetivo de inserir documentos falsos, entre os quais um mandado de prisão contra o juiz da Suprema Corte”, em referência ao caso que envolve Alexandre de Moraes — e ainda “perseguição armada”, episódio em que Zambelli sacou uma arma de fogo e apontou para um homem no meio da rua nos Jardins, área nobre de São Paulo.

No texto, Bonelli faz referência ao tratado de cooperação entre Brasil e Itália, que estabelece os procedimentos para a extradição de pessoas entre os países.

“Quais medidas urgentes pretendem adotar, cada um no âmbito de suas competências, para garantir o cumprimento das disposições, no caso de Carla Zambelli, previstas na Lei nº 144/1991, que rege os procedimentos de extradição entre Itália e Brasil, colaborando desde já com a Interpol”, questiona o deputado aos ministros.

O parlamentar ainda sugere uma alteração na lei italiana, para serem revogadas a cidadania daqueles condenados por crimes de golpe ou tentativa de golpe, crimes contra a humanidade, incitação à subversão violenta da ordem econômica ou social do Estado, ou à supressão violenta da ordem política e jurídica do Estado.

Bonelli e Bolsonaro

Em janeiro de 2023, Angelo Bonelli pediu, durante sessão na Câmara para que o governo do país não concedesse cidadania ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Há rumores da imprensa brasileira de que o Jair Bolsonaro, que está atualmente na Flórida, solicitou cidadania italiana. Você sabia que os filhos de Bolsonaro também solicitaram cidadania? Isso seria um grande problema para a república italiana porque diante dos acontecimentos não pode haver incerteza de não dar a cidadania italiana à família Bolsonaro, sobre quem tramitam processos judiciais na Justiça brasileira — disse o parlamentar à época.

Em sua fala na Casa Legislativa, Bonelli fez referência ainda aos atos terroristas que vandalizaram as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em 8 de janeiro daquele ano, em Brasília:

— O governo italiano deve ser claro. Sem cidadania para os filhos de Bolsonaro e para o ex-presidente. Sem cidadania para os golpistas.

Em entrevista a Rai Radio 1, à época, o ministro Antonio Tajani negou que o ex-presidente brasileiro tenha dado início ao processo para obter a segunda cidadania:

— O ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro nunca pediu a cidadania italiana, e também existem as leis. Há pessoas que têm direito a solicitá-la, mas ele não a pediu.

O que Zambelli fez?

Em maio, a deputada foi condenada por unanimidade pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão por seu envolvimento em invasões ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela chegou a ter o seu passaporte retido em 2023, mas o documento já havia sido devolvido a ela — que não tinha restrições para deixar o país.

A condenação diz respeito à acusação de falsidade ideológica e à invasão do sistema eletrônico do CNJ. Por determinação da Corte, ela também foi condenada à perda do mandato na Câmara e deverá se tornar inelegível, como consequência da Lei da Ficha Limpa.

Durante o julgamento do caso pela Primeira Turma do Supremo, o relator, o ministro Alexandre de Moraes, apontou que o hacker Walter Delgatti, a mando de Zambelli, inseriu pelo menos 16 documentos falsos no CNJ. De acordo com o magistrado, uma das provas consistia em um arquivo acessado pela deputada segundos depois de ter sido criado por Delgatti em seu computador.

Moraes decidiu, então, pela condenação dela a dez de prisão e teve a decisão referendada por outros integrantes do colegiado na apreciação do caso em plenário virtual. Ao receber a sentença, a deputada afirmou, em entrevista coletiva a jornalistas, que “não sobreviveria na cadeia”.

Além dessas acusações, Zambelli também responde na Corte por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Na eleição passada, a deputada sacou uma pistola contra um jornalista, militante petista, depois de um bate-boca na rua, na véspera do segundo turno. Em março, o STF formou maioria para a condenação da parlamentar, mas a análise do caso foi paralisada após o pedido de vista do ministro Nunes Marques.

O Globo

Bolsonaro, Trump e Musk só defendem liberdade de expressão que os favoreça

Publicado em 4 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

O X da questão

Charge reproduzida do Arquivo Google

Hélio Schwartsman
Folha

Gosto do que Celso Rocha de Barros escreve, mas não gostei de sua coluna de sábado (31), em que ele diz ou pelo menos sugere que, no embate com a direita radical, não precisamos ser ciosos de princípios como a liberdade de expressão.

Comecemos pelo ponto em que eu concordo com Celso. A defesa que Bolsonaro, Trump ou Musk fazem da liberdade de expressão pode ser qualificada como insofismavelmente falsa. Eles não estão nem um pouco interessados na manutenção da ordem liberal. E só ver como agem.

DOIS EXEMPLOS – Bolsonaro passou décadas defendendo a ditadura militar para o Brasil e, quando chegou ao poder, tentou instalar uma. Trump usa toda a força da Presidência dos EUA para calar críticos.

Eles invocam a liberdade de expressão enquanto ela os favorece, mas a atropelam quando vai contra seus interesses. Não é uma defesa principiológica, mas instrumental. E não é só da liberdade de expressão que a direita radical faz uso instrumental. Ela faz o mesmo com a própria democracia. É do autocrata turco Recep Erdogan um dos sincericídios mais reveladores das últimas décadas: “A democracia é como um trem; quando chegamos a nosso destino, descemos”.

Se aplicarmos o raciocínio de Celso à sucessão democrática, liberais e progressistas estariam autorizados a não entregar o poder quando é um candidato de direita com tendências antissistema que vence a eleição. O problema de agir assim é que aí seriam liberais e progressistas, não o protofascista, que estariam melando a democracia.

REGRAS PARA TODOS – O núcleo da revolução liberal, que permitiu o surgimento de democracias estáveis e uma longa era de prosperidade material nos países que a abraçaram, é a noção de que as regras valem para todos. Princípios importam.

Até existem situações agudas em que a democracia precisa recorrer à força para defender-se, mas elas são excepcionais, não podendo jamais converter-se em nova normalidade.

Fora do poder, Bolsonaro não representa mais ameaça de golpe. O STF já não precisa recorrer a heterodoxias para processá-lo e enjaulá-lo.

Metódio Magalhães: O Prefeito de duas semanas

Metódio Magalhães: O Prefeito de duas semanas

A Praça do 7º Dia

Arquivo Gilmar Teixeira
Metódio Magalhães: O Prefeito de duas semanas Foto: Divulgação


Foi numa dessas manhãs tranquilas em Paulo Afonso, depois de um café na casa de minha mãe, que acompanhei minha irmã Leide até sua clínica de estética. Ao estacionar o carro, meus olhos se prenderam àquela pracinha charmosa em frente à loja. Bonita, bem cuidada... e, de repente, veio a lembrança como um filme antigo: a praça dos sete dias.


Sim, isso mesmo. A praça construída em tempo recorde por um prefeito que governou por... apenas duas semanas!


Na época, quem assumiu o comando da cidade foi o vereador Metódio Magalhães. Um sujeito carismático, sempre bem vestido, com o cabelo impecavelmente penteado e o bolso cheio de pentes do Flamengo que distribuía aos quatro ventos. Era seu cartão de visita, e, pasme, funcionava. Era figura cativa nas urnas.


Metódio, ao assumir interinamente a prefeitura enquanto o titular viajava a Brasília, recebeu o aviso: “Você tem só duas semanas.” E ele, com a urgência e o humor dos bons políticos, respondeu como quem escreve destino: “Então farei uma obra com o meu nome!”


Convocou o chefe de obras Diomário Pereira e sua tropa de trabalhadores, que suaram dia e noite na construção daquela praça. E o povo, curioso, se aglomerava feito torcida em final de campeonato. Cada tijolo era acompanhado por olhos atentos, cada detalhe da obra alimentava a conversa da cidade.


No sétimo dia — como na criação do mundo — a obra estava feita. E teve festa, palanque, discursos e pompa. A cidade parou para ver o milagre administrativo: uma praça erguida em apenas uma semana. Ganhou nome oficial, Praça Braúlio Gomes, claro, mas o povo — esse cronista eterno da verdade — batizou como Praça dos Sete Dias. E assim ficou. Nome mais verdadeiro não há.


Com a fama, Metódio Magalhães foi reeleito vereador. Tinha até slogan pronto:

“Se fiz uma praça em sete dias, imagine o que farei em quatro anos!”


Hoje, passadas décadas, a pracinha está lá, firme como memória boa. Metódio Magalhães já partiu há mais de vinte anos, mas seu gesto simples e simbólico ainda ecoa em cada passo que damos ali. E fica a lição: o que perpetua um gestor na lembrança do povo não são as festas — que duram só até a ressaca do eleitor passar —, mas as obras. São elas que enraízam o nome de um prefeito na cidade.


A praça dos sete dias é a prova viva de que, com vontade, até uma semana pode deixar um legado.


* Gilmar Teixeira

https://www.tribunadopovo.net/noticia/7135/paulo-afonso/geral/metodio-magalhaes-o-prefeito-de-duas-semanas.html

Cidades Velhas ou Novas: Quais as Vantagens? E o Que Diz o Exemplo de Jeremoabo?

 

Cidades Velhas ou Novas: Quais as Vantagens? E o Que Diz o Exemplo de Jeremoabo?

Na eterna comparação entre cidades antigas e cidades mais recentes, sempre surgem opiniões divididas. De um lado, as cidades mais velhas — marcadas por histórias centenárias, tradições e uma arquitetura que fala por si. De outro, os centros urbanos mais jovens — planejados com infraestrutura moderna, ruas largas e dinamismo econômico. Mas afinal, o que realmente torna uma cidade melhor para se viver ou visitar? E como Jeremoabo, uma cidade com raízes profundas no sertão baiano, se encaixa nesse debate?

O Valor das Cidades Antigas

Cidades mais velhas geralmente possuem uma identidade cultural forte. A tradição, passada de geração em geração, é sentida em festas populares, comidas típicas, artesanato e, principalmente, na arquitetura. As ruas e prédios históricos contam a evolução do povo e do lugar. Além disso, essas cidades costumam preservar um senso de comunidade mais intenso, onde vizinhos se conhecem e a história coletiva se mantém viva.

Por outro lado, cidades mais novas se beneficiam da modernidade: acesso facilitado, mobilidade urbana eficiente, rede elétrica e saneamento mais completos, além de maior geração de empregos em setores contemporâneos como tecnologia e serviços. São espaços pensados para o agora — e muitas vezes, para o amanhã.

Jeremoabo: Uma Cidade Velha Esquecida?

Ao olhar para Jeremoabo, uma das cidades mais antigas da região nordeste da Bahia, vemos uma localidade rica em história, mas que vem sofrendo com o descaso ao seu patrimônio.

Cultura e Tradição em Perigo

Jeremoabo, com suas raízes profundas no sertão, poderia ser um polo de cultura regional. No entanto, a realidade é outra. O município sequer possui um museu para contar sua própria história — lacuna que o atual prefeito Tista de Deda pretende corrigir, ao planejar a instalação de um museu na antiga Delegacia de Polícia.

As festas populares estão sendo descaracterizadas, e até o tradicional São João já não tem o mesmo brilho. O que ainda resiste é a Alvorada e as cavalgadas, que mantêm viva parte da cultura sertaneja.

Arquitetura Histórica Abandonada

As cidades velhas costumam preservar seus edifícios como relíquias. Mas em Jeremoabo, esses tesouros estão se perdendo. A residência de Dona Olga, com azulejos portugueses originais, foi descaracterizada. A primeira casa construída na cidade foi abandonada até ruir. O antigo mercado, símbolo arquitetônico e social, foi simplesmente demolido.

Outros patrimônios seguem no mesmo caminho: as casas do Coronel João e a Fazenda Caritá estão em ruínas; o Parque de Exposições foi destruído; a Pedra Furada, monumento natural e turístico, está sendo ignorada, e muitas árvores centenárias foram derrubadas — inclusive um Juazeiro que, para os moradores mais antigos, era símbolo da cidade.

Comunidade Desfigurada

O senso de pertencimento de uma cidade velha nasce das gerações que permanecem. Mas Jeremoabo vive um esvaziamento das suas raízes: hoje, há mais moradores vindos de cidades vizinhas do que habitantes tradicionais. Isso gera um distanciamento da cultura local e uma fragilização do sentimento de comunidade.

Estilo de Vida Ameaçado

Cidades antigas costumam oferecer um ritmo mais tranquilo, mas em Jeremoabo, o que impera hoje é o barulho: paredões de som, lanchonetes funcionando com música alta e acidentes de trânsito quase que diariamente. O sossego, que poderia ser um atrativo, vem sendo substituído pelo caos urbano desorganizado.

Ainda Há Esperança

Diante desse cenário, o que resta é a esperança — e ela existe. O prefeito Tista de Deda tem demonstrado interesse em reverter essa situação, começando pela criação do museu, e sinalizando sensibilidade para a preservação da história e identidade jeremoabense.

Jeremoabo precisa lembrar quem é. Precisa preservar o que tem. Precisa valorizar o que a diferencia das cidades novas: sua memória, sua alma, seu passado.

Porque uma cidade sem história, mesmo que nova, corre o risco de ser apenas um ponto no mapa. E Jeremoabo é — ou pode voltar a ser — muito mais do que isso.

Nota da redação deste Blog Em 25 de outubro de 1831, data em que Jeremoabo  foi elevada à condição de vila. Posteriormente, em 6 de julho de 1925, Jeremoabo foi elevada à condição de cidade.


Opinião dos historiadores

Os historiadores que estudam a região e a formação dos municípios baianos, como Jeremoabo, geralmente focam em alguns pontos importantes:

  • O processo de formação: A história de Jeremoabo, assim como de muitos municípios nordestinos, está ligada à formação de grandes sesmarias, conflitos com povos indígenas (como os Tupinambás) e o estabelecimento de fazendas. A influência de figuras poderosas, como o Barão de Jeremoabo (Cícero Dantas Martins), é frequentemente destacada por historiadores como Álvaro Pinto Dantas de Carvalho, que estudou a trajetória política do Barão. Ele demonstra como o Barão se adequou ao conservadorismo do Império e se tornou uma figura de destaque na política local, com traços de "Coronel".
  • Desmembramentos territoriais: É comum que os estudos históricos sobre Jeremoabo mencionem os diversos desmembramentos de seu território ao longo do tempo para a criação de outros municípios, como Glória (1886), Santa Brígida (1962), Coronel João Sá (1962), Pedro Alexandre (1962) e Sítio do Quinto (1989). Isso reflete a dinâmica de crescimento e organização territorial da Bahia.
  • Contexto do "coronelismo": A atuação de líderes políticos locais, muitas vezes referidos como "coronéis", é um tema recorrente na historiografia do Nordeste. Em Jeremoabo, essa dinâmica de poder e influência, especialmente através de figuras como o Barão, é analisada para entender a formação política e social da região. A força eleitoral e o domínio de terras são apontados como elementos que conferiam prestígio político a esses líderes.

Em resumo, a emancipação de Jeremoabo é vista dentro de um contexto mais amplo de organização territorial e política do Nordeste brasileiro, marcada pela influência de grandes proprietários de terras e pelos desdobramentos na formação de novos municípios.

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