domingo, maio 11, 2025

Redução de penas do 8/1 sinaliza intrincado debate sobre influência de multidão

 Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

Atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília11 de maio de 2025 | 08:40

Redução de penas do 8/1 sinaliza intrincado debate sobre influência de multidão

brasil

Uma eventual aprovação de proposta pelo Congresso abrandando a punição para crimes contra o Estado democrático de Direito “influenciados por uma multidão” pode se desdobrar, na prática, em um intrincado debate no STF (Supremo Tribunal Federal) para avaliar a quais acusados pelos ataques do 8 de janeiro a condição mais benéfica se aplicaria.

Alterações na Lei de Defesa do Estado democrático de Direito nessa direção estão sendo discutidas pela cúpula do Congresso, com objetivo de diminuir as penas daqueles que não tiveram papel de planejamento ou financiamento naqueles atos.

A articulação ocorre em meio a ofensiva bolsonarista para aprovação de uma anistia ampla.

Especialistas consultados pela reportagem têm opiniões distintas sobre a adoção desse tipo de proposta, mas afirmam que essa análise seria complexa e pode levar praticamente a um novo julgamento.

Isso porque, apesar de a lei mais benéfica ao réu poder retroagir, a decisão sobre a quais dos réus ela se enquadraria ou não seria tomada pelo tribunal, caso a caso, a partir das provas em cada processo. Um dos aspectos que pode gerar controvérsia, por exemplo, seria a de quem cometeu os crimes meramente influenciado pela multidão e quem teve papel de influenciar.

Diego Nunes, professor de história do direito penal da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e organizador do livro “Crimes Contra o Estado Democrático de Direito”, considera que, a partir dos casos já julgados, o STF parece entender que todos contribuíram em algum grau para influenciar uns aos outros.

“Por isso me parece que colocar no tipo penal a questão da influência da multidão não traria de forma automática a redução para os envolvidos no 8/1”, diz, afirmando ser possível que parte deles seja considerada como influenciadores.

Nunes avalia, porém, que uma alteração legislativa nessa linha pode ser positiva, por descrever a participação no crime de forma mais detalhada.

A advogada Tatiana Stoco, que é professora de direito e processo penal do Insper, faz a ressalva de que alterar a lei para diminuir as penas poderia servir como um incentivo a atos do tipo no futuro.

Ela também minimiza a importância da alteração, apontando que hoje existe no Código Penal uma atenuante da pena para crime cometido “sob a influência de multidão em tumulto, se [a pessoa] não o provocou”.

No caso de Aécio Lúcio Pereira, primeiro a ser condenado pelo 8 de janeiro, com pena de 17 anos, sua defesa chegou a pedir que ela fosse aplicada.

O voto do relator Alexandre de Moraes, que foi seguido pela maioria, considerou a inexistência de atenuantes. O ministro Cristiano Zanin, por sua vez, também rejeitou a aplicação de uma pena menor por este motivo, afirmando ser “evidente que ele [réu] deu causa à turbulência provocada”.

Também no processo da ré que pichou a estátua “A Justiça”, Débora Rodrigues, e que tem sido usado pelos bolsonaristas como símbolo do pedido de anistia, os votos de Moraes e Zanin seguiram a mesma linha.

Ainda sem um texto público apresentado, o projeto de alteração na lei ainda está em debate de bastidores e passará pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). No fim de março, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou uma proposta de lógica semelhante à que está sendo negociada.

Um segundo ponto em comum discutido para diminuir as penas do 8 de janeiro seria impedir que a condenação em duplicidade pelos crimes de golpe de Estado e de abolição do Estado democrático de Direito.

A maioria dos especialistas consultados pela reportagem entende, porém, que não caberia a uma lei definir, por exemplo, que um crime poderia “absorver” o outro, como defendeu o ministro Luís Roberto Barroso em seu voto.

Eles apontam que esse tipo de análise deve ser feita pelo juiz no caso concreto. Já 1 dos 4 entrevistados considerou que seria preciso debater a redação em si, mas que os parlamentares poderiam criar tal previsão.

O professor de direito penal da PUC-RS e autor do livro “Crime Político, Segurança Nacional e Terrorismo”, Alexandre Wunderlich, diz que o debate de aprimoramento da Lei de Defesa da Democracia, que foi aprovada em 2021, não pode se dar no calor dos fatos.

“Legislações de emergência para atender determinadas situações pontuais não funcionam”, afirma. Para ele, houve excesso de punitivismo em condenações envolvendo o 8 de janeiro, e o problema não está na lei, mas em como ela foi aplicada.

Francisco Monteiro Rocha, advogado e professor de direito penal da UFPR (Universidade Federal do Paraná), avalia que o caminho de alterar as penas, para haver maior proporcionalidade nos casos de quem teve uma contribuição menor, pode ser adequado.

Ele aponta, porém, que o que ocorre no julgamento no 8/1 é um aspecto estrutural na cultura jurídica do país, que não aplicaria o aparato penal já existente para fazer a diferenciação entre quem tem maior ou menor culpabilidade.

Segundo ele, caso haja a alteração, em caso de dúvida sobre o papel do acusado na multidão, o STF deveria aplicar a pena mais benéfica ao réu.

O advogado diz que, se uma nova lei for aprovada, nas ações transitadas em julgado, cabe à defesa pleitear uma revisão criminal, tendo que provar que a pena menor se aplicaria a seu cliente, enquanto nos casos ainda em curso, o tribunal poderia atuar por iniciativa própria.

À reportagem o senador Alessandro Vieira afirmou que o projeto que ele apresentou teve a preocupação de se alinhar ao que historicamente já seria feito no direito brasileiro. Ele disse ainda que cada caso vai exigir uma análise —frisando que, por isso, a conduta de cada acusado tem de ser individualizada— e que acredita que ela seria feita com brevidade.

Renata Galf/Folhapress

Michel Temer ‘viraliza’ em post de consultor eleitoral: ‘candidato à Presidência em 2026?’

 Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

O ex-presidente Michel Temer (MDB)11 de maio de 2025 | 09:00

Michel Temer ‘viraliza’ em post de consultor eleitoral: ‘candidato à Presidência em 2026?’

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O ex-presidente Michel Temer “viralizou” nas redes sociais ao ser mencionado em um post do consultor eleitoral Wilson Pedroso como possível candidato ao Palácio do Planalto em 2026. A publicação, no perfil do cientista político no Instagram, já teve 2,8 milhões de visualizações, 121 mil curtidas e 46 mil compartilhamentos.

“Faz cinco dias que as pessoas não param de me perguntar se serei candidato à presidência em 2026. E o motivo é a sua publicação”, disse Temer a Pedroso, em ligação telefônica. O cientista político coordenou as campanhas de João Doria, Bruno Covas, Rodrigo Garcia e Pablo Marçal.

No post sobre Temer, Pedroso explica a estratégia que utilizaria caso fosse coordenador de uma campanha hipotética do emedebista nas eleições presidenciais no próximo ano. A publicação é uma “brincadeira” do consultor, que fez o mesmo tipo de publicação com outros políticos brasileiros.

“E detalhe, todo esse movimento é orgânico. Não faço impulsionamento das postagens”, disse Pedroso. Até agora, Temer foi o único a viralizar. A publicação sobre o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), por exemplo, teve 59 mil curtidas e 17,5 mil compartilhamentos, menos da metade do alcance do ex-presidente. Já o post que menciona o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve 9,9 mil curtidas e 2,1 mil compartilhamentos.

Temer assumiu a presidência da República em 2016, após o impeachment da petista Dilma Rousseff, de quem era vice. Encerrou a passagem pelo Planalto em 2018, com pouca popularidade, sem ter concorrido nas eleições daquele ano. Desde então, surgiram diversas especulações sobre uma eventual candidatura.

Iander Porcella/Estadão

Redes sociais estão formando quadrilhas de criminosos jovens e pervertidos


RJ: Adolescente é suspeito de incendiar morador de rua - 21/02/2025 -  Cotidiano - Folha

No Rio, jovem é filmado incendiando um morador de rua

Muniz Sodré
Folha

Em intervenção exemplar, a polícia carioca antecipou-se a um crime, prendendo três jovens maiores de idade que planejavam matar um morador de rua no domingo de Páscoa. A execução seria transmitida online a um público pagante, expectadores habituais de suas exibições de maus tratos a animais e pregações contra mulheres, negros e homossexuais. Apurou-se que é largo o espectro de adolescentes atraídos por essa iniciação à barbárie.

É coisa antiga a atração pública pelo crime. Richard Speck, conhecido como “o monstro de Chicago” por ter assassinado em uma noite de verão (1966) oito enfermeiras, recebia, na prisão, cartas de amor anônimas, algumas com dinheiro, outras com sua foto marcada de batom.

BUNDA E SANGUE – As paixões inflamadas por anomalias alimentam o espetáculo do crime. Isso que Jean-Paul Sartre atribuía, na França, à “imprensa de direita da bunda e do sangue” e o levou a participar da fundação do Libération como um diário que contribuísse para o desenvolvimento real da democracia política por meio de uma “escrita-falada”, próxima ao mundo do trabalho.

O alvo crítico de Sartre era o “fait-divers”, isto é, os relatos jornalísticos sobre a irrupção do insólito, identificado sempre com alguma violação das normais culturais ou naturais, como o acidente, o crime, a catástrofe.

Só que isso não estava necessariamente ligado à direita política, e sim à imprensa sensacionalista, que explorava o fascínio sadomasoquista dos leitores pelo mórbido ou pelo horror.

SENSACIONALISMO – O que aí conta de fato são os sentimentos mais arcaicos do indivíduo, em geral apreendidos pelas lentes da psicanálise e da psiquiatria.

Mas a recente notícia, pela imprensa francesa, da morte de uma jovem estudante em Nantes, assassinada com 57 facadas, oferece outra perspectiva. Segundo o relato, o assassino, também adolescente, num manifesto delirante, “sintetiza todas as loucuras ideológicas que gangrenam hoje as nossas sociedades”.

Em treze páginas, fascinado por Hitler, ele denuncia o “neurocapitalismo”, supostamente responsável pela transformação dos cérebros em instrumentos de dominação econômica e tecnológica, que promoveriam um “ecocídio globalizado”. É a sua justificativa para “vingar a humanidade”, assassinando uma desconhecida.

LOUCOS RACIONAIS – A cobertura jornalística não configura um “fait-divers”. Embora confinado a um hospital psiquiátrico, esse jovem não é mero doente, protagonista isolado de um fato. Ao olhar crítico, ele seria “talvez uma prévia da assustadora racionalidade dos loucos de amanhã”.

Mais do que uma prévia, porém, um padrão ideológico já em curso na realidade paralela e transnacional das redes sociais, onde se multiplicam grupos organizados com motivações fascistas.

Os três jovens apreendidos pela polícia carioca (o mais velho, de 24 anos, é militar) demonstravam racionalidade operativa, comprovada no planejamento de suas lives de horror.

VEREDAS SINISTRAS – As redes constituem uma espécie de terceira natureza (a segunda é o hábito), que conduz consciências vulneráveis por veredas sinistras.

Não se trata de moldar cabeças, velha hipótese sobre a influência da mídia, mas de caminhar na escuridão moral aberta pelo espaço virtual das redes sociais.

Se o motor do percurso é o prazer transgressivo inerente à adolescência, o ponto de chegada é o crime real no fundo das redes.

Michelangelo escreveu numa carta ao pai: “São tempos duros para a arte”

Publicado em 10 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem ilustra com pinceladas rápidas e soltas uma pintura de Pontorno. Na pintura estão presentes o Cupido, um garoto de aproximadamente 5 anos, e uma mulher representando Vênus.

A perna do Cupido tentava esconder a púbis de Eros

Mario Sergio Conti
Folha

O avanço tecnológico aposentou, ou virou do avesso, vários meios de comunicação. Os livros e a imprensa, o registro de sons e imagens, o telefone e o correio não são mais os mesmos, e as formas de expressão artística associadas a eles caducaram junto.

Hoje, não seria verossímil pôr Donald Trump num romance histórico, como Napoleão em “Guerra e Paz”. Ou narrar ações e fatos por meio de cartas, o método de Choderlos de Laclos em “Ligações Perigosas”. Ou conceber um detetive plausível como o Sherlock Holmes de Conan Doyle.

 SALTO MORTAL TRIPLO – Pois Laurent Binet arriscou o salto mortal triplo, e sem rede, em “Perspective(s)”, um romance histórico (passa-se no século 16), epistolar (20 pessoas trocam missivas) e policial (investiga-se o assassinato de um pintor). O resultado é surpreendente: Binet não se esborracha no chão.

O escritor francês de 52 anos não é um neófito em embaralhar gêneros. “Quem Matou Roland Barthes?”, publicado há dez anos, é um romance satírico, histórico e de espionagem. O objeto de deboche são os vigários da “French Theory”: estruturalistas, desconstrucionistas, os pós- isso, os pré-aquilo, Althusser, Deleuze, Derrida e companhia.

“Civilizações”, de 2019, é um romance histórico (ou anti-histórico?) e utópico (ou distópico?). Em vez de os europeus invadirem a América e dizimarem os incas com cavalos, aço e vírus, são os incas que invadem a Europa e semeiam justiça social, igualdade, tolerância.

LEMBRA HUMBERTO ECO – “Perspective(s)” lembra “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco. O primeiro se passa no Renascimento e o segundo na Idade Média; um no âmbito da alta arte e o outro no do baixo catolicismo; as gentes do italiano são fictícias, as do francês, quase todas reais: Catarina de Medici, rainha da França; Cellini, escultor; Paulo 4º, papa; Jacopo Pontormo, pintor assassinado com marretadas na testa no último dia de 1596.

Ele legou três pinturas extraordinárias. A primeira copia um desenho de Michelangelo, “Vênus e Cupido”. Como o quadro é enorme (1,3 metro por 2 metros), e a púbis da deusa se impõe gloriosamente ao observador, a Inquisição rapidamente a cobriu com sombras. Só em 2002 a tinta foi raspada e o amor erótico voltou a vencer o espiritual.

A segunda tela é “Deposição”, que inaugura o maneirismo —o “à maneira de” um artista, geralmente exagerada. A subjetividade leva a objetividade de roldão, fazendo com que o quadro prescinda daquilo que está no título do romance: a perspectiva. Sem o efeito tridimensional criado por Brunelleschi, a realidade derrete, as figuras dançam soltas no ar.

NO FIM DA VIDA – Por fim, nos últimos anos de vida Pontormo trancou-se na igreja de San Lorenzo, em Florença, para pintar os afrescos que coroariam sua obra. Fechou janelas, blindou corredores, não deixou ninguém entrar. Mas ninguém sabe o que fez porque os afrescos foram destruídos.

Giorgio Vasari, que os viu não se sabe como, conta que as pinturas murais terminavam com Cristo no Juízo Final e, a seus pés, Deus criava Adão. O grande historiador da arte ficou assaz impressionado, mas registrou que, pictórica e teologicamente, a imagem não tinha pé nem cabeça: o Pai, o criador, deveria ficar acima do Filho, a criatura.

As três pinturas apontam para a erosão da história e de seu resto, arte. A Vênus obscena é uma paulada nos Medici porque tem o rosto de Maria, a primogênita de Cosimo, o patriarca. “Deposição” não é tangível, delira. Nas paredes de San Lorenzo, tudo é sempre agora, de novo: o tempo termina em Adão, que, como a humanidade, não aprende, não muda, não melhora.

ALTA TONELAGEM – Binet toca de leve o teclado ao tratar desses temas de alta tonelagem. Ao contrário de Eco, tem humor, não deixa que o detalhismo factual atravanque a fantasia, foge do que Millôr chamava de “eça falça cultura”. Sabe todos os podres da Renascença, tão valorizada: Cellini era vil; a sodomia comercial comia solta no clero; os Medicis não eram mecenas de fino trato, mas argentários vulgares.

Em que pese a graça, “Perspective(s)” é um romance emparedado: seus 20 missivistas expõem os cacos de um tempo sem sentido. No prefácio, alguém indeterminado, “B”, conta que comprou as cartas, velhas e amareladas, numa loja de antiguidades, e levou três anos para traduzi-las para o francês.

“B” situa o século em que se passa o livro: o 16. Alude aos dias que correm: os de “hoje”. Mas, na versão em inglês, o “hoje” vira “século 19”. Afinal, que tempos são esses? A epígrafe repete o que Michelangelo escreveu numa carta ao pai: “São tempos duros para a arte”.


Na farra do INSS, falta bloquear bens e passaportes e fazer logo as prisões


Onyx nega relação com doador investigado no INSS: “PF tendenciosa” |  Metrópoles

Até agora, poucos bens dos fraudadores foram apreendidos

Fabio Serapião e Letícia Pille
Metrópoles

A Controladoria-Geral da União (CGU) enviou um ofício para a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitando a inclusão do ex-diretor de Benefícios do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), André Fidélis, seu filho, Eric Douglas, além de outras sete empresas na ação do órgão que tenta bloquear os bens de envolvidos no esquema de descontos fraudulentos.

A ação cautelar foi anunciada pela AGU numa coletiva de imprensa convocada pelo governo federal para atualizar o caso da “farra do INSS”.

BLOQUEAR BENS – O objetivo da ação é alcançar os bens dos investigados na Operação Sem Desconto para custear a devolução dos descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS, um problema que tem gerado pressão no governo.

Além de André e Eric Fidélis, também estão incluídos na lista de aditamento da ação empresas ligadas a supostos operadores do esquema, como Antonio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, e a advogada Cecília Rodrigues Mota.

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação de 29 entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto elas respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

INQUÉRITO DA PF – As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela PF e abasteceram as apurações da CGU. Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Veja as empresas incluídas no pedido da CGU: Eric Fidelis Advocacia; Rodrigues e Lima Advogados Associados; Xavier Fonseca Consultoria; ACCA Consultoria Empresarial; Arpar Administração, Participação e Empreendimento; WM System Informática e BF01 Participações Societárias

A empresa que estaria ligada a Cecília é a Rodrigues e Lima Advogados Associados. Segundo relatório da PF, a empresa teria enviado R$ 630 mil à Xavier Fonseca Consultoria – outra empresa que consta na lista de aditamento.

IRMÃ DO PROCURADOR – A Xavier Fonseca é a empresa da irmã de Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, procurador afastado do órgão depois da operação da PF e que, como mostrou a coluna, teria recebido R$ 11,9 milhões de alvos da Sem Desconto.

Outra é a Eric Fidelis Sociedade Individual, empresa do filho de André Fidelis que teria sido usada, segundo a Polícia Federal (PF), para receber pagamentos relacionados ao esquema.

André, ex-diretor do INSS, foi demitido do cargo em julho de 2024, depois da divulgação de reportagens sobre o caso divulgadas pelo Metrópoles.

MAIOR ENVOLVIDA – Já a BF01 teria ligação com o ex-procurador e sua esposa, Thaisa Hoffmann. Segundo a PF, a BF01 é a ” é a maior destinatária de valores da Curitiba Consultoria, tendo recebido R$ 1.175.831,30 por meio de 5 pix”.

A Curitiba Consultoria, por sua vez, tem como um dos sócios Thaisa Hoffman. E as demais (ACCA, Arpar e WM System) têm ligação com o “careca do INSS”, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes.

No documento enviado à Advocacia-Geral, a CGU afirma que, “o avanço das análises nesta CGU levou à identificação de outras empresas intermediárias de pagamento de vantagens indevidas que não foram referidas no ofício acima, mas sobre as quais pesam igualmente fortes elementos de envolvimento no ilícitos”.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG –
 Bem, já se sabe quase tudo sobre a farra do INSS. Está faltando o bloqueio dos bens, das contas bancárias e dos passaportes de todos os envolvidos, assim como as prisões preventivas, que só têm funcionado velozmente com os perseguidos pelo ministro Alexandre de Moraes, que tem essa qualidade, é rápido no gatilho, embora nem sempre atinja o alvo certo. (C.N.)


As Caminhadas de Dona Liô, minha mãe!

 

Gilmar Teixeira

As Caminhadas de Dona Liô, minha mãe!Arquivo Gilmar Teixiera

Era madrugada ainda e o galo mal tinha arriscado o primeiro canto quando Dona Liô já pisava o chão frio do sertão de Olhos d’Água de Souza. Os pés firmes no barro, a alma serena, o corpo acostumado a não ter descanso. O relógio da vida marcava 4 da manhã, mas para ela o tempo nunca foi de relógio — era de sol, de poeira, de luta.


Cinco quilômetros a pé até a roça, num caminho que parecia feito só de desafio: mosquito zunindo no ouvido, cobra cruzando a estrada, o escuro cercando como se dissesse “volta”. Mas ela não voltava. Nunca voltava. Ia. Sempre ia. Porque desde menina, disseram-lhe que a vida era pra ser vivida com as mãos na terra e o coração no batente.


E como trabalhava! Do nascer ao pôr do sol, suas mãos ajudavam o milho a crescer, o feijão a brotar e a vida a seguir. Mas o trabalho não dormia. Ao voltar, ainda era ela quem buscava água nas cacimbas, cuidava do fogo, do alimento, da vida dentro de casa.


Quando casou com Neco Miguel, achou que ali, talvez, o destino fosse se abrandar. “Agora vou descansar”, pensou ela. Mas foi aí que a lida apertou ainda mais. Além da roça do marido, veio a obrigação de cozinhar para os cunhados, caminhar mais seis quilômetros com a panela na cabeça, o filho no colo e outro no ventre. Era uma mulher só — mas parecia muitas.


E ainda assim, Dona Liô não reclama. Conta hoje as histórias com brilho nos olhos e um sorriso que mistura coragem e orgulho. Quase cem anos depois, ela olha pra trás como quem folheia um álbum de glórias. “Se teve mulher que trabalhou mais que eu, devia estar lá do outro lado do mundo, na China”, ela diz, com aquele jeito sertanejo de transformar sofrimento em sabedoria.


Quando lhe perguntam o segredo da longevidade, ela não vacila: “Trabalho. Quem trabalha igual a eu, chega também nos cem anos. Viu?”


E a gente vê. Vê em Dona Liô a força de um povo, a beleza de uma mulher que caminhou muito mais do que os pés podiam medir. Caminhou na vida — e ainda caminha, com histórias que agora florescem em nós, como feijão e milho brotando da terra dura do sertão.


O tempo passou ligeiro como vento de agosto. As veredas por onde Dona Liô caminhava viraram lembrança, mas a poeira daquelas trilhas ainda vive no brilho dos seus olhos. Hoje, quase centenária, ela conta suas histórias como quem borda um pano de chita com agulha firme e linhas de memória.


“Naquele tempo não se falava em cansaço. Era fazer ou fazer. A gente nem pensava. Só ia.” E ela foi. Com filho de um lado, lata d’água do outro, a cabeça sustentando não só a panela, mas o peso de uma vida inteira.


E mesmo com a lida apertando, Dona Liô sempre arrumava um jeito de cuidar da família com ternura. O almoço era no capricho, a farinha bem mexida, o feijão temperado com alho socado no pilão e afeto no fundo da panela. As roupas eram lavadas na beira do rio, esfregadas com sabão feito em casa, e estendidas no varal da esperança.


Numa época em que a mulher do sertão quase não tinha voz, Dona Liô falava com as mãos. E como falavam! Plantavam, colhiam, curavam feridas, ninavam os filhos, acalmavam os medos e puxavam a rédea da vida. Tudo ao mesmo tempo. Tudo com coragem.


Os filhos cresceram vendo aquela mulher de fibra moldar o mundo ao redor. E hoje, já com netos e bisnetos, ela olha para cada um com a certeza de que valeu a pena. “Tudo que fiz foi pra ver vocês comendo bem, estudando, com saúde”, diz, entre um gole de café e outro punhado de lembrança.


Nas noites de lua cheia, quando o silêncio do sertão se deita devagar, Dona Liô se senta na cadeira de balanço da varanda, olha pro céu e conversa com o tempo. Fala com Neco Miguel, seu companheiro de tantas caminhadas. A saudade aperta, mas ela não se rende. Sabe que a vida não é só o que passou — é também o que ficou.


E o que ficou em Dona Liô é muito mais que uma história. É um exemplo. Uma raiz profunda fincada no chão do sertão, que alimenta gerações com a seiva da resistência, da fé e do amor. Cada ruga em seu rosto é um capítulo, cada fio branco é um verso, cada lembrança, uma flor que teima em nascer mesmo no solo mais seco.


“Se eu tivesse que viver tudo de novo, vivia. Do mesmo jeito”, diz ela. E a gente acredita. Porque quem foi capaz de transformar tanta dureza em ternura, tanto esforço em legado, sabe muito mais da vida do que qualquer livro pode ensinar.


Dona Liô não é só a matriarca da família. É uma poesia viva do sertão. E enquanto ela viver — e mesmo depois — suas caminhadas continuarão ecoando nas estradas de Olhos d’Água de Souza, onde a força tem nome de mulher.


* Gilmar Teixeira

https://www.tribunadopovo.net/noticia/6689/paulo-afonso/geral/as-caminhadas-de-dona-lio-minha-mae.html



💥 Paulo Afonso na mira: Os bastidores que você nunca viu!

Histórias, segredos e análises profundas no Papo de Blogueiro com Zé Ivaldo!


Dia 11 de maio, às 09h, nos canais de Dimas Roque e Mídia Livre no YouTube e Facebook!


Links para ver a Live no Domingo


Midia Livre

www.youtube.com/watch?v=up0HbFArUqI


www.facebook.com/share/1Bis2STDhj/


Dimas Roque

www.facebook.com/dimasroquee


Link para Ouvir a Live

Web Rádio Tribuna

www.webradiotribuna.com.br

Cordel pra Minha Mãe no Céu

 


Cordel pra Minha Mãe no Céu
Autor: José Montalvao

Neste dia tão amado,
De ternura e devoção,
Sinto o peito apertado,
Com saudade no coração.
De um anjo que me deixou,
Mas deixou eterno amor.

Minha mãe, estrela e guia,
Que ilumina o meu viver,
Hoje brilha em outro dia,
Lá no céu a resplandecer.
Seu abraço tão quentinho,
Guardo em todo meu caminho.

Seu sorriso, doce luz,
Fez meu mundo mais bonito,
Hoje a saudade conduz
Meu amor mais infinito.
A ausência ainda dói,
Mas lembrança não se vai.

Lá no céu azul, serena,
Com ternura me vigia,
Mesmo longe, me acalenta,
Com sua eterna energia.
Mãe querida, flor singela,
Saudade que me atropela.

Neste dia das Mães, vem
Meu pensar te visitar,
Teu amor, que não tem fim,
O tempo não vai levar.
Tua voz é calmaria,
Em qualquer noite ou dia.

Lembranças são meu tesouro,
Teus conselhos, direção,
São faróis que ainda adoro,
Luz sagrada na escuridão.
Tua fé, tua esperança,
São minha maior herança.

Por cada gesto e carinho,
Cada afeto, cada olhar,
Por me guiar no caminho
Mesmo sem mais me tocar.
Mãe, teu nome em mim floresce,
E em oração permanece.

Neste dia abençoado,
Minha rima quer cantar,
Para o anjo tão amado
Que jamais vai se apagar.
Mãe do céu, meu estandarte,
Meu amor, minha alma em arte.


Pronunciamento do jornalista Armando Rolemberg, Representante em Brasília da Associação Brasileira de Imprensa - ABI. 🙌🏼👏🏼👏🏼

 


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