quarta-feira, janeiro 31, 2024

7 motivos que fizeram Brasil piorar em ranking de corrupção em 2023




Brasil retrocedeu 10 posições no Índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional e está em 104º lugar entre 180 países

Transparência Internacional aponta ações tomadas durante o governo de Jair Bolsonaro e no primeiro ano de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva como causadoras da queda

Por Julia Braun, em Londres

O Brasil caiu dez posições e ficou em 104º lugar entre 180 países no Índice de Percepção da Corrupção de 2023, divulgado pela ONG Transparência Internacional nesta terça-feira (30/1).

O índice classifica as nações de acordo com uma pontuação que vai de 0, no pior cenário de corrupção, a 100, no melhor. Enquanto a média mundial ficou estagnada em 43 pontos pelo 12º ano consecutivo, a pontuação brasileira caiu de 38 para 36 pontos em 2023.

Essa é a pior queda do Brasil desde 2017, quando o país perdeu 17 posições no ranking em relação a 2016 (foi de 79º para 96º lugar).

Segundo a Transparência Internacional, o declínio está ligado à dedicação à neutralização do sistema de freios e contrapesos da democracia durante os anos de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao mesmo tempo, a organização aponta a falta de compromisso da administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em reconstruir esse sistema e os mecanismos de controle da corrupção em seu primeiro ano de mandato.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, respondeu à divulgação do relatório afirmando que a ONG tem "longa trajetória de desinformação" contra o partido.

"Acusar de retrocesso a indicação dos ministros Cristiano Zanin e Flavio Dino ao STF, além da escolha de Paulo Gonet para a PGR, revela apenas a má vontade e a oposição política da ONG a @LulaOficial e ao PT. Queriam que Lula indicasse procurador-geral e ministros lavajatistas? Expliquem antes quem financia vocês, abram suas contas", disse Gleisi no X (antigo Twitter).

A Controladoria-Geral da União (CGU) também reagiu ao relatório. Em nota oficial, o órgão afirmou que "reverteu quase duas centenas de sigilos abusivos e, mais importante, estabeleceu regras para prevenir novas violações da Lei de Acesso à Informação".

"O governo Lula vem restabelecendo a estrutura dos conselhos de políticas públicas, espaços essenciais – como reconhece o relatório da TI – para a prevenção e o controle da corrupção. Há de ressaltar, no entanto, que estudos internacionais discutem as limitações metodológicas de índices baseados em percepção, por isso seus resultados devem ser vistos com cautela."

"Diversos organismos internacionais - entre eles ONU, G20 e OCDE - têm discutido a elaboração de novas medidas sobre o tema. A corrupção é um fenômeno complexo e nenhum indicador consegue medir todos os seus aspectos", acrescentou o texto.

A BBC News Brasil selecionou alguns dos pontos principais que levaram a Transparência Internacional a fazer tais críticas e que ajudam a explicar a queda do Brasil no ranking de 2023, segundo o próprio relatório da organização.

1. Ingerência e autonomia das instituições

Um dos pontos apontados pelo relatório da instituição como parte dos esforços do governo Bolsonaro para o "desmanche do pilar de controle jurídico" é a ingerência em organismos como a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Receita Federal, entre outros.

Segundo a Transparência Internacional, a "peça central" desse esforço foi a nomeação do agora procurador-geral da República, Augusto Aras, que "desarticulou o enfrentamento à macrocorrupção" e foi "responsável por uma retração histórica nas funções de controle constitucional dos atos do governo".

"Se os ataques dos fanáticos golpistas destruíram fisicamente as sedes dos Três Poderes, a omissão da PGR contribuiu para sua destruição institucional", diz o relatório sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília - estes também apontados como pontos negativos do último ano pelo ranking de percepção da corrupção.

Aras foi substituído em dezembro por Paulo Gonet.

'Aras, foi 'responsável por uma retração histórica', segundo a Transparência Internacional'

O estudo também indica um neglicenciamento do governo Lula em reerguer alguns dos pilares jurídicos ameaçados pelo seu antecessor, em especial no âmbito da autonomia do sistema de Justiça.

Entre as principais ações que justificam tal conclusão estão a nomeação de Cristiano Zanin, ex-advogado particular de Lula, e de Flávio Dino, seu ministro da Justiça e Segurança Pública e aliado, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A Transparência também aponta a nomeação do novo procurador-geral da República como "um forte indicativo de não haver compromisso real com a recuperação da independência deste órgão, cuja cooptação por Bolsonaro foi tão desastrosa para o país".

Lula nomeou o ex-subprocurador Paulo Gonet para comandar a PGR, ignorando as escolhas apontadas pela lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e rompendo com uma tradição que ele mesmo havia inaugurado.

Bolsonaro também indicou Aras sem seguir a lista tríplice.

Segundo a Transparência Internacional, "nunca o Judiciário brasileiro esteve tão permeado, até suas mais altas esferas, por interesses e transações políticas e econômicas – ou pelo menos nunca tão explicitamente".

O relatório diz que as relações impróprias entre Executivo e Judiciário poderiam ter sido mitigadas com duas tentativas regulatórias que fracassaram em 2023.

A primeira foi barrada pelo plenário do STF, que julgou inconstitucional uma reforma aprovada em 2014 no Congresso para proibir que juízes atuem em processos em que alguma das partes for cliente de escritório de advocacia de parente do(a) magistrado(a).

A segunda foi descartada no plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e previa dar mais transparência e controle à participação de juízes em eventos patrocinados ou organizados por pessoas jurídicas ou físicas que tenham alguma demanda judicial sob sua jurisdição.

2. 'Orçamento secreto' e mecanismos de barganha

A organização aponta um desmanche do pilar de controle político durante o governo Bolsonaro por meio do chamado 'orçamento secreto', apelido dado a uma modalidade de emendas ao Orçamento da União.

"Sob um verniz de legalidade e um teatro de institucionalidade, o 'orçamento secreto' representou o maior esquema de apropriação orçamentária para fins escusos de que se tem registro no país", diz o relatório.

Entre os efeitos das novas regras aprovadas durante o governo Bolsonaro, a organização aponta a "perversão de parâmetros técnicos na formulação de políticas públicas e na alocação orçamentária" , "a pulverização da corrupção com municípios recebendo bilhões sem capacidade de gestão e controle" e a "manipulação eleitoral, favorecendo a reeleição e a ampliação do 'Centrão'".

As emendas de relator, que estavam por trás do "orçamento secreto", foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, mas segundo a Transparência "governo e Congresso encontraram rapidamente um arranjo para preservar o mecanismo espúrio de barganha".

"Durante a campanha, Lula criticou duramente o orçamento secreto e chegou a prometer substitui-lo por um mecanismo de orçamento participativo. Fez o oposto, criou o 'orçamento secreto 2.0'."

Segundo o relatório, o modelo adotado no governo Lula segue essencialmente o mesmo padrão da administração de Bolsonaro, com o Centrão fortalecido e ampliado no Congresso

"Tudo indica que as verbas disponíveis serão ainda maiores, com a reedição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um banquete para o 'Centrão'", nas eleições municipais de 2024, diz a organização.

O ranking ainda aponta a reintrodução, no atual governo, de outra grande moeda de troca no Congresso: o loteamento das estatais.

De acordo com o documento, a administração Lula pressiona pela fragilização da Lei das Estatais "e, portanto, da governança dessas empresas, com o objetivo de ampliar o loteamento político".

"No front judicial já obteve uma grande vitória, com uma decisão liminar do então ministro Lewandowski (hoje indicado ministro da Justiça e Segurança Pública), que derrubou este ponto central da lei, de freio a nomeações políticas, com o argumento de que se tratava de prática discriminatória."

3. Redução da transparência

Outra crítica feita pela Transparência Internacional tem relação com a redução da transparência e do acesso à informação pública durante o governo de Jair Bolsonaro.

Segundo a organização, houve um "apagão de dados governamentais, "emprego de sigilos abusivos e restrições de acesso e "extinção dos espaços institucionalizados de participação social".

Por outro lado, o relatório aponta uma melhora nesse setor em 2023, com a identificação da volta da participação social à agenda do país, além da implementação de mais mecanismos de transparência.

"No entanto, a representatividade nos principais cargos do poder político ficou em segundo plano, apesar das cobranças da sociedade pela nomeação, por exemplo, de uma ministra mulher e, pela primeira vez na história do país, negra para o STF. O governo Lula ignorou estas demandas, usando uma das nomeações para indicar o advogado pessoal do presidente para o cargo."

4. Fake news e discurso de ódio

Juntamente com a redução do acesso à informação pública, o ranking aponta a disseminação sistemática de fake news e discurso de ódio como fatores que desestabilizaram o controle social no governo Bolsonaro.

Segundo o relatório, essa disseminação aconteceu por meio de canais oficiais e de manifestações de autoridades públicas, da varticulação e do financiamento oculto de milícias digitais e da alocação de verbas de publicidade oficial para veículos de desinformação e mídia oficialista.

A organização também lista os "ataques permanentes, inclusive violentos, a ativistas, acadêmicos, artistas e jornalistas" e "a estruturação de aparatos clandestinos de espionagem" como parte desse fenômeno.

5. Lobby advocatício

A Transparência Internacional também lista o poder alcançado pelo que chama de "lobby advocatício" como uma das razões para a queda do Brasil no ranking de 2023.

O relatório relaciona diretamente esse ponto com a perda de autonomia das instituições e as relações impróprias entre Executivo e Judiciário.

"Se no primeiro mandato de Lula, no início dos anos 2000, um grupo de jovens advogados constitucionalistas, especialistas em direito público e direitos humanos foi convocado a fazer parte do governo e esteve por trás de avanços significativos nas políticas de transparência e anticorrupção, hoje os advogados que compõem o entourage presidencial e ocupam cargos influentes são criminalistas de elite que ajudaram no desmonte desses marcos."

Segundo a organização, esse lobby conquistou influência política e explorou "o rico negócio da revogação de prisões e anulações em massa das condenações criminais da Lava Jato".

"Esgotado este mercado, agora exploram outro nicho, talvez ainda mais rentável: a anulação das multas dos acordos de leniência das empresas."

Esse esforço, segundo a Transparência, levou a ações inéditas em 2023, tal como o ajuizamento de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF, para pedir a suspensão generalizada de todas as multas aplicadas às grandes empresas que confessaram corrupção em acordos de leniência assinados nos últimos anos no Brasil (não apenas na Lava Jato).

6. Exacerbação dos poderes do STF e TSE

Outro ponto apontado pelo relatório é "a exacerbação dos poderes do STF e do TSE e a resistência em retornarem a um estado de normalidade constitucional".

Segundo o documento, diante de graves ameaças, de ataques efetivos aos tribunais e à democracia e do vácuo constitucional da PGR durante o governo de Jair Bolsonaro, os ministros exacerbaram seus papéis.

"Mas se a subversão do regime acusatório serviu como uma traqueostomia no resgate de um sistema sufocado, a violação continuada de garantias processuais e direitos individuais traz consequências nefastas para o estado de direito e minam, progressivamente, a reserva de autoridade da Justiça", diz a ONG.

O ranking aponta como um dos mais graves exemplos dessa tendência algumas decisões feitas pelo ministro Dias Toffoli.

Segundo a instituição, nessas ações "o magistrado decidiu, monocraticamente e com fortes evidências de conflitos de interesses e outras heterodoxias processuais, sobre demandas que tiveram imenso impacto sobre a impunidade de casos de corrupção que figuram entre os maiores da história mundial".

"No intervalo de pouco mais de dois meses, ele anulou todas as provas do acordo de leniência da Odebrecht (rebatizada de "Novonor") e suspendeu multa de mais de R$ 10 bilhões aplicada ao grupo J&F, proprietário da JBS."

Ainda segundo a organização, "a busca obstinada do maior grupo empresarial brasileiro, a J&F, por reverter decisões judiciais e alcançar impunidade total pelos crimes que confessou, evidencia os problemas estruturais de conflitos de interesses no sistema de Justiça brasileiro."

Para a Transparência, a anulação generalizada de condenações e sanções aplicadas a políticos e empresários levou a um agravamento da percepção de impunidade nos casos de grande corrupção.

Na decisão, Toffoli argumentou que as ações judiciais que culminaram com a prisão de Lula foram uma "armação fruto de um projeto de poder de determinados agentes públicos em seu objetivo de conquista do Estado, por meios aparentemente legais, mas com métodos e ações ilegais".

7. Fundo Eleitoral e flexibilização de mecanismos de transparência

Outro caso específico apontado pela Transparência Internacional foi o aumento do Fundo Eleitoral para as eleições municipais de 2024.

O Fundão, como é conhecido popularmente, foi aprovado pelo Congresso em 2017, e para 2024 teve seu valor definido em R$ 4,96 bilhões. A quantia foi aprovada pelo Congresso em dezembro do ano passado.

A organização ressalta que esse total é mais que o dobro do disponibilizado para as eleições municipais de 2020 e que, juntamente com a redução de controles, pode ser prejudicial para o país e para os mecanismos de controle à corrupção.

Os valores destinados a cada partido não são divididos igualmente, mas calculados de forma proporcional à quantidade de cadeiras de determinado partido no Congresso.

Sobre isso, o relatório aconselha ao governo "aprimorar os mecanismos de transparência e prestação de contas dos partidos políticos considerando os riscos oriundos da ampliação do Fundo Eleitoral destinado às candidaturas municipais em 2024, especialmente de fraude às cotas para mulheres e pessoas negras".

Como ponto negativo, a Transparência Internacional ainda aponta a aprovação às pressas, pela Câmara dos Deputados, de projeto de reforma eleitoral, que flexibilizaria, já para as eleições de 2024, mecanismos de transparência e democratização de acesso à política. 

BBC Brasil

Processo de Moro no TRE é liberado para julgamento, e relator pede data para sessão


Por Catarina Scortecci | Folhapress

Processo de Moro no TRE é liberado para julgamento, e relator pede data para sessão
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O processo que tramita contra o senador Sergio Moro (União Brasil) no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná pode ir a julgamento nos próximos dias. O relator do caso, juiz Luciano Falavinha, liberou o processo na tarde desta terça-feira (30) e pediu para que ele seja incluído em pauta para julgamento "na primeira data possível".
 

A próxima sessão presencial do colegiado está marcada para 5 de fevereiro, segunda-feira. Antes, nesta quarta-feira (31), há uma sessão virtual. Até a tarde desta terça, o processo ainda não estava incluído em nenhuma das sessões. A expectativa dos advogados das partes era julgar o caso de forma presencial.
 

Os advogados também acreditavam que o relator poderia aguardar a nomeação de um novo membro da corte, que é formada por sete juízes. Desde a semana passada, uma cadeira está vazia, no aguardo da nomeação. Uma lista tríplice está sendo analisada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que depois encaminha para decisão do presidente da República.
 

Resultado de representações movidas pelo PL e pelo PT, a ação judicial aponta principalmente suposto abuso de poder econômico durante a pré-campanha de Moro ligada ao pleito de 2022. Na visão desses partidos, o ex-juiz da Operação Lava Jato teria feito gastos excessivos antes da campanha formal, o que desequilibrou a disputa entre os concorrentes. Moro nega.
 

Se a Justiça Eleitoral julgar procedente a ação judicial e entender que houve abuso de poder econômico, as consequências seriam a cassação da chapa e a inelegibilidade por oito anos.
 

Em uma eventual vitória de Moro em Curitiba, tanto PT quanto PL já declararam que tentarão reverter o julgamento em Brasília. A defesa de Moro também vai recorrer se o julgamento for desfavorável a ele. Assim, independentemente do resultado no TRE, o caso cairá nas mãos do TSE.
 

Na hipótese de Moro sair derrotado na corte regional, contudo, os efeitos da decisão ficam suspensos até deliberação do recurso que seguirá ao TSE.

VÍDEO: Promotor de Justiça saca arma e ameaça homem dentro de academia no Recife


Por Redação

VÍDEO: Promotor de Justiça saca arma e ameaça homem dentro de academia no Recife
Foto: Reprodução/Vídeo Portal G1

Um promotor de Justiça sacou uma arma e ameaçou um homem dentro de uma academia de ginástica no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O caso, de acordo com o g1, foi filmado por uma testemunha e está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria do Ministério Público de Pernambuco, que abriu um procedimento para apurar o ocorrido. 

 

A confusão aconteceu na Academia Corpo Livre, na noite desta segunda-feira (29), por volta das 21h30 e o promotor era aluno do estabelecimento. Ao g1, o estabelecimento informou que o agressor foi retirado do local e teve a matrícula cancelada.

 

As imagens foram publicadas pela Folha de Pernambuco ainda na segunda-feira e mostram o momento em que o homem tira o revólver da bermuda durante uma discussão e aponta para o outro, por pelo menos cinco vezes.

 

No vídeo, também é possível ver os outros alunos e instrutores da academia assustados com a ameaça armada. O homem ameaçado não esboça nenhuma reação. Em seguida, o promotor vai embora da academia acompanhado por uma mulher.

 

O nome do promotor não foi divulgado. Procurada, a Polícia Civil disse apenas que "tomou conhecimento do caso ocorrido" e que "já adotou as medidas necessárias", sem citar quais são essas medidas. O g1 apurou que o caso é investigado pela Delegacia da Mulher.


 

Em nota, o Ministério Público de Pernambuco disse que a Corregedoria está coletando as informações sobre o ocorrido e, conforme determina o Regimento Interno, os procedimentos da Corregedoria têm caráter sigiloso.

 

"A Corregedoria-Geral do Ministério Público de Pernambuco abriu um procedimento preparatório assim que tomou conhecimento do vídeo que mostra um homem, identificado como promotor de Justiça, sacando uma arma de fogo em uma academia de ginástica no bairro de Boa Viagem, no Recife". 

 

Confira o vídeo: 

 

PF intima general Heleno para depor sobre 'Abin paralela' sob Bolsonaro


Por Fabio Serapião / Folhapress

PF intima general Heleno para depor sobre 'Abin paralela' sob Bolsonaro
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Policia Federal intimou o general Augusto Heleno para depor na investigação sobre a existência de uma "Abin paralela" durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
 

O depoimento está previsto para a próxima terça-feira (6).
 

O militar era o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) durante o governo Bolsonaro, órgão a quem a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) estava subordinada -no governo Lula (PT), o órgão passou a ser ligado a Casa Civil.
 

A PF investiga a existência de uma organização criminosa infiltrada na Abin à época subordinada a Heleno e comandada pelo delegado Alexandre Ramagem, amigo pessoal da família Bolsonaro.
 

"A organização criminosa infiltrada na Abin também se valeu de métodos ilegais para a realização de ações clandestinas direcionadas contra pessoas ideologicamente qualificadas como opositoras, com objetivo de 'obter ganho de ordem política posto que criavam narrativas para envolver autoridades públicas de extrato politico oposicionista da então situação'", escreveu Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, na decisão que autorizou buscas contra Carlos Bolsonaro, um dos alvos da investigação.
 

Nas decisões e documentos que vieram a público até o momento, o GSI é citado uma vez.
 

Sem dar mais detalhes, a PF atrela a atuação da Abin para atrapalhar uma investigação em andamento que mirava Jair Renan, filho de Bolsonaro.
 

"As ações de inteligência realizadas não deveriam deixar rastros razão pela qual a então alta gestão decidiu que não haveria difusão do relatório, ao tempo diligência solicitada pelo GSI/PLANALTO diretamente para Direção Geral da ABIN", diz a PF.
 

Segundo a PF, o pedido direto do GSI no caso de Jair Renan "corrobora a instrumentalização da Abin para proveito pessoal" e em benefício do filho do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
 

O depoimento do general Augusto Heleno indica o avanço da investigação da PF sobre o que os investigadores classificam de núcleo político da organização criminosa investigada.
 

O núcleo político entrou na mira após a descoberta de mensagem em que uma assessora de Carlos Bolsonaro pede Ramagem informações sobre investigação contra a família do ex-presidente.
 

Na segunda (29), a PF avançou sobre Carlos ao cumprir mandados de busca e apreensão no seu gabinete na Câmara dos Vereadores, em sua residência no Rio de Janeiro e na casa de seu pai, em Angra dos Reis (RJ).
 

Na decisão em que autorizou as buscas, Moraes relata que o objetivo da PF foi "avançar no núcleo político, identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente no âmbito da Abin".
 

 

Reservas internacionais crescem no 1º ano de Lula após queda sob Bolsonaro

Quarta-Feira, 31/01/2024 - 07h00

Por Nathalia Garcia | Folhapress

Dólar
Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

As reservas internacionais do Brasil subiram no primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fecharam 2023 em US$ 355 bilhões, o que representa um avanço de 9,34% ante um ano antes e o nível mais alto desde março de 2022. O movimento é observado após uma queda de 13% ao longo da gestão do antecessor, Jair Bolsonaro (PL).
 

A alta foi puxada pelo fluxo cambial positivo —o maior desde 2012, com entrada líquida de US$ 11,49 bilhões— e pela receita obtida com juros dos títulos nos quais estão aplicadas as reservas do Brasil, em grande parte alocadas nos Treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos).
 

Houve também influência dos movimentos nas curvas de juros que impactaram positivamente os preços dos ativos e da menor atuação do BC no mercado de câmbio, sem a necessidade de vender dólares com compromisso de recompra. A autoridade monetária atravessou 2023 sem leilões extras de dólar pela primeira vez em 24 anos.
 

As reservas internacionais são os ativos do país em moeda estrangeira e funcionam como uma espécie de colchão de segurança contra choques externos, como crises cambiais ou fugas de capital, em momentos de turbulência no mercado global.
 

Desde 1999, o Brasil adota o regime de câmbio flutuante. Nesse modelo, o colchão de segurança ajuda a manter a funcionalidade do mercado de câmbio atenuando oscilações bruscas do real em relação ao dólar, o que dá mais previsibilidade para os agentes econômicos.
 

No primeiro mandato do governo Lula, teve início um processo de aquisição de reservas internacionais em meio a um cenário de grande vulnerabilidade a desvalorizações cambiais.
 

Em um período de duas décadas, o Brasil aumentou suas reservas em moeda estrangeira de US$ 38,77 bilhões, em 2003, para US$ 355 bilhões, em 2023. O valor máximo (US$ 388 bilhões) foi alcançado em meados de 2019, quando o Banco Central iniciou o processo mais expressivo de venda desses ativos.
 

O volume de reservas internacionais no Brasil é resultado da política cambial executada pelo BC, cuja autonomia operacional está em vigor desde fevereiro de 2021. Ele varia de acordo com fatores como alteração de cotas no FMI (Fundo Monetário Nacional), compra e venda de moedas, flutuações de paridades entre as moedas ante o dólar, preços de ativos e taxas de juros.
 

O nível adequado das reservas internacionais é motivo de discussão entre economistas e até mesmo entre órgãos públicos. Em 2020, o TCU (Tribunal de Contas da União) chegou a emitir um alerta ao governo sobre o custo fiscal dos ativos em moeda estrangeira.
 

No Brasil, as reservas são compostas majoritariamente por aplicações em títulos governamentais (fatia correspondente a 89,71% em dezembro de 2022), mas também ouro, depósitos em moedas e outros ativos.
 

Na gestão de Bolsonaro, o então ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu em diferentes momentos a venda de reservas internacionais. Em novembro de 2020, o chefe da equipe econômica disse que a medida era uma opção do governo para reduzir o endividamento público.
 

"A dívida tem que cair, e a maneira de fazer isso é vender ativos, privatizar, desalavancar bancos públicos, reduzir déficit interno e até vender um pouco de reservas", afirmou Guedes na época.
 

A pasta chegou a avaliar, em 2022, a criação de metas para reservas internacionais, mas o plano não foi levado adiante depois de a ideia não ter sido bem recebida pelo mercado financeiro.
 

Para Bráulio Borges, pesquisador associado do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) e economista sênior da LCA Consultores, a discussão na gestão Bolsonaro tinha um viés eleitoreiro diante de uma inflação em dois dígitos e um câmbio depreciado desde a eclosão da pandemia.
 

O especialista ressalta que hoje o Brasil tem um patamar significativamente mais alto do que o mínimo estimado pelo FMI como adequado para o país, correspondente a US$ 260 bilhões e que o custo fiscal dessa estratégia traz à tona opiniões divergentes no mercado sobre um eventual uso alternativo do "excesso" de reservas.
 

Enquanto economistas mais heterodoxos defendem que o Brasil deveria sacar parte das reservas para investir em infraestrutura ou para reduzir a dívida pública bruta —que atingiu 73,8% do PIB (R$ 8 trilhões) em novembro de 2023—, a ala mais ortodoxa teme que os recursos acabem desperdiçados em investimentos públicos sem muita governança.
 

"Estou no meio do caminho. Nesse sentido, a gente precisaria construir uma governança um pouco mais sólida para poder ter esse novo arranjo em que a gente pudesse, sim, dar um uso alternativo para parte das reservas, mas tentando isolar isso do ciclo político para não ter um uso eleitoreiro e populista dessas reservas", diz.
 

Borges afirma que o país teria grau de investimento
 

—concedido a quem é considerado bom pagador— se a solvência externa fosse o único critério considerado pelas agências de classificação de risco, dada a sólida capacidade de o Brasil honrar seus compromissos em moeda estrangeira.
 

A questão fiscal é hoje vista por especialistas como um dos entraves nessa direção.
 

Atualmente, as três maiores agências de classificação de risco do mundo —S&P Global Ratings, Moody’s e Fitch— colocam o país a apenas dois degraus de alcançar o grau de investimento. Nos relatórios, o nível das reservas internacionais costuma ser citado como um dos pontos fortes do país.
 

Em julho, a Fitch chegou a dizer em nota que "finanças externas fortes apoiam a resiliência aos choques, sustentadas por uma taxa de câmbio flexível, reservas internacionais robustas e uma posição de credor externo líquido soberano." A agência também acrescentou que o colchão de US$ 350 bilhões cobre cerca de nove meses de pagamentos externos do Brasil.
 

A recomposição das reservas internacionais no Brasil ganhou um reforço em agosto de 2021, quando o FMI fez uma alocação de US$ 15 bilhões como parte da distribuição de DES (Direitos Especiais de Saque) aos países-membros.
 

Naquele ano, o Banco Central também buscou maior diversificação da carteira, incluindo dólar canadense e dólar australiano na alocação estratégica e aumentando a contribuição de yuan. Um ano depois, a moeda chinesa ultrapassou o euro e se tornou a segunda divisa mais importante nas reservas internacionais brasileiras, representando 5,37% do total.
 

Luiz Awazu, ex-diretor do BC e ex-vice-gerente-geral do BIS (Banco de Compensações Internacionais, o "banco central dos bancos centrais"), vê o recente crescimento das reservas internacionais no Brasil como parte de um movimento global nessa direção.
 

Olhando para trás, ele observa que o crescimento vertiginoso das reservas em moeda estrangeira dos bancos centrais de todo o mundo até o patamar em torno de US$ 12 trilhões foi puxado por países emergentes, que viram necessidade de ter uma forma de "seguro próprio".
 

"A maneira como nós pudemos acumular reservas internacionais durante os primeiros governos do presidente Lula foi extremamente importante para garantir a nossa estabilidade macroeconômica. Nós atravessamos graves crises internacionais sem reflexos excessivamente negativos na nossa estabilidade financeira", diz.
 

À frente, Awazu vê um ambiente de incerteza e menciona uma série de eventos que podem gerar nos próximos meses instabilidade ao cenário econômico mundial, entre eles conflitos geopolíticos, as eleições presidenciais nos Estados Unidos e a condução da política de juros nas economias avançadas.
 

Na visão dele, os bancos centrais dos países emergentes tiraram lições do passado e passaram a reconstituir suas reservas internacionais por precaução, de forma que, em caso de necessidade, tenham instrumentos para reduzir volatilidade excessiva no mercado de câmbio e disfuncionalidades temporárias.

Ministro Silvio Almeida aciona AGU contra dois deputados bolsonaristas


Por Redação

Ministro Silvio Almeida aciona AGU contra dois deputados bolsonaristas
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, pediu que a Advocacia-Geral da União (AGU) processe os deputados bolsonaristas Gilvan da Federal e Marcos Pollon, do PL, por ofensas contra o ministro na Câmara no mês passado. Os documentos foram enviados à AGU no último dia 22.


Em 5 de dezembro, Silvio Almeida participou de uma audiência conjunta de dois colegiados da Câmara: Segurança Pública, e Fiscalização Financeira e Controle. A sessão foi encerrada por causa do bate-boca entre deputados bolsonaristas e o ministro. As informações são da coluna de Guilherme Amado do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.


Sem provas, o deputado Gilvan da Federal disse que o Ministério dos Direitos Humanos tem ligações com o Comando Vermelho. “Caluniador!”, rebateu o ministro. Marcos Pollon, por sua vez, repetiu a acusação e questionou se o ministro teve relações com o crime organizado quando era advogado.


Após o aval da Consultoria Jurídica do ministério, Silvio Almeida pediu que a AGU apresente uma queixa-crime contra Gilvan e um pedido de explicações a Pollon. “Os parlamentares insinuaram a prática de fatos criminosos a mim, em clara ofensa à minha honra, especificamente como ministro”, escreveu Almeida.

 

Justiça Federal ordena mudanças para cálculo de taxas e exclusão de imóveis em terrenos da Marinha em estado do Nordeste


Por Redação

Justiça Federal ordena mudanças para cálculo de taxas e exclusão de imóveis em terrenos da Marinha em estado do Nordeste
Foto: Divulgação / JF-PE

O juiz titular da 3ª Vara Federal de Pernambuco, Frederico José Pinto de Azevedo, proferiu sentença que extingue processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2007, que trata das irregularidades no procedimento de demarcação e os excessos nos reajustes de foros e taxas de ocupação para imóveis localizados em terrenos da Marinha, no Recife. 

 

O magistrado condenou a União com base no laudo do perito designado pelo Juízo da 3ª Vara, em 2010.  A perícia, realizada por determinação da Justiça, constatou que a a demarcação utilizada atualmente pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU) foi realizada em 1831, sem critérios técnicos. O documento também aponta que mudanças, como o avanço do mar e aterramentos de muitas áreas, descaracterizaram a configuração da linha preamar.

 

“Diga-se, a limine, que a extensão das faixas marginais há de ser contada da linha do preamar médio do ano de 1831 em direção à terra, na medida de 33 metros. Assim, tal método, como demonstrado, senão impraticável, é de difícil aplicação. A dificuldade criada pela utilização da linha da preamar média do ano de 1831 culmina na utilização de critérios - afora os legais - tomando-se por público o que é particular. Em suma: é possível afirmar com grau satisfatório de certeza que os terrenos de marinha localizados na zona costeira brasileira encontram-se submersos, ante o avanço do nível do mar, sendo ilegais cobranças de foro, laudêmio ou taxa de ocupação destes imóveis”, esclarece a perícia. 

 

Na sentença, a Justiça Federal determina que a União:

  • Deverá respeitar a linha preamar média (com área de influência da maré) fixada na perícia ou os critérios técnico-científicos para demarcação dos terrenos de marinha nela definidos; 

  • Excluir do cadastro dos bens de marinha e acrescidos as áreas hoje demarcadas e que não sejam como tal reconhecidas na perícia ou que não se enquadrem nos critérios nela definidos, abstendo-se da utilização de mera presunção ou outros dados que não atestem a real localização geodésica da linha de preamar média 1831; 

  • Anular os registros de imóveis na GRPU em que não se tenha comprovado pela perícia que se encontrem sob a influência da maré relativamente à posição da LPM/1831. 

 

Já nas áreas em que a prova técnica ateste a influência das marés, deverão ser incluídos no cadastro apenas as situadas na faixa de 33 metros da LPM/1831 nela fixada. 

 

Também deverão ser anulados os processos demarcatórios em que os interessados certos não foram notificados pessoalmente, na forma da interpretação conforme a Constituição do art. 11 do DL n.º 9.760/46; anular as cobranças dos foros e taxas de ocupação reajustadas com amparo na atualização (a partir de 2004) do valor de mercado do domínio pleno, procedendo-se a cobrança com esteio na atualização monetária dos foros e taxas então vigentes.


Por fim, o juiz Frederico José Pinto de Azevedo ressalta que esta condenação não alcança o cálculo das novas cessões, cujo valor inicial dos foros e taxas de ocupação deverão ser fixados de acordo com o valor de mercado atualizado do domínio pleno, efetuando-se os reajustes subsequentes pela atualização monetária.

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