domingo, maio 28, 2023

Lula ‘perdido’ da Silva - Editorial




Sem plano estratégico para o País, o petista parece desorientado. As crises que já engolfam um governo de apenas cinco meses formam o retrato de um presidente fora do prumo

É difícil acompanhar a política nacional e não se espantar com o fato de que o governo do presidente Lula da Silva não completou cinco meses, mas já está imerso em confusões que o fazem parecer precocemente envelhecido, como se já estivesse padecendo da fadiga de material típica de fim de mandato.

Lula parece perdido. Sabe-se que ele queria governar o País pela terceira vez, ou não teria se submetido, a essa altura da vida, ao desgaste de uma virulenta campanha eleitoral como foi a do ano passado. Mas, até agora, ainda não se sabe exatamente para quê. Afinal, aonde Lula quer levar o Brasil? Qual seu plano estratégico para o País?

Desencontros são naturais no início de qualquer governo. No entanto, não há explicação razoável para tantas crises políticas, em tão pouco tempo, a não ser a desorientação do presidente da República. Mais especificamente, a falta de um programa de governo consistente e de uma política de comunicação que sejam capazes de unir a sociedade em torno de objetivos comuns, malgrado todas as divergências políticas que possa haver entre os cidadãos, como as há em qualquer democracia saudável.

Enquanto as reais intenções de Lula não forem conhecidas, é lícita a inferência de que o presidente só está se movendo por seus caprichos e por sua pulsão pela desforra. É nítida a intenção do petista de demolir tudo o que foi feito de bom no País enquanto o PT esteve fora do poder, em particular o Marco Legal do Saneamento, a Lei das Estatais, a autonomia do Banco Central (BC), as reformas do Ensino Médio e a trabalhista e a capitalização da Eletrobras, entre outras medidas.

Lula pode vir a público e afirmar, como o fez há poucos dias, que “não voltaria à Presidência para ser menor” do que foi em seus mandatos anteriores. Porém, até o momento, isso é exatamente o que se descortina. Lula também pode fazer afagos públicos nas ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, mas nada compensará o fato de que, em nome de uma certa governabilidade, permitiu que o Centrão desfigurasse esses Ministérios que, bem ou mal, serviam para ser a cara do governo petista. Como bem disse o próprio Lula depois da humilhação de suas ministras, “tudo parece normal”.

Em um Congresso infenso às pretensões do presidente, Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) brotam por todos os lados, em número sem precedentes para uma legislatura que mal começou. O que é isso senão o retrato de um governo fraco, como já destacamos nesta página?

Enquanto claudica na articulação para formar uma base de apoio no Legislativo consistente o bastante para aprovar projetos realmente importantes para o Brasil, Lula se perde entre questões distantes das prioridades do País, como a guerra na Ucrânia, sua rixa pessoal contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, suas agressões aos empresários do agronegócio, sobretudo os paulistas, e os endossos aos arruaceiros do MST. Enquanto o mundo já discute como serão as cidades do futuro, Lula dobra a aposta no transporte individual por meio de carros baratos movidos a combustíveis fósseis.

O que haveria de ser pior para o Brasil do que ser governado por um presidente desorientado, alguém que, ao invés de servir à Nação como fonte de estabilidade, funciona como vetor de crises perfeitamente evitáveis?

O País teve a infelicidade de ser governado por um desqualificado como Jair Bolsonaro durante a mais grave emergência sanitária em mais de um século. Seu despreparo e, principalmente, seu descaso com a vida dos brasileiros fizeram de sua gestão da crise, por assim dizer, uma tragédia dentro de outra tragédia. A razia promovida pelo ex-presidente em praticamente todas as áreas da administração pública demandava do sucessor um esforço de união e reconstrução sem precedentes.

Lula se apresentou como a única pessoa à altura dessa tarefa, o líder de uma fenomenal “frente ampla” capaz de reconectar os brasileiros com a esperança de dias melhores. Tempo há para que esse Lula, enfim, apareça. Resta saber se era isso o que ele realmente se propôs a fazer pelo País.

O Estado de São Paulo

Eles querem o petróleo




É preciso ter uma sólida convicção ambientalista para desistir dessa que era a grande riqueza do século passado

Por Carlos Alberto Sardenberg (foto)

Há meio PIB brasileiro depositado na nossa Margem Equatorial. Encontram-se ali, numa boa estimativa, 15 bilhões de barris de petróleo. A US$ 70 o barril, temos US$ 1,05 trilhão, ou cerca de R$ 5 trilhões — metade do valor de tudo que se produziu no Brasil no ano passado. Meio PIB.

Claro que seria um dinheiro obtido ao longo de anos de exploração, mas também seria preciso acrescentar o valor dos investimentos a fazer nos estados — instalação de bases terrestres e marítimas, portos e aeroportos, aquisição de barcos e aviões. E empregos numa região, incluindo o Norte e parte do Nordeste, bastante pobre.

É preciso ter uma sólida convicção ambientalista para desistir dessa que era a grande riqueza do século passado, o motor das economias todas. Mas como continua dando dinheiro e movendo boa parte do mundo, e ainda moverá por algumas décadas, seria preciso também uma clara visão do futuro para desistir daqueles R$ 5 trilhões.

O que nos mostra essa visão? Energia verde, o emprego digital, dependente do cérebro, não dos braços, escola pública de qualidade, a riqueza dos softwares, inteligência artificial, o motor elétrico. Encontram-se essa convicção ambientalista e essa visão de futuro no governo Lula?

Considerem o programa do carro popular anunciado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin: redução de impostos para baratear carros movidos a motor a combustão. A coisa inclui regras como “eficiência energética”, condição para receber a isenção. Mas não diz do que se trata. Etanol? Ora, praticamente não tem motor só a etanol, é tudo flex, a petróleo, pois. Carro elétrico está excluído. Só haverá benefício fiscal para carros abaixo de R$ 120 mil, e por aqui não tem elétrico por menos de R$ 200 mil. O programa exigirá também componentes nacionais, mas não diz em qual proporção. Tudo considerado, a ideia básica é oferecer ao público um carro de R$ 60 mil, chamado de popular.

Como notou Zeina Latif, 70% dos brasileiros ganham até dois salários mínimos. A manutenção de um carro, incluindo licenciamento, IPVA, combustível, estacionamento, troca de óleo, e mais a prestação, claro, fica em torno de R$ 1.500 por mês. Popular para quem? E notem que o benefício fiscal também vai para ricos que compram carro de R$ 120 mil.

Sim, o setor automobilístico emprega. Mas o programa anunciado por Alckmin não inclui compromisso com a geração de novas vagas, nem mesmo com a manutenção das já existentes. Fica assim, portanto: uma mãozinha para a velha indústria automobilística, campeã de subsídios e proteções. E que está longe de produzir carros modernos. O melhor que se tem é o motor flex, que Lula e Alckmin querem exportar para a África. Sabe como é... Eles também são assim como nós.

Nessa visão, precisa do petróleo, não é mesmo?

Dirão: mas mesmo países já encaminhados para a economia verde continuam produzindo petróleo.

Verdade, parcial.

Considerem a Noruega. Está aumentando a produção e a exportação de petróleo. Mas todo o incentivo local vai para o ouro lado: 80% dos carros novos vendidos no ano passado são elétricos. Em 2025, serão todos. A política principal é de transporte público sustentável.

Ok, trata-se de um país pequeno e já rico. Mesmo assim, proporciona lições úteis para nós. A produção de petróleo é estatal. Mas não se gasta o dinheiro obtido diretamente com a venda do óleo. Essa renda engorda um fundo de investimentos do governo, que aplica em negócios no mundo todo. A renda desse fundo é usada nos programas locais. Muito especialmente em boas escolas e boa saúde — e em programas de economia verde. O dinheirão do petróleo fica lá, para financiar aposentadorias daqui a uns 20 anos.

Aqui, estados como o Rio de Janeiro já gastaram os royalties do petróleo que receberão em dez anos. E a última coisa em que se pensa no governo federal é na formação de alguma reserva para o futuro. Por isso precisam do óleo da Margem Equatorial. O do pré-sal? Já estão torrando.

O Globo

Militares brasileiros não pediram apoio para golpe, diz general dos EUA




General Laura Richardson se encontrou, nesta semana, com o ministro da Defesa, José Múcio, durante visita ao Brasil

General Laura Richardson é a primeira mulher a comandar o Southcom

Por Leandro Prazeres

A comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (Southcom), general Laura Richardson, disse, em entrevista exclusiva à BBC News Brasil, que militares brasileiros não procuraram suporte para um suposto golpe militar durante a corrida eleitoral que acabou na derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

"Absolutamente, não. Eles não pediram nenhum tipo de suporte. Nós não discutimos nada político", disse a militar na quinta-feira (25/5).

O Southcom é o comando militar norte-americano responsável por atuar na América do Sul, Central e no Caribe.

O suposto envolvimento de militares brasileiros em planos para resistir aos resultados das eleições de 2022 e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem sendo investigado pela Polícia Federal com base em mensagens de texto trocadas por oficiais próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre eles está o coronel Élcio Franco, que atuou como secretário-executivo do Ministério da Saúde e como assessor especial do Ministério da Casa Civil, subordinado ao general Walter Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro à reeleição. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao longo da corrida eleitoral, surgiram rumores de que os militares brasileiros pudessem ter sondado os norte-americanos para saber se os Estados Unidos dariam algum tipo de suporte em caso de desrespeito ao resultado das eleições - embora nunca tenha havido qualquer sinalização do governo e autoridades norte-americanas neste sentido.

Os rumores se fundamentavam na percepção de proximidade entre os militares brasileiros e norte-americanos e por conta do histórico de apoio que o governo norte-americano deu ao golpe de estado ocorrido no Brasil em 1964, quando os militares brasileiros depuseram o então presidente João Goulart, visto como um político de esquerda que simpatizava com o então bloco comunista.

Cinquenta e nove anos depois daquele episódio, a general norte-americana veio ao Brasil nesta semana para estreitar suas relações, justamente, com os atuais comandantes das Forças Armadas brasileiras sob um governo de centro-esquerda. Na quinta-feira, por exemplo, ela se reuniu com o ministro da Defesa, José Múcio.

Laura Richardson é a primeira mulher a liderar o Southcom. Antes disso, ela também foi a primeira mulher a comandar o Northerncom, responsável pela área que abrange Estados Unidos, Canadá, México e parte da Groenlândia.

Na entrevista à BBC News Brasil, a general também falou sobre o que ela classifica como ação "maligna" daqueles que são considerados os dois principais competidores dos Estados Unidos por influência na América Latina e no Caribe: China e Rússia.

"Eles (China e Rússia) são nossos principais concorrentes. Os chineses são nossos principais concorrentes na região. Nossa estratégia de defesa nacional coloca a República Popular da China como o desafio número um", afirmou a oficial.

Segundo ela, a política de financiamento de obras de infraestrutura como portos e redes de telecomunicações adotada pela China seria preocupante por conta da suposta possibilidade de que, no futuro, poderiam ter algum tipo de uso militar por parte do regime de Pequim.

Especialista em guerras (ela lutou no Iraque e no Afeganistão), Laura Richardson se esquivou ao responder se o presidente Lula estava atuando como um ator neutro em relação ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

"O presidente Lula é um líder global. E ele tomará suas próprias decisões. O que a Rússia fez com a Ucrânia é uma invasão injustificada e não provocada da Ucrânia. Ponto final", disse.

Confira os principais trechos da entrevista:

Estados Unidos e competição por influência na região

BBC News Brasil - A senhora frequentemente menciona o fato de que atualmente China e Rússia são os principais concorrentes em relação à influência na região. O Comando do Sul está planejando expandir sua presença militar na região para enfrentar essa competição?

Laura Richardson - Trabalhamos com todas as nossas nações parceiras na região, e acredito que o que realmente trazemos para a mesa com as 28 democracias de mentalidade semelhante à nossa é sobre democracia [...] O que está acontecendo na região é um chamado à ação, como eu gosto de chamar, entre democracia e autoritarismo. E acredito que, quando mostramos nações com valores semelhantes, compartilhamos os valores democráticos.

BBC News Brasil - Em termos objetivos, o Comando do Sul planeja expandir sua presença militar na região ou não?

Richardson - Vamos continuar fazendo o que fazemos há muitas décadas. Se precisarmos aumentar as forças porque temos uma assistência humanitária ou resposta a desastres que precisamos realizar, então provavelmente aumentaremos as forças e isso incluirá outras nações que estarão lá para ajudar a responder a um desastre ou uma crise.

BBC News Brasil - Por que você diz que China e Rússia são os principais concorrentes em termos de influência na região?

Richardson - Eles são nossos principais concorrentes. Os chineses são nossos principais concorrentes na região. Nossa estratégia de defesa nacional coloca a República Popular da China como o desafio número um. E, portanto, na região, as preocupações que tenho são de que, dos 31 países desta região, 21 assinaram a "Iniciativa Um Cinturão, uma Rota" (também conhecida como Nova Rota da Seda). Não há nada de errado com isso, se não houvesse coisas como empréstimos-armadilha de US$ 150 bilhões para países e projetos que não são feitos corretamente, com estouros de custos, trabalho mal-feito. Às vezes, esses projetos criam mais problemas do que resolvem.

BBC News Brasil - A senhora tem descrito as ações da Rússia e da China na América Latina e no Caribe como malignas. A China e a Rússia representam uma ameaça para esta região ou apenas para os interesses dos EUA na região?

Richardson - Eu acho que (é uma ameaça) aos interesses de todo mundo, das democracias da região e não apenas aos interesses americanos na região. Quero dizer…essa é a nossa região. É a nossa vizinhança. Quando você olha para as atividades malignas deles (China, Rússia) na região... Não se trata apenas da Nova Rota da Seda e de projetos que deram errado. Por que há tanto investimento? Por que há tanto foco em portos oceânicos? Por que há foco em telecomunicações, 4G e 5G? Houve um grande acúmulo de capacidade militar de arsenais convencionais e nucleares na China continental [...] Já vimos isso em outras regiões do mundo e na África e em todo o globo. Preocupo-me com o uso duplo (civil e militar) dessas estruturas.

BBC News Brasil - Por outro lado, a senhora acredita que os Estados Unidos têm dado alguma opção para os países da região quando se trata desses investimentos? A senhora já disse que alguns desses países estariam desesperados por investimento…

Richardson - E eu acho que todos nós podemos fazer mais como países democráticos e com mentalidades semelhantes. Será que as empresas chinesas estão fazendo lances menores e reduzindo os preços durante as licitações (em países da América Latina)? Será que eles oferecem o que realmente o projeto custa ou será que existem gastos excessivos associados a esses projetos? A resposta é: sim. Temos que olhar atentamente para o que está acontecendo na região e enfrentar essa situação.

BBC News Brasil - A senhora acredita que o governo chinês tem competido de forma justa com os Estados Unidos pela influência na região?

Richardson - Eu diria que, em termos de investimento e infraestrutura crítica, eu apenas apresento os fatos quando os vejo e começo a juntar todas as peças. Deixo que outras pessoas determinem se é justo ou não. Eu aponto atividades malignas quando as vejo. Se vemos isso no Comando do Sul, vamos expor e perguntar: "Para que isso serve? O que vocês estão fazendo?" Tem muitas coisas acontecendo.

BBC News Brasil - A senhora tem levantado muitas perguntas, mas eu gostaria de lhe perguntar, então: que tipo de ameaças específicas a China e a Rússia representariam para o Brasil, por exemplo?

Richardson - Então, o que tenho falado é principalmente em relação à China. E mais uma vez, volto ao fato de que a China tem um grande crescimento militar. Então: por que há tanto investimento dessas empresas estatais chinesas em infraestrutura crítica na região? E, em relação à informação, existe o Russia Today (veículo de informação russo), a Sputnik Mundo (veículo de informação russo em espanhol) e há um aumento na disseminação de desinformação na região. Eles têm mais de 31 milhões de seguidores. Não há verificação jornalística acontecendo nessas organizações. A desinformação, as notícias falsas e a intenção deliberada de enganar as populações não estão corretas.

BBC News Brasil - Algumas semanas atrás, a senhora disse que a China vem manipulando governos na América Latina e no Caribe. Que evidências a senhora tem de que esse tipo de manipulação vem ocorrendo? A senhora acha que o Brasil poderia ser manipulado pelo governo chinês em algum momento?

Richardson - Eu menciono algumas coisas nas quais a China parece estar investindo. Eu vejo como se fosse uma extração. Quando você chega numa nação anfitriã e você não contrata trabalhadores desse país para esses projetos bilionários, isso é o primeiro exemplo de que você não está investindo nos países em que esses projetos estão sendo executados.

BBC News Brasil - Mas a senhora vê o Brasil como um país que pode ser de alguma forma manipulado pelo governo chinês?

Richardson - Temos que estar de olhos bem abertos em relação ao que está acontecendo e estar muito cientes da situação ao lidar com a China neste momento.

BBC News Brasil - A China construiu uma base espacial na Argentina e está negociando um acordo nuclear com o país. Em que medida isso lhe preocupa?

Richardson - Estou preocupada com a infraestrutura espacial na região. E novamente, volto à infraestrutura crítica, os portos oceânicos, as telecomunicações [...] Sim, é preocupante.

BBC News Brasil - Os Estados Unidos têm bases espaciais em diferentes países. Por que a China não poderia ter?

Richardson - Bem… novamente, eu pergunto: por que há tanto investimento em infraestrutura crítica na América Latina e nesta região no hemisfério ocidental?

BBC News Brasil - Mas essa é uma pergunta: o que a senhora acha que está por trás dessa decisão?

Richardson- Bem, isso é para o público decidir o que pensa. Eu apresento os fatos como os vejo e deixo a audiência decidir. E não estou tentando levar ninguém a uma decisão. Como disse há alguns minutos, me preocupo com a natureza de uso duplo (dessas estruturas). Há um governo comunista que não respeita os direitos humanos de seu próprio povo investindo muito nesta região e vemos o que acontece quando uma nação tem a preponderância da influência e acesso a certas coisas [...] estou preocupada com isso.

BBC News Brasil - No mês passado, o presidente Lula esteve na China e disse que quer fortalecer os laços com a China. A senhora está preocupada com o fortalecimento dos laços entre o Brasil e a China?

Richardson - Bem, o Brasil toma suas próprias decisões [...] se isso me preocupa? Não me preocupa, porque temos nossa relação com o Brasil e continuaremos a trabalhar muito de perto com o país.

Bolsonaro, militares e eleições de 2022

'Em 2021, Laura Richardson veio ao Brasil e se reuniu com militares brasileiros pouco depois de assumir a chefia do Southcom. Entre as pessoas que encontrou estava o então ministro da Defesa, Walter Braga Netto (de terno cinza, à esquerda), que, em 2022, foi candidato a vice na chapa presidencial de Jair Bolsonaro'

BBC News Brasil - Gostaria de voltar um pouco ao passado porque, no ano passado, havia o temor de que o ex-presidente Jair Bolsonaro e alguns membros do alto escalão militar não aceitassem os resultados eleitorais. A senhora teve algumas conversas com militares brasileiros naquela época. A senhora ficou preocupada com a possibilidade de que membros das Forças Armadas brasileiras não aceitassem o resultado das eleições e estivessem dispostos a dar um golpe de estado?

Richardson - Nossas Forças Armadas militares são muito profissionais e é isso que devemos fazer como militares. Nós temos uma longa relação com os militares brasileiros baseada no estado de direito, nos direitos humanos, no cumprimento da Constituição, assim como fazemos também. Nós falamos falando sobre cooperação de segurança militar e profissionalização da Força. E eu não tive dúvidas quanto à profissionalização das Forças Armadas do Brasil. Eles são extremamente profissionais e conhecem seu papel.

BBC News Brasil - Eles pediram algum tipo de apoio no caso de não aceitarem os resultados das eleições naquele momento?

Richardson - Absolutamente, não. Eles não pediram nenhum tipo de suporte. Nós não discutimos nada político.

BBC News Brasil - Na sua opinião, houve alguma indicação de que o ex-presidente Bolsonaro ou os militares estariam dispostos a realizar um golpe naquele momento?

Richardson - Não discutimos assuntos políticos. Falamos sobre cooperação de segurança militar, profissionalização de nossas forças, exercícios (militares), desafios de segurança na região [...] O que discutimos foi isso. Não falamos de coisas políticas.

Brasil e Guerra na Ucrânia

'Em visita à China, em abril deste ano, Lula disse que os Estados Unidos deveriam parar de 'incentivar' a guerra na Ucrânia'

BBC News Brasil - Vamos falar, então, sobre um assunto militar: a guerra na Ucrânia. Tem havido algumas dúvidas na comunidade internacional sobre se o presidente Lula tem sido neutro em suas declarações sobre a guerra na Ucrânia. A senhora o vê como um ator neutro ou o vê atualmente mais como um aliado da Rússia?

Richardson - O presidente Lula é um líder global e ele tomará suas próprias decisões. O que a Rússia fez com a Ucrânia é uma invasão injustificada e não provocada da Ucrânia. Ponto final.

BBC News Brasil - Mas o presidente Lula disse que os Estados Unidos têm que parar de incentivar a guerra. A senhora concorda com essa declaração?

Richardson - Não importa se concordo ou não. Volto ao que eu disse antes: o que a Rússia fez está errado.

BBC News Brasil - A senhora acredita que o Brasil está de alguma forma em posição de desempenhar o papel de mediador de paz em relação ao conflito na Ucrânia?

Richardson - Eu acredito que se algum líder estiver disposto a assumir esse papel para tentar trazer a paz, acho que todos gostariam que isso acontecesse.

BBC News Brasil - O Brasil, na sua opinião, está em posição de desempenhar esse papel, considerando seu peso militar, político e econômico?

Richardson - Eu diria que se algum país for capaz de mediar a paz, isso será bem-vindo.

Suposta espionagem russa

BBC News Brasil - Desde o ano passado, autoridades vêm investigando a existência de pelo menos três supostos espiões russos operando com identidades falsas brasileiras. A senhora tem alguma evidência ou teme que a Rússia possa ter transformado o Brasil em uma espécie de berçário para espiões?

Richardson - Precisamos estar conscientes do nosso entorno o tempo todo e do que parecem ser os nossos desafios, os nossos adversários, como eu os chamo. Porque eles não são confiáveis. E precisamos ter os olhos bem abertos em relação ao que nossos adversários são capazes de fazer.

BBC News Brasil - Existem pelo menos dois pedidos de extradição para um desses supostos espiões (Sergey Vladimirovich Cherkasov). Um é da Rússia e o outro é dos Estados Unidos. A senhora ficaria decepcionada se o governo brasileiro decidisse extraditá-lo para a Rússia e não para os Estados Unidos?

Richardson - Deixo nossos líderes políticos lidarem com todas essas negociações. Novamente, estamos focados nas coisas que fazemos com o Brasil, na cooperação de segurança para combater os desafios de segurança na região. É nisso que nos concentramos. 

BBC Brasil

A coisa em Jeremoabo está feia, o vereador Zé Miúdo disse hoje que a Câmara rouba mais do que o prefeito.Deri do Paloma.

 

                          Foto Divulgação - Gente de Opinião


Zé Miúdo é um dos vereadores da situação que mantenho bom relacionamento, hoje pela manhã ele equivocado falou que para implantar uma CPI percisaria da assinatura de 09(nove)vereadores, então expliquei ao mesmo precisar apenas de 1/3, no caso de Jeremoabo apenas três.

Ficou indignado ao saber dessa informação, isso porque segundo ele quando pediu a instalação de uma CPI  a mesa da Câmara informou ao mesmo que precisaria da assinatura de 09(nove)vereadores.

Talvez tenha sido esse o motivo do prefeito Deri do Paloma certa vez numa emissora de rádio  chamar o vereador Zé Miúdo de "Vereador de primeira viagem".

Dando prosseguimento ao nosso diálogo o vereador Zé Miúdo disse o seguinte: 

Já eles querem CPI agora e mas ele não querem CPI da Câmara de vereadores de jeremoabo também não é o eles pensam que eu não tou ligado no roubos que tá cansado na câmara Ja já eu vou mete a boca no trombone já já eles quere fazer os zotros de otario.

[10:06, 28/05/2023] Ze MIUDO: Ele roba mas na câmara do que diri na prefeitura viu

[10:06, 28/05/2023] Ze MIUDO: Eles "

Transcrito  ipsis litteris

Jeremoabo é um município paradoxal. Isso para não dizer coisa pior. Depois de ser acusado e condenado como mentor do maior esquema de corrupção da região, que se tem noticia na história de Jeremoabo, ao invés de merecer o desprezo por parte da população, o cidadão passa a ser ainda mais endeusado por lunáticos, que pregam a igualdade de direitos, mas, na prática, não conseguem conviver de maneira respeitosa com os opostos. Pouco importa se o cidadão realizou o melhor dos governos. Fato é que deixará o cargo levando na bagagem a mácula de corrupto.

É inacreditável, mas parece ter-se incorporado a conduta de algumas pessoas a crença do “rouba, mas faz”. Ou, então, “se ele não roubar, outro vem e rouba”. Isso tem justificado o aparecimento de muitas falcatruas. Nada pior para o sentimento de cidadania do que procedimento que se apoia nos pressupostos acima indicados. Ladrão é ladrão aqui e em qualquer parte do mundo. Inútil é tentar escamotear a verdade ou pretender suavizar o substantivo para confundir a cabeça de incautos, como se a sociedade fosse constituída apenas de idiotas, que não conseguem enxergar além do próprio umbigo..

O individuo que passa a mão na cabeça de politico corrupto está renunciado aos seus direitos de cidadão, dando, portanto, um péssimo exemplo aos que o cercam. No estado democrático de direito cabe ao cidadão cumprir e exigir o cumprimento dos mandamentos legais, concorde ou não com os dispositivos da lei. Ele precisa levar sua insatisfação às instituições e pessoas que o representam, nas mais diferentes esferas de poder.(Por Vademir Caldas)

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Debate sobre exploração de petróleo na Foz do Amazonas envolve reservas de 30 bilhões de barris e quase US$ 3 bilhões em investimentos




Debate sobre exploração da Foz do Amazonas divide membros do governo

Casa Civil mediou reunião com representantes dos ministérios de Meio Ambiente e Minas e Energia e do Ibama na tentativa de resolver a questão

Por Danilo Moliterno

A Petrobras anunciou na quinta-feira (25) pediu ao Ibama para reconsiderar o processo de um poço de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do estado do Amapá.

O órgão ambiental havia negado a licença para a estatal perfurar um poço e prospectar petróleo no bloco FZA-M-59, que está a 175 km da costa brasileira.

Segundo o presidente da estatal, Jean Paul Prates, todo o processo de licenciamento “foi conduzido com a máxima diligência pelas equipes de Sustentabilidade e Meio Ambiente” da estatal.

A insistência da Petrobras em explorar a região gerou um atrito entre os ministérios de Minas e Energia (MME), comandado por Alexandre Vieira, e do Meio Ambiente (MMA), que tem Marina Silva à frente.

Segundo o presidente da Petrobras, o debate sobre a liberação da exploração na Foz do Amazona possui “alguns mal-entendidos técnicos e argumentos distorcidos”.

A Casa Civil mediou na terça-feira (23) reunião com representantes do MMA, do MME e do Ibama na tentativa de resolver a questão.

O imbróglio gira em torno, grosso modo, de duas questões: o potencial petrolífero da Margem Equatorial — que parte dos especialistas apontam como “o novo pré-sal” — e a sensibilidade ambiental da região.

À medida que atores políticos puxam a corda a fim de defender seus argumentos, a questão — que já é de notável importância econômica, social e ambiental — ganha relevância política.

O que é a Margem Equatorial

A Margem Equatorial é uma região situada no litoral entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte. Próxima à Linha do Equador, a área se estende por mais de 2.200 km ao longo da costa.

Na costa brasileira, a região abarca a Bacia Potiguar, do Ceará, de Barreirinhas, do Pará-Maranhão e da Foz do Amazonas. A perfuração ocorreria na área desta última, a cerca de 160 km do ponto mais próximo da costa, 500 km da foz do Rio Amazonas e 2.880 metros de profundidade.

Descobertas recentes nas regiões de Guiana, Guiana Francesa e Suriname, que também fazem parte da margem, esquentam as projeções sobre o potencial petrolífero da área.

Segundo a Petrobras, pelas características do óleo e pela estimativa dos volumes existentes, a Margem Equatorial desperta interesse não só da indústria brasileira, como também do mercado internacional de petróleo e gás.

Todavia, a bacia é considerada uma região de sensibilidade socioambiental por abrigar Unidades de Conservação, Terras Indígenas, mangues, corais e esponjas, além de biodiversidade marinha com espécies ameaçadas de extinção, como boto-cinza, boto-vermelho, cachalote, baleia-fin, peixe-boi-marinho, peixe-boi-amazônico e tracajá.

Petrobras e capacidade petrolífera

O processo de licenciamento ambiental do bloco FZA-M-59 foi iniciado em 2014, a pedido da BP Energy do Brasil, empresa originalmente responsável pelo projeto. Em dezembro de 2020, os direitos de exploração de petróleo no bloco foram transferidos para a Petrobras.

Segundo a estatal, a região “conta com uma série de oportunidades para melhorar a vida de milhares de brasileiros”. “Existe a possibilidade de gerar empregos, aumentar a arrecadação e participar de um desenvolvimento regional e nacional”, diz.

O Plano Estratégico da Petrobras (2023-2027) prevê um investimento de US$ 2,9 bi nessa região nos próximos cinco anos e a perfuração de 16 poços.

Uma estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) indica que a Margem Equatorial pode ter reservas de 30 bilhões de barris de petróleo. O que poderia elevar a produção em 1,106 mil barris por dia a partir de 2029.

A estatal defende que atendeu os requisitos previstos na legislação de referência ao processo de licitação do bloco e que cumpriu todas as exigências técnicas demandadas pelo Ibama para o projeto. Ainda assim, se prontificou a atender “demandas adicionais”.

Ibama e sensibilidade ambiental da região

Segundo o Ibama, o indeferimento ocorreu “em função de conjunto de inconsistências técnicas” para a operação segura na área. O presidente do órgão, Rodrigo Agostini, acompanhou os relatórios de sua equipe.

No documento que indefere o pedido é destacada a necessidade da realização de Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) — análise que permite identificar áreas em que não seria possível realizar atividades de extração e produção de petróleo e gás em razão de riscos ambientais.

Entre outras questões, o Ibama também ressalta a distância da base operacional do plano — que seria instalada em Belém (PA) — da região de perfuração. Agostinho explicou que a área é influenciada por uma forte corrente marítima. Assim, um derramamento de petróleo poderia chegar até a Guiana Francesa, por exemplo.

“Em caso de acidente, o atendimento por via marítima levaria, no mínimo, 43 horas. Entendemos que existe um risco muito grande de, em caso de vazamento, a Petrobras não conseguir atender”, afirmou o presidente do Ibama em entrevista à CNN.

Após a reunião mediada pela Casa Civil, Agostinho voltou a falar sobre o tema. Ele destacou que a Petrobras pode fazer uma nova solicitação de licença. “Nós não estamos fechando portas, mas a gente vai continuar debruçado tecnicamente e as respostas serão no âmbito do processo”, disse.

Racha no governo

A questão vem se notabilizando por envolver uma série de membros do governo federal e gerar uma espécie de “racha” no Executivo.

A Petrobras e o Ministério de Minas e Energia encabeçam a lista dos que defendem a exploração da região e vêm exercendo pressão para que o indeferimento seja revisto.

Em audiência no Senado Federal, o ministro do MME, Alexandre Silveira, afirmou que “é inadmissível” que o Brasil não possa conhecer suas potencialidades petrolíferas.

Após a reunião na terça-feira, a ministra do MMA, Marina Silva, saiu em defesa da decisão do Ibama e afirmou que o parecer ao pedido de licença seguiu parâmetros técnicos em vigor desde 2012.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o assunto, pontuando que “acha difícil” que a exploração gere um problema ambiental. Entretanto, colocou que “certamente, se houver problema, não será explorado”.

O mal-estar causado pela questão fez com que o líder no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), anunciasse no dia do indeferimento a desfiliação da Rede, partido ao qual a ministra faz parte.

CNN

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Casa Civil mediou reunião com representantes dos ministérios de Meio Ambiente e Minas e Energia e do Ibama na tentativa de resolver a questão

Por Danilo Moliterno

A Petrobras anunciou na quinta-feira (25) pediu ao Ibama para reconsiderar o processo de um poço de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do estado do Amapá.

O órgão ambiental havia negado a licença para a estatal perfurar um poço e prospectar petróleo no bloco FZA-M-59, que está a 175 km da costa brasileira.

Segundo o presidente da estatal, Jean Paul Prates, todo o processo de licenciamento “foi conduzido com a máxima diligência pelas equipes de Sustentabilidade e Meio Ambiente” da estatal.

A insistência da Petrobras em explorar a região gerou um atrito entre os ministérios de Minas e Energia (MME), comandado por Alexandre Vieira, e do Meio Ambiente (MMA), que tem Marina Silva à frente.

Segundo o presidente da Petrobras, o debate sobre a liberação da exploração na Foz do Amazona possui “alguns mal-entendidos técnicos e argumentos distorcidos”.

A Casa Civil mediou na terça-feira (23) reunião com representantes do MMA, do MME e do Ibama na tentativa de resolver a questão.

O imbróglio gira em torno, grosso modo, de duas questões: o potencial petrolífero da Margem Equatorial — que parte dos especialistas apontam como “o novo pré-sal” — e a sensibilidade ambiental da região.

À medida que atores políticos puxam a corda a fim de defender seus argumentos, a questão — que já é de notável importância econômica, social e ambiental — ganha relevância política.

O que é a Margem Equatorial

A Margem Equatorial é uma região situada no litoral entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte. Próxima à Linha do Equador, a área se estende por mais de 2.200 km ao longo da costa.

Na costa brasileira, a região abarca a Bacia Potiguar, do Ceará, de Barreirinhas, do Pará-Maranhão e da Foz do Amazonas. A perfuração ocorreria na área desta última, a cerca de 160 km do ponto mais próximo da costa, 500 km da foz do Rio Amazonas e 2.880 metros de profundidade.

Descobertas recentes nas regiões de Guiana, Guiana Francesa e Suriname, que também fazem parte da margem, esquentam as projeções sobre o potencial petrolífero da área.

Segundo a Petrobras, pelas características do óleo e pela estimativa dos volumes existentes, a Margem Equatorial desperta interesse não só da indústria brasileira, como também do mercado internacional de petróleo e gás.

Todavia, a bacia é considerada uma região de sensibilidade socioambiental por abrigar Unidades de Conservação, Terras Indígenas, mangues, corais e esponjas, além de biodiversidade marinha com espécies ameaçadas de extinção, como boto-cinza, boto-vermelho, cachalote, baleia-fin, peixe-boi-marinho, peixe-boi-amazônico e tracajá.

Petrobras e capacidade petrolífera

O processo de licenciamento ambiental do bloco FZA-M-59 foi iniciado em 2014, a pedido da BP Energy do Brasil, empresa originalmente responsável pelo projeto. Em dezembro de 2020, os direitos de exploração de petróleo no bloco foram transferidos para a Petrobras.

Segundo a estatal, a região “conta com uma série de oportunidades para melhorar a vida de milhares de brasileiros”. “Existe a possibilidade de gerar empregos, aumentar a arrecadação e participar de um desenvolvimento regional e nacional”, diz.

O Plano Estratégico da Petrobras (2023-2027) prevê um investimento de US$ 2,9 bi nessa região nos próximos cinco anos e a perfuração de 16 poços.

Uma estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) indica que a Margem Equatorial pode ter reservas de 30 bilhões de barris de petróleo. O que poderia elevar a produção em 1,106 mil barris por dia a partir de 2029.

A estatal defende que atendeu os requisitos previstos na legislação de referência ao processo de licitação do bloco e que cumpriu todas as exigências técnicas demandadas pelo Ibama para o projeto. Ainda assim, se prontificou a atender “demandas adicionais”.

Ibama e sensibilidade ambiental da região

Segundo o Ibama, o indeferimento ocorreu “em função de conjunto de inconsistências técnicas” para a operação segura na área. O presidente do órgão, Rodrigo Agostini, acompanhou os relatórios de sua equipe.

No documento que indefere o pedido é destacada a necessidade da realização de Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) — análise que permite identificar áreas em que não seria possível realizar atividades de extração e produção de petróleo e gás em razão de riscos ambientais.

Entre outras questões, o Ibama também ressalta a distância da base operacional do plano — que seria instalada em Belém (PA) — da região de perfuração. Agostinho explicou que a área é influenciada por uma forte corrente marítima. Assim, um derramamento de petróleo poderia chegar até a Guiana Francesa, por exemplo.

“Em caso de acidente, o atendimento por via marítima levaria, no mínimo, 43 horas. Entendemos que existe um risco muito grande de, em caso de vazamento, a Petrobras não conseguir atender”, afirmou o presidente do Ibama em entrevista à CNN.

Após a reunião mediada pela Casa Civil, Agostinho voltou a falar sobre o tema. Ele destacou que a Petrobras pode fazer uma nova solicitação de licença. “Nós não estamos fechando portas, mas a gente vai continuar debruçado tecnicamente e as respostas serão no âmbito do processo”, disse.

Racha no governo

A questão vem se notabilizando por envolver uma série de membros do governo federal e gerar uma espécie de “racha” no Executivo.

A Petrobras e o Ministério de Minas e Energia encabeçam a lista dos que defendem a exploração da região e vêm exercendo pressão para que o indeferimento seja revisto.

Em audiência no Senado Federal, o ministro do MME, Alexandre Silveira, afirmou que “é inadmissível” que o Brasil não possa conhecer suas potencialidades petrolíferas.

Após a reunião na terça-feira, a ministra do MMA, Marina Silva, saiu em defesa da decisão do Ibama e afirmou que o parecer ao pedido de licença seguiu parâmetros técnicos em vigor desde 2012.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o assunto, pontuando que “acha difícil” que a exploração gere um problema ambiental. Entretanto, colocou que “certamente, se houver problema, não será explorado”.

O mal-estar causado pela questão fez com que o líder no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), anunciasse no dia do indeferimento a desfiliação da Rede, partido ao qual a ministra faz parte.

CNN

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