segunda-feira, fevereiro 27, 2023

A Selic do Banco Central, único caso em que o devedor quer pagar juros mais altos aos credores

Publicado em 27 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Charge do JCaesar (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Quando a inflação do IBGE em 2021 alcançou 10%, o Banco Central elevou a Selic para 13,75% ao ano. Mas quando a taxa inflacionária encontrada pelo mesmo IBGE em 2022 recuou para 5,7%, o Banco Central manteve a Selic em 13,75%, escala defendida pelo presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, como destinada a conter a inflação.

Pessoalmente não acredito nisso. No final das contas, o Banco Central está elevando a despesa pública, uma vez que a Selic é o fator de correção da dívida interna do país que atinge R$ 6 trilhões em números redondos. Assim, cada ponto na Selic equivale a um desembolso anual de R$ 60 bilhões. Excelente reportagem de Idiana Tomazelli e Natália Garcia, Folha de S. Paulo deste domingo, focaliza o tema e coloca em debate a influência dos juros em relação ao esquema inflacionário do país.

CREDORES – Conforme sempre digo, os credores pela taxa Selic são os bancos, os fundos de investimento e os fundos de pensão das empresas estatais. Estes últimos usam o percentual de 13,75% para equilibrar as suas contas, já que têm que arcar com desembolsos anualmente na medida em que os servidores se aposentam.

Para alguns especialistas, o risco fiscal decorrente da expansão das despesas atinge a atividade econômica e funciona, inclusive, para aumentar  os percentuais de inadimplência. O presidente Lula da Silva tem boa dose de razão quando se opõe a uma Selic tão elevada para uma inflação que recuou.

RENTABILIDADE – A elasticidade dos juros reais (Selic menos inflação anual)  que era de 3% em 2022, passou a 8% em 2023. Com isso, as aplicações nos títulos do Tesouro que lastreiam a dívida interna tornaram-se mais rentáveis para os aplicadores financeiros que não geram empregos e nem aumento da produção econômica.

Somente um aspecto – penso – pode explicar a proposta governamental de pagar mais juros aos credores: a necessidade de que os títulos lastreados da dívida sejam amplamente assumidos pelo mercado financeiro. A diferença entre os juros e a inflação oficial paga pela população brasileira indiretamente fica no bolso dos bancos e dos fundos de aplicação.

O problema da maior rentabilidade dos investimentos simplesmente financeiros foi magnificamente focalizado  pelo economista francês Thomas Piketty em sua obra “O capital no século XXI”. Idiana Tomazelli e Natália Garcia destacam também que o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galipolo, disse que o governo está preocupado em evitar uma crise de crédito , admitindo o lançamento de políticas compensatórias. Não explicou quais seriam essas políticas.

ENDIVIDAMENTO –  Para o Comitê de estabilidade financeira, órgão do Banco Central, o endividamento e o comprometimento da renda das famílias têm aumentado. Fenômeno que atinge tanto as pessoas físicas quanto jurídicas. Trata-se de um problema que preocupa o governo.

O ex-presidente do BC Pérsio Arida, em declarações ao blog do centro de debates de políticas públicas, disse acreditar em um movimento de corte nos juros da Selic. Pérsio Arida acrescentou que os sinais de desaceleração econômica parecem muito claros e cabe ao Banco Central estabilizar a economia do país.

REFORMA TRIBUTÁRIA –  Reportagem de Fernanda Trisotto, O Globo deste domingo, revela que o governo Lula está promovendo intensas negociações políticas para aprovar no Congresso uma nova reforma tributária. A matéria apresenta uma comparação entre o percentual tributário do Brasil e o de vários outros países, incluindo o Canadá, a França, a Alemanha, o Japão e o Reino Unido, deixando de citar os Estados Unidos, mas revelando que a média internacional é de 19,2%.

No Brasil, as diversas incidências, como o IPI, o ICMS, o ISS, o IVA, o PIS, o Cofins somam um percentual composto de tributos federais, estaduais e municipais, elevando a carga tributária para um patamar muito mais alto do que a média. Entretanto, a reforma tributária projetada tem que passar por uma análise bastante sensível por parte do ministro Fernando Haddad e do Congresso Nacional.

Isso porque, qualquer reforma de impostos tem que ter como objetivo dar pelo menos um primeiro passo para a desconcentração da renda no país. A renda do trabalho atingida pela derrota dos reajustes salariais diante da inflação vem punindo fortemente os assalariados e as assalariadas do Brasil.  Na edição de sábado da Folha de S. Paulo, Idiana Tomazelli focaliza por outro lado um assunto em discussão no Ministério da Fazenda sobre a regra fiscal com base nos gastos atrelados a indicadores per capita.

REFLEXO – Os indicadores per capita, a meu ver, não são os mais adequados. Muito mais importante seria o confronto com os indicadores de renda média, no Brasil muito baixos, em cerca de R$ 2 mil por mês. Incrivelmente reduzidos, portanto. A renda per capita reflete muito menos a realidade social.

Dou um exemplo: Há muitos anos, estava num avião que ia para Brasília, tendo entre os passageiros o jornalista Roberto Marinho e o embaixador Walther Moreira Salles. Pensei, a renda per capita deste avião está altíssima, mas isso não reflete a distribuição da renda presente no avião. 


Prefeito de Canindé de São Francisco, Weldo Mariano é afastado do cargo

Decisão da Justiça determina afastamento de Weldo Mariano por 60 dias

Nesta sexta-feira, 24, Weldo Mariano de Souza, PT, foi afastado das funções administrativas, financeiras e decisórias inerentes ao cargo de prefeito do município de Canindé do São Francisco, no Alto Sertão Sergipano, após decisão liminar da Justiça Sergipana.  

Pedido do Ministério Público de Sergipe – MPSE – e aprovado pela Justiça, o afastamento de Weldo Mariano é válido por até 60 dias, prazo em que o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe – TCE-SE – deve indicar equipes técnicas para gerir o Município de Canindé e apurar as irregularidades.

Weldo Mariano é acusado de praticar irregularidades administrativas na Prefeitura de Canindé de São Francisco, envolvendo as áreas da saúde, assistência social, educação e de ordem financeira.

Em nota divulgada à imprensa, Weldo Mariano afirmou ter sido surpreendido com a divulgação de uma decisão liminar que determinava seu afastamento e que ainda não foi notificado.

O prefeito disse ainda que assim que for notificado “irá analisar os seus fundamentos e defender-se no processo, onde demonstrará que sua atuação sempre foi pautada na obediência aos princípios constitucionais e que desde que assumiu a Prefeitura Municipal tem adotado as medidas necessárias para melhorar a situação de Canindé de São Francisco, que há anos sofre com os mais variados problemas em diversas áreas”.

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Fraude em licitação pública: mais um crime cometido pelo atual prefeito de Jeremoabo e seu conluio



 Por: Junior de Santinha


De acordo com as investigações realizada pelo Ministério Público Federal (MPF), ficou configurado o ato de improbidade praticado pelos agentes públicos DERISVALDO JOSÉ DOS SANTOS, FLÁVIO RICARDO DE QUEIROZ FERINO, GABRIELA FLORÊNCIO DE CARVALHO e EDUARDO LUIZ GOMES DA SILVA, em conluio com os particulares DIEGO FRANKLIN SILVA MASCARENHAS e MELQUISEDEC MESSIAS RODRIGUES, já que, em franca ofensa à imparcialidade, frustraram o caráter concorrencial do Pregão Eletrônico nº 001-D/2018, visando beneficiar a empresa MELQUISEDEC MESSIAS RODRIGUES E CIA LTDA. – ME.

Veja a íntegra da denúncia

Número: 1001183-91.2023.4.01.3306

DOC 01 – 1.14.006.000375.2018-14


Nota da redação deste Blog - O prefeito fanfarrão, o mesmo que acha-se acima da lei amparado pela impunidade, quando se encontrou " TÊTE-À-TÊTE" com a Polícia Federal amarelou e teve uma suposta crise de amnésia, esquecendo de tudo e motivando um desencontro de informações tanto do próprio prefeito como do seu conluio; mesmo assim tentaram jogar barro na parede colocando a culpa da fraude no ex-interino Antonio Chaves, só que não colou, não conseguiu apresentar provas, esqueceram que na PF o que vale é preto no branco.

 Existe um velho ditado popular que diz que “o uso do cachimbo entorta a boca”. o prefeito Imperador pensando que engana a todos fabricou uma comissão de Licitação onde o cabeça determina e os componentes assinam sem saber o que estão assinando como comprovado no esbojo desse processo, basta dizer que até ajudante de pedreiro sem nenhum formação já atuou como membro de uma comissão de licitação, fato esse denunciado pela ONG-TransparenciaJeremoabo.


Aliás, que também sirva de exemplo para os vereadores da situação, que para encobrir as Malversações como o dinheiro público praticadas pelo prefeito e seus secretários, ficam olhando para o retrovisor, como se o elietor fosse burro ou algum idiota.

Mais uma vez fica comprovado que a desgraça do protegido é o protetor.



domingo, fevereiro 26, 2023

Observando esse processo tem muita contradição, o prefeito está sentindo o sabor da garapa azedando e esquece o que fala.


Aqui é apenas mais um processo para coleção do prefeito Deri do Paloma, ainda vem muito chumbo grosso daqui para frete, isso porque a Polícia Federal vai soltando em dose homeopática.

O prefeito foi na onda dos vereadores da situação que mesmo vendo as improbidades aplaudem e parabenizam tanto o prefeito quanto os secretários e todo o conluio, daqui há pouco tempo irão apenas exclamar "coitado", onde começam a pular do porão do navio que iicia a afundar.
 
Copie e Cole:
    file:///C:/Users/jdmon/Downloads/DOC%2001%20-%201.14.006.000375.2018-14.pdf





Não sei se odisseia ou tsunami, sei apenas que o BAMBÚ TÁ GEMENDO. o pessoal da licitação, o controlador e o prefeito, todos réus na Ação de Improbidade.


Número: 1001183-91.2023.4.01.3306
 Classe: AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
 Órgão julgador: Vara Federal Cível e Criminal da SSJ de Paulo Afonso-BA Última distribuição : 17/02/2023 
 Valor da causa: R$ 163.598,22 
 Assuntos: Dano ao Erário, Violação aos Princípios Administrativos
 Segredo de justiça? NÃO
 Justiça gratuita? NÃO
 Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO J


Partes                                          Procurador/Terceiro vinculado

 Ministério Público Federal (Procuradoria) (AUTOR)

 GABRIELA FLORENCIO DE CARVALHO (REU)
 EDUARDO LUIZ GOMES DA SILVA (REU)
 DIEGO FRANKLIN SILVA MASCARENHAS (REU)
 MELQUISEDEC MESSIAS RODRIGUES (REU)
 MELQUISEDEC ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA - ME (REU) DERISVALDO JOSE DOS SANTOS (REU)
 FLAVIO RICARDO DE QUEIROZ FERINO (REU)
 Ministério Público Federal (Procuradoria) (FISCAL DA LEI)
                                                                                                          Documentos
 Id.1499338388


 Data da Assinatura 17/02/20.23     2031

 Documento Tipo   DOC 01.14.006.00375.2018.14 (Copie e cole este documeto  e abra o Procsso: file:///C:/Users/jdmon/Downloads/DOC%2001%20-%201.14.006.000375.2018-14.pdf

Nota da redação deste Blog - Embarcaram na canoa furada do prefeito por livre e espontânea vontade, aviso foi que não faltou, mas foram na onde de um bando de imbecis que falavam se tratar de Fake News; então pergunto: e agora José?
 O prefeito Deri enquando estiver gestor tem os advogados contratados pelo município para se defender, e os outros?
Sendo condenados por improbidade administrativa ai  vontade, aviso foi que não faltou, mas foram na onde de um bando de imbecis que falavam se tratar de Fake News; então pergunto: e agora José?
 O prefeito Deri enquanto estiver gestor tem os advogados contratados pelo município para se defender, e os outros?

Qual a pena para improbidade administrativa?

As sanções civis contra o ato de improbidade administrativa são (a) a perda de bens, (b) a perda da função pública, (c) a suspensão temporária dos direitos políticos, (d) o pagamento de multa civil, (e) o ressarcimento do dano, e (f) a proibição de contratação com o Poder Público ou de recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Destas, só constam do § 4º do art. 37 da Constituição de 1988 a perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos e o ressarcimento do dano. A Lei 8.429/1992 acrescentou outras como o pagamento de multa civil, a proibição de contratação com o Poder Público ou do recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, e a perda de bens ou valores ilicitamente acrescidos.


Banco Central de Dilma fez experiência de reduzir rápido os juros e se deu muito mal

Publicado em 26 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET | O que Lula 3 pretende repetir? Os acertos de Lula 1  ou os erros de Dilma Rousseff?

Charge do J.Caesar (Veja)

Samuel Pessôa
Folha

As economias modernas empregam o regime de moeda fiduciária. Isto é, a moeda não tem lastro, como ocorria no padrão-ouro. Desde o fim da Primeira Guerra Mundial, quando terminou o padrão-ouro, até o início dos anos 1990, não se sabia como controlar a inflação em um regime de moeda fiduciária.

No pós-guerra até o início dos anos 1970, vigorou uma gambiarra do padrão-ouro assentado no dólar, conhecido por regime monetário de Bretton Woods. Após o fim do regime, em agosto de 1971, a economia mundial viveu surtos inflacionários recorrentes. A conquista da estabilidade dos preços coincidiu com a construção de uma série de mecanismos operacionais dos bancos centrais, conhecidos por regime de metas de inflação.

TEORIA E PRÁTICA – O regime de metas de inflação foi construído pelos próprios banqueiros centrais, os homens práticos que tocavam o dia a dia da política monetária. Simultaneamente e com um pequeno atraso, os acadêmicos foram desenvolvendo a teoria que o sustenta.

Entre inúmeros acadêmicos, o professor de Stanford John Taylor teve liderança na construção teórica do regime monetário para um sistema de moeda fiduciária. A grande questão era: como estabilizar os preços em um sistema de moeda sem lastro, em que a quantidade de moeda pode ser qualquer coisa?

Durante muito tempo, os economistas ficaram procurando regras que estabeleciam restrições sobre a evolução da quantidade de moeda. Demorou, mas a academia, baseando-se nos trabalhos pioneiros do economista sueco do começo do século 20 Knut Wicksell, percebeu que era muito mais produtivo trabalhar com a taxa de juros do que com a quantidade de moeda.

REGRINHA SIMPLES – Ao olhar o problema com os óculos de Wicksell, em poucos anos a questão se esclareceu. John Taylor mostrou que uma regrinha simples, que já era seguida pelos bancos centrais, conseguia estabilizar os preços em um regime de moeda fiduciária: bastava fixar os juros suficientemente acima do juro normal, conhecido por juro neutro, sempre que a inflação estivesse acima da meta inflacionária, e o inverso se a inflação estivesse abaixo. Essa é a regra de Taylor.

O “suficientemente acima” estabelecia que a resposta da política monetária tinha que ser suficientemente forte. Se a inflação subisse um ponto percentual acima da meta inflacionária, por exemplo, os juros teriam que subir mais do que um —esse é o princípio de Taylor, necessário para que a regra de Taylor estabilize os preços.

Os juros no Brasil são elevados pois o juro neutro é elevado —entre outros fatores, nossas baixíssimas taxas de poupança explicam o elevado juro neutro—, mas também porque o equilíbrio entre oferta e procura no Brasil é pouco sensível às taxas de juros. Meu colega Bernardo Guimarães, que ocupa este espaço às quartas-feiras, elaborou o tema em sua coluna mais recente.

TESTE DE TOMBINI – No primeiro mandato da presidente Dilma, quando o presidente do Banco Central era Alexandre Tombini, houve um experimento monetário. Em razão do desconforto com as elevadas taxas de juros praticadas no Brasil, o BC alterou a sua função de reação.

A regra de Taylor praticada pelo BC deixou de atender ao princípio de Taylor. Lentamente a inflação foi voltando, apesar de todos os controles das tarifas e do preço da gasolina que foram empregados no período. A história não terminou bem.

Os economistas que têm assinado manifestos pedindo redução dos juros precisam explicar os motivos de desta vez ser diferente. A documentação da alteração da regra de Taylor no período encontra-se no trabalho publicado na revista Empirical Economics, volume 48 de 2015 (páginas 557-575), e no trabalho publicado na revista Journal of International Money and Finance, volume 74 de 2017 (páginas 31-52). Este último com o sugestivo título “Desconstruindo Credibilidade: A Quebra da Regra de Política Monetária no Brasil”.

MST quer indicar novo superintendente do Incra e ameaça retomar as invasões


A barreira que impede a aproximação de Lula com o agronegócio | VEJA

Lula vestiu a camisa do MST e está sendo pressionado

Sérgio Roxo
O Globo

Depois de um recuo tático durante a gestão Bolsonaro, em que praticamente abandonou as invasões, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) busca, com a volta de Lula ao Palácio do Planalto, recuperar a influência que mantinha no governo nos anos petistas.

Apesar da proximidade histórica com o PT, o movimento garante que fará pressão se o programa de distribuição de terras não for retomado. Na largada, já há insatisfação pela demora na indicação do novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão subordinado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.

LUZ AMARELA – Segundo integrantes do grupo, uma das consequências é a permanência de nomeados pela gestão anterior no comando de superintendências regionais.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, diz que a indefinição, após mais de 50 dias de governo, faz com que a “luz amarela” na relação com o governo se acenda:

— Sem nomeação, não temos diálogo com o governo. O ministério cuida dos temas gerais da agricultura familiar, mas a questão da terra é com o Incra. Precisamos da indicação da direção para retomar o programa de reforma agrária.

Rodrigues ainda lembra que há questões pendentes em assentamentos, como instalação de água encanada ou escolas, que estão paradas desde o governo Dilma Rousseff (2011-2016) e dependem do Incra. Procurada, a pasta disse que o presidente do Incra será anunciado nesta segunda-feira.

AMEAÇA AO GOVERNO – Criado em 1984, o MST viveu o auge de suas ações durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Nos anos Lula, o movimento manteve inicialmente o ritmo de invasões, que com o tempo foram reduzidas.

No governo Dilma, as desapropriações de terra foram reduzidas, mas, na mesma época, o MST passou a se voltar para a produção de alimentos sem uso de agrotóxicos. Durante a gestão Bolsonaro, o movimento optou por evitar embates diretos e praticamente cessou as invasões, ao mesmo tempo em que buscava de forma mais intensa o apoio da classe média urbana com a sua política de venda de produtos saudáveis.

Agora, o MST cobra do novo governo um compromisso com uma reforma agrária agroecológica, com foco em alimentos saudáveis. O plano é retomar mobilizações em abril e voltar a promover invasões se, até lá, o governo não der sinais de que vai iniciar desapropriações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não dá para entender. Com tantas propriedades rurais improdutivas e abandonadas, mesmo assim o governo não consegue resolver a questão dos sem-terra. Sinceramente, é muita incompetência. A incompetência reina e os governantes desconhecem que existe desapropriação para fins sociais(C.N.)

Lembra do trem-bala? Ele voltou, e Lula enfrenta novamente seu velho pesadelo

Publicado em 26 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Democracia Política e novo Reformismo: Charge: Trem bala

CHarge do Humberto (Folha de Pernambuco)

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Com jeito de quem não quer nada, na quarta-feira a Agência Nacional de Transportes Terrestres divulgou sua deliberação nº 47, com três artigos. Outorgou à empresa TAV Brasil, constituída em fevereiro de 2021 com capital de R$ 100 mil, autorização para “a construção e exploração de estrada de ferro entre São Paulo e o Rio de Janeiro pelo prazo de 99 anos”.

Ganha um lugar na viagem inaugural desse trem quem conseguir explicar o que essa autorização significa, pois faltam o capital, o projeto de engenharia e a demonstração da demanda.

Mesmo pesadelo – É o velho trem-bala que ressuscita. Pelo que se promete, em junho de 2032 ele ligará as duas cidades em 90 minutos. A autorização da ANTT custou-lhe uma folha de papel. Esse trem custaria algo como R$ 50 bilhões, cerca de US$ 10 bilhões.

Sonhar é grátis. Lula já disse que pretende reativar os estaleiros do Rio. Seria o quarto polo naval que sua geração financia, coisa inédita na história das navegações. Agora reaparece o trem-bala. Ele foi um sonho do consulado petista, acabou em pesadelo e só serviu para produzir uma empresa estatal. E antes que se dê outro passo com o trem-bala 2.0, convém revisitar o que aconteceu com o primeiro projeto.

Em 2004, durante o primeiro mandato de Lula, foi constituído um grupo de trabalho para estudar a “ligação ferroviária por trem de alta velocidade entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro”. Seu coordenador era José Francisco das Neves, o “Doutor Juquinha”, presidente da estatal Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.

TUDO GRÁTIS… – Os doutores visitaram fábricas da Itália e da Alemanha e, em abril de 2005, o grupo de trabalho recomendou o projeto da italiana Italplan. O trem-bala ligaria o Rio a São Paulo em 88 minutos, sem paradas, transportando cerca de 90 mil passageiros por dia. A obra levaria sete anos, e a concessão duraria outros 42. A conta ficaria em US$ 9 bilhões, sem que a Viúva tivesse que botar um centavo. (Em 2004 o dólar estava a R$ 3.)

Um curioso intrigou-se com o fato de que o trem iria do Rio a São Paulo sem qualquer parada. Todos os outros trens de alta velocidade param no caminho.

O “Doutor Juquinha” disse-lhe que essa era a proposta dos italianos e que não havia motivo para preocupação, pois a ministra Dilma Rousseff havia incluído o trem-bala no Programa de Aceleração do Crescimento, o falecido PAC. Qualquer dúvida, os italianos esclareceriam. Procurados os italianos, deu-se o seguinte diálogo:

– “Por que o trem vai do Rio a São Paulo sem paradas?”

– “Porque pediram um projeto sem paradas.”

TCU PAROU O TREM – Em 2007, o BNDES e o Tribunal de Contas da União mastigaram as contas do projeto da Italplan. Saltou aos olhos que o trem-bala precisaria de subsídio. Além disso, sua malha começou a espichar indo até Campinas. Espichou também o custo, subindo para US$ 11 bilhões.

Em abril de 2008, Lula anunciou que a licitação do trem aconteceria em outubro. Ele estaria nos trilhos durante a Copa do Mundo de 2014 com oito paradas. Não houve a licitação, mas o custo estimado pulou para US$ 15 bilhões. Tudo isso, sem que houvesse um projeto de engenharia, numa obra que teria 16 km de túneis.

Em 2010 (ano eleitoral), o assunto estava no Tribunal de Contas e lá percebeu-se que a estimativa de demanda (e da renda) havia sido grosseiramente manipulada. O TCU freou o projeto por algum tempo, e os italianos foram mandados passear.

MAIS SONHOS – Candidato ao governo de São Paulo, o petista Aloizio Mercadante prometia trabalhar para que o trem fosse também a Sorocaba, Bauru, Ribeirão Preto e Rio Preto. Nessa campanha eleitoral, Lula comparou a audácia da obra à da construção da torre Eiffel, em Paris.

O trem só deveria rodar em 2017, mas em 2010 seu projeto produziu uma estatal, a Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade, Etav. Durante a campanha o trem-bala foi uma cereja de bolo. Chegou-se a anunciar que ele poderia ir a Curitiba.

Passada a eleição, adiou-se a licitação da obra. Consórcios da China, França, Coreia e Espanha, que teriam interesse na obra, caíram fora. (Alguns, como o coreano, podem ter se reciclado.)

NUNCA ACONTECEU – Um grande empresário nacional ironizava: “Se o empreiteiro é o sujeito que convenceu o faraó a empilhar aquelas pedras no deserto, com esse trem a faraó (ou faraoa) quer fazer a pirâmide, mas os empreiteiros não querem”. O leilão foi adiado três vezes e nunca aconteceu.

Em setembro de 2011, a ANTT informou que os estudos de engenharia demorariam pelo menos um ano. A essa altura o trem-bala já havia consumido R$ 63,5 milhões e o custo da obra estava estimado em US$ 20,1 bilhões. (Em 2005 falava-se de US$ 9 bilhões.) Em 2014, Dilma Rousseff admitiu que o trem-bala havia deixado de ser prioridade.

A única coisa que andou foi um litígio judicial aberto pela Italplan na Itália. A empresa que em 2004 tinha a preferência do grupo de trabalho processou o governo brasileiro e, em março de 2016, pedia na Justiça cerca de R$ 1 bilhão por serviços prestados.

JUQUINHA FOI PRESO – Em julho de 2012, por conta de outras malfeitorias praticadas na Valec, o “Doutor Juquinha” foi preso. Dormiu poucas noites na cana. Anos depois, ralou uma condução coercitiva.

Andou também a estatal Etav. Transformou-se na Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Em 2017 empregava 143 pessoas e custava R$ 99 milhões anuais. Já a Valec tinha 1.027. Ambas sobrevivem, fundidas na Infra S.A.

Lula comparou as críticas ao projeto do trem-bala, nascido em 2004, às que foram feitas à construção da torre Eiffel. A torre ficou pronta em menos de dois anos.

DIZ O MINISTRO – O ministro dos Transportes, Renan Filho, informa que a autorização dada pela ANTT para a construção e operação por 99 anos do trem-bala de Lula 3.0 é um projeto inteiramente privado da TAV Brasil. A autorização da ANTT é inteiramente pública. Renan tinha 24 anos e acabara de se formar em economia quando o grupo de trabalho do “Doutor Juquinha” dizia a mesma coisa.

Geraldo Alckmin, atual vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, conhece a história do trem-bala desde 2009, quando era secretário de Planejamento do Governo de São Paulo. Em 2010, como governador eleito, ele sugeria que o trem não passasse pelos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, mas que eles fossem servidos por duas outras ferrovias expressas.

Aloizio Mercadante, defensor da extensão da malha do trem-bala para Sorocaba, Bauru, Ribeirão Preto e Rio Preto, é o atual presidente do BNDES. Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, foi um implacável diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes em 2011, durante a “faxina ética” que Dilma Rousseff fez no setor de transportes do seu governo. Conhece a história da Valec e do trem-bala de cor e salteado.

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