Os resultados imediatos dos protestos atuais (esperados por quem está acampando nas portas dos quartéis) são nulos. Aqueles que poderiam um dia ser colhidos em longo prazo ficam cada vez mais distantes a cada dia em que eles insistem em marchar rumo ao abismo.
domingo, dezembro 18, 2022
Uma breve história sobre protestos e seus resultados
Os resultados imediatos dos protestos atuais (esperados por quem está acampando nas portas dos quartéis) são nulos. Aqueles que poderiam um dia ser colhidos em longo prazo ficam cada vez mais distantes a cada dia em que eles insistem em marchar rumo ao abismo.
Invasão do Capitólio: As três acusações que Trump deve enfrentar
Bolsonaro teve recaída na tristeza com saída do Planalto e deve parar por 3 meses, dizem aliados
Por Guilherme Seto | Folhapress

Após ensaiar movimentos de saída da reclusão em que mergulhou desde a derrota para Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL) afundou novamente na tristeza com a proximidade de sua saída dos palácios da Alvorada e do Planalto, dizem aliados mais próximos que estiveram com ele nos últimos dias.
O presidente vinha indicando que poderia encerrar a reclusão por meio de aparições breves e discursos aos seus seguidores, mas esse movimento foi interrompido. Isso porque, segundo eles, a movimentação de deixar esses espaços fez com que "caísse a ficha" de que está se afastando de fato da Presidência.
Eles afirmam que Bolsonaro falado em ficar longe da política nos três primeiros meses do ano. Além de deprimido e inconformado com a derrota, que ele atribui à interferência do STF (Supremo Tribunal Federal), ele tem reclamado de cansaço acumulado da campanha eleitoral.
Segundo relatam, o presidente se animou ligeiramente em almoço com Tarcísio de Freitas (Republicanos) no começo da semana. Eles afirmam que a frase de Tarcísio de que nunca foi um bolsonarista raiz não surgiu na conversa e que o presidente não a viu como problemática.
No encontro com Bolsonaro, o governador eleito de São Paulo teria dito que pretende se colocar como um gestor técnico desde o começo do mandato, sem envolvimento em brigas ideológicas.
Bahia Notícias
VÍDEO: Mais um caminhão de mudança é visto no Palácio da Alvorada

Um novo caminhão de mudança foi visto no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, neste sábado (17). O veículo permaneceu no local por aproximadamente cinco horas, segundo informações do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.
Veja o momento em que o caminhão deixa a residência oficial:
É a segunda vez em uma semana que um transporte de mudança é visto no Alvorada. A primeira vez foi na quinta-feira (15). As movimentações ocorrem a menos 15 dias para que Jair Bolsonaro (PL) deixe o comando da Presidência, em 31 de dezembro. Ele está no comando do Executivo federal desde 1º de janeiro de 2019, após vencer as eleições de 2018.
Neste ano, o atual presidente tentou a reeleição, mas foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá seu terceiro mandato à frente da Presidência. Com a derrota de Bolsonaro, ele se tornou o primeiro presidente a tentar a manutenção ao cargo e fracassar.
Integrantes da transição de Lula querem Randolfe no Ministério das Comunicações
Domingo, 18/12/2022 - 07h20
Por Mônica Bergamo | Folhapress

Integrantes do grupo de trabalho que se dedicou ao tema das comunicações no gabinete de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) seja nomeado ministro.
A escolha pelo nome do parlamentar passou a ganhar força na terça-feira (13) entre membros do corpo técnico, que temem que um nome conservador fature o Ministério das Comunicações. O histórico de ex-ocupantes da pasta em gestões petistas, afirmam, confirmaria essa possibilidade.
Embora não tenham se dedicado à sugestão de nomes para a pasta, membros do grupo de trabalho concluíram que Randolfe tem a estatura necessária para as tarefas que esperam que sejam cumpridas pelo futuro ministro.
Além de sua atuação enquanto parlamentar do campo progressista, pesa a favor de Randolfe o fato de ele ter participado ativamente das discussões sobre o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados.
O senador ainda teria profundo conhecimento de como funcionam as plataformas digitais, característica desejável para o enfrentamento do debate espinhoso a cerca de sua regulação.
Mais do que isso, Randolfe estaria apto a encampar políticas de combate à desinformação e à extrema direita no ambiente digital, defendem os técnicos.
Nomes como o do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e do prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva (PT), que coordenou a comunicação da campanha de Lula, são ventilados como possíveis titulares do Ministério das Comunicações. Há dúvidas, no entanto, se o presidente eleito abrigará mais nomes de seu partido na Esplanada dos Ministérios.
Bahia Notícias
Saiba quanto custou a mudança de Jair Bolsonaro do Alvorada
Por Redação

A Presidência gastou pelo menos R$ 28 mil com a primeira parte da mudança da família Bolsonaro do Palácio da Alvorada, que a partir de janeiro será ocupado por Lula. A primeira leva da mudança aconteceu na tarde da última quinta-feira (15).
Funcionários da empresa Muda Brasília transportaram dezenas de caixas numeradas até um depósito na capital federal. De acordo com o portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, a firma foi subcontratada pela 5 Estrelas Infinity Serviços e Soluções, que recebe R$ 941 mil por ano para transportar cargas da Presidência e de seus servidores.
No dia seguinte, sexta-feira (16), mais um caminhão de mudança foi visto, desta vez no Palácio do Planalto, onde Bolsonaro despacha. Um dos itens levados para a caçamba foi uma escultura de moto em madeira, que ficava exposta no palácio.
Batizada de “Harley Mito”, a moto foi dada neste ano a Bolsonaro por um apoiador de Mato Grosso do Sul. Em março, a moto subiu a rampa do Planalto, carregada por funcionários.
Bahia Notícias
Vale a pena ver de novo? Lula já dá sinais de que não aprendeu nada com o passado
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Lula se comporta como se quisesse afrontar o mercado
Merval Pereira
O Globo
O diplomata francês Charles Talleyrand-Périgord, várias vezes ministro dos Negócios Estrangeiros da França e por três meses primeiro-ministro sob Luís XVIII, dizia a respeito dos Bourbons: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. O mesmo se poderia dizer sobre o PT e o terceiro mandato do presidente Lula, a partir de algumas decisões e atitudes que se revelaram nos últimos dias.
Na solenidade de diplomação como presidente eleito, em vez de um político “sem mágoas”, como se apresentou na campanha, surgiu um Lula visto por muitos como rancoroso, não o conciliador.
DESAFIO AO MERCADO – No anúncio improvisado de Aloizio Mercadante como futuro presidente do BNDES, Lula fez como se arrostasse o mercado financeiro e os críticos de sua decisão: “Tenho ouvido muitas críticas aos boatos de que você seria o futuro presidente do BNDES. Pois quero dizer que não é mais boato, você será o presidente do BNDES”.
Já havia arrepiado os cabelos “desse tal de mercado”, como se referiu com desdém, ao afirmar que “não vai haver privatizações”. Ao mesmo tempo, para aprovar a PEC da Transição que, no final das contas, dá quase R$ 200 bilhões para o governo gastar fora do teto, Lula tem feito concessões que sinalizam uma volta a antigos hábitos nada republicanos, como o toma lá dá cá com o Centrão.
Aceitou incluir na proposta original a permissão para desbloquear ainda neste ano verbas do orçamento secreto e, na calada da noite de terça-feira, foi aprovada a mudança que se temia na Lei das Estatais, para abrigar políticos nessas empresas. O valor das estatais na Bolsa sofreu baque considerável.
CULPA DE BOLSONARO – Os petistas alegam que todos esses movimentos se devem ao atual governo, pois as manobras têm acontecido antes de sua posse e a do novo Congresso, mas essa é uma versão que não para em pé. Para aprovar a PEC da Transição, Lula está permitindo que as práticas fisiológicas que criticou durante a campanha, como o orçamento secreto, continuem vivas.
Não há dúvida de que a administração que finda deixou um buraco nas contas públicas que provocou um shutdown parcial nos serviços do governo, em alguns casos dramático, como pagamento de aposentadorias, Farmácia Popular, SUS e assim por diante.
Mas a conta de R$ 200 bilhões parece a muitos políticos e técnicos excessiva e, embora o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha se comprometido, em entrevista à GloboNews, com o equilíbrio fiscal, é ainda incerto que âncora o governo Lula proporá para substituir o teto de gastos.
UM GRANDE EXEMPLO – O caso da Lei das Estatais é exemplar. A nomeação de Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES, que já assustara o mundo financeiro e investidores devido à fama de “desenvolvimentista” dele, com história pregressa nada animadora como um dos principais mentores do desastroso governo Dilma, foi sugerida nos bastidores como causa da mudança.
Não é verdade, pois Mercadante tinha como ser nomeado sem ser necessário mudar a lei. Quem se beneficiou com a intervenção foram os políticos, a começar pelo petista Jean Paul Prates, cogitado para a presidência da Petrobras. O Centrão há muito queria essa mudança, e não parece ser por acaso que ela tenha vindo agora, quando é negociada a aprovação da PEC da Transição, fundamental para o próximo governo.
O que atrai os políticos é “aquela diretoria que fura poço”, como ingenuamente reivindicava o deputado Severino Cavalcanti, esdrúxulo presidente da Câmara. Verbas publicitárias também contam, e muito. Só na Petrobras serão R$ 12 bilhões.
ROTA COMPLICADA – O governo Lula está entrando numa rota complicada, porque está cedendo ao Centrão, que no momento controla as decisões. Paralelamente, em Brasília, onde tudo se sabe, corre que Arthur Lira fez ao PT diversas “indicações” e “sugestões” para que sua base seja contemplada na formação dos ministérios e dos órgãos federais.
Enquanto isso, vai segurando a tramitação da PEC, e Lula atrasa o anúncio de seu ministério. O governo, por sua vez, espera a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o orçamento secreto, que poderá ser considerado inconstitucional.
Tal decisão agradaria muito ao presidente eleito, mas irritaria demais Lira, que desconfia de que o novo governo trabalhe para que aconteça. O voto da relatora, presidente do STF, ministra Rosa Weber, considerando inconstitucional o orçamento secreto e mandando alocar nos ministérios as verbas distribuídas a parlamentares, parecia ser uma tendência majoritária. Lula recuperaria seu poder decisório sobre os investimentos do governo — o que é bom —, mas a PEC da Transição pode ficar em perigo.
Isolar a extrema-direita e bloquear reações de Bolsonaro são as maiores tarefas de Lula
Publicado em 18 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Ilustração de Caio Gomez (C. Braziliense)
Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
É natural que todas as atenções estejam voltadas para a montagem do governo Lula e suas relações com o Congresso, mas é um equívoco tratar o presidente Jair Bolsonaro como cachorro morto, ainda que ande chorando em solenidades militares, em silêncio depressivo e com uma erisipela, um processo infeccioso da pele, que pode atingir a gordura do tecido celular, causado por uma bactéria que se propaga pelos vasos linfáticos, comum nos diabéticos, obesos e nos portadores de varizes.
Na sua primeira fala política após as eleições, na sexta-feira, Bolsonaro passou recibo da depressão, ao falar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada: “Estou há praticamente 40 dias calado. Dói, dói na alma. Sempre fui uma pessoa feliz no meio de vocês, mesmo arriscando a minha vida no meio do povo”, disse, numa alusão à facada que levou em Juiz de Fora (MG) em 2018.
SEM REAGIR – Sua postura é de derrotado, Bolsonaro já não reage como aquele lutador de boxe nocauteado que se levanta querendo lutar. Mas é um erro avaliar que não tem condições de se manter como o líder de direita com ampla base popular. A pesquisa do Ipec divulgada na quinta-feira mostra isso.
No início de outubro, 35% consideravam a gestão Bolsonaro ótima ou boa. Agora, são 39%. Regular: 22%, 19%, 23%, 24% e 23% em duas rodadas. Também em outubro, 42% avaliaram a administração Bolsonaro como ruim ou péssima. Agora, caiu para, 36%. Na primeira pesquisa, 40% aprovaram sua maneira de governar. Agora, são, 46%.
A pesquisa não teve muita repercussão porque os principais atores políticos de centro e a elite econômica do país não querem mais marola em relação à posse de Lula.
GOLPISMO EM BAIXA – As manifestações golpistas contra o resultado da eleição, que pedem intervenção militar, estão sendo esvaziadas e viraram um problema para os novos comandantes militares, que terão que pôr esse gênio de novo na garrafa.
De certa forma, a agitação dentro e fora dos quartéis foi uma variável “dialética”, digamos assim, para que Lula escolhesse como novo ministro da Defesa o político moderado José Múcio Monteiro, um legítimo representante da velha oligarquia pernambucana.
Além disso, critério de escolha por antiguidade fez do general de Engenharia Júlio César Arruda — próximo a Bolsonaro, mas legalista —, o futuro comandante do Exército. Foi decisão acertada, pois distensiona as relações com os militares e abre caminho para a reconstrução de pontes entre as Forças Armadas e o presidente eleito.
ISOLAR O EXTREMISMO – As pesquisas mostram que isolar a extrema-direita e seu líder carismático, o “mito” Jair Bolsonaro, não será nada fácil. Passa também por uma disputa moral na sociedade, na qual a bandeira da democracia está nas mãos de Lula, mas a da ética na política continua com a extrema-direita. O que pode desequilibrar esse jogo é um bom governo.
Lula precisa alterar a correlação de forças no mundo dos interesses; os da cultura e do trabalho estão firmes com o PT, desde o primeiro turno.
A montagem de um governo com uma área meio empoderada, com Rui Costa na Casa Civil e Flávio Dino na Justiça, ex-governadores da Bahia e Maranhão, respectivamente, mostra que Lula pretende cuidar mais da política, auxiliado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, do que da gestão administrativa.
Lula se reúne com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica
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Encontro com futuros comandantes ocorreu em hotel em Brasília
Pedro do Coutto
O presidente eleito, Lula da Silva, reuniu-se na sexta-feira com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, general Júlio Cesar de Arruda, almirante Marcos Sampaio Olsen e com o brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno. No O Globo, a reportagem é de Jeniffer Gularte e Alice Cravo. Na Folha de S. Paulo de ontem, Igor Gielow destaca que os comandantes atuais das três forças recuaram de suas disposições de entregarem os cargos antes da posse do novo presidente.
O encontro de Lula com os novos comandantes teve também a participação do novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e vai influir sobre a sua posse no dia 1º de janeiro. Algumas providências estão sendo tomadas porque o sistema de segurança de Lula encontrou problemas. Segundo Ricardo Della Coletta, Victoria Azevedo e Constança Rezende, Folha de S. Paulo, verificou-se um mal-estar entre o sistema de segurança de Lula e o Gabinete de Segurança Institucional ocupado pelo general Augusto Heleno. Houve problemas de comunicação e troca de informações, deixando insatisfeita a assessoria do presidente eleito em outubro,
RECURSOS FINANCEIROS – Problemas devem se referir, acredito, nas manifestações de grupos nas portas de quartéis e aqueles que protagonizaram os acontecimentos de segunda-feira em Brasília quando da diplomação de Lula da Silva e Geraldo Alckmin . Na reunião com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, Lula assegurou recursos financeiros para investimentos nas Forças Armadas, incluindo equipamentos. Para o Exército, por exemplo, será ampliado um sistema integrado de monitoramento de fronteiras.
Assim, com a formação da equipe militar do seu governo, o presidente eleito anunciará os demais nomes de seu ministério. Mas há problemas. O Ministério do Planejamento é um deles. Há vários nomes cotados, aparecendo agora também o do senador Renan Filho. O empresário Josué Gomes, atual presidente da Fiesp, disse neste fim de semana que não poderia assumir o Ministério da Indústria e Comércio, pois tem uma vinculação da qual não pode se afastar, que é o da Coteminas, empresa que foi do seu pai, José Alencar.
BOMBA RELÓGIO – Numa entrevista a Daniel Gullino, Folha de S. Paulo, o presidente do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, afirmou que o ministro Paulo Guedes deixou uma bomba relógio que está perto de explodir em matéria de contas públicas e de desorganização da administração federal. O salário dos servidores públicos é um problema muito grande. Estão congelados há quatro anos, enquanto os preços sobem sem parar.
O que está disfarçando a inflação verdadeira no país são as reduções artificiais dos preços dos combustíveis, mas esta é uma fórmula insustentável que, como se espera, não poderá ser mantida. São problemas a serem enfrentados por Lula. “O ministro Paulo Guedes realizou uma reforma administrativa muda e cega. Ele proibiu a contratação de novos servidores públicos, o que é imprescindível para substituir aqueles que se aposentaram”, afirmou Dantas. Com isso, serviços públicos essenciais, a exemplo do INSS, encontram-se em grande atraso causando prejuízos gerais à sociedade.
DÍVIDA INTERNA – Idiana Tomazelli, Folha de S. Paulo, com base em relatório do Tesouro Nacional, revela que a PEC do Orçamento nos próximos quatro anos poderá elevar a dívida interna do país a 81% do Produto Interno Bruto. Para se avaliar o que isso representa em números absolutos, basta ver que o PIB atual do Brasil é de R$ 6,5 trilhões.
A dívida atual do país encontra-se na escala de 68% do PIB, o que equivale a um total aproximado de R$ 4,5 bilhões. Sobre esse total, incide os juros anuais da taxa Selic no montante de 13,75%. Esse é o maior fator da despesa pública brasileira. Os títulos do Tesouro que lastreiam a dívida estão em poder dos bancos, dos fundos de investimento e das aplicações dos fundos de pensão das empresas estatais.
TRAVESSIA – A novela Travessia das escritora Glória Perez é uma obra magnífica pela atmosfera dos personagens e do conteúdo, das situações e conexões, rompendo com narrativas tradicionais e partindo para a abertura de um álbum de família, título, aliás, de uma peça do meu saudoso amigo, Nelson Rodrigues. Difícil poder se abrir um álbum de família porque vão surgir episódios que incomodam hoje as testemunhas dos personagens de ontem. E se estendem no tempo. Travessia, para mim, é um filme em que as imagens sustentam as situações e dão brilho aos textos fortíssimos da história que se desdobra em vários planos. Nesse ponto, lembra o “Vestido de Noiva”, também de Nelson Rodrigues.
Atuação magnífica da atriz Lucy Alves que incorpora a personagem que a acompanhará ao longo de sua brilhante carreira. Um tipo inesquecível de mulher e de seu drama por um percurso pleno de contradições e conflitos. Brisa, a personagem, viverá numa relação de interpretações inesquecíveis. Uma atmosfera de forte sensualidade marca o roteiro, acentuado fortemente pelo desempenho da atriz Vanessa Giácomo. Enfim, é uma obra que resistirá à passagem do tempo.
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