domingo, dezembro 18, 2022

Uma breve história sobre protestos e seus resultados




Os resultados imediatos dos protestos atuais (esperados por quem está acampando nas portas dos quartéis) são nulos. Aqueles que poderiam um dia ser colhidos em longo prazo ficam cada vez mais distantes a cada dia em que eles insistem em marchar rumo ao abismo. 

Por Leonardo Coutinho (foto)

China, 1989. Milhares de estudantes, professores universitários e o que poderia se chamar elite intelectual que emergia com ideais liberais depois de uma década de abertura econômica iniciaram uma série de manifestações pedindo, além da abertura econômica, maior liberdade política e um governo mais democrático. Depois de quase três meses de movimento – que foi marcado por greves de fome e acampamentos em praça pública em pelo menos 400 cidades –, o regime simplesmente mandou passar tanques por cima da garotada. O número de mortos é uma incógnita e a quantidade de presos e desaparecidos é da casa dos milhares. O Partido Comunista Chinês, que enfrentava um dilema interno entre relaxar ou não relaxar a tirania, incluindo um pouquinho de liberdade no pacote de reformas, deu meia volta. Sob o comando do ultra-autoritário Jiang Zemin, que morreu no mês passado, a China acenava para o mundo, mostrando sua disposição de se “ocidentalizar” fazendo negócios, enquanto internamente marchava para um modelo de repressão que viria a superar o que alguns conhecem como perseguição política. O regime montou um extenso, complexo e eficiente sistema de controle social. Esse foi o maior resultado das manifestações na China.

Irã, 1999. Quase ninguém se lembra ou sequer se deu conta. Mas, por cinco dias, uma rebelião de estudantes iranianos paralisou a capital Teerã. Sob as ordens dos aiatolás, a Guarda Revolucionária baixou o sarrafo em todo mundo. Centenas de pessoas foram feridas, 1,5 mil foram presas. O número de mortos é um mistério. Foi um soluço que o regime teocrático que havia recém completado 20 anos sofreu. Os estudantes não aceitavam o endurecimento do regime, que mandou fechar um jornal depois que a publicação revelou uma rede oficial de perseguição a opositores. Como se isso fosse uma grande novidade em regimes totalitários como o do Irã. A brutalidade do regime contra os estudantes deflagrou uma onda de protestos nas principais cidades do país. O aiatolá Ali Khamenei colocou a culpa na CIA e dobrou a aposta repressiva. Além de abafar os protestos, mandou prender os líderes dos protestos. Acusados de serem “inimigos de Deus”, os líderes estudantis foram julgados em sessões espetáculo para servir de exemplo. O resultado: a resposta vem a seguir.

Irã, 2009. Candidato à reeleição, o então presidente Mahmoud Ahmadinejad ganhou a disputa em um processo repleto de suspeitas de fraude. Os três candidatos derrotados alegaram manipulação dos resultados. Dez anos depois de o Irã ter enfrentado a primeira onda de protestos de rua, com os estudantes massacrados em 1999, o país virou palco da maior onda de protestos de sua história. Pode-se dizer que com um lapso de dez anos, os protestos eram uma continuação dos eventos iniciados na Universidade de Teerã. Tudo parecia concorrer para a derrocada do regime. Milhares de pessoas ao redor do mundo mudaram as configurações de suas contas de Twitter e Facebook indicando como localização o Irã, como forma de confundir a censura e aumentar a adesão aos protestos. O Twitter suspendeu um update global de seu software para evitar que ocorresse algum tipo de bug que deixasse os manifestantes sem acesso à plataforma. Contribuição que levou muitos a pedir para o Twitter o Prêmio Nobel da Paz por seu papel na crise do Irã. Assim como dez anos antes, o regime não amoleceu. Mandou mais de 2,5 mil pessoas para a cadeia, oficialmente matou 15 e endureceu ainda mais a repressão contra a oposição.

Brasil, 2013. Manifestações conta o aumento no valor das tarifas de ônibus em São Paulo foram reprimidas com violência depois que hordas de black blocs promoveram quebradeiras pelo centro da capital paulista. A brutalidade foi o gatilho que fez com que os protestos se alastrassem pelo Brasil. E os centavos que estavam na origem do movimento se perderam em uma extensa pauta de reivindicações, que iam desde o fim da corrupção e melhoria da educação e saúde até contra a Copa do Mundo, que ocorreria no Brasil no ano seguinte, e a Olimpíada do Rio em 2016. Ao invés de estádios, o pessoal pedia hospital e escola. Ao melhor estilo “seu pedido é uma ordem”, apenas 15 dias depois da primeira passeata, a presidente Dilma Rousseff tirou da cartola o programa Mais Médicos. Ou seja, espertamente, Dilma e o PT aproveitaram-se dos protestos como justificativa para colocar em prática um plano que estava na gaveta desde o ano anterior de importar médicos cubanos em regime análogo à escravidão como pretexto para enviar bilhões de reais para Cuba. Grande conquista! O tempo passou, Dilma quebrou o Brasil para se reeleger no ano seguinte e o país era pilhado por um esquema de corrupção de proporções titânicas que os manifestantes de 2013 só viriam a conhecer anos depois com a Lava-Jato. O resultado: dez anos depois, o Brasil voltou à estaca zero.

Venezuela, 2017. Naquele ano, foram registradas 9.787 manifestações nas ruas do país. Uma média de 27 por dia. Sendo que quase 6 mil se concentraram entre os meses de maio e julho daquele ano. Cerca de 6 mil pessoas foram presas e seguem até hoje na cadeia. Mais de 15 mil foram feridas e 163 foram assassinadas pelas forças oficiais do regime ou pelas milícias bolivarianas que dão suporte ao regime. Nicolás Maduro parecia estar por um fio. Até um golpe militar chegou a ser tramado. Mas eis que o regime contra-atacou. Prendeu os golpistas e iniciou uma repressão brutal. Os protestos minguaram na mesma proporção que o país se tornou praticamente inabitável, na crise humanitária mais profunda do hemisfério. Maduro não só resistiu como foi capaz de se aproveitar dos protestos para varrer do mapa quem se apresentava como obstáculos ao regime e suas máfias.

Bolívia, 2019. Parecia que o povo tinha colocado o cocaleiro Evo Morales para correr. Depois da descoberta de uma fraude nas eleições daquele ano, milhares de bolivianos foram às ruas por dias para exigir novas eleições, a renúncia de Morales e a retomada da democracia. Execrado e com a imagem arranhada no mundo, o líder cocaleiro fez uma jogada de mestre. Empurrou a crise para uma situação limite. Renunciou de forma a parecer ter sido vítima de um golpe e fugiu do país. Manipulou com seus apoiadores na cadeia de sucessão do poder, de forma que cada um renunciasse até que o país caísse exatamente na mão da oposição. Se não fosse assim, a tese do golpe não colaria. Um ano depois, o grupo de Evo Morales voltou por cima, com a eleição de Luis Arce. Além de recuperar o poder e o prestígio, Morales conseguiu mandar para cadeia os opositores.

A lista recente de manifestações que tiveram como retorno o massacre da oposição inclui a Nicarágua e Cuba. Regimes que souberam tirar proveito da confusão para fazer uma limpeza desde dentro. Expurgando aliados críticos e aniquilando a oposição. Os protestos nos dois países serviram como pretexto para um aumento da perseguição política e endurecimento dos regimes.

Manifestações são superestimadas. Seus efeitos diretos, em geral, são mais nocivos que benéficos a curto prazo. Em ditaduras, eles são um excelente pretexto para os regimes se fortalecerem. Em democracias, são uma bela ajuda para os governantes se ajustarem para salvar suas cabeças, manter-se nos cargos ou implementar políticas. As mudanças quase nunca vêm das ruas. O quase merece destaque, pois para toda regra há exceções.

O que as manifestações parecem ter de efeito é promover a participação política. O envolvimento cidadão pode fomentar medidas e ações que possam ter influências em outros processos, como eleições (em democracias, apenas) onde candidatos ou movimentos que são associados às demandas e aspirações têm a chance de serem eleitos e de promover mudanças reais. Em democracias e (dessa vez) ditaduras, os protestos são um instrumento útil para quem realmente manda e pode mudar as coisas valendo-se da “desculpa” da vontade popular. Projetos de lei, mudanças constitucionais e até Constituições inteiras nascem assim.

Desde o final do segundo turno das eleições, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro estão nas ruas realizando uma série de manifestações contra o resultado das urnas. Inventaram até um tal “Lula não sobe a rampa”, sugerindo que evitarão a posse do presidente eleito. Qual o resultado prático desse tipo de movimento, que tem tudo para não chegar a lugar algum, a não ser o de oferecer todos os argumentos para que sejam atropelados pela narrativa da esquerda, que já tatuou na testa de cada um destes a marca de fascista? E se fizerem a besteira de fazer besteira?

Os resultados imediatos dos protestos atuais (esperados por quem está acampando nas portas dos quartéis) são nulos. Aqueles que poderiam um dia ser colhidos em longo prazo ficam cada vez mais distantes a cada dia em que eles insistem em marchar rumo ao abismo. O precipício, ao que parece, está próximo. A terceirização da insanidade para uma massa ressentida e desgovernada não tem como dar certo. Lá vem mais um tópico: Brasil, 2023...

Gazeta do Povo (PR)

Invasão do Capitólio: As três acusações que Trump deve enfrentar




Trump falou à multidão pouco antes de um tumulto estourar em janeiro de 2021

O inquérito em andamento no Congresso americano sobre a invasão do Capitólio no ano passado recomendará três acusações criminais contra o ex-presidente Donald Trump.

O comitê da Câmara buscará uma acusação de insurreição sem precedentes contra um ex-presidente dos EUA, de acordo com a mídia americana.

Espera-se que o painel publique o relatório final na próxima semana.

Os apoiadores de Trump invadiram o Congresso em 6 de janeiro de 2021, em uma tentativa de impedir a ratificação do democrata Joe Biden como presidente.

O Departamento de Justiça — que já está investigando o papel de Trump nos protestos — não é obrigado a considerar ou acatar as referências de qualquer comitê do Congresso americano.

Trump nega as irregularidades. Na sexta-feira (16), seu porta-voz, Steven Cheung, classificou os trabalhos da comissão como um "show" feito por "partidários do [movimento] 'Trump Nunca'" que "são uma mancha na história deste país".

O comitê deve realizar a reunião final na segunda-feira (19), quando as conclusões do grupo serão reveladas.

Além da acusação de insurreição, o grupo também vai sugerir que Trump seja acusado de obstruir um processo oficial e conspirar para fraudar as eleições dos Estados Unidos, de acordo com vários meios de comunicação.

Espera-se que os nove membros do painel aprovem o relatório final de oito capítulos, com base em entrevistas com mais de mil testemunhas, e submetam o material ao Departamento de Justiça dos EUA.

O relatório completo será publicado na quarta-feira (21), afirmou Bennie Thompson, congressista democrata do Mississippi e presidente do grupo.

Zoe Lofgren, representante da Califórnia e outra participante do painel, disse à CNN na sexta-feira (16) que os legisladores "foram muito cuidadosos ao elaborar essas recomendações [de cobrança] e ligá-las aos fatos que descobrimos".

O comitê da Câmara argumentou que Trump espalhou alegações que sabia serem falsas sobre fraudes na eleição presidencial de 2020, antes de pressionar autoridades estaduais, o Departamento de Justiça e seu próprio vice-presidente a ajudar a subverter a derrota. O painel o acusa de incitar a invasão ao Capitólio em uma última tentativa de permanecer no poder.

O Departamento de Justiça já está investigando as ações do então presidente republicano a respeito da invasão.

Sete dias após o ataque, o Congresso pediu o impeachment de Trump pela segunda vez, alegando incitação à insurreição.

Trump, que é o único presidente a sofrer um processo de impeachment em duas ocasiões, foi inocentado pelo Senado dos EUA.

No mês passado, o procurador-geral Merrick Garland nomeou um ex-promotor de crimes de guerra para decidir se Trump deveria ser processado ou não.

Jack Smith tem a tarefa de determinar se Trump, que anunciou a candidatura à presidência em 2024, deve ser levado a julgamento por manuseio inadequado de arquivos confidenciais — que foram recuperados durante uma busca do FBI na propriedade de Trump na Flórida em agosto — ou por encorajar a multidão violenta em 6 de janeiro de 2021.

Centenas de pessoas já foram acusadas de crimes relacionados à invasão em massa do Capitólio.

Dezenas delas foram condenadas, incluindo Doug Jensen — descrito pelos promotores como um "garoto-propaganda" dos distúrbios — e Stewart Rhodes, líder da milícia de extrema-direita Oath Keepers.

BBC Brasil

Bolsonaro teve recaída na tristeza com saída do Planalto e deve parar por 3 meses, dizem aliados


Por Guilherme Seto | Folhapress

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após ensaiar movimentos de saída da reclusão em que mergulhou desde a derrota para Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL) afundou novamente na tristeza com a proximidade de sua saída dos palácios da Alvorada e do Planalto, dizem aliados mais próximos que estiveram com ele nos últimos dias.
 

O presidente vinha indicando que poderia encerrar a reclusão por meio de aparições breves e discursos aos seus seguidores, mas esse movimento foi interrompido. Isso porque, segundo eles, a movimentação de deixar esses espaços fez com que "caísse a ficha" de que está se afastando de fato da Presidência.
 

Eles afirmam que Bolsonaro falado em ficar longe da política nos três primeiros meses do ano. Além de deprimido e inconformado com a derrota, que ele atribui à interferência do STF (Supremo Tribunal Federal), ele tem reclamado de cansaço acumulado da campanha eleitoral.
 

Segundo relatam, o presidente se animou ligeiramente em almoço com Tarcísio de Freitas (Republicanos) no começo da semana. Eles afirmam que a frase de Tarcísio de que nunca foi um bolsonarista raiz não surgiu na conversa e que o presidente não a viu como problemática.
 

No encontro com Bolsonaro, o governador eleito de São Paulo teria dito que pretende se colocar como um gestor técnico desde o começo do mandato, sem envolvimento em brigas ideológicas.

Bahia Notícias

VÍDEO: Mais um caminhão de mudança é visto no Palácio da Alvorada

 

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Foto: Reprodução / Mayara Oliveira/Metrópoles

Um novo caminhão de mudança foi visto no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, neste sábado (17). O veículo permaneceu no local por aproximadamente cinco horas, segundo informações do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

Veja o momento em que o caminhão deixa a residência oficial:

 

 

É a segunda vez em uma semana que um transporte de mudança é visto no Alvorada. A primeira vez foi na quinta-feira (15). As movimentações ocorrem a menos 15 dias para que Jair Bolsonaro (PL) deixe o comando da Presidência, em 31 de dezembro. Ele está no comando do Executivo federal desde 1º de janeiro de 2019, após vencer as eleições de 2018.

 

Neste ano, o atual presidente tentou a reeleição, mas foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá seu terceiro mandato à frente da Presidência. Com a derrota de Bolsonaro, ele se tornou o primeiro presidente a tentar a manutenção ao cargo e fracassar.

Integrantes da transição de Lula querem Randolfe no Ministério das Comunicações

Domingo, 18/12/2022 - 07h20

Por Mônica Bergamo | Folhapress

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Foto: Divulgação

Integrantes do grupo de trabalho que se dedicou ao tema das comunicações no gabinete de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) seja nomeado ministro.
 

A escolha pelo nome do parlamentar passou a ganhar força na terça-feira (13) entre membros do corpo técnico, que temem que um nome conservador fature o Ministério das Comunicações. O histórico de ex-ocupantes da pasta em gestões petistas, afirmam, confirmaria essa possibilidade.
 

Embora não tenham se dedicado à sugestão de nomes para a pasta, membros do grupo de trabalho concluíram que Randolfe tem a estatura necessária para as tarefas que esperam que sejam cumpridas pelo futuro ministro.
 

Além de sua atuação enquanto parlamentar do campo progressista, pesa a favor de Randolfe o fato de ele ter participado ativamente das discussões sobre o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados.
 

O senador ainda teria profundo conhecimento de como funcionam as plataformas digitais, característica desejável para o enfrentamento do debate espinhoso a cerca de sua regulação.
 

Mais do que isso, Randolfe estaria apto a encampar políticas de combate à desinformação e à extrema direita no ambiente digital, defendem os técnicos.
 

Nomes como o do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e do prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva (PT), que coordenou a comunicação da campanha de Lula, são ventilados como possíveis titulares do Ministério das Comunicações. Há dúvidas, no entanto, se o presidente eleito abrigará mais nomes de seu partido na Esplanada dos Ministérios.

Bahia Notícias

Saiba quanto custou a mudança de Jair Bolsonaro do Alvorada


Por Redação

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Foto: Igor Estrela / Metrópoles

A Presidência gastou pelo menos R$ 28 mil com a primeira parte da mudança da família Bolsonaro do Palácio da Alvorada, que a partir de janeiro será ocupado por Lula. A primeira leva da mudança aconteceu na tarde da última quinta-feira (15).

 

Funcionários da empresa Muda Brasília transportaram dezenas de caixas numeradas até um depósito na capital federal. De acordo com o portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, a firma foi subcontratada pela 5 Estrelas Infinity Serviços e Soluções, que recebe R$ 941 mil por ano para transportar cargas da Presidência e de seus servidores.

 

No dia seguinte, sexta-feira (16), mais um caminhão de mudança foi visto, desta vez no Palácio do Planalto, onde Bolsonaro despacha. Um dos itens levados para a caçamba foi uma escultura de moto em madeira, que ficava exposta no palácio.

 

Batizada de “Harley Mito”, a moto foi dada neste ano a Bolsonaro por um apoiador de Mato Grosso do Sul. Em março, a moto subiu a rampa do Planalto, carregada por funcionários.

Bahia Notícias


Nota da redação deste Blog - Ainda bem não começou a mudança do Presidente  o cidadão já sabe quanto foi gasto com Caminhões de Mudanças, enquanto isso em Jerremoabo onde a TRANSPARÊNCIA É ZERO, os vereadores da oposição estão roucos de tanto perguntar cadê os R$ 7.000.000,00(sete milhões que vieram para reparos do Hospital ou então,  cadê a  prestação de Contas do COVID-19?
Cheguei a conclusão que Jeremoabo não é para amador.
 

Vale a pena ver de novo? Lula já dá sinais de que não aprendeu nada com o passado


Aloizio Mercadante (ao fundo) acompanha fala de Lula durante coletiva de imprensa em Brasília

Lula se comporta como se quisesse afrontar o mercado

Merval Pereira
O Globo

O diplomata francês Charles Talleyrand-Périgord, várias vezes ministro dos Negócios Estrangeiros da França e por três meses primeiro-ministro sob Luís XVIII, dizia a respeito dos Bourbons: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. O mesmo se poderia dizer sobre o PT e o terceiro mandato do presidente Lula, a partir de algumas decisões e atitudes que se revelaram nos últimos dias.

Na solenidade de diplomação como presidente eleito, em vez de um político “sem mágoas”, como se apresentou na campanha, surgiu um Lula visto por muitos como rancoroso, não o conciliador.

DESAFIO AO MERCADO – No anúncio improvisado de Aloizio Mercadante como futuro presidente do BNDES, Lula fez como se arrostasse o mercado financeiro e os críticos de sua decisão: “Tenho ouvido muitas críticas aos boatos de que você seria o futuro presidente do BNDES. Pois quero dizer que não é mais boato, você será o presidente do BNDES”.

Já havia arrepiado os cabelos “desse tal de mercado”, como se referiu com desdém, ao afirmar que “não vai haver privatizações”. Ao mesmo tempo, para aprovar a PEC da Transição que, no final das contas, dá quase R$ 200 bilhões para o governo gastar fora do teto, Lula tem feito concessões que sinalizam uma volta a antigos hábitos nada republicanos, como o toma lá dá cá com o Centrão.

Aceitou incluir na proposta original a permissão para desbloquear ainda neste ano verbas do orçamento secreto e, na calada da noite de terça-feira, foi aprovada a mudança que se temia na Lei das Estatais, para abrigar políticos nessas empresas. O valor das estatais na Bolsa sofreu baque considerável.

CULPA DE BOLSONARO – Os petistas alegam que todos esses movimentos se devem ao atual governo, pois as manobras têm acontecido antes de sua posse e a do novo Congresso, mas essa é uma versão que não para em pé. Para aprovar a PEC da Transição, Lula está permitindo que as práticas fisiológicas que criticou durante a campanha, como o orçamento secreto, continuem vivas.

Não há dúvida de que a administração que finda deixou um buraco nas contas públicas que provocou um shutdown parcial nos serviços do governo, em alguns casos dramático, como pagamento de aposentadorias, Farmácia Popular, SUS e assim por diante.

Mas a conta de R$ 200 bilhões parece a muitos políticos e técnicos excessiva e, embora o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha se comprometido, em entrevista à GloboNews, com o equilíbrio fiscal, é ainda incerto que âncora o governo Lula proporá para substituir o teto de gastos.

UM GRANDE EXEMPLO – O caso da Lei das Estatais é exemplar. A nomeação de Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES, que já assustara o mundo financeiro e investidores devido à fama de “desenvolvimentista” dele, com história pregressa nada animadora como um dos principais mentores do desastroso governo Dilma, foi sugerida nos bastidores como causa da mudança.

Não é verdade, pois Mercadante tinha como ser nomeado sem ser necessário mudar a lei. Quem se beneficiou com a intervenção foram os políticos, a começar pelo petista Jean Paul Prates, cogitado para a presidência da Petrobras. O Centrão há muito queria essa mudança, e não parece ser por acaso que ela tenha vindo agora, quando é negociada a aprovação da PEC da Transição, fundamental para o próximo governo.

O que atrai os políticos é “aquela diretoria que fura poço”, como ingenuamente reivindicava o deputado Severino Cavalcanti, esdrúxulo presidente da Câmara. Verbas publicitárias também contam, e muito. Só na Petrobras serão R$ 12 bilhões.

ROTA COMPLICADA – O governo Lula está entrando numa rota complicada, porque está cedendo ao Centrão, que no momento controla as decisões. Paralelamente, em Brasília, onde tudo se sabe, corre que Arthur Lira fez ao PT diversas “indicações” e “sugestões” para que sua base seja contemplada na formação dos ministérios e dos órgãos federais.

Enquanto isso, vai segurando a tramitação da PEC, e Lula atrasa o anúncio de seu ministério. O governo, por sua vez, espera a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o orçamento secreto, que poderá ser considerado inconstitucional.

Tal decisão agradaria muito ao presidente eleito, mas irritaria demais Lira, que desconfia de que o novo governo trabalhe para que aconteça. O voto da relatora, presidente do STF, ministra Rosa Weber, considerando inconstitucional o orçamento secreto e mandando alocar nos ministérios as verbas distribuídas a parlamentares, parecia ser uma tendência majoritária. Lula recuperaria seu poder decisório sobre os investimentos do governo — o que é bom —, mas a PEC da Transição pode ficar em perigo.

Isolar a extrema-direita e bloquear reações de Bolsonaro são as maiores tarefas de Lula

Publicado em 18 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

 (crédito: Caio Gomez)

Ilustração de Caio Gomez (C. Braziliense)

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

É natural que todas as atenções estejam voltadas para a montagem do governo Lula e suas relações com o Congresso, mas é um equívoco tratar o presidente Jair Bolsonaro como cachorro morto, ainda que ande chorando em solenidades militares, em silêncio depressivo e com uma erisipela, um processo infeccioso da pele, que pode atingir a gordura do tecido celular, causado por uma bactéria que se propaga pelos vasos linfáticos, comum nos diabéticos, obesos e nos portadores de varizes.

Na sua primeira fala política após as eleições, na sexta-feira, Bolsonaro passou recibo da depressão, ao falar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada: “Estou há praticamente 40 dias calado. Dói, dói na alma. Sempre fui uma pessoa feliz no meio de vocês, mesmo arriscando a minha vida no meio do povo”, disse, numa alusão à facada que levou em Juiz de Fora (MG) em 2018.

SEM REAGIR – Sua postura é de derrotado, Bolsonaro já não reage como aquele lutador de boxe nocauteado que se levanta querendo lutar. Mas é um erro avaliar que não tem condições de se manter como o líder de direita com ampla base popular. A pesquisa do Ipec divulgada na quinta-feira mostra isso.

No início de outubro, 35% consideravam a gestão Bolsonaro ótima ou boa. Agora, são 39%. Regular: 22%, 19%, 23%, 24% e 23% em duas rodadas. Também em outubro, 42% avaliaram a administração Bolsonaro como ruim ou péssima. Agora, caiu para, 36%. Na primeira pesquisa, 40% aprovaram sua maneira de governar. Agora, são, 46%.

A pesquisa não teve muita repercussão porque os principais atores políticos de centro e a elite econômica do país não querem mais marola em relação à posse de Lula.

GOLPISMO EM BAIXA – As manifestações golpistas contra o resultado da eleição, que pedem intervenção militar, estão sendo esvaziadas e viraram um problema para os novos comandantes militares, que terão que pôr esse gênio de novo na garrafa.

De certa forma, a agitação dentro e fora dos quartéis foi uma variável “dialética”, digamos assim, para que Lula escolhesse como novo ministro da Defesa o político moderado José Múcio Monteiro, um legítimo representante da velha oligarquia pernambucana.

Além disso, critério de escolha por antiguidade fez do general de Engenharia Júlio César Arruda — próximo a Bolsonaro, mas legalista —, o futuro comandante do Exército. Foi decisão acertada, pois distensiona as relações com os militares e abre caminho para a reconstrução de pontes entre as Forças Armadas e o presidente eleito.

ISOLAR O EXTREMISMO – As pesquisas mostram que isolar a extrema-direita e seu líder carismático, o “mito” Jair Bolsonaro, não será nada fácil. Passa também por uma disputa moral na sociedade, na qual a bandeira da democracia está nas mãos de Lula, mas a da ética na política continua com a extrema-direita. O que pode desequilibrar esse jogo é um bom governo.

Lula precisa alterar a correlação de forças no mundo dos interesses; os da cultura e do trabalho estão firmes com o PT, desde o primeiro turno.

A montagem de um governo com uma área meio empoderada, com Rui Costa na Casa Civil e Flávio Dino na Justiça, ex-governadores da Bahia e Maranhão, respectivamente, mostra que Lula pretende cuidar mais da política, auxiliado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, do que da gestão administrativa.

Lula se reúne com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica


Encontro com futuros comandantes ocorreu em hotel em Brasília

Pedro do Coutto

O presidente eleito, Lula da Silva, reuniu-se na sexta-feira com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, general Júlio Cesar de Arruda, almirante Marcos Sampaio Olsen e com o brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno. No O Globo, a reportagem é de Jeniffer Gularte e Alice Cravo. Na Folha de S. Paulo de ontem, Igor Gielow destaca que os comandantes atuais das três forças recuaram de suas disposições de entregarem os cargos antes da posse do novo presidente.

O encontro de Lula com os novos comandantes teve também a participação do novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e vai influir sobre a sua posse no dia 1º de janeiro. Algumas providências estão sendo tomadas porque o sistema de segurança de Lula encontrou problemas. Segundo Ricardo Della Coletta, Victoria Azevedo e Constança Rezende, Folha de S. Paulo, verificou-se um mal-estar entre o sistema de segurança de Lula e o Gabinete de Segurança Institucional ocupado pelo general Augusto Heleno. Houve problemas de comunicação e troca de informações, deixando insatisfeita a assessoria do presidente eleito em outubro,

RECURSOS FINANCEIROS – Problemas devem se referir, acredito, nas manifestações de grupos nas portas de quartéis e aqueles que protagonizaram os acontecimentos de segunda-feira em Brasília quando da diplomação de Lula da Silva e Geraldo Alckmin . Na reunião com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, Lula assegurou recursos financeiros para investimentos nas Forças Armadas, incluindo equipamentos. Para o Exército, por exemplo, será ampliado um sistema integrado de monitoramento de fronteiras.

Assim, com a formação da equipe militar do seu governo, o presidente eleito anunciará os demais nomes de seu ministério. Mas há problemas. O Ministério do Planejamento é um deles. Há vários nomes cotados, aparecendo agora também o do senador Renan Filho. O empresário Josué Gomes, atual presidente da Fiesp, disse neste fim de semana que não poderia assumir o Ministério da Indústria e Comércio, pois tem uma vinculação da qual não pode se afastar, que é o da Coteminas, empresa que foi do seu pai, José Alencar.

BOMBA RELÓGIO –  Numa entrevista a Daniel Gullino, Folha de S. Paulo, o presidente do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, afirmou que o ministro Paulo Guedes deixou uma bomba relógio que está perto de explodir em matéria de contas públicas e de desorganização da administração federal. O salário dos servidores públicos é um problema muito grande. Estão congelados há quatro anos, enquanto os preços sobem sem parar.

O que está disfarçando a inflação verdadeira no país são as reduções artificiais dos preços dos combustíveis, mas esta é uma fórmula insustentável que, como se espera, não poderá ser mantida. São problemas a serem enfrentados por Lula. “O ministro Paulo Guedes realizou uma reforma administrativa muda e cega. Ele proibiu a contratação de novos servidores públicos, o que é imprescindível para substituir aqueles que se aposentaram”, afirmou Dantas. Com isso, serviços públicos essenciais, a exemplo do INSS, encontram-se em grande atraso causando prejuízos gerais à sociedade.

DÍVIDA INTERNA – Idiana Tomazelli, Folha de S. Paulo, com base em relatório do Tesouro Nacional, revela que a PEC do Orçamento nos próximos quatro anos poderá elevar a dívida interna do país a 81% do Produto Interno Bruto. Para se avaliar o que isso representa em números absolutos, basta ver que o PIB atual do Brasil é de R$ 6,5 trilhões.

A dívida atual do país encontra-se na escala de 68% do PIB, o que equivale a um total aproximado de R$ 4,5 bilhões.  Sobre esse total, incide os juros anuais da taxa Selic no montante de 13,75%. Esse é o maior fator da despesa pública brasileira. Os títulos do Tesouro que lastreiam a dívida estão em poder dos bancos, dos fundos de investimento e das aplicações dos fundos de pensão das empresas estatais.

TRAVESSIA – A novela Travessia das escritora Glória Perez é uma obra magnífica pela atmosfera dos personagens e do conteúdo, das situações e conexões, rompendo com narrativas tradicionais e partindo para a abertura de um álbum de família, título, aliás, de uma peça do meu saudoso amigo, Nelson Rodrigues. Difícil poder se abrir um álbum de família porque vão surgir episódios que incomodam hoje as testemunhas dos personagens de ontem. E se estendem no tempo. Travessia, para mim, é um filme em que as imagens sustentam as situações e dão brilho aos textos fortíssimos da história que se desdobra em vários planos. Nesse ponto, lembra o “Vestido de Noiva”, também de Nelson Rodrigues.

Atuação magnífica da atriz Lucy Alves que incorpora a personagem que a acompanhará ao longo de sua brilhante carreira. Um tipo inesquecível de mulher e de seu drama por um percurso pleno de contradições e conflitos. Brisa, a personagem, viverá numa relação de interpretações inesquecíveis. Uma atmosfera de forte sensualidade marca o roteiro, acentuado fortemente pelo desempenho da atriz Vanessa Giácomo. Enfim, é uma obra que resistirá à passagem do tempo.

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