sexta-feira, novembro 25, 2022

Dinheiro para pagar multa do PL deve sair do fundo partidário

 




O dinheiro para pagar a multa de R$ 22,9 milhões imposta ao PL pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes (esq.), deve sair do fundo partidário. O partido do presidente Jair Bolsonaro foi multado por “litigância de má-fé” – quando a Justiça é acionada de forma desleal ou irresponsável. O PL entrou com uma ação no TSE para tentar anular parte dos votos do segundo turno alegando que os modelos de urna anteriores a 2020 não são confiáveis.

Ao rejeitar o pedido, Moraes já mandou bloquear os fundos partidários da coligação Pelo Bem do Brasil (PL, PP e Republicanos) até o pagamento da multa. “Os partidos políticos, financiados basicamente por recursos públicos, são autônomos e instrumentos da democracia, sendo inconcebível e inconstitucional que sejam utilizados para satisfação de interesses pessoais antidemocráticos e atentatórios ao Estado de Direito”, escreveu.

O fundo partidário é abastecido com recursos públicos e doações privadas. O dinheiro é repassado mensalmente pelo TSE aos partidos para o custeio de despesas recorrentes, como contas de luz, água e aluguel das sedes.

O PL recebe cerca de R$ 4,6 milhões por mês. O fundo do PP gira em torno de R$ 4,9 milhões mensais. A cota reservada ao Republicanos, por sua vez, é de aproximadamente R$ 4,4 milhões por mês. Por ordem de Moraes, os valores passarão a ser depositados em uma conta judicial. Os partidos correm o risco de ficar sem verba por dois meses até quitarem a multa.

Estadão / Dinheiro Rural

Diretores e familiares da FGV movimentaram R$ 487 milhões, diz PF




Suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, a Operação Sofisma, da Polícia Federal, investigou movimentações financeiras atribuídas a dirigentes e ex-dirigentes da Fundação Getulio Vargas e seus familiares que somam R$ 487 milhões. Deste total, quebras de sigilo identificaram pelo menos R$ 36 milhões enviados ao exterior, o que, segundo a PF, envolve o uso de contas em paraísos fiscais. Os investigados foram alvo de suspeitas de lavagem de dinheiro. Dados da investigação obtidos pelo Estadão citam o caminho do dinheiro público de contratos com a FGV e sua destinação a empresas supostamente de fachada atribuídas a tais executivos.

Os citados na apuração afirmam que a Sofisma está repleta de irregularidades formais e se dizem vítima de perseguição dos órgãos de investigação. Eles alegam que o inquérito foi conduzido por juízo incompetente para analisá-lo. Também ressaltam que a delação do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), que abastece a investigação, foi rechaçada pelo STF.

Segundo as investigações, os valores têm como origem contratos da FGV com entes públicos, para privatizações, obras de infraestrutura e construção de prédios estatais. Parte das investigações toma como base a delação de Cabral, que afirmou à PF que contratava a FGV propositalmente com o fim de dar pareceres a favor da legalidade de contratações que, de acordo com o emedebista, eram fraudadas para atender a seus próprios interesses. Em troca destes pareceres, diretores da entidade recebiam uma parte da propina das empresas contratadas, que, segundo Cabral, também faziam repasses ao seu grupo político.

Os pagamentos aos diretores, de acordo com a PF, foram feitos diretamente pelas empresas contratadas a empresas de consultoria dos diretores da FGV. E, também, pela própria instituição de ensino a estas empresas de consultoria de seus dirigentes. Os investigadores suspeitam que remessas para o exterior e o uso de pessoas jurídicas em nome de parentes eram uma forma de lavagem de dinheiro.

Em um dos casos apurados, a FGV foi contratada como consultora do governo do Rio, na gestão Cabral, para auxiliar no processo de venda do Banco do Estado do Rio. Em outro episódio apurado, a FGV foi contratada para auxiliar um fundo da Caixa Econômica Federal criado para investir na construção de uma nova sede da Companhia de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro. Em outra consultoria que foi investigada, a FGV prestou serviços ao governo do Rio no âmbito do contrato da Linha 4 do Metrô.

De acordo com a PF, o caso que envolve valores mais expressivos no exterior diz respeito ao ex-vice-presidente da FGV, Sérgio Franklin Quintella. Ao ex-dirigente, a PF atribui um saldo de R$ 34 milhões nas ilhas de São Vicente e Granadinas, no Caribe. Os investigadores encontraram transações de R$ 756 mil de uma consultoria contratada pela FGV Projetos à época em que a instituição prestou serviços para o governo Sérgio Cabral (MDB) para auxiliar na privatização do Banco do Estado do Rio.

Atual diretor executivo da FGV Projetos, Luiz Carlos Guimarães Duque vinha sendo investigado por receber R$ 5,6 milhões entre 2011 e 2016. A suspeita é que Duque utilizava empresas de fachada para recolher recursos pagos pelo consórcio contratado para construir a nova sede da Companhia de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro.

A FGV foi contratada na condição de consultora de um fundo da Caixa Econômica Federal que fez aportes na obra, com o fim de assessorar na seleção da empresa que seria escolhida para o empreendimento. De acordo com a PF, as empresas que receberam a quantia milionária do consórcio não possuem funcionários e estão em nome dos filhos de Duque.

Segundo a decisão judicial que deflagrou a operação, Duque teria “íntima relação” com um dos responsáveis pelo consórcio selecionado pela FGV para a construção do prédio da Cedae. Este empresário, segundo a delação de Carlos Miranda, ex-braço-direito de Cabral, teria feito pagamento de propinas ao ex-governador em função desta obra.

Diretor da FGV Projetos entre 2003 e 2019, Caio Cesar Cunha Campos foi delatado por Cabral como um dos principais interlocutores entre a FGV e a “organização criminosa” de seu governo. Segundo as quebras de sigilo, sua empresa de consultoria, a Pacto, recebeu R$ 23 milhões da instituição – ele teria, conforme a PF, remetido ao menos R$ 233 mil para o exterior.

STJ

Cunha Campos está entre os investigados que fazem questão de cultivar uma relação próxima com a magistratura e as Cortes Superiores. Em uma troca de e-mails cujo assunto é “STJ”, datada de junho de 2011, o então chefe da Casa Civil do Rio, Régis Fitchner, enviou mensagem em que pedia expressamente a Campos: “É possível a FGV fazer uma carta ao ministro da Justiça de apoio ao Marco Aurélio Belizze para a vaga do STJ? Se for possível, teríamos que fazer isso hoje”.

A resposta só viria mais de 30 dias depois, quando Cunha Campos respondeu que não havia lido o e-mail: “Depois da nossa conversa em particular no seu gabinete, liguei para o ministro Gilmar e para o próprio Elton para que dessem o apoio que o Rio precisava. Na ocasião falei com o Sérgio Quintella para conversar com o senador Dornelles. Espero que essas ações tenham de alguma forma contribuído, ou que pelo menos não atrapalharam”.

Segundo apurou o Estadão junto a pessoas que acompanharam essa nomeação, Fitchner era cunhado de Belizze e atuava contra o interesse da então primeira-dama Adriana Ancelmo, esposa de Cabral, que agia para indicar um de seus sócios ao STJ na vaga que acabou ficando com o ministro. Após a Operação Lava Jato, Belizze fez questão de se distanciar de Fitchner em razão de seu envolvimento nos esquemas de corrupção.

Outro investigado que circula com frequência entre magistrados é Sidney Gonzalez. Diretor da FGV Conhecimento, foi responsável por acordos de cooperação entre a instituição e associações de magistrados e com tribunais e constantemente marca presença em congressos com ministros e desembargadores fora do País. Uma de suas empresas investigadas fica em Portugal. A companhia é controlada por uma empresa no Brasil que, segundo a PF, movimentou R$ 3,5 milhões em três anos. De acordo com os investigadores, a empresa está sob suspeita de lavagem de dinheiro. Ao longo de 14 anos, até 2019, Sidnei havia recebido R$ 20 milhões da FGV. Ele também foi investigado por envolvimento com supostos crimes na venda do Banco do Estado do Rio de janeiro.

Suspensão

Na última sexta-feira, a Operação Sofisma foi suspensa pelo ministro Gilmar Mendes, que questionou a competência da Justiça Federal do Rio para deflagrá-la. Em sua decisão, o ministro afirmou que magistrados e procuradores do Rio têm descumprido precedentes do STF ao continuar a conduzir estas investigações e enviou o caso aos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público. No dia seguinte, o ministro determinou que bens apreendidos pelos investigados, como celulares e notebooks, fossem imediatamente devolvidos. No despacho, chegou a mencionar punições para agentes que descumprem ordens de habeas corpus, que vão de multa até a prisão destas autoridades.

O advogado Ary Bergher, que defende Luiz Carlos Guimarães Duque e dois diretores da FGV, alega que a Operação Sofisma “é um dos capítulos mais nefastos do lavajatismo”. “O STF decidiu que todas as provas produzidas são ilícitas”. “São provas criminosas , que ensejam medidas imediatas, penais, cíveis e administrativas contra os responsáveis por fatos gravíssimos organizados contra o Estado Democrático de Direito!”, disse.

Luiz Duque afirma que nunca esteve com Carlos Miranda e “em nenhum documento que ele tenha lido, seja do Ministério Público do Rio, do Ministério Público Federal, seja da Polícia Federal, consta que ele tenha sido responsável por pagar propina ao núcleo político do governador”.

A FGV afirmou que o “STF revogou todas as medidas judiciais que geraram a operação realizada nas dependências da FGV, por considerar dotadas de “graves ilegalidades”, perpetradas contra uma “entidade internacionalmente conhecida que há muito contribui para o desenvolvimento da pesquisa no Brasil””.

“Diante disso, todas as ilações baseadas em fatos obtidos dentro do cenário de ilegalidade declarado pelo Supremo Tribunal Federal e que transitam em segredo de justiça, não têm qualquer sustentação, só servindo para agravar, ainda mais, o prejuízo já causado à Fundação Getulio Vargas, em grave afronta ao estado democrático de direito e com violação, inclusive, de projetos que envolvem temas militares de segurança nacional desenvolvidos por esta “relevante instituição de financiamento e estímulo à pesquisa”, conforme o próprio STF reconheceu em sua decisão”, afirma a instituição de ensino.

Procurados, Sidnei Gonzalez e os ministros Gilmar Mendes e Marco Belizze também não se pronunciaram. Sérgio Quintella e Caio Cesar Campos não foram localizados.

Estadão / Dinheiro Rural

Lula terá reunião com governadores




O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, se antecipou e já convidou todos os governadores eleitos para uma reunião, no próximo dia 7, com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a campanha, Lula prometeu que a reunião com os governantes estaduais seria uma de suas primeiras medidas após tomar posse.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), Ibaneis é coordenador do Fórum Nacional de Governadores, instância de diálogo criada para ser palco de uma ação coordenada de decisões de interesses dos Estados. Ele disparou convites para o encontro com Lula, no qual diz que “serão debatidas questões prioritárias para o País, no contexto de renovação do compromisso democrático nacional”.

O futuro governo tenta construir pontes com os Estados por meio de interlocutores. Uma das pautas que Lula e governadores devem discutir, entre outros assuntos, é a perda de arrecadação com as desonerações do ICMS, principal imposto cobrado pelos governos regionais, aprovadas pelo Congresso para combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transporte.

Lula quer um pacto com governadores eleitos para avançar na reforma tributária, uma promessa de sua campanha eleitoral que dependerá de alinhamento com os Estados e também com o Congresso.

Estadão / Dinheiro Rural

Brasil participa de projeto de híbrido ‘popular’ da Volks




O Brasil está inserido em um grande projeto global do Grupo Volkswagen para o desenvolvimento de carros híbridos de menor custo, os chamados modelos de entrada, os mais baratos de cada marca, antes chamados de “populares”.

A ideia é adaptar a plataforma (base) usada por Polo e T-Cross para produzir modelos híbridos que utilizam dois motores, um elétrico e outro a combustão abastecido com gasolina (na Europa) e com etanol (no Brasil e na Índia).

O grupo alemão designou o projeto para sua marca Skoda, que desenvolverá carros de entrada com a marca Volkswagen para países da Europa, da América Latina e para a Índia.

“Precisamos ter escala para produzir carros de entrada pois, com as novas tecnologias, eles estão cada vez mais caros”, diz o presidente executivo da Volkswagen América do Sul, Alexander Seitz. “Se fizermos uma plataforma só para o Brasil não vai funcionar”.

O alemão Seitz assumiu o posto em 1.º de outubro, em substituição ao argentino Pablo Di Si, que agora comanda o grupo nos EUA. Em sua gestão, ele obteve aval da matriz alemã para promover o uso do etanol como combustível ponte para o processo de descarbonização até que o Brasil tenha condição de ampliar sua frota de carros elétricos, o que deve demorar em relação a outros países desenvolvidos por causa dos altos custos.

Frota

O Brasil tem hoje frota de 104,3 mil carros híbridos e 11,6 mil elétricos. Neste ano, foram vendidos até outubro 31,8 mil híbridos e 6,8 mil elétricos.

Seitz participou nesta semana da inauguração de uma unidade de pesquisa e desenvolvimento instalada dentro da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Chamada de “Way to zero”, em referência à estratégia global do grupo de neutralização de carbono até 2050, o laboratório vai desenvolver projetos e tecnologias que contribuam para a descarbonização na América do Sul e que poderão ser exportadas para outros mercados. O Brasil é o maior mercado da Volkswagen na região e abriga quatro fábricas.

Seitz não deu detalhes sobre o projeto dos modelos de entrada híbridos, que poderão ser feitos também no Brasil, mas disse que é um produto para “o futuro próximo”. Segundo ele, será preciso focar em custos, produção local de componentes e competitividade dos fornecedores.

Duas montadoras já produzem automóveis híbridos no País, a Toyota e a Caoa Chery, mas de faixa de preço mais alta, como o Corolla e o Tiggo. Carros híbridos importados também são de categorias mais premium. A intenção da Volks é levar a tecnologia para versões mais baratas. O grupo também está desenvolvendo carros elétricos de entrada que serão lançados na Europa em 2025.

Eficiência energética

A unidade inaugurada nesta quarta, 23, pode ajudar no projeto, e já tem parcerias com dez universidades, como Unicamp, USP e UFABC, e com sete empresas, entre as quais Raízen, Shell e Bosch, informa Ciro Possobom, diretor de operações (COO) da Volkswagen do Brasil.

Segundo ele, o objetivo das parcerias é a pesquisa de tecnologias que possam aumentar a eficiência energética e incentivar o uso de fontes de energia de baixo carbono, como o etanol. Também há projetos para uso de peças de maior reciclabilidade na produção de veículos.

A Volkswagen tem também parcerias com universidades para outros projetos, como o do uso do etanol em carros a célula de combustível.

Estadão / Dinheiro Rural

Como possível descoberta do túmulo de Cleópatra pode reescrever a história




Cleópatra e seu filho Cesarião são ilustrados à esquerda, na parede sul do Templo de Hator, em Dendera, no Egito

Por Jane Draycott*, The Conversation

O momento não poderia ter sido mais propício. Ao mesmo tempo em que celebram o centenário da descoberta do túmulo de Tutancâmon, arqueólogos e outros estudiosos agora se debruçam sobre uma nova e promissora descoberta que aparentemente foi feita no Egito.

Escavadores encontraram um túnel sob o templo Taposiris Magna, a oeste da antiga cidade de Alexandria, e afirmam que ele pode levar ao túmulo da rainha Cleópatra.

Esta hipótese ainda aguarda comprovação, mas a descoberta seria muito importante e poderia reescrever o que sabemos sobre a mais famosa rainha do Egito.

O historiador grego antigo Plutarco escreveu uma biografia do marido da rainha, o general romano Marco Antônio, e é responsável pelo relato mais longo e detalhado dos últimos dias do reinado de Cleópatra.

Segundo ele, Antônio e Cleópatra foram sepultados no mausoléu da rainha.

Plutarco conta que, no dia em que Augusto e suas forças romanas invadiram o Egito e tomaram Alexandria, Marco Antônio atirou-se sobre sua espada, morreu nos braços de Cleópatra e foi enterrado no mausoléu.

Duas semanas depois, Cleópatra foi ao mausoléu fazer oferendas e libações, tirando sua própria vida de forma ainda desconhecida. A concepção popular, mas errônea, é que ela teria sido picada por uma serpente.

Cleópatra também foi sepultada no mesmo mausoléu.

Nos dias que se seguiram, o filho de Antônio, Marco Antônio Antilo, e o filho de Cleópatra, Ptolomeu 15 César (também conhecido como Cesarião, "pequeno César"), foram ambos assassinados pelas forças romanas. E os dois jovens podem também ter sido sepultados ali.

Se o mausoléu de Cleópatra ainda não tiver desaparecido sob as ondas do Mediterrâneo, junto com a maior parte da cidade helenística de Alexandria, e um dia for comprovadamente encontrado, será uma descoberta arqueológica quase sem precedentes.

Uma descoberta que pode reescrever a história

Embora os túmulos de muitos governantes históricos famosos ainda estejam de pé - o mausoléu de Augusto, inimigo mortal de Antônio e Cleópatra, em Roma, é um exemplo - seu interior, em muitos casos, foi pilhado e perdido há séculos.

Uma exceção notável é o túmulo de Filipe 2° da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande, descoberto na cidade de Vergina, na Grécia, no final dos anos 1970.

O túmulo foi encontrado intacto, o que permitiu décadas de pesquisas científicas sobre o seu interior, fazendo avançar nosso conhecimento sobre os membros da família real da Macedônia e sua corte.

O mesmo ocorreria se o túmulo de Cleópatra fosse descoberto e estivesse intacto. A quantidade de novas informações que os egiptólogos, classicistas, historiadores antigos e arqueólogos poderiam recolher do seu interior seria imensa.

A maior parte do nosso conhecimento sobre Cleópatra e seu reinado vem de fontes literárias da Grécia e Roma antiga, escritas depois da sua morte e implicitamente hostis para a rainha egípcia.

Não existem muitas evidências que revelem a perspectiva egípcia sobre Cleópatra, mas o que temos disponível, como relevos em sua homenagem nos templos construídos por ela e tributos dedicados pelos seus súditos, fornece uma visão muito diferente da rainha.

A ética de desenterrar os restos de Cleópatra

Até o momento, nenhum outro túmulo de governante do período ptolomaico no Egito - que vai da morte de Alexandre, o Grande, até a conquista romana - foi encontrado. A informação que temos é que todos eles ficavam na região dos palácios em Alexandria e acredita-se que estejam no fundo do mar, com o restante daquela parte da cidade.

Somente a arquitetura e o material do interior do túmulo manteriam os historiadores ocupados por décadas, fornecendo informações sem precedentes sobre o culto aos reis ptolomaicos e a fusão entre a cultura egípcia e a macedônica.

Mas, se os restos de Cleópatra também estivessem ali, eles poderiam contar muito mais, incluindo a causa da sua morte, sua aparência física, e até responder à polêmica questão da sua etnia.

Mas devemos esperar encontrar os restos de Cleópatra e analisá-los?

Desde Tutancâmon até os cidadãos comuns do Antigo Egito cujas múmias foram escavadas ao longo dos séculos, existe um longo histórico de erros.

Felizmente, os dias em que as múmias eram desenroladas como forma de entretenimento em jantares da era vitoriana ficaram para trás. Mas existem preocupações crescentes levantadas por profissionais da área de patrimônio histórico sobre o tratamento adequado dos nossos ancestrais.

A descoberta do túmulo de Cleópatra seria inestimável para os egiptólogos e outros estudiosos, mas seria justo negar à rainha a oportunidade de ter na morte a paz e a privacidade que ela não recebeu em vida?

* Jane Draycott é professora de clássicos da Universidade de Glasgow, no Reino Unido.

BBC Brasil

Lula 3 deu passo maior do que a perna




Sem grupo econômico e político para montar PEC decente, há sururu na finança e no Congresso

Por Vinicius Torres Freire 

O "governo de transição" de Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo maior que a perna ao propor, sem planejamento, um gasto extra de quase R$ 200 bilhões em 2023. É o que fica evidente a cada dia de negociação ou de confusão da "PEC da Transição".

Antes de jogar essa PEC no lago de tubarões do Congresso, teria sido prudente contar, ao menos, com um conselho econômico, um par de assessores especializados que fizesse as projeções básicas de quanto dá para gastar sem causar tumulto social e economicamente contraproducente.

Isto é, um conselho para encaixar a PEC nas linhas gerais de um programa fiscal, adequando tanto seu tamanho como indicando qual a diretriz geral para conter o endividamento. Nem precisava ser um ministro da Fazenda (embora ajudasse bastante) e, menos ainda, ter uma nova regra fiscal pronta, inviável agora.

Não aconteceu nada disso, mesmo estando claro que seria preciso "governar" imediatamente após a eleição. Sim, esse imperativo que é uma aberração, de fato, mas é o que temos: risco de mais ruína se não se agir rápido.

Lula não convenceria muita gente no Congresso com esses números e planos. Mas poderia conquistar aliados, em vez de perder rápido tanta gente que se juntou a sua candidatura. Essa era a ideia da frente, da coalizão socioeconômica e, depois, partidária para dar força ao programa de reconstrução do país. Essa frente já perdeu vários dentes.

Além do "conselho econômico" (um grupo executivo de economistas), seria preciso ter articulação política mais arrumada. Vimos agora que isso também não havia.

A PEC causou sururu econômico. As taxas de juros na praça financeira deram um salto feio desde o "Lula Day", 10 de novembro, e continuaram a subir. Agora, o caldo entornou também da panela política. Houve remanejamentos no conselho e na equipe de negociadores políticos. Estão mudando meio de campo no meio da Copa.

Líderes parlamentares já disseram a Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e a Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito, que querem aprovar o mínimo: uma PEC com despesa menor e "licença para gastar" apenas em 2023, como já se escreveu nestas colunas.

Claro que muito ainda é negociável, mas Lula 3 vai ter de entregar mais poder no Congresso e cargos do Executivo a fim de garantir algo perto do que sonhava com a PEC —e sem garantias até de um Bolsa Família fora do teto por quatro anos. Esta, vamos lembrar sempre, é uma discussão que pode se tornar irrelevante, a depender da nova regra de controle de despesa, déficit e dívida.

Quando a gente diz e escreve essas coisas, leva pauladas à maneira de sempre. "Deixa o homem [Lula, agora] trabalhar". "O governo nem começou". "Tudo vai ser diferente, sem mercado [ou liberais, ou especuladores etc.] mandando".

Sim, o governo ainda pode fazer muito. Nós, que aqui estamos, assim esperamos. Pode também dar um tiro no pé ainda antes de começar e ficar mancando até 2026.

A situação muito feia na praça financeira (juros altos, dólar caro etc.) pode melhorar (ou piorar) rápido. Mal deixará cicatriz se houver ao menos diretriz de que a coisa vai funcionar. Isto é, que a dívida não vai subir sem limite.

A dívida subirá sem limite se houver déficits contínuos. Quer dizer: se é preciso pedir cada vez mais emprestado a fim de financiar o gasto, "social" ou outro, e a rolagem dos juros que não são pagos. Sobe ainda mais se os juros pedidos pelos credores ficam mais salgados, o que eleva ainda mais o tamanho relativo da dívida porque a economia não cresce.

Há quem diga que se pode ignorar os credores (ou tabelar juros ou nem pagar a dívida). É dar um tiro de bazuca no meio da testa.

Folha de São Paulo

Lula nas mãos do Centrão




Três semanas após vitória do petista no segundo turno, Brasília vive briga no escuro entre gabinete de transição e o Congresso

Por Malu Gaspar (foto)

Luiz Inácio Lula da Silva sempre soube que seu primeiro grande desafio, antes mesmo da posse, seria conseguir recursos para cumprir a promessa de manter o pagamento do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) em R$ 600 e dar mais R$ 150 por criança de até 6 anos frequentando a escola. Mas lá se vão três semanas desde a vitória, e o que se vê em Brasília é uma briga de foice no escuro entre a equipe da transição e o Congresso.

O time de Lula quer tirar do teto de gastos as despesas com o Bolsa Família e outros programas sociais, que somam quase R$ 200 bilhões, de forma permanente. Os líderes do Congresso não aceitam. A cifra considerada razoável varia, mas o que mais se ouve no Parlamento é que essa “licença para gastar” não deverá passar de R$ 80 bilhões e poderá valer por apenas um ano.

Entre as razões para a resistência está o risco de um aumento descontrolado da dívida pública. Muita gente já falou, mas não custa explicar de novo: quando a dívida de um país cresce, o risco de calote aumenta, e o governo é obrigado a pagar juros mais altos para continuar se financiando. Mais juros levam a mais inflação, e quem mais sofre são os mais pobres.

O outro motivo para frear a pretensão de Lula, porém, nada tem a ver com a economia. É estritamente político e fácil de resumir. Se o Congresso der ao presidente eleito o que ele mais quer antes mesmo de o governo começar, o que sobrará para negociar depois?

Lula sabe como a banda toca. Mesmo assim, antes das eleições, dizia que acabaria com as emendas de relator, batizadas de orçamento secreto pela falta de transparência sobre os donos do dinheiro e os critérios para sua aplicação. Seus assessores mais próximos ainda apostavam que seria fácil montar uma ampla base de apoio no Congresso.

Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) calculavam que poderiam chegar a 300 deputados e 51 senadores, o que garantiria maioria folgada nas duas casas. A fórmula incluía o lançamento de uma candidatura alternativa a Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara, de preferência de um partido do Centrão — como o União Brasil.

Previa ainda que Lula evitasse pedir a licença para gastar ao Congresso via Proposta de Emenda Constitucional (PEC), justamente para não ficar nas mãos de Lira e de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado.

A realidade, porém, se impôs rapidamente. Em sua primeira reunião com o presidente da Câmara, Lula ouviu que, se não apresentasse a PEC, nada feito. Ah: se atacasse o orçamento secreto, também não haveria conversa. Uma ala importante do petismo convenceu o presidente eleito de que não era prudente brigar contra a reeleição de Lira, e a formação da base no Congresso foi ficando para depois.

Depois disso, Lula foi ao Egito no jatinho de um amigo empresário para receber os aplausos da comunidade internacional na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP27. Na volta, submeteu-se a uma cirurgia para retirar uma lesão na garganta. Enquanto isso, em Brasília, seu pessoal bate cabeça.

No Congresso, pelo menos três deputados, dois senadores e o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin negociam os termos da PEC.

"O Wellington Dias (eleito senador pelo PT do Piauí) fala uma coisa no Senado, o Enio Verri (deputado do PT do Paraná) diz outra na Câmara, e o Alckmin toma notas no caderninho", diz um senador envolvido na negociação. "Mas como não há um líder do governo, nem ministro da Fazenda, não sabemos quem está no comando. E Lula? Diz que vai conversar com a gente, mas até agora, nada".

Há quem aposte que Lula está apenas usando seu velho método de deixar que os aliados briguem para depois liderar a solução. O problema é que, para ser incluído no Orçamento e começar a pagar o auxílio de R$ 600 em janeiro, o projeto precisa ser aprovado na Câmara e no Senado até o dia 17. Quanto mais o tempo passa, mais o novo governo depende do Centrão, e mais cara fica a fatura.

Davi Alcolumbre (União-AP), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, portanto, determinará o ritmo de tramitação e as chances de sobrevivência da PEC, já avisou que quer um ministério para se mexer. Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cujo partido também pleiteia dois ministérios ao menos, diz que, sem consenso, a coisa não anda.

E o orçamento secreto, que o próprio Lula já disse ter transformado Bolsonaro em “bobo da corte” e “refém do Congresso”, segue intacto. Lula pode ter todo o prestígio e habilidade política do mundo, mas o Congresso Nacional não é a COP27. Se demorar demais a entrar em campo, ele terá de seguir o roteiro de Bolsonaro e começar o mandato já comendo na mão do Centrão.

O Globo

Forças Armadas: comandantes planejam dar posse aos indicados por Lula em dezembro




A passagem de bastão de um governo para o outro começaria pelas Forças Armadas 

Os comandantes das Forças Armadas planejam passar seus cargos para os oficiais-generais indicados pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva já em dezembro. A ideia é que o petista tome posse em 1.º de janeiro já com os comandantes de sua gestão. A Força Aérea tem até data marcada para a cerimônia de transmissão de cargo: dia 23 de dezembro. As demais Forças pretendem fazer o mesmo em datas diferentes.

Assim, a passagem de bastão de um governo para o outro começaria pelas Forças Armadas. Oficiais-generais ouvidos pelo Estadão consideram que não haveria problema nem mesmo legal, pois dizem acreditar que o presidente Jair Bolsonaro não se oporia a publicar os decretos para nomear os escolhidos por Lula. Na transição, o plano dos generais causou estranheza. É que os comandantes tomariam posse antes mesmo do ministro da Defesa, que deve ser um civil.

A medida evitaria quaisquer constrangimentos aos atuais comandantes, caso haja alguma ação ou protesto contra a posse do presidente eleito. Dentro das três Forças se nega a ideia de que a decisão seja uma forma de os atuais comandantes não terem de se submeter, ainda que por alguns dias, ao governo Lula. Acredita-se que a nova gestão deve “olhar para frente” e deixar o atual ambiente conturbado para trás, priorizando a modernização das Forças Armadas, sem envolvê-las na política partidária, como tem tentado o atual chefe do Executivo.

Foi só no 11.º dia da gestão de Bolsonaro que houve a passagem de comando do general Eduardo Villas Bôas para o general Edson Leal Pujol, o primeiro dos três generais que comandaram o Exército durante o atual governo. Foi o último dos comandantes militares a tomar posse no início do atual governo. O primeiro foi o brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez, em 4 de janeiro. O segundo foi o almirante Ilques Barbosa Júnior, em 9 de janeiro. Todos foram empossados depois de o general Fernando Azevedo e Silva assumir como ministro da Defesa.

Transição

Os comandantes das Forças já informaram ao senador Jaques Wagner (PT-BA) que aguardam apenas a designação dos responsáveis pela transição na área da Defesa para iniciar o processo. Os nomes do Grupo Técnico no governo de transição devem ser divulgados oficialmente ainda nesta quinta ou sexta-feira (dias 24 e 25). A equipe de transição fez contatos com ex-comandantes de cada uma das Forças sobre a disposição de eles participarem do processo. Inclusive com aqueles demitidos por Bolsonaro, como mostrou o Estadão, a exemplo do general Edson Leal Pujol, do Exército, e do ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva.

Os nomes foram revelados ontem pelo Valor e confirmados pelo Estadão. Entre eles estão os generais Enzo Peri, que comandou o Exército de 2007 a 2015 e o general José Carlos de Nardi, que foi chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas – este último aceitou nesta quarta-feira, 23, o convite. Na Marinha, o almirante Júlio Soares de Moura Neto, que a comandou de 2007 a 2015. No caso da Marinha, pretende-se ainda um nome que esteja vinculado à área da energia nuclear, assim como na FAB a transição procura um brigadeiro ligado à área de ciência e tecnologia.

A transição convidou ainda o tenente-brigadeiro Juniti Saito, que comandou a FAB de 2007 a 2015, mas sua participação ainda não era certa para compor o grupo, assim como foram sondados para participar da equipe os professores Manuel Domingos Neto, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed), e Adriana Marques, coordenadora do Laboratório de Estudos de Segurança e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Escolhas

Entre conselheiros do presidente eleito existe a ideia de que a escolha dos novos comandantes recaia sobre os três oficiais mais antigos de cada Força. No caso do Exército, o nome mais provável para o cargo é o do general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, atual comandante militar do Sudeste. Tomás foi ajudante de ordens dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, de quem se tornou amigo. Foi ainda chefe de gabinete do general Eduardo Villas Bôas.

No caso da Aeronáutica, a escolha recairia em Marcelo Kanitz Damasceno, atual chefe do Estado-Maior da FAB. Além do senador Jaques Wagner, os ex-ministros da Defesa Celso Amorim e Nelson Jobim têm servido de intermediários entre o novo governo e os militares.

Como antecipou o Estadão, no dia 11 de novembro, o almirante de esquadra Almir Garnier Santos, comandante da Marinha, o general Marco Antônio Freire Gomes, comandante do Exército, e o tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica, publicaram nota conjunta sem a assinatura do atual ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, na qual defenderam a garantia de manifestações pacíficas e condenaram “restrições a direitos por parte de agentes públicos” e “excessos cometidos” em atos pelo País – “que possam restringir os direitos individuais e coletivos ou colocar em risco a segurança pública”.

Eles estavam se referindo às manifestações em estradas e na porta de quartéis feitas por apoiadores de Bolsonaro que buscavam impedir a posse do presidente eleito. A manifestação dos comandantes levou a reações de políticos, como a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann.

Em publicação no Twitter, a petista afirmou que os chefes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica não devem se envolver em política. “Não é papel dos comandantes militares opinar sobre o processo político, muito menos sobre a atuação das instituições republicanas”, afirmou. Gleisi ainda declarou que a liberdade de manifestação “não se aplica a atos contra a democracia, que devem ser tratados pelo nome: golpismo”.

Estadão / Dinheiro Rural

Bolsonaro recebe Braga Netto e militares no Palácio da Alvorada




Presidente segue sem fazer aparições públicas desde o dia 2 de novembro

Por Levy Guimarães 

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na manhã desta quinta-feira (24), o general Walter Braga Netto, que foi candidato a vice de sua chapa à reeleição em 2022, no Palácio da Alvorada. Ao lado do ex-ministro da Defesa, também estavam militares do Exército e da Aeronáutica.

O encontro não consta na agenda oficial de Bolsonaro, que prevê apenas uma reunião com o subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência, Renato de Lima França, às 11h da manhã.

Desde a derrota no segundo turno das eleições para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro tem se mantido recluso no Alvorada, onde tem recebido poucas visitas e cumprido poucas agendas oficiais. 

Na quarta (23), o presidente realizou despachos no Palácio do Planalto, para onde não ia desde o dia 3 de novembro, quando se encontrou com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), coordenador da transição de governo.

A última aparição pública de Jair Bolsonaro foi no dia 2 de novembro, quando publicou um vídeo pedindo para que manifestantes bolsonaristas desbloqueassem as rodovias. Desde então, não se voltou a se manifestar sobre os protestos contra o resultado das urnas e pró-intervenção militar.

O Tempo

Postado há  por  

Em destaque

Brasil cai, e sonho do hexa nos EUA acaba

  Brasil cai, e sonho do hexa nos EUA acaba Haaland marca duas vezes e faz a festa dos torcedores vestidos de vikings nos Estados Unidos Por...

Mais visitadas