domingo, outubro 16, 2022
Alguém que odeia o Brasil se esforçaria para melhorá-lo?
Inflação nos EUA, risco internacional - Editorial
Feitiço e feiticeiro
Campanha de Bolsonaro pede para TSE suspender redes de Janones até o 2º turno
Domingo, 16 de Outubro de 2022 - 07:20
por Cézar Feitoza | Folhapress

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) neste sábado (15) que sejam derrubados todos os perfis das redes sociais do deputado federal André Janones (Avante-MG) até o fim da eleição.
No documento, a coligação de apoio a Bolsonaro diz que Janones tem cometido abuso dos meios de comunicação para divulgar informações mentirosas e pedir o compartilhamento de publicações depreciativas ao presidente.
"[O deputado] vem se utilizando de suas redes sociais, ostensivamente, como verdadeira fábrica de fake news, para divulgar e incentivar o compartilhamento em massa de publicações de conteúdo sabidamente falso, além de promover maliciosas ações coordenadas com o objetivo desvelado de esvaziar a eficácia das decisões proferidas pela Justiça Eleitoral", dizem os advogados contratados pelo PL.
Em 53 páginas, a campanha de Bolsonaro inclui diversas publicações de Janones e trechos de entrevistas concedidas pelo deputado à Folha. Numa delas, ele diz que reconhece os "prejuízos para a democracia" do embate nas redes sociais. "Mas se esse é [o] preço para salvá-la, eu estou disposto a pagar. Depois do dia 30, a gente vai ter quatro anos para discutir propostas", completou.
Segundo os advogados, a disseminação de mentiras na redes sociais do deputado está no âmbito de uma "campanha difamatória" contra Bolsonaro, com apoio da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que justificaria uma "intervenção firme e imediata da Justiça Eleitoral".
"O que se tem, no caso dos autos, é um esforço deliberado, organizado e ilegal com o único objetivo de degradar a candidatura de Jair Bolsonaro, que conta com o apoio e a uníssona colaboração de todos os ora Investigados", afirma.
"Por meio de intolerável estratégia de desinformação intencional e deliberada do eleitorado, denominada pela mídia de 'janonismo cultural', que se vale, inclusive, da repercussão gerada pela proposição de ações judiciais voltadas ao combate de informações falsas, o deputado André Janones tem gerado benefícios não só à campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, da qual faz parte, como também auferiu dividendos à sua própria candidatura", completa a campanha bolsonarista.
Além da suspensão das contas, a equipe de Bolsonaro diz que avalia pedir a quebra dos sigilos bancários e fiscal do deputado após a apresentação de sua defesa.
À Folha de S.Paulo, Janones disse que os pedidos apresentados pela campanha de Bolsonaro ao TSE não têm "embasamento jurídico algum", argumenta que prints anexados na petição incluem tuítes falsos e defende que não divulgou fake news sobre o presidente na campanha.
"Tecnicamente falando, eu não divulguei nenhuma fake news. Eu só levanto questionamentos, com base em vídeos e declarações do próprio presidente", afirmou.
O deputado ainda disse que irá se antecipar aos advogados de Bolsonaro e colocará à disposição da Justiça Eleitoral as informações de seus sigilos bancários, fiscal e telefônico.
André Janones ficou conhecido por sua atuação nas redes sociais em defesa do auxílio emergencial, com lives de grande alcance no Facebook. Diante da batalha das redes, o deputado, aliado de Lula, passou a fazer publicações e transmissões ao vivo contra a reeleição de Bolsonaro.
No início de setembro, com a campanha nas redes se intensificando, Janones participou do Spaces da Folha no Twitter, espécie de programa de rádio veiculado na rede social. Na ocasião, disse que precisou adotar tom belicoso nas redes para se contrapor ao bolsonarismo.
"Eu não queria usar essas armas, não. Mas a gente está em uma guerra. É por isso que eu tive algumas posturas e busquei elevar o tom no momento adequado", completou.
Bahia Notícias
Bolsonaro estipula meta improvável na Bahia para ganhar a eleição
Domingo, 16 de Outubro de 2022 - 08:00
por Redação

Os coordenadores da campanha de Bolsonaro (PL) estipularam uma meta difícil de ser alcançada para a eleição na Bahia. Segundo apurou a coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles, o presidente acredita que pode ganhar a disputa nacional contra Lula (PT) se obtiver de 30% a 32% dos votos no quarto maior colégio eleitoral do país.
No primeiro turno, Bolsonaro terminou a eleição na Bahia com 24,31% dos votos. O presidente alcançou 27,31% dos votos no estado no segundo turno de 2018, quando tinha menos rejeição no Nordeste e concorria contra Fernando Haddad (PT), um candidato menos competitivo do que Lula.
Bolsonaro não recebeu o apoio formal de ACM Neto (União), o candidato da direita que disputa o segundo turno da eleição estadual contra o petista Jerônimo Rodrigues (PT). A campanha do presidente, no entanto, aposta na articulação velada de prefeitos aliados a ACM para conseguir crescer no estado.
ACM é apoiado, por exemplo, pelos prefeitos das duas maiores cidades da Bahia: Bruno Reis (União), de Salvador, e Colbert Martins (MDB), de Feira de Santana
Bahia Notícias
Ex-amigo da família Bolsonaro, Paulo Marinho abasteceu Lula de informações para o debate
Publicado em 16 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Paulo Marinho se entregou de corpo e alma ao petista Lula
Mônica Bergamo
Folha
O empresário Paulo Marinho, que é suplente de senador de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repassou a Lula (PT) informações sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) para ajudá-lo a se preparar para o debate de domingo (16), organizado por um pool formado por Folha, TV Bandeirantes, UOL e TV Cultura.
Marinho participou ativamente da campanha de Bolsonaro em 2018. Além de concorrer como suplente do filho do então candidato, ele emprestou sua casa no Rio de Janeiro para ser o QG da campanha de televisão e das redes sociais do PSL, partido ao qual o presidente era filiado.
CONVÍVIO ÍNTIMO – O empresário conviveu intimamente com a família de Bolsonaro, e colecionou as mais diversas histórias. Além disso, era um dos melhores amigos e confidente do advogado Gustavo Bebianno, coordenador da campanha bolsonarista naquele ano.
Bebianno depois virou ministro do governo Bolsonaro, com quem acabou rompendo. Ele morreu em 2020, aos 53 anos, de um ataque cardíaco.
No ano passado, Marinho, que também rompeu com Bolsonaro, gravou um vídeo dirigido ao presidente, a quem chama de “capitão”: “Você lembra do nosso amigo Gustavo Bebianno? Talvez você já tenha esquecido dele, né? Com certeza você já esqueceu. Mas ele não lhe esqueceu, pode ter certeza disso. Quando você estiver chorando no banheiro do Palácio, lembre dele, capitão. Ele não lhe esqueceu. Tá bom?”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Muito interessante a notícia enviada pelo advogado e jornalista José Carlos Werneck. Do jeito que as coisas estão indo, é uma tristeza trabalhar em jornalismo de política. Antigamente as pessoas tinham mais dignidade ao desenvolver as práticas da vingança. Agora, pelo contrário, parecem sentir orgulho de se vingar, tiram votos comemorativas e tudo o mais. “Que República!”, diria Helio Fernandes, que faz uma falta danada ao jornalismo.
Ao armazenar medo e rancor, o Brasil está se tornando um país de inimigos irreconciliáveis
Publicado em 16 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Humberto (Folha de Pernambuco)
William Waack
Estadão
É bastante óbvio que as campanhas de Lula e Bolsonaro tivessem concentrado fogo em destruir a imagem do adversário. Durante bastante tempo a atual campanha foi descrita como um campeonato de rejeições. Venceria a rejeição mais baixa. Agora, a de Lula oscilou um pouco para cima, a de Bolsonaro um pouco para baixo.
Mantêm-se razoavelmente próximas, com Bolsonaro mais rejeitado do que Lula. Ambos sofreram e desferiram ataques violentos, muitos abaixo da linha da cintura, mas as duas táticas aparentemente não funcionaram como as campanhas supunham.
PECADOS “PERDOADOS” – A explicação provavelmente se deve a um fenômeno de postura dos eleitores que tem a ver com medo e rancor. É bastante nutrido o contingente dos que dizem não votar em um candidato de jeito nenhum. Nem que isso signifique fazer uma escolha que jamais teria sido considerada.
Não, não se trata de votar no “menos pior” (sob qualquer ponto de vista). Trata-se de fazer qualquer coisa para evitar a vitória de quem se tem mais medo e/ou rancor. Está aí o “perdão” concedido a cada um. Perdoam-se pecados de Lula, pois ele impede uma vitória de Bolsonaro. E vice-versa.
A atual eleição é provavelmente a mais “emocional” de uma já longa série de pleitos presidenciais pós-redemocratização. Há pouco de “racional” na opção por um candidato motivada por medo e rancor do outro.
XINGAMENTOS – Talvez seja esse um motivo central para entender qual a razão de xingamentos não “colarem” no oponente. “Ladrão e corrupto” ou “genocida e fascista” já foram levados em conta por quem tem medo e/ou rancor por um ou pelo outro.
Nas categorias convencionais com as quais se pretende explicar formação de opinião e comportamento eleitoral há sempre referência a questões sociais e estruturais mais profundas.
Como a insegurança trazida por desemprego, por exemplo, “culpa” deste ou daquele personagem político. Ou uma situação percebida como desvantajosa e atribuída por um grupo social a outro, que leva igualmente ao “rancor” por alguma figura pública (e, por outro lado, à acolhida de promessas populistas).
NAS REDES SOCIAIS – No ambiente tóxico incentivado por redes sociais, esses fatores “clássicos” perdem um tanto de sua relevância. Estudiosos das redes sociais costumam dizer que um dos principais obstáculos na análise dos dados é identificar claramente grupos socioeconômicos nas várias plataformas, embora algumas delas correspondam a determinados padrões culturais, de idade, de consumo e poder aquisitivo.
O principal problema do medo e rancor como motivação eleitoral não é apenas a óbvia “qualidade” (ou falta de) da escolha. É a relevância para o que vem depois.
O Brasil está, infelizmente, se tornando um país de irreconciliáveis.
sábado, outubro 15, 2022
Lula: Um vencedor!
Por; Flávio Henrique Maglhães Lima - @flaviohenrique04
Ainda não sabemos qual será o resultado da eleição presidencial, mas ela já tem um vencedor! Lula não se exilou porque não quis, vários países ofereceram a oportunidade a ele, foi preso sem estar condenado, por um juiz que na primeira oportunidade foi servir um de seus algozes e agora se apresenta como político deixando um exemplo de como não se deve agir na magistratura, Lula foi execrado publicamente, e essa semana fez as ruas de Salvador, de Aracaju, Maceió e Recife nos lembrar as grandes lutas pela democracia, unindo milhares de pessoas como há muito não se via nos atos políticos aqui no Brasil. Não sei exatamente qual o sentimento dele sobre tudo isso, mas de fora vejo um homem que foi jogado as traças, e hoje é reconduzido pelos braços da história a belíssimos e inesquecíveis capítulos ainda por serem encerrados, pois os fatos seguem em andamento … Os que me cercam, de forma privada, quando da sua prisão eu externei a época minha opinião sobre o assunto e disse: “ … vão criar um Tiradentes vivo, que ao contrário do que tentaram pintar não se trata de um rebelde, sequer um inconfidente, é um homem sábio, de grande capacidade e entende muito bem tudo que ocorre a sua volta … “
Com a história que tem como ex-presidente e a absurda atuação do Estado em seu caso, estão postos os ingredientes para aquela que poderá ser a maior reviravolta da política brasileira em tempos democráticos, e gostem ou não dele, impossível não admitir o quão forte e perseverante é o ser humano Luís Inácio da Silva. Que venha o dia 30, para nos dizer em seu início de noite quem vencerá as eleições, mas mesmo antes disso acontecer, Lula já sai muito maior que chegou no processo eleitoral, já é um vencedor!
http://www.bobcharles.com.br/internas/read/?id=20871
'Pintou um clima': Bolsonaro relata história com garotas de 15 anos em Brasília; veja vídeo
Sábado, 15 de Outubro de 2022 - 17:40
por Redação

Viralizou nas redes sociais um vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro (PL), em entrevista ao podcast Paparazzo Rubro-Negro, relata uma história em que teria pintado “um clima” entre ele e meninas venezuelanas de 14 e 15 anos de idade. Devido ao relato, a tag “Bolsonaro pedófilo” chegou a ser um dos assuntos mais comentados no Twitter neste sábado (15).
“Eu parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. Tinham umas 15, 20 meninas sábado de manhã se arrumando. Todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos se arrumando no sábado para que? Ganhar a vida”, contou Bolsonaro.
A fala de Bolsonaro, usada por ele para amedrontar a população com relação ao Brasil “virar uma Venezuela”, foi bastante criticada por usuários das redes sociais e por contas ligadas à esquerda. Internautas contestam o fato do presidente ter entrado na casa com menores de idade e ele ter dito que “pintou um clima”.
Se Lula foi solto por erro de julgamento, Bolsonaro agride rotineiramente as instituições

Desta vez, está muito difícil escolher quem é o “menos ruim”
Roberto DaMatta
O Globo
Seria excelente tema para um filme de Luis Buñuel. Um país que viveu o terror e a violência da perda de seus direitos cívicos, que sofreu censura e tortura em pelo menos duas ditaduras e delas se livrou, tem hoje como problema aquilo a que toda democracia aspira: eleições livres em urnas praticamente invioláveis. Não é surreal — pergunta um lado meu — viver o rito essencial de uma democracia, o processo eleitoral, como um problema?
A resposta exige tato e coragem para explicitar contradições, coisa que poucos, muito menos nós, brasileiros, gostamos de realizar, já que a postura compreensiva exige sair dos nichos que levam a acomodar e adiar questões políticas básicas, esquecendo que, um dia, a fatura chega com inevitável crueza.
BEM CONTRA O MAL – A pergunta que ninguém gosta de fazer, mas existe em todo confronto, é a seguinte: quem se confrontará e, mais profundamente, quem tem legitimidade para concorrer. Nélson Rodrigues dizia que o Fla x Flu existia antes da criação do mundo.
No seu genial estilo exaltado, chamava a atenção para as oposições binárias que nos seduzem porque, como seres humanos sem programação biológica exclusiva e podendo nos exprimir em múltiplas línguas e hábitos, a dualidade de um Fla x Flu nos leva à polaridade cósmica do bem contra o mal, com a atraente possibilidade de atribuir o mal absoluto ao Flu se você for Fla ou ao Fla se você for Flu.
Não é por acaso que polarizamos e que a dualidade domina nosso universo simbólico, feito de línguas cujo esqueleto é uma escolha arbitrária de sons e sentidos. E que, apesar de termos uma multidão de partidos, no final as escolhas se reduzam a uma dualidade.
JOGO POLÍTICO – Trata-se de um Fla x Flu, só que é um jogo que, nos próximos quatro anos, definirá aspectos fundamentais da nossa vida social como um todo, e não apenas num domingo esportivo. Com direito a mais quatro… Ou, quem sabe, e há quem suponha, para toda a História…
“Qual é a questão?”, pergunta o leitor armado de seu voto. É que, para mim, como para muitos outros brasileiros, os candidatos são opostos, mas ao mesmo tempo parceiros. Coadjuvantes históricos, porque foi o governo petista de Lula que colocou no palco Jair Bolsonaro.
A pesquisa que não foi feita seria para saber se Bolsonaro teria chance antes do mensalão, do petrolão e das delações premiadas da Operação Lava-Jato.
AFETA NOSSAS VIDAS – Bem diferente de um Fla x Flu é o dualismo Bolsonaro x Lula, que tem o potencial de afetar nossas vidas. No caso do futebol, as contradições são bloqueadas. Na política, porém, vale tudo.
Assim é que Lula tem como vice um tucano e que Bolsonaro usa como argumento recorrente a antipatia pela impessoalidade da urna eletrônica, numa demonstração óbvia de aversão pelo processo eleitoral democrático.
Lula tem como contrapeso a condenação em todas as instâncias e a prisão. Mas, se ele foi solto por erro de julgamento, Bolsonaro agride rotineiramente as instituições republicanas. Há uma retroalimentação de defesas e acusações, e o temor dos democratas é que tal ambiguidade liquide o ideal de liberdade e igualdade e que legitime o axioma favorito dos radicais, segundo o qual os fins justificam os meios.
O MENOS RUIM – Se Bolsonaro e Lula estão dispostos a abandonar a confusão entre ser presidente e ser ditador, é justamente o que me angustia nesta eleição.
A polarização tem raiz justamente nas contradições verbalizadas pelos candidatos. Escolher o menos ruim é, na democracia que promete progresso, desanimador.
Tudo é complicado, mas não podemos esquecer que o Brasil brasileiro, do Fla x Flu e dos ideais democráticos, é mais forte que suas contradições e seus péssimos protagonistas políticos.
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