domingo, outubro 16, 2022

Alguém que odeia o Brasil se esforçaria para melhorá-lo?




Enfim, parte do prazer de viver no Brasil é ficar encontrando coisas novas para falar mal. 

Por Alexandre Soares Silva (foto)

Longe de mim ficar escandalizado porque alguém não é patriota. Acho normal. Cresci antipatriota, e todos os meus amigos eram antipatriotas. Você pega isso no ar, quando é uma criança em São Paulo. E na verdade, dois terços de tudo que escrevi foram maneiras novas de falar mal do Brasil e dos brasileiros.

Outro dia estava argumentando, por exemplo, que não existe brasileiro obcecado. Sabe o clichê de filme, do policial obcecado com o caso que está resolvendo, bebendo cafés madrugada adentro, fazendo painéis com artigos de jornal e com fotos ligadas por barbantes invariavelmente vermelhos? É ridículo fazer isso na tevê brasileira, mostrar um policial obcecado, o “Inspetor Macedo” ou algum nome decepcionante assim, porque sabemos muito bem que não existe brasileiro obcecado. O Inspetor Macedo não ia ficar obcecado com caso algum. Nós íamos prestar mais atenção no caso do Inspetor Macedo do que o próprio Inspetor Macedo.

Cheguei a argumentar até que não temos nem autistas. Não autistas comme il faut, que contam as ervilhas que caem no chão. Nossos autistas talvez contem as ervilhas, mas contam tudo errado. Não confio nem nos nossos autistas.

Enfim, parte do prazer de viver no Brasil é ficar encontrando coisas novas para falar mal. É um prazer, sim, como o que às vezes sentimos quando a gengiva está um pouco sensível e fazemos força bem nesse ponto com o fio dental. Esse é o prazer e a alegria de ser brasileiro, um prazerzinho neurótico.

De modo que não fiquei chocado com o vídeo do jornalista Eduardo Bueno, o “Peninha” para quem tem essas intimidades, autor de livros de história do Brasil, tradutor de Pé na Estrada de Jack Kerouac e biógrafo dos Mamonas Assassinas. Eis o que ele disse:

“Um dia eu disse assim, “Cara, eu moro no Brasil, eu estou ligado ao Brasil, então por que é que eu tenho tanto desprezo pelo Brasil? Vamos tentar entender o Brasil.” E aí como eu sou um cara treinado pra ler, que sou pago pra ler, cuja profissão é ler e escrever, tive a sorte (…) de ler dois mil livros sobre o Brasil, e escrevi trinta e três livros sobre a História do Brasil… Então do alto desse cabedal eu estou aqui pra te dizer (TOM DE PUNCHLINE) que sempre foi um país de merda, um país de merda, um país de terceira categoria, um país que não vale nada, o país que recebeu o maior número de escravos na história da humanidade, um país que dizimou os seus indígenas do mesmo jeito que os outros, mas tu precisa ver os requintes de crueldade, e que ainda os destrói, o país da desigualdade social, o país de uma elite nojenta, e acima de tudo o país de um povo gado, omisso, burro, nojento (…), gente horrorosa…”

Algumas pessoas ficaram chocadas. Eu não fiquei, sendo um detestador do país tanto quanto ele, embora por outros motivos: ao contrário dele não me acho eticamente superior aos outros brasileiros, nem menos “nojento” que “as elites”.

O país é o que é e eu não faria melhor que nenhum dos nossos antepassados. Nem Eduardo Bueno faria melhor, aliás, o que é algo que ele não parece perceber em nenhum momento, seja antes ou depois da leitura de dois mil livros.

Mas todo mundo agora está embriagado com o sentimento de ser melhor e mais ético que os próprios avós. Todo filme de época é assim agora – até se o período for só vinte anos atrás. Toda série, romance, livro de história, palestra etc. de agora é uma dança orgiástica de reprovação aos antepassados, o que só faz sentido se você se sentir melhor que eles, e se nunca lhe passa pela cabeça que, dadas as mesmas tentações, você faria até pior.

Eu, me sentir melhor que o meu bisavô bandeirantinho com esquistossomose? Não sou tão tolo assim.

Mas o que esse vídeo me fez pensar é em qual o valor de um historiador que odeia o que historia. Não é como um encanador que odeia pias? Você deixaria a sua pia ser consertada por um encanador que odeia pias?

Você leria uma enciclopédia de vinhos escrita por alguém que odeia vinho?

Você leria um estudo de mil páginas sobre a obra de Volpi escrito por alguém que não SU-POR-TA olhar para um quadro de Volpi? Um artigo de ataque, ok, pode ser engraçado. Mas um estudo?

Não que o historiador do país precise ser um patriota, mas ele não precisa pelo menos ter uma visão levemente, vagamente, equilibrada? Mostrar defeitos e virtudes, e coisa e tal?

Mas ainda mais que um problema de alguns historiadores, esse me parece o problema das esquerdas atuais. Eles dão a impressão de odiar o país. Parecem ter uma reação instintiva de nojo ao verde-amarelo, ao hino, ao passado etc. E quando adotam o verde-e-amarelo para “ressignificar” as cores, a falsidade do ato grita aos Céus.

Por que alguém que odeia um lugar se esforçaria muito para melhorá-lo? Eu odeio Osasco e não me daria ao esforço sequer de me abaixar pra pegar um potinho de iogurte da calçada pra deixar o lugar mais bonito.

Alguém que ama o seu jardim está constantemente rondando para tirar ervas daninhas, adubar, aparar aqui e acolá etc. Quem odeia o seu jardim vai concretar tudo ou deixar que tudo seque ou apodreça.

Revista Crusoé

Inflação nos EUA, risco internacional - Editorial




Alta de preços eleva risco de novo aumento de juros, afetando o financiamento internacional e o crescimento

Além de assombrar as famílias americanas, a inflação nos Estados Unidos pode resultar em maior aperto financeiro, com efeitos negativos para a economia internacional e perdas especialmente graves para os emergentes, incluindo o Brasil. Os preços ao consumidor subiram 0,4% no mercado americano, em setembro, acumulando alta de 8,2% em 12 meses. Os números foram piores que o estimado pelos especialistas e o mundo financeiro reagiu de imediato. Cotações de papéis caíram nas bolsas, juros subiram e o preço internacional do petróleo recuou.

Novo aumento da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) foi apontado como altamente provável por analistas de instituições financeiras. Em agosto a inflação acumulada em 12 meses havia chegado a 8,3%. Houve algum recuo, portanto, mas o novo número, pelas previsões, deveria ter ficado em 8,1%. O desajuste nos Estados Unidos ultrapassa o do Brasil, onde os preços ao consumidor subiram 7,17% nos 12 meses até setembro.

Nos dois países houve redução dos preços dos combustíveis, mas o custo da alimentação continua pressionando fortemente os orçamentos familiares. Em 12 meses a comida ficou 11,2% mais cara para os americanos. No Brasil, a alta foi de 11,71% nesse período, mesmo com a redução de 0,51% no último mês.

Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a afetar o mercado cambial, provocando valorização do dólar. Isso afeta, no mercado brasileiro, os preços dos produtos importados. Uma das consequências é inflação mais alta. Ao mesmo tempo, juros elevados no mercado americano encarecem os financiamentos e tendem a desestimular o investimento estrangeiro nos mercados emergentes e em desenvolvimento, com efeitos negativos para o crescimento econômico.

Esses fatores elevam o risco de recessão global, mas é preciso insistir no esforço de estabilização dos preços para ancorar as expectativas, comentou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Seria um erro grave aumentar os gastos públicos para tentar compensar os efeitos do aperto monetário promovido pelos bancos centrais. “Quando a política monetária coloca o pé no freio, a política fiscal não deve pisar no acelerador.” Se os governos o fizerem, acrescentou, “correrão o risco de entrar numa trajetória muito perigosa”. “Se não estabilizarmos os preços”, argumentou, “vamos criar mais incertezas para os investidores.”

No Brasil, os candidatos à Presidência da República deveriam dar atenção a essas advertências. As bondades eleitoreiras concebidas pelo candidato à reeleição já devem pressionar perigosamente as contas públicas em 2023. Qualquer novo afrouxamento da política fiscal, na busca de uma reativação da economia, poderá conflitar com o esforço anti-inflacionário do Banco Central. Isso criará uma razão adicional para a manutenção de juros altos e crédito apertado. Seja quem for o presidente eleito, precisará de muita prudência, no primeiro ano de mandato, para ampliar o espaço necessário a uma política de crescimento.

O Estado de São Paulo

Feitiço e feiticeiro




O feitiço identitário volta-se contra os feiticeiros e não só na distante ilha de Shakespeare

Por Demétrio Magnoli (foto)

O gabinete original britânico da primeira-ministra Liz Truss condensava os sonhos mais extremos dos ideólogos das políticas identitárias. No seu núcleo, as "Grandes Pastas de Estado", não figurava nenhum homem branco. O (agora demitido) ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, é negro, filho de imigrantes de Gana. A mãe de James Cleverly, ministro do Exterior, também negro, imigrou da Serra Leoa. A ministra do Interior, Suella Braverman, é negra, filha de imigrantes africanos.

A descrição identitária não deve ocultar a descrição política. Truss formou o governo britânico mais conservador e sectário desde o pós-guerra. São leninistas da direita, segundo a Economist. Na economia, seguem uma cartilha ultraliberal de alegadas raízes thatcheristas. Na política, uma cartilha antieuropeísta e xenófoba apoiada na nostalgia da "Pequena Inglaterra".

O feitiço identitário volta-se contra os feiticeiros —e não só na distante ilha de Shakespeare. Entre os deputados federais eleitos no Brasil, a maioria absoluta dos autodeclarados negros pertence a partidos da coalizão de Bolsonaro, com destaque para PL, Republicanos e PP. No Senado, entre os seis eleitos que se declaram negros, quatro pertencem a partidos bolsonaristas.

"Negro vota em negro", clamaram ativistas do identitarismo racial. Ninguém sabe se a campanha funcionou, pois o voto é secreto. Sabe-se, contudo, sem erro, que cor e ideologia andam em trilhos separados.

Os porta-vozes da política identitária ficaram confusos diante do gabinete ultraidentitário de Truss, mas escolheram criticá-lo nos termos da linguagem identitária. "Não é suficiente ser negro ou de uma minoria étnica; representação não é isso", fulminou um deputado da esquerda trabalhista. Tradução: negros que pensam diferente de mim não representam os negros.

Por aqui, sempre vamos além. "Os tais candidatos negros de direita são negros mesmo?", tuitou o Instituto Luiz Gama, presidido por Silvio Almeida. O insulto habitual é aplicar ao negro "errado" o rótulo de "capataz da Casa Grande". No caso, porém, inaugura-se o procedimento revolucionário de expropriação de cor: o negro que não concorda com as políticas de raça nem negro será. Logo, alguém se levantará para cassar a identidade étnica da indígena bolsonarista Silvia Waiãpi, eleita deputada pelo Amapá.

O "voto identitário" não funcionou, do ponto de vista da esquerda. Mas qual será o efeito eleitoral mais amplo das políticas identitárias?

Nos EUA, ao longo de décadas, ajudaram a empurrar a maioria dos brancos para o Partido Republicano – e já transferem votos das minorias. Trump, o republicano mais à direita desde Barry Goldwater (1964), incrementou sua parcela do voto hispânico entre 2016 e 2020 (29% a 32%, a maior de um republicano desde 2004) e até do voto negro (8% a 12%, a maior de um republicano desde 1980). Lá, a esquerda identitária amplia o eleitorado da direita nacionalista e antidemocrática.

Há indícios de que algo similar ocorre no Brasil. A direita bolsonarista replica o discurso identitário, mas com um ajuste crucial, operando com signos de identidade que apelam à unidade: a religião ("somos todos filhos de Deus") e a pátria ("todos somos brasileiros"). A estratégia revela-se mais eficiente que a proposição de fragmentar os cidadãos em grupos raciais condenados ao conflito perene. Como atestam o gabinete de Liz Truss e a bancada negra bolsonarista, nada disso impede a incorporação dos adereços do identitarismo racial.

Nossos parlamentares negros de direita não promoverão a reforma das polícias ou direitos universais à saúde e educação. Mesmo assim, a esquerda identitária tem algo a comemorar: eles não votarão contra a eternização das cotas raciais nas universidades —e, por interesse próprio, ajudarão a estendê-las para a distribuição de cadeiras no Congresso.

Folha de São Paulo

Campanha de Bolsonaro pede para TSE suspender redes de Janones até o 2º turno

 Domingo, 16 de Outubro de 2022 - 07:20

por Cézar Feitoza | Folhapress

Campanha de Bolsonaro pede para TSE suspender redes de Janones até o 2º turno
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) neste sábado (15) que sejam derrubados todos os perfis das redes sociais do deputado federal André Janones (Avante-MG) até o fim da eleição.
 

No documento, a coligação de apoio a Bolsonaro diz que Janones tem cometido abuso dos meios de comunicação para divulgar informações mentirosas e pedir o compartilhamento de publicações depreciativas ao presidente.
 

"[O deputado] vem se utilizando de suas redes sociais, ostensivamente, como verdadeira fábrica de fake news, para divulgar e incentivar o compartilhamento em massa de publicações de conteúdo sabidamente falso, além de promover maliciosas ações coordenadas com o objetivo desvelado de esvaziar a eficácia das decisões proferidas pela Justiça Eleitoral", dizem os advogados contratados pelo PL.
 

Em 53 páginas, a campanha de Bolsonaro inclui diversas publicações de Janones e trechos de entrevistas concedidas pelo deputado à Folha. Numa delas, ele diz que reconhece os "prejuízos para a democracia" do embate nas redes sociais. "Mas se esse é [o] preço para salvá-la, eu estou disposto a pagar. Depois do dia 30, a gente vai ter quatro anos para discutir propostas", completou.
 

Segundo os advogados, a disseminação de mentiras na redes sociais do deputado está no âmbito de uma "campanha difamatória" contra Bolsonaro, com apoio da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que justificaria uma "intervenção firme e imediata da Justiça Eleitoral".
 

"O que se tem, no caso dos autos, é um esforço deliberado, organizado e ilegal com o único objetivo de degradar a candidatura de Jair Bolsonaro, que conta com o apoio e a uníssona colaboração de todos os ora Investigados", afirma.
 

"Por meio de intolerável estratégia de desinformação intencional e deliberada do eleitorado, denominada pela mídia de 'janonismo cultural', que se vale, inclusive, da repercussão gerada pela proposição de ações judiciais voltadas ao combate de informações falsas, o deputado André Janones tem gerado benefícios não só à campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, da qual faz parte, como também auferiu dividendos à sua própria candidatura", completa a campanha bolsonarista.
 

Além da suspensão das contas, a equipe de Bolsonaro diz que avalia pedir a quebra dos sigilos bancários e fiscal do deputado após a apresentação de sua defesa.
 

À Folha de S.Paulo, Janones disse que os pedidos apresentados pela campanha de Bolsonaro ao TSE não têm "embasamento jurídico algum", argumenta que prints anexados na petição incluem tuítes falsos e defende que não divulgou fake news sobre o presidente na campanha.
 

"Tecnicamente falando, eu não divulguei nenhuma fake news. Eu só levanto questionamentos, com base em vídeos e declarações do próprio presidente", afirmou.
 

O deputado ainda disse que irá se antecipar aos advogados de Bolsonaro e colocará à disposição da Justiça Eleitoral as informações de seus sigilos bancários, fiscal e telefônico.
 

André Janones ficou conhecido por sua atuação nas redes sociais em defesa do auxílio emergencial, com lives de grande alcance no Facebook. Diante da batalha das redes, o deputado, aliado de Lula, passou a fazer publicações e transmissões ao vivo contra a reeleição de Bolsonaro.
 

No início de setembro, com a campanha nas redes se intensificando, Janones participou do Spaces da Folha no Twitter, espécie de programa de rádio veiculado na rede social. Na ocasião, disse que precisou adotar tom belicoso nas redes para se contrapor ao bolsonarismo.
 

"Eu não queria usar essas armas, não. Mas a gente está em uma guerra. É por isso que eu tive algumas posturas e busquei elevar o tom no momento adequado", completou.

Bahia Notícias


Bolsonaro estipula meta improvável na Bahia para ganhar a eleição

 Domingo, 16 de Outubro de 2022 - 08:00

por Redação

Bolsonaro estipula meta improvável na Bahia para ganhar a eleição
Foto: Divulgação

Os coordenadores da campanha de Bolsonaro (PL) estipularam uma meta difícil de ser alcançada para a eleição na Bahia. Segundo apurou a coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles, o presidente acredita que pode ganhar a disputa nacional contra Lula (PT) se obtiver de 30% a 32% dos votos no quarto maior colégio eleitoral do país.

 

No primeiro turno, Bolsonaro terminou a eleição na Bahia com 24,31% dos votos. O presidente alcançou 27,31% dos votos no estado no segundo turno de 2018, quando tinha menos rejeição no Nordeste e concorria contra Fernando Haddad (PT), um candidato menos competitivo do que Lula.

 

Bolsonaro não recebeu o apoio formal de ACM Neto (União), o candidato da direita que disputa o segundo turno da eleição estadual contra o petista Jerônimo Rodrigues (PT). A campanha do presidente, no entanto, aposta na articulação velada de prefeitos aliados a ACM para conseguir crescer no estado.

 

ACM é apoiado, por exemplo, pelos prefeitos das duas maiores cidades da Bahia: Bruno Reis (União), de Salvador, e Colbert Martins (MDB), de Feira de Santana

Bahia Notícias

Ex-amigo da família Bolsonaro, Paulo Marinho abasteceu Lula de informações para o debate

Publicado em 16 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

O ex-presidente Lula (PT) conversa com o empresário Paulo Marinho, ex-aliado de Jair Bolsonaro (PL)

Paulo Marinho se entregou de corpo e alma ao petista Lula

Mônica Bergamo
Folha

O empresário Paulo Marinho, que é suplente de senador de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repassou a Lula (PT) informações sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) para ajudá-lo a se preparar para o debate de domingo (16), organizado por um pool formado por Folha, TV Bandeirantes, UOL e TV Cultura.

Marinho participou ativamente da campanha de Bolsonaro em 2018. Além de concorrer como suplente do filho do então candidato, ele emprestou sua casa no Rio de Janeiro para ser o QG da campanha de televisão e das redes sociais do PSL, partido ao qual o presidente era filiado.

CONVÍVIO ÍNTIMO – O empresário conviveu intimamente com a família de Bolsonaro, e colecionou as mais diversas histórias. Além disso, era um dos melhores amigos e confidente do advogado Gustavo Bebianno, coordenador da campanha bolsonarista naquele ano.

Bebianno depois virou ministro do governo Bolsonaro, com quem acabou rompendo. Ele morreu em 2020, aos 53 anos, de um ataque cardíaco.

No ano passado, Marinho, que também rompeu com Bolsonaro, gravou um vídeo dirigido ao presidente, a quem chama de “capitão”: “Você lembra do nosso amigo Gustavo Bebianno? Talvez você já tenha esquecido dele, né? Com certeza você já esqueceu. Mas ele não lhe esqueceu, pode ter certeza disso. Quando você estiver chorando no banheiro do Palácio, lembre dele, capitão. Ele não lhe esqueceu. Tá bom?”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Muito interessante a notícia enviada pelo advogado e jornalista José Carlos Werneck. Do jeito que as coisas estão indo, é uma tristeza trabalhar em jornalismo de política. Antigamente as pessoas tinham mais dignidade ao desenvolver as práticas da vingança. Agora, pelo contrário, parecem sentir orgulho de se vingar, tiram votos comemorativas e tudo o mais. “Que República!”, diria Helio Fernandes, que faz uma falta danada ao jornalismo.

Ao armazenar medo e rancor, o Brasil está se tornando um país de inimigos irreconciliáveis

Publicado em 16 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Humberto (Folha de Pernambuco)

William Waack
Estadão

É bastante óbvio que as campanhas de Lula e Bolsonaro tivessem concentrado fogo em destruir a imagem do adversário. Durante bastante tempo a atual campanha foi descrita como um campeonato de rejeições. Venceria a rejeição mais baixa. Agora, a de Lula oscilou um pouco para cima, a de Bolsonaro um pouco para baixo.

Mantêm-se razoavelmente próximas, com Bolsonaro mais rejeitado do que Lula. Ambos sofreram e desferiram ataques violentos, muitos abaixo da linha da cintura, mas as duas táticas aparentemente não funcionaram como as campanhas supunham.

PECADOS “PERDOADOS” – A explicação provavelmente se deve a um fenômeno de postura dos eleitores que tem a ver com medo e rancor. É bastante nutrido o contingente dos que dizem não votar em um candidato de jeito nenhum. Nem que isso signifique fazer uma escolha que jamais teria sido considerada.

Não, não se trata de votar no “menos pior” (sob qualquer ponto de vista). Trata-se de fazer qualquer coisa para evitar a vitória de quem se tem mais medo e/ou rancor. Está aí o “perdão” concedido a cada um. Perdoam-se pecados de Lula, pois ele impede uma vitória de Bolsonaro. E vice-versa.

A atual eleição é provavelmente a mais “emocional” de uma já longa série de pleitos presidenciais pós-redemocratização. Há pouco de “racional” na opção por um candidato motivada por medo e rancor do outro.

XINGAMENTOS – Talvez seja esse um motivo central para entender qual a razão de xingamentos não “colarem” no oponente. “Ladrão e corrupto” ou “genocida e fascista” já foram levados em conta por quem tem medo e/ou rancor por um ou pelo outro.

Nas categorias convencionais com as quais se pretende explicar formação de opinião e comportamento eleitoral há sempre referência a questões sociais e estruturais mais profundas.

Como a insegurança trazida por desemprego, por exemplo, “culpa” deste ou daquele personagem político. Ou uma situação percebida como desvantajosa e atribuída por um grupo social a outro, que leva igualmente ao “rancor” por alguma figura pública (e, por outro lado, à acolhida de promessas populistas).

NAS REDES SOCIAIS – No ambiente tóxico incentivado por redes sociais, esses fatores “clássicos” perdem um tanto de sua relevância. Estudiosos das redes sociais costumam dizer que um dos principais obstáculos na análise dos dados é identificar claramente grupos socioeconômicos nas várias plataformas, embora algumas delas correspondam a determinados padrões culturais, de idade, de consumo e poder aquisitivo.

O principal problema do medo e rancor como motivação eleitoral não é apenas a óbvia “qualidade” (ou falta de) da escolha. É a relevância para o que vem depois.

O Brasil está, infelizmente, se tornando um país de irreconciliáveis.

sábado, outubro 15, 2022

Lula: Um vencedor!

 Por; Flávio Henrique Maglhães Lima - @flaviohenrique04

Foto: Divulgação

Ainda não sabemos qual será o resultado da eleição presidencial, mas ela já tem um vencedor! Lula não se exilou porque não quis, vários países ofereceram a oportunidade a ele, foi preso sem estar condenado, por um juiz que na primeira oportunidade foi servir um de seus algozes e agora se apresenta como político deixando um exemplo de como não se deve agir na magistratura, Lula foi execrado publicamente, e essa semana fez as ruas de Salvador, de Aracaju, Maceió e Recife nos lembrar as grandes lutas pela democracia, unindo milhares de pessoas como há muito não se via nos atos políticos aqui no Brasil. Não sei exatamente qual o sentimento dele sobre tudo isso, mas de fora vejo um homem que foi jogado as traças, e hoje é reconduzido pelos braços da história a belíssimos e inesquecíveis capítulos ainda por serem encerrados, pois os fatos seguem em andamento … Os que me cercam, de forma privada, quando da sua prisão eu externei a época minha opinião sobre o assunto e disse: “ … vão criar um Tiradentes vivo, que ao contrário do que tentaram pintar não se trata de um rebelde, sequer um inconfidente, é um homem sábio, de grande capacidade e entende muito bem tudo que ocorre a sua volta … “

Com a história que tem como ex-presidente e a absurda atuação do Estado em seu caso, estão postos os ingredientes para aquela que poderá ser a maior reviravolta da política brasileira em tempos democráticos, e gostem ou não dele, impossível não admitir o quão forte e perseverante é o ser humano Luís Inácio da Silva. Que venha o dia 30, para nos dizer em seu início de noite quem vencerá as eleições, mas mesmo antes disso acontecer, Lula já sai muito maior que chegou no processo eleitoral, já é um vencedor!

http://www.bobcharles.com.br/internas/read/?id=20871

'Pintou um clima': Bolsonaro relata história com garotas de 15 anos em Brasília; veja vídeo

 Sábado, 15 de Outubro de 2022 - 17:40


por Redação

'Pintou um clima': Bolsonaro relata história com garotas de 15 anos em Brasília; veja vídeo
Foto: Reprodução / YouTube

Viralizou nas redes sociais um vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro (PL), em entrevista ao podcast Paparazzo Rubro-Negro, relata uma história em que teria pintado “um clima” entre ele e meninas venezuelanas de 14 e 15 anos de idade. Devido ao relato, a tag “Bolsonaro pedófilo” chegou a ser um dos assuntos mais comentados no Twitter neste sábado (15).

 

“Eu parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. Tinham umas 15, 20 meninas sábado de manhã se arrumando. Todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos se arrumando no sábado para que? Ganhar a vida”, contou Bolsonaro.

 

A fala de Bolsonaro, usada por ele para amedrontar a população com relação ao Brasil “virar uma Venezuela”, foi bastante criticada por usuários das redes sociais e por contas ligadas à esquerda. Internautas contestam o fato do presidente ter entrado na casa com menores de idade e ele ter dito que “pintou um clima”.

 

Se Lula foi solto por erro de julgamento, Bolsonaro agride rotineiramente as instituições


Eleições 2022: quais são as propostas de Lula e Bolsonaro? - BBC News Brasil

Desta vez, está muito difícil escolher quem é o “menos ruim”

Roberto DaMatta
O Globo

Seria excelente tema para um filme de Luis Buñuel. Um país que viveu o terror e a violência da perda de seus direitos cívicos, que sofreu censura e tortura em pelo menos duas ditaduras e delas se livrou, tem hoje como problema aquilo a que toda democracia aspira: eleições livres em urnas praticamente invioláveis. Não é surreal — pergunta um lado meu — viver o rito essencial de uma democracia, o processo eleitoral, como um problema?

A resposta exige tato e coragem para explicitar contradições, coisa que poucos, muito menos nós, brasileiros, gostamos de realizar, já que a postura compreensiva exige sair dos nichos que levam a acomodar e adiar questões políticas básicas, esquecendo que, um dia, a fatura chega com inevitável crueza.

BEM CONTRA O MAL – A pergunta que ninguém gosta de fazer, mas existe em todo confronto, é a seguinte: quem se confrontará e, mais profundamente, quem tem legitimidade para concorrer. Nélson Rodrigues dizia que o Fla x Flu existia antes da criação do mundo.

No seu genial estilo exaltado, chamava a atenção para as oposições binárias que nos seduzem porque, como seres humanos sem programação biológica exclusiva e podendo nos exprimir em múltiplas línguas e hábitos, a dualidade de um Fla x Flu nos leva à polaridade cósmica do bem contra o mal, com a atraente possibilidade de atribuir o mal absoluto ao Flu se você for Fla ou ao Fla se você for Flu.

Não é por acaso que polarizamos e que a dualidade domina nosso universo simbólico, feito de línguas cujo esqueleto é uma escolha arbitrária de sons e sentidos. E que, apesar de termos uma multidão de partidos, no final as escolhas se reduzam a uma dualidade.

JOGO POLÍTICO – Trata-se de um Fla x Flu, só que é um jogo que, nos próximos quatro anos, definirá aspectos fundamentais da nossa vida social como um todo, e não apenas num domingo esportivo. Com direito a mais quatro… Ou, quem sabe, e há quem suponha, para toda a História…

“Qual é a questão?”, pergunta o leitor armado de seu voto. É que, para mim, como para muitos outros brasileiros, os candidatos são opostos, mas ao mesmo tempo parceiros. Coadjuvantes históricos, porque foi o governo petista de Lula que colocou no palco Jair Bolsonaro.

A pesquisa que não foi feita seria para saber se Bolsonaro teria chance antes do mensalão, do petrolão e das delações premiadas da Operação Lava-Jato.

AFETA NOSSAS VIDAS – Bem diferente de um Fla x Flu é o dualismo Bolsonaro x Lula, que tem o potencial de afetar nossas vidas. No caso do futebol, as contradições são bloqueadas. Na política, porém, vale tudo.

Assim é que Lula tem como vice um tucano e que Bolsonaro usa como argumento recorrente a antipatia pela impessoalidade da urna eletrônica, numa demonstração óbvia de aversão pelo processo eleitoral democrático.

Lula tem como contrapeso a condenação em todas as instâncias e a prisão. Mas, se ele foi solto por erro de julgamento, Bolsonaro agride rotineiramente as instituições republicanas. Há uma retroalimentação de defesas e acusações, e o temor dos democratas é que tal ambiguidade liquide o ideal de liberdade e igualdade e que legitime o axioma favorito dos radicais, segundo o qual os fins justificam os meios.

O MENOS RUIM – Se Bolsonaro e Lula estão dispostos a abandonar a confusão entre ser presidente e ser ditador, é justamente o que me angustia nesta eleição.

A polarização tem raiz justamente nas contradições verbalizadas pelos candidatos. Escolher o menos ruim é, na democracia que promete progresso, desanimador.

Tudo é complicado, mas não podemos esquecer que o Brasil brasileiro, do Fla x Flu e dos ideais democráticos, é mais forte que suas contradições e seus péssimos protagonistas políticos.

Em destaque

Moraes é criticado por defesa do 8/1 e Moro e elogiado por petistas após suspender dosimetria

  Moraes é criticado por defesa do 8/1 e Moro e elogiado por petistas após suspender dosimetria Advogado de 'Débora do Batom' e de o...

Mais visitadas