sábado, outubro 15, 2022

Quais são os principais problemas de Donald Trump com a lei?




Trump está sob investigação por causa do manuseio de documentos ultrassecretos, mas também pelo preço colocado em sua cobertura em Nova York, além de enfrentar vários outros processos judiciais.

Por Gareth Evans, em Washington

Quatro investigações em especial podem ter o maior impacto sobre o republicano - na vida pessoal e politicamente.

Todas estão em andamento e ainda não resultaram em acusações criminais.

1 - Mar-a-Lago

O que está sendo investigado?

O Departamento de Justiça está investigando a remoção de documentos governamentais da Casa Branca, que foram levados para a propriedade de Donald Trump na Flórida, conhecida como Mar-a-Lago, depois que ele deixou o cargo.

Os investigadores estão avaliando como esses documentos foram armazenados e quem pode ter tido acesso a eles.

A extensa propriedade à beira-mar do ex-presidente foi revistada em agosto por agentes do FBI, a polícia federal americana. Cerca de 11 mil documentos foram apreendidos, incluindo cerca de 100 marcados como confidenciais. Alguns deles foram rotulados como ultrassecretos.

Não há muitas informações sobre o que está nos documentos. Mas o material sigiloso geralmente contém informações que as autoridades acham que podem prejudicar a segurança nacional caso sejam divulgadas.

O que Trump diz?

Trump negou irregularidades e criticou a investigação do Departamento de Justiça, classificando a apuração como "motivada politicamente" e uma "caça às bruxas".

Ele ofereceu defesas inconstantes que se baseiam principalmente no argumento de que ele retirou o caráter sigiloso do material quando era presidente. Ainda não há provas de que isso seja verdade.

O ex-presidente também argumentou que alguns dos documentos estão protegidos por "privilégios" - conceito legal que os impediria de serem usados ​​em processos futuros. Um advogado independente está analisando o material apreendido para determinar se esse argumento se aplica e se o processo deveria continuar.

Mas Trump não abordou diretamente a questão-chave: por que os documentos estavam em Mar-a-Lago?

As acusações são sérias?

Esta é uma investigação criminal ativa e pode resultar em acusações.

O Departamento de Justiça acredita que Trump pode ter violado a Lei de Espionagem ao manter informações de segurança nacional que "poderiam ser usadas para prejudicar os Estados Unidos".

E, além das acusações relacionadas aos próprios documentos confidenciais, os promotores também estão analisando a obstrução da justiça como outro crime em potencial.

A equipe de advogados de Trump está agora concentrada em uma batalha jurídica com o Departamento de Justiça sobre a investigação.

2 - Nova York

'A procuradora-geral de Nova York está investigando as operações da família Trump no Estado'

O que está sendo investigado?

Promotores de Nova York estão investigando ações das Organizações Trump, empresa da família do ex-presidente. Há dois inquéritos em Nova York - um civil e outro criminal.

Letitia James, a procuradora-geral de Nova York, está liderando a investigação civil (que não pode resultar em acusações criminais) e passou quase três anos analisando se a empresa do ex-presidente cometeu fraudes ao longo de várias décadas de atuação no Estado.

As supostas fraudes incluem exagerar o valor de imóveis, como campos de golfe e hotéis, a fim de obter empréstimos mais favoráveis ​​e melhores taxas de impostos.

Enquanto isso, a investigação criminal está sendo liderada pelo promotor público de Manhattan, Alvin Bragg. Ele está analisando a mesma questão relacionada às operações na cidade de Nova York.

O que Trump diz?

O ex-presidente e seus advogados insistiram que a empresa não operava de maneira ilegal.

Ele acusou James, uma democrata, de usar o inquérito como uma vingança política.

Trump cita comentários antigos da procuradora, proferidos por ela antes de ser eleita procuradora-geral, quando James prometeu processar e tornar Trump um "presidente ilegítimo".

Trump, quando chamado para um depoimento na investigação civil, se recusou a responder perguntas e apenas confirmou seu nome.

As acusações são sérias?

James entrou com uma ação de fraude em setembro que poderia - em teoria - levar a empresa da família a deixar de existir em sua forma atual.

James disse que o ex-presidente, seus três filhos mais velhos e dois executivos da companhia cometeram vários atos de fraude entre 2011 e 2021.

O processo alega que a família inflacionou seu patrimônio líquido em bilhões de dólares.

A procuradora quer reaver US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhões), que foram supostamente obtidos pela empresa por meios fraudulentos.

Também está pedindo várias punições à família, como proibir Trump e seus filhos de exercerem cargos de liderança em qualquer negócio de Nova York.

Essa investigação criminal tem sido mais tranquila até agora. James, no entanto, encaminhou suas descobertas para promotores federais, o que pode levar à abertura de uma nova investigação.

3 - Invasão do Capitólio

'Apoiadores de Donald Trump invadiram Capitólio em 6 de janeiro de 2020'

O que está sendo investigado?

O suposto papel de Trump na invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021.

Neste dia, uma multidão de apoiadores trumpistas invadiu o prédio do Congresso americano para impedir a confirmação da vitória eleitoral do atual presidente, Joe Biden.

O caso está sob escrutínio de vários órgãos do governo federal.

O mais notório tem sido um comitê do Congresso que está analisando as ações de Trump.

Audiências televisionadas estão mostrando que as falsas alegações de fraude eleitoral por parte de Trump levaram diretamente ao tumulto.

Outra é a investigação criminal do Departamento de Justiça que aponta para tentativas de derrubar a eleição - mas isso está amplamente envolto em sigilo. É a maior investigação policial da história dos EUA, mas não está claro até que ponto Trump é um alvo.

O que Trump diz?

Ele negou responsabilidade pelo tumulto e criticou o comitê do Congresso, que ele descreveu como um "pseudo-comitê" e um "tribunal canguru" (expressão usada nos EUA para descrever uma corte informal, um grupo de pessoas que usa argumentos falsos para supostamente incriminar alguém).

Trump continuou a repetir suas alegações infundadas de fraude eleitoral generalizada.

As acusações são sérias?

O comitê do Congresso - composto por sete democratas e dois republicanos - não tem poder para processar o ex-presidente, mas votou para intimar Trump.

Isso significa que ele é legalmente obrigado a testemunhar no Congresso, mas é esperado que Trump desafie a intimação e não compareça à audiência, o que provavelmente levará a uma longa batalha judicial.

O comitê também está avaliando se fará uma referência criminal recomendando que o Departamento de Justiça processe Trump. Isso não significa muito na prática - mas pode aumentar a pressão sobre os investigadores.

A investigação criminal do Departamento de Justiça já levou à acusação de centenas de pessoas que invadiram o Capitólio.

O ex-presidente não foi interrogado neste inquérito, mas isso continua a ser uma possibilidade. Em tese, ele também poderia ser acusado se os investigadores acreditarem que há evidências de irregularidades suficientes.

4 - Tentativa de golpe na votação da Geórgia

'Trump enfrenta diversas acusações na Justiça'

O que está sendo investigado?

Os promotores do estado da Geórgia estão investigando supostas tentativas de anular o resultado da eleição presidencial de 2020.

A investigação criminal foi aberta após a divulgação de um telefonema de uma hora entre o ex-presidente e o principal funcionário eleitoral do Estado, em 2 de janeiro de 2021.

"Só quero encontrar 11.780 votos", disse Trump durante a ligação para o secretário de Estado republicano Brad Raffensperger - uma referência ao número de cédulas necessárias para garantir a vitória do republicano em um estado decisivo nas eleições.

O que Trump diz?

Ele descreveu a investigação - assim como muitas outras - como uma "caça às bruxas".

Trump também atacou o oficial que lidera o inquérito - o promotor-chefe do condado de Fulton, Fani Willis. Disse que Willis é um "jovem, ambicioso, democrata de esquerda radical, que está presidindo um dos lugares mais criminosos e corruptos".

As acusações são sérias?

"As alegações são muito sérias. Se indiciadas e condenadas, as pessoas podem enfrentar sentenças de prisão", disse Willis ao jornal The Washington Post, no mês passado.

Ela acrescentou que uma decisão sobre as acusações não é iminente, mas disse que Trump poderá ser chamado para depor em breve.

Não se sabe se o ex-presidente está sendo investigado diretamente, mas que alguns de seus aliados fazem parte do inquérito.

Um dos alvos é seu ex-advogado pessoal Rudy Giuliani (ex-prefeito de Nova York), que liderou ações na Justiça para contestar o resultado da eleição. Os advogados de Giuliani disseram que ele não cometeu irregularidades no Estado.

Os investigadores estão examinando possíveis irregularidades criminais em ligações feitas a autoridades da Geórgia, bem como supostas declarações falsas feitas a políticos do local.

Para uma condenação criminal, no entanto, os promotores precisam provar, além de qualquer dúvida razoável, que os envolvidos sabiam que suas ações eram fraudulentas.

BBC Brasil

Lulismo e petismo, uma relação complicada




Se vencer as eleições, Lula terá que fazer muitas concessões políticas para governar e frustrará os companheiros. Vai dar certo? 

Por Carlos Graieb 

No primeiro turno das eleições deste ano, Lula recebeu 25 milhões de votos a mais do que seu companheiro petista, Fernando Haddad, na corrida presidencial de 2018. Lula foi escolhido por 56 milhões de eleitores em 2 de outubro, enquanto Haddad passou ao segundo turno, quatro anos atrás, com 31 milhões de votos. Mais que uma medida da estatura dos dois personagens, essa é uma medida da diferença que existe entre Lula e o PT.

Embora o candidato e seu partido estejam intrinsecamente ligados (ao contrário do que acontece, por exemplo, com Bolsonaro e o PL, que hoje o hospeda), já faz vinte anos que lulismo e petismo não são fenômenos coincidentes. As consequências disso vão além das eleições. Um eventual governo Lula pode ter faces bem diversas a depender do espaço destinado ao PT.

Ao conquistar seu primeiro mandato, em 2002, Lula montou um governo com 35 ministérios e entregou nada menos que 21 deles a representantes das diversas “tendências” internas de seu partido. Isso lhe trouxe problemas. Sem abrir espaços na máquina pública, Lula teve dificuldades para organizar sua base no Congresso. Acabou recorrendo a um método criminoso de compra de apoio político – o mensalão. Caso vença as eleições, Lula deve se deparar com uma equação ainda mais complexa em 2023.

Lula é o candidato de uma coalizão eleitoral que conta com sete legendas: PT, PCdoB, PV, PSB, Solidariedade, PSOL e Rede. Posicionando-se como líder de uma “frente ampla em defesa da democracia”, ele também colheu apoios das mais diversas colorações ao longo do caminho: tucanos históricos, economistas liberais, velhos aliados como o PDT (com um contrariado Ciro Gomes), caciques do MDB, ex-adversários como Simone Tebet e André Janones. Embora nem todos esperem posições em um futuro governo – Ciro Gomes, por exemplo, jura que descartaria um convite, mesmo que ele viesse – continua sendo muita gente para ouvir e muitos interesses para contemplar.

E o pior nem foi mencionado ainda: o Congresso eleito está coalhado de bolsonaristas e representantes de um centrão que abraçou as pautas conservadoras sem medo de ser feliz. Só na Câmara, esse bloco de direita conta com 257 deputados, contra 128 da esquerda capitaneada por Lula. Se nada mudou nas leis do universo, será possível atrair muitos representantes do centrão para as fileiras governistas – mas não de graça. Se não quiser recorrer novamente a métodos “heterodoxos” de cooptação, Lula terá de abrir espaços na administração. O que congestiona ainda mais o ambiente.

Eis o busílis. Ainda que Lula, por hipótese, esteja disposto a espelhar em seu governo a tal frente ampla eleitoral, ainda que aceite deixar de lado pautas da esquerda para se posicionar ao centro, o petismo vai se conformar com isso?

O cientista político André Singer, que foi porta-voz de Lula em seu primeiro mandato e tem ligação histórica com o PT, foi responsável por identificar as feições principais do lulismo. “A política lulista é a de encontrar a cada conjuntura o ponto de equilíbrio entre os fatores”, escreveu Singer anos atrás. Quais fatores? De um lado, as necessidades da população mais pobre, de outro, as pressões de empresários e investidores, que demandam, antes de mais nada, controle dos gastos públicos. Ao buscar esse equilíbrio, Lula praticou, segundo Singer, um “reformismo fraco” nos seus dois mandatos, que pouco tinha a ver com o programa histórico do PT, bem mais radical. Petistas frustrados chegaram a qualificar o governo lulistas de “neoliberal”, xingamento máximo da esquerda nos anos 2000.

Com suas políticas sociais, especialmente o Bolsa Família, Lula cativou um eleitorado muito diferente daquele que até então havia votado no PT. O partido atraía gente de classe média, alta escolaridade, que habitava as capitais e regiões metropolitanas do Sul e do Sudeste. O eleitor especificamente lulista é o contrário: tem baixa renda, baixa escolaridade e mora no Norte e no Nordeste, bem como nas periferias das grandes cidades. Esse grupo de gente mais pobre, de existência mais precária, é numerosíssimo no Brasil. Isso ajuda a explicar aquela distância entre Lula e Haddad (e também os 6 milhões de votos que Lula teve de dianteira em relação a Bolsonaro).

O PT é o único partido brasileiro com quem um grande número de pessoas se identifica. É também o partido que um grande número de pessoas odeia. A última edição de Crusoé comentou as pesquisas dos cientistas políticos Cesar Zucco, David Samuels e Fernando Mello, que mediram os universos do petismo e do antipetismo nos dias de hoje: 24% e 29% dos eleitores, respectivamente. Mas essas porcentagens variaram historicamente.

“Entre 2000 e 2012, cerca de 30% dos brasileiros diziam se identificar com o PT”, diz o cientista social Leonardo Avritzer. “No período de crise entre 2012 e 2018, esse valor despencou até 9%. A maré virou mais uma vez e hoje 24% se identificam com o PT. Mas a simpatia em relação a Lula é dez pontos percentuais maior que isso.”

As diferenças entre petistas e lulistas não se restringem ao perfil demográfico. As opiniões sobre temas polêmicos também podem divergir bastante. Em novembro de 2017, quando Lula era processado pela Lava Jato e havia dúvida sobre se ele ou Haddad disputariam as eleições do ano seguinte (Lula acabou sendo preso em abril de 2018), o Datafolha fez uma pesquisa sobre assuntos como aborto, posse de armas e uso de drogas. Em alguns cenários, Lula era o candidato. Em outros, Haddad.

Diante da pergunta “Independentemente da situação, a mulher que interrompe uma gravidez deveria ou não ser processada e ir para cadeia?”, 66% dos eleitores que declararam voto em Lula disseram que sim, contra 38% dos que votariam em Haddad.

Para a questão “Você é a favor ou contra que o aborto seja permitido em casos de estupro? E em casos em que há risco de vida para a mãe?”, os percentuais foram respectivamente de 48% e 70% a favor da permissão. Quando o tema foi pena de morte, 56% dos eleitores de Lula foram favoráveis à sua adoção, contra 40% dos eleitores de Haddad. E assim por diante. Sistematicamente, o lulista se mostrou mais conservador do que o petista puro sangue.

Assim como existe gente no PT que gostaria de implementar políticas radicais na economia, também há um grupo numeroso que sonha com uma revolução de costumes. São os ativistas de causas identitárias que povoam as fantasias e os pesadelos do bolsonarismo.

No começo do ano, o PT mergulhou numa polêmica quando um de seus dirigentes, Alberto Catalice, postou nas redes sociais que “o identitarismo é um erro”. A militância ligada a movimentos negros, feministas ou LGBTQIA+ ficou chocada. Outros dirigentes, como o deputado federal Rui Falcão, que hoje coordena a comunicação da campanha de Lula, se levantaram para rebater os argumentos de Cantalice, dizendo que a defesa das minorias é tão importante quanto pautas tradicionais da esquerda, como a redistribuição de renda.

Quando a campanha eleitoral chegou, no entanto, as divergências internas do PT foram abafadas. As diretrizes do plano de governo de Lula são vagas tanto sobre economia quanto sobre a chamada pauta de costumes. Detalhamento que é bom, até hoje não aconteceu. Essa indefinição não deixa apenas os eleitores em suspenso: a militância petista também fica assim.

André Singer usou a metáfora de “dois corações batendo em ritmos desencontrados” para falar de lulismo e petismo. Um é mais pragmático, o outro mais ideológico. Um se sente bastante confortável no poder, o outro sonha com a revolução. Essa tensão deve aflorar caso Lula chegue ao governo.

O cientista social Celso Rocha de Barros está lançando nesta sexta-feira, 14, o livro PT, uma história (Companhia das Letras). São mais de quinhentas páginas sobre a trajetória do partido. Ele enxerga no julgamento do mensalão um dos momentos-chave na relação entre Lula e o PT. “Naquele momento, estrelas de primeira grandeza do partido caíram, como José Genoíno e José Dirceu. Genoíno tinha uma história própria, que o qualificava para enfrentar Lula em muitos debates internos. Dirceu havia dado unidade a um partido que era bastante fragmentado”, diz Barros. “Depois do mensalão, sobrou Lula, com popularidade muito maior que a do PT. A relação entre ele e o partido ficou assimétrica.”

Barros acredita que, se Lula for eleito, fará o que for necessário para conquistar a governabilidade. “Não vai ser o governo que a esquerda gostaria. Aqueles petistas que sonham com uma revanche, depois de serem massacrados nos anos da Lava Jato, provavelmente vão se decepcionar. Não descarto que haja racha, desfiliações e até busca por um outro candidato, que represente melhor os anseios dessas pessoas”, diz ele.

O diagnóstico é parecido com o de outro acadêmico ligado ao PT, que pediu que seu nome não fosse publicado. Segundo ele, o petismo que não se sentir contemplado na divisão de espaços de um governo Lula, provavelmente vai recorrer às bases sociais do partido para fazer pressão. A temperatura poderia subir no campo, com o MST; no movimento sindical; nos grupos identitários.

Barros também enxerga um cenário em que Lula e as bases petistas imediatamente cerrariam fileiras: caso surja uma ameaça de impeachment. Nesse caso, o próprio Lula poderia invocar os movimentos sociais em sua defesa (algo parecido aconteceu quando ele usou como ameaça a mobilização do “exército do Stédile”, o líder do MST, em resposta ao impeachment de Dilma).

Lula tem repetido que deseja fazer um governo de união. Se isso for verdade, e não apenas lero-lero de campanha, ele terá de realizar operações delicadas caso vença. Terá de abrir espaço para conservadores sem melindrar o PT, e abrir espaço para o PT sem desencadear uma guerra com um Congresso em que a direita terá grande força. Lulismo e petismo estão atados um ao outro, é claro, mas não são a mesma coisa. O partido é fundamental para Lula, mas também pode ser uma fonte de tensão se ele chegar ao governo. Vai dar certo?

Revista Crusoé

Primeira Caravana Intercultural Indígena abraça os Pataxó ameaçados do Sul da Bahia

 


Partiu no fim da tarde de ontem, 14/10/22, de Salvador, Bahia, a primeira CARAVANA INTERCULTURAL INDÍGENA: ABRACE OS PATAXÓ DAS TIS BARRA VELHA E COMEXATIBÁ. 


O coletivo de apoio aos povos indígenas do extremo Sul da Bahia, que organiza a Caravana, programou a  primeira parada em  Cumuruxatiba, no município do Prado. 


Mais de 50 participantes vão se unir aos moradores locais para cumprir uma intensa programação que começa neste sábado, dia 15, com um abraço aos Pataxó junto ao Marco à Memória de Gustavo Conceição da Silva - no Vale do Kaí, TI (Terra Indígena) Comexeribá. 


Segue rumo a TI Barra Velha, aos pés do Monte Pascoal,  para outro abraço, e termina em Teixeira de Freitas,  com uma Aula Pública na UNEB.  


Durante os 3 dias de atividades com viagens, visitações, entrevistas, além das aulas públicas e dos abraços, a caravana será acompanhada por policiais designados pela Secretaria de Segurança Pública, pois a região tem sido palco de violências extremas ultimamente.


Direitos dos Povos


A grilagem de terras indígenas é um problema histórico na região. Muitas fazendas ocupam os territórios ilegalmente. Para impedir a retomada ou a permanência dos indígenas, os invasores contratam pistoleiros, corrompem policiais militares, aliciam membros das comunidades. 


Promovem noites de ataques às aldeias com armamento pesado, drones e até armas de uso restrito do exército. 


Além da promoção da violência real, criam  clima de terror com ameaças, campanhas de difamação e interdição de passagem nas estradas. E ainda simulam ataques a eles mesmos, usando laranjas para confundir as autoridades e a população. 


Após o assassinato do pataxó Gustavo Gustavo Conceição da Silva, de apenas 14 anos, com um tiro de fuzil, o governo da Bahia criou uma Força Tarefa para tentar conter a violência crescente no Sul e Extremo Sul do Estado.  


Muitas entidades, organizações e coletivos de apoio aos indígenas alertaram para a necessidade de medidas urgentes, mas o socorro não chegou a tempo de  evitar a perda das vidas do adolescente Gustavo e do jovem Carlone Gonçalves da Silva, 26 anos, cujo corpo foi encontrado esta semana em Porto Seguro, na T.I Barra Velha, após quase um mês de buscas dos familiares. 


Oriundo da Aldeia Boca da Mata,  Carlone era um jovem do povo Pataxó, casado e com dois  filhos pequenos. Ele sumiu dia 21 de setembro, e a família denunciou que não teve qualquer apoio da polícia local. 


Seu corpo foi encontrado pelos coletores de sementes da  Cooplanjé, uma Cooperativa da Aldeia,  entre a terra de Matheus e próximo a Fazenda Brasília. 


Não há notícias de qualquer investigação a respeito deste crime. 


Já as investigações do assassinato do adolescente indígena Gustavo Conceição resultaram na prisão de 3 policiais militares no último dia 6 de outubro. 


A  Polícia Federal ainda não informou se a “Operação Tupã“ conseguiu identificar os mandantes. 


A operação fez buscas e apreensões nas cidades de Teixeira de Freitas, Itamaraju e Porto Seguro.


Participação

A caravana que busca apoiar os povos, aprofundar os conhecimentos e estreitar laços  é composta por representantes de 30 entidades, instituições e organizações da sociedade civil: 


ADUNEB

AICATIBÁ

APAKAI

ABI - Associação Brasileira de Imprensa

ANAÍ-BA

ANDES- diret. Regional Nordeste 3

APIB

 CBDDH -Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos

CIMI/Leste-Nordeste

CNDH - Conselho Nacional dos Direitos Humanos

Colegiado LICEEI/UNEB

CUT- Central Única dos Trabalhadores – Regional Extremo Sul da Bahia 

DCE/UNEB- Diretório Central dos Estudantes da UNEB/DEDC

DPE/Ouvidoria

DPU - Defensoria Pública Federal 

IFBA Porto Seguro

LICEEI/UNEB/DEDC

LINTER

 IFBA/ Porto Seguro

MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

PIEEI/UNEB DEDC

SAIP/Secretaria de Assuntos Indígenas de Prado

SIND- Sindicato dos Bancários – Regional Extremo Sul da Bahia

SINTEXBEN

SJDHDS-BA/Coordenação de Políticas Indígenas 

UFBA

UFSB

UNEB/CEPITI 

UNEB/Reitoria/SEAI


Informações para a Imprensa

Fábio Costa Pinto

Fone/WhatsApp 71 9198-4115

ABI - Associação Brasileira de Imprensa

Nota da redação deste Blog -  A ABI está sendo representanda pelo conselheiro jornalista Fábio Costa Pinto.

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Pastores evangélicos que hoje estão com Bolsonaro “apoiavam” Lula com intenso fervor

Publicado em 14 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Lula fez bela parceira do Edir Macedo, da Igreja Universal

Guilherme Amado e Paulo Cappelli
Metrópoles

Apoiadores de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano, líderes evangélicos de diferentes denominações já caminharam de maneira fervorosa com Lula em outras corridas presidenciais. Fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo chegou a criticar o pastor da Assembleia de Deus, Silas Malafaia, em 2006, por não apoiar a petista Dilma Rousseff, indicada por Lula para ser sua sucessora.

“Para justificar que não apoiaria a candidata Dilma, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, acusou o PT de ser a favor do aborto e apoiar o casamento de homossexuais. Pronto, o caminho estava aberto para, sabe-se lá com que interesse, apoiar o candidato José Serra (então presidenciável do PSDB)”, atacou Macedo.

Notícias Gospel

Silas Malafaia abandonou Lula e ainda debocha…

MALAFAIA ADMITE… –  O próprio Malafaia, que protagonizou atritos com Macedo, já apoiou Lula na corrida ao Planalto por mais de uma vez. “Em 2002 e 2006, apoiei Lula”, reconheceu em postagem numa rede social. Não poderia ser diferente: uma foto em que aparece de mãos dadas com o petista não daria margem para que dissesse o contrário.

Da Assembleia de Deus de Madureira, o pastor Manoel Ferreira afirmou em 2006 que sua igreja apoiava Lula devido às políticas públicas desenvolvidas para as classes sociais mais baixas.

A “razão maior” do apoio da Assembleia de Deus a Lula, disse Ferreira, é o fato de o governo ser o “que tem dado comida ao maior número de pobres”.

“DÃO MAS DÍZIMO…” – Em 2002, Bispo Rodrigues, integrante da igreja de Edir Macedo, trabalhou arduamente por Lula. “Todos pelo Lula era difícil, e o meu temor era que fossem todos para o Serra”, disse, após conseguir apoios religiosos para o petista. Atualmente, a Igreja Universal do Reino de Deus é uma das principais apoiadoras de Bolsonaro no segmento evangélico.

Um dos maiores símbolos da mudança de lado é o bispo Marcelo Crivella, da Universal. Sobrinho de Macedo, ele chegou a ser ministro da Pesca de Dilma Rousseff e, em 2013, deu a seguinte declaração:

“Lula e Dilma ajudam os pobres, que dão mais dízimo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Vejam que no Brasil a guerra santa tem outra conotação e está sendo travada por soldados mercenários, que substituem os antigos missionários. É um apocalíptico sinal dos tempos. (C.N.)

Voto envergonhado de quem rejeita Lula ou Bolsonaro desmoraliza pesquisas eleitorais

Publicado em 15 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

LULA LIVRE e BOLSONARO são IGUAIS? - YouTube

Ilustração reproduzida do Arquivo Goggle

Carlos Newton

Desde que se iniciaram as pesquisas eleitorais no Brasil, em 1942, com a criação do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), pioneiro no Brasil, jamais se viu tanta contestação ao trabalho dessas empresas. Da mesma forma, o mercado nunca tinha sido ocupado tão indiscriminadamente. Basta dizer que, no final de setembro, a eleição de 2022 já tinha registrado 2.130 pesquisas de intenção de voto.

Foi impressionante o número de empresas disputando esse mercado, que é muito rentável, caso contrário não haveria tanta concorrência, conforme nos ensina a Lei da Oferta e Procura, que é semelhante à Lei do Cão – apesar de não estarem escritas em nenhum código, ninguém pode duvidar da eficácia delas.

ERROS COLOSSAIS – Com institutos de pesquisa à venda por 30 dinheiros, jamais houve tamanha discrepância, com previsões à la carte, para todos os gostos. O resultado já era esperado, pois foram cometidos erros colossais, não somente nas eleições para a Presidência, mas também nas disputa dos governos estaduais e das vagas no Senado.

A reação foi fortíssima. Quem perdeu a eleição imediatamente culpou os institutos de pesquisa. No Congresso, não se falava em outra coisa. Com rapidez foram conseguidas 29 assinaturas para criar no Senado a CPI das Pesquisas, mas o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) preferiu deixar para o ano que vem.

Na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) tentou colocar em votação um projeto para criminalizar os erros das pesquisas, condenando os estatísticos a dez longos anos de prisão, vejam como esse povo é exagerado.

E A EXPLICAÇÃO? – Bem, ficou claro que nestas eleições a situação das pesquisas fugiu completamente ao controle, é preciso tomar providências, mas ninguém será punido, porque se trata de atividade não regulamentada.

O projeto existente na Câmara é primário, necessita de aperfeiçoamento, especialmente para a fixação de regras elementares. Por exemplo, no início da campanha, não se deve fazer pesquisa induzida, mostrando ao eleitor nomes de prováveis candidatos.

Ou seja, deve-se fazer apenas a pesquisa espontânea, que indaga diretamente: “Em quem você pretende votar?”. E depois seguir com  perguntas sobre partidos e outros possíveis candidatos. E a pesquisa induzida, com exibição da lista de concorrentes, somente passaria a ser feita quando as candidaturas estivessem aprovadas em convenção.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Na  eleição deste ano, há um fator 
específico que prejudica as pesquisas. É o eleitor da chamada maioria silenciosa, que rejeita Lula da Silva ou Jair Bolsonaro, mas agora precisa admitir que votará em um deles no segundo turno. Trata-se de um número enorme de eleitores que as pesquisas têm dificuldade de identificar, pois não é nulo, em branco nem indeciso – é simplesmente o voto envergonhado. (C.N.)

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