domingo, setembro 18, 2022

Quantos bilhões de habitantes o planeta Terra aguenta?




Em um momento, o vale era um pântano tranquilo. Gramíneas e palmeiras lançavam sombras difusas na água abaixo. Os peixes espreitavam cautelosamente nas margens dos manguezais. Os orangotangos procuravam frutas com os dedos. Daí um gigante adormecido acordou de seu sono.

Por Zaria Gorvett

Isso aconteceu por volta de 72 mil a.C., na ilha de Sumatra, na Indonésia. O supervulcão Toba entrou em erupção, no que se acredita ter sido o maior evento desse tipo nos últimos 100 mil anos. Uma série de explosões estrondosas explodiu 9,5 quatrilhões de quilos de cinzas, que se espalharam em nuvens que escureceram o céu e se arrastaram por cerca de 47 km na atmosfera.

Na sequência, uma vasta área em toda a Ásia foi coberta por uma camada de poeira maciça de 3 a 10 centímetros de espessura. Ela sufocou as fontes de água e grudou na vegetação como cimento —depósitos da erupção foram encontrados tão longe quanto a África Oriental, a 7,3 mil km de distância.

Mas, crucialmente, alguns cientistas acreditam que o evento extremo mergulhou o mundo em um inverno vulcânico que durou décadas — e quase extinguiu nossa espécie.

Em 1993, uma equipe de pesquisadores americanos estudou o genoma humano em busca de pistas sobre o passado profundo e descobriu uma assinatura reveladora de um grande "gargalo populacional" — um momento em que a humanidade encolheu tão drasticamente que todas as gerações subsequentes que surgiram fora da África se tornaram significativamente mais próximas.

Estudos posteriores revelaram que nesta era precária, que pode ter ocorrido entre 50 mil e 100 mil anos atrás, a população pode ter se reduzido a apenas 10 mil pessoas — o equivalente aos habitantes do sonolento assentamento de Elkhorn em Wisconsin, nos Estados Unidos, ou o número de indivíduos que participaram de um único casamento coletivo na Malásia, em 2020.

A parte menos afetada do mundo pelo vulcão foi a África, onde a diversidade genética permanece alta até hoje — neste único continente, existem diferenças genéticas maiores entre certos grupos locais do que entre africanos e europeus.

Alguns acham que esse momento não é uma coincidência — eles acreditam que foi a erupção vulcânica que fez isso. A ideia é muito contestada, mas não há dúvida de que grande parte da humanidade descende de um número relativamente modesto de ancestrais super-resistentes.

Um avanço rápido de 74 mil anos na história e nossa espécie, outrora um obscuro primata sem pelos corporais, sofreu uma explosão populacional, colonizando quase todos os habitats do planeta e exercendo uma influência até nos cantos mais remotos — em 2018, os cientistas encontraram um saco plástico a 10,8 mil metros abaixo da superfície do oceano no fundo da Fossa das Marianas, enquanto outra equipe descobriu recentemente "produtos químicos eternos" feitos pelo homem no Monte Everest.

Nenhuma parte do mundo é intocada — todos os lagos, florestas e cânions já tiveram algum tipo de contato com a atividade humana.

'As maiores faixas de floresta remanescentes do mundo estão desaparecendo rapidamente'

Ao mesmo tempo, nossos números e engenhosidade permitiram à humanidade realizar feitos que nenhum outro animal poderia sonhar — dividir átomos, enviar equipamentos complexos a quase 1,6 milhão de km para observar planetas se formando em galáxias distantes e contribuir para uma impressionante diversidade de arte e cultura.

Todos os dias, coletivamente tiramos 4,1 bilhões de fotografias e trocamos entre 80 e 127 trilhões de palavras.

Na data estranhamente específica de 15 de novembro de 2022, as Nações Unidas preveem que haverá oito bilhões de humanos vivos ao mesmo tempo — até 800 mil vezes mais do que os sobreviventes da catástrofe daquela erupção vulcânica.

Hoje, nossa população é tão enorme, com tão pouca diversidade genética fora da África, que um pesquisador observou recentemente que não é tão surpreendente que algumas pessoas pareçam semelhantes a perfeitos estranhos — há um pool genético limitado que está sendo constantemente reciclado, e acontecem cerca de 370 mil novas oportunidades (na forma de bebês nascidos) para que essas coincidências "apareçam" todos os dias.

Mas com a população em expansão, veio um grande cisma. Alguns veem os números em alta como uma história de sucesso sem precedentes — na verdade, há uma escola emergente de pensamento de que defende precisarmos de mais pessoas.

Em 2018, o bilionário da tecnologia Jeff Bezos previu um futuro em que nossa população atingirá um novo marco decimal, na forma de 1 trilhão de humanos espalhados pelo Sistema Solar — e anunciou que está planejando maneiras de tornar isso realidade.

Outros, na contramão — incluindo o apresentador e historiador natural Sir David Attenborough — rotularam as massas humanas de "praga na Terra".

Segundo essa visão, quase todos os problemas ambientais que enfrentamos atualmente, desde mudanças climáticas até perda de biodiversidade, estresse hídrico e conflitos por terra, podem ser ligados com a nossa reprodução desenfreada nos últimos séculos.

Em 1994 — quando a população global era de apenas 5,5 bilhões — uma equipe de pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, calculou que o tamanho ideal de nossa espécie variaria entre 1,5 e 2 bilhões de pessoas.

Será que o mundo está superpovoado atualmente? E o que o futuro reserva para o domínio global da humanidade? O debate sobre o número ideal de pessoas no planeta está desde sempre fragmentado e emocionalmente carregado — mas o tempo está se esgotando para decidir qual é a melhor direção.

Uma preocupação antiga

No final da década de 1980, na região central do Iraque, uma equipe de arqueólogos da Universidade de Bagdá estava escavando uma biblioteca em ruínas na antiga cidade de Sippar.

Em meio à areia, poeira e paredes antigas, eles encontraram 400 tábuas de argila pequenas — registros que estavam esquecidos num túmulo acadêmico por mais de 3.500 anos, ainda nas mesmas prateleiras onde haviam sido organizados por mãos babilônicas.

'As migrações de muitos animais são agora impossíveis sem que eles precisem vagar por assentamentos humanos ou construções'

Mas quatro dessas tábuas em particular eram especiais. Elas continham as seções que faltavam de uma história encontrada em fragmentos em tabuletas separadas espalhadas pela Mesopotâmia, o que intriga os historiadores até hoje.

"Ainda não haviam se passado 1.200 anos [desde a criação da humanidade], quando a terra se estendia e as pessoas se multiplicavam...", diz o Atra-hasis — o poema épico estampado no barro por um escriba anônimo por volta do século 17 a.C.

É a versão mesopotâmica da onipresente história do Grande Dilúvio, encontrada em inúmeras formas em várias culturas ao redor do mundo, na qual a civilização é destruída por uma divindade — e pode conter uma das primeiras menções de superpopulação no registro histórico.

No conto antigo, os deuses se aborrecem com todo o "barulho" criado pelas hordas humanas, bem como com as "terras que rugem feito um touro" devido ao estresse a que foram submetidos pelas demandas de nossa espécie.

O deus da atmosfera, Enlil, decide desencadear alguns perigos para reduzir os números novamente — ele planeja pragas, fomes e secas em intervalos regulares a cada 1.200 anos. Felizmente, outro deus salva o dia. Mas então Enlil planeja uma grande inundação... E o conto clássico da construção de barcos e arcas segue em frente.

Na época em que o Atra-hasis foi escrito, estima-se que a população global tinha entre 27 e 50 milhões de pessoas, o equivalente ao número que atualmente habita países como Camarões ou Coréia do Sul — ou de 0,3% a 0,6% do total de indivíduos vivos hoje.

Durante o milênio que se seguiu, os estudiosos parecem ter ficado relativamente quietos sobre qualquer preocupação populacional. Até que, na Grécia Antiga, eles começaram a refletir sobre o assunto novamente.

O filósofo Platão tinha algumas opiniões fortes sobre o tema.

Após um período de rápido crescimento, em que a população de Atenas duplicou, ele lamentou: "O que resta agora é como o esqueleto de um corpo devastado pela doença; o solo rico foi levado e resta apenas a estrutura nua do distrito."

Ele não apenas acreditava no controle estrito da população, administrado pelo Estado, como também acabou concluindo que a cidade ideal não deveria ter mais de 5.040 cidadãos. O filósofo ainda achava que a instalação de colônias era uma boa maneira de "descarregar" qualquer excesso.

'Pode ser difícil entender a escala impressionante da população humana'

Na obra-prima de Platão, A República, escrita por volta de 375 a.C., ele descreve duas cidades-estado imaginárias — regiões administrativas governadas quase como pequenos países. Uma é saudável e a outra é "luxuosa" e "febril".

Nesta última, a população gasta e devora excessivamente, entregando-se ao consumismo até "ultrapassar o limite de suas necessidades".

Infelizmente, esta cidade-estado moralmente decrépita eventualmente recorre à tomada de terras vizinhas, o que naturalmente se transforma numa guerra — o local simplesmente não consegue sustentar a grande e gananciosa população sem obter recursos extras.

Platão se deparou com um debate que ainda hoje é intenso: a população humana é o problema? Ou a questão está nos recursos que ela consome?

Demorou mais de cinco séculos depois de Platão para que a escala global de nossa explosão populacional se tornasse clara.

O autor Tertuliano, que viveu na cidade romana de Cártago, antecipou-se às observações modernas sobre nossas multidões destrutivas.

Em 200 d.C., quando a população humana total atingiu entre 190 e 256 milhões — algo próximo do número de indivíduos que atualmente habita a Nigéria ou a Indonésia — ele acreditava que o mundo inteiro já havia sido explorado e as pessoas se tornaram um fardo para o planeta.

"A natureza não pode mais nos sustentar", escreveu.

Nos próximos 1.500 anos, a população humana global mais que triplicou. Eventualmente, essa preocupação isolada de alguns se transformou em pânico generalizado.

É justamente aí que entra Thomas Malthus, um clérigo inglês com tendência ao pessimismo. Em seu famoso trabalho, Um Ensaio sobre o Princípio da População, publicado em 1798, ele começou com duas observações importantes: todas as pessoas precisam comer e gostam de fazer sexo.

Quando levados à sua conclusão lógica, explicou, as demandas da humanidade levariam à superação dos suprimentos do planeta.

"A população, quando não controlada, aumenta em uma proporção geométrica. A subsistência aumenta apenas em uma proporção aritmética. Um leve conhecimento dos números mostrará a imensidão da primeira potência em comparação com a segunda", escreveu Malthus.

Em outras palavras, um grande número de pessoas leva a um número ainda maior de descendentes, em uma espécie de ciclo de feedback positivo — mas nossa capacidade de produzir alimentos não necessariamente se acelera da mesma maneira.

Essas palavras simples tiveram um efeito imediato, acendendo um medo apaixonado em alguns e raiva em outros, que continuariam a reverberar esses conceitos na sociedade por décadas.

O primeiro grupo achava que algo precisava ser feito para impedir que nossos números saíssem do controle. O segundo, por sua vez, defendia que limitar o número de pessoas era absurdo ou antiético, e todos os esforços deveriam ser feitos para aumentar a oferta de alimentos.

O campo que adotou a ideia de menos pessoas foi particularmente crítico às Leis dos Pobres feitas na Inglaterra, introduzidas centenas de anos antes, que envolviam pagamentos a pessoas que viviam na pobreza para ajudá-las a cuidar dos filhos. Especulou-se que estes aportes financeiros encorajavam as pessoas a ter famílias maiores.

Na época em que o ensaio de Malthus foi publicado, havia 800 milhões de pessoas no planeta.

'Há uma demanda global sem precedentes pelos produtos da mineração, mas essa indústria pode ter consequências devastadoras para o meio ambiente'

Não foi até 1968, no entanto, que as preocupações modernas sobre a superpopulação global ganharam terreno, quando um professor da Universidade Stanford, Paul Ehrlich, e sua esposa, Anne Ehrlich, foram coautores do livro The Population Bomb ("A Bomba Populacional", em tradução livre).

A cidade indiana de Delhi foi a inspiração. O casal estava voltando para o hotel em um táxi e passou por uma favela, onde ficou assustado com a quantidade de atividade humana nas ruas. Eles escreveram sobre a experiência de uma forma que foi fortemente criticada, especialmente porque a população de Londres à época era mais que o dobro da de Delhi.

O casal escreveu o livro por causa de preocupações com a fome em massa que eles acreditavam que estava chegando, principalmente nos países em desenvolvimento, mas também em lugares como os Estados Unidos, onde muitos começavam a perceber o impacto no meio ambiente.

O trabalho foi amplamente creditado — ou acusado, a depender do ponto de vista — de desencadear muitas das ansiedades atuais sobre a superpopulação.

É claro que as discussões sobre quantas pessoas deveriam existir nunca foram puramente acadêmicas. Às vezes, elas foram sequestradas para justificar perseguição, limpeza étnica e genocídio.

Em cada caso, os perpetradores pretendiam diminuir as populações de grupos específicos de pessoas, como aqueles de uma determinada classe social, religião ou etnia — em vez da humanidade como um todo. Mas, mesmo assim, às vezes esses episódios são vistos como exemplos dos perigos que o próprio conceito de superpopulação pode representar.

Já em 1834, apenas três décadas e meia após a publicação do ensaio de Malthus, as Leis dos Pobres foram descartadas e substituídas por outras regras mais rígidas.

Isso foi em parte devido às preocupações malthusianas de que essa classe social (que ele chamava de "camponeses") estava se reproduzindo demais e tinha o resultado de levar crianças órfãs a asilos sombrios e insalubres, como o retratado no romance de Charles Dickens, Oliver Twist.

Ao longo dos séculos seguintes, a eugenia foi continuamente disfarçada de controle populacional — ou recebeu apoio do movimento — como durante as esterilizações forçadas de pessoas de grupos étnicos minoritários na América dos anos 1970.

O conceito também foi usado para restringir as liberdades individuais. Em 1980, a China introduziu a controversa política do filho único, que foi amplamente vista como uma violação invasiva dos direitos sexuais e reprodutivos da população.

'A primeira palmeira de óleo foi plantada na Malásia em 1870. Hoje as plantas cobrem cerca de 5,9 milhões de hectares de terra no país'

Um futuro controverso

Como resultado de toda essa história , a engenharia populacional é uma área profundamente dividida.

Hoje, quaisquer políticas que envolvam cotas ou metas para aumentar ou diminuir a população humana são quase universalmente condenadas, exceto por um punhado de organizações extremistas.

O risco desses incentivos levarem à coerção ou outras atrocidades é visto como muito alto. Mas há pouco acordo além disso.

As baixas taxas de natalidade

Em uma extremidade do espectro estão aqueles que veem as taxas de fertilidade mais baixas em algumas áreas como uma crise. Um demógrafo está tão preocupado com a queda na taxa de natalidade no Reino Unido que sugeriu taxar as famílias sem filhos.

Em 2019, havia 1,65 crianças nascidas no país por mulher em média. Isso está abaixo do nível de reposição — o número de nascimentos necessários para manter o mesmo tamanho populacional — de 2,07, embora a população ainda esteja crescendo em geral devido aos imigrantes que chegam de outros países.

A visão oposta é que desacelerar e eventualmente interromper o crescimento populacional global não é apenas eminentemente gerenciável e desejável, mas pode ser alcançado por meios inteiramente voluntários — métodos como simplesmente fornecer contracepção para aqueles que gostariam e educar as mulheres.

Dessa forma, os defensores dessa posição acreditam que poderíamos não apenas beneficiar o planeta, mas melhorar a qualidade de vida dos cidadãos mais pobres do mundo.

Uma organização que acredita nessa abordagem é a instituição de caridade Population Matters, com sede no Reino Unido, que faz campanha para alcançar uma população global sustentável.

Eles defendem o enfrentamento das pressões que o consumismo está colocando no planeta, ao mesmo tempo em que destacam o papel que o tamanho da população tem que desempenhar nisso.

"Deploramos qualquer forma de controle populacional ou coerção, restrição de escolha", diz o diretor, Robin Maynard. "Trata-se então de permitir o acesso, garantir a escolha e cumprir os direitos. E essa é realmente a maneira mais eficaz de as pessoas tomarem decisões que são boas para elas e para o planeta."

Por outro lado, alguns apostam numa mudança do foco: a ideia passa de ajustar o número de pessoas no mundo para refletir sobre nossas atividades.

Os defensores argumentam que a quantidade de recursos que cada pessoa usa tem mais impacto em nossa influência coletiva e apontam que o consumo é significativamente maior em países mais ricos e com menores taxas de natalidade.

Reduzir nossas demandas individuais no planeta poderia diminuir a "pegada" da humanidade sem sufocar o crescimento nos países mais pobres.

De fato, o interesse em reduzir o crescimento populacional em partes menos desenvolvidas do mundo foi acusado de ter conotações racistas, quando a Europa e a América do Norte são mais densamente povoadas em geral.

'Após a última Idade do Gelo, a Grã-Bretanha estava envolta em densa floresta — a floresta selvagem. Mas depois de milhares de anos de colonização, hoje elas cobrem apenas 13% do território'

Finalmente, há a "solução" fatalista para a perene questão da população: simplesmente não faça nada. Essa visão se baseia na dinâmica altamente instável de nossa população global — ela deve crescer significativamente, mas depois encolherá. Cada um pode conseguir o que quer no final, embora isso não seja garantido para sempre.

As estimativas variam, mas espera-se que cheguemos o "pico populacional" por volta de 2070 ou 2080, quando haverá entre 9,4 bilhões e 10,4 bilhões de pessoas no planeta. Pode ser um processo lento — se chegarmos a 10,4 bilhões, a Organização das Nações Unidas (ONU) espera que a população permaneça nesse nível por duas décadas — mas, eventualmente, depois disso, a previsão é de que esse número comece a diminuir.

No livro Empty Planet: The Shock of Global Population Decline ("Planeta Vazio: o Choque do Declínio da População Global, em tradução livre), os autores apresentam uma visão de futuro muito diferente daquela a que estamos acostumados, em que o mundo lida com os novos desafios e oportunidades que o despovoamento pode apresentar.

Em meio a toda a controvérsia e incerteza, pode ser difícil saber o que pensar. Mas como o número de pessoas no planeta pode afetar alguns aspectos-chave de nossas vidas no futuro — o meio ambiente, a economia e nosso bem-estar coletivo?

Um desafio ambiental

Uma câmera percorre a floresta de Madagascar. O local é cheio de árvores e traz o mistério emocionante de um ambiente desconhecido.

Então, de repente, lá está: um borrão branco salta pela lente e desaparece. O animal é um sifaka — um lêmure tímido e indescritível com membros longos, pele clara e um rosto preto, como um ursinho de pelúcia esguio.

O breve encontro faz parte de um documentário da BBC, Oceano Índico com Simon Reeve, e o apresentador logo revela uma advertência surpreendente sobre o achado da equipe.

Afinal, esta não é a natureza selvagem — eles estão na reserva Berenty no sul de Madagascar, um pequeno pedaço de floresta cercado de plantações comerciais, um dos últimos lugares que essa criatura rara pode chamar de lar.

No centro de visitantes, Reeve diz que foi informado de forma confiável que quase todos os cinegrafistas da vida selvagem que filmam na área instalam os equipamentos num local exato, onde os lêmures são mais abundantes.

Os equipamentos ficam de costas para a floresta, para não capturar nenhum edifício atrás. Embora os espectadores possam pensar que estão vislumbrando o desconhecido selvagem, dá para argumentar que o que eles realmente estão recebendo é uma ilusão cuidadosamente selecionada de uma natureza pretensamente indomável.

'À medida que a população cresceu, a demanda por água aumentou na mesma proporção — e agora lagos anteriormente vastos estão começando a desaparecer'

O documentário destaca o "mito da natureza intocada" — um mal-entendido que pode ocorrer quando as pessoas são apresentadas a imagens majestosas do mundo natural que excluem os seres humanos inteiramente, ou minimizam drasticamente a nossa onipresença, sugerindo que ainda existem vastas extensões de terra intocadas por aí.

As imagens de satélite são uma ferramenta particularmente poderosa para quebrar essa noção: do ar, muitos países revelam-se fortemente adaptados para o uso humano.

Até onde a vista alcança, a terra é uma colcha de retalhos de campos agrícolas, entremeados de estradas e fileiras e mais fileiras de prédios. Algumas paisagens foram tão transformadas em apenas algumas décadas, por obras de engenharia ou desmatamento, que quase não são reconhecíveis.

Essas mudanças vêm com algumas estatísticas surpreendentes. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 38% da superfície terrestre do planeta é usada para cultivar alimentos e outros produtos (como combustível) para humanos ou o gado — são cinco bilhões de hectares no total.

E, embora nossos ancestrais vivessem entre gigantes, caçando mamutes e pássaros elefantes de 450 kg, hoje somos a espécie de vertebrados dominante em terra — um grupo que inclui tudo, de lagartixas a lêmures. Em peso, os humanos representam 32% dos vertebrados terrestres, enquanto os animais selvagens são apenas 1% do total. A pecuária responde pelo resto.

A organização de preservação da natureza selvagem WWF descobriu que as populações de animais selvagens diminuíram em dois terços entre 1970 e 2020 — nesse período, a população global mais que dobrou.

De fato, à medida que nosso domínio aumenta, muitas mudanças ambientais vêm ocorrendo em paralelo — e vários ambientalistas proeminentes, desde a primatologista Jane Goodall, famosa por seu estudo sobre chimpanzés, até o naturalista e apresentador de TV Chris Packham, expressaram preocupações.

Em 2013, Sir David Attenborough explicou seus pontos de vista em uma entrevista ao Radio Times: "Todos os nossos problemas ambientais se tornam mais fáceis de resolver com menos pessoas e mais difíceis — e, em última análise, impossíveis — de solucionar com cada vez mais pessoas."

Para alguns, o alarme sobre a pegada ambiental da humanidade os levou a decidir ter menos ou nenhum filho — incluindo o duque e a duquesa de Sussex, que anunciaram em 2019 que não teriam mais do que dois herdeiros pelo bem do planeta. No mesmo ano, Miley Cyrus também declarou que ainda não teria filhos porque a Terra está "com raiva".

Um número crescente de mulheres está se juntando ao movimento antinatalista e aderindo ao BirthStrike (ou greve da gestação, em tradução livre), até que a emergência climática e a crise da extinção de espécies sejam tratadas.

A tendência foi impulsionada por uma pesquisa de 2017, que calculou que simplesmente ter um filho a menos no mundo desenvolvido poderia reduzir as emissões anuais de carbono de uma pessoa em 58,6 toneladas — um valor 24 vezes superior a economia de não ter um carro.

'As costas marítimas do mundo estão entre as áreas mais densamente povoadas do planeta'

Um estudo de 2019, liderado por Jennifer Sciubba, professora associada de Estudos Internacionais do Rhodes College, nos EUA, analisou os níveis de crescimento populacional em mais de 1.000 regiões em 22 países europeus entre 1990 e 2006 e os comparou com as mudanças nos padrões de uso do solo urbano e das emissões de dióxido de carbono.

A equipe concluiu que um grande número de pessoas teve um "efeito considerável" sobre esses parâmetros ambientais na Europa Ocidental, mas esses não foram os fatores mais importantes no lado oriental do continente.

Esse suporte sutil para a ideia de que o crescimento populacional leva à degradação ambiental é apoiado por muitos outros estudos — como também o impacto da demanda crescente por recursos naturais, especialmente entre os países mais ricos.

De fato, muitos ambientalistas agora acreditam que os problemas que enfrentamos atualmente têm a ver em grande parte com o consumo, e não com a superpopulação. Dessa perspectiva, as preocupações com o número de habitantes do planeta transferem injustamente a culpa para os países mais pobres.

Em 2021, um estudo descobriu que nos EUA, o crescimento populacional e o uso de fontes de energia não renováveis ​​estão degradando o meio ambiente, enquanto outro revelou que o crescimento econômico e o uso de recursos naturais na China de 1980 a 2017 levou a um aumento nas emissões de dióxido de carbono.

Curiosamente, outras pesquisas descobriram que, embora o uso de recursos naturais e a urbanização na China aumentem a taxa de destruição ambiental, estes são parcialmente compensados ​​pela disponibilidade de "capital humano" — essencialmente, o conhecimento e a habilidade da população humana.

Hoje em dia, é amplamente aceito o conceito que as pessoas estão colocando uma pressão insustentável sobre os recursos finitos do mundo — um fenômeno que é destacado pelo "Dia da superação da Terra", a data em que se estima que a humanidade tenha usado todos os recursos biológicos que o planeta pode sustentar naquele ano. Em 2010, essa data era 8 de agosto. Este ano, ela foi reduzida para 28 de julho.

Quer o problema seja o excesso de humanos, os recursos que usamos ou ambos, "não consigo nem imaginar como mais humanos poderiam ser melhores para o meio ambiente", diz Jennifer Sciubba, autora do livro 8 Billion and Counting: How Sex, Death, and Migration Shape our World ("8 Bilhões e Contando: Como Sexo, Morte e Migração Moldam Nosso Mundo", em tradução livre).

Ela sugere que uma maneira de se argumentar envolve o exercício de encarar os humanos e o meio ambiente como a mesma entidade, "embora esse seja um argumento muito difícil".

'À medida que a terra se torna mais valiosa do que nunca, algumas partes do mundo estão se tornando inabitáveis'

No entanto, Sciubba faz questão de salientar que a ideia de uma iminente "bomba populacional" vindo para destruir o planeta está ultrapassada.

"No passado, havia cerca de 127 países no mundo onde as mulheres tinham em média cinco ou mais filhos ao longo da vida", calcula. Naquela época, as tendências populacionais realmente pareciam exponenciais — e ela sugere que isso incutiu um pânico populacional em certas gerações que estão vivas até hoje.

"Mas atualmente existem apenas oito [países com taxas de fecundidade acima de cinco]", diz Sciubba. "Então, acho importante percebermos que essas tendências mudaram."

Uma oportunidade econômica

Em 2012, o governo de Singapura criou uma maneira incomum para os cidadãos comemorarem sua independência — e divulgou as instruções importantes por meio de um novo rap.

O hit pretendia incentivar os jovens casais a terem mais filhos e misturava insinuações animadas com referências patrióticas à cultura e aos pontos turísticos que o país abriga.

"Vamos fazer um pequeno humano que se pareça com você e eu. Explorando seu corpo como um safári noturno, eu sou um marido patriota, você é uma esposa patriota. Deixe-me entrar em seu acampamento e fabricar uma vida...", dizia um trecho da letra.

A música foi lançada em meio a temores sobre a taxa de fertilidade superbaixa de Singapura, que era de apenas 1,1 nascimento por mulher em 2020.

Trata-se de um exemplo extremo do que se tornou uma tendência comum em países ricos, onde as pessoas se casam mais tarde e optam por ter menos filhos. Nesta nação asiática, os números provocaram preocupações sobre quais poderiam ser as consequências para a economia do país, levando o governo de lá a pedir aos cidadãos que fizessem a parte deles.

Esse é um conceito-chave em economia: quanto mais pessoas você tem, mais bens ou serviços elas podem produzir e mais podem consumir. Logo, o crescimento populacional é o melhor amigo do crescimento econômico.

Essa é uma das razões pelas quais as preocupações com o aumento da população nas partes em desenvolvimento do mundo às vezes são vistas como problemáticas — muitos países desenvolvidos já são densamente povoados e, em parte, é assim que eles conquistaram a riqueza. Negar a outros países essa oportunidade é visto como algo injusto e até racista.

'A expansão humana significa que os eventos culturais e religiosos são maiores do que nunca — agora, 2,5 milhões de muçulmanos participam da peregrinação do Haje a cada ano'

No entanto, o crescimento populacional mais lento nem sempre é seguido por uma queda econômica. Veja o Japão, que antecipou as tendências globais de nações ricas e alcançou taxas de fertilidade abaixo do nível de reposição já em 1966, quando de repente esse número caiu de cerca de dois para 1,6 por lá.

"Não acho que a economia do Japão tenha declinado à medida em que as pessoas às vezes a retratam, se você observar os padrões de vida", diz Andrew Mason, professor emérito do Departamento de Economia da Universidade do Havaí, nos EUA. "Eles investiram muito em capital humano — por isso têm menos filhos, mas enfatizam a educação e têm sistemas de saúde muito bons."

Mason também aponta que poupança e investimento são comuns no Japão: "Então, houve aumentos no capital [monetário] e maior produtividade . Se você combinar essas coisas, acho que o Japão é um bom estudo de caso sobre por que não precisamos ter pânico [sobre o declínio das taxas de natalidade]."

E há outras formas de fazer crescer a economia de um país. Mason ressalta que a imigração muitas vezes fornece uma fonte útil de novos trabalhadores.

Para melhorar, a chegada de estrangeiros pode ajudar a resolver problemas econômicos sem adicionar mais pessoas ao total da humanidade. Mas a imigração também continua sendo um assunto controverso e altamente politizado em alguns países — portanto, sem mudanças culturais na forma como isso é percebido, alguns países não terão essa opção.

"Pense particularmente em países como Japão e Coréia do Sul, que [historicamente] têm sido muito resistentes à imigração. Eles vão achar cada vez mais vantajoso [mudar essa política]", acredita Mason.

Da mesma forma, as vantagens que a imigração pode oferecer são inerentemente desiguais — um país obtém um impulso em sua economia às custas de outro, cujos trabalhadores saíram.

Há um sentimento crescente de que a obsessão global em perseguir o crescimento econômico a todo custo está ultrapassada e deve ser totalmente abandonada.

"Uma das coisas que me frustra no debate sobre a superpopulação é que muitos comentários saem da boca das mesmas pessoas — parece que não queremos que haja muitas pessoas, e também desejamos ter certeza de que a economia está sempre crescendo", diz Sciubba.

"Em um mundo onde há menos indivíduos, realmente precisamos de uma mudança completa de mentalidade, longe do conceito em que crescimento é igual a progresso", propõe.

Um futuro mais feliz

No entanto, a demografia influencia mais do que apenas o meio ambiente e a economia, que também são poderosas forças ocultas na formação da qualidade de vida das pessoas em todo o mundo.

'Os humanos são mestres em transformar paisagens para atender às próprias necessidades'

Segundo Alex Ezeh, professor de Saúde Global da Universidade Drexel, nos EUA, o número absoluto de pessoas em um país não é o fator mais importante. Em vez disso, a taxa de crescimento ou declínio da população é fundamental para as perspectivas futuras de um país. Na visão dele, é isso que determina a rapidez com que as coisas estão mudando.

Ezeh explica que, na África, existem taxas radicalmente diferentes de crescimento populacional atualmente, dependendo de onde você olha.

"Em vários países, particularmente na África Austral [uma das cinco regiões definidas pelas Nações Unidas], as taxas de fecundidade realmente caíram e o uso de contraceptivos está aumentando — a taxa de crescimento da população está diminuindo, o que é de certa forma uma boa notícia", aponta.

Ao mesmo tempo, alguns países da África Central ainda apresentam altas taxas de crescimento populacional, como resultado da fecundidade elevada e da maior expectativa de vida.

Em alguns lugares, ela está bem acima de 2,5% ao ano, "o que é enorme", na visão de Ezeh. "A população dobrará a cada 20 anos em vários países", estima o professor.

Mesmo dentro de uma única região, diferentes países podem estar em caminhos surpreendentemente diferentes — Ezeh dá o exemplo dos vizinhos Burundi e Ruanda. Enquanto o primeiro ainda apresenta altos níveis de crescimento — com 5,3 nascimentos por mulher — no segundo, o aumento está desacelerando, com 3,9 nascimentos por mulher em 2020, ante 4,5 em 2010.

"Acho que a conversa sobre tamanhos e números é equivocada", entende. "Pense em uma cidade que está dobrando a cada 10 anos — e isso é o que acontece em algumas partes da África — cujo governo realmente tem recursos para melhorar toda a infraestrutura que existe atualmente a cada década, a fim de manter o nível correto de cobertura desses serviços?", questiona.

Ezeh explica que é difícil apoiar o desenvolvimento do capital humano em condições de crescimento extremo — pesquisas recentes descobriram que isso desempenha um papel importante na felicidade das pessoas, superior à quantidade de dinheiro que elas ganham.

Esses fatores também são considerados como um importante mecanismo de predizer crescimento econômico, além do grande número de moradores de um país.

"Quando os economistas pensam sobre isso, uma grande população é ótima para muitos resultados diferentes. Mas você alcançará essa grande população em 10, 100 anos ou mil anos? E qual sistema dará suporte a essa população?", pergunta Ezeh.

Um fator com um papel bem documentado na desaceleração dessa taxa de crescimento é a educação das mulheres, que tem o efeito colateral de aumentar a idade média em que elas dão à luz.

"Com o tempo, as mulheres têm acesso à educação, ocupam empregos e possuem tarefas fora da família, elementos que competem com a maternidade", diz Ezeh.

No entanto, o professor faz questão de enfatizar os méritos da educação independentemente do impacto que a escolaridade tem no tamanho da população — falamos aqui em um dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

Isso chega ao cerne de uma visão moderna sobre engenharia populacional: as políticas precisam ser implementadas em benefício da sociedade e, se por acaso levarem a mudanças demográficas benéficas, devem ser encaradas apenas como um bônus.

"Acho que uma das coisas que não queremos fazer é instrumentalizar a educação feminina. Não queremos que elas frequentem a escola porque desejamos que elas tenham menos filhos…", pondera Ezeh.

De fato, os efeitos colaterais em cascata das políticas implementadas por outras razões destacam uma realidade impressionante da ciência populacional: o quão imprecisas são as previsões.

Em todo o mundo, as decisões tomadas pelos governos nas próximas décadas serão extremamente decisivas para determinar quantas pessoas habitarão o planeta — com o poder de nos levar para um futuro em que haverá 10 ou 15 bilhões de pessoas.

'Hoje, 38% da superfície terrestre da Terra é usada para cultivar alimentos ou outros produtos para humanos'

"Acho que uma das coisas que sabemos com certeza é que, [quando as pessoas dizem que] a população da África é projetada para ser X no ano Y, [isso] não é um destino", destaca Ezeh.

"Se você olhar para a região da África Austral, a população pode ser três a quatro vezes maior do que é hoje em 2100, mas também pode ser 50% maior. Ou seja, falamos de uma faixa tão grande de possibilidades e precisamos fazer os investimentos necessários para chegar a uma taxa de crescimento consistente com o objetivo dos países. Essa é a magnitude da oportunidade que existe."

Uma presença em expansão

Embora o grau em que a humanidade continuará a se expandir pelo planeta ainda não tenha sido decidido, algumas trajetórias já foram definidas.

Uma delas envolve o conceito que a população humana provavelmente continuará a crescer por algum tempo, independentemente de quaisquer possíveis esforços para diminuí-la.

Esse futuro se deve a um fenômeno conhecido como momentum demográfico, em que uma população jovem com taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição continuará a crescer, enquanto a taxa de mortalidade e os níveis de migração permanecerem os mesmos.

Isso ocorre porque a mudança populacional não diz respeito apenas às taxas de natalidade — a estrutura de uma população também tem impacto, principalmente o número total de mulheres em idade fértil. Tudo isso significa que, em países onde as taxas de fecundidade são altas, o impacto total desse crescimento não é sentido até que as mulheres dessa população atinjam a idade reprodutiva décadas depois.

Um estudo de 2014 descobriu que, mesmo no caso de uma grande tragédia global, como uma pandemia mortal, uma guerra mundial catastrófica ou uma política draconiana de filho único implementada em todos os países do planeta — nenhuma delas desejável, claro — nossa população ainda crescerá para até 10 bilhões de pessoas em 2100.

Mesmo um desastre em tal escala que deixe dois bilhões de pessoas mortas em um período de cinco anos no meio do século ainda permitiria que a população crescesse para 8,5 bilhões de pessoas nas próximas oito décadas. Aconteça o que acontecer, concluem os autores, é provável que haja muitas, muitas pessoas por aí até pelo menos o próximo século.

Com a humanidade prestes a se tornar ainda mais dominante nos próximos anos, encontrar uma maneira de viver em sociedade e proteger o meio ambiente pode ser o maior desafio que a nossa espécie enfrentou até agora.

BBC Brasil

Queer é a destruição de tudo o que é natural e normal




A questão de fundo não tem que ver com escolhas voluntárias de cada um, mas sim com a intenção clara de transformar, até por meios violentos, o sistema moral, económico e político livre e democrático. 

Por Maria Helena Costa 

No dia 1 de Setembro deste ano da graça, comentei o artigo do Observador Festival Queer Lisboa anuncia programa completo com estas palavras: «Destruição da sociedade. Queer é a destruição de tudo o que é natural e normal.». Passados poucos minutos, o Facebook notificou-me: «Não podes publicar ou comentar durante 24 horas Este comentário desrespeita as nossas normas sobre discurso de incentivo ao ódio e inferioridade, pelo que só tu o podes ver. Conta restrita As tuas publicações vão ser movidas para uma posição mais abaixo no Feed durante 22 dias».

Reclamei, mas não adiantou de nada. Ou seja, entre outras coisas, queer é uma teoria que não pode ser criticada nem denunciada. É mais uma letra do abecedário colorido, parte daquela bandeira que se impõe a tudo e a todos e ameaça silenciar qualquer voz que se atreva a divergir. É caso para dizer que nem no tempo do Salazar a polícia do pensamento esteve tão activa e castigadora. Só não nos prendem, a-in-da.

Mas, pergunta o leitor: afinal, o que é isso de Queer?

Certamente, já ouviu falar sobre a ideologia de género. Judith Butler, a filósofa queer, autora da bíblia do género, advoga que o ser humano nasce neutro e que é a família, a escola e a sociedade que lhe atrelam um papel binário, homem e mulher, imposto pelo patriarcado machista opressor. Para ela, o comportamento de cada sexo, e o próprio sexo, não passam de produções e criações deliberadas dos homens para que pareçam naturais e inevitáveis, mas que, ainda de acordo com a feminista radical, não são naturais nem inevitáveis. Butler evoca Monique Wittig, outra feminista radical, e a sua proposta de desintegração dos corpos culturalmente construídos, sugerindo que a própria morfologia é consequência do tal sistema patriarcal hegemónico e que é preciso desintegrar as identidades que estão aprisionadas nos comportamentos de machos e fêmeas, pois são pouco naturais:

Como estratégia para descaracterizar e dar novo significado às categorias corporais, descrevo e proponho uma série de práticas parodísticas baseadas numa teoria performativa de actos de género que rompem as categorias de corpo, sexo, género e sexualidade, ocasionando sua ressignificação subversiva e sua proliferação além da estrutura binária (Judith Butler, Problemas de Gênero. Civilização Brasileira, 2015, pp. 12-13).

A proposta de Butler é a de que a identidade sexual (sexo) seja negada e se passem a adoptar comportamentos (género) que não se definam como femininos nem masculinos e que todos se tornem uma réplica da própria Judith, alguém para quem olhamos sem conseguir ver de imediato uma mulher nem um homem. É uma lógica totalmente invertida, que exige militância e um esforço consciente para afirmar como “natural” algo que é a subversão da natureza e como “opressão social” aquilo que é, de facto, natural e gera vida.

Esse mesmo pensamento é central para a teoria queer, que, em inglês, significa bizarro, estranho, torto. Na gíria, esse adjectivo é utilizado como um insulto, que, em português, por exemplo, seria paneleiro, larilas, traveca. E, para não me acusarem de inventar algo que não corresponde à verdade, nada melhor do que citar Beatriz Preciado, filósofa queer, que concorda comigo e acrescenta mais alguns significados à palavra queer: «invertidos, bicha e lésbica, travesti, fetichista, sadomasoquista e zoófilos».

Mas, para provar que vivemos numa ditadura do pensamento e que o meu comentário não devia ter sido censurado, pois é apenas o resumo da constactação de factos por parte de quem estuda a agenda lgbtetc e derivados há cerca de 8 anos, vou mencionar e citar a filósofa queer Leonor Silvestri, que integra os “colectivos” “Ludditas Sexxxuales” e “Manada de Lobxs”, autores do livro Foucault para Encapuchadas (2014), que começa com uma pergunta-chave reveladora das intenções da ideologia que representam: «Agora que entendemos que não há sujeitos da revolução, quem combate o hétero-capitalismo?»

A resposta, para destruir toda e qualquer identidade como tal, consiste em «apagar as categorias de ‘masculino’ e ‘feminino’ de acordo com as categorias de atribuição biopolítica ‘homem/mulher’. Os códigos de masculinidade são susceptíveis de abrir-se para que operemos sobre eles uma espécie de gender hacking perfo-prostésico-lexical usando jogos linguísticos que escapem das marcas de género, ou pelo menos as decomponham: proliferar até ao absurdo anormalidades psicossexuais» (Manada de Lobxs. Ob. Cit., p. 24). A fim de «… invalidar o sistema hétero-normativo da produção humana e as formas de parentesco – sempre à priori hétero-normais – por meio de desistir de práticas como o casamento e todos os seus substitutos.» (Ob. Cit., p. 25)

O objectivo da ideologia queer é subverter o que designa como “relações sexuais hétero-normativas”, que inclui não só a relação heterossexual como tal, mas também o papel que têm em si mesmos os órgãos sexuais natural e biologicamente determinados para a prática das relações sexuais (pénis e vagina). Assim, as teorias queer explicam que «a renúncia de manter relações sexuais naturalizantes hétero-normais permite a ressignificação e desconstrução da centralidade do pénis e critica as categorias ‘órgãos sexuais’ (qualquer parte do corpo ou objecto se pode tornar brinquedo sexual)» (Ob. Cit., p. 25). De facto: «A abolição da prática da sexualidade em casal, mediante a prática de prazer em grupo com afinidades sexo-afetivas ressignifica o corpo como uma barricada de insubordinação política, de desobediência sexual, de desterritorialização da sexualidade hétero-normativa, seus regimes disciplinares naturalizados e suas formas de subjectivização para a posterior criação de espaços de afinidade anti-género e anti-humanos: destruir até às fundações a heterossexualidade como regime político. Esse é o nosso destino.» (Ob. Cit., p. 25)

Confuso? Eu traduzo:

O que se quer dizer com tanto palavreado na novilíngua queer é que renunciar às relações heterossexuais evitaria a “naturalização” deste tipo de relação, ou seja, evitaria que a relação sexual entre um homem e uma mulher parecesse algo natural, próprio da ordem natural das coisas e absolutamente necessária para a preservação da espécie. Mas a teoria vai mais longe e propõe que, não apenas as relações heterossexuais sejam subvertidas, mas que também o próprio uso dos órgãos sexuais no contexto do sexo seja desnaturalizado como tal.

Não o impressiona o ódio com que o texto é escrito?

E não me refiro apenas ao ódio aos heterossexuais e à família, mas ao homem e à humanidade em geral. Há excertos que exalam violência em doses altíssimas. Por favor, leia: «Sem nome, sem prestígios, sem passaportes, sem famílias, experimentamos o sabor do molotov, da nafta, a fumaça da borracha queimada cortando a ponte e abrindo o caminho como quem experimenta um maracujá, uma manga, ou o fisting [prática sexual de introduzir o punho no ânus]» (Ob. Cit., p. 27); «O mundo pertence aos héteros que se gabam de suas liberdades em nossos rostos. Porque eles têm que vir para nossos aniversários, nossas festas, nossos rituais, nossas marchas, nossas cerimónias? Nós não queremos tolerá-los, nem desejamos sua asquerosa dádiva gay-friendly chamada ‘apoio’, ‘integração’, ‘respeito’, ‘diversidade’… Não queremos suas leis anti-discriminação. Nós não queremos. O mundo pertence aos héteros e estamos em guerra contra o seu regime. […] Isto é apologia à violência, vamos lutar, vamos lutar contra o inimigo com nossa violência […] O mundo pertence aos héteros e não o cederão voluntariamente. Teremos que tomá-lo à força. Havemos de forçar o cu para que o abram.» (Ob. Cit., p. 67); «Um exército de punhos não pode ser derrotado, meta no cu tudo o que couber. E mais, jogaremos em seus rostos de heterossexuais consternados: merda e peidos, chuvas douradas e squirt [urina feminina]. Um riso negro que soa diabólico e alegre brota de nossa entranhas promíscuas. […] Não nos identificamos com vocês, heterossexuais, não gostamos, desprezamos, vocês são o desprezível desperdício do capitalismo que impulsionam.» (Ob. Cit., p. 68); «Com grande alegria nós dizemos: não vamos ter filhxs, adoramos a solidão, celebramos, apoiamos e insistimos na destruição de toda a relação, da monogamia, dos laços sentimentais, dos hétero-compromissos, das paixões, do amor romântico ou dos relacionamentos escondidos sob a merda do amor livre. Todos estabelecem territórios e hierarquias de opressão.». (Ob. Cit., p. 72)

Peço perdão pela linguagem, mas se eu tive que ler isto, para desconstruir uma narrativa política hedionda, o leitor também tem que ler para não ser enganado.

E não, não é só a filósofa queer, Leonor Silvestri e os autores de Manada de lobbxs que incitam a violência contra os heterossexuais e contra todos aqueles que não pensam como eles. A filósofa queer Beatriz Preciado também partilha deste tipo de ideia – sobre como destruir a sexualidade – e convoca à prática da “contra-sexualidade”. Segundo ela: «A contra-sexualidade afirma que o desejo, a excitação e o orgasmo não são mais que produtos retrospetivos de uma certa tecnologia sexual que identifica os órgãos reprodutores como órgãos sexuais, em detrimento de uma sexualização de todo o corpo. […] O sexo é uma tecnologia de dominação hétero-social que reduz o corpo às zonas erógenas de acordo com uma distribuição assimétrica de poder entre os sexos (feminino/masculino), fazendo coincidir certos afetos com determinados órgãos, certas sensações com certas reações anatómicas.» (Preciado, Beatriz. Manifesto contra-sexual. Prácticas subversivas de identidade sexual. Madrid, Opera Prima, 2002, p. 19)

Então, Preciado oferece-nos um exemplo prático de como resistir ao sistema hétero-capitalista: «a prática de fisting[prática sexual de introduzir o punho no ânus], que teve um desenvolvimento sistemático no seio da comunidade gay e lésbica dos anos 70, deve ser considerada como um exemplo de alta tecnologia contra-sexual. Os trabalhadores do ânus são os proletários de uma possível revolução contra-sexual». (Manifesto contra-sexual, Cit., p. 26)

Tão marxista, não é?

Soa-lhe como uma piada? E se eu lhe disser que a ativista queer fornece um manual de práticas “dildo-tectónicas”, a implementar com a ajuda de um “dildo” (vibrador) e que contribuiriam para sexualizar outras partes do corpo na luta contra a “hegemonia do pénis e da vagina”, estabelecida pelo “hétero-capitalismo”? Se está interessado em confirmar, leia as páginas 46-47 do Manifesto contra-sexual.

Muito mais haveria a dizer sobre a teoria queer, mas o texto já vai longo e creio que ficou demonstrado que o meu comentário, ao artigo do Observador, até foi muito simpático, pois apresentava apenas uma perspectiva crítica daquela realidade que era apresentada, e não havia nada que justificasse a censura. Penso que a conclusão inevitável, depois de ler este artigo, é a de que a teoria queer gera nos seus fiéis um coquetel explosivo de ódio, violência e frustração individual, pois a luta interminável contra a natureza, que o movimento queer promove, está perdida desde antes de se ter iniciado.

Não se deixe enganar. O movimento queer é político e é de esquerda, mais propriamente da nova esquerda. A dívida da ideologia queer para com a esquerda fica clara nestas palavras: «Os movimentos da Nova Esquerda com suas declarações empurram-nos para o facto de que a luta está em muitas frentes mais do que na simples luta de classes». (Anónimo. Espacios peligrosos. Resistencia violenta, utodefensa y lucha insurreccionalista en contra del género. Distribuidora Coños como Llamas, 2013, p. 5)

A questão de fundo não tem que ver com as escolhas voluntárias de cada um, mas sim com a intenção clara de transformar, até mesmo por meio da violência, o sistema moral, económico e político que permite que todos tenhamos, por exemplo, direito a expressar a nossa opinião livremente. Não me importa os delírios de outras pessoas, desde que não afectem os meus direitos individuais e não me imponham a lei da mordaça.

Observador (PT)

Antiamericanismo não fará de Xi Jinping rei da Ásia




Xi x Putin: competição disfarçada por combate a inimigo comum

Por Konstantin Eggert*

Atual insucesso na Ucrânia compromete prestígio de Putin na Ásia. Presidente chinês Xi se esforça em preencher o vácuo de poder e forjar uma aliança antiocidental na região. Mas vai fracassar, opina Konstatin Eggert.

Bastaram uns poucos pronunciamentos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e de seu homólogo chinês, Xi Jinping, para transformar uma previsivelmente maçante conferência de regimes autoritários seletos da Ásia (mais a Índia, que ainda é uma democracia) num evento divisor de águas.

Na cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), na cidade de Samarcanda, no Uzbequistão, enquanto Putin prometeu fornecer fertilizantes a nações pobres e sugeriu que as nações do grupo encenem juntas um grande evento esportivo, Xi empreendeu todos os esforços para conferir um caráter político à reunião.

O presidente da China instou os líderes da SCO a rebaterem as "revoluções coloridas" – os movimentos pelo poder popular que derrubaram os regimes corruptos da Geórgia, Ucrânia e Quirguistão, nos primeiros anos do século. Previsivelmente, ele afirmou que tais movimentos seriam orquestrados de fora – leia-se: do Ocidente, principalmente pelos Estados Unidos.

Embora, sem dúvida, Putin concorde com esse sentimento, o solo de Xi em Samarcanda reflete o papel minguante da Rússia, mesmo entre os regimes asiáticos que partilham seus posicionamentos. Ele também ilustra a insistente tentativa do regime chinês de impor seu pensamento político ao bloco, configurando-o como contrapeso asiático aos americanos na política e na segurança, inflando assim sua reputação como um dos inimigos mais implacáveis e persistentes dos EUA.

Influência russa minguante

A falta de sucesso, até agora, da agressão militar russa contra a Ucrânia enfraqueceu a influência do Kremlin mesmo nos Estados da Ásia Central que integravam a União Soviética.

Dois dias antes da cúpula no Uzbequistão, Xi visitou o Cazaquistão, aliado tradicional de Moscou. Lá, o líder conversou sobre o desejo da China de apoiar e fortalecer a soberania e segurança das nações centro-asiáticas. Aparentemente tratou-se de uma advertência explícita à Rússia para que não tente anexar as regiões tradicionalmente russófonas do norte do Cazaquistão, como receiam muitos no país.

Pequim não esconde sua oferta aos governos centro-asiáticos visando gradualmente reduzir (se não substituir totalmente) o papel de Moscou como seu principal garantidor de segurança. "À medida que a Ucrânia vai consumindo os recursos de Putin, a Rússia continua a perder influência na região", disse-me o analista político cazaque Dosym Satpayev. "Agora o processo é irreversível."

Tensões internas mais fortes que rejeição ao Ocidente

A obsessão da China com a influência dos EUA se parece cada vez mais com a fixação de Putin, e há grande preocupação de que venha a ter o mesmo resultado desastroso. Tentar criar um bloco antiamericano, antiocidental, a partir da SCO acabará em fracasso.

Os Estados-membros podem desgostar dos EUA e do Ocidente, mas com frequência as diferenças, até conflitos, entre os signatários da SCO são muito mais acentuados do que suas antipatias comuns. A Índia e o Paquistão são o exemplo mais conhecido, porém nem de longe o único.

Em segundo lugar, mesmo que alguns governos do grupo estejam preparados para lidar com a China e até mesmo se aproximar dela, grande parte de seus cidadãos tem opinião diferente. Mais uma vez, aqui a Índia é um caso especial, porém no Cazaquistão, por exemplo, historicamente a rejeição popular à influência chinesa é muito forte, e algo que o governo precisa levar em consideração. O apoio do Ocidente à Ucrânia contra Putin se transforma num grande exemplo de solidariedade que não passará despercebido em vários membros da SCO.

Por fim, as grandes alianças ocidentais como a Otan e a União Europeia estão firmemente arraigadas nos valores comuns da democracia, Estado de direito e respeito aos direitos civis. Isso não significa que não tenham problemas, mas resolvê-los é bem mais fácil se é partilhada a filosofia em que se alicerçam essas organizações.

Esse poderá ser o maior obstáculo aos intuitos da China: não há valores comuns sedimentando a Organização para Cooperação de Xangai. Ela pode pode fornecer segurança temporária a alguns dos regimes integrantes, porém nem isso é garantido. Com Putin rebaixado por sua invasão fracassada, Xi Jinping pode estar pensando que em breve vai tomar conta do show. Ele está enganado.

*Konstantin Eggert é jornalista da DW. 

Deutsche Welle

Tribunal de Justiça da Bahia determina instalação de 6 unidades no interior do estado

 Sábado, 17 de Setembro de 2022 - 18:20

por Redação

Tribunal de Justiça da Bahia determina instalação de 6 unidades no interior do estado
Foto: Ascom PJBA

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), aprovou na quarta-feira (14), em sessão plenária, a  instalação de mais seis unidades no interior do Estado. As comarcas contempladas são Paulo Afonso, Jequié, Feira de Santana e Lauro de Freitas.


Em Paulo Afonso, situada a 471 quilômetros da capital, acontece a transformação da 3ª Vara Criminal em Vara privativa do Júri e Execuções Penais, além da instalação da 1ª Vara da Fazenda Pública. Na Comarca de Jequié, que fica a 367 quilômetros de Salvador, serão duas unidades: a 2ª Vara Crime e a 1ª Vara da Fazenda Pública. Os moradores de Feira de Santana, cidade conhecida como “princesinha do sertão”, também vão ganhar uma nova unidade judiciária: a 4ª Vara de Família, Sucessões, Órfãos e Interditos.


Para finalizar, os Desembargadores do PJBA, na sessão plenária, ainda determinaram a instalação da 1ª Vara de Família, Órfãos, Sucessões e Interditos na Comarca de Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador.

Bahia Notícias

FAB se esquiva e não revela custo de voos de Bolsonaro na campanha, diz coluna

 Sábado, 17 de Setembro de 2022 - 19:00

por Redação

FAB se esquiva e não revela custo de voos de Bolsonaro na campanha, diz coluna
Foto: Marcos Corrêa/PR

A Força Aérea Brasileira (FAB) se recusa a responder o número e o custo dos voos que fez até agora para transportar o presidente Jair Bolsonaro (PL) para eventos de campanha. A informação é do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

Por lei, como está no exercício do cargo, Bolsonaro tem o direito de usar aeronaves oficiais em suas viagens para compromissos da corrida eleitoral, mas os cofres públicos têm de ser ressarcidos por seu partido, o PL.

 

A reportagem perguntou à FAB quantos e quais voos foram feitos para agendas de campanha de Bolsonaro, qual o custo de cada um deles e quais critérios estão sendo utilizados para a cobrança do ressarcimento.

 

A resposta, porém, foi evasiva, bem em linha com o que costuma ocorrer quando as Forças Armadas são indagadas acerca de assuntos relacionados ao presidente — provavelmente pelo temor de se envolverem em qualquer desgaste com Bolsonaro, elas quase sempre passam a bola para o Palácio do Planalto.

 

Inicialmente, a FAB informou que não conseguiria responder aos questionamentos na data solicitada. A seção de comunicação da corporação informou que os dados deveriam ser solicitados ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, que também passou a tarefa adiante.

 

“Em relação à reiteração de parte de sua demanda, informamos que dados mais precisos sobre o número de voos, com os respectivos ressarcimentos à União, devem ser solicitados à Secretaria de Controle Interno/SG da Presidência da República e ao próprio Partido Político”, diz o texto enviado pelo GSI.

 

Indagada, a Secretaria de Controle Interno da Secretaria-Geral da Presidência ainda não forneceu os números.

Bahia Notícias

ONU reúne líderes pela primeira vez desde início da guerra

 Domingo, 18 de Setembro de 2022 - 08:40

por Thiago Amâncio | Folhapress

ONU reúne líderes pela primeira vez desde início da guerra
Foto: Rick Bajornas / UN Photo

A emergência climática já vinha dominando as últimas cúpulas da Organização das Nações Unidas. Nos últimos dois anos, os líderes mundiais precisaram se debruçar sobre uma pandemia que já matou mais de 6 milhões de pessoas. Agora, sem que as outras duas crises tenham ido embora, há uma guerra na Europa que acirrou ainda mais as divisões políticas globais e que lança sombras sobre o encontro de lideranças nos Estados Unidos.
 

É nesse contexto que começam os debates da 77ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, que reunirão a maior parte dos líderes mundiais pela primeira vez desde a eclosão da Guerra da Ucrânia, em fevereiro. O tema deve dominar não só os discursos das autoridades, que começam na terça-feira (20) com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), mas também as rodas de negociações e reuniões bilaterais entre os líderes.
 

De um acordo de paz, é claro, não haverá qualquer vislumbre durante o encontro promovido em Nova York, segundo disse o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres. "Sinto que ainda estamos muito longe da paz. Acredito que a paz é essencial, paz de acordo com a Carta das Nações Unidas e com o direito internacional, mas estaria mentindo se dissesse que isso pode acontecer em breve", afirmou o português.
 

O grande objetivo da ONU nas discussões que envolvem a guerra é expandir o acordo que permite o comércio de grãos da Ucrânia, aumentando também as exportações de fertilizantes da Rússia em meio à crise de escassez de alimentos que se agrava sem fazer distinção de fronteiras.
 

Nesta semana, o russo Vladimir Putin ameaçou voltar a barrar as exportações ucranianas pelo mar Negro, principal ponto de escoamento da produção do país, e Guterres tem se envolvido diretamente na mediação do conflito, falando recorrentemente com os presidentes dos dois países.
 

Putin, aliás, não irá a Nova York. Em seu lugar, mandou o estridente chanceler Serguei Lavrov, que, como alvo de sanções da Casa Branca, até o último minuto não sabia se conseguiria viajar aos Estados Unidos. A ironia é que foi esta mesma ONU que deu prestígio a Lavrov, já que, antes de se tornar o líder da diplomacia de Moscou, ele foi embaixador na entidade por dez anos. de 1994 a 2004, e era conhecido pelo bom relacionamento com outras autoridades e lideranças.
 

Pelo acordo que estabeleceu em 1947 a sede da ONU em Nova York, os EUA devem garantir vistos a diplomatas estrangeiros para que possam acessar o edifício da organização. A Casa Branca, porém, diz que tem a prerrogativa de negar vistos por razões de segurança nacional.
 

Ao longo das últimas semanas, o Kremlin reclamou publicamente e afirmou que Washington estava violando suas obrigações, até que o governo americano decidiu na última terça-feira liberar a entrada de uma comitiva russa no país, mas não há expectativa de reuniões entre autoridades dos dois países adversários.
 

Esta será a primeira edição totalmente presencial desde a eclosão da pandemia de Covid-19, em 2020. Naquele ano, líderes mundiais discursaram de forma totalmente remota, sem que nenhum viajasse a Nova York em decorrência das restrições. Em 2021, parte deles falou de forma presencial, como Bolsonaro, e parte enviou um vídeo, como o dirigente da China, Xi Jinping.
 

A participação remota não estava prevista para a edição deste ano. Houve, no entanto, uma exceção para que o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, possa enviar um vídeo gravado previamente e exibi-lo no plenário. A exceção foi aprovada pela Assembleia-Geral com 101 votos a favor e 7 contra, incluindo o da Rússia, que tentou barrar a medida. O Brasil se absteve, votando a favor de uma emenda rejeitada da Belarus para que não só Zelenski mas qualquer autoridade de país em guerra possa participar de forma remota --o que não foi aceito.
 

A 77ª Assembleia-Geral ocorre ainda em meio a uma série de questionamentos em relação à eficiência da própria ONU em evitar conflitos como a Guerra da Ucrânia, com mais de seis mees. Zelenski chegou a dizer em março, em discurso ao Congresso dos EUA, que "as guerras do passado levaram nossos predecessores a criarem instituições que deveriam evitá-las, mas que, infelizmente, não funcionam."
 

A jornalistas, o secretário-geral António Guterres saiu na defensiva e insistiu que a ONU é a maior provedora de ajuda humanitária do mundo. "Se há um momento em que a ONU é mais importante do que nunca, esse momento é agora", afirmou. "A ONU não pode ser limitada pelo fato de que os membros do Conselho de Segurança não conseguem chegar a um acordo para resolver a pior crise que enfrentamos", completou Guterres.
 

Entre as consequências da guerra, deve entrar na pauta ainda, além da alta do preço dos alimentos, a segurança energética, em meio a escassez de gás natural e o aumento da queima de carvão na Europa. Também na seara climática, as enchentes no Paquistão devem ocupar parte importante das discussões.
 

O encontro em Nova York também será afetado pelo funeral da rainha Elizabeth 2ª, que acontece um dia antes da abertura dos discursos e que levou autoridades para a Europa, como Bolsonaro. O americano Joe Biden, que tradicionalmente discursaria após o Brasil, também na terça-feira, adiou seu pronunciamento para o dia seguinte, quarta.
 

A Assembleia-Geral será, por fim, a estreia de uma série de novos líderes que chamaram atenção no cenário internacional. Pela esquerda, é o caso do novo presidente do Chile, Gabriel Boric, já tratado como estrela na Cúpula das Américas, nos EUA, em junho. À direita, é a primeira viagem para fora da Ásia do novo presidente das Filipinas, Ferdinand Bongbong Marcos Jr., filho do controverso ditador Ferdinand Marcos.

Bahia Notícias

Jerônimo é recebido por multidão em Paulo Afonso e se compromete com saúde na região

 Domingo, 18 de Setembro de 2022 - 09:00

por Redação

Jerônimo é recebido por multidão em Paulo Afonso e se compromete com saúde na região
Foto: Divulgação

O candidato ao governo do estado Jerônimo Rodrigues (PT) desembarcou, na manhã deste sábado (17), em Paulo Afonso, na região Norte do estado, e foi recebido com uma grande festa pelas ruas e avenidas da cidade. Milhares de pessoas pararam o trânsito da cidade para acompanhar a passagem do postulante petista, que esteve acompanhado pelo governador Rui Costa (PT), pelo senador e candidato à reeleição Otto Alencar (PSD) e pelo prefeito Luiz de Deus (PSD).

 

Ainda antes do início do evento, Rui anunciou uma importante novidade para o município: o Hospital Municipal de Paulo Afonso passou, desde sexta-feira (16), a integrar a rede estadual de saúde. A unidade, agora chamada Hospital Regional de Paulo Afonso (HRPA), conta com 50 leitos, sendo 10 de Terapia Intensiva (UTI), e passa a ter acesso por demanda regulada pelo SAMU Regional de Paulo Afonso e pela Central Estadual de Regulação (CER).

 

“Nosso objetivo é ter os serviços de saúde do estado cada vez mais próximos da população”, afirmou o governador. “Com este novo hospital regional, vamos ampliar os serviços de assistência à saúde para atender os habitantes de Paulo Afonso e região”, assegurou. 

 

O HRPA disponibiliza atendimento médico em urgência e emergência clínica do adulto, internação hospitalar nas especialidades de Clínica Médica, incluindo as situações em Saúde Mental e Cirúrgica, sendo referência para cirurgias eletivas nas especialidades de cirurgia geral, urologia, angiologia e coloproctologia. 

 

O candidato Jerônimo Rodrigues afirmou que os esforços do governo baiano para seguir ampliando e descentralizando a rede de atendimento no estado vão continuar em seu mandato, visando zerar a fila da regulação no estado durante os próximos anos. 

 

“Nossos governos, do time que cuida de gente, já entregaram mais de 20 hospitais regionais e vamos entregar mais sete, já entregamos 24 policlínicas e vamos entregar mais cinco no meu mandato”, disse. “Além disso, assim como fizemos em Paulo Afonso, mantemos contato frequente com os municípios, analisando as possibilidades [de ampliar ainda mais a rede de atendimento]. Encontrarei um estado com equipamentos novos, modernos e bem distribuídos, mais perto da população de toda a Bahia, o que nos permitirá zerar a fila da regulação”, analisou Jerônimo.

 

No restante do sábado (17), a campanha de Jerônimo passou ainda pelos municípios de Tanquinho, Riachão do Jacuípe, Nova Fátima, Gavião e São José do Jacuípe. Durante a noite, o candidato fez um evento em Capim Grosso.

Bahia Notícias

José Dumont é investigado pela polícia por abuso de segunda criança no Rio de Janeiro

 Domingo, 18 de Setembro de 2022 - 09:20

por Redação

José Dumont é investigado pela polícia por abuso de segunda criança no Rio de Janeiro
Foto: Globo/ Paulo Belote

Polícia Civil do Rio de Janeiro apura a denuncia de uma segunda criança que teria sido abusada por José Dumont meses antes de sua prisão na última quinta-feira (15). O ator já responde por uma acusação de pedofilia na Paraíba, desde 2013.

 

De acordo com o Notícias da TV, o órgão acredita ainda que podem aparecer novas vítimas ao longo das investigações.  O ator começou a ser investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCVA) desde o fim de julho, quando relatos de que ele estaria se relacionando com um menor de 12 anos começaram a chegar na delegacia via e-mail e telefone. 

 

"Em sua representação, justifica a autoridade policial que a prisão temporária seria necessária 'à identificação de uma outra criança de idade semelhante à de X, vítima em potencial do investigado' e que 'É importante investigá-lo já que diversas outras crianças já podem ter sido alvo do suspeito'. Importante frisar que, caso seja detido, outras crianças podem aparecer imputado ao ator fato igual", diz o juiz Daniel Werneck Cotta, responsável por assinar o despacho.

 

Após audiência de custódia realizada na última sexta-feira (16), a prisão em flagrante do ator foi revertida em temporária.

Bahia Notícias

Bolsonaro chega a Londres para funeral de Elizabeth II e discursa em embaixada

 Domingo, 18 de Setembro de 2022 - 09:40

Bolsonaro chega a Londres para funeral de Elizabeth II e discursa em embaixada
Foto: Rachel Sabino / Metrópoles

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), desembarcou na manhã deste domingo (18) em Londres, capital do Reino Unido, ao lado da primeira-dama Michelle, para participar do funeral da rainha Elizabeth II. As informações são do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

Em solo britânico e ao lado do pastor Silas Malafaia – que viajou no avião presidencial , o representante brasileiro discursou para apoiadores bolsonaristas concentrados em frente à Embaixada do Brasil na Inglaterra.

 

“Estamos aqui numa época, num momento de pesar. Temos profundo respeito pela família da rainha e também pelo povo do Reino Unido. Esse é o nosso objetivo principal”, afirmou Bolsonaro.

 

Apesar de declarar que a demonstração de respeito à família real britânica e ao povo do Reino Unido eram os principais motivos da visita a Londres, Bolsonaro não deixou de falar das eleições.

 

“Essa manifestação por parte de vocês representa o que realmente acontece no Brasil. Um momento que temos pela frente que teremos que decidir o futuro da nossa nação. Sabemos quem é do outro lado e o que eles querem implantar em nosso Brasil”, afirmou o presidente da República.

 

“A nossa bandeira sempre será dessas cores que temos aqui: verde e amarela”, concluiu.

Atualização do CPF para Identidade pode ser feita nos Correios

 em 18 set, 2022 8:00

Nos Correios, podem ser realizadas a regularização cadastral e a alteração de dados como data de nascimento, endereço, nome da mãe e gênero. (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

Para obter a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), lançada pelo Governo Federal este ano, o cidadão precisa apresentar certidões de nascimento e/ou casamento e o CPF devidamente regularizado. Assim, pessoas que ainda não possuem ou necessitem corrigir ou atualizar esse documento podem se dirigir às agências dos Correios para emitir ou atualizar o CPF.

Nos Correios, podem ser realizadas a regularização cadastral e a alteração de dados como data de nascimento, endereço, nome da mãe e gênero. Para pedir a inscrição no cadastro, os cidadãos maiores de 18 anos e menores de 70 anos devem apresentar título de eleitor, alistamento eleitoral, protocolo de inscrição e/ou certidão da Justiça Eleitoral, atestando a não obrigatoriedade do alistamento.

De posse desses documentos, basta comparecer em uma agência, solicitar o serviço e pagar uma taxa de R$ 7. O solicitante já sai com o número do CPF ou com as alterações no cadastro concluídas. O serviço está disponível para qualquer pessoa física ou órgãos públicos com contrato a faturar com os Correios, para atendimento aos cidadãos que não têm condições de pagar pelo serviço.

De posse desses documentos, basta comparecer em uma agência, solicitar o serviço e pagar uma taxa de R$ 7. O solicitante já sai com o número do CPF ou com as alterações no cadastro concluídas. O serviço está disponível para qualquer pessoa física ou órgãos públicos com contrato a faturar com os Correios, para atendimento aos cidadãos que não têm condições de pagar pelo serviço.

O CPF devidamente atualizado, além de obrigatório para a emissão da nova CIN, também é exigido de todos os trabalhadores sem carteira assinada que queiram se inscrever para receber o auxílio emergencial do Governo Federal.

CIN – O CPF é um documento muito importante na vida de qualquer brasileiro. É um número único e intransferível, utilizado pela Receita Federal para fins tributários, mas que, também, tem um amplo uso em organizações públicas e privadas.

De acordo com o Decreto nº 10.977/2022, a nova carteira de identidade vai utilizar o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como registro geral, único e válido para todo o país, com validações biográficas e biométricas, antes da emissão do documento. Todas as regras estão dispostas no site dos Correios.

Fonte: Ascom/Correios

INFONET

Economia melhora, mas herança para o próximo presidente não será animadora

Publicado em 17 de setembro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge: a economia em Caxias | Pioneiro

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Olhando os grandes números, parece mesmo que a economia brasileira passa por um bom momento: a inflação desacelera, o crescimento aumentou no segundo semestre, deixando um embalo para o final do ano, a taxa de desemprego caiu, e não há dificuldades nas contas externas.

Comparando com a situação e as expectativas do início deste ano, o ambiente é claramente melhor. Mas não dá para concluir que isso tudo deixará uma boa herança para o próximo presidente.

PREÇOS AO CONSUMIDOR – Começando pelos preços ao consumidor. Pelo IPCA de agosto, ano que fica abaixo dos dois dígitos. Governo e mercado esperam desaceleração lenta, porém consistente para os próximos meses.

Essa expectativa faz sentido porque, depois de várias tentativas, finalmente temos uma legislação que garante a independência do Banco Central (BC). Isso permite que a instituição pratique uma política monetária de juros muito elevados mesmo em pleno ciclo eleitoral.

Mais ainda: pela nova lei, o mandato do presidente da República não coincide com o do presidente do BC. O atual chefe da instituição, Roberto Campos Neto, tem mandato até 2024 — e isso significa que a política monetária será mantida nos próximos dois anos. A expectativa dominante sugere que a inflação chegará à meta (3%) somente em 2024, depois de três anos seguidos de estouros.

ÓBVIA DIFICULDADE – No médio termo, está bom, mas em termos políticos há uma óbvia dificuldade. A inflação vem sendo derrubada a golpes de juros muito elevados — ou de uma política muito restritiva, como têm repetido os diretores do BC.

“Restritiva” quer dizer uma política que restringe investimentos e consumo. Fica muito caro tomar financiamento para qualquer coisa. Isso limita programas de expansão da atividade e do emprego, que constam da propaganda dos candidatos. Nenhum deles disse até agora como agirá diante de juros tão elevados por tanto tempo.

Outra dificuldade econômica e política está no elevado endividamento das famílias. Na propaganda eleitoral, as dívidas serão perdoadas, negociadas, reduzidas — enfim, aliviadas. Como? Ou não há respostas ou há explicações fantasiosas, que colocam no mesmo saco desde dívidas tributárias até carnês em atraso. Não funciona, muito menos enquanto os juros permanecerem elevados. Há aí, portanto, uma séria restrição ao crescimento econômico.

INFLAÇÃO DESIGUAL – Tem mais. Como tudo no Brasil, a inflação também é desigual. Quem encheu o tanque em agosto pagou menos do que no mês anterior. Quem pegou avião também gastou menos. Mas quem foi ao supermercado comprar alimentos pagou muito mais.

Em 12 meses, a inflação de alimentos alcançou 13,43%, bem acima do índice médio. Preços de comida estão agora subindo menos, mas subindo.

Para ficar nos combustíveis, a queda se deve basicamente à redução de impostos, que arruína a receita de estados e municípios. De algum modo, essa receita terá de ser reposta no ano que vem — já que as despesas não caíram. Logo haverá uma conta para o contribuinte, a ser cobrada pelos novos governantes.

CRESCIMENTO BAIXO – Visto de perto, portanto, 2023 estará assim: inflação caindo, mas ainda pesando no bolso, convivendo com juros elevados para empresas e famílias, a maior parte destas endividadas. Não há como acelerar o crescimento nessas circunstâncias.

A menos que o governo federal coloque um monte de dinheiro novo na economia. Não há esse dinheiro. Ao contrário, o governo Bolsonaro estourou o teto de gastos várias vezes e deixará buracos espalhados para os próximos anos. Fatal. Consequência da política de cortar impostos e distribuir “bondades” sem reduzir despesas. No máximo, adiaram despesas deste para os próximos anos, um baita problema para o sucessor.

Não acabou: o mundo desenvolvido está muito perto de uma recessão (com juros altos), e a China, nossa principal parceira econômica, cresce cada vez menos por causa da política de Covid Zero, que coloca populações em lockdown praticamente todo mês. Isso, não se vê na campanha.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sardenberg é um craque. Neste artigo, porém, cabe um pequeno reparo. O colunista repetiu uma informação equivocada que a imprensa vem publicando frequentemente, ao afirmar que o presidente do Banco Central é indemissível. A nova legislação dá “autonomia” ao BC, porém seus dirigentes continuam passíveis de demissão pelo presidente da República, “quando apresentarem comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil”, diz a Lei complementar 179, artigo5º. Inciso IV. (C.N.)


Em destaque

Senado impõe sigilo sobre entradas de nomes ligados ao escândalo do Banco Master

Publicado em 10 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Ouvidoria do Senado é comandada por Ciro Nogueira Ra...

Mais visitadas