quarta-feira, setembro 14, 2022

Elizabeth 2ª: prisões de antimonarquistas geram preocupação sobre liberdade de expressão




Prisões de manifestantes antimonarquia ocorridas no Reino Unido após a morte da rainha Elizabeth 2ª são "profundamente preocupantes", advertem defensores da liberdade de expressão.

Por Christy Cooney e George Bowden   

A polícia da Escócia prendeu duas pessoas nos últimos dias, enquanto um homem foi detido e liberado na sequência em Oxford, na Inglaterra.

As prisões ocorreram em eventos para marcar a morte da rainha e para proclamar o reinado do rei Charles 3º.

Em Londres, onde as filas já começam a se formar para o velório da monarca, a Metropolitan Police, a polícia londrina, afirma que as pessoas "têm o direito de protestar".

No domingo (11/09), uma mulher de 22 anos foi acusada de perturbação da ordem pública após ser presa durante uma proclamação de ascensão do rei Charles do lado de fora da Catedral de St Giles, em Edimburgo.

Mais tarde, ela foi libertada, e deverá comparecer à justiça em uma data posterior.

No mesmo dia, Symon Hill, de 45 anos, foi detido por suspeita de ofensa à ordem pública depois de gritar "quem o elegeu?" durante outra proclamação de ascensão em Oxford, na Inglaterra.

A polícia de Thames Valley informou que ele foi liberado mais tarde e estava colaborando com os policiais "voluntariamente".

Na segunda-feira (12/09), um homem de 22 anos foi preso por perturbação da ordem pública depois de supostamente incomodar o príncipe Andrew, filho da rainha, enquanto a procissão real se deslocava ao longo da avenida Royal Mile de Edimburgo.

Ruth Smeeth, executiva-chefe do Index on Censorship, afirma que as prisões são "profundamente preocupantes".

"Devemos nos proteger contra este evento ser usado, por acaso ou de propósito, para corroer de alguma forma a liberdade de expressão que os cidadãos deste país desfrutam."

Silkie Carlo, diretora da Big Brother Watch, diz que os policiais tinham o "dever de proteger o direito das pessoas de protestar tanto quanto têm o dever de viabilizar o direito das pessoas de expressar solidariedade, tristeza ou prestar suas homenagens".

Jodie Beck, oficial de políticas e campanhas da Liberty, destaca que é "muito preocupante ver a polícia aplicando seus amplos poderes de maneira tão opressiva e punitiva".

"Protesto não é um presente do Estado, é um direito fundamental", diz ela.

'A expectativa é de que um grande número de pessoas se reúna na capital na próxima semana'

Também na segunda-feira, um manifestante segurando um cartaz dizendo "não é meu rei" do lado de fora do parlamento, antes da chegada do monarca ao Westminster Hall, foi retirado pela polícia.

A Metropolitan Police disse que um membro do público havia sido convidado a se retirar do lado de fora do Palácio de Westminster "para viabilizar o acesso de veículos e a saída pelos portões", mas não havia sido preso ou convidado a deixar a área mais ampla.

A Metropolitan Police também respondeu a um vídeo que circula nas redes sociais no qual se ouve um oficial pedindo os detalhes de um homem que havia segurado um pedaço de papel em branco e manifestado a intenção de escrever "não é meu rei".

Escuta-se o oficial — que seria de outra força enviada para reforçar a Metropolitan Police — dizendo que a mensagem "pode ​​ofender as pessoas".

"O público tem totalmente o direito de protestar, e temos deixado isso claro para todos os policiais envolvidos na operação extraordinária de policiamento atualmente em andamento", diz uma declaração do vice-comissário, Stuart Cundy.

Cerca de 1,5 mil militares vão trabalhar ao lado de policiais e comissários civis para gerenciar o grande número de pessoas que devem se reunir em Londres na próxima semana.

O novo comissário da Metropolitan Police, Mark Rowley, disse que seu efetivo enfrenta um "grande desafio".

"Teremos um evento seguro, mas vamos colocar milhares de policiais nisso por causa do nível de segurança exigido e das milhões de pessoas que querem prestar suas homenagens", afirmou.

O porta-voz da primeira-ministra britânica, Liz Truss, não quis comentar sobre prisões individuais, mas disse: "Mais amplamente, obviamente, este é um período de luto nacional para a maioria, a vasta maioria do país".

"Mas o direito fundamental de protestar continua sendo a pedra angular da nossa democracia."

BBC Brasil

Eleições 2022: contagem de votos pelo Exército seria incomum e preocupante, alertam observadores




Observadores internacionais reagiram com surpresa e preocupação à possibilidade de que as Forças Armadas tentem fazer uma contagem dos votos das eleições presidenciais de outubro por meio de uma amostragem de Boletins de Urna, os recibos que cada máquina eleitoral emite com o total de votos para cada candidato armazenados ali.

Por Mariana Sanches e Mariana Schreiber, em Washington (EUA) e Brasília

Todos os especialistas disseram que esse tipo de ação militar é "inusual" e reafirmaram que a instituição brasileira responsável por proclamar o resultado do pleito é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que goza da "confiança internacional" na tarefa.

A BBC News Brasil conversou com integrantes de três organismos internacionais que já têm ou terão equipes em território brasileiro para acompanhar a eleição de 2022. Dois dos especialistas, no entanto, pediram para que suas identidades não fossem reveladas, para que suas opiniões não atrapalhem o trabalho de observação desenvolvido pelas equipes.

"Não existe nenhuma lei brasileira que outorgue às Forças Armadas o poder de fazer qualquer contagem de votos. Os militares têm, sim, um importante papel logístico, na distribuição das urnas pelo território brasileiro. Cada instituição cumpre a sua função. Convidamos todos os atores políticos no Brasil a aceitarem democraticamente os resultados que serão anunciados pelo único órgão que pode fazê-lo, o TSE", afirmou à BBC News Brasil Daniel Zovatto, diretor para América Latina e Caribe do International Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA).

Zovatto comandará pessoalmente uma equipe de analistas no país em outubro. Além do IDEA, observam o pleito no Brasil funcionários da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Parlamento do Mercosul (Parlasul), do Carter Center, do International Foundation for Electoral Systems (Ifes) e da Rede Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Bolsonaro já afirmou não confiar nas urnas eletrônicas, embora admita não ter qualquer prova sobre fraude eleitoral

Em reportagem publicada nesta segunda-feira (12/9), o jornal Folha de S.Paulo afirmou que as forças pretendem enviar representantes militares para 385 seções eleitorais, nas quais esses oficiais comparariam o Boletim de Urna impresso no local com as informações disponibilizadas pelo TSE. Ainda segundo a reportagem, os votos seriam contabilizados para tentar aferir, de modo amostral, o resultado da eleição.

A BBC News Brasil perguntou às Forças Armadas se existe, de fato, a intenção de fazer essa checagem a partir dos boletins de urna, qual seria a justificativa e o gasto público para tal ação. O Centro de Comunicação Social do Exército encaminhou a reportagem para o Ministério da Defesa.

Em nota, a Defesa negou que tenha pedido acesso ampliado a informações eleitorais e não informou se pretende ou não fazer checagem amostral do resultado eleitoral.

"As Forças Armadas têm atuado como uma das entidades fiscalizadoras (...), não demandam exclusividade e tampouco protagonismo em nenhuma etapa ou procedimento da fiscalização do sistema eletrônico de votação e permanecerão pautando a sua atuação pela estrita observância da legalidade, pela realização de um trabalho técnico e pela colaboração com o TSE", dizia o texto.

Já o TSE negou que os militares terão qualquer tipo de acesso privilegiado ou adicional aos votos. Os Boletins de Urna, recibos impressos por cada uma das máquinas onde se deposita os votos, já são públicos atualmente e estiveram disponíveis para que eleitores e partidos políticos verifiquem os dados e façam suas próprias contagens nas eleições recentes. Em 2022, os Boletins de Urna também serão disponibilizados pelo TSE online.

"O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa, em relação à apuração das eleições 2022, que não houve nenhuma alteração do que foi definido no primeiro semestre, nem qualquer acordo com as Forças Armadas ou entidades fiscalizadoras para permitir acesso diferenciado em tempo real aos dados enviados para a totalização do pleito eleitoral pelos TREs, cuja realização é competência constitucional da Justiça Eleitoral", afirmou o TSE em nota.

Cuba e Venezuela

A possibilidade da recontagem por amostragem das Forças Armadas ocorre, no entanto, em meio a uma escalada de tensões envolvendo os militares, o presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição, e a Justiça Eleitoral.

"O pior cenário para o Brasil é uma divergência entre as forças armadas e as forças civis em relação ao resultado do pleito", afirma um dos especialistas eleitorais, com experiência em acompanhar pleitos em toda a região. "Talvez os únicos países das Américas em que tenhamos o Exército desempenhando esse tipo de papel sejam Cuba e Venezuela", completou.

Bolsonaro já afirmou não confiar nas urnas eletrônicas, embora ele mesmo admita não ter qualquer prova sobre fraude eleitoral. Ele tem estimulado as Forças Armadas a enviar questionamentos e sugestões ao TSE. O órgão respondeu a todas: acatou algumas das recomendações e descartou outras.

Em abril deste ano, o atual mandatário chegou a sugerir que os militares deveriam fazer sua própria contagem de votos, e não que se esperasse o resultado proclamado "por meia dúzia de técnicos" em uma "sala secreta" do tribunal eleitoral.

"Uma das sugestões é que, esse mesmo duto que alimenta na sala secreta os computadores (do TSE), seja feita uma ramificação um pouquinho à direita para que tenhamos do lado um computador também das Forças Armadas para contar os votos no Brasil", disse Bolsonaro.

"O presidente brasileiro tem denunciado de maneira infundada o processo. Tem dito que a eleição não é segura, que o TSE não é imparcial. Vemos com muita preocupação esse tipo de fala, porque pode levar a um aumento da tensão política, ao não reconhecimento do resultado, o que seria muito grave. Já vimos com Trump o que pode acontecer", afirmou Zovatto.

Segundo outro especialista internacional, a preocupação com a repetição no Brasil de um episódio semelhante à invasão do capitólio dos EUA, em 6 de janeiro de 2021, tem escalado na comunidade internacional.

"Desde o primeiro semestre, estamos trabalhando com o TSE para as observações eleitorais, justamente para garantir transparência à decisão do povo brasileiro. As Forças Armadas não são os garantidores do processo eleitoral. Não é assim que as coisas funcionam", afirmou o especialista ouvido pela BBC que tem no currículo observações em países com alta tensão política, como o Haiti.

A quem interessa?

Ao menos dois dos especialistas apontaram que a eventual amostragem dos militares não é capaz de aferir a correção da apuração de votos pelo TSE. Isso porque seria necessário fazer uma coleta dos dados levando em conta critérios sociodemográficos, geográficos e culturais, para garantir que os eleitores representem o perfil do eleitorado brasileiro na totalidade e que os votos não estejam concentrados entre um ou outro candidato.

'Especialistas reafirmam que a instituição brasileira responsável por proclamar o resultado do pleito é o TSE'

"A única coisa que poderia ser verificada ali pelos militares seria a zerésima dessas urnas, que mostra que não havia votos depositados nelas antes do início da votação, e a coincidência entre os dados impressos e os indicados pelo TSE. Não há como recontar votos com esse tipo de amostra", diz um deles.

Para os especialistas internacionais ouvidos pela BBC, chama a atenção que Bolsonaro, um egresso das fileiras do Exército, com um candidato a vice que é general da reserva, e atrás na disputa de acordo com as pesquisas de intenção de voto, conte com as Forças Armadas para endossar dúvidas e inseguranças em relação às eleições.

"É compreensível que pessoas comuns, que consomem informação falsa na internet, possam ter alguma confusão quanto ao processo eleitoral. Mas o que explica que uma das instituições do Estado brasileiro queira patrocinar esse tipo de dúvida contra um processo dirigido por outra parte do Estado?", questionou um dos observadores.

Para outro, tal atuação dos militares alimenta na população a percepção de que eles são "politicamente motivados", quando constitucionalmente deveriam ser agentes neutros, "desinteressados". "Pior ainda se pensarmos que, historicamente, a ditadura militar é um evento recente no Brasil", disse, em referência ao período entre 1964 e 1985.

Observadores domésticos também criticam

Brasileiros especialistas no tema também criticaram eventual envolvimento das Forças Armadas em uma apuração paralela dos votos e consideram que não cabe aos militares nem mesmo fazer alguma contabilização a partir dos boletins de urnas que estarão disponíveis publicamente.

Eles lembram que isso já é feito por outros atores, como partidos políticos, acadêmicos e movimentos sociais.

"Eu sempre achei que é suficiente a participação dos outros órgãos, das outras entidades em fiscalização. Não há necessidade das Forças Armadas. E as Forças Armadas não podem exercer papel político", criticou o advogado Alberto Rollo, especializado em direito eleitoral.

Para o estudioso das Forças Armadas Juliano Cortinhas, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), os militares deveriam se ater a sua função constitucional de proteger o país de ameaças externas. Como portadores do arsenal bélico do país, os militares não deveriam sustentar qualquer opinião política, já que podem coagir os civis no processo.

"As Forças Armadas não deveriam nem estar sendo recebidas pelo TSE. Elas não podem participar de processos internos porque elas são o braço armado. Quem vai desafiar os blindados e os tanques das Forças Armadas se elas se posicionarem e fecharem o Congresso? É muito grave que o braço armado do Estado esteja querendo participar do processo de apuração das eleições. Ao se posicionar em questões políticas internas, se tornam uma ameaça", disse Cortinhas.

Cortinhas ressalta ainda que, nesta eleição, as Forças Armadas estão diretamente envolvidas na candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, que é ex-capitão do Exército e escolheu como candidato a vice-presidente o general da reserva Braga Netto. Na sua avaliação, é mais um motivo para que os militares não atuem na apuração dos votos.

"As Forças Armadas não são imparciais, não estão se comportando como uma força do Estado. Estão se comportando como um órgão político que tem interesse no resultado da eleição. E quem tem interesse para o resultado da eleição não pode participar do processo de apuração", defendeu o professor da UnB.

Apesar de criticarem o envolvimento das Forças Armadas, Rollo e Cortinhas veem baixo risco de isso gerar questionamentos sobre o resultado da eleição de outubro, caso os militares se limitem a checar os boletins das urnas divulgados publicamente pelo TSE.

Esses boletins têm justamente a finalidade de assegurar que os votos depositados na urna serão idênticos aos contabilizados no TSE, já que permitem que qualquer pessoa compare o boletim que é impresso ao final da votação em cada sessão eleitoral com os votos que foram transmitidos no sistema da Justiça Eleitoral. Isso impede que haja alguma fraude durante a transmissão ou contabilidade dos votos.

Referência no estudo da segurança das urnas eletrônicas, o professor Diego Aranha, que atualmente leciona no Departamento de Computação da Universidade de Aarhus (Dinamarca), também considera baixo o risco de questionamentos do resultado eleitoral a partir de eventual contagem dos militares com algumas centenas de boletins de urnas.

Como esses dados são públicos, nota Aranha, eventual contabilização das Forças Armadas poderá ser checada por terceiros.

"Não vejo risco porque terão que fazer isso em público, e vai ficar evidente que a interpretação é equivocada (caso distorçam os resultados)", destacou.

Ele ressalta, como também apontaram os observadores eleitorais internacionais, que eventual contabilização de votos a partir de uma amostra de 385 urnas não terá rigor científico para servir de referência para o resultado oficial.

"A amostra de 385 boletins serve no máximo para verificar a transmissão correta dos resultados, mas naturalmente não serve para totalização paralela (ser somada e comparada com o resultado oficial). Para isso, entendo que a amostra teria que ser muito mais cuidadosa e estratificada por estados, já que a diferença entre candidatos muda muito de uma região para outra", explicou por escrito à BBC News Brasil.

BBC Brasil

Avanços da Ucrânia aumentam pressão por tanques alemães




Partidos da coalizão se juntam ao coro da oposição para que governo alemão envie mais armamento a Kiev, como ajuda na retomada de territórios. Chanceler federal Olaf Scholz e ministra da Defesa seguem inflexíveis.

Por Ben Knight

Os grandes avanços da Ucrânia contra os invasores russos nos últimos dias aumentaram a pressão sobre o governo alemão para enviar aos militares ucranianos tanques Leopard 2 de última geração.

Os equipamentos, construídos pela empresa de armas Krauss-Maffei Wegmann, com sede em Munique, poderiam ser vitais para apoiar as tropas que libertam as regiões do leste da Ucrânia, de acordo com Rafael Loss, especialista em defesa do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

"As equipes que tripulam os tanques ucranianos mostraram que são capazes de conduzir uma guerra de manobra e operações combinadas de forma muito eficaz", disse Loss à DW.

Segundo o especialista, os avanços da Ucrânia no campo de batalha foram alcançados coordenando "tanques com veículos blindados com apoio de artilharia para perfurar as defesas russas, identificar fraquezas e explorá-las, movendo forças rapidamente". 

"E é isso que a Ucrânia terá que fazer nos próximos meses e, talvez, no próximo ano para libertar as partes ocupadas de seu território". Segundo ele, a artilharia é apenas uma peça desse quebra-cabeça.

Políticos pedem envio de tanques

Membros de partidos da coalizão que governa a Alemanha se juntaram ao coro de demandas da oposição dirigidas ao chanceler federal, Olaf Scholz, e à ministra da Defesa, Christine Lambrecht.

"Gostaria que o chanceler mudasse sua linha", disse a presidente do Comitê de Defesa do Bundestag (Parlamento alemão), Marie-Agnes Strack-Zimmermann, do Partido Liberal Democrático (FDP), uma das legendas que compõem a coalizão de governo.

A entrega de tanques Leopard e mais veículos de combate de infantaria Marder foi "incrivelmente importante e deve acontecer imediatamente", disse em entrevista à emissora pública ARD na manhã desta segunda-feira.

Segundo Strack-Zimmermann, numa situação de guerra como esta "os sucessos da Ucrânia só podem ser sustentados se eles tiverem as armas de que precisam".

Até membros do Partido Verde, segunda maior sigla da coalizão governamental e até 2021, contrário ao aumento das exportações de armas alemãs para o exterior, têm pedido mais ajuda militar para a Ucrânia. "Todo mundo no governo sabe que seria possível mais", disse o colíder verde Omid Nouripour ao jornal Augsburger Allgemeine.

'Ministra da Defesa alega temer desabastecimento da Bundeswehr'

Resistência de Berlim

Apesar disso, o governo alemão segue inflexível. Em evento organizado pelo Conselho Alemão de Relações Exteriores na manhã desta segunda-feira, Lambrecht disse que a Alemanha tem inerentemente um papel de liderança na Europa.

No entanto, também lembrou que seu primeiro dever como ministra da Defesa é garantir que a Bundeswehr (Forças Armadas alemãs) esteja equipadas o suficiente para defender o país.

"Não é tão simples dizer: vou arriscar não podermos nos defender entregando, tudo. Não, não vou fazer isso. Mas temos outras possibilidades, da indústria, com nossos parceiros."

Lambrecht admitiu que treinar soldados ucranianos para lutar com tanques Leopard 2 levaria semanas, enquanto as entregas de tanques soviéticos, como os usados ​​em outros países do Leste Europeu, poderiam ser feitas imediatamente.

Ela acrescentou que todas as decisões sobre as exportações de armas seriam tomadas em coordenação com aliados da Otan, especialmente os Estados Unidos e o Reino Unido.

"É um processo", disse Lambrecht. "Continuar falando sobre o que está sendo entregue e, assim, deixar Putin saber o que está por vir, talvez não seja a ideia mais inteligente."

Garantir a sobrevivência da Ucrânia

Mas há contra-argumentos para todos os pontos de Lambrecht, diz o especialista em defesa Rafael Loss. "É mais uma questão de vontade do que de restrições formais ou informais que estão sendo impostas ao governo alemão por aliados ou pela situação na Ucrânia. Minha impressão é que Christine Lambrecht e Olaf Scholz estão procurando novas razões para não fazer determinada coisa."

O próprio secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, reiterou no fim de semana que a sobrevivência da Ucrânia é, atualmente, mais importante do que garantir que os estoques militares da aliança militar estejam cheios.

"É claro que isso prejudicaria as próprias capacidades da Bundeswehr e atrapalharia os planos de treinamento para novas tripulações de tanques, mas é uma decisão política", afirma Loss.

Tanques em estoque

Além disso, a Alemanha está numa posição excepcionalmente importante para liderar o fornecimento de tanques para a Ucrânia, em parte porque tanto a Bundeswehr quanto a indústria alemã têm alguns disponíveis em estoque.

Fora isso, atualmente também existem cerca de 2 mil desses tanques – em várias configurações e estados de prontidão – em uso ​​por outros 12 exércitos europeus, o que significa que o fardo pode ser compartilhado entre esses países.

Se os tanques Leopard 2 fossem disponibilizados agora, ainda assim levaria pelo menos dois meses para estarem prontos para a batalha e nas linhas de frente no leste da Ucrânia. Mas o uso dos tanques nos próximos meses de inverno pode ser crítico, explicou Loss.

Apesar de concordar que existam preocupações legítimas sobre equipamentos militares de ponta – como o Leopard 2 – caírem nas mãos da Rússia, de qualquer maneira, são as versões mais antigas dos tanques que estão mais prontamente disponíveis, lembra Loss.

Embora poucos no poder digam isso abertamente, para muitos críticos a relutância do governo alemão em enviar o Leopard 2 é mais para evitar a ótica desagradável de tanques russos enfrentando diretamente tanques alemães.

Deutsche Welle

‘Voto útil’ para quem?




Lula defende que eleitores de outros candidatos votem nele para derrotar Bolsonaro no 1.º turno; esse voto é ‘útil’ para o petista, mas não é necessariamente bom para a sociedade

O candidato Lula da Silva não quer apenas ganhar a eleição em outubro; ele quer ser eleito no primeiro turno, o que seria uma façanha inédita para o PT após mais de 30 anos de disputas pela Presidência. Nos últimos dias, aumentou a pressão da campanha de Lula pelo chamado “voto útil”. A questão é: o “voto útil” no petista, já no primeiro turno, é útil para quem, afinal? Para Lula, obviamente, é. No entanto, para o conjunto da sociedade, esse desfecho não é necessariamente bom. 

O “voto útil” é aquele que o eleitor escolhe dar, no primeiro turno, não a seu candidato preferido, mas àquele que é visto como mais capaz de derrotar o candidato que esse eleitor repudia. Assim, o “voto útil” aceleraria a derrota do candidato indesejado, impedindo-o de chegar ao segundo turno. Considerando-se que o segundo turno é uma outra eleição, em que há apenas dois postulantes em condições praticamente iguais de disputa, é possível que muitos eleitores escolham evitar que o candidato que repudiam tenha essa chance de vencer.

Trata-se de um raciocínio válido, é claro – afinal, o eleitor é livre para estabelecer suas prioridades na hora de votar. O problema é que esse “voto útil” entra no balaio de votos do candidato vencedor como se fosse um aval às suas propostas de governo, e isso não é necessariamente verdadeiro. Aliás, é provavelmente falso, uma vez que o “voto útil” em geral é dado não pelo que o candidato propõe, mas exclusivamente por sua capacidade de derrotar o oponente que o eleitor não quer ver na Presidência. Vota-se, portanto, no “mal menor” – que, malgrado seja “menor”, não deixa de ser “mal”.

Ademais, e isso talvez seja o mais importante, o eleitor que vota no primeiro turno como se estivesse no segundo, ou seja, antecipando uma escolha que não precisa ser feita neste momento, desperdiça o voto que poderia servir para robustecer a oposição. Isso é crucial numa democracia: o candidato derrotado é tão relevante quanto o que vence, pois é do derrotado que se espera o exercício da oposição. Sem oposição forte, o governo se sente à vontade para governar somente para aqueles que o elegeram, e não para o conjunto da sociedade. Quanto mais votos essa oposição tiver, mais a sociedade ganha.

Por fim, é uma grosseira falácia atribuir a Lula da Silva a missão de “salvar a democracia”, isto é, impedir a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, que representaria uma suposta ameaça às liberdades democráticas e à estabilidade do País. Ora, se a democracia depende de Lula da Silva para ser “salva”, estamos mal – afinal, como pode alguém se dizer salvador da democracia e ao mesmo tempo manifestar admiração por ditadores latino-americanos, tratando-os carinhosamente como “companheiros”?

O objetivo de Lula com essa campanha pelo voto útil é “liquidar a fatura”, como dizem seus apoiadores, já no próximo dia 2. Recentes pesquisas de intenção de voto têm mostrado que a distância que separa o petista de Bolsonaro não é mais tão confortável como há alguns meses. Mas uma coisa é a tática eleitoral de Lula; outra, muito diferente, é o interesse da sociedade.

Recentemente, Lula afirmou no Twitter que ele “não tem por que ter vergonha de ganhar no primeiro turno”, afinal, “se quem tem 5% (de intenções de voto) sonha em ter 40%, por que quem tem mais de 40% não pode sonhar em ter mais um pouquinho e ganhar no primeiro turno?”.

Lula pode sonhar com o que quiser. A bem da verdade, qualquer candidato a cargo majoritário deve almejar ser eleito no primeiro turno. É um truísmo. O ponto é que a Constituição não prevê eleições majoritárias em dois turnos por acaso. Trata-se de um sistema que visa ao amadurecimento democrático, evitando escolhas plebiscitárias a priori.

Neste ano, não há apenas dois, há dez candidatos à Presidência. E nenhum deles tem um voto sequer antes da abertura das urnas. Pesquisas de intenção de voto aferem nada além disso – a intenção dos eleitores num dado momento. Fossem atestados fiéis da vontade da maioria, nem precisaria haver eleições, bastaria encomendar pesquisas. É tempo de reflexão, e não de pressa.

O Estado de São Paulo

A contraofensiva ucraniana - Editorial




Se é possível vislumbrar o fim da guerra, ele ainda está distante, e a humilhação de Putin desencadeia novos riscos

Nos últimos dias, uma contraofensiva há muito esperada, mas ainda assim surpreendente, sinaliza que a Ucrânia pode estar mudando a maré da guerra.

Por semanas os ucranianos têm combatido intensamente no sul, obrigando os russos a enviarem reforços, enquanto no leste se mantinha uma guerra de atrito. Mas, em poucos dias, um ataque surpresa dos ucranianos no leste conseguiu recuperar oficialmente 3 mil km² – algumas estimativas sugerem 8 mil km², mais do que a Rússia conquistou em meses.

É o momento mais importante do conflito desde que os russos foram obrigados a uma retirada humilhante no norte, em abril, após suas incursões nos arredores de Kiev. Desde então, a Rússia asseverava que seu objetivo era dominar os territórios de Luhansk e Donetsk, no leste. Mas as recentes conquistas ucranianas praticamente inviabilizaram essa meta.

A pressão ucraniana no sul, combinada com a contraofensiva no leste, impõe à Rússia um dilema. A prudência exigiria enviar tropas a Luhansk para assegurar uma linha defensiva. Mas isso implicaria vulnerar posições em Kherson e Donetsk. A campanha ucraniana parece projetada para pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, com tal dilema, e tirar proveito disso.

A retirada caótica dos russos sugere um moral baixo, esgotamento de recursos e confusão na liderança militar. Ao mesmo tempo, o sucesso ucraniano mostra que a cooperação com os serviços de inteligência ocidentais e o emprego de armas como os mísseis de longa distância americanos estão produzindo os efeitos desejados.

A contraofensiva permite pela primeira vez vislumbrar o fim da guerra. Mas esse desfecho ainda está distante. Os russos têm condições de reagrupar as forças em uma linha de defesa no nordeste e conduzir contra-ataques. Além disso, a pressão sobre Putin implica riscos para os quais é preciso estar alerta.

Já estão circulando críticas severas de ultranacionalistas russos que desejavam uma ação mais agressiva. Como sempre na história da Rússia, Putin conta com o inverno. Ele pode cortar ainda mais os suprimentos de energia para a Europa, na expectativa de provocar tumultos sociais e pressionar aqueles que apoiam a Ucrânia. Além disso, desde o princípio ele advertiu que poderia empregar armas químicas e nucleares. Isso poderia infectar o território russo e mesmo territórios da Otan.

Os líderes ocidentais, especialmente europeus, precisam deixar claro que quaisquer manobras nesse sentido transformarão Putin incondicionalmente em um pária. Além de mais armas para os ucranianos, eles precisam acelerar seus planos de contingência para abastecer reservas de energia, distribuir ajuda à população atemorizada com a escalada do custo de vida e investir em comunicação pública para esclarecer a essa população que os sacrifícios valem a pena. Uma vitória de Putin convidaria a novas agressões na Europa.

Os riscos são altos. Mas, pelo momento, após um ano sombrio, as imagens da debandada dos soldados russos e dos abraços dos ucranianos libertados devem ser tomadas por aquilo que são: ótimas notícias.

O Estado de São Paulo

Guerra da Ucrânia: como as recentes derrotas russas impactam Putin




Após seis meses de guerra, ainda não se sabe o que o presidente russo fará a seguir

Por Steve Rosenberg, na Rússia

Normalmente se espera que o principal programa semanal de notícias da TV estatal da Rússia alardeie os maiores sucessos do governo.

Porém, a mais recente edição dominical da atração televisiva abriu com uma rara admissão.

"Na linha de frente da operação especial [na Ucrânia], esta foi a semana mais difícil até agora", declarou com aparência sombria o âncora Dmitry Kiselev.

"Ela foi particularmente difícil na frente de Kharkiv onde, após um ataque das forças inimigas que superavam em número as nossas, as tropas [russas] foram forçadas a deixar as cidades que haviam libertado anteriormente."

Onde diz "libertado", leia-se "tomado". O governo de Moscou ocupou essas áreas meses atrás — mas, após uma contra-ofensiva relâmpago do exército ucraniano, os militares russos perderam um território considerável no nordeste do país.

Ainda assim, a mídia estatal russa está colocando um tom de bravura nos fatos. Oficialmente, o que aconteceu na região de Kharkiv não está sendo retratado por aqui como um "retirada".

"O Ministério da Defesa descartou os rumores de que tropas russas fugiram em desgraça de Balakliya, Kupiansk e Izyum", afirmou a última edição do jornal do governo, Rossiyskaya Gazeta. "Eles não fugiram. Este foi um reagrupamento previamente planejado."

No tablóide Moskovsky Komsomolets, um analista militar apresenta uma visão diferente: "Já está claro que subestimamos o inimigo. [As forças russas] demoraram muito para reagir e veio o colapso... Como resultado, sofremos uma derrota e tentamos minimizar as perdas retirando nossas tropas para que elas não fossem cercadas."

Essa "derrota" provocou raiva em canais de mídia social pró-Rússia e entre blogueiros russos "patrióticos", que acusaram os militares de cometer erros.

Um discurso parecido foi adotado pelo poderoso líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov.

"Se hoje ou amanhã nenhuma mudança na estratégia for feita", advertiu Kadyrov, "serei forçado a falar com a liderança do Ministério da Defesa e a liderança do país para explicar a situação real no terreno a eles."

Já se passaram mais de seis meses desde que Vladimir Putin ordenou uma invasão em grande escala da Ucrânia. Nos dias que se seguiram, políticos, comentaristas e analistas russos na TV local previam que a "operação militar especial" seria encerrada em poucos dias, que o povo ucraniano saudaria as tropas russas como libertadoras, e que o governo da Ucrânia entraria em colapso como um castelo de cartas.

Mas nenhuma dessas previsões aconteceu de fato.

Em vez disso, mais de seis meses depois, o exército russo vem perdendo terreno.

Daí vem uma pergunta-chave: tudo isso terá alguma consequência política para Vladimir Putin?

Putin tem, por mais de 20 anos dentro da elite russa, gozado da reputação de ser um vencedor por sempre conseguir se desvencilhar das situações mais complicadas — quase como se fosse invencível.

Muitas vezes, ele se assemelha ao famoso ilusionista Harry Houdini. Quaisquer que fossem os nós ou correntes que o tenham amarrado, Putin parece capaz de escapar todas as vezes.

Mas isso mudou depois de 24 de fevereiro deste ano.

Os últimos seis meses sugerem que a decisão do presidente Putin de invadir a Ucrânia foi um grande erro de cálculo. Incapaz de garantir uma vitória rápida, a Rússia atolou-se em uma longa e sangrenta ofensiva e sofreu uma série de derrotas embaraçosas.

Quando a aura de invencibilidade de um líder autoritário desaparece, isso pode causar problemas para ele. Vladimir Putin conhece a história da Rússia — e ela não costuma terminar bem para os líderes do passado que travaram guerras e não as venceram.

A derrota para o Japão levou à primeira Revolução Russa de 1905. Os fracassos militares na Primeira Guerra Mundial provocaram a Revolução de 1917 e o fim do czarismo.

Publicamente, porém, o presidente Putin não tem intenção de acabar como perdedor.

Na segunda-feira (12/9), seu porta-voz Dmitry Peskov disse a jornalistas: "A operação militar especial [da Rússia] continua e continuará até que todas as tarefas inicialmente estabelecidas sejam cumpridas."

E isso nos leva à outra questão-chave: o que Putin fará a seguir?

Seria difícil encontrar alguém que saiba o que Vladimir Putin está pensando e planejando. Boa parte disso pode depender de quão precisas são as informações que ele está recebendo dos chefes militares e de inteligência.

Mas aqui estão duas coisas que sabemos: o presidente russo raramente admite ter cometido erros. E ele não costuma promover reviravoltas.

'Em Moscou, Vladimir Putin parecia relaxado ao inaugurar uma nova roda-gigante'

Pelo que a mídia estatal diz, já vemos sinais de que as falhas no campo de batalha estão sendo atribuídas ao apoio de outros países à Ucrânia.

"A Ucrânia, apoiada pela Otan, lançou uma contra-ofensiva", declarou a TV estatal russa.

Há mais uma pergunta desconfortável que está em segundo plano há meses: se Putin não conseguir a vitória por meio das armas convencionais, será que ele recorrerá ao arsenal nuclear russo?

Apenas alguns dias atrás, o chefe militar da Ucrânia, Valeriy Zaluzhnyi, alertou: "Há uma ameaça direta do uso, sob certas circunstâncias, de armas nucleares táticas pelas forças armadas russas."

Por enquanto, não há sinais públicos de pânico no governo russo. A TV estatal está soando mais positiva e tem descrito os ataques de mísseis russos à infraestrutura energética da Ucrânia como "um ponto de virada na operação especial".

Em Moscou no sábado passado — enquanto surgiam os relatos de que a Rússia estava perdendo território na Ucrânia — um Vladimir Putin de aparência relaxada inaugurava uma nova roda-gigante — a mais alta da Europa.

O presidente da Rússia parece acreditar que, assim como a nova atração de Moscou, a "operação especial" ainda rodará a seu favor.

BBC Brasil

Rússia anuncia "ataques maciços" após ofensiva ucraniana




Aviso vem após Ucrânia dizer que retomou neste mês uma área com sete vezes o tamanho de Kiev. EUA apontam "progressos significativos" dos ucranianos.

Militares russos disseram nesta terça-feira (13/09) que lançaram "ataques maciços" em todas as linhas de frente na Ucrânia, depois que as forças de Kiev fizeram avanços de território numa contraofensiva no nordeste do país, marcando a maior derrota sofrida pela Rússia desde que suas tropas foram expulsas dos arredores da capital ucraniana nos primeiros dias desses quase sete meses de guerra.

"Forças aéreas, de foguetes e de artilharia estão realizando ataques maciços contra unidades das forças armadas ucranianas em todas as direções operacionais", disse o Ministério da Defesa russo em seu briefing diário sobre o conflito.

A Ucrânia afirmou nesta segunda-feira que suas forças recuperaram ainda mais terreno nas 24 horas anteriores e retomaram neste mês uma área com sete vezes o tamanho de Kiev, enquanto a Rússia respondeu com ataques em algumas áreas recapturadas.

A retirada das tropas russas nos últimos dias atraiu moradores locais em prantos e gerou alívio em ruas cheias de crateras de bombas, inclusive na cidade estratégica, mas fortemente danificada de Izium, no domingo. "Não basta dizer que estou feliz. Simplesmente não tenho palavras suficientes para me expressar", disse Yuri Kurochka, 64 anos.

No entanto, na segunda-feira, Moscou anunciou ataques aéreos, com foguetes e de artilharia em áreas recuperadas na região de Kharkiv, um dia depois de Kiev dizer que ataques russos à infraestrutura elétrica haviam causado cortes de energia.

O fogo de retaliação ocorreu quando a Ucrânia disse que suas forças haviam retomado mais de 20 localidades adicionais, alegando que "as tropas russas estão abandonando rapidamente suas posições e fugindo".

"Seis mil quilômetros quadrados recuperados"

Kiev já havia anunciado a recaptura de Izium no leste do país, enquanto o presidente Volodimir Zelenski disse na segunda-feira que as forças da Ucrânia retomaram um total de 6 mil quilômetros quadrados do controle russo em setembro.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse nesta segunda-feira que as forças ucranianas fizeram "progressos significativos", devido à sua resiliência e ao apoio de Washington.

"É muito cedo para dizer exatamente para onde isso está indo. Os russos mantêm forças muito significativas na Ucrânia, assim como equipamentos, armas e munições. Eles continuam a usá-las indiscriminadamente não apenas contra as Forças Armadas ucranianas, mas contra civis e infraestrutura civil como vimos", disse Blinken.

"O que eles [os ucranianos] fizeram foi planejar metodicamente e, claro, aproveitar o apoio oferecido pelos EUA e outros países para colocar as mãos no equipamento necessário para levar a cabo esta contraofensiva", disse o chefe da diplomacia dos EUA.

Na semana passada, Blinken viajou para a Ucrânia para se encontrar com Zelenski, numa visita surpresa ao país, em que anunciou uma nova ajuda no valor de 2,7 bilhões de dólares.

No total, a assistência militar total dos EUA à Ucrânia aumentou para cerca de 15,2 bilhões de dólares desde o início da presidência de Joe Biden.

Moscou admitiu ter perdido território – o que os especialistas viram como um sério golpe nas ambições bélicas russas –, mas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que não há perspectiva de negociações. "A operação militar especial continua e continuará até que os objetivos originalmente estabelecidos sejam alcançados", acrescentou, usando a terminologia russa para a guerra de agressão contra a Ucrânia.

Zaporíjia desligada

Os ataques russos atingiram 15 locais no domingo, de Kramatorsk, no leste, a Mykolaiv, no sul, e Dnipro no centro do país, segundo militares da Ucrânia.

A Ucrânia já havia perdido toda a energia da usina nuclear de Zaporíjia, controlada pela Rússia e ameaçada por bombardeios desde o início da invasão. A agência de energia nuclear do país disse que o último reator ainda em funcionamento na usina – a maior central nuclear da Europa – foi desligado como medida de segurança.

Kiev e Moscou mostraram "sinais de que estão interessados" em criar uma zona de segurança ao redor da usina, disse a Agência Internacional de Energia Atômica nesta segunda-feira. "O que precisamos aqui é que a Ucrânia e a Rússia concordem com um princípio muito simples de não atacar ou não bombardear a usina", disse a repórteres o diretor-geral o órgão de vigilância atômica da ONU, Rafael Grossi.

Entretanto, mais tarde na segunda-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior da Ucrânia, Oleg Nikolenko, disse que a única maneira de "garantir a segurança nuclear da usina de Zaporíjia é sua desocupação, desmilitarização e retorno ao controle ucraniano".

"Todos os esforços da AIEA devem estar focados em alcançar esse objetivo", escreveu ele no Twitter.

Ofensiva ucraniana surpreendeu russos

A velocidade da reação da Ucrânia aparentemente pegou os militares russos desprevenidos, trazendo de volta ao domínio de Kiev partes do território que Moscou controlava há meses.

Imagens postadas pelos militares ucranianos mostraram caixas de munições e equipamentos militares espalhados por território abandonado pelas forças russas. Ao redor da cidade de Balakliya, jornalistas da agência de notícias AFP viram evidências de batalhas ferozes, com prédios destruídos ou danificados e ruas quase desertas.

As autoridades ucranianas também alegaram ter encontrado quatro corpos de civis com "sinais de tortura" no vilarejo recapturado de Zaliznychne. Moradores relataram que tropas russas mataram moradores, disse o escritório do promotor regional.

O ministro do Exterior da Ucrânia aproveitou o impulso da reação do país para pedir aos aliados ocidentais mais estoques de armas sofisticadas. "Armas, armas, armas estão em nossa agenda desde a primavera. Sou grato aos parceiros que responderam ao nosso apelo: os sucessos no campo de batalha da Ucrânia são de todos nós", disse Dmytro Kuleba.

Deutsche Welle

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