A busca continua, em meio à exploração política da tragédia
Paulo Polzonoff Jr. Gazeta do Povo
Era uma daquelas notícias simples. Tragicamente simples. O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips desapareceram na Amazônia. Numa região remota da Amazônia, talvez fosse de bom tom esclarecer logo. Num primeiro momento, a notícia deveria ser motivo de preocupação, mas também esperança. Desaparecimento não significa necessariamente morte.
Mas em cinco minutos o que era uma notícia que poderia ter um desfecho até mesmo aventuroso (“Indigenista e jornalista reaparecem na Amazônia”) foi ganhando camadas e mais camadas de imposturas e caricaturas e intrincadas teorias da conspiração.
BANDEIRA POLÍTICA – Em cinco minutos, o que era um desaparecimento se transformou em bandeira política a ser levantada por parasitas. Uns, incapazes de reconhecer a dignidade intrínseca a todas as pessoas, inclusive nossos adversários; outros, incapazes de sofrer com uma tragédia quando ela serve a seus interesses políticos.
Ah, mas o indigenista lá era petista e o jornalista era esquerdista. Eu sei. Mas isso, por acaso, os torna menos dignos? Militontos equivocados, vá lá, mas até os mais tontos dos militantes equivocados merecem ser tratados com dignidade.
Vou além: quando alguém celebra assim a morte dos adversários está implicitamente reconhecendo a inferioridade de suas ideias. Nossas ideias só são admiráveis se forem capazes de combater ideias de mesmo tamanho e peso. Não se chuta bêbado ladeira abaixo.
PREMISSAS EQUIVOCADAS – Até onde pude ver, realmente o trabalho de Bruno Pereira e Dom Phillips se baseava em premissas que julgo para lá de equivocadas. Digo mais: são premissas com um alto poder de destruição no médio e longo prazo. E digo mais ainda: são premissas assentadas num abominável instinto eugenista.
Mas nem por isso mereciam o desaparecimento e, à medida que o tempo vai passando e as esperanças vão diminuindo, a morte. Nem por isso mereciam perder a oportunidade de, quem sabe, reconhecerem o erro e se redimirem.
Do outro lado desta guerra que, no final das contas, é a milenar guerra dos homens contra suas consciências, não demorou para acusarem o presidente da República pelo sumiço dos militantes. Diante da prevalência dessa presunção da maldade, fico me perguntando como é que os antiqualquer-coisa conseguem dormir à noite se sabem que há um monstro malvadão que trabalha 24 horas por dia para, entre uma motociata e outra, derrubar uma selvazinha, atacar o STF e, aqui e ali, eliminar dois adversários políticos numa região remotíssima de uma floresta tão grande que deveria se chamar Amazoníssima.
SEMPRE PIORA – Depois da primeira semana, a esperança que resta é pouca e a polícia já tratou de encontrar um suspeito. À medida que surgem notícias horríveis, os parasitas dos cadáveres úteis botam as asinhas de fora, sem a menor preocupação com o fato de que os desaparecidos têm uma família que provavelmente jamais poderá se despedir de seus entes queridos.
Aliás, vale aqui dizer algo que é muito mais do que uma simples frase de efeito; é uma obviedade que, em tempos de polarização insana, sempre insana, se tornou conveniente esquecer: por mais politicamente equivocada que uma pessoa seja, ela sempre será querida para alguém.
Nessas horas, vale o velho e pouco praticado exercício de se colocar no lugar da mãe, esposa ou filho enlutado. Como você reagiria se seu pai desaparecesse e você jamais viesse a saber o que de fato aconteceu com ele?
NÃO HÁ CULPADOS? – E aqui ressalto que nem toda tragédia tem culpados políticos. Talvez os homens tenham caído num rio. Talvez tenham sido vítimas de uma tribo que vive isolada e para a qual não se aplicam as regras da civilização. Talvez (e apesar de toda a experiência e tecnologia) tenham se perdido. E talvez tenham sido mortos por alguma desavença menor naquele território praticamente sem lei.
“Exijo resposta”, escreveu um parasita comunista – com o perdão do pleonasmo que, além de vicioso, fede. O ministro Luís Roberto Barroso ordenou que os perdidos fossem encontrados. Na marra! “O culpado é o presidente”, escreveu alguém. Em comum, essas pessoas têm a abjeta obsessão pela política e a crença de que toda morte precisa de um algoz – coincidentemente, em geral um adversário ideológico.
PODERES MÁGICOS – Antes de encerrar o texto, fica aqui o destaque para o pensamento ultrapositivista de Barroso, que claramente acredita que sua caneta tem poderes mágicos não só para encontrar duas pessoas na imensidão verde, mas também para resolver todos os problemas da Humanidade.
Não, o problema não são pessoas equivocadas que se embrenham na mata hostil para defender a narrativa neomalthusiana do ambientalismo; o problema são mesmo essas autoridades limpinhas, que nunca viram de perto onça ou miséria, mas que se acham intelectualmente divinas (não são).
Isso, aliás, explica por que vivemos tempos que insistem em pegar uma notícia simples e triste, mas inicialmente cheia de esperança, e transformá-la numa narrativa a ser usada por publicitários na criação de um mundo odioso, onde viver é deprimentemente indesejável.
BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 15, que o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecido há 10 dias na região do Vale do Javari, no Amazonas, era “malvisto” na região por ter feito reportagens contra garimpeiros. Segundo Bolsonaro, deveria ter “redobrado atenção consigo próprio” antes de fazer uma “excursão”.
Phillips e o indigenista Bruno Pereira estão desaparecidos desde o dia 5. No último domingo, a Polícia Federal (PF) afirmou que foram encontrados uma mochila e documentos pertencentes à dupla. Na sexta-feira, a PF também informou ter encontrado “material orgânico aparentemente humano” na região.
“Esse inglês, ele era malvisto na região. Porque ele fazia muita matéria contra garimpeiro, questão ambiental. Aquela região, região bastante isolada, muita gente não gostava dele. Ele tinha que ter mais que ter redobrado atenção consigo próprio. E resolveu fazer uma excursão”, disse Bolsonaro, em entrevista à jornalista Leda Nagle, transmitida no Youtube,
O presidente ainda afirmou que, caso os dois tenham sido mortos, os corpos estariam dentro d’água.
“Pelo que tudo indica, se mataram os dois, se mataram, espero que não, estão dentro d’água. Dentro d’água, pouca coisa vai sobrar. Peixe come. Não sei se tem piranha lá no Javari”, declara
O material orgânico encontrado pela PF na semana passada foi encaminhado à perícia, mas ainda não houve resultado dos exame. A mochila estava amarrada em uma árvore, em área de igapó, terreno de mata alagada. Segundo o Corpo de Bombeiro, que encontrou o material dentro da mochila, havia um notebook, livros e roupas.
O material orgânico encontrado pela PF na semana passada foi encaminhado à perícia, mas ainda não houve resultado dos exame. A mochila estava amarrada em uma árvore, em área de igapó, terreno de mata alagada. Segundo o Corpo de Bombeiro, que encontrou o material dentro da mochila, havia um notebook, livros e roupas.
A PF também informou na noite desta terça-feira que prendeu mais um suspeito do desaparecimento da dupla. De acordo com a corporação, Oseney da Costa Oliveira, de 41 anos, conhecido como “Dos Santos”, foi detido em Atalaia do Norte, no Amazonas. Ele é irmão de Amarildo da Costa Oliveira, o ‘Pelado’, já preso temporariamente.
Segundo a PF, também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário em Atalaia do Norte. Os agentes recolheram apreenderam “alguns cartuchos de arma de fogo e um remo, os quais serão objeto de análise”.
Dos Santos é apontado como suspeito de ter participação no desaparecimento “juntamente com ‘Pelado’, que já se encontra temporariamente preso. “D Ele presta depoimento na noite desta terça-feira e, em seguida, será encaminhado para audiência de custódia na Justiça de Atalaia do Norte.
Trecho de interrogatório enviado em relatório da PF ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela que uma testemunha viu as embarcações de Bruno e Dom e, em seguida, encontrou um outro homem nominado de “Dos Santos”.
Cena do desaparecimento
A investigação policial indica que o desaparecimento pode ter ocorrido entre as comunidades São Gabriel e Cachoeira, entre 7h e 9h de domingo.
À PF, uma testemunha relatou ter visto um barco de motor 40hps ocupado por Bruno e Dom. Em seguida, a embarcação de “Pelado”, ostentando um motor de 60hps, passou na mesma direção da embarcação da dupla.
Ambos são, IGUALMENTE, Chefes de Poder de Estado (no âmbito municipal). Cada um tem a responsabilidade de zelar pela instituição que representa (Prefeitura e Câmara Municipal, respectivamente), fortalecendo-a e fazendo com que o papel da sua instituição seja cumprido com o máximo de eficiência possível.
Mas... qual dos dois “chefes” tem mais poder?
Com efeito, vivemos em uma democracia que se baseia num tripé de três poderes principais: O LEGISLATIVO, EXECUTIVO E O JUDICIÁRIO, cada qual com o seu chefe, com poderes, independência e autonomia para gerir a instituição que representa. A ideia é que cada um cumpra seu papel, mas ajudando a controlar se o outro está fazendo a sua parte, formando, assim, um sistema de “freios e contrapesos”. Dessa forma, um não deve(ria) impor a sua vontade sobre o outro, para, evitarmos uma tirania ou um regime autoritário.
Ao vereador cabe a responsabilidade de fiscalizar a atuação do Poder Executivo e propor alternativas para o desenvolvimento pleno do Município onde atua. É ele quem cobra, discute, confere, duvida, contrapõe ou apoia as ações do prefeito, tornando possível o equilíbrio democrático entre o Legislativo e o Executivo. Sua atuação parlamentar também é caracterizada pelo diálogo com as outras esferas do poder. O vereador é o agente público eleito mais próximo ao eleitor. Por esta razão, é ele quem conhece, ou deveria conhecer, as principais necessidades da população que ele representa. Tais demandas devem ser expostas ao gestor municipal ou encaminhadas aos parlamentares estaduais e federais, para que estes ajam junto aos governos estadual e federal. Também cabe, naturalmente, ao legislador elaborar as leis que regrarão a conduta da sociedade e dos seus representantes
Então, teoricamente, ambos têm o mesmo peso e importância. Apenas representam instituições diferentes.
Na teoria é tudo muito lindo, não é verdade? Você acha que, na prática, o chefe de um poder se sobrepõe ao outro?
Infelizmente, observamos, ainda hoje, presidentes do Legislativo completamente subservientes ou omisso ao Chefe do Executivo. E isso só contribui para desvalorizar e diminuir o Legislativo cada vez mais, tornando a Casa de Leis um anexo (puxadinho) da Prefeitura.
Para termos Câmaras Municipais mais fortes, atuantes e participativas, precisamos ter Presidentes igualmente mais fortes, atuantes e, sobretudo, com vontade, coragem e iniciativa para promover as melhorias que as Casas Legislativas Municipais brasileiras tanto necessitam.
Priscilla Peixoto e Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium
MANAUS — Investigações confirmam que nesta quarta-feira, 15, um dos suspeitos do desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, Oseney da Costa de Oliveira, de 41 anos, confessou o crime para a Polícia Federal (PF). Segundo fontes sigilosas ouvidas pela CENARIUM, o ativista e o jornalista foram esquartejados e incendiados.
A Polícia Federal do Amazonas levou, no início da tarde desta quarta-feira, 15, Oseney ao local do crime. De acordo com as fontes, a confissão veio ainda na noite dessa terça-feira, 14, quando o homem estava sendo interrogado pelas autoridades policiais. A expectativa é que os corpos sejam encontrados ainda na tarde desta quinta-feira, 15.
Oseney de Oliveira sendo levado pela Polícia Federal ao local onde estão sendo realizado as buscas pelos desaparecidos (Divulgação)
Os relatos dão conta de que Dom Phillips e Bruno Pereira estavam navegando pelo Rio Itaquaí, próximo ao município de Atalaia do Norte, quando flagraram os suspeitos pescando pirarucu em uma região de pesca ilegal. O jornalista e o indigenista, que estavam fotografando na localidade, foram rendidos e mortos em uma vala, uma espécie de buraco.
Caso
O indigenista Bruno Araújo Pereira, 41, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e o jornalista inglês Dom Phillips, 57, colaborador do jornal The Guardian, desapareceram no Vale do Javari, na Amazônia, ao realizarem um percurso entre a comunidade ribeirinha São Rafael à cidade de Atalaia do Norte, no interior do Amazonas.
Segundo a União do Povos Indígenas Vale do Javari (Univaja), Bruno e Dom viajavam em uma embarcação nova, com motor de 40 HP e 70 litros de gasolina, rumo a uma localidade próxima à Base de Vigilância da Funai, no Rio Ituí, Lago Jaburu, para que o jornalista britânico realizasse entrevistas com indígenas para um livro com temática ambiental.
Após a missão, a dupla retornou ainda pela manhã para a cidade de Atalaia do Norte. Conforme a Univaja, no caminho, fizeram uma parada na Comunidade São Rafael, para que Bruno Pereira se reunisse com um integrante da comunidade, conhecido como “Churrasco”, para tratar de questões sobre vigilância da região por meio de trabalho conjunto entre moradores e indígenas.
Ao deixarem a comunidade sem falar com “Churrasco”, que não foi à reunião marcada, testemunhas relataram que o pescador Amarildo Oliveira, de 41 anos, popularmente conhecido como “Pelado”, se deslocou logo atrás da dupla, em alta velocidade, em uma lancha, pouco antes do desaparecimento.
Bruno e Dom desapareceram no dia 5 de junho (Reprodução)
Buscas
No dia 6 de junho, a Polícia Federal no Amazonas começou uma apuração sobre o caso de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips. No mesmo dia, o Comando do 9° Distrito Naval da Marinha do Brasil e o Governo do Amazonas determinaram o envio de equipes de busca e salvamento e de reforço policial especializado ao município de Atalaia do Norte para dar apoio nas buscas.
Equipes de mergulho e de aéreas foram enviadas pelo governo federal e Governo do Estado do Amazonas para reforçar a procura. À ocasião, sete militares com auxílio de uma lancha atuaram nos Rios Javari, Itaquaí e Ituí, no interior do Amazonas.
Um helicóptero do 1° Esquadrão de Emprego Geral do Noroeste, duas embarcações e uma moto aquática também foram enviados ao local, além da atuação do Exército, demais Forças de Segurança, órgãos ambientais, e o apoio da comunidade.
(Divulgação/CMA)
Na noite de domingo, 12, o Comitê de Crise, coordenado pela Polícia Federal do Amazonas (PF-AM), confirmou, por meio de nota, que os pertences encontrados na região do Vale do Javari eram do indigenista e do jornalista inglês.
“Na região onde se concentraram as buscas foram encontrados objetos pessoais pertencentes aos desaparecidos, sendo 1 (um) cartão de saúde em nome do Sr. Bruno Pereira, 1 (um) calça preta pertencente ao Sr. Bruno Pereira, 1 (um) chinelo preto pertencente ao Sr. Bruno Pereira, 1 (um) par de botas pertencente ao Sr. Bruno Pereira, 1 (um) par de botas pertencente ao Sr. Dom Phillips e 1 (uma) mochila pertencente ao Sr. Dom contendo roupas pessoais”, informava um trecho da nota obtida pela REVISTA CENARIUM.
Suspeitos
A Polícia Federal interrogou mais de dez pessoas e prendeu um suspeito, identificado como Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”. No dia 8 de junho, o barco de Amarildo, foi rastreado pela polícia, que o encontrou na mesma região onde a dupla foi vista pela última vez.
Com o pescador, foram encontrados um cartucho calibre 16, rifle 762, munições. O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado a 50ª Diretoria de Inteligência Policial, para prestar depoimento. No dia 9 de junho, após a perícia da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) encontrar vestígios de sangue na embarcação de Amarildo, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decretou a prisão temporária do homem por suspeita de envolvimento no desaparecimento da dupla.
Na noite do dia 14 de junho, a Comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal do Amazonas, informou por meio de nota, a prisão temporária de Oseney da Costa de Oliveira, popularmente conhecido como “Dos Santos”, 41 anos, por suspeita de participação no caso do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dominic Phillips
Oseney é irmão de Amarildo da Costa, o “Pelado”, que inclusive já estava em prisão temporária. A suspeita seria de que os irmãos atuaram juntos no sumiço da dupla. “Oseney da Costa de Oliveira está sendo interrogado e será encaminhado para audiência de custódia na Justiça de Atalaia do Norte/AM”, informou o texto.
Prisão foi decretada durante audiência de custódia de Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, e tem prazo de cinco dias (Reprodução)
Mobilização
A União dos Povos Indígenas Vale do Javari (Univaja) foi a primeira organização a relatar sobre o desaparecimento. Ainda no domingo, 5, comunitários e indígenas iniciaram as buscas pelo rio e solicitaram apoio da Polícia Militar e Federal. A associação teve atuação necessária para a atualização das informações sobre o caso disseminados pela imprensa.
Durante esse período, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso também se pronunciou sobre o assunto e determinou que a União fosse mais célere nas buscas e que adotasse imediatamente “todas as providências necessárias” para localizar os desaparecidos. A determinação atendeu um pedido da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que também se mobilizou diante do fato.
Na manhã do domingo, 12, amigos e familiares de Bruno e Dom realizaram atos em defesa dos povos indígenas e pediram mais apoio nas buscas pelo indigenista e o jornalista. As reuniões foram registradas no Pará, Rio de Janeiro e Brasília. Nas redes sociais, o assunto chegou a ser uma dos mais comentados.
Ato por Bruno e Dom, no Rio de Janeiro. (Divulgação)
Outro ato de mobilização foi realizado por indígenas do Vale do Javari na manhã do dia 13 de junho. A iniciativa também contou com a presença de ativistas e amigos de Dom e Bruno, que estavam no município de Atalaia do Norte, localizado no extremo Oeste do Amazonas, para dar apoio às buscas.
Os manifestantes carregavam cartazes com pedidos de justiça e mais segurança. “Vocês não estão só!”, dizia um deles. Enquanto outros carregavam a pergunta que há mais de uma semana está nos assuntos mais comentados nas redes sociais: “Onde estão Bruno e Dom?“
Em Londres, manifestantes fizeram vigília pela dupla desaparecida no Amazonas. Com rosa, terços, orações e cartazes, manifestantes se reuniram em frente a Embaixada do Brasil em Londres pedindo que o governo brasileiro reforçasse a procura pelos dois.
Manifestação em Atalaia do Norte (Reprodução)
Denúncias
Enquanto eram realizadas as buscas, a Univaja divulgou documentos que mostram a organização denunciando, em abril deste ano, o aumento intenso de invasões na Terra Indígena Vale do Javari, no interior do Amazonas, região onde ocorreu o episódio. O documento foi endereçado à Frente de Proteção Etnoambiental e à Coordenação Regional do Vale do Javari, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e à Força Nacional de Segurança Pública em Tabatinga.
Além dos ofícios datados do mês de abril, outros cinco textos também foram formulados pela União dos Povos Indígenas Vale do Javari (Univaja) e destinados a órgãos como Polícia Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai), Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM).
Documento divulgado pela Univaja (Reprodução/ Univaja)
Nos textos, foram relatadas as invasões, o clima de insegurança e ameaça no Vale do Javari, além de solicitarem proteção contra os infratores. No documento com data do dia 6 de maio de 2022, por exemplo, a União dos Povos Indígenas aborda a localização dos infratores dentro e fora das Terras Indígenas Vale do Javari.
“Trazemos neste ofício informações atualizadas da equipe de vigilância da Univaja sobre invasores de nosso território”, informa o ofício detalhando nomes, apelidos, embarcações e ponto de atuação dos invasores.
Bruno e Dom
Bruno Araújo Pereira era conhecido por ser engajado em pautas das causas indígenas. Como servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai) o especialista foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte e coordenador-geral de Índios Isolados e de recém-contatados da (Funai), período em que esteve à frente de uma das maiores expedições de contato com índios isolados dos últimos 20 anos.
O trabalho de Bruno em defesa dos povos indígenas rendeu também momentos de conflitos. Em 2016, por exemplo, o profissional deixou o cargo de coordenador da Funai por conta de ataque na qual chegou a ser levado para fora da sede do órgão por manifestantes armados. A vítima também sofria pressão e ameaças de garimpeiros, madeireiros e até mesmo integrantes do setor rural.
Nascido em Merseyside próximo da cidade de Liverpool, o jornalista inglês Dominic Phillips mudou para o Brasil em 2007. Dedicado às causas ambientais e admirador da Amazônia, Dom cobria pautas sobre o tema para jornais conhecidos mundialmente, como The Guardian e The New York Times. Atualmente, estava se dedicando ao livro sobre a Floresta Amazônica e as invasões de terras indígenas. Amazônia, sua linda“ foi a última frase que o jornalista inglês escreveu em suas redes sociais.
Esta era a segunda vez que a dupla viajava pela região isolada da Amazônia. Em 2018, Phillips e Bruno fizeram o mesmo percurso. A área onde ocorreu o fato, no Vale do Javari, e de densa complexidade onde vivem 26 povos indígenas, alguns isolados. A área fica próximo à fronteira com o Peru e as associações relatam a possibilidade de ligação entre agentes criminosos que atuam no tráfico internacional de drogas.
Polícia está no local do crime com um dos suspeitos que confessou o homicídio. O indigenista e o jornalista foram amarrados, mortos, depois esquartejados e incendiados.
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Aumenta a pressão internacional sobre o governo do Brasil
Jorge Béja
Grande área da extensa floresta amazônica, se não toda, já perdeu a soberania nacional. Pode até continuar sendo chamada de Brasil. Mas o Estado brasileiro perdeu o comando sobre a área. Passou a ser um outro país dentro do Brasil.
E a tragédia acontece pelo garimpo e pesca criminosas porque ilegalizadas, pelo narcotráfico, pela derrubada das árvores, pela caça aos animais, abandono dos povos indígenas jogados à própria sorte e também vitimados pela violência. É o poder das armas, o poder da força acabando com o poder do Direito, o poder da legalidade e o poder da autoridade constituída. É vitória da criminalidade, da violência.
SEM SOBERANIA – E neste imenso pedaço do Brasil, sobre o qual o Brasil não manda mais em razão da mais completa ausência dos agentes da lei, da segurança pública, da defesa do nosso território contra os inimigos internos e invasores externos, o desaparecimento do agente da Funai e do jornalista inglês deve ser debitado ao Estado brasileiro. Justamente pela sua ausência através das forças, civis e militares, de segurança.
A responsabilidade civil que recai sobre o Poder Público no tocante ao dever de indenizar o dano que seus agentes, por ação ou omissão, causarem a terceiros, a responsabilização é objetiva.
E sendo objetiva, dispensa a apuração da culpa. Basta a presença da relação de causalidade, entre o dano e a ação ou omissão do Poder Público. Assim está previsto na Constituição Federal (artigo 37, parágrafo 6º).
AÇÃO INDENIZATÓRIA – Portanto, se as mortes, de um e/ou de ambos forem confirmadas, suas famílias têm o prazo de cinco anos para ingressar na Justiça Federal de primeira instância com ação reparatória de dano. E a União, ré no processo, perderá a causa, por ser causa indefensável para o Estado brasileiro. E a União (Estado brasileiro) será obrigada a pagar pensão vitalícia aos dependentes dos vitimados, cumulada com uma verba a título de dano moral cujo valor somente o Judiciário pode fixar.
Não há excludente de responsabilidade civil que possa livrar a União da condenação. O que saiu da boca de Jair Bolsonaro, na condição de presidente da República, releva repugnante ignorância, seja no tocante à relação social, no tocante à nobreza com que deve agir quem seja presidente de um país, seja no tratamento que os vitimados e seus familiares merecem ter, e seja no tocante à lei maior do país.
Jair disse que o agente da Funai e o Jornalista seriam dois “aventureiros”. Ou seja, colocou a culpa em ambos. Mas a culpa é do governo federal que desde 1º de janeiro de 2019 Jair preside.
GOVERNO INERTE – Jair Bolsonaro nada fez para proporcionar maior segurança à Amazônia. Ao contrário, tudo fez para deixá-la ao abandono, ao comando do crime organizado, a criminosos brasileiros e estrangeiros. São fatos públicos e notórios e que dispensam comprovação.
Mas o governo Jair Bolsonaro não é o único culpado. Suas ações e omissões no comando da Nação só fizeram piorar o que estava ruim. Mas não tão ruim, visto que a Funai e outras organizações governamentais, Ongs e outros organismos nacionais e internacionais agiam para o bem da Amazônia, tanto a Amazônia brasileira quanto ao território amazônico fora do Brasil.
O drama do desaparecimento do agente da Funai e do jornalista inglês mostra ao mundo, a todas as nações, a situação trágica da Amazônia. E a constatação é a de que o território brasileiro diminuiu de tamanho. E a diminuição é irreversível. Parte dele, localizado na Amazônia não é mais Brasil. É um outro estado, clandestino e criminoso, encravado no território da República Federativa do Brasil.
Bolsonaro ataca o Supremo um dia sim, no outro também
Deu na Jovem
O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar membros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 14. A fala aconteceu durante participação em evento com empresários, em São Paulo. Na ocasião, o mandatário fez duros comentários sobre os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin.
Bolsonaro afirmou que uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir ações policiais em comunidades no Rio de Janeiro contribuiu para o crescimento do narcotráfico.
DISSE BOLSONARO – “No morro do Rio, onde o Fachin disse que a polícia não pode entrar, nem sobrevoar helicópteros, está cheio de fuzis. Virou lá um refúgio da bandidagem do Brasil todo. Parabéns, ministro Fachin! Tremenda colaboração com o narcotráfico, bandidagem de maneira geral”, disse, acrescentando:
“É justo, meus senhores, o ministro Fachin, que tirou Lula da cadeira, estar à frente do processo eleitoral?”, questionou o presidente, fazendo uma relação entre o presidente do TSE e o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à presidência da República.
Bolsonaro ainda disse que Luís Roberto Barroso interferiu nas atividades do poder Legislativo enquanto havia uma comissão especial para avaliar o voto impresso.
VISITA DE BARROSO – O presidente disse que após uma visita do ministro Barroso ao Congresso Nacional, toda a formação da comissão especial sofreu alterações, o que teria sido determinante para que a proposta não fosse aprovada.
O mandatário também voltou a dizer que venceu as eleições de 2018 no primeiro turno e que Aécio Neves teria vencido as eleições em 2014, quando Dilma Rousseff foi eleita presidente.
E o ministro Edson Fachin respondeu dizendo que ‘mentes autoritárias’ lançam ‘desinformações para deseducar’. O presidente do TSE não citou nomes durante a crítica. Ele vem sendo alvo de ataques do presidente Jair Bolsonaro, que tenta, sem provas, deslegitimar as urnas e o sistema eleitoral brasileiro.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro, Fachin e Moraes protagonizam cenas deploráveis do atual estágio da democracia brasileira. Mas o ministro Barroso tem uma atitude mais digna e se recusa a entrar na rinha de galos.(C.N.)