sábado, janeiro 15, 2022
O enigma por trás da candidatura de Queiroz, que ameaçou Bolsonaro e depois voltou atrás
Publicado em 15 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

No vídeo, Queiroz e Bolsonaro aparecem encolhendo as barrigas
Bernardo Mello Franco
O Globo
Em publicação nas redes sociais, o sargento PM reformando Fabricio Queiroz utilizou imagens suas em manifestações bolsonaristas, de sua época como militar e ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em publicação, Queiroz utilizou imagens suas em manifestações bolsonaristas, de sua época como militar e ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL). | Reprodução / Twitter
Fabrício Queiroz está de volta. Depois de curtir a virada de ano, o ex-PM ressurgiu com planos ambiciosos. Quer trocar a sombra da família Bolsonaro pelo sonho do gabinete próprio. O homem da rachadinha é pré-candidato a deputado. No domingo, ele deu o pontapé inicial da campanha. Divulgou um vídeo para ostentar intimidade com a família presidencial.
O filmete empilha clichês da iconografia bolsonarista. Queiroz visita um estande de tiro, veste roupa camuflada e empunha um fuzil. A militância verde-amarela marca presença com camisetas da seleção e bandeirinhas de plástico.
VELHOS AMIGOS – Numa cena descontraída, o ex-PM e o senador Flávio Bolsonaro fazem sinal de positivo para a câmera. Em outro momento de ternura, Queiroz e Jair aparecem de sunga na praia. Os velhos amigos encolhem a barriga e exibem o bíceps, num gesto para afirmar masculinidade.
Na sequência, o subtenente baixa a guarda e se derrama para o capitão: “Um exemplo de respeito, amizade, integridade e conduta. Esse é meu irmão, por isso estamos juntos nessa luta”.
O sonho de Queiroz não parece impossível. A temporada na cadeia transformou o ex-PM numa figura popular entre os bolsonaristas. No último 7 de Setembro, ele foi paparicado e posou para selfies em Copacabana. Três meses depois, desfilou com deputados do PSL num ato político em Niterói.
OPERADOR DA RACHADINHA – O amigo do presidente tem chances de se eleger, mas pode virar uma companhia tóxica. Fora da bolha bolsonarista, ele só é conhecido pelo título de operador da rachadinha.
Sua candidatura deve reavivar o escândalo que levou o Ministério Público a denunciar o Zero Um por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Além de ressuscitar questões que o clã gostaria de esquecer, como os depósitos de R$ 89 mil na conta da primeira-dama.
A reaparição de Queiroz ainda contém um enigma. Há pouco tempo, ele se queixava de abandono e insinuava que poderia abrir o bico. “Minha metralhadora está cheia de balas. kkkk”, escreveu, em julho passado. Seis meses depois, o ex-PM trocou as ameaças veladas por juras de fidelidade. Bolsonaro deve saber o motivo da conversão.
Após Bolsonaro dar mais poder à Casa Civil, equipe de Guedes deve forçá-lo a sair da pasta
Publicado em 15 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet
Pedro do Coutto
Com o decreto transferindo para o chefe da Casa Civil a execução do orçamento, o presidente Jair Bolsonaro, sem dúvida alguma, esvaziou fortemente a posição política e administrativa de Paulo Guedes. Afinal de contas, é fato inédito que a execução do orçamento fique a critério do chefe da Casa Civil e não de acordo com as diretrizes do ministro da Economia, que, aliás, acumula as funções de ministro da Fazenda e do Planejamento.
O presidente da República sustenta que a base parlamentar do Planalto precisa ser atendida e que a liberação de recursos para bases eleitorais de adversários políticos ficavam com muito dinheiro. A crítica, portanto, foi direta a Paulo Guedes que não pode, na minha opinião, simular que não ouviu. O ponto nevrálgico da questão está na sua atuação política, uma vez que pelo o que se entende da fala do presidente estava fortalecendo adversários do governo nas eleições de outubro deste ano.
ESTRUTURA ABALDA – No O Globo, Manuel Ventura, Daniel Gullino e Daniel Shinohara focalizam a decisão que, sem dúvida alguma, abala a estrutura do governo, sobretudo na medida em que força a substituição do titular da Economia. Na Folha de S. Paulo, Idiana Tomazelli e Marianna Holanda, também na edição de ontem, destacam que Bolsonaro tirou o poder de Paulo Guedes no sentido de fazer com que a Casa Civil transfira recursos previstos nas emendas dos deputados que formam o Centrão, sua base parlamentar.
A matéria ainda assinala que Guedes ficou mal no episódio. Diante desse panorama é provável que integrantes da equipe deixem os cargos. Existe também a questão que deputados e senadores do Centrão realizaram acertos paralelos para a liberação de emendas parlamentares para obras em redutos eleitorais.
Com o decreto, o titular da Casa Civil, Ciro Nogueira, deverá liberar as mudanças em cada linha de despesa, acentuam também Idiana Tomazelli e Marianna Holanda. Como se constata, mais uma crise abala o governo com reflexo no quadro político eleitoral. Tenho dúvida se a saída de Paulo Guedes acrescenta alguns votos a Bolsonaro ou acarretará perdas com reflexos nas urnas.
CADA UM POR SI– Seja qual for o reflexo, teria sido melhor para o governo que essa nova crise não tivesse ocorrido, mas ela acentua a força irresistível do fisiologismo, sobretudo quando se aproximam as eleições. Não se trata apenas, Bolsonaro talvez não tenha entendido, de uma posição de deputados e senadores em favor da reeleição do presidente. Trata-se sobretudo do empenho de parlamentares para que eles próprios se reelejam, independentemente do destino do presidente da República.
Em matéria de Centrão, precedentes não faltam. O bloco apoiou Fernando Henrique Cardoso, apoiou Lula da Silva, apoiou Dilma Rousseff até o seu segundo mandato, apoiou Temer e apoia Jair Bolsonaro. Mas a vinculação nas urnas de outubro dependerá do fato de se Bolsonaro lhes acrescenta votos ou lhes retira sufrágios.
Na segunda hipótese, partirão para alianças estaduais que sejam mais vantajosas do que a aplicação dos recursos financeiros de suas emendas orçamentárias. Afinal de contas estamos tratando de política. Portanto, liberados os recursos das emendas, cessam os motivos fisiológicos para que parlamentares continuem ao lado do governo e da campanha do presidente.
REFLEXO NO EXÉRCITO – A reportagem de Daniel Della Coletta e Vinicius Sassine revela que logo após a divulgação da mensagem do general Paulo Sergio Nogueira, comandante do Exército, em favor da vacinação e proibindo as fake news na Força, uma nova tempestade ameaçou atingir o governo.
Bolsonaro, acentua a matéria, reuniu-se com o comandante do Exército quando o presidente manifestou receio de que as diretrizes do general gerassem uma nova crise. Logo, Bolsonaro revelou de fato estar contra as determinações do comandante do Exército ao que se refere às vacinas e também às fake news. O encontro foi no Palácio da Alvorada e sua motivação,segundo informaram, foi tratar de projetos estratégicos das Forças Militares.
Bolsonaro negou a existência de recomendação, acentuando que a matéria é uma questão de interpretação. Entretanto, os que combatem a obrigatoriedade da vacina sob a alegação da liberdade de aceitá-la ou não, esquecem uma outra obrigação determinada pelo Estado às famílias que é a de matricularem os seus filhos e filhas acima de 6 anos de idade na rede de ensino. A matrícula não é facultativa, dada a sua importância social e educativa. Portanto, digo, a vacinação também deve ser obrigatória.
Publicado em P. Coutto | 3 Comentários |
E se o vice de Lula não for Alckmin? A opção por Kassab continua a ser uma possibilidade
Publicado em 15 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet
Charge do Pelicano (Arquivo Google)
Bruno Boghossian
Folha
A equação original do PT para a escolha do vice de Lula tinha dois elementos principais. O primeiro era simbólico, uma sinalização do petista para ampliar sua base eleitoral e conquistar votos além da esquerda. O segundo era objetivo: a vaga seria usada para atrair um grande partido para a aliança do ex-presidente.
Geraldo Alckmin preencheu o primeiro critério, mas a questão partidária ficou para trás. Nos cenários traçados até aqui, o ex-tucano não agrega ganhos significativos à aliança formal de Lula. Isso porque Alckmin está em busca de um partido que sirva de barriga de aluguel para indicá-lo ao posto de vice.
PALANQUES ESTADUAIS – As negociações com o PSB avançaram, mas o apoio da sigla a Lula depende mais da distribuição de palanques estaduais do que da filiação do ex-governador. Já PV e Solidariedade são siglas pequenas, que não dariam força adicional à chapa petista.
A conta só ficaria completa se Alckmin estivesse num grande partido de centro. O sonho dos petistas é o PSD de Gilberto Kassab, mas a legenda insiste na candidatura de Rodrigo Pacheco ao Planalto. Aliados de Lula não acreditam que a sigla vá mudar de ideia até abril – limite para uma possível filiação do ex-tucano.
Petistas e outros personagens dessa arena dizem que o calendário pode se tornar um obstáculo. Se o PT fechar com Alckmin nos próximos meses, pode perder uma moeda de negociação com outros partidos ou até rever essa decisão para abrigar novos aliados na hora do registro da chapa no TSE, em agosto.
NA RETA FINAL – Integrantes da direção petista não acham impossível reabrir essa discussão aos 45 do segundo tempo caso o PSD abandone a candidatura própria para apoiar Lula.
Até aqui, porém, isso não parece estar nos planos de Kassab, que acredita ter mais chances de expandir a bancada da legenda se adotar um caminho mais “neutro” no primeiro turno.
Se Lula vencer, Kassab pode comandar um partido-chave da base do novo governo. Ou pode ficar com uma bancada menor, mas sentado na cadeira de vice-presidente.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bem, essa opção Kassab vem sendo noticiada aqui na Tribuna desde novembro, lembram? (C.N.)
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