segunda-feira, dezembro 06, 2021

“O sistema vai ter que me engolir”, diz Ciro, que muda estratégia para reverter desvantagem

Publicado em 6 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Ciro Gomes: “O sistema vai ter que me engolir” — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Ciro Gomes diz que Moro e Dória são “viúvas de Bolsonaro”

Cristiane Agostine
Valor Econômico

Em quarto lugar em pesquisas de intenção de voto para a Presidência nas eleições 2022, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) negou a possibilidade de compor uma chapa como vice, reiterou sua pré-candidatura e mudou a estratégia para tentar reverter a desvantagem eleitoral. Ciro passou a direcionar suas críticas ao ex-juiz e pré-candidato Sergio Moro (Podemos), que o tirou do terceiro lugar nas sondagens.

Questionado se poderia desistir de disputar a Presidência em entrevista à BandNews, Ciro negou. “Sinto obrigação de ser candidato porque sou o único contra esse sistema”, disse, na entrevista. “Sou candidato em cima de pau e de lata e o sistema vai ter que me engolir”, reforçou.

MORO AVANÇA – Segundo pesquisa da consultoria Atlas divulgada semana passado, Lula lidera a disputa com 42,8% das intenções de voto, ante 31,5% de Bolsonaro. Moro tem 13,7% e Ciro, 6,1%. Doria registra apenas 1,7%. O levantamento tem margem de erro informada de um ponto percentual.

O pré-candidato do PDT destacou a ligação do ex-juiz Moro com o presidente Jair Bolsonaro, lembrou da atuação do adversário como ministro da Justiça no atual governo e disse ser o único nome com viabilidade para ser a terceira via entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ciro, no entanto, não deixou de criticar o presidente e o petista na entrevista.

ATAQUES A MORO – “Sergio Moro é um ex-juiz politiqueiro, que botou Lula na cadeia e depois foi ser ministro do outro [Bolsonaro], que se elegeu porque tirou os direitos políticos do outro [Lula]. Virou ministro porque passou a mão, acobertou a ladroeira de Bolsonaro, da família do Bolsonaro, deixou o Coaf ser desmoralizado para proteger Bolsonaro”, afirmou durante a entrevista. “Enfim, uma viúva do Bolsonaro.”

Ciro questionou ainda os conhecimentos do ex-juiz e ex-ministro sobre o país e sobre gestão. “ O que Moro conhece da economia do Brasil, de emprego, salário, da Amazônia?”, disse, na entrevista.

CRÍTICAS A DORIA – O pré-candidato criticou também o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), postulante à Presidência, pelo vínculo que o tucano teve com Bolsonaro na eleição de 2018, quando pregou o voto “BolsoDoria”, e no início da atual gestão federal.

Com os ataques a outros nomes que se apresentam como alternativa a Lula e a Bolsonaro, Ciro indicou as dificuldades que o centro e a centro-direita terão para se unir em 2022. Um único nome da terceira via, sinalizou Ciro, está longe de se concretizar. O postulante disse que os pré-candidatos que já se apresentaram “são profundamente diferentes”. “Eu não tenho nada a ver com essas viúvas do Bolsonaro.”

Ciro afirmou ainda ser o único que não é “nem Bolsonaro, nem Lula”. “Vamos ver se o povo me identifica assim.”


Distribuição dos votos dos evangélicos ainda é incógnita para as eleições de 2022

Publicado em 6 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Evangélicos progressistas disputam votos contra | Política

Bolsonaro vai aos cultos usando seu colete à prova de balas

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro fez a festa de líderes evangélicos. “Não adianta chorar! Temos um pastor no Supremo”, comemorou o estridente Silas Malafaia após a aprovação da André Mendonça para o tribunal. “Parabéns ao presidente Bolsonaro, que não cedeu a pressões internas e externas”, escreveu.

O presidente não fez lá muito esforço para conquistar votos para Mendonça no Senado –o grosso do corpo a corpo com os parlamentares ficou a cargo dos próprios pastores. Ainda assim, esses líderes devem reconhecer que a caneta de Bolsonaro deu início a todo o processo.

INTERESSES MÚTUOS – A parceria que resultou na nomeação de um pastor para o STF é uma relação de mutualismo. As igrejas agora têm um representante direto em um posto estratégico da estrutura do poder. Bolsonaro, por sua vez, espera contar com o apoio incondicional dos líderes religiosos em 2022.

A tradução desse patrocínio em votos será uma variável importante da próxima eleição. Bolsonaro tem a simpatia das cúpulas das igrejas, mas aparece no primeiro turno com 38% das intenções de voto entre evangélicos, contra 34% de Lula (PT).

Às vésperas do primeiro turno de 2018, o capitão marcava 42% no mesmo segmento. Fernando Haddad (PT) tinha 16%. Os números sugerem que Bolsonaro conserva boa parte do núcleo evangélico que o apoiou na última eleição e que Lula tem um bônus particular sobre o petismo nessa fatia do eleitorado.

DIZ LULA – O ex-presidente credita esse desempenho a fatores econômicos. Num encontro virtual com evangélicos, Lula argumentou que muitos fiéis foram atendidos pelas políticas criadas em seu governo. A ideia é repetir esse discurso na campanha para romper o elo conservador de parte desses eleitores com Bolsonaro.

Os petistas esperam driblar a influência de líderes religiosos sobre o eleitorado. “Quando fui presidente, não queria governar para um pastor, eu queria governar para o povo”, disse Lula.

É uma aposta arriscada. O ex-presidente tem rejeição alta entre evangélicos e pode precisar dos pastores para amenizar esse índice.

Candidatos da terceira via terão desprendimento para apoiar Moro, diz Renata Abreu

Publicado em 6 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Relatório da Câmara afrouxa cota de mulheres e coloca na Constituição  amarras a STF e TSE - 13/07/2021 - Poder - Folha

Renata garante que Moro apoiará quem tiver mais chances

Malu Gaspar
O Globo

A deputada federal Renata Abreu herdou do pai e do tio o comando de um partido nanico, o PTN, e o transformou no Podemos. Hoje a legenda reúne a terceira maior bancada do Senado, está lançando Sergio Moro como candidato a presidente em 2022 e deve receber uma cota de cerca de R$ 200 milhões do fundo eleitoral para gastar na campanha.

Entrevistada do episódio 32 do podcast “A Malu tá ON”, Renata vê vantagens na manutenção de candidaturas como a de Ciro Gomes (PDT) – “ajuda a dividir o outro espectro, o da esquerda”. Mas está certa de que, na disputa pelo eleitor de centro e de centro-direita para compor a chamada terceira via, sua aposta no ex-juiz da Lava Jato vai prevalecer.

UNIÃO NA TERCEIRA VIA – “Se algum dos candidatos não contribuir para que tenha uma união e a ‘melhor via’ possa de fato ir para o segundo turno, vai ter uma pressão popular para que essa união aconteça.”

E ela ainda desafia: “Se tivesse algum outro candidato que pontuasse muito melhor do que o Moro, ou que ele por alguma razão despencasse nas pesquisas, ele não teria problema em contribuir. Agora sinceramente, eu não vejo possibilidade de isso acontecer, e aí os outros terão que ter esse desprendimento também”.

Na conversa com Malu Gaspar, a deputada ecoou o discurso de campanha de Moro e afirmou que Bolsonaro não tem liderança e nem pulso firme. E mesmo considerando que seu partido votou com o governo em 88% de suas pautas no Congresso – o Podemos foi a favor do voto impresso e da reforma da Previdência, mas refugou a reforma tributária – ela não vê risco de a candidatura Moro ser compreendida como um “bolsonarismo cheiroso”.

Segundo a presidente do Podemos, os apoios dos parlamentares do partido a pautas do governo foram por questão de coerência. “Oposição a qualquer preço eu acho uma irresponsabilidade”, justifica.

Aos 39 anos, Renata Abreu tem projeção e discurso de cacique tradicional. Mas conta que nunca gostou de política, e só decidiu assumir o comando do partido quando o pai se afastou em razão do Mal de Alzheimer.

“Você ser filha de político gera alguns traumas, porque você sente muito a ausência dos pais. Mas eu encarei isso como missão”, completa.

domingo, dezembro 05, 2021

Entenda as novas regras da Tarifa Social de Energia Elétrica

  5 dez, 2021 12:57

Expectativa do governo é beneficiar mais de 11 milhões de pessoas (Foto: André Corrêa)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou nesta semana a inclusão automática na Tarifa Social de Energia Elétrica para famílias de baixa renda. Atualmente, são 12,3 milhões de famílias beneficiadas pela tarifa e a expectativa do governo é que mais de 11 milhões tenham acesso ao benefício.

Conforme a Aneel, os critérios para a concessão de benefícios não mudaram. Podem receber a Tarifa Social de Energia famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo nacional; idosos com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais ou pessoas com deficiência, que recebam o Benefício de Prestação Continuada (BPC); ou família inscrita no CadÚnico com renda mensal de até três salários mínimos, que tenha membro portador de doença ou deficiência.

A principal mudança é que, a partir de janeiro de 2022, as famílias que se enquadrem nos critérios para recebimento do benefício, mas que ainda não estejam cadastradas serão incorporadas por meio do cruzamento de dados dos sistemas do Ministério da Cidadania e das distribuidoras de energia. O cadastramento automático ocorrerá mensalmente.

A tarifa traz descontos no valor mensal do consumo das famílias beneficiadas. Para famílias que consomem até 30 quilowatts/hora, a redução é de 65%; de 31 a 100 kWh/mês, o valor fica 40% menor; de 101 kWh a 220 kWh, a redução é de 10%. Acima dos 220 kWh/mês o custo da energia é similar à dos consumidores que não recebem o benefício.

As famílias indígenas e quilombolas têm descontos maiores. As famílias inscritas no CadÚnico têm desconto de 100% até o limite de consumo de 50 kWh/mês, de 40% para consumo a partir de 51 kWh/mês, de 10% para consumo de 101 kWh a 220 kWh. Para indígenas e quilombolas que consomem acima dos 220 kWh/mês o custo é similar à dos consumidores sem o benefício.

Segundo a Aneel, ninguém será descadastrado com a nova regra. Só deixará de receber o benefício quem deixar de atender aos critérios previstos na lei ou não fizer as atualizações cadastrais do Ministério da Economia.

Problemas
Uma família pode ser impedida de se cadastrar na tarifa se ninguém da casa tiver o nome na conta de luz recebida por mês. Nesse caso é preciso procurar a distribuidora local e regularizar as informações.

Se a família estiver com o endereço desatualizado no CadÚnico também é preciso fazer a regularização. Para receber o benefício não pode haver ligação irregular de energia, também conhecido como “gato”.

Fonte: Agência Brasil

INFONET

Líder do PL não aceita a orientação de Bolsonaro e defende o passaporte da vacina

Publicado em 5 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) durante discurso no plenário do Senado sobre passaporte de vacinação — Foto: Jefferson Rudy / Agência SenadoPedro Henrique Gomes
G1 — Brasília

O projeto que institui um passaporte nacional de imunização no Brasil divide Jair Bolsonaro e o líder no Senado do PL, partido ao qual o presidente da República se filiou nesta semana e pelo qual pretende disputar a reeleição no ano que vem.

Em discurso proferido nesta quinta-feira (dia 2) no plenário, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) cobrou a votação pela Câmara de um projeto apresentado por ele e aprovado no Senado, que cria o Passaporte Nacional de Imunização e Segurança Sanitária. E perfil nacional do PL, em uma rede social, compartilhou texto publicado no site do partido sobre o discurso de Portinho.

No mesmo dia, na transmissão ao vivo semanal que faz por redes sociais, Bolsonaro — que diz não ter tomado a vacina contra a Covid-19 — reafirmou que é contra restrições a não vacinados. “Se eu morrer, o problema é meu”, justificou.

SEM OBRIGAÇÃO – “Nós compramos vacina para todo mundo. Você nunca viu o governo federal obrigar ninguém a tomar vacina nem vai ver o governo federal exigir passaporte vacinal”, afirmou o presidente.

Bolsonaro se filiou na última terça-feira (30) ao PL, nono partido da carreira política do presidente. A proposta do Líder do PL, senador Carlos Portinho, prevê a criação do Passaporte Nacional de Imunização e Segurança Sanitária, que seria requisito para ingresso em locais e eventos públicos e privados.

O texto já foi aprovado no Senado e seguiu para a Câmara dos Deputados. No discurso nesta quinta, Portinho pediu ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que interceda junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a fim de que o projeto seja logo pautado.

SEM DESCONFORTO – O senador afirmou que não sente “desconforto” se essa for a “única divergência” de pautas com o presidente Bolsonaro.

“É verdade que o presidente da República havia anunciado veto se esse projeto avançasse. Não tenho o menor desconforto se essa for a nossa única divergência. Mas não vou deixar de insistir nesse projeto, porque agora, mais do que nunca, ele é vital”, declarou.

Segundo ele, a Câmara dos Deputados “precisa aprová-lo o quanto antes, haja vista o aumento dos casos, a nova cepa, e principalmente a necessidade do controle das nossas fronteiras”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O ainda desconhecido senador, que era suplente do titular Arolde de Oliveira, que morreu em outubro de ano passado, está certíssimo em contestar a orientação de Bolsonaro e tocar para frente seu projeto. Como se falava antigamente, o que Bolsonaro diz não se escreve… É preciso tomar todas as medidas possíveis para combater e vencer a pandemia.  (C.N.)


Doria: ‘Eu e Moro estaremos no mesmo campo em 2022, mas não necessariamente na mesma chapa’

Publicado em 5 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Doria vai inaugurar escritório do governo de SP em Nova York

“Em termos de covid, São Paulo está melhor que Nova York”

Pedro Venceslau
Estadão

Logo após vencer as prévias do PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, embarcou para uma viagem a Nova York organizada pela Investe SP para encontrar investidores e autoridades na qual se apresentou com um presidenciável moderado. Em seguidas reuniões ao lado de seu secretário da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), defendeu o teto de gastos e fez um contraponto ao presidente Jair Bolsonaro.

No plano partidário, modelou o discurso. Na condição de presidenciável tucano, passou a defender a pacificação com a ala bolsonarista da legenda e desistiu de brigar pela expulsão de seu maior desafeto, o deputado federal Aécio Neves (MG).

Em entrevista ao Estadão, disse que acredita que ele e o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) estarão “no mesmo campo em 2022, mas não necessariamente na mesma candidatura”.

Como será o processo de recolher os cacos no PSDB após um processo tão acirrado de prévias?
Toda campanha é dura. Vivi essa experiência em 2016 e 2018. Venci as duas prévias e as duas eleições na sequência. Não será diferente agora. O pós-prévias funciona como um ímã. Isso é gradual.

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, teria sugerido a ideia de que os partidos do centro eventualmente façam um movimento para escolher um candidato único deste campo. O que acha dessa proposta? Seria o caso de fazer prévias do centro?
Não conversei com Bruno Araújo sobre isso, nem ele comigo. Desconheço essa proposta.

Como será a conversa com os partidos do centro?
É uma conversa que começa agora e vai até abril do ano que vem. Vamos ter um bom diálogo para definir não apenas qual o candidato que terá mais chances eleitoralmente, mas também capacidade de enfrentamento com o Lula e o Bolsonaro, os dois extremistas que lideram o processo eleitoral. Não adianta vencer a eleição e não ter gestão.

O deputado Aécio Neves defende que a prioridade do PSDB deve ser eleger uma grande bancada em vez do presidente da República em 2022. Depois das prévias, como fica a situação dele no partido? Como está o clima na legenda?
O PSDB deve prioritariamente ter sim um candidato a presidente da República e fazer uma grande bancada.

Mas como fica a situação do Aécio? O sr. já defendeu a expulsão dele do PSDB, o que não aconteceu, sendo uma derrota política naquele momento…
Melhor você perguntar a ele.

O sr. está agora mais paz e amor?
O PSDB deve estar integrado e harmonizado. Se não com a unidade, muito próximo dela. O PSDB é um partido sem dono. Tem muitas cabeças, muitas sentenças e muitas posições que precisam ser consideradas. O tempo vai ajudar a destilar e permitir que o PSDB se fortaleça ainda mais depois das prévias.

Mas há dentro do PSDB um número grande de parlamentares que são bolsonaristas. Como o sr. vai tratar essa questão?
O comportamento de ontem e hoje não será necessariamente o de amanhã. Por isso o diálogo e o respeito ao tempo.

Então não prevê uma depuração no partido?
Não é esse sentimento e essa sentença. O comportamento do PSDB naturalmente vai verter em torno de sua candidatura à Presidência da República, mas isso de forma natural, e não na força e na imposição.

O apresentador José Luiz Datena rompeu com o PSD e declarou apoio ao sr. Ele é um potencial candidato a vice em sua chapa?
Vejo Datena com mais disposição de ser candidato ao Senado por São Paulo. Se assim for, tem grandes chances de ser eleito. Já estamos juntos, e para isso não é necessário que ele se filie ao PSDB.

Como vê esse movimento do ex- governador Geraldo Alckmin de aproximação com o ex- presidente Lula, enquanto ainda permanece no PSDB?
Essa é uma análise que cabe ao próprio governador Geraldo Alckmin definir as motivações para essa aproximação com o ex-presidente Lula, que ele e o PSDB sempre combateram nos últimos 20 anos.

Em 2022, qual será seu principal adversário: o PT ou o Bolsonaro?
Os extremistas, tanto o Lula quanto o Bolsonaro.

O ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) se reuniu com Eduardo Leite no Rio Grande do Sul. Como o sr. avalia esse encontro?
Com absoluta naturalidade. Não vejo nenhum inconveniente. Ele (Moro) é pré-candidato do Podemos. Todos nós estamos no mesmo campo democrático liberal.

O sr. enxerga alguma possibilidade de estar na mesma chapa de Moro em 2022?
Estaremos juntos no mesmo campo, mas não necessariamente na mesma candidatura. Temos o mesmo objetivo, que é defender o Brasil e os brasileiros.

Na mesma chapa é mais difícil?
É muito cedo ainda para fazer uma definição sobre isso. O tempo vai dizer se isso é possível. Mas estaremos no mesmo campo e longe dos extremistas.

Henrique Meirelles foi anunciado porta-voz do seu futuro plano econômico, mas ele segue com o projeto de disputar o Senado em Goiás pelo PSD, de Gilberto Kassab, que planeja lançar Rodrigo Pacheco à Presidência em 2022. Como o sr. vai administrar essa divisão?
Neste momento vamos trabalhar com a informação que é sólida. Ele foi convidado e aceitou ser o porta-voz do comitê econômico da nossa candidatura.

Qual seria o modelo ideal de negócio da Petrobras? Meirelles defendeu privatizá-la, mas só depois de fatiá-la.
A ideia não é transferir um monopólio público para outro privado. Haverá uma modelagem bem feita e profunda para garantir que a Petrobras possa cumprir um novo papel em sua história nas mãos da economia privada. Ela não terá o mesmo tamanho que tem hoje. Será fatiada. As empresas que vencerem o leilão terão que mensalmente aportar recursos a um fundo de compensação que será um colchão a cada vez que tivermos aumentos mais expressivos no barril de petróleo no plano internacional.

O sr. tem alguma expectativa de contar com apoio de partidos do Centrão em sua chapa?
Não temos nenhuma restrição a alianças, desde que sejam republicanas.

Qual será o papel de Eduardo Leite na sua campanha?
Espero que seja digno e respeitoso, mas quero esclarecer que nunca o convidei para ser coordenador. Nem faria sentido. Ele é governador do Rio Grande do Sul. Teremos uma conversa nos próximos dias.

Faz hoje alguma autocrítica sobre seu estilo de fazer política?
O que me coloca distintamente em relação ao João Doria de 2016 é o sentimento social. Hoje, dada a realidade do País e de São Paulo, estou muito mais vinculado a uma política liberal e social do que quando eu era apenas um empresário. Minha visão era que uma postura liberal resolveria tudo. Não resolve.

O que Nova York tem a ensinar a São Paulo, e vice-versa, no combate à pandemia? O prefeito Ricardo Nunes (MDB), por exemplo, ficou empolgado com as tendas de teste de PCR grátis que estão disponíveis pela cidade.
Do ponto de vista de saúde sanitária, São Paulo tem mais a ensinar a Nova York do que aprender. Esse tema das tendas que encantou o prefeito pode ser uma alternativa no período pós-pandemia. Mas hoje quem tem a ensinar a Nova York sobre imunização é São Paulo.


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