terça-feira, julho 13, 2021

Dessa vez supostas falsificações de exames de Covid de eleitores adversários do atual prefeito é publicado nos principais jornais da Bahia,

 Rodrigo Tardio Seg , 12/07/2021 às 15:07 | Atualizado em: 12/07/2021 às 17:09

Prefeito de Jeremoabo é acusado de falsificar exames de Covid de eleitores adversários

  


Falsificar exames de Covid-19 à época da campanha com o objetivo de impedir que eleitores da chapa adversária pudessem ter acesso às sessões eleitorais para o direito ao voto. Essa é a denúncia que tramita na Justiça Eleitoral contra o prefeito reeleito de Jeremoabo, Derisvaldo José dos Santos (PP), conhecido como Deri do Paloma (PP).

Mês passado, a Justiça Eleitoral deu prazo de cinco dias para que a chapa vencedora nas últimas eleições se manifestasse em relação ao pedido de inelegibilidade requerido pelo diretório municipal do PSD da cidade.

A ação pede inelegibilidade por cessão de bem público móvel para uso de particular e em benefício de candidato; servidores que trabalharam na campanha dos investigados em horário de expediente; além da cessão de material de construção de obra pública para uso particular

O atual prefeito também é acusado de nomear servidores em período vedado, entregar exames de Covid-19 dos eleitores da chapa adversária com resultados falsificados dias antes do pleito. Assim como incentivos fiscais (prática que é vedada pela Justiça Eleitoral durante a campanha) à empresa Natville, que, de acordo com Deri, prometeu implantar uma fábrica no município.

Em troca, currículos foram enviados ao então vice-prefeito, Lula de Dalvino (DEM), responsável pela coleta somente dos eleitores que prometessem votar em Deri do Paloma, que à época, tentava a reeleição.

Quanto à falsificação dos exames de saúde, a acusação é que os resultados dos testes rápidos foram manipulados pela Secretaria de Saúde de Jeremoabo, que teria recomendado quarentena de 14 dias aos moradores, no período da eleição municipal de 2020.

Após isso, essas mesmas pessoas teriam se submetido a testes em clínicas particulares, sendo que os resultados foram negativos. É bom lembrar que a eleição em Jeremoabo foi decidida por uma diferença de 159 votos.

Denúncias de compras de votos também estão sendo investigadas contra Deri. A prefeitura é acusada de desviar materiais de construção, que seriam utilizados para a construção de uma academia de saúde e de uma praça na cidade, para eleitores amigos concluírem obras nas próprias residências, à época da campanha.

Jornal A Tarrde


Nota da redação deste Blog - Entenda o suposto crime praticado durante o período eleitoral:



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Esse caso provavelmente será apurado pela Polícia Federal, já que trata-se de suposto crime eleitoral.

CPI da Pandemia Últimas atualizações Fonte: Agência Senado

https://www12.senado.leg.br/noticias/ao-vivo/cpi-da-pandemia 

Juazeiro: Sobrepreço em teste rápido e outras irregularidades motivaram operação

por Ailma Teixeira

Juazeiro: Sobrepreço em teste rápido e outras irregularidades motivaram operação
Imagem: Microsoft Teams/ Coletiva de Imprensa PF-BA

A identificação de sobrepreço na aquisição de testes rápidos e uma série de irregularidades nos contratos de compras de materiais e insumos para o combate à Covid-19 foram as razões que levaram a Controladoria-Geral da União (CGU) a investigar atos da gestão anterior na Secretaria de Saúde de Juazeiro. A pasta foi um dos alvos da Operação Carga Viral, deflagrada na manhã desta terça-feira (13) pela CGU e pela Polícia Federal (PF).

 

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, sendo um em Petrolina, no estado de Pernambuco, um em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, e seis em Juazeiro. Os órgãos não especificaram quais foram os alvos, resumindo apenas como servidores da pasta da Saúde e empresários. Mas, ao longo da coletiva de imprensa virtual, realizada hoje, o delegado da PF, Adriano Moreira, apontou que alguns servidores fazem parte da atual gestão e o superintendente da CGU na Bahia, Ronaldo Machado, revelou que a sede da secretaria e a prefeitura foram alvos dos mandados.

 

"Essa operação resultou de um trabalho de auditoria nossa, que faz parte do projeto de acompanhamento contínuo dos gastos feitos por estados e municípios baianos no enfrentamento da pandemia", disse Machado. "No caso dessas cinco contratações, a dispensa de licitação foi feita com várias irregularidades, por exemplo as empresas convidadas para participar da disputa de preço tinham vínculos entre si, familiares, e atuaram em conluio", ressaltou o superintendente.

 

Ele pontua que as empresas em questão também não tinham capacidade operacional tampouco histórico de venda dos produtos comercializados. Na aquisição de testes rápidos, por exemplo, a CGU identificou sobrepreço de 50% (saiba mais aqui). Ao todo, o órgão federal estima que R$ 1,3 milhão foi superfaturado entre abril e junho de 2020, sob o governo de Paulo Bonfim.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o ex-prefeito já adiantou que não tem nada a temer. "Minha gestão foi transparente e me deixou tranquilo quando saí. Deixei meu legado e não devo nada a órgão fiscalizador nenhum", disse Bonfim, que hoje atua como assessor do governo do estado. Por meio de nota, a atual gestão, comandada por Suzana Ramos (PSDB), informou estar à disposição dos órgãos de controle e fiscalização para colcaborar com o caso (saiba mais aqui).

 

Em meio a isso, o delegado da PF confirmou a apreensão de documentos, computadores e celulares e disse que a investigação visa agora entender qual o vínculo entre os servidores e os empresários sob suspeita. A polícia vai ainda apurar se houve a participação do antigo alto escalão do governo municipal nos crimes apurados

Bahia Notícias

Nesse ciclo paranoico, Jair Bolsonaro corre o risco de nem passar para o segundo turno

Publicado em 13 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge reproduzida do Arquivo Google

Merval Pereira
O Globo

A pandemia que expõe aos olhos do país a inépcia, a falta de empatia e a corrupção nas entranhas do governo do presidente Bolsonaro, especialmente devido à CPI da Covid, foi a mesma que o poupou de manifestações populares mais vigorosas, devido ao receio de sair às ruas em manifestações políticas imprescindíveis  ao desencadeamento de um processo de impeachment.

O Centrão somente permitirá que um impeachment comece a ser debatido na Câmara se a popularidade de Bolsonaro cair a um ponto irreversível, como aconteceu com Dilma. A disputa regional em Alagoas entre o presidente da Câmara, Artur Lira e o relator da CPI, senador Renan Calheiros, impede que isso aconteça. A abertura do processo de impeachment será uma derrota pessoal de Lira.

RETOMADA – A aceleração da vacinação proporcionará uma retomada econômica, reduzindo a pressão sobre o presidente, mas facilitará a mobilização de grandes massas populares e aumentará o consumo de energia, o que poderá provocar um apagão em pleno ano eleitoral.

Não são nada promissoras as perspectivas para o governo brasileiro no último ano do mandato presidencial, e as pesquisas de opinião já indicam esse declínio de popularidade. Dificilmente os que hoje consideram Bolsonaro, segundo o Datafolha, autoritário, despreparado, desonesto, indeciso, incompetente, falso e pouco inteligente mudarão de ideia, e não apenas por falta de tempo para o presidente provar-se o contrário.

Por falta mesmo de capacidade de ser outro que não esse, que a percepção popular identificou tardiamente.

APENAS ANTIPETISTA – Sempre foi tudo isso, mas conseguiu enganar muitos, que se deixaram levar por promessas vãs, arremedos de honestidade, um liberalismo econômico que não combinava com sua postura anterior. Ser o antipetista exemplar bastou para que centenas de milhares de eleitores, que hoje rejeitam sua maneira grosseira de falar e de se comportar, e o retrocesso civilizacional que impõe ao país, o escolhessem.

Bolsonaro conseguiu arrastar o eleitorado do PSDB no sul, sudeste, centro oeste, tradicionais nichos tucanos que, a partir dali, se fortaleciam para enfrentar o PT, pelo menos no primeiro turno.

Enfraquecido desde o mensalão – nunca é demais lembrar que no primeiro turno de 2006 o tucano Geraldo Alckmin teve 41% dos votos -, o PT conseguiu manter-se no poder com um misto de populismo, fisiologismo e muito dinheiro desviado dos cofres públicos para bancar as campanhas eleitorais.

AÉCIO QUASE VENCEU – A partir de 2013, com as grandes manifestações de massa contra o governo Dilma, esse eleitorado de centro e centro-direita foi à busca de quem derrotasse o PT nas eleições presidenciais. O tucano Aécio Neves quase venceu a eleição de 2014, e Bolsonaro, que não passa de um Cabo Daciolo com um parafuso a mais, tornou-se a saída diante de um Alckmin amorfo em 2018 e um Ciro Gomes traído por Lula em favor de Haddad.

Quando Ciro tentou ser a alternativa aos extremos, já não havia mais tempo. Sua imagem de destemperado está sendo repaginada pelo marqueteiro João Santana, para que possa tentar assumir o papel de terceira via que não colou em 2018, porque ele ficou a meio caminho. O ambiente político naquela ocasião pedia sangue nos olhos dos candidatos, o que Bolsonaro tem de sobra.

TERCEIRA VIA – Hoje, o ex-presidente Lula surge nas pesquisas como a alternativa natural, mas elas mostram também que o caminho para uma terceira via nunca esteve tão aberto, com a possibilidade de Bolsonaro, que desmancha a olhos vistos, nem mesmo chegar ao segundo turno. Essa massa eleitoral que abandonou Bolsonaro, no momento passou-se na maioria para o PT, num movimento que nada tem de perene.

O mais provável é que a campanha presidencial apresente aos eleitores outras opções, enquanto Lula e Bolsonaro se digladiarão, retroalimentando a disputa de ódio que hoje já está em andamento.

Difícil imaginar que quem fugiu do PT como o diabo da cruz em 2018 volte a ele apenas para derrotar Bolsonaro. Só se for a única alternativa. Como foi Bolsonaro em relação ao PT. É preciso quebrar esse ciclo paranóico.

A quem interessa esse absurdo ataque especulativo que fazem contra a vacina Coronavac?

Publicado em 13 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Homem segura embalagem e ampola da vacina produzida pela Sinovac

Coronavac é excelente e imunizou a população chinesa

Dimas Covas
Estadão

No mundo das finanças a especulação é uma espécie de aposta, geralmente não racional e sem fundamentação empírica, que tem em vista auferir ganhos exorbitantes.

Se no mercado financeiro especular pode ser um atalho para o lucro, o que ganham aqueles que o fazem na área da saúde e da ciência? Há algum sentido em apostar contra o que é feito com o objetivo de salvar vidas?

ATAQUE À CORONAVAC – Temos observado um ataque especulativo contínuo, inexplicável e absurdo à Coronavac, vacina desenvolvida pela biofarmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

É necessário esclarecer o contexto em que os ensaios clínicos de fase 3 da vacina foram realizados no Brasil. Diferentemente de outros estudos, o perfil do grupo de 12.500 voluntários que receberam vacina ou placebo foi exclusivamente de profissionais da saúde, pessoas extremamente expostas à infecção, num cenário de altíssima transmissibilidade do Sars-Cov-2.

Diante disso, a eficácia global de 50,7% – e que chega a 62,3% se as duas doses do imunizante forem aplicadas com intervalo igual ou superior a 21 dias – é fantástica, aliada à proteção de 83,8% a 100% observada para os casos que requerem algum tipo de assistência médica.

COMPARAÇÃO INVIÁVEL – Mas a quem interessaria promover uma inexistente comparação de eficácia das vacinas, tendo os imunizantes sido testados em cenários epidemiológicos e perfis de voluntários distintos? A ciência ainda não permite esse tipo de correlação e não é possível afirmar que uma vacina seja melhor do que a outra.

Especulou-se sobre a efetividade da vacina entre os idosos. Foi dessa forma que um estudo apresentado recentemente quis pôr em dúvida o potencial da Coronavac na proteção das pessoas com mais de 70 e 80 anos de idade, mas, na prática, o levantamento usou informações sobre casos positivos nessa população após a aplicação das duas doses, sem levar em consideração quantas dessas infecções de fato evoluíram para quadros graves ou óbitos – justamente o que a vacinação busca evitar.

ALGUMAS VERDADES – É sabido que vacinas não são barreiras definitivas para infecção. Mais ainda: o fator protetivo de imunizantes na população idosa tende a ser menor do que nos adultos jovens em razão do enfraquecimento do sistema imunológico com o avanço da idade.

A precariedade desse estudo alimentou uma falsa polêmica, suscitando um debate histérico sobre a necessidade de uma suposta “terceira dose” da Coronavac para os já imunizados. O esquema de imunização é completado com duas doses.

O que se estuda – para todas as vacinas contra a covid-19 disponíveis – é a possibilidade da repetição anual do ciclo vacinal, como é feito com a vacinação contra a gripe.

VACINA EFICAZ – A Coronavac tem-se mostrado eficiente em proteger os indivíduos e em reduzir o contágio pelo novo coronavírus na população. Os ensaios clínicos de fase 4 coordenados pelo Butantan em Serrana, no interior de São Paulo, comprovaram que, com 75% da população-alvo imunizada, houve drástica redução da circulação viral e a geração de uma espécie de “cinturão imunológico” na cidade, além de queda de 95% na incidência de mortes, de 80% no número de casos e de 86% nas hospitalizações por covid-19. A pesquisa confirmou o efeito indireto da vacinação, já que foi possível comprovar a proteção de populações não imunizadas, como crianças e adolescentes.

Em relação às variantes, os testes de fase 3, que fundamentaram tanto a aprovação de uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária quanto pela Organização Mundial da Saúde, já demonstraram que a vacina induz resposta imune satisfatória contra as cepas P1 – predominante no Brasil neste momento – e P2.

IMPORTANTE PESQUISA – É preciso destacar pesquisa divulgada pelo ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde Wanderson de Oliveira, que aponta ser a Coronavac a vacina que mais protege contra casos graves de covid-19.

Mais dados do mundo real comprovam a efetividade da vacina na redução da transmissão do Sars-Cov-2, como a vacinação, no início deste ano, de 20 mil profissionais de saúde no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP.

Foi possível observar que o número de casos registrados no HC após a vacinação não acompanhou a tendência de crescimento exponencial da doença observado na capital paulista.

NOVA FÁBRICA – Com apoio do governador João Doria, o Butantan, além de ter tornado viável a primeira vacina contra o coronavírus usada pelo Programa Nacional de Imunizações, está montando, mediante doações da iniciativa privada, uma nova fábrica que produzirá a Coronavac de forma integral, com capacidade para entregar 100 milhões de doses por ano. Tal investimento não se justificaria se a vacina não se tivesse comprovado segura, eficaz e eficiente.

A evolução da pandemia de covid pode demandar ajustes pontuais no imunizante, de maneira a aperfeiçoá-lo. Mas é só. Especular contra a Coronavac não leva a lugar nenhum. Quem apostar vai perder.

Dimas Covas é médico, cientista, professor da USP e presidente do Instituto Butantan

Juazeiro: Ex-prefeito diz não temer operação e afirma que gestão foi 'transparente'


por Francis Juliano

Juazeiro: Ex-prefeito diz não temer operação e afirma que gestão foi 'transparente'
Foto: Bahia Notícias

O ex-prefeito de Juazeiro, no Sertão do São Francisco, Paulo Bonfim, declarou que está "tranquilo" quanto à operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (13) (ver aqui). Ao Bahia Notícias, o ex-gestor disse que não tem o que temer sobre a ação.

 

"Minha gestão foi transparente e me deixou tranquilo quando saí. Deixei meu legado e não devo nada a órgão fiscalizador nenhum", afirmou Bonfim, atualmente assessor do governo do estado. Em uma nota, a ex-gestão de Juazeiro declarou também que está à disposição para colaborar com a apuração do caso.

 

"A gestão municipal à época não se omitiu em realizar os planos de ação de enfrentamento da pandemia, assim como em executar licitações e compras dentro do permitido em lei. Assim sendo, a ex gestão da Sesau informa que se coloca à disposição dos órgãos de controle e fiscalização para os devidos e necessários esclarecimentos", diz trecho da nota.

 

Nas primeiras horas da manhã desta terça, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em Juazeiro, na cidade vizinha de Petrolina (PE), Lauro de Freitas e Salvador.

 

A ação faz parte da Operação Carga Viral que investiga suspeita de fraudes na aquisição de máscaras e kits de testes rápidos para Covid-19 no ano passado. A PF estima prejuízo de R$ 1 milhão.

Bahia Notícias

Elcio Franco, o ‘Caveirão’ de Pazuello, é a peça central das investigações da CPI


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Élcio Franco passará a ser investigado pela CPI da Covid

Jussara Soares e Paula Ferreira
O Globo

“Minhas cicatrizes contam uma história, são lembranças de quando a vida tentou me parar e falhou” – o desabafo em formato de autoajuda foi postado, em inglês, pelo ex-número 2 do Ministério da Saúde na gestão de Eduardo Pazuello, o coronel da reserva Élcio Franco, na sexta-feira, 2 de julho, em seus stories do WhatsApp.

Na véspera, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se diz representante da empresa Davati e tentou intermediar a venda de vacinas para o governo, era mais um a citar o nome de Franco em depoimento à CPI da Covid. A temperatura ao redor do coronel sobe a cada oitiva realizada pela comissão.

PALAVRA FINAL – Ele é apontado como o dono da palavra final na nebulosa importação da vacina indiana Covaxin — um contrato de R$ 1,6 bilhão, fechado em tempo recorde, que foi suspenso por suspeitas de ilegalidade.

Franco também teria participado da decisão que fez com que a pasta comprasse a quantidade mínima dos imunizantes ofertados por um consórcio internacional. Foram adquiridas doses para vacinar o equivalente a 10% da população, embora o alcance pudesse ter chegado a 50%.

— Elcio Franco é um dos principais investigados da CPI no mar de lama das vacinas. Levantamos que, em 6 de março, o coronel fez um novo pedido de mais 50 milhões de doses da Covaxin. Um verdadeiro escárnio — disse ao GLOBO o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

Elcio Franco usa no terno o símbolo da caveira

ESTÁ NO PLANALTO – Braço direito de Pazuello nos bastidores do governo, Franco hoje ocupa um cargo de assessor especial da Casa Civil. Ele atua como anteparo do ex-ministro, que, por sua vez, é tratado como o escudo do presidente Jair Bolsonaro.

Num dos gestos que revelam seu comprometimento com o antigo chefe, Franco participou do pronunciamento no Palácio do Planalto, ao lado do ministro da secretaria-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, para rebater as denúncias apresentadas pelo servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda sobre a compra da Covaxin, quando ele e Onyx exibiram um documento grotescamente falsificado.

Franco trabalhou no ministério entre junho de 2020 e março deste ano, período em que ganhou a pecha de “centralizador”. Prova dessa característica é um ofício enviado por ele, em 29 de janeiro, a 16 departamentos da pasta, para centralizar todas as “ofertas, propostas e/ou qualquer tratativas alusivas a vacinas contra Covid-19”.

MISSÃO DIFÍCIL –  Hoje, o coronel tem como missão organizar os dados sobre seu período na Esplanada para municiar a defesa do governo.

Dono de um temperamento ríspido, Franco ficou isolado no ministério. Preferia tratar com militares e só acatava orientações vindas de patentes mais altas. No dia a dia, não falava com o então diretor do Departamento de Logística, Roberto Dias, outro personagem- chave para a CPI, acusado pelo mesmo Dominguetti de ter pedido propina para fechar contrato de compra de vacinas.

Segundo relatos ao GLOBO, quando precisava despachar no setor de Dias, Franco falava com o tenente-coronel Marcelo Blanco, também alvo da CPI.

ATUAVA SOZINHO – Franco não gostava de atender a pedidos políticos e resistia a receber até o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) — fontes citam uma divergência por conta da emenda apresentada pelo deputado que facilitou a importação da Covaxin. O comportamento teria gerado reclamação a Pazuello e ao Planalto.

— Não houve essa divergência, porque nunca estive com ele na secretaria-executiva — afirmou Barros.

Elcio carrega o apelido de “Caveirão”. Coincidência ou não, desde as primeiras coletivas das quais participou, o coronel ostentava um broche de uma caveira atravessada por uma faca. Ao longo de sua carreira no Exército, reuniu experiências como instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde Bolsonaro também estudou, e depois em postos de gestão, como Pazuello.

SEM MOSTRAR ABALO – Apesar de ter se tornado alvo da CPI, pessoas próximas a Franco dizem que ele segue impassível, tentando não demonstrar fragilidades ou sinais de desgaste.

Assim como Pazuello e outras 12 pessoas, ele passou à condição de investigado pela comissão, mas não responde a nenhum inquérito. Discreto, Franco circula pelo Planalto quase sempre de feição amarrada.

Ele não respondeu aos pedidos de entrevista de O Globo.

“Prevaricação se aplica a servidor público e não se aplicaria a mim”, afirma o ingênuo Bolsonaro


Luiz Fux recebe Jair Bolsonaro para a cerimônia de posse do ministro como novo presidente do STF.

Bolsonaro acha que é imune a crime de prevaricação

Por G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (12), após encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que a acusação de prevaricação se aplica a servidor público, mas não se aplicaria a ele.

A pedido da Procuradoria-Geral da República e com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal abriu inquérito para investigar se Bolsonaro prevaricou no caso das supostas irregularidades na negociação da vacina indiana Covaxin.

IRMÃOS MIRANDA – A suspeita de corrupção na negociação dessa vacina foi levantada pelo servidor Luis Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde, irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF). Ambos compareceram juntos à CPI da Covid e afirmaram que, durante um encontro em março com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, relataram ao presidente a “pressão atípica” que o servidor, chefe do Departamento de Importação do ministério, estaria recebendo para compra da vacina.

Segundo o Código Penal, o crime de prevaricação se configura quando um funcionário público “retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício”, ou se o pratica “contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

TROCANDO OS NOMES – Em entrevista ao deixar o Supremo, Bolsonaro disse que a eventual prevaricação não se aplicaria a ele. Ao responder, o presidente trocou o sobrenome do deputado Luis Miranda (DEM-DF), a quem chamou de “Luis Lima”. Ao final da entrevista, se corrigiu.

“O que eu entendo que é prevaricação se aplica a servidor público e não se aplicaria a mim. Mas qualquer denúncia de corrupção, eu tomo providência. Até o do Luis Lima, mesmo conhecendo toda a vida pregressa dele, a vida atual dele, eu conversei com Pazuello: ‘Pazuello, tem uma denúncia aqui do deputado Luis Lima que estaria algo errado acontecendo. Dá pra dar uma olhada?’ Ele viu e não tem nada de errado: ‘Já estamos tomando a providência. Vamos corrigir o que está sendo feito’. Agora, você pode ver. Foi corrigido!”, disse, acrescentando:

“Ele falou comigo na véspera do meu aniversário, 20 de março, se não me engano, foi lá. Deixou alguns papéis lá. Não entrei com profundidade se era invoice, se não era. Então os papéis que deixou lá, eu passei para frente isso daí. Quatro meses depois ele veio com essa denúncia. Se tivesse comprado a vacina, daí tudo bem, procede. Comprou vacina, pagou superfaturada etc. alguém prevaricou, não é? Está presente, em curso, crime de responsabilidade mais grave ainda. Tudo bem. Por que ele trouxe o negócio para frente se nada foi comprado? Nada foi para a frente no tocante à Covaxin. Nada compramos naquele momento”, afirmou Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Conforme diria o general João Figueiredo, o presidente Bolsonaro tem uma “ignorância sesquipedal”. Não tem a menor ideia das obrigações de um chefe de governo e acha que não é servidor público. Sinceramente… (C.N.)        


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