segunda-feira, julho 05, 2021

Povo nas ruas contra Bolsonaro, pelo impeachment, pela vacina, contra o golpe e pela democracia

Publicado em 5 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Governo Bolsonaro desmorona e não tem mais tempo para recuar

Pedro do Coutto

O povo voltou às ruas do país, principalmente na Avenida Paulista, no Rio de Janeiro, em Brasília, em diversas outras capitais e até no exterior, reunindo brasileiros que vivem em cidades americanas e na Europa.

Foram manifestações maciças que atingiram profundamente o presidente Bolsonaro e o governo, sobretudo na medida em que eventos tão intensos acrescentam o que estava faltando até há pouco, a voz do povo nas ruas fechando o círculo que isola ainda mais o presidente e o Palácio do Planalto.

ISOLAMENTO – No O Globo de domingo a reportagem é de Alfredo Mergulhão, Camila Zarur, Rodrigo Castro, Guilherme Caetano, Ivan Martínez Vargas e Mariana Muniz. Na Folha de São Paulo a reportagem não é assinada, mas tanto quanto o Globo destaca as manifestações que deixam a administração Bolsonaro isolada e vulnerável a qualquer ofensiva para decretação do seu impeachment.

O repórter Ricardo Balthazar, Folha de São Paulo, relata os diversos pedidos de impedimento contra o presidente e que estão engavetados pelo deputado Arthur Lira, presidente da Câmara  Federal. Lira é a última barreira colocada e voltada para resistir à onda da opinião pública contra um governo sem projeto e sem rumo, cuja atuação a cada dia piora, uma vez que o Planalto apoia-se em setores radicais da direita, nos produtores de mensagens nas redes sociais e no peso da inércia da Mesa Diretora, obstáculo para conter uma iniciativa que luta para afastar Jair Bolsonaro do cargo que ocupa, mas que não sabe agir dentro do espaço da liberdade e do regime democrático.

A pressão contra Bolsonaro aumentou no decorrer da última semana, conforme destaca Bernardo Mello Franco, O Globo. Em matéria de impeachment , acredito que a questão terminará no Supremo Tribunal Federal, quando os que assinaram os pedidos recorrerem contra a atitude de Arthur Lira.

ACIMA DA LEI – Não tem sentido o presidente de uma Casa do Congresso colocar-se acima da legislação e do bom senso, negando o recurso do plenário, o que caracteriza um caso singular. A maioria da Câmara inclina-se por votar a abertura do processo, mas encontra o bloqueio de Lira.

A contradição de tal atitude é evidente porque se a lei em vigor prevê a hipótese de o plenário rejeitar a posição do presidente da Casa, tal hipótese só pode se configurar depois que esse presidente liberar a matéria para a discussão do plenário, pois se não fizer isso estará barrando uma perspectiva legal bastante clara.

Mas como são 120 requerimentos contra o governo, os signatários deverão se reunir, penso eu, e redigir um documento comum para que a corrente possa entregar ao Supremo o desfecho e o destino da questão.

CASO HERZOG – Em um excelente artigo publicado ontem, no O Globo, Míriam Leitão destaca o transcurso dos 80 anos de Clarice Herzog, mãe do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do II Exército em 1975. Praticaram a farsa do suicídio por enforcamento quando ele de fato foi morto por torturas praticadas pelos órgãos de repressão, marcado por violento impulso de sadismo.

Cerca de duas semanas depois do assassinato de Herzog, um fato sinistro se repetiu com o operário Manoel Fiel Filho, nas mesmas dependências marcadas pelo desespero do jornalista e pelo desespero do operário, duas vítimas do maior crime hediondo da história que é a tortura.

Foi importante Míriam Leitão focalizar o tema em um momento em que, cada vez mais, se aproxima um desfecho que inclui o impedimento de Bolsonaro e a sua substituição por Hamilton Mourão. Isso porque, aceito o pedido de impeachment, o plenário da Câmara votará o afastamento de Bolsonaro pelo prazo de 120 dias. É possível, portanto, que superado o prazo de quatro meses, o afastamento provisório termine tornando-se definitivo.

FHC – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado no O Globo, dentro de seu estilo de não entrar em bola dividida, aconselhou Jair Bolsonaro  a prestar atenção ao que acontece no país, incluindo o acesso aos fundos públicos. Não deveria desviar o olhar, acrescentou, deixando a impressão de que os fundos públicos citados seriam os recursos dos planos de aposentadoria complementar das empresas estatais, como é o caso da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Eletrobras.

FHC diz que o presidente Bolsonaro deve atuar positivamente enquanto tem tempo. Discordo, pois não há mais tempo para recuar. O escândalo da compra de vacinas acentuado por Elio Gaspari em seu espaço no O Globo e na Folha de São Paulo deixa o Executivo numa situação de calamidade administrativa.

Conforme já dito aqui anteriormente, a queda livre do presidente foi acelerada pelo episódio estranhamente sombrio da intermediação da Covaxin indiana que não engana ninguém. A proposta foi arquitetada por uma teia de interesses que não dá margem para escapismos. A semana que se inicia aprofundará ainda mais a carga da opinião pública sobre o governo que faz oposição a si mesmo e, portanto, a todo o país.

MUSICAIS DO CINEMA –  Para não dizer que não falei das flores, restringindo-me apenas ao cheiro da pólvora dos levantes políticos, destaco o artigo de Ruy Castro, Folha de São Paulo, sobre os musicais do cinema. Ele citou “Cantando na Chuva” (1952), de Stanley Donen e Gene Kelly, e “My Fair Lady” (1964), de George Cukor.

Concordo, acrescentando “Sinfonia de Paris” (1951), de  Vincente Minnelli, e “La Ronde” (1951),  dirigido por Max Ophüls. Há também que assinalar a beleza da “Noviça Rebelde”. Mas “Cantando na Chuva” e “Sinfonia de Paris”, ambos com Gene Kelly, um gênio da dança, são igualmente inesquecíveis.

Pertencem ao passado e não creio que estilo eterno de sensibilidade e beleza  possa retornar na época de hoje. Deixam saudade e não se encontram nos catálogos da NetFlix, do Now ou da Amazon. Creio que a solução é adquirir os cassetes e também a tela na qual poderão ser exibidos. Ruy Castro, mais uma vez, assinala a sua condição que já lhe atribui de passageiro da história reveladora e tradutor do passado.


domingo, julho 04, 2021

Prefeita de Guaratinga exonera sobrinha, genro e cunhado após denúncia de nepotismo

 


 04 de Julho de 2021 às 17:02  Por: Divulgação  Por: Redação BNews

A prefeita Marlene Dantas (DEM), de Guaratinga, cidade no extremo sul da Bahia, exonerou três parentes que assumiam cargos comissionados na prefeitura, após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). A publicação saiu no Diário Oficial de quarta-feira (30).

Os exonerados são: Edney de Almeida Gomes: genro (diretor de departamento de compras); Isabella Dantas da Silva: sobrinha (chefe de divisão - Secretaria de Administração); Raimundo Vicente da Silva: cunhado (coordenador de transporte escolar).

A sobrinha da prefeita, Sônia Marta Moreira Martins, também citada na recomendação, que é diretora do departamento de RH, não consta na lista das exonerações da prefeitura. A prefeita Marlene tem até a terça-feira (6) para fazer a exoneração, sob pena de incorrer em ato de improbidade administrativa. Além disso, ela tem 30 dias para comunicar as exonerações ao MP-BA.

O Ministério Público também recomendou que ela exonere parentes do vice-prefeito, de secretários, do procurador do município e do chefe de gabinete.

Nota da redação deste Blog  - Enquanto isso em Jeremoabo a Lei existe, só que o todo poderoso prefeito não cumpre e fica por isso mesmo.

O prefeito de Jeremoabo tem orgulho de ser um fora da lei.

Bolsonaro, vacinas e simbiose com Centrão incluem militares no esquema da corrupção

Publicado em 4 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge reproduzida do Arquivo Google

Eliane Cantanhêde
Estadão

Há muitas suspeitas sobre a entrada em cena e a dubiedade do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que, de santo, não tem nada, mas uma coisa fica absolutamente clara: a simbiose entre militares e Centrão, particularmente no Ministério da Saúde, em meio a uma pandemia devastadora, joga o Exército e as próprias Forças Armadas, desnecessariamente, no meio do furacão.

Em meio a tantos picaretas, ou nomes duvidosos, como Roberto Dias, Francisco Maximiano, Luiz Miranda, o próprio Dominghetti e seu mentor “Cristiano”, lá estão, ora na CPI, ora na mídia, oficiais como Marcelo Blanco, Alexandre Martinelli e Roberto Criscioli, além de Eduardo Pazuello (da ativa) e Elcio Franco.

BEM LONGE DAQUI – Tenham ou não o que esconder, seria muito melhor para as Forças Armadas e o País que eles estivessem a léguas de distância de tudo isso.

Dominghetti conseguiu uma verdadeira façanha, na CPI: ser pressionado por todos os lados. Pelos governistas, por ter reafirmado o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina, que lhe teria sido feito por Roberto Dias. Pela oposição e pelos independentes, por ter usado o depoimento para plantar um áudio e tentar desqualificar o deputado Luis Miranda, que detonou o esquema da Covaxin e jogou a bomba no colo do próprio Bolsonaro.

Num enredo de filme de espionagem, Dominghetti foi apenas usado contra Miranda, ou é parte de uma sofisticada ação de contrainformação de uma espécie de “Abin paralela”? A dúvida é justa, até pelas origens dele: policial militar, bolsonarista, com coleção de processos e contatos na capital da República. Pau para toda obra. E ele não parece idiota e se expressa bem.

OPERAÇÃO TABAJARA – Para o senador e ex-delegado Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Dominghetti foi apenas usado para detonar Luis Miranda. Não foi uma ação de inteligência, mas de “quem se acha muito esperto”, e resumiu: “uma operação Uruguai, ou Tabajara”, numa referência à patetada para livrar Fernando Collor do impeachment.

O marco dessa nova fase da CPI foi a Covaxin, pois é muito suspeito o governo atacar a Coronavac, desprezar a Pfizer e acertar o lote mínimo da Covax Facility, mas sair em desabalada carreira para fechar negócio com a Covaxin com nota fiscal para uma offshore em paraíso fiscal. E jogou luzes sobre o Departamento de Logística do Ministério da Saúde, dirigido por Roberto Dias.

A Covaxin foi o fio do novelo, puxando as histórias da Davati, da Sputnik e da Convidecia, da China, com o mesmo enredo: vacinas não reconhecidas pela Anvisa, com preços exorbitantes e representantes esquisitões no Brasil.

FECHAR RAPIDINHO – Roberto Dias é acusado de pressionar subordinados para fechar rapidinho, e a qualquer custo, com a Covaxin e de pedir bilhões de reais em propina a Dominghetti e à Davati.

Com tantas vacinas, empresas, nomes, a CPI inverteu a pauta para ouvir o tal Dominghetti, policial militar da ativa em Minas que arranja tempo para sair oferecendo vacinas por aí, ser representante “informal” de uma empresa americana e ser alvo de dezenas de processos, por dar canos em aluguéis e compras de carros ou por indisciplina.

E a Davati também tem muito a explicar. Quer vender 400 milhões de doses, mas seu portfólio nem sequer cita vacinas e oferecia a AstraZeneca, que só negocia diretamente com governos e entidades oficiais e já tinha, inclusive, acordo com o Brasil, via Fiocruz. O Planalto comemorou cedo demais o “desmanche” duplo, de Miranda e do próprio Dominghetti. Se a “Operação Uruguai” foi um fracasso para salvar o pescoço de Collor em 1992, imaginem hoje, com internet, tempo real, quebra de sigilo telemático… Se o governo estava frito antes do depoimento de Dominghetti, continua frito depois. E trazendo militares para a frigideira.

Bolsonaro não tem provas da vulnerabilidade da urna eletrônica e vai ficar embromandoafiará o TSE

Publicado em 4 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Resultado de imagem para urna eletrônica charges

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Mônica Bergamo
Folha

A afirmação do presidente Jair Bolsonaro de que apresentará as provas que diz ter sobre fraudes nas eleições de 2018 “se eu quiser” foi recebida como mais uma bravata do presidente da República por ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No dia 21, o ministro Luís Felipe Salomão deu o prazo de 15 dias para que Bolsonaro mostre as provas que vive dizendo ter sobre irregularidades (ele chega a afirmar que venceu as eleições de 2018 no primeiro turno). Até agora, nada.

ATÉ AGOSTO – O prazo para que ele mostre algum tipo de evidência concreta do que diz vence Na terça-feira, dia 6 de julho —mas como o tribunal entrará em recesso, o presidente poderá apresentar a confirmação do que afirma em agosto. Os magistrados acreditam que Bolsonaro não desafiará o tribunal, ignorando o pedido de Salomão.

O procedimento foi instaurado para apurar a existência ou não de elementos concretos que possam ter comprometido as eleições de 2018 e 2020, atacadas pelo presidente e por autoridades bolsonaristas.

A inexistência das provas poderia até resultar na inelegibilidade de quem estaria, então, propagando mentiras sobre o sistema eleitoral, que é um dos principais pilares da democracia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não é difícil imaginar o que fará Bolsonaro. Como não tem nenhuma prova que possa mostrar, ele simplesmente ficará calado e fingirá que o assunto não é com ele. Exatamente como está procedendo em relação de um inquérito que corre contra ele no Supremo. Como não tem como se defender das acusações do ex-ministro Sérgio Moro, o presidente se recusa a depor. E fica tudo por isso mesmo, como se dizia antigamente. (C.N.)


Ministério Público Eleitoral solicita a cassação do diploma e do mandato do prefeito Pequeno Sales

 

 


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A Justiça Eleitoral da 129ª Zona Eleitoral em Catu, no Recôncavo baiano, acatou o pedido do Ministério Público Eleitoral que em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), ajuizada pela promotora eleitoral Anna Karina Senna, solicita a cassação do diploma e, consequentemente, do mandato do prefeito Narlison Borges Sales (PTB) e do seu vice-prefeito, José Nardison de Sales (PTB).

Pequeno Sales, como é conhecido, venceu as eleições municipais em 2020 com 52,41% dos votos válidos contra 45,62% do segundo colocado, o candidato André Marques (PSD).

Na época, o MPE acusou Pequeno Sales de realizar atos de campanha presenciais, o que gerou aglomeração de pessoas, ocasionando riscos. “Algo inaceitável e que não pode ser tolerado pela Justiça Eleitoral”, disse a promotora.

O órgão informou ainda que, ao tomar conhecimento das realizações dos atos de campanha para promoção da sua candidatura, em descumprimento às normas vigentes na Bahia acerca da política de combate à pandemia da Covid-19, chegou a realizar reuniões de conscientização e expediu recomendações ao comitê do prefeiturável.

“É forçoso reconhecer que os acionados ultrapassaram, reiteradamente, todos os limites toleráveis, praticando condutas manifestamente contrárias ao ordenamento jurídico-eleitoral, ao propagarem de forma ilícita suas candidaturas, às custas da aglomeração de pessoas em plena pandemia, quando o isolamento social ainda se impunha, em flagrante demonstração de abuso de poder, desacreditando a Justiça Eleitoral e as autoridades sanitárias”, afirma o texto da peça.

Por fim, a promotora pede, além da cassação do diploma do prefeito e vice de Catu, a declaração de inegibilidade de ambos para os próximos oito anos.

Em seu despacho, o juiz eleitoral Fabio de Oliveira Cordeiro determinou que Pequeno Sales e Dr. Nardson, como é conhecido, se manifestem sobre as acusações.

Fonte: A Tarde\Foto Capa: Instagram

Nota da redação deste Blog - Esse caso em comparação ao que aconteceu em Jeremoabo não passa de " um peixe pequeno", de um aprendiz.

Aglomeração foi o mínimo que aconteceu em Jeremoabo, é apenas um pecado capital, e os pecados cabeludos ou mortais praticados pelo atual prefeito?

Porém como os "  os çábios" do grupo do perefito dizem que não irá dá nada, vamos aguardar.

Uma milícia de picaretas humilha um país onde já morreram mais de 500 mil pessoas

Publicado em 4 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Kleber Sales (correio Braziliense)

Elio Gaspari
Folha/O Globo

A vacina com pixuleco de um dólar humilha um país onde já morreram mais de 500 mil pessoas e, entre os vivos, há 14,8 milhões de desempregados. Passados dois anos da promessa de uma “nova política” com Jair Bolsonaro, chegou-se a algo muito pior. Sabia-se que as tais “bancadas temáticas” que dariam suporte ao governo eram uma fantasia, prima do nióbio, do grafeno e da cloroquina. Tudo acabou nas mãos do Centrão, reforçado pelo primarismo das milícias.

Nenhum dos picaretas que atacou a bolsa da Viúva equiparou-se ao cabo da PM mineira Luiz Paulo Dominguetti Pereira. Ele denunciou que Roberto Ferreira Dias, o então diretor de logística do Ministério da Saúde, pediu-lhe um pixuleco de um dólar para cada unidade da vacina da Oxford/AstraZeneca numa encomenda de 400 milhões de unidades.

ALGO INALCANÇÁVEL – A um dólar por vacina o pixuleco seria de 400 milhões de dólares. Isso não existe, como não existe um rato de 400 toneladas.

Na tarde de quinta-feira o senador Tasso Jereissati, com sua experiência de empresário bem-sucedido, demonstrou que o laboratório AstraZeneca não teria como entrar numa operação desse tipo. Se isso fosse pouco, a empresa nunca teria capacidade para fornecer 400 milhões de vacinas a quem quer que seja.

Num governo normal, o cabo Dominguetti seria desqualificado como um simples Napoleão de hospício, mas o de Bolsonaro não é um governo normal. Nele, os Napoleões internam o diretor do manicômio.

DISSE O CORONEL – Em dezembro do ano passado, o coronel Elcio Franco, com seu brochinho de punhal ensanguentado, disse que o governador João Doria sonhava acordado ao prometer vacinas para janeiro: “Não brinque com a esperança de milhares de brasileiros. Não venda sonhos”. No dia 17 de janeiro a enfermeira Mônica Calazans recebeu a primeira dose da vacina CoronaVac, aquela que Bolsonaro garantia que não seria comprada.

Um mês depois da vacinação de Mônica Calazans, o cabo Dominguetti encontrou-se com Dias num restaurante de Brasília. Ele estava acompanhado pelo seu assessor, o coronel da reserva Marcelo Blanco, um dos 21 militares da ativa e da reserva que escoltavam o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde.

Em março, ao deixar o cargo, o próprio Pazuello denunciou “a liderança política que nós temos hoje”. Atribuiu sua queda a um grupo de “oito atores (…) um grupo interno nosso” que “tentou empurrar uma pseudonota técnica que nos colocaria em extrema vulnerabilidade, querendo que aquele medicamento, a partir dali, estivesse com critérios técnicos do ministério, e ele (o medicamento) não tinha”.

SEM EXPLICAÇÕES – O general deixou o ministério, subiu no carro de som de Bolsonaro e hoje está no Palácio do Planalto. Nunca explicou quem eram os oito, nem qual era o medicamento.

Três dias antes do jantar com o cabo Dominguetti, o tenente-coronel Blanco, assessor do então diretor de logística do Ministério da Saúde, abriu a empresa Valorem Consultoria em Gestão Empresarial. Já o diretor Roberto Dias estava com a cabeça a prêmio, pois Pazuello havia decidido demiti-lo, mas o senador Davi Alcolumbre segurou a lâmina na Casa Civil da Presidência.

A mesma lâmina que meses depois cortaria o pescoço da médica infectologista Luana Araújo, nomeada pelo ministro Marcelo Queiroga para a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19. Ela não merecia a confiança do governo, pois condenara o uso de drogas milagrosas.

NO ANDAR DE CIMA – O cabo Dominguetti operou a compra de vacinas vindo do andar de baixo. Pelo andar de cima conhecem-se duas operações. Uma veio da autodeclarada Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas. Ela trabalhava com a Covaxin indiana, representada pelo por Francisco Maximiano, o Max.

No braço da Oxford/AstraZeneca, que reiteraria nada ter a ver com a proposta, notáveis operadores tentaram, sem sucesso, formar um consórcio de empresas que trariam ao Brasil 33 milhões de vacinas. Como no caso dos 400 milhões de Dominguetti, ofereciam uma produção que a empresa não seria capaz de produzir.

Essa operação teve a simpatia de Fabio Wajngarten, então secretário de Comunicação do governo, do diretor jurídico do grupo Gerdau e do doutor Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo. Skaf desmentiu que tivesse perfilhado a proposta e ela sumiu na orfandade.

PREÇOS ASTRONÔMICOS – A dose da AstraZeneca do cabo custaria US$ 3,5 (sem contar o dólar do pixuleco). A do andar de cima sairia por US$ 23,79. Ainda não se conhece ainda a identidade do operador dessa proposta.

Enquanto toda sorte de espertalhões que tentavam atravessar contratos de vacinas e os çábios do governo obstruíam negociações com a Pfizer, foi o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, quem desemperrou as conversas.

Não disse uma palavra antes, durante, nem depois.

Virou bagunça! Ministério da Saúde deu aval para reverendo negociar compra de vacinas


Flávio Bolsonaro com o reverendo que negocia vacinas

Bruno Tavares
Jornal Nacional

E-mails obtidos pelo Jornal Nacional revelam que o diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz, deu aval para que um reverendo e a entidade presidida por ele negociassem 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca em nome do governo brasileiro com a empresa americana Davati.

A Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários, conhecida como Senah, foi fundada pelo reverendo Amilton Gomes de Paula. A sede fica em Brasília. São os nomes da Senah e do reverendo que aparecem nos e-mails obtidos pelos Jornal Nacional.

CARTA DE PROPOSTA – O JN procurou Cristiano Carvalho, representante oficial da Davati no Brasil, e ele confirmou que estava copiado nas mensagens.

No dia 23 de fevereiro, Lauricio Cruz, que é diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, enviou um e-mail para o reverendo Amilton. O assunto do e-mail era: “lista de presença e carta de proposta para fornecimento”.

A mensagem do e-mail começa assim: “inicialmente agradecemos a disponibilidade da Senah, representada por sua pessoa (…) Na apresentação da proposta comercial para fornecimento de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca”. E finaliza dizendo que “todos os processos de aquisição de vacinas no âmbito do Ministério da Saúde estão sendo direcionados pela Secretaria Executiva”.

REUNIÃO NO MINISTÉRIO – No dia 4 de março, o reverendo postou fotos em uma rede social de uma reunião no Ministério da Saúde. Cruz está em uma das fotos. Na postagem, o reverendo escreveu: “Senah faz reunião no ministério para articulação mundial em busca de vacinas e para a consecução de uma grande quantidade dos imunizantes a ser disponibilizada no Brasil”.

Em 9 de março, Cruz envia outro e-mail, desta vez endereçado a Herman Cardenas, presidente da Davati nos Estados Unidos: “Informo que o Instituto Nacional de Assuntos Humanitários, representado pelo seu presidente Amilton Gomes, esteve no Ministério da Saúde em agenda oficial da Secretaria de Vigilância em Saúde e no Departamento de Logística com a discussão sobre as tratativas sobre a vacina da ‘AstraZenica’ e que o mesmo foi encaminhado para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde”.

Em outro trecho do e-mail, o diretor de Imunização deixa claro que a Senah tinha o aval do Ministério da Saúde para negociar a compra de vacinas com a Davati: “por fim, esperamos que os avanços de forma humanitária entre o Ministério e ‘AstraZenica’ pelo Instituto Nacional de Assuntos Humanitários”. Esse instituto a que ele se refere é a Senah, a entidade presidida pelo reverendo Amilton Gomes de Paula.

EM ESTÁGIO FINAL – No dia seguinte, 10 de março, o reverendo Amilton enviou e-mail para o presidente da Davati nos Estados Unidos. Em inglês, o reverendo escreve: “Eu cordialmente venho agradecer pela confiança depositada em nossa instituição em conduzir negociações com o Ministério da Saúde do Brasil. As negociações estão em estágio final e a expectativa é que o contrato seja assinado em 12 de março de 2021”.

O reverendo diz ainda: “nós pedimos para que enviem os dados para preencher o contrato de aquisição das vacinas (…) E que seja fornecido o s-g-s para ser enviado ao ministro quando ele requisitar”.

SGS é nome de uma empresa de certificação que atesta se determinado produto está em conformidade com as normas e regulamentações.

PREÇO ASTRONÔMICO – Por fim, o reverendo faz um pedido: “nós solicitamos com urgência o FCO atualizado, com o valor de US$ 17,50 como acordado em 5 de março e com a data de entrega”. FCO é uma sigla em inglês que quer dizer oferta completa de venda.

O reverendo manda um novo e-mail, um dia depois. E reafirma, em inglês, para o presidente da Davati, o papel da Senah.

“A Senah, devidamente reconhecida como interlocutora na negociação referente à aquisição das vacinas AstraZeneca entre a companhia Davati e o Ministério da Saúde, vem através deste informar que em 12 de março, às dez da manhã, no horário do Brasil, haverá um encontro com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Élcio Franco, para tratar de questões relacionadas à aquisição de vacinas da AstraZeneca via Davati, fortalecendo assim a confiabilidade dos laços para futuras aquisições”, escreveu o reverendo.

HOUVE A REUNIÃO – Ele pede, então, a presença de representantes da Davati à reunião, já no dia seguinte. O representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, confirmou ao Jornal Nacional, por telefone, que o encontro com Élcio Franco, na época secretário executivo do Ministério da Saúde, ocorreu dia 12 de março, às 10h05. A Davati era empresa de material de construção antes da pandemia

Na agenda oficial de Élcio Franco, em dia 12 de março, aparece uma reunião com o presidente do Instituto Força Brasil, coronel Hélcio Bruno de Almeida. O representante da Davati diz que ele também participou da reunião.

O secretario Élcio Franco foi exonerado do cargo em 26 de março. E o negócio com a Davati não foi concretizado. O Jornal Nacional tentou contato com o reverendo Amilton, com o Ministério da Saúde e com a Casa Civil, mas não obteve resposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Realmente, virou bagunça. Daqui a pouco vai aparecer no Ministério o pastor Malacheia, digo Malafaia, querendo sua parte nesse latifúndio medicamentoso, no qual predomina o Deus Dinheiro, aquele que na política só aparece para os eleitos. (C.N.)


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