quarta-feira, março 31, 2021

Marco Aurélio Mello marca sua aposentadoria do Supremo para 5 de julho


Substituto será indicado por Bolsonaro e depois aprovado pelo Senado

Deu na Folha

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), anunciou nesta terça-feira, dia 30, que irá se aposentar no próximo dia 5 de julho. Em nota, o Supremo confirmou a data, dizendo que o decano informou à presidência da Corte que se afastará uma semana antes de completar os 75 anos —limite máximo para permanecer como integrante do STF.

Marco Aurélio será o segundo ministro do Supremo a se aposentar durante o mandato de Jair Bolsonaro na Presidência da República. No ano passado, quando também completaria a idade máxima, Celso de Mello deixou a Corte, sendo substituído por Kassio Nunes Marques.

INDICAÇÃO – Bolsonaro deverá indicar o substituto de Marco Aurélio nos próximos meses. O nome escolhido pelo presidente precisa passar pela apreciação do Senado antes de sua confirmação no cargo. Marco Aurélio completa 75 anos no dia 12 de julho. Porém, em documento enviado à presidência do STF, o ministro disse deixará a função uma semana antes da aposentadoria compulsória “para ter mais segurança sobre os proventos”.

Marco Aurélio completará 31 anos no STF no dia 13 de junho. Ele tomou posse em 1990, vindo da Justiça do Trabalho (foi ministro do Tribunal Superior do Trabalho e juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região).

Ele exerceu a presidência da República em quatro ocasiões. Em uma delas, sancionou a lei de criação da TV Justiça. Como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Marco Aurélio organizou, em 1996, a primeira eleição pelo sistema eletrônico de votação.

‘Bolsonaro está cada vez mais parecido com Chávez e Maduro’, diz Rodrigo Maia

Publicado em 30 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Fala de Maia ocorreu após a saída de comandantes das Forças Armadas

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro está cada vez mais parecido com os ditadores venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A fala ocorreu ao comentar a saída dos três comandantes das Forças Armadas nesta terça-feira, dia 30.

“Bolsonaro está cada vez mais parecido com Chávez e Maduro. Logo mais começam a expropriar. E muita gente, na elite principalmente, acha que é uma opção contra o PT. É muito mais do que isso. Um autoritário sempre será autoritário”, alfinetou.

RENÚNCIA CONJUNTA – No Exército, deixa o cargo Edson Pujol; na Marinha, Ilques Barbosa; e na Aeronáutica, sai Antônio Carlos Moretti Bermudez. Eles entregaram os postos um dia após o chefe do Executivo ter pedido o cargo ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Orçamento aprovado traz manobras parecidas com as pedaladas fiscais de Guido Mantega


Charge do Kacio (Arquivo Google)

Samuel Pessôa
Folha

É comum acreditar que o Orçamento não tem impactos reais na economia. Que o importante é o que as pessoas acham que há nele. Assim, se houver alguma maneira de esconder gastos sem que fique explícito, a operação será indolor. O gasto existe. Porém, como não aparece explicitamente no Orçamento, não deixará marcas na economia. Não pressionará a demanda nem terá impacto sobre a dívida. É a leitura de que vale o que aparece, e não o que é.

É fato que o que aparece é importante. Muitas vezes as expectativas são afetadas pelo que vemos, e as expectativas têm impactos reais sobre a economia. Por exemplo, se todos acreditam que o Tesouro quebrou, ninguém aceita os títulos de dívida, e o Tesouro acaba quebrando mesmo. Se todos acreditam que a inflação subirá, todos remarcarão seus preços e, portanto, a inflação sobe.

MUITAS EXPECTATIVAS – Assim, há em economia inúmeras expectativas autorrealizáveis. Por esse motivo, os governos se esforçam para que os números sejam os melhores possíveis. Ocorre que há as expectativas, mas também há os fundamentos, isto é, o que é. Mais cedo ou mais tarde, a realidade se impõe.

Na semana passada, o Orçamento foi votado. Houve a redução de gastos obrigatórios de R$ 26 bilhões. Um dos subterfúgios que se pretende utilizar, mas que nem sequer foi posto em lei ou medida provisória, é jogar a conta do auxílio-doença do INSS para as empresas pagarem, com posterior desconto nos impostos devidos. Outra foi jogar para 2022 o gasto com abono salarial do segundo semestre de 2021. Muito parecido com as pedaladas fiscais de triste memória.

Essas medidas reduzem a transparência do gasto, abrem espaço artificial para gastar mais e jogam para o futuro despesas cujo fato gerador ocorre agora.

MAQUIAGEM GROSSEIRA – Adicionalmente, houve o artifício de subestimar diversos itens dos gastos. Tudo para que sobrem mais recursos para as emendas parlamentares.

Apesar de essas medidas terem sido tomadas pelo Congresso, tudo sugere que houve a participação do presidente e sua articulação política. Não creio que da equipe econômica.

Antes dessas pedaladas no Orçamento, o presidente já tinha tentado diversas ações, com sucesso em alguns casos: blindar os militares e policiais na reforma da Previdência; retirar os investimentos do teto do gasto na tentativa de desenhar versão tropicalizada de um Plano Marshall; capitalizar uma empresa estatal para construir navios, driblando o teto de gastos; adiar o pagamento de precatórios; mudar o presidente da Petrobras em razão da política de preço dos derivados de petróleo; tirar o Bolsa Família do teto do gasto; tirar os PMs dos gatilhos da PEC Emergencial recém-aprovada.

AMBIGUIDADES – Evidentemente essas ambiguidades do presidente aumentam a percepção de risco. O câmbio se desvaloriza, o que acaba por elevar o preço dos alimentos. E, como consequência, a popularidade cai. Os atalhos sempre têm um custo. Os fatos se impõem sobre as pedaladas, e outubro de 2022 está muito distante.

O atual Orçamento, com a subestimação de diversos itens do gasto, é inexequível. Parece que a estratégia do presidente é criar um fato consumado para desmoralizar o teto.

Tudo com o objetivo de elevar o espaço de emendas para os deputados da base de sustentação. Seria mais lógico que, com a constituição de sua base, o presidente compartilhasse o poder com uma divisão mais justa dos ministérios. Os atalhos são mais caros.

No aniversário da ditadura, Bolsonaro sonha com um novo golpe que não conseguirá dar


DITADURA NO DNA – Contra o Vento

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Parodiando os geniais compositores Luiz Reis e Haroldo Barbosa, não há dúvida de que Jair Bolsonaro tem cara de maluco, pinta de maluco e jeito de maluco. Mas na undécima hora, quando todo mundo pensa que o chefe de governo vai concretizar a maluquice, ele dá uma meia trava e demonstra ter a exata noção do que está fazendo.

Foi o que aconteceu nesta segunda-feira, dia 29, quando a Lula Cheia e a proximidade do 31 de Março parece que mexeram com a psiquê do presidente, que entrou em alfa e demitiu o ministro da Defesa, seu amigo de juventude Fernando Azevedo e Silva.

ESTADO DE SÍTIO – O objetivo é claro – fazer as Forças Armadas se envolverem com a política e apoiarem o estado de sítio (ou de exceção) que o atual presidente tanto almeja.

A estratégia de Bolsonaro era demitir os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica na segunda-feira, mas o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, recusou-se a obedecer. Mas na terça-feira, diante da saída do ministro da Defesa, os comandantes ficaram revoltados e também deixariam seus cargos.

Era exatamente o que Bolsonaro almejava, porque eles abriram caminho para a nomeação de comandantes de baixíssimo nível, amoldáveis, maleáveis e manipuláveis a ponto de apoiar Bolsonaro num golpe de estado. Essa é a missão impossível do novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, que agora tem de encontrar três patetas para comandar as Forças Armadas. 

NO FORTE APACHE – Esta quarta-feira, 31 de março, é mais um aniversário da Revolução de 64. Bolsonaro terá de estar perfilado junto ao novo ministro Braga Netto no Forte Apache, onde ouvirá a leitura da Ordem do Dia sobre a importância democrática do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart.

O general Braga Netto vai desfilar de saia justa, por saber que não pode obedecer Bolsonaro e lhe dar poderes ditatoriais, pois o Alto Comando já vetou essa possibilidade. Se atender a Bolsonaro, o novo ministro da  Defesa estará traindo as instituições que jurou honrar e vai se arrepender muito.

Aliás, se sucumbir à pressão e acabar dando força a um golpe militar de um desequilibrado mental como Bolsonaro, o general Braga Netto mostrará que também não está em seu juízo perfeito. Assim, também precisará ser medicado e cumprir internação, quando poderá se exibir à vontade como Napoleão de hospício. 


Governo vem promovendo o desmonte de dois órgãos da maior importância, o IBGE e o Inep


charge amazonia5 corte na educação-bolsonaro-celsogiannazi

Charge do João Bosco (O Liberal)

Antônio Gois
O Globo

Nos últimos dias, além da tragédia com o aumento de mortes por Covid-19, vimos duas das mais respeitadas instituições da República sofrerem duros golpes: o IBGE e o Inep. Ambas prestam, através de seus reconhecidos corpos técnicos, um serviço essencial para o melhor planejamento de políticas públicas sociais no Brasil.

O ataque ao IBGE veio na decisão do Congresso Nacional de cortar o orçamento do Instituto em mais de 90%, inviabilizando, caso não seja revertido, a realização do Censo Demográfico neste ano. Vale lembrar que o levantamento decenal – o mais importante e extenso feito pelo instituto – já está defasado, pois deveria ter sido no ano passado, mas foi adiado por causa da pandemia.

GOLPE NA EDUCAÇÃO – Apenas para ficar num exemplo educacional, sem o Censo, informações vitais como o número de crianças em cada município sem acesso a creches ou escolas no país deixam de ser aferidas de forma precisa.

O mais grave é que isso gera um efeito cascata em todas as demais pesquisas amostrais que, nos intervalos dos Censos, procuram estimar, a partir da base populacional fornecida pelo IBGE, as condições de vida da população.

A cada ano em que deixamos de realizar a pesquisa, aumentam as chances, por exemplo, de transferências de recursos federais na educação estarem deixando de chegar como deveriam a crianças e jovens que mais precisam deles, prejudicando a eficiência e eficácia das políticas públicas.

AO LADO DO HAITI – Como lembraram em carta oito ex-presidentes do IBGE, como o último Censo ocorreu em 2010, “o Brasil se junta ao Haiti, Afeganistão, Congo, Líbia e outros estados falidos ou em guerra que estão há mais de 11 anos sem informação estatística adequada para apoiar suas políticas econômicas e sociais.”

No caso do Inep, principal órgão de pesquisas e avaliações educacionais do país, o ataque é não apenas orçamentário, mas, principalmente, ideológico. E vem acontecendo desde o início do governo Bolsonaro. Em pouco mais de dois anos, quatro presidentes já passaram pelo órgão e vários nomes sem o menor conhecimento técnico sobre avaliação educacional foram colocados em cargos importantes.

O caso mais emblemático é da Diretoria de Avaliação da Educação Básica, responsável pelo Enem, ocupada hoje por um coronel aviador que sucedeu no cargo um general da reserva, morto no início do ano por Covid-19.

SEM INDIGNAÇÃO – Diante de tantos desvarios, vamos perdendo a capacidade de indignação, mas a situação é tão absurda quanto seria colocar um pedagogo para cuidar da Diretoria de Obras Militares do Exército ou do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da FAB.

O mais recente golpe no Inep foi revelado pela jornalista Renata Cafardo em sua coluna no Estadão, há dois domingos: um grupo técnico que havia sido criado para discutir a atualização do Ideb (principal indicador oficial da qualidade do ensino no país) foi dissolvido. Dele faziam parte técnicos do instituto e representantes do MEC, Conselho Nacional de Educação e secretarias estaduais e municipais.

Os trabalhos agora serão coordenados pela secretaria-executiva do MEC. Os motivos da mudança não foram esclarecidos, mas a leitura no setor educacional é de que a atual cúpula do ministério quer esvaziar o Inep, pois vê em seu corpo técnico um obstáculo às mudanças que pretende impor.

(artigo enviado pelo advogado Celso Serra)

No meio da tempestade, candidatura de Bolsonaro perde força para sucessão de 2022

Publicado em 31 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto
 
É o que digo sempre, os panoramas da política se alteram repentinamente e surgem novos rumos, novos confrontos, novas disputas que se acentuam com o calor dos debates e do desempenho dos candidatos, independentemente de legendas partidárias. Os exemplos são muitos: Jânio Quadros, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula iluminaram a realidade fornecendo novas imagens.  

Há um mês e meio atrás discutia-se quem seria o adversário de Bolsonaro nas urnas de 2022. Cogitou-se o nome do João Doria entre os mais prováveis. De repente, o STF tornou Lula elegível. Mudou tudo. Agora, a crise militar, com a demissão do general Azevedo e Silva e a saída dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

TUDO MUDOU – Não adianta o Planalto tentar, como fez, amenizar a crise dizendo que Bolsonaro havia demitido os comandantes das Forças Armadas. Saíram por iniciativa própria, basta ver a declaração feita ontem pelo general Edson Pujol, veiculado pela GloboNews, quando disse que os militares não têm partido político e que a política não entra nos quartéis. Tudo mudou.  

E agora uma nova realidade surge no palco na sequência da tormenta militar que ainda está muito longe do desfecho final. Seria importante uma pesquisa do Datafolha sobre o reflexo na opinião pública sobre a crise militar, medindo também o abalo sofrido por Bolsonaro. Abalo que ainda pode se ampliar caso o general Braga Netto não consiga reunir nomes para preencher os comandos do Exército, da Marinha e  da Aeronáutica no Ministério da Defesa.  

INTERVENÇÃO – Na tarde de ontem, assinalando o reflexo na Câmara Federal, o deputado Major Vitor Hugo não conseguiu colocar em pauta o projeto contido em Medida Provisória, ampliando a atuação do governo federal enquanto durar a pandemia, permitindo até a intervenção nos estados. A rejeição foi a prova da perda de influência do Palácio do Planalto na área parlamentar.

Houve também o pronunciamento do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ressaltando que não era hora de expandir poderes, mas de enfrentar a pandemia. Com isso, perde também embalo a nomeação da deputada Flávia Arruda na coordenadoria política do governo. Como se constata a cada momento, o governo Bolsonaro entrou em pleno declínio. A meu ver sua recuperação é dificílima. Se é que existe perspectiva nesse sentido.

DEMISSÃO NA PETROBRAS – Reportagem de Nicola Pamplona destaca a demissão da Petrobras do gerente executivo de Recursos Humanos, Cláudio Costa. Descumpriu a proibição do estatuto de que funcionários não podem negociar ações da empresa 15 dias antes da divulgação das demonstrações financeiras.

Isso foi feito por Cláudio Costa e o balanço levou a estatal a um prejuízo de R$ 102,5 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias. A Petrobras não informou se a venda foi feita antes ou depois da queda das ações. E também não revelou o nome dos proprietários dessas ações, embora pela lei em vigor todas as ações, tanto ordinárias quanto preferenciais, só podem ser nominativas.

As transações atribuídas a Cláudio Costa, sabe-se apenas, foram feitas pela corretora Tullet Prebon. Existiu também o caso, com grande repercussão, da compra de ações por certificados de risco. Os que compraram, certamente com base na informação privilegiada, lucraram cifras muito altas. Um mistério ainda a ser desvendado.

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