sábado, dezembro 19, 2020

Interferência na PF: Defesa de Moro pede ao STF novo depoimento de Alexandre Ramagem


Reportagens mostraram envolvimento Abin na defesa de Flávio

André de Souza
O Globo

A defesa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a realização de um novo depoimento do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, no inquérito aberto para investigar se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir nos trabalhos da Polícia Federal (PF).

Os advogados citaram reportagens das revistas “Época” e “Crusoé” que mostram a atuação da Abin e de Ramagem para ajudar a defesa do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, na investigação das “rachadinhas”. Assim, a defesa de Moro solicitou também que a Abin forneça cópia de eventuais relatórios, mesmo que extraoficiais, relacionados a Flávio e seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

BARRADO – Embora diretor da Abin, Ramagem é um personagem importante no inquérito  porque ele era o nome de Bolsonaro para chefiar a PF. Delegado da corporação, ele só não assumiu porque foi barrado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Moraes é inclusive o relator do inquérito em que Bolsonaro é investigado.

“Portanto, a junção inusitada das circunstâncias fáticas acima relacionadas, mesmo que se tratem, por ora, apenas de notícias jornalísticas, endossa e reforça a imprescindibilidade de novo depoimento do Dr. Alexandre Ramagem — apontado pela imprensa como possível subscritor ou autor dos mencionados relatórios — bem como a requisição de cópia destes mesmos relatórios alegadamente produzidos pelos agentes de inteligência ou pelo próprio órgão”, diz trecho do pedido assinados pela equipe de advogados capitaneada por Rodrigo Sánchez Rios, que defende Moro.

Segundo reportagem publicada na penúltima edição da revista “Época” a Abin produziu ao menos dois relatórios para orientar advogados de Flavio Bolsonaro sobre o que deveria ser feito para obter os documentos para embasar um pedido de anulação do caso das “rachadinhas”. Flavio é investigado por ter participado do esquema quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Já a “Crusoé” mostrou que o material foi enviado diretamente pelo próprio Ramagem.

“NUNCA FOI PEDIDO” – Em maio, no inquérito em curso no STF, Ramagem prestou depoimento. Na época, ele disse que “nunca foi pedido pelo presidente da República informação ou relatório de inteligência sobre fato específico investigado sob sigilo pela Polícia Federal”. Contou também que Bolsonaro nunca conversou com ele “sob a forma de intromissão sobre investigações específicas da Polícia Federal que pudessem, de alguma forma, atingir pessoas a ele ligadas”.

Questionado se, ao ser nomeado para dirigir a PF, tivesse uma missão específica, como repassar informações do chamado “inquérito das fake news”, obter informações de processos de interesse no Rio de Janeiro, ou o que apurou o atentado à vida de Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) durante a campanha de 2018, ele negou. O “inquérito das fake news”, também relatado pelo ministro Moraes, apura ataques e críticas ao STF e tem como alvos, dentre outros, alguns aliados e apoiadores do presidente da República.

No depoimento de maio, Ramagem, que atuou na segurança de Bolsonaro quando ele foi candidato a presidente em 2018, também disse não ser nem amigo nem inimigo do presidente ou de Moro, tendo apenas uma relação próxima com eles em razão do trabalho. Afirmou que frequentou a residência oficial a Presidência da República apenas para fins profissionais, e negou ter amizade com os filhos do presidente. Mas reconheceu que “goza da consideração, respeito e apreço da família do Presidente Bolsonaro pelos trabalhos realizados e pela confiança do Presidente da República no trabalho” dele.

RELATÓRIO – Na terça-feira desta semana, em resposta a um despacho da ministra Cármen Lúcia, do STF, Ramagem negou que a Abin tenha emitido qualquer relatório para auxiliar a defesa de Flavio Bolsonaro. Ele também pediu para ter acesso aos documentos mencionados pela revista “Época” na reportagem que mostrou o suposto uso da agência para favorecer o filho do presidente da República. Argumentou ainda que matéria jornalística não pode ser considerada prova de investigação.

“A agência não emitiu relatórios de inteligência referidos na matéria, ou qualquer documento relacionado ao tema”, diz o texto enviado ao Supremo, acrescentando: “Após a reunião, não houve qualquer ação decorrente, seja por parte do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), seja no âmbito da Abin, por não se tratar de assunto de segurança institucional, mas de tema de cunho interno da Receita Federal, já tratado no âmbito da Corregedoria daquele órgão.”

Ainda segundo Ramagem, “cumpre à Abin obter acesso aos ditos ‘relatórios’ que embasaram a matéria, a fim de adotar medidas judiciais tendentes ao restabelecimento da verdade. A partir do acesso aos relatórios, obtidos judicialmente, será possível comprovar que tais documentos não foram emitidos pela Abin, já que não houve qualquer ação institucional decorrente da reunião mantida com as advogadas do senador.”

REUNIÃO – A Abin é ligada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefiado pelo ministro Augusto Heleno. Assim, no documento enviado ao STF, Heleno confirmou que participou de uma reunião do presidente Jair Bolsonaro com a defesa de Flávio e Ramagem para discutir o caso das “rachadinhas”. O ministro afirmou que, ao perceber que o caso não tinha relação com Segurança Institucional, desconsiderou a possibilidade de envolver o GSI e a Abin no assunto.

“Tomei conhecimento das linhas gerais do assunto que teria sido tratado nos supostos relatórios em uma reunião no Gabinete do Presidente da República, onde estavam presentes: eu, duas advogadas, que se disseram representantes de Flávio Bolsonaro, o diretor da Abin, e o próprio presidente da República; limitei-me a ouvir o que tinham a dizer e, diante dos fatos, que não possuíam qualquer envolvimento com segurança institucional, concluí que não era competência do GSI e nem da Abin, interferir no assunto. Desliguei-me juntamente com o GSI totalmente desse assunto”, disse ao Supremo.

Ele também disse que a ação relatada por Cármen Lúcia no STF, apresentada pelos partidos Rede Sustentabilidade e PSB, tem motivação política e visa atingir a honra das pessoas citadas pela reportagem: ”As matérias são especulativas, sem nenhum lastro de veracidade, e a ação judicial que nela se ampara padece dos mesmos vícios, razão pela qual não tem como prosperar. Utilizam-se, ambas, levianamente de caros instrumentos da democracia: a liberdade de expressão e o livre acesso ao Judiciário, numa nítida tentativa de criar obstáculos à governabilidade e manipular a opinião pública. cabe-nos, enquanto cidadão, repudiar tais excessos.”

Diretor da Abin orientou a defesa, diz advogada de Flávio, desmentindo Heleno e Ramagem


Advogada de Flávio diz que não seguiu recomendações de Ramagem: "não fiz  nada" - Brasil 247

Advogada diz que Ramagem (Abin) lhe enviou o relatório

Rafael Moraes Moura
Portal Terra

Em entrevista à revista Época publicada nesta sexta-feira, dia 18, a advogada Luciana Pires, que defende o senador Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas e participou da reunião com o presidente da República, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, confirmou ter recebido relatório informal do delegado Alexandre Ramagem, que comanda a Abin, dando-lhe coordenadas de como agir para tentar inocentar Flávio no caso.

A orientação da Abin à defesa do Flávio foi revelada na semana passada, também pela Época, e confirmada pelo Estadão. Em dois documentos enviadas à advogada, há detalhes do funcionamento de suposta organização criminosa na Receita Federal que, segundo a defesa do senador, teria feito uma devassa nos dados fiscais do filho do presidente.

“DEFENDER FH” – Em um dos documentos, a finalidade descrita é ‘Defender FB no caso Alerj’. O filho do presidente é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob suspeita de comandar um esquema que desviava salários de funcionários do seu gabinete no período em que era deputado estadual – a chamada “rachadinha”.

O Ministério Público estadual já denunciou Flávio Bolsonaro por vários crimes, inclusive formação de quadrilha, com a participação da própria esposa, Fernanda Bolsonaro, mas o parlamentar nega irregularidades.

Segundo a advogada Luciana Pires, entre as sugestões listadas pela agência à defesa do senador estão a demissão de servidores do Fisco e da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão responsável pela fiscalização da administração pública. Há também sugestão de demitir o ministro da Corregedoria-Geral da União, Gilberto Waller Júnior, substituindo-o por um delegado federal ligado ao presidente Bolsonaro.

ACUSAÇÕES GRAVES – Na terça-feira, 15, ao comentar o caso, o procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que são “graves” as acusações de que a Abin passou orientações para auxiliar a defesa de Flávio, mas ressaltou na ocasião que ainda faltavam provas para confirmar o episódio. Aras também cobrou informações do GSI e da Abin sobre o caso.

“O fato em si narrado é grave, o que não temos são provas desses fatos, nós não trabalhamos com narrativas. Trabalhamos com fatos e provas”, disse o procurador-geral na ocasião.

Na sexta-feira, dia 18, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Procuradoria-Geral da República investigue as acusações de que o diretor-presidente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, orientou a defesa do senador Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas.

DIVERSOS CRIMES – Em sua decisão, Cármen determina que a PGR seja notificada “para investigar os fatos descritos, os quais, pelo menos em tese, podem configurar atos penal e administrativamente relevantes (prevaricação, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, crime de responsabilidade e improbidade administrativa)”.

Após Cármen cobrar informações, ministro Auigusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão a qual a agência é vinculada, e o diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, negaram terem produzido qualquer relatório para auxiliar a defesa do senador.

Mas agora a advogada Luciana Pires confirma ter recebido as instruções, que lhe foram enviadas pelo próprio Ramagem, mas não pode segui-las, porque se tratava de decisões a serem tomadas pelo Executivo, como a demissão de determinados servidores da Receita.

“ABIN PARALELA” – Reportagem da revista Crusoé, também publicada nesta sexta-feira, afirma que Bolsonaro montou uma espécie de ‘Abin paralela’ dentro do órgão de inteligência, que é subordinado ao GSI do general Augusto Heleno. Além de Ramagem, outros dois agentes da PF foram levados para integrar a agência e coordenar esse núcleo responsável por levantar informações sensíveis ao presidente.

São eles Marcelo Bormevet, chefe da Coordenação-geral de Credenciamento de Segurança e Análise de Segurança Corporativa, e Flávio Antônio Gomes, superintendente da Abin em São Paulo. Um quarto nome, o papiloscopista da PF João Paulo Dondelli, foi contratado no Ministério das Comunicações e também faz parte do grupo, segundo a revista.

Todos eles integraram a equipe que fez a segurança de Bolsonaro durante a campanha eleitoral e se aproximaram da família, em especial do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), o “Zero Dois”.

SERVIDORES REVOLTADOS – Como mostrou o Estadão, a revelação de que a Abin estava sendo usada para orientar a defesa do Flávio provocou reações de insatisfação entre associações de servidores da Abin.

A ala dos oficiais e agentes de carreira vive um desconforto com ações supostamente atribuídas a servidores de fora, nomeados por Ramagem.

Após chefiar a equipe de segurança da campanha de Bolsonaro, Ramagem ganhou intimidade com os filhos do presidente, com quem costuma confraternizar. Ele foi pivô da crise que culminou com a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Bolsonaro queria emplacar Ramagem no comando da PF, o que o ex-juiz da Lava Jato considerou uma interferência para influenciar nas investigações contra filhos do presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Com a entrevista da advogada, confirmando rigorosamente os termos da denúncia da Época, fica fácil para os federais conseguirem provas materiais. Basta confiscar o computador do escritório de advocacia, que recebeu o e-mail de Ramagem, um tremendo irresponsável, que merece ser processado e expulso da Polícia Federal, sem direito a aposentadoria. (C.N.)

Mourão considera “normal” imposição de restrições a quem não for vacinado contra covid-19

Publicado em 19 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Mourão disse que Bolsonaro possui uma “sensibilidade muito grande”

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou, nesta sexta-feira, dia 18, que considera “normal” a imposição de restrições a quem se recusar a ser vacinado contra covid-19. O vice-presidente comparou a medida à exigência de vacina contra febre amarela para viagens ou ingresso no serviço público.

Nesta quinta-feira, na contramão do que prega o presidente Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 10 votos a 1, que a vacinação contra o novo coronavírus pode ser obrigatória. Apesar de entender que a imunização não deve ocorrer à força, a Corte definiu que podem ser aplicadas sanções administrativas contra quem se recusar a receber as doses, como o impedimento de acessar determinados serviços e lugares.

CERTIFICADO – “Depois que a gente conseguir disponibilizar vacina para toda a população, poderão em algum momento ocorrer medidas até de… É o caso, por exemplo, de vacina da febre amarela. Você só viaja para determinadas regiões tendo sido vacinado. No próprio serviço público, vou dizer aqui nas Forças Armadas, você, para ingressar, tem que apresentar certificado de algumas vacinas. Isso poderá ocorrer num futuro. É uma coisa normal isso aí tudo”, disse a jornalistas na chegada ao Palácio do Planalto.

Sobre a dificuldade de conseguir doses de imunizantes para toda a população, o general ressaltou que isso não atrasará a volta à normalidade. A previsão, de acordo com ele, é de que 150 milhões de pessoas sejam vacinadas no próximo ano, e que esse número pode levar à “imunidade de rebanho”.

“O que se calcula, ano que vem, é que a gente conseguiria vacinar 150 milhões de pessoas, e isso levaria à tal imunidade de rebanho. Essa é a visão, o ministro da Saúde tem colocado isso seguidamente. Não vejo problema nisso”, destacou.Mourão ressaltou, ainda, que vai se vacinar, desde que a vacina seja “eficiente e eficaz”. “Não uma daquelas que depois eu vá passar mal. Eu sou velhinho, não pode dar mole, não, pô”, disse, sorrindo.

INÍCIO DA VACINAÇÃO  – Sobre o início da vacinação no Brasil em fevereiro do próximo ano, ele alegou que é necessário aguardar a chegada dos imunizantes. “Nós não temos as vacinas ainda. O Reino Unido, quantas pessoas vacinou agora? 190 mil segundo o dado que eu tenho. EUA também está vacinando pouca gente. É vacina emergencial e para determinados grupos, principalmente aí pessoal de saúde e pessoas mais idosas. Temos que aguardar que tenhamos todo produto na mão. Quando tiver o produto, a gente começa”.

Por fim, ao ser perguntado se Bolsonaro mudou tom no discurso do plano de vacinação, ao pregar união com governadores, Mourão justificou dizendo que o presidente possui uma “sensibilidade muito grande”.”O presidente tem uma sensibilidade muito grande. Muitas vezes vocês podem achar que não, mas ele tem essa sensibilidade. Em determinado momento, ele entende que é hora dele fazer um determinado discurso para nação toda, e não às vezes discursos particulares quando realiza em determinados momentos”, concluiu.

Sabotagem presidencial à vacina instaura insegurança e se contrapõe à retomada da economia


Charge do Duke (domtotal.com)

Bruno Boghossian
Folha

Dias depois de chamar a Covid-19 de gripezinha, em março, Jair Bolsonaro usou um argumento econômico para justificar sua indiferença diante da pandemia. “Não é apenas a questão de vida. É a questão da economia também”, declarou.

Bolsonaro fez uma escolha e defendeu por meses o retorno forçado a uma normalidade impossível. Agora, quando a chegada da vacinação abre o primeiro caminho para a redução do distanciamento e para uma retomada segura, a sabotagem presidencial permanece na equação.

IMPACTO – As sirenes tocam alto na área econômica. O presidente do Banco Central declarou nos últimos dias que um atraso na vacinação “obviamente vai ter impacto na atividade”. Já o número dois do Ministério da Economia precisou lembrar que a recuperação de vários setores está ligada à imunização. “Com a vacina, a população vai se sentir segura e, com isso, a economia vai se recuperar mais rapidamente”, disse o secretário-executivo Marcelo Guaranys.

O ministério de Paulo Guedes tem feito propaganda da destinação de R$ 20 bilhões para a compra e a distribuição de imunizantes. Mas o Palácio do Planalto se recusa a entender que não adianta despejar dinheiro no programa se o presidente continuar estimulando a população a recusar a vacina contra o coronavírus.Os perigos são mais do que evidentes na cúpula da equipe econômica.

RISCO – O secretário Adolfo Sachsida disse ao SBT que a estimativa do governo para 2021 pressupõe “que a vacina está aí”, que os brasileiros seguem recomendações dos órgãos de saúde e que, aos poucos, “a pandemia vai diminuindo”. Sem essas condições, portanto, economia tem mais chances de continuar no buraco.

Pensando na própria sobrevivência política, Bolsonaro atacou as medidas de distanciamento que provocaram uma redução das atividades. Ele afirmava que “economia e saúde têm que andar de mãos dadas”. Primeiro, parecia que o presidente só queria saber do primeiro item, mas já está claro que ele não liga para uma coisa nem outra.

Parlamentares da base do governo lideram publicações com dados falsos em rede social


Terra publicou 104 mensagens falsas e obteve 1 milhão de interações

Fábio Zanini
Folha

O deputado Osmar Terra (MDB-RS), médico e ex-ministro (Cidadania), está na liderança entre os parlamentares que mais disseminaram desinformações sobre o coronavírus no Twitter, segundo levantamento do portal de checagem Aos Fatos.

O site verificou mil mensagens publicadas por deputados e senadores sobre a pandemia de Covid-19, entre os dias 11 de março e 15 de dezembro. Entre os assuntos mais comentados, destaques para o incentivo ao uso de cloroquina ou demais medicamentos sem eficácia comprovada no combate ao vírus e teses considerando que medidas de isolamento são inúteis.

OSMAR TERRA – O mais engajado, Terra publicou 104 mensagens com dados falsos ou imprecisos e obteve 1 milhão de interações no Twitter. Segundo o levantamento de Aos Fatos, Terra foi o responsável por um terço da desinformação. Ele, ainda, postou outras 44 mensagens com dados precisos sobre a pandemia de Covid-19.

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) está em segundo com 42 postagens contendo notícias falsas ou com imprecisão e conseguiu 621 mil interações. Atrás vem a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que levou ao ar 27 mensagens sobre o coronavírus e colheu 312 mil curtidas e retweets.A deputada Bia Kicis (PSL-DF), com 24 mensagens e 242 mil curtidas, e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), após seis posts e 141 mil interações, completam a lista dos cinco primeiros colocados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Políticos covardes que em plena pandemia disseminam desinformação dezenas de vezes, aproveitando-se da repercussão promovida pelos cargos que ocupam. Deveriam ser severamente punidos, pois nesses casos não há ingenuidade, engano ou interpretação alternativa. Trata-se de má fé e descaso com a vida da população. (Marcelo Copelli)


As provas do caso Abin são desmoralizantes e só resta a Bolsonaro atacar a imprensa


Bolsonaro usando a imprensa

Charge do Duke (dukechargista.com,br

Vicente Limongi Netto

Paladinos de barro do Palácio do Planalto usam da intimidação, arma dos fracos e sem argumentos, na torpe tentativa de desqualificar a matéria da revista “Época”, que revelou, com fatos abundantes, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) forneceu relatórios aos advogados do senador Flávio Bolsonaro, para ajudá-lo no inquérito das “rachadinhas”.

Aos desesperados alquimistas palacianos só resta uma melancólica saída, diante da verdade mostrada na reportagem de Guilherme Amado: exibir ao público e ao Supremo um rosário de falsa e hipócrita indignação, porque os fatos falam por si.

CULPA DA IMPRENSA – Sem poder responder à Época, o destemperado Bolsonaro voltou a atacar a imprensa. Em solenidade na Policia Militar do Rio de Janeiro, recomendou aos policiais que não acreditem no que a imprensa publica. Patética, deplorável e absurda sandice, mais uma, de um chefe da nação que deslustra o cargo.

Escrevi, a propósito, sobre o assunto, em artigo também na Tribuna da Internet do dia 26 de agosto. Ponderei, entre outras coisas, que Bolsonaro deveria respeitar os outros. Se quiser ser respeitado. Aprender a conviver com o contraditório. Adquirir bons modos. Evitar ser grosseiro e mal educado. Cansamos de suas diatribes. Não trate jornalistas como se fossem seus vassalos. Pare de pisar nos outros. Troque de remédios. Tudo indica que os que usa estão vencidos.

E o “mito” aloprado reiterou que não vai tomar vacina. Posso reforçar,  então, o que escrevi, aqui na Tribuna da Internet, dia 2 de dezembro.  Problema dele. Sobrarão vacinas para brasileiros que respeitam as normas sanitárias.

CAFAJESTE ENGRAVATADO – As imagens são claras, repugnantes e irrefutáveis. Local:  plenário da AssemblEia Legislativa de São Paulo.  O cafajeste engravatado, deputado  Fernando Cury (Cidadania).  aproxima-se da deputada Isa Penna( PSOL).

Sorrateiro, pelas costas, esfrega-se no corpo da parlamentar e coloca a mão boba no seio dela. Constrangida, ela repele a torpeza do cretino.

E o trêfego Cury ainda  teve o descaramento de declarar que não fez nada de errado. É a pandemia, gerando ordinários e patifes.

BAGAÇO DE LARANJA – Pense com carinho, sem pressa, esfrie a cabeça. Tem horas que a saúde e o conforto da família são mais importantes. No trabalho, você se dedica, se esfola e, geralmente, no fim, é tratado como laranja. O patrão chupa e joga os bagaços na nossa cara. Jamais passei por tais constrangimentos, embora tivesse gênio explosivo e pouca paciência com serviçais de donos de empresas. Muito menos com poderosos calhordas, encrustados nos ministérios, no executivo e no legislativo, que pretendiam monitorar ou conduzir a informação a gosto deles.

Jamais dobrei a espinha para calhordas, pulhas e falsos democratas. Como chefe, sempre apoiei repórteres. Porque nunca deixei de ser um deles. São eles que colhem notícias. São eles que fazem  o jornal, a revista, o rádio e a televisão. Tive o prazer de conviver e trabalhar com mestres. Aprendi muito com eles. 

Belo dia, por ordem da matriz,  fui sacado da chefia de reportagem porque fiquei do lado do repórter contra exigência torpe e canalha de um estúpido  burocrata do Ministério das Comunicações.

AMADURECIMENTO – Nunca me arrependi da minha atitude.  Com o tempo, com esposa, filhas e netos, vamos amadurecendo.  Respiramos mais, antes de possíveis desatinos. Permaneço, até quando Deus permitir, nos calcanhares dos venais, hipócritas, canalhas, oportunistas e patrulheiros em geral. Estão em todos os lugares.

Ocupam cargos altos. Cretinos, incompetentes e covardes. Inimigos da liberdade de informação. Detestam o contraditório. Ameaçam empresas. Se julgam donos da verdade, éticos e santos. Morro de rir.

A bruxa do mal e da subserviência morde, espanta, ronda e assassina chefes de famílias. Cuidem-se. Tenham saúde, luz e nervos de aço.

De olho em 2022, Kassab deixa Casa Civil de Doria após dois anos de licença por suspeitas de corrupção


Kassab pediu licença do cargo antes mesmo do início da gestão

Deu no Estadão

Secretário licenciado desde o começo da gestão João Doria (PSDB), o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) oficializou sua saída da Casa Civil. A iniciativa de deixar o governo em definitivo partiu do próprio Kassab, segundo comunicado divulgado pelo governo do Estado nesta sexta-feira, dia 18.

O comunicado confirma que Doria recebeu a carta de demissão de Kassab nesta sexta e afirma que o governo “respeita a decisão do ex-ministro das Cidades e ex-prefeito de São Paulo de sair definitivamente em uma decisão de comum acordo”. A nota ainda diz que “mesmo distante, Kassab colaborou com a administração estadual nestes dois anos”.

ALVO DE OPERAÇÃO – Escolhido por Doria para a pasta, Kassab pediu licença do cargo antes mesmo do início da gestão, em 27 de dezembro de 2018. A decisão foi tomada, após o ex-prefeito se tornar alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, relacionada a uma delação do grupo J&F.

Presidente nacional do PSD, partido que compõe a base aliada de Doria em São Paulo e do presidente Jair Bolsonaro no cenário federal, Kassab deve se dedicar a partir de agora ao planejamento da sigla para 2022. O partido teve um crescimento considerável nas eleições municipais deste ano, saltando de 538 para 634 prefeitos eleitos, mantendo-se como o 3º partido do País com mais municípios.

Apesar da saída oficial do principal líder do governo, a tendência é que o PSD mantenha o espaço na gestão Doria, uma vez que o atual secretário-executivo da Casa Civil, Antonio Carlos Rizeque Malufe, é filiado ao partido e aliado do ex-ministro das gestões Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).

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