terça-feira, dezembro 15, 2020

Mourão diz que campanha eleitoral para 2022 foi colocada na rua “cedo demais” e não pode ser “recolhida”


Mourão admitiu que ele e Bolsonaro não conversam há “algum tempo”

Emilly Behnke, Silvia Araujo e Gustavo Porto
Estadão

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou, em entrevista exclusiva ao “Papo com Editor”, do Estadão/Broadcast, que a disputa eleitoral de 2022 foi colocada em pauta “cedo demais”. Para ele, o embate entre o presidente Jair Bolsonaro e seu adversário político João Doria (PSDB), governador de São Paulo e um dos pré-candidatos à sucessão, deve continuar até o “desfecho nas urnas”.

“A campanha eleitoral para 2022 foi colocada na rua cedo demais. Então, a partir daí, é aquela história, ela partiu e não dá mais para ser recolhida. Na minha visão, vai continuar esse clima (de embate)”, avaliou. O vice-presidente opinou que Doria “vem fazendo uso dos mais variados meios para se colocar em evidência e sempre buscando ser um contraponto ao nosso governo”.

AÇÃO CONCRETA – Apesar disso, a briga política se mantém no campo declaratório e da retórica, segundo Mourão. “Esse embate está muito nas palavras. Quando vocês forem olhar ações concretas, não tem ação concreta. Nem o governo federal está prejudicando o governo de São Paulo e nem o governo de São Paulo vai fazer uma nova Revolução de 32”, comentou.

Na visão do vice-presidente, a discussão está pautada, em especial, na questão da vacina contra a covid-19, que para ele é usada como “instrumento político”. “Está havendo uma discussão muito grande em torno de algo que ainda não existe”, opinou Mourão, ao lembrar que o Brasil ainda não tem imunizantes certificados.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro e Doria divergem sobre a estratégia de combate ao vírus. Ao contrário do chefe do Executivo, o governador também defende a obrigatoriedade da vacina e a adoção do imunizante de origem chinesa, a Coronavac, produzida em parceria com o Instituto Butantan. Apesar das constantes críticas públicas entre os dois, Mourão aposta que a briga possa “cansar” e esfriar até 2022.

“CANSAÇO” – “O embate está nas palavras, não tem ação concreta e já vem cansando. Vamos aguardar os próximos passos. Julgo que vai ficar nessa figura de retórica e talvez em determinado momento até dê uma arrefecida”, acrescentou.

Em mais um sinal do distanciamento com o chefe do Executivo, Mourão disse, durante a entrevista, que “faz algum tempo” que não tem conversas particulares com o presidente Bolsonaro. Questionado sobre planos para uma reunião privada com o presidente sobre temas fora do Executivo, Mourão respondeu: “Se for provocado, sim”.

“A realidade é que faz algum tempo que não temos uma conversa particular”, disse. O vice-presidente também negou possíveis planos de passar o Natal junto do presidente. “É um momento que é mais da família”, disse. Nesta semana, o vice-presidente disse que pretende despachar com Bolsonaro sobre a decisão sobre a reestruturação da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban).

DISPONÍVEL – Em relação às eleições de 2022 e uma possível repetição da chapa de 2018, Mourão negou que tenha tratado sobre o assunto com Bolsonaro. Mas, se mostrou disponível caso seja convidado. “Até o presente momento, o presidente Jair Bolsonaro não tocou nesse assunto comigo. Estou pronto para acompanhá-lo caso ele deseje e vá ser candidato em 2022, porque tudo é possível daqui para lá”, disse.

Apesar de ser mais receptivo com a imprensa do que Bolsonaro, o vice-presidente afirmou que prefere uma “posição secundária” no governo e não de evidência. “Desde o primeiro momento sempre me coloquei numa posição para assessorar o presidente Bolsonaro da melhor forma possível e buscar facilitar as ações dele”, explicou.

No início de novembro, contudo, Bolsonaro e Mourão divergiram sobre as eleições nos Estados Unidos. Enquanto o vice-presidente disse que eventualmente o governo reconheceria a vitória de Biden nos EUA, o chefe do Executivo negou que tivesse conversado com Mourão sobre o assunto, expondo o distanciamento entre os dois. A vacina contra a covid-19 e, recentemente, a tecnologia 5G também já foram temas de opiniões opostas de Bolsonaro e Mourão.

Mendonça nega contradição em apoio de Bolsonaro a Arthur Lira : “Ser réu não significa que foi condenado”


Mendonça considera Bolsonaro o “profeta no combate à criminalidade”

Camila Mattoso e Julia Chaib
Folha

O ministro André Mendonça (Justiça) defende o apoio de Jair Bolsonaro ao líder do PP, Arthur Lira (AL), para a presidência da Câmara. O parlamentar se tornou réu por corrupção passiva em outubro de 2019 em um inquérito da Lava Jato. Mendonça nega que o respaldo ao deputado seja uma contradição à bandeira que elegeu o presidente. “O fato de ser réu não significa que foi condenado”, afirmou o ministro, em entrevista à Folha.

Em abril passado, ao assumir o cargo, Mendonça fez um discurso no qual fez uma série de menções elogiosas a Bolsonaro, a quem chamou de “profeta no combate à criminalidade”. Quase um mês após a morte de João Alberto, em uma loja do Carrefour de Porto Alegre, o ministro falou pela primeira vez sobre o episódio e evitou dizer que houve racismo.

DIÁLOGO – Mendonça elogiou Alexandre Ramagem, atual chefe da Abin e que teve a sua nomeação à PF barrada pelo Supremo, e disse que não há indicação de mudança na direção da Polícia Federal. Sucessor de Sergio Moro, o ministro disse que ampliou o diálogo com estados para integrar os sistemas de segurança pública e aprimorar o combate a crimes.

Há quase oito meses no cargo, Mendonça está sob cuidados médicos pela terceira vez. Ele teve uma miocardite aguda diagnosticada em setembro, contraiu coronavírus em novembro e agora está com início de pneumonia. Os médicos recomendaram repouso.

Recentemente um homem negro foi morto dentro de um Carrefour. O senhor considerou o caso um episódio de racismo? O senhor pensa pautas específicas para violência contra negros?
O fato foi gravíssimo. Uma agressão inaceitável e desproporcional. O trabalho de investigação é que vai identificar as razões. E, logicamente, independentemente de ter sido ou não racismo, merece punição rigorosa.

O vice-presidente disse que não há racismo no Brasil, e o presidente deu uma declaração relativizando. O senhor concorda com eles?
O que o próprio presidente disse é que qualquer crime contra qualquer pessoa, homem mulher, negro ou branco, idoso ou jovem, deve ser reprimido. E acho que este é o nosso papel. Todas as vidas importam, a da mulher, do homem, do idoso.

Perguntamos se há política para aumento de homicídios de negros, a resposta não é clara, o senhor . falou sobre mulheres, idosos. Passa a impressão de que esse assunto não pode ser tratado. Por que não chamar de racismo o que é racismo?
Se houve racismo, tem que ser punido. Sem dúvida. A gente não pode desconsiderar essa hipótese. Não posso dizer que não há racismo. O racismo parte de uma pessoa que não compreende a igualdade do outro em função da sua cor, por exemplo. E se há motivação nesse sentido, ela deve ser punida.

A questão do homicídio, muitas vezes, há um número grande relacionado ao crime organizado. Em havendo uma maior sujeição de uma maior população negra vítima desse crime organizado, logicamente que vai alcançá-los dentro dessa proporcionalidade.

O senhor acha que não é possível fazer políticas especificamente para a população negra ?
Entendo que qualquer política pública tem que ser baseada na evidência. Por exemplo, numa favela, uma vítima de um crime organizado, se tem um negro ou branco vitima da violência, preciso priorizar os dois. Não posso dizer ‘primeiro vou atender o branco, ou primeiro vou atender o negro’. A discriminação não pode existir para raça nenhuma.

O presidente apoia Arthur Lira (PP-AL), que é réu na Lava Jato, para o comando da Câmara. Não é um contrassenso para um governo que se elegeu com a bandeira do combate à corrupção?
Contrassenso haveria se houvesse alguma tentativa de interferir na investigação contra quem quer que seja. Não é isso que o governo faz.

O governo endossa um nome que é réu para comandar um Poder.
O fato de ser réu não significa que foi condenado. Independentemente de aliado ou não, a Polícia Federal tem atuado com independência. Há uma relação política, agora há uma relação institucional. A relação institucional é de independência das instituições, em nenhum momento, houve ou haverá interferência nesse sentido.

O ex-ministro do Turismo foi indiciado e denunciado por um esquema de laranjas. Ele sai do governo não por isso, mas por uma questão de espaço do centrão, que é quem o presidente dizia na campanha que combateria. Como o senhor avalia isso? Achava normal ter um ministro denunciado e indicado dentro do governo?
Posso dizer, primeiro, que dentro do governo não há um A questionável sendo apurado com relação ao ministro Marcelo. A questão relativa às eleições foi anterior. Logicamente que isso deve ser apurado e com independência. Ao mesmo tempo, só registrar, o ministro não saiu do governo para se acomodar A ou B. Ele saiu por circunstâncias internas. Estando no governo ou agora voltando para a Câmara o importante é que a investigação seja conduzida com transparência e independência para que se chegue a um resultado final.

O senhor foi nomeado após a saída de Sergio Moro, que acusou o presidente de interferir na PF. A imagem de independência da PF ficou abalada. Qual a sua visão depois desses meses?
Primeiro que a denúncia era uma denúncia vazia. Todos os elementos do inquérito indicam isso. Tanto da minha experiência anterior [na AGU] como da minha nesse período à frente do ministério é de total independência na gestão e condução das questões, de modo específico na Polícia Federal. Tanto que há inquéritos e investigações em curso com relação a pessoas que defendem e são alinhadas ao próprio governo.

Não foi o senhor que indicou o atual diretor-geral da PF. Qual avaliação que o senhor  faz do trabalho e por quanto tempo ele vai permanecer?
O diretor-geral tem feito um grande trabalho à frente da PF e não há nenhuma discussão sobre alteração na Polícia Federal.

Existe a possibilidade de renomear Alexandre Ramagem ao fim do inquérito da interferência na PF?
O que posso dizer é que o doutor Ramagem é um grande delegado, tem histórico exemplar na Polícia Federal, mas que não há nenhuma indicação de mudança na direção da PF.

A PF deve ter três novas diretorias. Por que o senhor quer fazer essa mudança?
Pensamos em trazer uma melhor estrutura, com especialização em áreas que são muito caras para a sociedade, tanto o combate ao tráfico de drogas quanto de combate à corrupção. Estamos reestruturando para garantir melhores resultados na área de segurança pública.

A PF e a Polícia Rodoviária Federal [PRF] vivem uma briga nos bastidores. Um dos pontos é de atribuição, como atuação em portos. O senhor se reuniu com os diretores para alinhamento?
Não tenho registro de operação da PRF em portos. Parênteses: tiraram fotos mas não era operação. O que deve haver é: se o acesso ao porto é uma rodovia federal, a PRF tem essa atribuição. Se não for, entendo que não. A grande questão é que haja uma integração. A mesma integração que deve haver entre união e estados, deve haver entre as polícias da união. O nosso diálogo é sempre nesse sentido.

O senhor foi criticado por ter entrado com um habeas corpus para defender o ex-ministro Abraham Weintraub e depois pelo dossiê contra grupos antifascistas. O senhor teve que extrapolar assuntos do seu cargo para atender pedidos de Bolsonaro?
O nosso trabalho foi no sentido de preservar as bases do estado democrático de direito. No contexto do HC havia uma situação de exposição de todos os ministros em uma reunião fechada. O HC foi a forma mais democrática possível, porque ele é o instrumento jurídico que melhor representa as garantias individuais.

O senhor ficou frustrado por não ter sido indicado ao STF?
Não, nenhuma frustração. O presidente exerceu bem a sua prerrogativa, da indicação do ministro Kassio [Marques]. O que todos os brasileiros, o que nós queremos, é que ele seja um grande ministro do Supremo e tenho certeza que será.

O senhor acha ainda que é importante ter um ministro evangélico?
O STF deve representar a nossa sociedade. Acho legítimo ter um evangélico, um deficiente físico, mulher, católicos, judeus, quem não tem religião.

Mas só há uma vaga. Tem de ser um evangélico?
Quem pode responder é o próprio presidente.

Em relação à obrigatoriedade da vacinação, qual sua opinião?
Vários países do mundo não vão estabelecer essa obrigatoriedade. Uma vacina, principalmente numa fase inicial, numa perspectiva de que ainda que tenha todas as aprovações, eu entendo que deve se dar a liberdade à pessoa com relação à possibilidade ou não de tomar a vacina.

A possibilidade de recriar o Ministério da Segurança Pública está fora de cogitação?
Não é um assunto em discussão. Logicamente que o presidente tem independência para tomar a decisão que achar a mais adequada. Um dos pontos quando se discutia essa questão era a ausência de diálogo com os estados. E se há algo em que investimos foi no diálogo permanente com os estados. Os princípios do SUSP [Sistema Único de Segurança Pública], que são atuação conjunta, de forma cooperada, integrada e sistêmica, são a nossa base.

Em vários episódios o senhor dá indiretas ao Sergio Moro. Qual avaliação o senhor faz da gestão dele?
Não cabe a mim avaliar a gestão anterior. Cabe a mim pegar uma realidade e trabalhar para que a realidade seja melhor.

Nota da redação deste Blog -

 


Lendo uma matéria do companheiro Bob Charles com denúncias   a respeito da saúde de Paulo Afonso principalmente do Hospital,   se o mesmo tomasse conhecimento do caso tenebroso que aconteceu com a mãe da criança citada e denunciada neste PRINT, o mesmo talvez não falasse da saúde de Paulo Afonso, já  que concernente a saúde de Jeremoabo a situação é pior,  está " além de morta. está apodrecida, com o mau cheiro exalando por toda parte; assemelhando-se a um cadáver insepulto, sendo devorado por bandos de urubus".
Espera-se que as autoridades competentes de Jeremoabo apurem a denúncia acima exposta, para que fatos bárbaros ali citamos não mais aconteçam, pois trata-se de vidas humanas, não aceitamos impunidades.
A saúde de Paulo Afonso comparando a Jeremoabo, é saúde de primeiro mundo.


 

Desembargadora tenta fugir ao ser presa com carro de 'placa fria' durante operação da PF

por Cláudia Cardozo / Mauricio Leiro

Desembargadora tenta fugir ao ser presa com carro de 'placa fria' durante operação da PF
Foto: Jefferson Peixoto / Ag. Haack/ Bahia Notícias

A desembargadora Ilona Márcia Reis tentou fugir da Polícia Federal, na manhã desta segunda-feira (14). A magistrada utilizou um carro com inscrição irregular para tentar escapar da prisão realizada pela Polícia Federal. Ela é uma das investigada na Operação Faroeste (relembre aqui).

 

Segundo fontes do Bahia Notícias, a desembargadora Lígia Ramos, ainda está em casa, pois se recupera de uma cirurgia de hérnia realizada recentemente. Após evolução na melhora, ela irá iniciar o cumprimento da prisão em Brasília, no complexo penal da Papuda.

Bahia Notícias

Subsecretário é oficializado no comando interino da Secretaria de Segurança Pública


Subsecretário é oficializado no comando interino da Secretaria de Segurança Pública
Foto: Carla Ornelas/ GOVBA

A nomeação do subsecretário de Segurança Pública, Ary Pereira de Oliveira, como secretário interino da pasta foi oficializada pelo governo do estado nesta terça-feira (15). Assinado pelo governador Rui Costa (PT), o ato foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE).

 

A medida foi necessária devido à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou o afastamento do então secretário Maurício Teles Barbosa. Ele foi alvo de busca e apreensão, entre outras medidas, por ser apontado como suspeito de "blindagem institucional" no caso da Operação Faroeste (saiba mais aqui), que atinge diretamente desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), ligados a um suposto esquema de venda de sentenças relacionadas à disputa de terras no Oeste.

 

Diante disso, a exoneração de Barbosa também foi publicada no Diário junto à exoneração da sua chefe de gabinete, a delegada Gabriela Caldas Rosa de Macedo. Ela é suspeita de ter cometido a mesma irregularidade.

Bahia Notícias

Faroeste, um imenso novelo com pontas soltas e perguntas não respondidas - ainda


por Fernando Duarte

Faroeste, um imenso novelo com pontas soltas e perguntas não respondidas - ainda
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

As duas fases da Operação Faroeste deflagradas nesta segunda-feira (14) expõem uma série de pontas soltas em um imenso novelo que investiga supostas vendas de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Diferente das primeiras etapas, onde o foco ficou restrito ao TJ-BA, agora outros operadores do Direito foram alvos de mandados de busca e apreensão, incluindo aí advogados, a ex-procuradora-geral de Justiça, Ediene Lousado, e um braço no Executivo estadual, com o afastamento do secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa. Foram muitas perguntas lançadas e quase nenhuma resposta, pelo menos até aqui.

 

Quando deflagrada a primeira fase, em novembro de 2019, as estruturas do TJ-BA foram abaladas. Para além do afastamento de desembargadores e juízes, a operação alcançou, em cheio, o então presidente Gesivaldo Brito e a ex-presidente imediata, Maria do Socorro Barreto Santiago. Esta última acabou presa dias depois, após ter tentado interferir nas investigações, conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República. Em meio ao ambiente com enorme desconfiança, a Corte estadual tentou se recompor, enquanto lidava com vazamentos seletivos e tentativas da imprensa, até irresponsáveis, de antecipar o futuro das investigações.

 

Diante desse contexto, dizer que houve surpresa com a deflagração das novas etapas é exagero de qualquer um dos envolvidos. Nos bastidores, o ambiente do judiciário da Bahia temia os impactos da Faroeste nos mais diversos espaços dessa imensa caixa de Pandora. Para além do TJ-BA, os mandados de busca e apreensão tendo como alvos advogados sinalizam que a relação entre os dois lados do balcão não parecia ser completamente saudável. Problema que não parece restrito à Bahia, dado os inúmeros exemplos de “gestão” feitos nos mais variados tribunais pelo Brasil - vide as sucessivas críticas à falta de independência real deles.

 

O aparecimento da ex-procuradora-geral de Justiça, Ediene Lousado, nessa fase é algo que preocupa também a reputação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Mesmo que a instituição não seja personificada no afastamento da ex-chefe do parquet, é manifesta a exposição a que o órgão acabou sendo alvo. Agora, para além da crise de imagem no TJ-BA, caberá ao MP-BA gerir os próprios fantasmas.

 

É cedo para medir os impactos dessa operação. Ao solapar o TJ-BA mais uma vez e atingir o MP-BA, a SSP-BA e também advogados, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) trouxe à tona uma face pouco conhecida do Judiciário. Vamos ver se terão realmente alguns esqueletos nesse imenso armário, conforme fazem circular os bastidores do poder.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (15) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: SpotifyDeezerApple PodcastsGoogle Podcasts e TuneIn.

Secretário interino da SSP-BA disparou tiros contra integrantes do MST em 2013

por Bruno Luiz

Secretário interino da SSP-BA disparou tiros contra integrantes do MST em 2013
Ary Pereira segura arma durante manifestação do MST | Foto: Salvio Oliveira/MST

Nomeado secretário de Segurança Pública interino após a exoneração de Maurício Barbosa (veja aqui), Ary Pereira de Oliveira protagonizou um episódio controverso em 2013. Na época subsecretário da pasta, ele disparou tiros contra uma manifestação de integrantes do Movimento dos Sem-Terra que tentaram ocupar a sede da pasta, no Centro Administrativo da Bahia (CAB) (relembre aqui). Eles cobravam ao governo estadual agilidade nas investigações sobre a morte de um integrante do movimento no município de Iguaí (veja aqui mais inormações sobre o protesto).

 

Na ocasião, a assessoria da SSP declarou que os tiros foram feitos para conter o grupo, que já estava dentro do prédio e acessava a escada para o primeiro andar. Ninguém ficou ferido. Imagens feitas pelo MST mostram Ary com uma arma na mão, apontada em direção aos manifestantes.

 

A atitude gerou críticas até de petistas ao então governador Jaques Wagner (PT). A ex-deputada estadual Luiza Maia, por exemplo, chegou a pedir que Ary fosse demitido do cargo (veja aqui). “Exijo do senhor governador Jaques Wagner a exoneração imediata desse subsecretário", afirmou a petista à época.

 

O ato, no entanto, recebeu apoio do próprio Wagner e de Barbosa. O ex-governador defendeu o subordinado e classificou o protesto do MST como um “exagero”. Para ele, os disparos foram para impedir que “algo muito pior acontecesse”, neste caso, a ocupação da SSP. “As pessoas não podem confundir democracia com baderna. [...] Não é razoável que a sede da Segurança Pública ou de qualquer outra secretaria seja invadida por uma porção de gente com foice, facão, enxada”, declarou, em entrevista a uma rádio local.

 

"(O tiro) foi para intimidar e não se (deixar) concluir o processo de ocupação e invasão no prédio da Secretaria de Segurança Pública. Daqui a pouco, um integrante do movimento ia estar sentado na cadeira do secretário. Só me faltava essa”, reforçou. 

 

Para Barbosa, a decisão de atirar foi acertada (relembre aqui). “Tínhamos servidores, policiais, armamento, documentos, sistemas informatizados... Não pode um prédio desse ser tomado. É um desrespeito ao órgão e a quem sempre tratou os movimentos muito bem. Se tinham alguma dúvida, que solicitassem audiência e nós íamos atender de pronto. Até porque temos um grupo formado para investigar crimes no campo", argumentou Barbosa, em entrevista ao Bahia Notícias naquela ocasião, ao complementar que os sem-terra "agiram de forma desproporcional”. 


MAURÍCIO BARBOSA FORA DA SSP

A exoneração de Maurício Barbosa como secretário estadual de Segurança Pública foi oficializada pelo governador Rui Costa nesta terça-feira (15), em ato publicado no Diário Oficial do Estado (DOE).

 

A medida foi necessária devido à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou o afastamento de Barbosa (entenda aqui e aqui). Ele foi alvo de busca e apreensão, entre outras medidas, por ser apontado como suspeito de "blindagem institucional" no caso da Operação Faroeste (saiba mais aqui), que atinge diretamente desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), ligados a um suposto esquema de venda de sentenças relacionadas à disputa de terras no Oeste.

 

Além dele, foi exonerada sua chefe de gabinete, a delegada Gabriela Caldas Rosa de Macedo. Ela é suspeita de ter cometido a mesma irregularidade.

Bahia Notícias

Maraú: TJ-BA acata denúncia e prefeita se torna ré em acusação de fraude em licitação


por Cláudia Cardozo / Francis Juliano

Maraú: TJ-BA acata denúncia e prefeita se torna ré em acusação de fraude em licitação
Foto: Reprodução / Folha de Condeúba

A prefeita de Maraú, no Baixo Sul do estado, Maria das Graças de Deus Viana, vai responder a um processo em que é acusada de irregularidade em dispensa de licitação e crime de responsabilidade. A conversão da denúncia do Ministério Público do Estado (MP-BA) em processo foi divulgada em acórdão desta segunda-feira (14) da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

 

Gracinha, com a gestora é conhecida, é acusada de favorecer empresas contratadas, ao não indicar as razões das escolhas nem as justificativas de preços. A ação do MP-BA foi emitida pela primeira vez em junho de 2019. A decisão desta segunda não traz detalhes da acusação contra a gestora.

Bahia Notícias

Conversas entre Ediene e joalheiro sugerem tentativa de cooptação de Dodge, diz MPF


por Cláudia Cardozo / Ailma Teixeira

Conversas entre Ediene e joalheiro sugerem tentativa de cooptação de Dodge, diz MPF
Foto: Sérgio Almeida/ CNMP

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a ex-procuradora-geral de Justiça da Bahia, Ediene Lousado, apresenta indícios de como ela teria tentado interferir em outros órgãos e poderes para beneficiar amigos. Ediene foi um dos alvos das 6ª e 7ª fases da Operação Faroeste, que originalmente investiga um suposto esquema de venda de sentenças relativas à disputa de terras no Oeste baiano.

 

De acordo com o que foi apurado até o momento, o MPF aponta que a ex-chefe do Ministério Público da Bahia (MP-BA) atuou na "blindagem institucional", evitando que investigações chegassem aos alvos (saiba mais aqui e aqui).

 

Um exemplo é sua relação com o joalheiro Carlos Rodeiro, também investigado no caso e suspeito de operar no esquema de lavagem de dinheiro (lembre aqui). Alvo de buscas no ano passado, ele entregou mensagens trocadas pelo aplicativo WhatsApp, "a indicar que ela defenderia seus interesses e receberia joias e empréstimos, uma vez que, ante a magnitude do cargo ocupado, não se revela crível que a autoridade máxima do Parquet faça assessoria jurídica pro bono para ele".

 

Em um trecho, Rodeiro menciona um "presente" que enviou a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge - ela se encontraria com Ediene. Dias depois, Ediene relata que Dodge "amou" o presente e compartilha uma foto das duas usando colares parecidos feitos pela joalheria de Rodeiro. Para o MPF, isso representa uma "sistemática que aparenta possível tentativa de cooptação da máxima autoridade do Ministério Público brasileiro, responsável, em última instância, pelo desfecho da Operação Faroeste".

 

Imagem: Denúncia MPF

 

No mesmo dia, outro registro de conversa entre os amigos se refere a uma intimação para que a empresa de Rodeiro, a Carlo's Joias Ltda - EPP "apresente livros e documentos fiscais, no dia 07/06/2019, relativos aos exercícios de 2014, 2015 e 2016". Sobre o assunto, Ediene diz: "Amigo, marquei com ele para pessoalmente [sic] amanhã". "Depois lhe darei notícias", "vai dar certo", diz as demais mensagens enviadas por ela.

 

Então, no dia 7 de junho, quando deveria apresentar os documentos, ele pergunta a Ediene se ela havia conseguido um retorno ao que ela responde em confirmação. "Eu consegui falar e ele me disse que estava tudo combinado, que ele iria verificar o que aconteceu e me diria. Vou te mandar a mensagem que ele me mandou, tá bom?", enviou, em mensagem de áudio, acompanhada de uma imagem da conversa entre ela e o secretário estadual da Fazenda, Manoel Vitório. De acordo com registro encaminhado a Rodeiro, o titular da Sefaz confirmou que a entrega dos livros teria sido adiada de junho para setembro. "Dos 06 (seis) voos internacionais realizados por Ediene, Manoel Vitório esteve no mesmo voo em 02 (dois)", diz a peça, ao se referir à relação entre os dois.

 

DIFICULDADES FINANCEIRAS

Dias depois, em 17 de junho, Ediene mandou mensagem a Rodeiro, questionando se "aquela transferência" iria dar certo, pois ela estava contando com a ajuda dele. "Precisando muito! O áudio do gerente hoje me assustou. Meu limite já caiu. Cartões atrasados, e demais compromissos também", desabafou. Como resposta, Rodeiro garantiu que faria a transferência naquele dia, pessoalmente. "Não há, no corpo das mensagens, o registro de pagamento de volta do valor transferido a ele", diz o MPF, citando que Ediene havia dito que reembolsaria o amigo.

 

Imagem: Denúncia MPF

 

Em meio às mensagens, Rodeiro ainda prometeu a Ediene novas joias para presentear Dodge e também "um amigo em comum, até o presente momento desconhecido, para, só então, ela agradecer pela banda que ele providenciou para a mesma, junto ao também investigado pela Operação Faroeste Thiago Philletto, pedindo, novamente, que ela interviesse em processo de homicídio, cujo advogado é o também investigado Alano Frank", diz outro trecho que evidencia a interferência que ela fazia em processos em prol do joalheiro.

 

NOVAS FASES FAROESTE

Ediene foi afastada de suas atividades na promotoria por 180 dias. Além dela, outras autoridades implicadas são as desembargadoras Lígia Ramos e Ilona Reis, alvos de mandados de prisão temporária, e o desembargador Ivanilton Santos da Silva, também afastado de suas atividades no tribunal (saiba mais aqui e aqui). 

 

O secretário de Segurança Pública do estado, Maurício Barbosa, também foi afastado do cargo, mas, no caso dele, a medida é válida por um ano. O MPF chegou a pedir a prisão do titular da SSP-BA, também acusado de blindagem institucional, porém, o relator do processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Og Fernandes, não viu "materialidade" suficiente para tanto (saiba mais aqui).

 

O QUE DIZ A DEFESA

Com a repercussão das medidas judiciais nessa segunda-feira (14), a defesa de Ediene informou que ela está "surpresa" e "tranquila por jamais ter tido o seu nome ligado a quaisquer ilegalidades ou irregularidades". Ela considerou "desproporcional" a medida de afastamento das funções (veja aqui). (Atualizada às 10h58)

Bahia Notícias

O fantasma de Lula elegeu Bolsonaro em 2018 e continua atormentando muitos eleitores


O fantasma de Sarney assusta Temer

Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google0

Pedro do Coutto

Um fantasma chamado Lula da Silva garantiu a vitória de Jair Bolsonaro na urnas de 2018 e, passados dois anos, continua a ser responsável pelos 37% da opinião pública que ainda acreditam em desempenho satisfatório de Bolsonaro à frente do Palácio do Planalto. A meu ver, é a explicação pelos números registrados na pesquisa do Datafolha, publicada nesta segunda-feira pela Folha de São Paulo e comentada pelo jornalista Igor Gielow.

O levantamento pode ser visto sob várias lentes e diversas leituras, como por exemplo a melhoria da posição de Jair Bolsonaro no Nordeste, sustentada em boa parte pelo auxílio emergencial que começou com 600 reais e vai acabar este mês já reduzido para 300 reais. Pode ser que o governo termine prorrogando-o por mais tempo. Pode ser que seja na escala de 300 reais. Vamos ver.

CONTRADIÇÕES – Enquanto isso, vale a pena iluminar alguns dados revelados pelo Datafolha. O principal deles é o de que 53% dos entrevistados informaram que não acreditam nas palavras divulgadas por Bolsonaro. Ora, se não acreditam em Bolsonaro mas consideram seu governo ótimo e bom, aí vai a principal aparente contradição da pesquisa.

Se 53% não acreditam no presidente, a continuação lógica desse pensamento choca-se com o índice de popularidade do presidente, sendo que 17% só acreditam em parte.

A seguir o Datafolha encontrou outra contradição: 55% acham que  ao longo dos dois anos ele (Bolsonaro) fez menos do que anunciou na campanha. Apenas 17% acham que ele fez mais do que prometeu e a parcela restante de 22 pontos inclui os que consideram que ele ficou entre uma coisa e outra.

MENTIR NA CAMPANHA – Trata-se de um problema que se eterniza no Brasil: a divergência entre o candidato e o presidente. Nas campanhas eleitorais todos os candidatos acenam com promessas de melhorar a renda do trabalho e a vida de homens e mulheres, portanto significa melhorar a vida da população.

Muitas promessas são sonho de uma noite de verão por vários problemas, especialmente a falta de recursos públicos, decorrente dos sistemas de corrupção.

Como dizia o presidente Juscelino Kubitschek, política, sobretudo, é esperança, e os eleitores encontram-se inevitavelmente em busca dessa esperança.

RUIM E PÉSSIMA – A taxa dos que classificam a administração federal de ruim e péssima é de 32%. Logo, confrontados 32% de reprovação com os 37% de aprovação, o coeficiente é favorável ao atual presidente da República, apesar dos erros e dos absurdos que ele diz quase que diariamente.

O exemplo da vacinação não é suficiente para refletir na sua imagem, embora desgastada mas na escala de 37 pontos. Não foi suficiente sua ruptura com o general Hamilton Mourão. Também não foI suficiente a reunião ministerial de 22 de abril, cujo desenrolar ficará na história como o episódio mais incrível do exercício do poder e também pelo baixo nível dos argumentos e despautérios.

Para finalizar, só encontro uma explicação. O contraste entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Lula e o PT foram os grandes eleitores de Bolsonaro e Hamilton Mourão. O fantasma do ex-presidente causa pânico na população brasileira. E continua causando.

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EDITORIAL: Dois Pesos e Duas Medidas Não Cabem na Imprensa Livre – O Rigor da Lei Vale para Chico e para Francisco

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