quinta-feira, dezembro 12, 2019

Bolsonaro recua e convida Fernández para vir ao Brasil

Faroeste: Desembargadores foram contra 'ida' de Marivalda para comarcas no oeste


por Cláudia Cardozo / Rebeca Menezes
Faroeste: Desembargadores foram contra 'ida' de Marivalda para comarcas no oeste
Foto: TJ-BA
O presidente afastado do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador Gesivaldo Britto, afirmou em sua defesa no âmbito da Operação Faroeste que a designação da juíza afastada por suposta venda de sentenças, Marivalda Moutinho, foi referendada por maioria dos votos em sessão plenária para que atuasse em Formosa do Rio Preto (veja aqui). Mas registros feitos pelo Bahia Notícias mostram que desembargadores discordaram de sua designação para a área, alertando que havia “burburinhos” em relação a ela e ao juiz Sérgio Humberto Quadros, também afastado no âmbito da operação.

Em sessão do pleno do TJ-BA do dia 27 de março deste ano, Britto levou aos pares a convalidação das designações dos dois juízes para as comarcas de Formosa do Rio Preto e de Santa Rita de Cássia, ambas no oeste da Bahia. A região é alvo de disputas de terra que foram o ponto de partida para a Operação Faroeste. Nesta terça-feira (10), a Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou quatro desembargadores e três juízes acusados de vender sentenças para beneficiar o borracheiro José Valter Dias (saiba mais aqui).

Quando Britto levou os nomes para o pleno, Sérgio Humberto já tinha sido transferido desde o dia 28 de fevereiro. Já Marivalda, segundo o Diário Eletrônico de Justiça (DJE), começou a atuar em Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cássia no dia 1º de março. Ainda assim, alguns desembargadores discordaram que os nomes dos juízes fossem referendados.

Ao apresentar os nomes dos dois, Gesivaldo disse: "É uma área que tem litígios, nós temos que ter magistrados lá pra resolver, entendeu? Cada um que aja como entender que deve agir e responderá pelos seus atos se alguém fizer alguma coisa errada”.
Ex-presidente do TJ-BA, a desembargadora Telma Britto, porém, fez um alerta. “Ao referendar a designação, vem a ser incluído. Porque na verdade, contra esses dois juízes, há muita coisa sendo dita. Não estou dizendo que é verdade...”. O presidente, então, a interrompeu. “Vossa Excelência tem alguma coisa concreta?", questionou.  "Eu voto contra, não referendo a indicação dos dois”, frisou Telma.

Gesivaldo prosseguiu: “Tem alguma coisa concreta pra se apurar? Se Vossa Excelência tiver algo contra o magistrado, eu gostaria que apresentasse por escrito para que a gente mande apurar. Porque eu não tenho apadrinhado”. O presidente apontou ainda que uma das designações inclusive já havia “caducado”, porque Sérgio Humberto não estava mais nas comarcas apontadas. Ainda assim, Telma reforçou que não era “prudente” designá-los para uma área que já era alvo de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sugerindo que os dois juízes eram alvos da apuração.

Gesivaldo discordou, dizendo que não havia menção de nomes nos documentos do CNJ. “Pelo que eu li, que foi expedido pelo CNJ, vai se apurar a questão das matrículas, que há envolvimento de desembargadores. [...] Para mim, todos são inocentes até que provem o contrário, inclusive os desembargadores. Pra mim é indiferente. Eu não pratiquei nenhum ato, se eu praticasse eu responderia. Eu não tenho nada a ver com isso", avaliou.

O desembargador Baltazar Saraiva chegou a dizer que o magistrado estava sob apuração e que referendar a designação seria uma "carta em branco" para o presidente. "O que Vossa Excelência está dizendo, eu sei há muito tempo, há muitos anos. Eu não sou menino, não sou criança. Eu estou trazendo para referendo do tribunal. O tribunal não referenda? Acabou”, minimizou o presidente. Outros desembargadores também se pronunciaram, alertando que havia “muitos burburinhos" em relação aos dois magistrados.

Ainda assim, Gesilvaldo reforçou que eles foram designados antes da indicação do CNJ de que haveria irregularidades na área. "Quem mais ouve as coisas é a presidência. Eu sei de tudo que se passa, sei de tudo que está acontecendo, sei de todas essas conversas que tem aqui, e lamentavelmente eu me sinto enojado com tanta coisa. Agora enquanto não tiver prova ou pedido de providência de um colega desembargador ou de quem quer que seja, eu não vou pôr em dúvida a honestidade de ninguém", defendeu o presidente.

SESSÃO FORA DO AR
A discussão em que foram feitos os alertas foi obtida em vídeo pelo Bahia Notícias (veja abaixo), mas não consta nos registros oficiais disponibilizados pelo TJ-BA em seu site oficial. No dia 23 de março, a sessão era acompanhada em vídeo da redação do BN, mas foi cortada de forma abrupta.
Já no vídeo disponível no site do TJ-BA da sessão do dia 27 de março há um corte da transmissão de 11h32 – exatamente quando começa a discussão – para 11h53, quando já se está nos informes. O vídeo obtido pelo Bahia Notícias mostra até 11h42, mas chega ao fim antes de se chegar a uma conclusão. Mais de uma fonte do BN que estava presente na sessão garantiu que não houve uma definição do caso, e que Gesivaldo não questionou aos outros desembargadores se eles convalidariam a designação de Marivalda e Sérgio. No DJE do dia 28 de março consta que as convalidações não foram referendadas pelos desembargadores Telma Britto, Eserval Rocha, Ilona Reis, Roberto Frank, Baltazar Saraiva e Carmem Lúcia Pinheiro.

O BN questionou ao TJ-BA se o tribunal mantém os registros públicos do fim da sessão deste dia, que deveriam ser abertos, e se houve de fato a conclusão para que os nomes dos juízes fossem referendados para atuação nas comarcas do Oeste. Até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta.

DEFESA DE GESIVALDO
Em sua defesa, Gesivaldo garante que não tinha nenhum interesse particular na designação da juíza para as comarcas do oeste. Veja abaixo o trecho do documento:

“No que se refere à indicação da Juíza Marivalda Moutinho, importa esclarecer que a correlata designação para auxiliar na Comarca de Formosa do Rio Preto/BA não foi oriunda de uma espontânea e tendenciosa opção deste Peticionário, e sim de uma determinação do Conselho Nacional de Justiça em razão da necessidade de serem realizados correição extraordinária e mutirão naquela circunscrição jurisdicional distante da Capital baiana, cujo órgão do Judiciário local se encontrava em condições precárias, não havendo magistrados(as) interessados(as) em assumir o referido mister (DOC. 13).

Ademais, tem-se por necessário destacar que a designação da referida magistrada para auxiliar na Comarca de Formosa do Rio Preto/BA ocorreu também a pedido do então Excelentíssimo Corregedor das Comarcas do Interior, a fim de minorar os impactos negativos oriundos das referidas condições precárias daquela Comarca (DOC. 13).

Por derradeiro, no bojo de Sessão Administrativa do Pleno do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a designação da referida magistrada foi devidamente referendada por maioria absoluta, a demonstrar a plenitude democrática no âmbito daquela Corte (DOC. 13).”
BN

Por 6 votos a 1, a Juíza Selma, a senadora comparada a Moro, tem mandato cassado pelo TSE


TSE determinou a realização de nova eleição em Mato Grosso
Reynaldo Turollo Jr.
Folha
Por 6 votos a 1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE ) decidiu, nesta terça-feira, dia 10, cassar o mandato da senadora Juíza Selma (Podemos-MT), condenada por abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos durante a campanha de 2018.
Os suplentes da senadora, Gilberto Possamai e Clerie Fabiana Mendes, também foram cassados. Com isso, o TSE determinou a realização de nova eleição em Mato Grosso para preencher a cadeira que será deixada por ela no Senado. Selma e Possamai, seu primeiro suplente, foram tornados inelegíveis por oito anos.
RECURSO – Cabe recurso da decisão do plenário. Contudo, seguindo a jurisprudência da Corte, os ministros determinaram a execução imediata do que foi decidido. Para que Selma seja afastada, é preciso que o TSE notifique o Senado, o que só ocorrerá após a publicação do acórdão do julgamento.
Os ministros Luis Felipe Salomão, Tarcisio Vieira, Sérgio Banhos, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber acompanharam o relator, Og Fernandes, e mantiveram decisão condenatória do TRE-MT (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso), de abril, da qual Selma havia recorrido. Somente Edson Fachin divergiu.
COMBATE À CORRUPÇÃO – Com 678,5 mil votos, a senadora se elegeu pelo PSL adotando um forte discurso de combate à corrupção, o que lhe rendeu o apelido de “Moro de saia” — em referência a Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Posteriormente, Selma migrou para o Podemos.
Da tribuna do TSE, o advogado Gustavo Guedes disse que a decisão condenatória em Mato Grosso se deveu à atuação de Selma como magistrada, por ter enfrentado os poderosos locais. “A senadora Selma foi cassada em Mato Grosso, tenho convicção disso, pelas decisões dela como juíza”, afirmou o defensor, negando irregularidades na campanha.
OMISSÃO – O TRE-MT concluiu que a então candidata e seu primeiro suplente, Possamai, omitiram da Justiça quantias expressivas usadas para pagar despesas de campanha no período pré-eleitoral. Entre essas despesas estava a contratação de empresa de pesquisa e de marketing para produção de vídeo, jingles e fotos antes do início oficial da campanha, o que a legislação proíbe.
Fernandes, relator do recurso de Selma no TSE, destacou que a senadora omitiu de sua prestação de contas um contrato mútuo no valor de R$ 1,5 milhão assinado entre ela e Possamai, valor que coincide com o total de dois cheques emitidos pelo primeiro suplente para quitar despesas no período pré-eleitoral, quando ela ainda não era oficialmente candidata.
SIMULAÇÃO – A acusação é que o contrato de mútuo foi simulado para que o dinheiro fosse movimentado à margem da contabilidade oficial. Havia no processo contratos, notas e depoimentos, inclusive de representantes das empresas contratadas no período de pré-campanha.
Segundo Fernandes, ficou configurada a candidatura antecipada. “Houve gastos específicos de campanha que só poderiam ter sido realizados no período eleitoral”, disse o ministro. O relator observou que as movimentações só foram conhecidas pela Justiça porque houve quebra de sigilo bancário dos envolvidos.
MÁ-FÉ– “Ou seja, não houve registro algum desses valores na contabilidade oficial da chapa, demonstrando evidente má-fé dos candidatos que tentavam evitar a fiscalização da Justiça Eleitoral.”
O ministro Luis Felipe Salomão afirmou não ter dúvida de que houve caixa dois. Para ele, o uso de recursos não contabilizados, que equivaleram a cerca de 70% do valor declarado pela então candidata, desequilibrou a disputa em relação aos demais candidatos.
ARTICULAÇÃO – Barroso disse que não descarta que interesses diversos tenham se articulado para resultar na cassação da Juíza Selma, como sustentou a defesa dela, mas seguiu o voto de Fernandes. “A gente nunca tem alegria para votar na perda do mandato de alguém. Diante do conjunto de elementos materiais do voto do ministro relator, não vejo como deixar de acompanhá-lo”, disse Barroso.

General-ministro Eduardo Ramos diz que Planalto é um serpentário: “Quanto mais próximo do presidente, mais você é alvo”

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Eduardo Ramos diz que a sua relação com Bolsonaro gera incômodo
Thais Arbex
Folha
O general Luiz Eduardo Ramos diz ter encontrado “um trem a 200 km” no dia 5 de julho, quando chegou ao Palácio do Planalto, e que levou mais de um mês para conseguir assumir de fato o posto de articulador político do governo Jair Bolsonaro.
Até hoje, no entanto, uma ala do Congresso não poupa críticas à atuação do ministro da Secretaria de Governo. A avaliação recorrente é a de que Ramos não tem conseguido cumprir acordos feitos com parlamentares.
PROXIMIDADE – O general recebeu a Folha para uma entrevista em seu gabinete no 4º andar do Planalto. Amigo do presidente desde 1973, ele diz que sua proximidade com Bolsonaro o torna alvo preferencial de ataques dentro e fora do governo.
“Aqui tem esse negócio: é um serpentário, quanto mais próximo do presidente, mais você é alvo. Se você me atinge, atinge o presidente”, afirma. “A minha relação com ele incomoda, incomoda aqui dentro do governo.”
Folheando tabelas com todas as emendas pagas aos congressistas, Ramos afirma que sua relação com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é “excepcional” e aposta na melhora do diálogo político com o Congresso.
O senhor acredita que esse novo modelo de relação política do Planalto com o Congresso terá que passar por reformulação para os próximos anos de governo? O presidente vai ter que, por exemplo, voltar a receber frequentemente presidentes de partidos?
O presidente Bolsonaro assumiu um posicionamento muito claro, não houve loteamento de ministérios. O que vejo é o seguinte: a gente tem que conversar mais com o Congresso, tenho falado muito com o presidente sobre isso. Eu sugeri e ele tem adotado o almoço com parlamentares toda quinta-feira. Quando é possível, e ele não viaja, os deputados têm vindo aqui. A média tem sido quatro deputados e dois senadores [por encontro]. A ideia é aproximar mais do presidente. Eu, particularmente, considero a minha relação com o Rodrigo Maia de muito boa para excepcional. Eu ligo para ele, ele liga para mim, nós conversamos, trocamos ideia. Com o Davi [Alcolumbre] é a mesma coisa. Isso vai distensionando, vai atenuando muita coisa que existia lá atrás. Com relação ao ano que vem, a gente acredita que vai ser um ano mais calmo. Vamos investir mais nesse relacionamento. Estamos trabalhando muito fortemente para que os ministros entendam o seguinte: é importante receber e conversar o parlamentar, seja deputado ou senador. Vamos dar mais atenção e prestígio aos parlamentares.
O senhor tem sido alvo de críticas, de insatisfação.
Já identifiquei e falei ao presidente: estou sendo alvo por duas ou três razões. Quando tem insatisfação em relação à emenda, eles querem me atacar. Isso é um fato claro. Tanto que brincaram comigo dizendo que teve ministro aqui que durou sete meses.
O segundo fato, inquestionavelmente, é: sou amigo do presidente desde 1973, servimos juntos, tenho liberdade. Ele mesmo brinca: “Ramos, nós somos inseparáveis”. A minha relação com ele incomoda, incomoda aqui dentro do governo. Aqui tem esse negócio: é um serpentário, quanto mais próximo do presidente, mais você é alvo. Assim, se você me atinge, atinge o presidente. Existe essa relação.
O senhor falou que se fosse para criar conflito…
Eu não teria vindo. Não vou entrar nessa. A minha obrigação na articulação é… Vou te dar um exemplo: fui à Bahia, autorizado pelo presidente. Falei com o [governador] Rui Costa [PT], tivemos uma audiência institucional. Não joguei contra, a gestão dele está sendo boa lá. Logo em seguida, falei com o Antonio Carlos Magalhães Neto, [prefeito de Salvador e presidente do DEM], da mesma forma. Acho que o meu papel é esse. Na hora em que eu começar a tomar partido, vou conseguir uma parcela do Congresso e a outra não. A minha função, e é difícil às vezes, mas não vou arredar pé, é de construir soluções. Tem pessoas que às vezes dificultam, seja do lado do governo, seja do outro lado? Tem. É natural, pô! São personalidades diferentes. A primeira coisa que fiz [quando cheguei] foi um diagnóstico. O Ministério da Economia, por exemplo, era Planejamento, Indústria e Comércio e juntou tudo. Imagina a estrutura abaixo o que aconteceu? Deu um tumulto, enxugou tudo.
Criou-se uma nova lógica.
Quando o presidente decidiu tirar o [ministro] Onyx [Lorenzoni] da articulação foi até para ajudá-lo. Porque o Onyx, coitado, estava com a Casa Civil, que é transversal a todos os ministérios e ainda sendo cobrado por cargos e emendas. Não estava dando certo. Hoje estou de terno, mas minha cabeça é militar. Quando tenho um problema a ser solucionado, tenho que diagnosticar, levantar o máximo de informações, tomar uma decisão e passar a executá-la. O que quero dizer com isso? Planejamento estratégico. É o que estamos fazendo. Militar tem essa facilidade, é quadrado, organiza as coisas, mas quando você organiza, também mexe na zona de conforto de algum deputado que tinha mais que um cargo, por exemplo. Aí o pessoal reclama. Nós estamos arrumando a bagunça, porque a melhor coisa para quem quer se dar bem é descontrole. A mensagem é: existem critérios [para a distribuição de cargos], existe um processo para que isso ocorra e um controle efetivo da articulação política em relação aos cargos e também às emendas. Aqui é o ministério das planilhas, planilhas de controle de cargos, controle de emendas.
O senhor falou que tem aconselhado o presidente a dar mais atenção aos parlamentares…
Aconselhado não é o termo. O presidente foi deputado por 28 anos. Ele conhece tudo da Câmara e tem feito a parte dele.
Parte das reclamações se dá pelo fato de o presidente enviar muitas pautas para o Congresso por meio de decretos e medidas provisórias.
Conversei com vários deputados que foram prefeitos. O primeiro ano de governo é um ano de acomodação em muita coisa. Por mais que a gente fale, as pessoas não entendem. Tem uma expressão mineira que eu usava muito: é no andar da carruagem que as melancias vão se acertar. Querendo ou não, temos pouco mais de 11 meses de governo. Foi um ano extraordinário. Pô, nós aprovamos a reforma da Previdência, aprovamos a medida provisória da reestruturação dos ministérios, mesmo com muita gente contra. Então, o primeiro ano do governo tem sido um ano muito profícuo.
Apesar, por exemplo, da desidratação do pacote anticrime?
Foi o que falei para o Sergio Moro. Quando a gente manda um projeto para o Congresso, tem que entender o seguinte: democracia é isso. Eu até brinco muito que na Coreia do Norte é fácil. O cara manda um projeto e perguntam: “quem é a favor?”. Todo mundo levanta, até porque quem é o maluco que vai ser contra? Ninguém. No Brasil, é democracia. Você querer que um projeto vá para o Congresso e ninguém mexa nele, esquece.
Como o senhor avalia os dados do Datafolha?
É questão de visão da própria pesquisa. Vejo como positivo. A notícia foi: ele parou de cair, não foi isso? Ou podemos dizer também que ele está crescendo? Esse copo está meio cheio ou meio vazio? Acho que é um sinal positivo. Fui com ele na Feira do Paraguai, semana passada, comer pastel. Tudo bem que em Brasília 80% são Bolsonaro, mas onde ele vai é assustador.
E como o senhor vê o fato de o ministro Sergio Moro continuar sendo o mais bem avaliado?
É um cara muito bem respeitado, é um ícone do Brasil. É inegável, ele catalisa. Agora, ele é extremamente leal ao presidente. Ele diz que não é candidato, e eu acredito. A não ser que ele mude, não vai ser candidato.
Como o senhor avalia os recentes acenos ao AI-5?
Isso aí foi mal usado. Eu era garoto, tenho 63 [anos]. Na revolução, tinha 8 anos. Nem o Paulo Guedes quis dizer aquilo. Primeiro tem que entender o que é o AI-5. O AI-5 cassou todos os direitos individuais das pessoas, foi um ato de violência política. O próprio presidente falou: é um pesadelo para quem fala isso. Eu, que sou uma pessoa formada por valores democráticos, nem imagino isso aí. Para mim, quando alguém fala AI-5, entendo wi-fi (risos). Sinceramente, acho que não constrói.

Lava Jato pede arquivamento do oitavo inquérito contra Renan por falta de provas


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José Adonis disse que é um caso de delação sem provas
Mariana Oliveira e Rosanne D’AgostinoTV Globo — Brasília
A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que arquive mais um inquérito relacionado ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). Até agora, oito inquéritos da Lava Jato que investigavam Renan foram arquivados por falta de provas. O pedido foi apresentado pelo coordenador da Lava Jato na PGR, José Adonis Araújo Sá.
O inquérito apurava se Renan recebeu propina da Odebrecht por meio de doações oficiais, e o Ministério Público não encontrou elementos concretos contra Renan.
DOAÇÃO OFICIAL – Segundo o processo, a empreiteira teria repassado R$ 1,2 milhão em doação oficial ao MDB, e uma parte teria sido repassada à campanha do filho de Renan ao governo de Alagoas em 2014. Além disso, a construtora também doou mais R$ 200 mil à candidatura de Renan Filho e mais R$ 120 mil ao diretório estadual do MDB em Alagoas.
Os valores, ainda de acordo com o processo, seriam contrapartida à atuação do senador na aprovação de uma medida provisória (MP) que beneficiou a empresa com renovação de contratos de concessão de energia.
Segundo o coordenador da Lava Jato, não foram encontrados elementos da atuação de Renan para favorecer a Odebrecht. José Adonis Araújo Sá também entendeu que as delações não foram confirmadas por outras provas.
SEM PROVAS – “Não foi possível identificar referências diretas à atuação do parlamentar para aprovação da medida provisória nº 67712015 nem qualquer contrapartida advinda desta atuação. (…) Não foi possível reunir evidências de que o Senador praticou ou prometeu ato de oficio em contrapartida ao recebimento de vantagem indevida supostamente travestida de doação oficial à campanha de seu filho”, afirmou o procurador.
O coordenador da Lava Jato afirmou ainda que não há, no inquérito, outras provas que possam ser coletadas. “No caso, não foi possível reunir indícios de que o investigado possuía conhecimento da suposta origem ilícita das doações eleitorais. (…) A simples palavra do colaborador Cláudio Melo Filho, dissociada de outros elementos mínimos de corroboração, não tem densidade para configurar a justa causa em sentido estrito exigida pelo ordenamento jurídico.”
ARQUIVAMENTO – O entendimento consolidado do Supremo é o de que, quando a Procuradoria pede, cabe ao relator do caso arquivar o inquérito. Isso porque o Ministério Público é quem decide o que deve ou não ser investigado. O arquivamento será decidido pelo relator da Lava Jato no STF, ministro Luiz Edson Fachin.
Atualmente, Renan Calheiros é réu de um processo na Lava Jato e alvo de mais nove investigações relacionadas à operação.

quarta-feira, dezembro 11, 2019

Biblioteca Parcial João Isaías Montalvão



Biblioteca  Parcial João Isaías Montalvão

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Máquina de datilografia Royal usada por João Isaías Montalvão.


Câmara de Vereadores de Jeremoabo pagou folha de dezembro a servidores e vereadores nesta quarta-feira

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ForoDivulgação do Google

Os vencimentos do mês de dezembro chegam a R$ 98.000,00(noventa e oito mil reais). .

“Os servidores da Casa poderão comemorar o Natal com mais tranquilidade junto às suas famílias, fazer suas compras e até mesmo antecipar o pagamento de contas. Essa é a contribuição da Câmara para a nossa economia”, avaliou o presidente da Casa, vereador BINO.

Já os servidores da Prefeitura .Municipal de Jeremoabo, com todo respeito, sugiro que façam alguma promessa para Santo Expedito, o Sato das causas urgentes e impossíveis.

Camamu: Ex-deputados e ex-prefeitos são acionados pelo MPF

Camamu: Ex-deputados e ex-prefeitos são acionados pelo MPF
Foto: Reprodução / Tribuna da Região
Os ex-deputados estaduais Carlos Ubaldino e Angela Sousa, os ex-prefeitos de Camamu, Emiliana Assunção Santos, e de Rui Barbosa, José Bonifácio Marques Dourado, foram denunciados pelo Ministério Público Federal (PRF) na Bahia. Na ação, divulgada nesta quarta-feira (11), eles são acusados de fraude em licitação e desvios de recursos federais da educação de Camamu, no Baixo Sul baiano. A estimativa é que o prejuízo chegou a pelo menos R$ 370 mil. Outras seis pessoas, entre ex-servidores e empresários, também foram denunciados.

Os fatos são decorrentes da Operação Águia de Haia, iniciada em 2013 e deflagrada em 2015 (ver aqui), que apurava desvios de recursos da Educação em Rui Barbosa, na região do Piemonte do Paraguaçu. Segundo investigação do MPF e da Polícia Federal (PF), “os políticos, juntamente com o ex-secretário de Finanças Manoel Assunção Santos, a ex-secretária de Educação Andrea Rita Lima Ramos Rocha e o então pregoeiro Daniel Pirajá Vivas, participaram de licitação fraudulenta esquematizada pela Organização Criminosa (Orcrim)”, diz o MPF. Além dos ex-prefeitos e ex-deputados, o grupo era formado, entre outros, por Kleber Manfrini Dourado (filho de José Bonifácio), Marconi Edson Baya e Maycon Gonçalves Oliveira, também acionados pelo MPF.

São réus na ação os membros do grupo que tiveram participação nos fatos ocorridos em Camamu. O empresário Kells Belarmino Mendes e a esposa, integrantes da Orcrim, não foram processados. Os dois firmaram acordo de colaboração premiada com o MPF. O procurador da República Tiago Modesto Rabelo, autor da ação, pede a condenação dos acionados por improbidade administrativa [crime contra a administração pública] e o bloqueio de bens dos envolvidos, entre outras sanções.
BN

Alcolumbre firma acordo e projeto de prisão após 2ª instância só vai a plenário em abril

Alcolumbre firma acordo e projeto de prisão após 2ª instância só vai a plenário em abril
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já definiu que a proposta que retoma a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância só será levada à discussão no plenário em abril. O compromisso foi firmado pelo líder do governo na Casa, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), que foi o responsável por recolher a assinatura de senadores que apoiaram o trato.

Segundo informações do blog Painel, da Folha de S. Paulo, isso contraria a expectativa dos parlamentares alinhados com a Operação Lava Jato. O plano é dar tempo para que a Câmara dos Deputados dê andamento à tramitação da emenda constitucional sobre o assunto, pois os senadores acreditam que será uma caminho mais seguro para evitar questionamentos na Justiça posteriormente.

Há pouco mais de um mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou ao novo entendimento de que um condenado só pode ser preso após o trânsito em julgado do processo, quando se encerram todos os recursos. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a decisão tem potencial de beneficiar cerca de cinco mil presos. Um deles foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já posto em liberdade.
BN

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