sexta-feira, agosto 23, 2019

“Macron é um idiota”, diz vídeo compartilhado por Eduardo Bolsonaro


Eduardo disse que a postagem é um recado para Macron
Deu no Correio Braziliense
O deputado federal e filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), postou um vídeo nas redes sociais que tem como título “Macron é um idiota”. Eduardo Bolsonaro disse que a postagem é um recado para o presidente francês, Emmanuel Macron. Nesta quinta-feira, dia 22, Macron disse que a crise na Amazônia deveria ser discutida na reunião do G7.  O vídeo postado pelo deputado é de um youtuber chamado Bernardo P Küster e faz críticas à crise que a França passou e desencadeou protestos dos coletes amarelos.
De acordo com o youtuber, a intenção do governante francês de cumprir agendas ambientais elevou o preço da gasolina e deixou o povo descontente. “Para seguir a agenda da ONU, Emmanuel Macron aumentou em 23% o imposto sobre o combustível”, afirma. Além disso, ele diz que o presidente francês tem atendido demais os imigrantes e esquecido do próprio povo. 
CRÍTICAS – Eduardo Bolsonaro fez mais críticas a Macron ao responder um tuíte do comentarista da Globo News Guga Chacha. O deputado disse que Macron usou uma foto antiga para falar das queimadas na Amazônia. “Sério! Para quem está aproveitando a situação para interesses pessoais, atacando o Brasil e sua soberania de forma vil e mentirosa, utilizando inclusive foto de 20 anos atrás para manipular a opinião pública e provocar terror, além de endossar discurso colonialista, saiu barato.”
“O Macron não tem conhecimento do que está passando aqui, né. E essa questão das queimadas ocorrem em todo o período seco. Normalmente, ocorrem junto das cidades, junto de Manaus, Porto Velho, Rio Branco. Áreas meio degradadas”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão. O presidente Bolsonaro (PSL) assinou na noite desta quinta-feira (22) um despacho que determina que toda a equipe ministerial adote medidas de combate à série de queimadas na floresta amazônica.
RESISTÊNCIA – A França é um dos principais focos de resistência ao tratado comercial entre União Europeia e Mercosul. O acerto foi fechado entre autoridades dos dois blocos em junho, mas depende de aprovação nos Parlamentos nacionais.  O aumento nos índices de desmatamento no Brasil é apontado por opositores europeus como razão para que o acordo comercial não seja levado adiante.

Após investidas de Bolsonaro, silêncio de Sérgio Moro incomoda cúpula da PF


Ministro não fez críticas à mudança de tom do presidente
Camila Mattoso
Folha
O silêncio do ministro da Justiça, Sergio Moro, diante dos sucessivos movimentos de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal tem causado estranheza na cúpula do órgão. Nos sete dias que se seguiram desde a primeira manifestação do presidente, no último dia 16, o ex-juiz não deu nenhuma declaração sobre esse assunto e tentou, por meio de interlocutores, passar a impressão de que estava distante do problema.
Depois de atropelar a PF e anunciar uma troca na Superintendência do Rio, sugerindo inclusive um nome para a mudança, Bolsonaro colocou em xeque nesta quinta-feira (22) a permanência do diretor-geral, Maurício Valeixo, à frente do órgão. “Agora há uma onda terrível sobre a Superintendência. Onze [superintendentes] foram trocados e ninguém falou nada. Sugiro o cara de um estado para ir para lá: ‘Está interferindo’. Espera aí. Se eu não posso trocar o superintendente, eu vou trocar o diretor-geral”, afirmou Bolsonaro. “Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei que eu que indico e não o Sergio Moro. E ponto final”, completou.
POLÊMICA – Moro, em seu Twitter, postou mensagens sobre assuntos diversos, mas não tocou nessa polêmica. Em eventos da pasta ao longo da última semana, o ministro fez discursos e falou sobre o projeto de abuso de autoridade, que foi aprovado na Câmara e aguarda sanção presidencial. A Polícia Federal é uma instituição subordinada ao Ministério da Justiça. Valeixo virou chefe da PF por escolha de Moro. Os dois se conhecem há vários anos e trabalharam juntos na Operação Lava Jato. Além da interferência na PF, Bolsonaro enfrentou críticas nos últimos dias por mudanças na Receita Federal e no Coaf — órgão de inteligência financeira que passou para a alçada do Banco Central, com alteração de nome e a saída de um aliado de Moro do comando.
“Ora, eu fui [eleito] presidente para interferir mesmo, se é isso que eles querem. Se é para ser um banana ou um poste dentro da Presidência, tô fora”, justificou Bolsonaro na última quarta-feira (21). As últimas declarações do presidente provocaram críticas de policiais federais e fez ganhar força a proposta de necessidade de autonomia do órgão. Enquanto isso, pessoas próximas a Moro passam o discurso de que não há chance de ele deixar o governo por causa da interferência de Bolsonaro e que vai dar continuidade aos seus compromissos, sem tempo para priorizar a questão da PF.
RESPALDO – No início da crise, Valeixo decidiu publicar uma nota oficial desmentindo o presidente, defendendo Ricardo Saadi, superintendente do Rio, e dizendo que já havia escolhido Carlos Henrique Oliveira, atual superintendente de Pernambuco, para o cargo. O movimento, considerado ousado, foi feito contando com um suposto respaldo do ministro, que já estava ciente da escolha da PF. A expectativa era de que Moro bancasse o nome da direção-geral, inclusive publicamente. Mais do que isso, a cúpula do órgão esperava que o assunto já estivesse resolvido entre o presidente e o ministro.
Durante todas as primeiras horas do período mais conturbado, Valeixo disse diversas vezes a pessoas próximas que deixaria o cargo caso Carlos Henrique fosse impedido de assumir o posto no Rio. Afirmava, também, que esperava o mesmo do ministro. No dia seguinte, porém, o primeiro momento mais crítico da crise —na sexta passada (16), quando Bolsonaro disse que é ele quem manda na polícia—, a cúpula da PF esperava que Moro se posicionasse, ao menos para defender a autonomia do órgão, ainda que fosse de forma sutil. Minutos depois da declaração, Bolsonaro arrefeceu e disse que tanto fazia quem seria o escolhido para a Superintendência do Rio.
SILÊNCIO – Enquanto delegados e dirigentes especulavam se Moro havia falado com o presidente para ele ter baixado o tom, pessoas próximas ao ministro diziam garantir que os dois não tinham se encontrado e não tinham nem sequer se falado ao telefone. Nesta quinta (22), ao tempo em que Carlos Henrique Oliveira já não sabia mais se mantinha ou desfazia as malas para assumir a Superintendência do Rio e Valeixo não tinha mais certeza da permanência, Moro permanecia calado.
“O Valeixo pode querer sair hoje. Não depende da vontade dele. E outra, ele é subordinado a mim, não ao ministro. Deixo bem claro isso aí. Eu é que indico. Está bem claro na lei, o diretor-geral”, afirmou Bolsonaro de manhã. No início da noite, com a PF quase de cabeça para baixo, o ministro postou no Twitter uma foto com juízes federais. “Recebi a visita ilustre dos dirigentes da Associação Paranaense dos Juízes Federais, Fabrício Bittencourt e Gabriela Hardt, com manifesto com receios sobre o projeto de abuso de autoridade. Estamos avaliando com atenção todos os lados da questão”, escreveu na rede social.
POLARIZAÇÃO – Valeixo passou os dois últimos dias em Salvador, onde participou e discursou em dois eventos, um organizado pela ADPF (Associação dos Delegados da Polícia Federal) e outro pela própria direção, reunindo comunicadores internos de todo o país. Segundo pessoas que o acompanharam, ele estava mais abatido que o normal, embora fazendo brincadeiras, como é de costume. No encontro interno da PF, de acordo com pessoas presentes à reunião, Valeixo fez uma breve análise do cenário no Brasil, dizendo continuar havendo uma polarização e pedindo cuidado para os servidores na comunicação do órgão. Em seu breve discurso, provocou risadas no público, especialmente quando disse que a polícia sempre está em meio a crises.
Mesmo com a chance de troca do diretor-geral, a avaliação da cúpula da PF e de delegados é de que o mais grave ato de Bolsonaro até agora foi ao mostrar interferência na Superintendência do Rio, que tradicionalmente é uma decisão interna. No entendimento de dirigentes, a escolha do diretor-geral nunca deixou de ser uma escolha política, enquanto a do superintendente era blindado de pressões externas. Em 2018, o ex-presidente Michel Temer trocou Leandro Daiello, o mais longevo diretor-geral da PF desde a democratização, por Fernando Segovia, que ficou apenas três meses no cargo. O nome de Segovia era vinculado a políticos do governo e sofreu resistência de servidores do órgão. 
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ENTENDA O CASO
Anúncio – Na quinta (15), Bolsonaro anunciou que Ricardo Saadi seria substituído por Carlos Henrique Oliveira na Superintendência da PF no RJ
Interferência – Mudança já era discutida pela PF, mas o anúncio de Bolsonaro foi malvisto pela corporação, já que o presidente deu a entender que era ele o responsável pela decisão
Quem manda – Na quarta (21), Bolsonaro disse que foi eleito para interferir e que não seria um presidente “banana”
Diretor – Nesta quinta (22), Bolsonaro alfinetou o ministro Sergio Moro (Justiça) ao dizer que ele era seu subordinado. Também afirmou que tem direito a intervir na PF e que se não puder trocar um superintendente do órgão, pode mudar o diretor-geral
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sérgio Moro tem aguentado calado as sucessivas derrotas e desautorizações públicas pelo presidente. O ministro mais popular da Esplanada parece, sob o silêncio que provoca estranheza, entregar nas mãos de Bolsonaro o ônus de uma possível demissão e o desligamento do governo. E isso são constatações feitas por pessoas próximas a Moro. (M.C.) 

Ainda a respeito do Julgamento sobre o processo de NEPOTISMO na Prefeitura de Jeremoabo.

Nenhuma descrição de foto disponível.





Atendendo solicitação de um leitor deste Blog explicarei o andamento do processo de Nepotismo contra o Prefeito de Jeremoabo/Secretário de Infraestrutura.
Observem que não escrevi contra a Prefeitura, mas contra o Prefeito.
Os vereadores da oposição honrando o voto de confiança recebido de seus eleitores, w cumprindo com sua obrigação de fiscalizar já que para isso estão sendo bem pagos, respaldados em milhares de Ações e na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, por analogia juntamente com seus advogados resolveram coibir esse abuso, essa imoralidade e essa ilicitude, ingressando com representação perante o TCM-BA.
A representação foi julgada procedente, traduzindo, o TCM-BA deu razão aos vereadores da oposição e Decidiram:

Votamos, com lastro no disposto no inciso XX do art. 1º da Lei Complementar Estadual nº 006/91, pelo conhecimento e procedência da denúncia contida no processo TCM nº 12683e18 para, em decorrência, adotar as seguintes providências:

 I - Com supedâneo no inciso II, do art. 71 da Lei Complementar Estadual nº 006/91, aplicar ao denunciado, Sr. Derisvaldo José dos Santos, Prefeito de JEREMOABO, multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais), a ser recolhida ao erário municipal no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do trânsito em julgado deste decisório, na forma da Resolução específica desta Corte; 

 II – Determinar que sejam exonerados no mesmo prazo de 30 (trinta) dias a contar do trânsito em julgado deste decisório, apresentando as comprovações pertinentes a esta Corte, dos cargos mencionados, os seguintes servidores: - Sra. Alalucha Teixeira Ferreira Andrade, ESPOSA DO SECRETÁRIO, Chefe do Setor de recursos Humanos do Hospital Geral de Jeremoabo; - Sra. Maria Célia Santos Andrade, IRMÃ DO SECRETÁRIO, Coordenadora do Setor de Compras e Almoxarifado; - Sr. Fabrício Emanoel dos Santos Silva, SOBRINHO DO SECRETÁRIO, Defensor Público; - Sr. Gilson Santos Andrade Filho, SOBRINHO DO SECRETÁRIO, Chefe de Manutenção de Estradas Viscinais; - e Sr. Lucas Ravel Santos Andrade, SOBRINHO DO SECRETÁRIO, Auxiliar de Assistência em Saúde

. 6 À SGE:

 I - Anexar cópia desta Deliberação às contas da Comuna de Jeremoabo, referentes ao exercício de 2019, para as repercussões cabíveis, inclusive em relação ao cumprimento do decisório e comprovação do recolhimento ao erário da cominação imposta, no prazo estabelecido.

 II – Dar ciência aos interessados.

 SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DA BAHIA, em 28 de maio de 2019.

 Conselheiro Plínio Carneiro Filho -Presidente

 Conselheiro José Alfredo Rocha Dias – Relator


O prefeito de Jeremoabo não se conformando com a derrota, apelou para que o ADVOGADO CONTRATADO PARA PRESTAR SERVIÇOS A PREFEITURA MUNICIPAL DE JEREMOABO, INGRESSASSE COM UM PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO.

Pedido esse que será apreciado agora no próximo dia 27.08.2019.

Nota da redação deste Blog:
Pedido de reconsideração é aquele destinado ao juiz, em que se pede o reexame de uma questão já resolvida, para que se dê uma outra solução. Pede-se, pois, para reconsiderar (considerar ou apreciar novamente)

Como perguntar não ofende pergunto: Será que não  configura uso ilícito da máquina pública a utilização de procurador público, ou a contratação de advogado particular, para a defesa de interesse pessoal do agente político??? 




Polícia Federal diz que Graça Foster atuou para abafar corrupção na Petrobras

Posted on 

A ex-presidente da Petrobras teria favorecido o BTG Pactual
Deu no O Globo
Um dos alvos da 64ª fase da Operação Lava-Jato deflagrada nesta sexta-feira, dia 23, pela Polícia Federal (PF), a ex-presidente da Petrobras Graça Foster é suspeita de não ter adotado medidas para apurar ou impedir a continuidade de um esquema de corrupção dentro da estatal durante a sua gestão, o que supostamente seria de seu conhecimento. Agentes da PF estiveram em sua casa, no Rio, para cumprir mandados de busca e apreensão. Graça ocupou a presidência da Petrobras entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2015. Segundo os investigadores, a ex-presidente da Petrobras favoreceu o BTG Pactual na compra de ativos da estatal na África em troca de assumir controle da Sete Brasil, subsidiária da Petrobras.
Além disso, ela teria, de acordo com a força-tarefa, “aparente” conhecimento de irregularidades mantidas em contrato firmado entre a Odebrecht e a Petrobras, um acordo de US$ 825 milhões relativo à prestação de serviços nas áreas de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS). Mesmo assim, ela teria concordado com sua continuidade. E-mails trocados entre ela e o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, relatam a preocupação de ambos com o assunto.
IRREGULARIDADES – “Em mensagens seguintes transcritas na representação, há indicativos de que Graça Foster havia determinado a formação de grupo de trabalho de empregados da Petrobras com funcionários da Odebrecht para que se providenciasse, mediante aditivo, redução do valor do contrato. Contudo, mesmo com a aparente ciência das irregularidades, não houve rescisão ou ordem para que fosse apurado o pagamento de vantagens indevidas até então”, afirmou a juíza Gabriela Hardt.
Nesta fase, a Lava-Jato apura informações incluídas na delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e em e-mails de Marcelo Odebrecht. A operação tem o objetivo de investigar os crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais. Na quarta-feira, o cunhado de Marcelo foi o principal alvo da 63ª fase da investigação. Segundo a Polícia Federal, com base nas declarações de Palocci, a indicação de Graça Foster para a presidência da Petrobras pela ex-presidente Dilma Rousseff ocorreu para “direcionar eventuais cobranças por recursos das empresas contratadas para os interesses gerais do Partido dos Trabalhadores” Palocci disse à PF que Esteves, perto do fim da campanha de 2010, teria acertado com o então ministro Guido Mantega o repasse de R$ 15 milhões, em contrapartida a privilégios dados ao BTG no projeto de sondas de pré-sal da Petrobras.
ACORDO – O ex-ministro também narrou que a ex-presidente da Petrobras, para favorecer o banco BTG Pactual, retirou a condução do processo de venda dos ativos da Área Internacional da estatal para evitar que o PMDB solicitasse vantagens indevidas dos potenciais compradores. De acordo com as investigações, em troca de obter controle da Sete Brasil, subsidiária da Petrobras, Graça Foster teria feito um acordo com André Esteves que envolvia o direcionamento, para o BTG, dos ativos da Petrobras na África.
Em junho de 2013, a Petrobras e o BTG anunciaram que o banco compraria fatia de ativos de exploração e produção da petroleira na África, em operação situada no plano de desinvestimentos da estatal. A transação envolveu 50% do capital da Petrobras Oil & Gas B.V; as sucursais localizadas em Angola, Benin, Gabão e Namíbia; bem como as subsidiárias na Nigéria e na Tanzânia. A parceria foi aprovada pelo Conselho de Administração da estatal.
VENDA DE ATIVOS – Um dos ilícitos investigados envolveu a venda pela Petrobras desses ativos na África. A partir de análise de documentos apreendidos, identificaram-se indícios de que os ativos foram comercializados em valor inferior ao avaliado por instituições financeiras. No início do processo, o preço de tais ativos havia sido avaliado entre US$ 5,6 bilhões e US$ 8,4 bilhões. Ao final, em 2013, 50% desses ativos foram vendidos por US$ 1,5 bilhão. O procedimento de venda teria sido permeado por diversos indícios de irregularidades, como possível restrição de concorrência e acesso a informações sigilosas em favor do BTG.
“Esta é mais uma investigação relativa a possíveis crimes que têm relação com instituições financeiras. Já houve denúncias apontando crimes relacionados a funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Paulista e corretoras”, diz o procurador da República Deltan Dallagnol. A operação desta sexta-feira também cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do BTG e na casa do banqueiro André Esteves, no Rio.

Dallagnol lucrou mais de R$ 1 milhão com palestras, mas filantropia ficou em segundo plano


Repasse a entidades deixou de ser automático
Flavio Ferreira, Amanda Audi, 
Leandro Demori e Alexandre de Santi
Folha / The Intercept Brasil
A atividade de palestras remuneradas do procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, passou por mudanças contratuais para deixar de ter a filantropia como principal destino dos valores. Ele começou a focar o meio empresarial e arrecadou ao menos R$ 580 mil a partir de 2017, apontam diálogos e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados em conjunto com a Folha.
Mensagens, planilhas, recibos e contratos que circularam no aplicativo Telegram de Deltan indicam um contraste entre os argumentos da defesa apresentada por ele à Corregedoria do Ministério Público em junho de 2017, que levaram ao arquivamento de uma reclamação disciplinar, e a conduta do procurador em relação às palestras a partir daquele ano. Deltan sempre se recusou a divulgar a relação de empresas e entidades que pagaram por suas palestras, bem como as remunerações recebidas por esse trabalho. A lista de contratantes do procurador traz unidades da operadora de planos de saúde Unimed, firmas do mercado financeiro e associações industriais e comerciais.
PLANO DE NEGÓCIOS – O valor de cada palestra variou entre R$ 10 mil e R$ 35 mil. O total arrecadado com elas a partir do início da Lava Jato passou de R$ 1 milhão caso sejam somadas as quantias que Deltan também destinou para instituições filantrópicas — isso ocorreu principalmente em 2016. Conforme mostrou a Folha em 14 de julho deste ano, Deltan montou um plano de negócios no ano passado para lucrar com a fama da Lava Jato. Com um colega, cogitou abrir uma empresa em nome de suas mulheres para evitar questionamentos legais. As revelações levaram à abertura de novas reclamações disciplinares contra ele na Corregedoria.
Em nota, Deltan diz que, na soma de 2016 a 2018, destinou a maior parte dos valores para atividade beneficente ou ações anticorrupção, incluindo uma reserva de R$ 184 mil que mantém em aplicação financeira e que ele diz planejar para essa última finalidade. Ele não comenta as mudanças ocorridas especificamente após 2017. O chefe da força-tarefa apresentou em junho de 2017 uma resposta a uma reclamação disciplinar sobre as palestras que havia sido protocolada na Corregedoria do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) pelos deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ).
“ATIVIDADE DOCENTE” – Nessa manifestação, Deltan alegou que suas palestras deveriam ser enquadradas como atividade docente, o que é permitido por lei. Também argumentou que a atividade tinha como objetivo principal promover combate à corrupção e colaborar com ações de filantropia e sociais. Segundo Deltan, até 2016 a maior parte do valor arrecadado com as palestras havia sido doada ao Hospital Oncopediátrico Erasto Gaertner, de Curitiba. A instituição médica informou à época ter recebido R$ 219 mil (R$ 240 mil em valores atualizados) do procurador.
No ofício à Corregedoria em junho de 2017, Deltan disse, porém, que tal procedimento havia mudado a partir daquele ano. Desde então, os contratos, de modo geral, não têm mais destinação automática de valores para entidades filantrópicas. “Em 2017, após descontado o valor de 10% para despesas pessoais e os tributos, os valores das palestras sobre corrupção e ética em grandes eventos estão sendo destinados, até hoje, a um fundo que será empregado, ao tempo oportuno, em despesas ou custos decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção, tal como a Operação Lava Jato, para o custeio de iniciativas contra a corrupção e a impunidade, ou ainda para iniciativas que objetivam promover, em geral, a cidadania e a ética”, de acordo com a manifestação.
CAUSA CÍVICA – “Presto esses esclarecimentos para deixar claro para a sociedade que o objetivo das palestras não é enriquecer, mas sim contribuir com a causa cívica, embora eu pudesse legalmente dar destinação pessoal aos recursos, como muitos profissionais da área pública e privada fazem”, completou o procurador. A Corregedoria do CNMP considerou procedentes as alegações de Deltan, ressaltando a destinação da remuneração no ano anterior para entidades filantrópicas, e arquivou a reclamação disciplinar.
Porém as mensagens e papéis examinados pela Folha e pelo Intercept não permitem constatar a formação do fundo mencionado pelo procurador à Corregedoria. Além de não haver mais previsão contratual nas palestras, a reportagem também não encontrou menções ou registros de altos valores de contribuições para caridade por parte de Deltan desde 2017. Essa documentação mostra que Deltan usou em 2016 um tipo de contrato que previa a cobrança de valores pelas palestras, porém com destinação direta para a conta corrente do Hospital Erasto Gaertner.
CONTA CORRENTE – Esse padrão mudou no ano seguinte, quando os contratos passaram a prever depósitos na conta corrente do procurador. Um dos documentos de 2017 faz referência ao fundo de incentivo ao combate à corrupção mencionado por Deltan à Corregedoria, mas contratos de 2018 e 2019 já não previam esse tipo de destinação. A reportagem examinou os valores de 20 palestras de Deltan pagas ou programadas entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2019, conforme diálogos, planilhas, recibos e contratos que circularam em grupos de conversas do procurador. A maioria delas teve como tema corrupção e ética nos negócios.
Em valores atualizados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a soma das remunerações dos eventos desde 2017 encontrados na documentação é de cerca de R$ 580 mil. Um quarto das palestras verificadas pela reportagem foi para unidades do plano de saúde Unimed. Os eventos foram remunerados pelas Unimeds central e de Santa Catarina, Porto Alegre, Presidente Prudente (SP) e Assis (SP). Em uma ocasião, Deltan solicitou que a responsável pela organização de suas palestras pedisse à Unimed que o contratasse para palestrar em Salvador, pois ele queria ir à capital baiana promover uma campanha.
Essa solicitação foi feita a Fernanda Cunha, dona da firma Star Palestras, em 18 de julho de 2018. “Fernanda, será que a Unimed Salvador não quer me contratar pra uma palestra na semana de 24 de setembro?”, escreveu o procurador. Cunha indagou se o procurador iria estar na cidade naquele dia, e Deltan respondeu negativamente. “É que não tenho nada relevante em Salvador e queria ir pra lá pra espalhar a campanha. Como Vc sempre tem contatos na Unimed, pensei que podia ser uma boa”, explicou o procurador.
RECEIO – A dona da empresa de eventos disse que iria verificar se o pedido de Deltan poderia ser atendido, mas não há na documentação registros de que a palestra tenha ocorrido. O procurador também foi remunerado por instituições e firmas do mercado financeiro, da indústria e do comércio, como Febraban (Federação Brasileira de Bancos), B3, XP e Centro Industrial do Ceará (CIC). As mensagens no Telegram mostram que o procurador receava que a divulgação dos dados de suas palestras pudesse levar à descoberta de situações embaraçosas e consequentemente promover questionamentos legais e críticas.
TRANSPARÊNCIA – Em 3 de julho de 2017, após um pedido de esclarecimentos da Folha sobre o assunto, Deltan disse a um assessor da Procuradoria que colegas da força-tarefa da Lava Jato compartilhavam dessa preocupação. “Tenho pensado se devo soltar os nomes dos tomadores, mas o pessoal da FT acha que não, pq vão fuçar para dizer que um diretor da entidade tem isso ou aquilo, que o médico vinculado àquela unimed tá procesado por sonegação ou isso ou aquilo… acham que quanto mais ficar dando corda, pior será”, afirmou o procurador. O assessor concordou com a posição de Deltan: “Sim, vão acabar querendo especular que vc deu palestra em entidade de tal pessoa que já foi citada em algo…. etc…”. As mensagens são reproduzidas pela Folha com a grafia encontrada nos arquivos originais obtidos pelo Intercept, incluindo erros de português e abreviaturas.
O procurador buscou evitar até mesmo que a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal, órgão interno de fiscalização dos procuradores da República, tivesse acesso às informações sobre as palestras, como a Folha e o Intercept informaram em 8 de agosto. A falta de transparência sobre as palestras remuneradas realizadas por membros do Ministério Público difere do que é previsto em lei para os juízes brasileiros. Os magistrados são obrigados a informar quem são os contratantes de suas palestras para que os dados sejam publicados nos sites dos tribunais, conforme resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O objetivo da regra é permitir a verificação pública de eventuais situações de conflitos de interesse.
OUTRO LADO –  O procurador Deltan Dallagnol afirma que, ao longo dos anos, destinou a maior parte dos valores arrecadados com palestras para atividade beneficente ou anticorrupção. Ele inclui em seu cálculo a quantia de R$ 184 mil, hoje em aplicação financeira, que diz reservar para fazer investimentos futuros em ações de combate à corrupção. O coordenador da Lava Jato diz que já realizou doações a instituições filantrópicas que totalizam cerca de R$ 100 mil além das contribuições feitas ao Hospital Erasto Gaerter em 2016.
Segundo Deltan, a maioria de suas palestras é gratuita e a atividade é legal, legítima e positiva para a sociedade. “O propósito da atividade é promover cidadania e o combate à corrupção. No caso de palestras remuneradas, são regularmente declaradas em Imposto de Renda”, afirma em nota. Apesar de a Folha ter pedido ao procurador esclarecimentos sobre a situação após as mudanças nos contratos das palestras, a partir de 2017, quando elas passaram a deixar a filantropia em segundo plano, Deltan fez considerações abrangendo fatos de 2016, ano em que ainda dedicava a maior parte dessa remuneração para entidades assistenciais. Em sua resposta, o procurador também não contempla as receitas obtidas em 2019. O procurador afirma que “ficou com menos de 40% dos valores das palestras prestadas desde 2016 até 2018 que envolveram pagamentos”, e, assim, “a maior parte dos valores tem sido destinada para atividade beneficente ou anticorrupção”.
DOAÇÕES – Deltan diz que, desde 2016, a atividade de palestras “tem resultado em um benefício econômico direto para a sociedade de R$ 734.774,14”. Para chegar a esse total, o procurador inclui cerca de R$ 200 mil que diz ter recolhido em tributos entre 2016 e 2018 em função da atividade de palestras, os R$ 184 mil atualmente em aplicação financeira para investimento futuro no combate à corrupção e os R$ 247 mil (em valores atualizados) doados ao Hospital Erasto Gaerter em 2016. Nessa conta entram também outras doações que somam cerca de R$ 100 mil.
Em resposta à Folha, o procurador afirmou que acertou a realização de novas doações para filantropia principalmente a partir de abril 2019, sendo beneficiadas no período as entidades ONG Amigos do Bem (R$ 10 mil), Acridas, que cuida de crianças e adolescentes em situação de risco (R$ 20 mil), Hospital Cajuru (R$ 20 mil) e Fundação Lia Maria Aguiar (R$ 10 mil). Segundo Deltan, “Somando-se a esse montante [R$ 734 mil] o valor com o qual o procurador ficou de 2016 e 2018 (valores já apurados), a parcela do procurador corresponde a menos de 40% do total”. Indagado pela reportagem, o procurador preferiu não revelar o valor exato do total da remuneração das palestras destinada para fins pessoais.

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