segunda-feira, agosto 19, 2019

Faltam esgotos para a metade do país, mas sobram corrupção, inércia e sonegação


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Valas negras – um problema que atinge todos os Estados do país
Pedro do Coutto
Metade da população brasileira não conta com rede de esgoto, o que torna crítico o projeto de saneamento e, na ausência de medidas concretas, avançam as doenças. Na minha impressão, quase a metade das moléstias causadas por contaminação são resultado da deficiência nos serviços básicos de abastecimento de agua e tratamento de esgotos. O tema, manchete principal da edição de O Globo, domingo, baseia-se na reportagem de Marcelo Correia.
Os dados oficiais, de outro lado, acentuam uma segunda contradição. Do ano 2010 a 2017 as estatais de saneamento investiram 59,7 bilhões de reais e gastaram 68,1 bilhões com as folhas de pagamento.
AGRAVAMENTO – Um absurdo. como se constata, mas a contradição é maior ainda: de 2010 a 2017 a população cresceu 7%. Isso quer dizer que surgiram em nosso país 14 milhões de crianças, grande parte das quais vítimas da falta de saneamento. As folhas de pessoal nesse período subiram acima da inflação acumulada. Os investimentos perderam para os índices inflacionários. Sintoma claro do agravamento do problema.
Como é possível que sucessivos governos tenham se omitido nesse setor tão fundamental para a saúde e existência humana. Faltou, e está continuando a faltar, preocupação tanto com o presente quanto em relação ao futuro.
ESTATIZAÇÃO – A criação de empresas estatais não resolveu o desafio, pois acumularam déficits sociais numa sequência impressionante da inércia e até mesmo de um relaxamento essencialmente criminoso. Basta indagar quantas pessoas morreram de 2010 para cá em consequência direta da falta de saneamento básico.
Ainda que pareça incrível, a reportagem expõe que as atuais redes não atendem a 100 milhões de pessoas, metade da população. Por reflexo, crescem velozmente as doenças que exigem tratamento médico. Os serviços públicos de saúde enfrentam uma sobrecarga muito alta, consequência direta da falta de saneamento adequado e o número de leitos no SUS está diminuindo, ao invés de aumentar.
POVO CARENTE – As favelas cariocas, por exemplo, abrigam na cidade aproximadamente 2 milhões de pessoas. No interior brasileiro, o saneamento parece fadado a atingir uma meta inalcançável. Assim, ainda focalizando as favelas do Rio chega-se à conclusão de que além da violência que as atingem deve se somar a falta de saneamento básico que atinge a todos.
Eis aqui um capítulo que se incorpora à dramática situação da    realidade social brasileira, e o presidente diz que não tem dinheiro para nada.

Carlos Bolsonaro publica lista de políticos com transações suspeitas e expõe o próprio irmão


No Twitter, parlamentar compartilhou lista elaborada pelo Coaf
Deu no O Globo
Em resposta a um post do deputado federal Marcelo Freixo(PSOL-RJ) no Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro publicou uma lista de políticos da Assembleia Legislativa do Rio cujos nomes estão envolvidos em movimentações financeiras suspeitas. Entre os parlamentares citados na lista, está o nome do seu irmão mais velho, o hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL).
ATIVIDADES ATÍPICAS – A lista, que também tem representantes do PT, PDT, PSC e DEM, faz parte de um relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) que apontou atividades atípicas de auxiliares de deputados. O nome de Flávio aparece no relatório, produzido no âmbito da Operação Furna da Onça , por conta das transações realizadas pelo policial militar Fabrício Queiroz, seu ex-assessor, que segue desaparecido há meses.
A interação entre os parlamentares começou quando Freixo, em post na rede social, cobrou posicionamento do ministro Sergio Moro sobre recentes interferências do presidente Jair Bolsonaro na superintendência da Polícia Federal no Rio. “E aí, Sergio Moro, você vai continuar nesse silêncio constrangedor enquanto o seu chefe Jair Bolsonaro desmoraliza a Polícia Federal pra blindar o Queiroz e proteger a família? Prefere ficar calado pra não melindrar o clã, ministro?”, questionou Freixo no Twitter.
TREND TOPIC – Como resposta, o filho do presidente postou imagem que mostra a lista, aproveitando para questionar Freixo sobre os nomes do PSOL presentes na relação. “Aí maluc(x), o que tem pra falar sobre estes casos dos amigos do PSOL? Ou vai continuar fingindo que nada existe e que Copacabana Palace é Venezuela ou Cuba?”, provocou. 
“Confesso que às vezes tenho pena do Carluxo. Sempre tão confuso… Ele fica tão nervoso que daqui a pouco vai divulgar a lista dos funcionários fantasmas do seu próprio gabinete”, rebateu o deputado psolista. Na manhã deste domingo, dia 17, o parlamentar foi um dos assuntos mais comentados da rede. 

Após intervenção, deputados articulam para garantir proposta de autonomia à PF


PEC foi apresentada em 2009, mas nunca avançou
Ricardo Della Coletta
Folha
Em meio aos gestos de interferência do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na chefia da Polícia Federal no Rio, deputados ligados à instituição prometem reforçar no Congresso a articulação para fazer avançar uma proposta que garanta autonomia funcional e administrativa à corporação. Pauta encampada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF ), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nesse sentido foi apresentada em 2009, mas nunca avançou na Casa. 
A redação sugerida altera a Constituição para estabelecer que uma lei complementar “organizará a Polícia Federal e prescreverá normas para a sua autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de elaborar sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias”. Enquanto seus apoiadores dizem que a PEC garantiria mais recursos para as investigações da Polícia Federal e reduziria a exposição da corporação à interferências políticas, críticos dizem que o projeto é amplo demais e que a PF hoje já conta com um alto grau de autonomia. Além do mais, críticos à matéria apontam que, como instituição armada do Estado, a PF precisa estar subordinada ao Executivo. 
ARTICULAÇÃO – A proposição encontra-se hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está sendo relatado pelo presidente do colegiado, deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Embora diga não ver relação entre a ingerência do presidente na instituição e a articulação em defesa da PEC, Francischini promete trabalhar “pesadamente na aprovação” do texto nas próximas semanas. “Eu não acompanhei muito essa questão sobre a Polícia Federal do Rio. Mas essa PEC da autonomia da PF é de extrema importância. Eu sempre disse que eu estava esperando passar essa pauta econômica para poder trabalhar pesadamente na aprovação da PEC”, diz o parlamentar. 
O presidente da CCJ —que é filho do deputado estadual do Paraná e delegado licenciado da Polícia Federal Fernando Francischini (PSL)— afirma que nas próximas semanas vai definir se fica com a relatoria da proposta ou se a transfere para um outro parlamentar, para então colocar o tema em pauta no colegiado.  Outro que defende a aprovação da proposição é o deputado Felício Laterça (PSL-RJ), também delegado da Polícia Federal. Ele diz não ver problemas na manifestação do presidente Bolsonaro que desatou a crise com a instituição, mas afirma que quer aproveitar a repercussão do caso para tentar impulsionar o projeto. 
AUTONOMIA –  “Se [o presidente] pode destituir o ministro da Justiça, que é o chefe da PF, ele não pode opinar às vezes sobre um diretor ou sobre um superintendente no estado em que reside?”, questiona o parlamentar. “É uma bandeira que vamos levar ao presidente Bolsonaro, até em relação ao ocorrido. Vamos falar também com o presidente da Câmara, reunir os outros colegas que são da PF, policiais, que entendem a relevância, para a gente pautar e conseguir essa tão sonhada autonomia”, acrescenta o deputado. 
As falas do presidente Bolsonaro indicando interferência na Superintendência da PF no Rio de Janeiro desencadearam uma queda de braço entre o Palácio do Planalto, a corporação e o ministro Sergio Moro (Justiça). Desde a manhã de quinta-feira , dia 15, o presidente tem dado sinais de intervenção na PF, o que causou perplexidade e desconforto no órgão. Em pouco mais de 24 horas, Bolsonaro anunciou a troca do superintendente do Rio, Ricardo Saadi, que sairia por vontade própria nas próximas semanas, contestou o novo nome, de Carlos Henrique Oliveira, que já estava escolhido pela direção-geral da PF, e chegou a dar praticamente como certa a nomeação para o cargo de um delegado com quem tem contato desde que foi eleito, Alexandre Silva Saraiva.
RECUO –  Após uma forte reação da Polícia Federal, Bolsonaro arrefeceu e disse que “tanto faz” para quem vai ser o comandante da corporação no Rio. Ele, no entanto, manteve o que chamou de “sugestão” de Saraiva para o cargo. “Tanto faz para mim. Eu sugeri o de Manaus, se vier o de Pernambuco tudo bem para mim”, disse o mandatário. Diante das falas de Bolsonaro, o presidente da ADPF, Edvandir Felix de Paiva, diz que “nunca foi tão clara” a necessidade de se votar a PEC da autonomia.
“Outros órgãos, como a Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal, têm autonomia administrativa. Eles que nomeiam os cargos internos sem precisar passar pelo governo. É isso que nós queremos para a PF, porque é um órgão de controle do Estado e não deveria passar pelo crivo do governo da vez”, diz.  Ele espera que as reações às declarações de Bolsonaro sejam um impulso para a matéria no Congresso. 
DIVERGÊNCIAS – “A gente tem que aprender justamente com esses episódios. Queremos criar a Comissão Especial e discutir quais são os limites dessa autonomia. Não queremos um órgão sem controle, mas sim avançar nesse assunto da autonomia da PF”, conclui.  A PEC, no entanto, não é consensual dentro das diferentes carreiras da Polícia Federal.  Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF ), argumenta que a PF já tem sua autonomia e que o texto proposto é “amplo e aberto” demais. 
“É como se fosse um cheque em branco. Você não sabe quais são as regras e os limites”, pontua.  “A Lava Jato é um exemplo da autonomia que a PF tem. Claro que todos nós vamos lutar para que isso seja sempre mantido”, afirma. Além do mais, ele diz que há problemas na redação da proposta. Como exemplo, cita a retirada do trecho da Constituição que classifica a Polícia Federal como “órgão permanente”, o que para ele seria um retrocesso e enfraqueceria a instituição.

Guedes já assinou a MP da transferência do Coaf que será enviada ao Congresso

Posted on 

Charge do Marco Jacobsen (www.folhadelondrina.com.br)
Fabrício de Castro e 
Daniel Weterman
Estadão
O presidente Jair Bolsonaro está oficializando a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central. O Estadão/Broadcast apurou que a Medida Provisória já foi assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, está em análise no Palácio do Planalto será enviada esta segunda-feira ao Congresso.
Outro ponto que será anunciado pelo governo é o nome do futuro chefe do órgão. Em Brasília, especula-se que o atual diretor de Supervisão do Coaf, Ricardo Liáo, poderá assumir a Presidência do Conselho no lugar de Roberto Leonel. Na última sexta-feira,  dia 16, Bolsonaro afirmou que a proposta poderia ser assinada quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, estivesse em Brasília. Naquele dia, Guedes cumpriu agenda no Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira, o ministro estará na capital federal e terá uma reunião com Bolsonaro às 14 horas.
CONTINUIDADE – Já a indicação de Liáo para o comando seria uma forma de garantir certa continuidade na administração do Coaf, que passará a se chamar Unidade de Inteligência Financeira. Isso porque ele já faz parte da estrutura do conselho, formada por cinco servidores. Além disso, Liáo é o único na cúpula atual do Coaf que é servidor de carreira do BC. Os outros quatro integrantes – incluindo o presidente Roberto Leonel – são da Receita Federal.
Oficialmente, a decisão de Bolsonaro de transferir o Coaf do Ministério da Economia para o Banco Central tem como objetivo reduzir a influência política no órgão, que é responsável pela identificação de ocorrências suspeitas e atividades ilícitas no sistema financeiro. A mudança, porém, surge na esteira de declarações do atual presidente, Roberto Leonel, que desagradaram o Planalto.
MOVIMENTAÇÃO “ATÍPICA” – Em dezembro do ano passado, o Estado revelou que um relatório do Coaf apontava para uma movimentação financeira “atípica” do ex-assessor parlamentar do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Fabrício Queiroz. Segundo o relatório, Queiroz teria movimentado R$ 1,2 milhão em sua conta no período de um ano, entre janeiro de 2016 a 2017. Com base neste documento, o Ministério Público do Rio abriu investigação para apurar a suspeita de ocorrência de “rachadinha” – prática em que o servidor repassa parte ou a totalidade de seu salário ao político responsável por sua nomeação. Queiroz e Flávio negam qualquer irregularidade.
Em junho deste ano, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, atendeu a um pedido da defesa de Flávio e suspendeu todos os processos judiciais que tramitam no País em que houve compartilhamento de dados da Receita Federal, do Coaf e do BC com o Ministério Público sem prévia autorização judicial. A defesa de Flávio alegou que o Ministério Público do Rio utilizou o Coaf como “atalho” para realizar uma “devassa, de mais de uma década, nas movimentações bancárias e financeiras” do senador.
CRÍTICA – A decisão de Toffoli foi criticada por Leonel, que havia sido indicado para o Coaf pelo Ministro da Justiça, Sergio Moro. Segundo Leonel, o sistema de combate ao crime de lavagem de dinheiro no País ficaria comprometido. Após as declarações, o ministro Paulo Guedes passou a ser pressionado a demitir Leonel, já que o conselho faz parte da estrutura do ministério.
Na última sexta-feira, dia 16, Bolsonaro voltou a afirmar a jornalistas que o Coaf será transferido para o BC, para que servidores da autarquia ocupem os cargos do órgão. No dia 9, Bolsonaro afirmou que a intenção é tirar o Coaf do jogo político. “Pretendemos, estamos conversando, vincular o Coaf ao Banco Central. Tudo onde tem política, mesmo bem intencionado, sofre pressão”, disse o presidente .

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