sábado, agosto 17, 2019

VÍDEO: Bolsonaro fala sobre ligação da avó de Michelle com o tráfico e diz que Ceilândia é reduto de criminosos parentes da Primeira Dama – ASSISTA

"Pra que isso, porra?! Pra que isso, porra?!", questiona Bolsonaro aos jornalistas que insistem na cobertura do assunto da avó de Michelle, condenada à prisão por tráfico de drogas há mais de vinte anos ASSISTA: Ver essa foto no Instagram Jair Bolsonaro fala sobre condenação da avó de Michelle por tráfico de drogas e diz que Primeira-Dama também tem um tio foragido da Justiça, alé de indicar Ceilândia como o reduto dos criminosos parentes de sua esposa. Uma publicação compartilhada por Et Urbs Magna (@et_urbs_magna) em 17 de Ago, 2019 às 5:22 PDT
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Bolsonaro deve vetar regra sobre algemas em projeto contra abusos, diz Maia


por Eduardo Cucolo | Folhapress
Bolsonaro deve vetar regra sobre algemas em projeto contra abusos, diz Maia
Foto: Reprodução / G1
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (16) que o projeto de abuso de autoridade tem o apoio de algumas entidades representantes do Ministério Público e do Judiciário, mas que não podem manifestar essa posição favorável publicamente.

"O projeto de abuso na verdade gera uma polêmica para quem não leu. Ele foi debatido, atinge os três Poderes, e quem vai formar o juízo é o Ministério Público, e quem vai julgar é o juiz. Então não tem problema para quem não passa do limite das leis", afirmou.

"Nós fizemos ouvindo também aqueles que hoje criticam. E criticam muito mais para dar uma satisfação interna. Eu tive associação de juízes, e tenho testemunha disso, que há pouco tempo atrás disse, na residência da Câmara, que era a favor da proposta do [ex-senador Roberto] Requião e hoje está criticando, porque está sendo pressionada pela base. Teve outro da associação dos procuradores que disse que a proposta estava correta, mas que ia trabalhar por pequenos vetos."

Maia afirmou ainda que o presidente Jair Bolsonaro deve vetar algumas partes do texto, como o artigo que proíbe o uso de algemas em quem não resista à prisão.

"Cabe agora ao presidente decidir. Por exemplo, na questão das algemas, a gente sabe que o presidente deve vetar. Isso é do processo legislativo e da nossa democracia. O presidente tem o direito de sancionar ou vetar, vetar em parte", afirmou Maia após participar de evento sobre reforma tributária em São Paulo.

O projeto que endurece as punições por abuso de autoridade de agentes públicos, incluindo juízes, promotores e policiais. 

De acordo com o texto enviado ao presidente, são considerados passíveis de sanção por abuso de autoridade membros dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, membros do Ministério Público, membros de tribunais ou conselhos de contas, servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas. 

Entre as mudanças estão a proibição de decretação de prisão provisória em "manifesta desconformidade com as hipóteses legais" e também a decretação de condução coercitiva sem que antes haja intimação para comparecimento ao juiz. A pena é de um a quatro anos de detenção. 

O texto também prevê que a autoridade possa ser punida com seis meses a dois anos de detenção, além de multa, caso deixe de se identificar ou se identifique falsamente para o preso no ato de seu encarceramento.

O QUE PREVÊ O PROJETO
Detenção de um a quatro anos e multa
- Autoridade que decretar medida de privação da liberdade em desconformidade com as hipóteses legais
- Quem decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo
- Quem executar a captura, prisão ou busca e apreensão de pessoa que não esteja em situação de flagrante delito ou sem ordem escrita de autoridade judiciária, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei, ou de condenado ou internado fugitivo
- Quem prossegue com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio
- Quem impedir ou retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstâncias de sua custódia
- Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento. Incorre na mesma pena quem mantém, na mesma cela, criança ou adolescente na companhia de maior de idade ou em ambiente inadequado, observado o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente
- Quem invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei
- Quem obtiver prova, em procedimento de investigação ou fiscalização, por meio manifestamente ilícito
- Quem divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado
- Quem der início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente.

Detenção de seis meses a dois anos e multa
- Quem deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal
- Quem deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada
- Quem prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura imediatamente após recebido ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal
- Quem fotografar ou filmar, permitir que fotografem ou filmem, divulgar ou publicar fotografia ou filmagem de preso, internado, investigado, indiciado ou vítima, sem seu consentimento ou com autorização obtida mediante constrangimento ilegal, com o intuito de expor a pessoa a vexame ou execração pública. Não haverá crime se o intuito da fotografia ou filmagem for o de produzir prova em investigação criminal ou processo penal ou o de documentar as condições de estabelecimento penal
- Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso quando de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão
- Quem submeter o preso, internado ou apreendido ao uso de algemas ou de qualquer outro objeto que lhe restrinja o movimento dos membros, quando manifestamente não houver resistência à prisão, internação ou apreensão, ameaça de fuga ou risco à integridade física do próprio preso, internado ou apreendido, da autoridade ou de terceiros
- Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado.
- Quem negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível
- Quem antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunicação, inclusive rede social, atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação

Detenção de um a quatro anos e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência
- Quem constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro

Detenção de três meses a um ano e multa
- Quem coibir, dificultar ou impedir, por qualquer meio, sem justa causa, a reunião, a associação ou o agrupamento pacífico de pessoas para fim legítimo

Reclusão de 2 a 4 anos e multa
- Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei

Bahia Notícias

Instagram passa a contar com ferramenta que permite que usuários denunciem fake news


Instagram passa a contar com ferramenta que permite que usuários denunciem fake news
Foto: Divulgação
O Instagram passou a contar, nesta quinta-feira (15), com uma ferramenta que permite que os usuários denunciem quando uma informação divulgada na rede social seja falsa. Segundo reportagem da IstoÉ a novidade ainda está em fase de testes e consiste em um botão de “denunciar” para ser acionado quando a publicação for suspeita. Em seguida a publicação é analisada pela equipe de verificadores de dados do Instagram.

A expectativa é de que a ferramenta esteja disponível para todos os usuários do Instagram até o fim do mês de agosto.

À reportagem do IstoÉ, a porta-voz do Facebook Stephanie Otway ressaltou os investimentos da empresa no combate às Fake News.  “A partir de hoje, as pessoas poderão nos informar sobre postagens no Instagram que podem ser falsas”, disse Otway. Estamos investindo muito para limitar a propagação de informação errônea em nossos aplicativos, e planejamos compartilhar mais atualizações nos próximos meses”, acrescentou.

Bahia Notícias

TJ-BA condena shopping a indenizar cliente que escorregou em sorvete e fraturou braço

por Cláudia Cardozo

TJ-BA condena shopping a indenizar cliente que escorregou em sorvete e fraturou braço
Foto: Divulgação
O Boulevard Shopping, em Feira de Santana, foi condenado a indenizar uma consumidora em R$ 25 mil por danos morais e estéticos por ter escorregado em uma escada suja de sorvete e ter sofrido uma grave sequela, com fratura óssea do braço esquerdo. De acordo com a decisão da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a consumidora sofreu o acidente em agosto de 2013, por volta das 18h. No tratamento, ela foi submetida a cirurgias para inserção de placas de titânio.

Na ação, a autora narrou que havia estacionado seu veículo na garagem do piso superior do estabelecimento e o movimento era muito grande por ser Dia dos Pais. Por conta da demora do elevador, ela resolveu descer as escadas. Ela escorregou nos degraus, pois havia sorvete derramado. Com a queda, ela ficou imobilizada e foi levada por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Emec. Ela declarou que o shopping não ajudou no tratamento. Com isso, ela teve que arcar com o alto custo do procedimento sozinha. A cliente ainda salientou que, com o decorrer do tempo, a situação de seu braço vem piorando. Ela apresentou provas como laudos médicos e fotografias.

Em primeira instância, o Boulevard Shopping foi condenado à revelia por não ter apresentado defesa no prazo regular. A ação foi julgada pela juíza Fernanda Marinho Silva Godinho, da 11ª Vara de Relações de Consumo de Salvador. Para a magistrada, a falta de respostas faz “presumir como verdadeiros” os fatos alegados pela autora. A juíza condenou o estabelecimento a indenizar a cliente em R$ 5 mil por danos morais, mais R$ 5 mil por danos estéticos.

A autora recorreu da ação para elevar o valor da indenização por considerar irrisório diante da gravidade do caso. O recurso foi relatado pelo desembargador Mario Albiani Júnior. No recurso, ela disse que teve de suportar intervenções cirúrgicas e arcar com os reveses da incapacidade “funcional decorrente da lesão do braço esquerdo”. O shopping, em sua defesa, rechaçou todos os argumentos da autora e pediu a manutenção da decisão de 1º Grau. No acórdão, o desembargador lembrou que é possível cumular a indenização por danos estéticos e morais, pois a primeira visa atender a integridade física da vítima, enquanto o moral se destina aos danos psicológicos. “A indenização deve representar para o ofendido uma satisfação psicológica que possa pelo menos servir para minorar os dissabores que lhe foram acarretados, sem, contudo, ensejar o chamado enriquecimento sem causa. Por outro lado, deve impingir ao causador do dano um impacto capaz de o desestimular a praticar novos atos que venham a causar danos a outrem”, avaliou o relator. Desta forma, Mario Albiani elevou a indenização para R$ 10 mil por danos morais e R$ 15 mil por danos estéticos.

Bahia Notícias

Corte de R$ 926 milhões na Educação foi para pagar emendas, diz Weintraub

por Paulo Saldaña | Folhapress

Corte de R$ 926 milhões na Educação foi para pagar emendas, diz Weintraub
Foto: Marcos Corrêa/PR
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse nesta sexta-feira (16) que a aprovação da reforma da Previdência, por si só, não garante o desbloqueio do orçamento da área, mas, para ele, há sinais que indicam uma possível retomada de gastos.

Weintraub tem insistido na possibilidade de revisão dos contingenciamentos, mas assumiu que o remanejamento recente de R$ 926 milhões do orçamento da Educação para outras áreas representa, sim, um corte. Esse valor equivale a 16% do total bloqueado no MEC (Ministério da Educação) neste ano, que soma cerca de R$ 6 bilhões. Conforme o jornal Folha de S.Paulo revelou, o MEC perdeu quase um terço dos R$ 3 bilhões que a área econômica do governo Bolsonaro quer remanejar no orçamento federal para facilitar o pagamento de emendas parlamentares, negociadas para a aprovação da reforma da Previdência.

"Isso não foi feito aqui. É um corte, esse que você descreveu é sim um corte", disse o ministro, após questionamento da reportagem. O ministro disse que os valores se referem a emendas parlamentares e que não tem relação com gastos de custeio. "São emendas parlamentes, para projetos específicos, aí foi um corte. Não foi um corte da minha caneta".

Um projeto de lei foi encaminhado pelo Executivo na semana passada para garantir recursos para o pagamento de emendas (verbas para projetos e ações indicadas por parlamentares) negociadas na votação em primeiro turno da reforma da Previdência. 

Os R$ 926 milhões faziam parte dos recursos congelados do MEC mas sobre os quais havia, segundo o argumento recorrente do governo, a promessa de liberação futura, caso houvesse melhora na economia. Entretanto, esses valores passam a ter outra destinação definitiva -o projeto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso.

Esse remanejamento atinge, na área da Educação, ações como o apoio à manutenção da educação infantil, concessão de bolsas na educação superior e básica e apoio ao funcionamento de instituições federais de ensino. Weintraub afirmou, entretanto, que o corte não terá impacto nas ações do MEC.

O bloqueio total de recursos do MEC atinge ações que vão da educação infantil à pesquisa. Nas universidades federais, o bloqueio foi de R$ 2,2 bilhões, o que levou preocupação a reitores com relação à capacidade de arcar com todas as contas do ano.

De acordo com Weintraub, há sinais econômicos positivos e que devem permitir o descongelamento de despesas. "Não estou falando em nome do governo que o descontingenciamento está vindo. Todos os sinais estão corroborando que o cenário é esse [de aumento de arrecadação e liberação de dinheiro] e a gente vai conseguir atravessar este ano", diz.

As declarações ocorreram durante entrevista coletiva, em Brasília, para tratar de novas universidades portuguesas que passaram a aceitar o Enem para seleção de alunos. Em encontro com a Andifes (entidade que reúnes os reitores das universidades federais) nesta semana, o ministro indicou que as condições econômicas do governo permitirão um desbloqueio de recursos para as instituições em setembro. 

A conjuntura descrita pelo presidente Bolsonaro foi mais pessimista. Também nesta sexta, o presidente afirmou que o Brasil está sem dinheiro e que seu governo faz milagre para a sobrevivência do país.  "O Brasil inteiro está sem dinheiro", disse. "Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Os ministros estão apavorados. Estamos aqui tentando sobreviver no corrente ano. Não tem dinheiro e eu já sabia disso. Estamos fazendo milagre, conversando com a equipe econômica. A gente está vendo o que a gente pode fazer para sobreviver", afirmou no Palácio do Planalto após cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Juventude. 

A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ficar sem recursos este ano. Na quinta (15), o CNPq anunciou a suspensão de aproximadamente 4,5 mil bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado que seriam distribuídas às universidades.

Como mostrou jornal Folha de S.Paulo, o governo passa por uma compressão sem precedentes no Orçamento federal, ameaçando a paralisia de programas de ministérios nos próximos meses por falta de dinheiro.

Caso Queiroz motivou a tentativa de intervenção de Bolsonaro na Polícia Federal

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Saída do superintendente da PF foi anunciada por Bolsonaro
Igor Gielow
Folha
A investigação sobre a natureza dos supostos elos entre milícias do Rio de Janeiro e a família do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o chamado caso Queiroz, teve papel de destaque no surpreendente anúncio de demissão do superintendente da Polícia Federal no estado, delegado Ricardo Saadi.
Bolsonaro vinha se queixando a interlocutores havia meses de que não confiava na atuação de Saadi, que não tinha ingerência direta sobre nenhuma investigação envolvendo o clã Bolsonaro, mas que agia em sintonia com quem lida com o assunto.
CASO INÉDITO – A Folha ouviu de um governista que o presidente considera o tratamento dado às investigações envolvendo seu filho Flávio, senador pelo PSL-RJ, direcionado para atingir sua imagem. Daí a buscar responsáveis, foi um pulo: nunca antes um diretor regional da PF havia sido afastado por uma declaração presidencial. Em março do ano passado, o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) levou a uma investigação da Polícia Civil que acabou sob intervenção dos militares que comandavam a segurança no Rio por suspeita de tentar tirar do foco o papel de milicianos na execução dela e de seu motorista, Anderson Gomes.
Por determinação do Ministério da Segurança Pública e da Procuradoria-Geral da República, foi criado um grupo na PF para apurar a operação-abafa. O andamento dessa investigação, sigilosa e ainda em aberto, são um dos grandes mistérios hoje em Brasília. O que se sabe é que há uma montanha de sigilos telefônicos e fiscais quebrados à disposição dos investigadores. Essa apuração, tocada de Brasília, trabalhou ou trabalha em coordenação com Saadi e com o Ministério Público do Rio. Enquanto isso, operações no estado jogaram luz sobre ações de milicianos e o gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL), então deputado estadual (2003-18) e hoje senador.
IRREGULARIDADES – Tudo começou numa investigação sobre gastos irregulares identificados pelo Coaf (órgão de controle de atividades financeiras) nas contas de Fabrício Queiroz, um ex-PM que era chefe de gabinete de Flávio. No decorrer das apurações, foi revelado que Queiroz empregou parentes de milicianos no gabinete, inclusive mulher e mãe de um suspeito de executar Marielle e Gomes.
Em abril deste ano, o senador e mais 85 pessoas tiveram seus sigilos quebrados pela Justiça, e Flávio foi à luta para obstruir a investigação em tribunais superiores. Em julho, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, concedeu liminar suspendendo os procedimentos porque eles se baseavam em dados do Coaf solicitados sem autorização judicial prévia —o tema ainda será debatido no plenário da corte. Os Bolsonaro negam quaisquer ligações com milícias, ainda que historicamente tenham sido defensores em tribunas do papel delas para conter o tráfico em favelas fluminenses. Não há nenhuma ligação comprovada conhecida entre a família e a morte de Marielle.
QUEIXAS – Um amigo de Saadi disse não que não ouviu nenhum relato de pressão direta sobre o delegado, apenas queixas vindas de emissários do Planalto sobre vazamentos e outros procedimentos que Bolsonaro considera constranger sua família. Para ele, Saadi foi apenas um bode expiatório. Já outro conhecido dele levanta a especulação sobre o tipo de informação a que o superintendente teria tido acesso. A Folha enviou uma mensagem pedindo entrevista com o delegado, mas ele não a respondeu.
O desgaste interno levou à decisão da chefia da PF de colocar Saadi, que assumiu em fevereiro do ano passado, na rotação natural de cargos da corporação. O processo vinha sendo conduzido com tranquilidade até que Bolsonaro interveio na quinta (15) e anunciou que o superintendente estava fora. Para piorar o atrito, o presidente também disse que não aceitaria o substituto indicado para o cargo, o superintendente em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira, e que gostaria de ver no Rio o delegado Alexandre Saraiva, chefe da PF no Amazonas.
IMPASSE – A situação entrou em banho-maria nesta sexta (16) com a ameaça de uma renúncia geral de superintendentes se Oliveira não for efetivado no Rio. Bolsonaro moderou um pouco seu discurso, dizendo que Saraiva seria uma sugestão, disse que não haverá modificações, mas o impasse continua. Tudo isso se insere no crescente mal-estar entre o presidente e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.
O ex-juiz da Lava Jato, sob pressão devido às revelações de conversas suas com procuradores da operação a partir de vazamento do site The Intercept, já estava agastado com Bolsonaro desde que o presidente deu aval para retirar o Coaf de sua jurisdição. Há cerca de duas semanas, ambos se encontraram para uma conversa no Palácio da Alvorada. Segundo relatos de conhecidos de ambos, a reunião acabou aos gritos, com Moro deixando a residência oficial do presidente. Na mesa, ficaram todos os problemas recentes.
Um aliado do ministro afirma que ele não entende a dinâmica de críticas e afagos que recebe do presidente senão como temor que sua figura política cresça e faça sombra à de Bolsonaro numa eventual disputa presidencial em 2022.

Polícia Federal se une em torno de Moro e faz Bolsonaro recuar da tentativa de intromissão


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Desta vez, Bolsonaro cantou de galo e foi obrigado a recuar
Rodolfo CostaCorreio Braziliense
O presidente Jair Bolsonaro recuou quanto à possibilidade de não aceitar a indicação do superintendente da Polícia Federal (PF) em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira, para o comando da Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Depois de ter dito que, para fazer isso, o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, teria que conversar com ele, mudou o tom e disse que “se vir o de Pernambuco não tem problema, não”.
A mudança na postura aconteceu em pouco menos de quatro horas. Por volta das 8h26, quando começou a responder questionamentos da imprensa na saída do Palácio da Alvorada, nesta sexta-feira (16/8), em uma conversa que durou quase 23 minutos, Bolsonaro declarou que “quem manda é ele” e que a Superintendência da PF no Rio de Janeiro seria exercida pelo atual superintendente do Amazonas, Alexandre Silva Saraiba — apesar de uma nota da PF afirmar que o chefia seria exercida por Oliveira.
MUDANÇA DE RUMO – No Palácio do Planalto, após solenidade de celebração do Dia Internacional da Juventude, voltou a conversar com a imprensa, por volta das 11h55. Na ocasião, recuou ao ser questionado sobre a sucessão da Superintendência da PF no Rio. “Se vir o (superintendente) de Pernambuco (Oliveira), não tem problema, não. Acho que ele vai pro exterior, o que estava lá (no Rio, Ricardo Saadi). Tanto faz para mim. Eu sugeri o de Manaus, mas, se vir o de Pernambuco, não tem problema não”, declarou.
As sinalizações de interferência na PF não são um problema para Bolsonaro. Questionado sobre a autonomia da instituição, retrucou que, em governos anteriores, havia loteamento político. “Eu olho nome superficialmente de todos. Isso era loteado no passado. Me admira tua pergunta, isso era loteado por partidos políticos. Mudou isso aí. Tenho, como chefe, comandante, tenho que saber o que acontece, qual o perfil das pessoas, com quem já estiveram ligadas no passado. Todas as instituições têm problemas, até o Exército tem uns probleminhas, de vez em quando aparece”, disse.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O fato concreto é que o presidente, pela primeira vez, teve de engolir a reação da Polícia Federal e do ministro Moro. De repente, Bolsonaro foi obrigado a entender que pode muito, mas não pode tudo e a caneta Bic às vezes nada significa. O presidente está tentando sepultar as investigações sobre o filho Flávio e o ex-assessor Fabricio Queiroz, mas não vai conseguir. Desde a Lava Jato este país está mudando. A trama de Dias Toffoli e Gilmar Mendes para liquidar a Lava Jato e soltar Lula, com apoio de Bolsonaro, Rodrigo Maia e tutti quanti, não vai dar resultados. Podem apostar(C.N.)

Bolsonaro rebate afirmação de Luciano Huck e vai revelar caixa preta do BNDES


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Luciano Huck agiu certo, não cometeu nenhuma irregularidade
Pedro do Coutto
O presidente Jair Bolsonaro – matéria de Mateus Vargas, em O Estado de São Paulo de sexta-feira – anunciou que vai abrir a caixa preta do BNDES, na qual se inclui um financiamento de 17,7 milhões de reais ao empresário e apresentador da Rede Globo Luciano Huck. O presidente da República não gostou de uma afirmação de Huck no Seminário Futuro do Brasil realizado na semana que passou na cidade de Vila Velha, Espírito Santo.
Bolsonaro não gostou da afirmação de Huck quando este disse que o atual governo, apesar de eleito democraticamente, não está vivendo o primeiro capítulo da renovação. Estamos vendo, isso sim, o último capítulo do que não deu certo. A gente precisa renovar a política, disse Huck, que não cometeu nenhuma irregularidade ao comprar o jatinho da Embraer, financiado pelo BNDES.
HUCK RESPONDE – O debate foi transmitido pelas redes sociais e foi focalizado na matéria de quarta-feira de O Estado de São Paulo. Na quinta, o jornal publicou o pronunciamento da véspera. Ontem, sexta-feira, publicou a matéria a que me refiro. Diante da ameaça de publicação da caixa preta, Huck frisou que a aquisição do jato fez parte de um programa de incentivo à produção nacional. O avião foi adquirido na Embraer. O presidente do BNDES na ocasião era Luciano Coutinho.
Agora o presidente da República quer revelar créditos favorecidos na área internacional, beneficiando, por exemplo, Cuba, Venezuela e Angola.
Entretanto além de Huck ter classificado o governo numa escala conservadora, há também o aspecto político.
PROJETO NOVO – Quanto a este aspecto, é importante citar o artigo de Merval Pereira, O Globo de ontem, no qual o colunista admite o ingresso de Luciano Huck em um novo projeto político, sobretudo alternativo para as urnas de 2022. Huck seria mais um adversário na tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro.
Vale lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a incentivar sua candidatura pelo PSDB. Mas Huck acabou não levantando voo. Porém, pode ser cogitado novamente num elenco de pré-candidatos como João Dória, Rodrigo Maia e Ciro Gomes, este ainda permanece no PDT.
O nome de Huck poderá funcionar também na composição de uma chapa na qual Rodrigo Maia pode ser destacado. Mas Huck pode ser também vice de João Dória que atrapalharia sem dúvida o impulso de Bolsonaro tentar permanecer na Esplanada de Brasília.

Delirante, Paulo Guedes encara como uma marolinha o risco de nova recessão


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Charge do Amorim (Arquivo Google)
Júlio BoghossianFolha
Um ministro da Economia que não exagera nas doses de confiança certamente está no emprego errado. Paulo Guedes disse numa palestra para investidores que o Brasil não tem motivos para se preocupar com as turbulências na Argentina e com a desaceleração em alguns dos principais países do mundo.
“Não tenho receio nem do balancê da Argentina, nem dessa briga comercial. Não tenho receio de ser engolido pela dinâmica internacional”, afirmou. “O mundo estava acelerado, e a gente estava descendo. Se o mundo desacelerar, tudo bem”, diz o superministro.
BLINDAGEM – Guedes tentou convencer a plateia de que os planos do governo Jair Bolsonaro serão suficientes para blindar o país de qualquer alvoroço no mercado internacional. Já enxergou uma marolinha numa crise que mal começou a se desenhar.
Em 2008, quando o colapso imobiliário americano ameaçava se espalhar pelo mundo, o então presidente Lula se saiu como um bom animador de auditório: “Lá, ela é um tsunami. Aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar”. Sua equipe adotou medidas para absorver os choques. O país pagou a conta anos depois.
Desta vez, o Brasil tem menos opções dessa natureza para fazer frente a um esfriamento da economia global, mas o ministro encara os riscos de uma maneira pouco pragmática.
GARUPA DO JET SKI – No caso dos argentinos, Guedes decidiu montar na garupa do jet ski desgovernado de Bolsonaro para enfrentar a onda. Fez pouco caso do comércio com o país vizinho e perguntou: “Desde quando o Brasil, para crescer, precisou da Argentina?”.
O país é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Exportadores de automóveis e calçados já começam a sentir o balancê por aqui. Nem Eduardo Bolsonaro conseguirá convencer os EUA a comprar o que ficar encalhado nesses estoques.
O ministro tem razão quando questiona a eficiência do Mercosul caso a chapa de Cristina Kirchner vença a eleição no país e feche a economia, mas também ecoa o que há de pior no discurso ideológico de seu chefe.

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