domingo, outubro 11, 2026

PENSE NISSO: O que Seria do Brasil e da Nossa Saúde Sem o SUS e a Regulação Pública?


Por José Montalvão


A regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) — o mecanismo que gerencia a fila de espera para consultas especializadas, exames de alta complexidade, cirurgias e leitos de UTI — é frequentemente alvo de duras críticas. A demora no atendimento e a ansiedade das famílias por uma vaga são gargalos reais que desafiam gestores públicos todos os dias. Contudo, cabe fazer uma provocação necessária e profunda: o que seria do povo brasileiro sem o SUS e sem a regulação pública da saúde?

Apesar dos seus desafios estruturais e da necessidade constante de mais financiamento, a regulação do SUS cumpre uma missão civilizatória e constitucional indiscutível: garantir que o acesso à saúde seja baseado estritamente na gravidade e urgência do caso médico, e nunca na capacidade financeira do paciente.

Para dimensionar a catástrofe social que seria a ausência do sistema público universal, basta analisar o impacto em duas frentes centrais da nossa vida em sociedade:

┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│          A REALIDADE DA SAÚDE: COM E SEM O SUS             │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ 🩺 COM O SUS: Acesso universal e regulação por critérios    │
│    médicos de urgência e gravidade do paciente.             │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ 💸 SEM O SUS: Regulação pelo bolso, exclusão social e       │
│    falência de famílias para pagar tratamentos graves.      │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ 🚑 MÁQUINA INVISÍVEL: Fim da vacinação gratuita, do SAMU    │
│    e da fiscalização sanitária de alimentos e remédios.    │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘

1. O Impacto no Bolso e o Risco de Falência das Famílias

Sem o SUS, o direito à vida e ao tratamento dependeria exclusivamente do pagamento do próprio bolso ou do acesso a convênios e planos de saúde privados:

  • Exclusão Financeira em Massa: Milhões de brasileiros trabalhadores, autônomos, agricultores e desempregados que não possuem renda para arcar com mensalidades de planos privados ficariam sumariamente desassistidos;

  • Barreira para Doenças de Alto Custo: Procedimentos complexos como transplantes de órgãos, tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia) e hemodiálise custam dezenas ou centenas de milhares de reais. Sem a rede pública universal, até mesmo famílias de classe média iriam à falência total para tentar salvar a vida de um ente querido;

  • A "Regulação" do Mercado Privado: A regulação no setor privado não acaba; ela apenas muda de lógica. Em vez de uma fila que prioriza quem corre risco de morte, a triagem do mercado é feita pelo preço das mensalidades, por prazos impostos de carência e pelas constantes negativas de cobertura para procedimentos de alto custo.

2. O Colapso das Emergências e da Prevenção Coletiva

O SUS vai muito além do atendimento dentro dos hospitais e postos de saúde. Ele é uma engrenagem de proteção invisível que atua 24 horas por dia:

  • Vacinação Gratuita: O Programa Nacional de Imunizações (PNI) deixaria de ser universal. Calendários básicos de vacinação e campanhas contra epidemias teriam que ser pagos individualmente;

  • Atendimento de Urgência (SAMU): O socorro imediato nas ruas, estradas e residências passaria a depender do faturamento prévio ou da apresentação de seguros privados — exatamente como ocorre em países sem sistema universal, como os Estados Unidos, onde uma simples corrida de ambulância custa milhares de dólares;

  • Vigilância Sanitária (Anvisa): A fiscalização da qualidade da água, dos alimentos comercializados, dos medicamentos e de estabelecimentos comerciais perderia sua natureza de proteção pública, afetando a segurança sanitária de toda a população.

Conclusão: Defender e Aprimorar o SUS É Defender a Vida

A regulação pública da saúde de fato precisa de mais recursos, modernização tecnológica e valorização dos profissionais para reduzir o tempo de espera e resolver gargalos históricos — um compromisso que observamos na prática em iniciativas como a recente reforma e ampliação do Hospital Geral de Jeremoabo pelo prefeito Tista de Dedé.

No entanto, criticar as falhas do sistema não pode nos fazer esquecer o seu valor inestimável. A regulação do SUS evita que a saúde seja transformada em uma mercadoria exclusiva de quem pode pagar. Defender a saúde pública universal é garantir que o filho do trabalhador rural e o cidadão mais próspero da capital tenham o mesmo direito sagrado à vida e à dignidade humana!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Defendendo o fortalecimento do SUS, cobrando investimentos na saúde de Jeremoabo e analisando as políticas públicas com responsabilidade e compromisso social!

Em destaque

PENSE NISSO: O que Seria do Brasil e da Nossa Saúde Sem o SUS e a Regulação Pública?

Por José Montalvão A regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) — o mecanismo que gerencia a fila de espera para consultas especializadas, ex...

Mais visitadas