Flávio é aconselhado a evitar especulações
Luísa Marzullo
Letícia Pille
O Globo
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e seu vice, Alfredo Gaspar (PL), foram orientados por aliados a evitar comentários sobre possíveis nomes para ministérios de um eventual governo. A preocupação é que a antecipação dessas discussões provoque uma fritura de cotados antes mesmo da eleição, expondo possíveis escolhidos a críticas e alimentando disputas internas. A recomendação ocorre após a vantagem de Flávio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, resultado que intensificou as especulações sobre a composição de uma futura equipe.
Integrantes da campanha avaliam que a associação prematura de nomes a determinadas pastas pode criar resistências entre grupos políticos interessados nos mesmos espaços e comprometer indicações que sequer foram discutidas formalmente. Por isso, a orientação é que Flávio e Gaspar não antecipem preferências e deixem a discussão sobre a montagem do governo para depois do segundo turno.
CAUTELA – Questionado nesta quinta-feira sobre quem poderia assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual gestão de Flávio, Gaspar evitou antecipar nomes e reforçou que a prioridade é a disputa eleitoral. “Não estamos discutindo equipe. Precisamos fazer Flávio ganhar a eleição”, afirmou.
A movimentação ocorre em meio à ampliação da aliança do presidenciável. Nos últimos dias, Flávio recebeu o apoio de PP, União Brasil, Republicanos, Novo e Podemos, além de intensificar conversas com integrantes do MDB. A entrada de novas legendas aumentou o número de grupos com interlocução direta com o candidato e as expectativas sobre uma eventual participação no governo.
Entre os nomes mencionados nos bastidores está o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, cotado para a Casa Civil. A ex-presidente da Caixa Daniella Marques aparece nas conversas sobre a equipe econômica, embora também seja considerada para uma área social. Para a Fazenda, circulam ainda os nomes dos economistas Mansueto Almeida e Roberto Campos Neto, além de Marcelo Kayath. O ex-ministro Adolfo Sachsida é lembrado para Minas e Energia.
PARTICIPAÇÃO DE CAIADO – Na área de segurança, há especulações sobre a participação do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que participou das articulações para a adesão de seu partido à candidatura, também aparece nas conversas sobre uma eventual composição ministerial.
O Itamaraty é outra pasta que desperta interesse. Eduardo Bolsonaro é citado entre os possíveis nomes, mas enfrenta resistências de aliados que defendem um perfil mais diplomático para a função. Entre as alternativas mencionadas estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio Roberto Azevêdo e o ex-ministro das Relações Exteriores Carlos França. Também há especulações sobre o médico Claudio Lottenberg para a Saúde e o escritor Augusto Cury, que disputou a Presidência no primeiro turno, para a Educação.
DISPUTAS – As possibilidades, porém, não representam escolhas formalizadas por Flávio. O receio entre aliados é justamente que a divulgação antecipada de nomes estimule disputas por cargos, crie expectativas difíceis de acomodar e reduza a margem de negociação do candidato com os partidos que passaram a integrar sua aliança.
Há ainda uma preocupação eleitoral. Integrantes da campanha avaliam que a corrida por ministérios pode transmitir a impressão de que Flávio já considera a vitória garantida, alimentando um clima de “já ganhou” a pouco mais de duas semanas da votação de 25 de outubro. A orientação é evitar que a discussão sobre cargos desvie o foco da mobilização no segundo turno.