sábado, outubro 10, 2026

Lula ameaça expurgar aliados do Centrão que aderiram a Flávio Bolsonaro

Publicado em 9 de outubro de 2026 por Tribuna da Internet

José Guimarãe mapeia cargos e propõe ‘limpa’

Victoria Azevedo
O Globo

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se irritaram com a adesão dos partidos do chamado Centrão que têm assento na Esplanada petista à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista no segundo turno. Nos últimos dias, o senador amarrou apoio de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.

Ele também deverá contar com apoio da maioria dos diretórios do MDB. O Podemos não têm ministros no governo, mas ocupa comando de autarquias e têm indicações na máquina federal, considerando cargos nos estados.  

LEVANTAMENTO – O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) diz ao O Globo que está fazendo um levantamento das indicações dessas legendas em cargos da administração federal e que defenderá no Palácio do Planalto que essas pessoas sejam exoneradas.

— Se depender de mim, vamos fazer uma limpa geral nos cargos e indicações. Quem está com Lula tem que estar com Lula— afirmou o ministro.

Responsável pela articulação política do Executivo com o Legislativo, Guimarães atuou proximamente de lideranças dos partidos de centro no primeiro turno para garantir a neutralidade deles. Antes do primeiro turno, o próprio Lula conversou com dirigentes partidários do Republicanos, do Podemos e da federação União-PP para garantir essa neutralidade.

NEGOCIAÇÕES – Ele pediu às lideranças que as siglas não tomassem nenhuma decisão num eventual segundo turno sem conversar com ele, indicando estar aberto a definir espaços na Esplanada em caso de vitória nas eleições.  

Desde o resultado das urnas no domingo, integrantes da campanha de Lula reforçaram o contato com os partidos para buscar essa neutralidade, apesar das sinalizações das siglas de que elas deveriam caminhar com Flávio. Na federação União-PP houve queixas sobre o comportamento do PT nos estados durante o primeiro turno.

No caso do Piauí houve queixas pelo de uma suposta quebra de acordo de “não agressão” firmado no estado, para evitar comprometer a eleição do senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Em agenda no estado, Lula falou em “vira-lata” num momento que tratava das candidaturas ao Senado, o que foi interpretado como uma indireta a Ciro.

APOIO – O presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou na terça que tinha buscado contato com integrantes do PSD, Republicanos e integrantes do PP para buscar apoio ao petista. O PSD já havia declarado neutralidade no próprio domingo.

Havia também expectativa de neutralidade ou eventual apoio de Augusto Cury (Avante) à candidatura petista. O escritor, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, no entanto, declarou apoio a Flávio nesta quinta-feira.

EQUÍVOCO – Segundo um auxiliar do presidente, os partidos cometeram um equívoco ao declarar apoio tão rapidamente à candidatura adversária. Ele diz que as siglas fizeram esse movimento “sem dar nenhuma satisfação” ao governo.

Agora, diante da série de reveses, aliados do presidente cobram uma postura mais dura com os partidos. Guimarães afirmou que a campanha passará a explorar essa relação para atacar Flávio.

— Vamos radicalizar o discurso contra Flávio Bolsonaro e mostrar que ele é o candidato do sistema porque agregou as velhas práticas políticas e as velhas lideranças do Centrão.

AMEAÇA – Mais cedo, nesta quinta-feira, Guimarães também se manifestou nas redes sociais. “É a máfia do poder querendo o controle total da máquina pública. Essa união representa um perigo real e imediato para os direitos sociais e trabalhistas, preparando o terreno para uma reforma da Constituição e um ataque fatal aos direitos do povo brasileiro. Com essa gente colocando as mãos na máquina pública, vamos assistir à volta de um modelo apodrecido, em que o Congresso funciona como um balcão de negócios alimentado por emendas bilionárias e pela compra de votos (…) o Brasil dirá não às velhas raposas que querem tomar conta do galinheiro”, escreveu Guimarães.

DIÁLOGO – Com esse cenário, integrantes da equipe do presidente dizem que é preciso manter o diálogo com segmentos desses partidos, para ter apoio em estados estratégicos. O entorno de Lula diz contar com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O primeiro declarou publicamente apoio ao presidente no primeiro turno, participou de atos eleitorais a favor de Lula na Paraíba, seu reduto eleitoral, e posou para fotos usando um boné com o nome do chefe do Executivo e fazendo o “L” com os dedos —gesto da militância petista.

O segundo fez um gesto considerado importante para a campanha ao destravar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, considerado um trunfo eleitoral do petista. A proposta deverá ser votada ao menos em primeiro turno na próxima semana. Além disso, tanto Motta quanto Alcolumbre não participaram dos anúncios de seus respectivos partidos ao senador.

Nesta quinta, pela manhã, Motta se reuniu com Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília. Questionado pela imprensa sobre o encontro, à tarde, o presidente respondeu: “Ele vai me ajudar a ganhar as eleições”.

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