
Lula e Paes ganham nas pesquisas mas perdem no voto
Roberto Nascimento
A campanha de Lula foi um fracasso, porque faltou o contato direto com o povo nas ruas. O presidente precisava ter sentido os problemas que mais afligem a população, especialmente no que concerne aos preços no supermercado e feiras-livres, o atendimento nos hospitais e postos de saúde, a educação carente nas escolas públicas e, com toda certeza, a questão da segurança.
Também observei os erros nas alianças estaduais. O principal, ao meu juízo, ocorreu no Rio de Janeiro.
Lula cedeu a todos os pedidos do prefeito Eduardo Paes e até entregou os hospitais federais do Rio para o prefeito privatista. Hospitais de referência, como Andaraí, Cardoso Fontes e Bonsucesso, só para ficar nesses três.
APENAS ILUSÃO – Eduardo Paes é um demagogo enganador. Reformou os hospitais por fora, mas deixou por dentro a mesma situação – falta de remédio, demora nos atendimentos, banheiros imundos. Então, o que mudou de fato?
O povo associou a Lula esse engodo do Paes. Outra coisa grave: os funcionários federais foram desconsiderados e humilhados com a nova administração privatista, que foi contratada pela Prefeitura. Na hora da eleição, as comunidades deram o troco, votando no Flávio e no Ruas.
Trata-se de um retrato fático do erro de avaliação do Lula e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que substituiu a ministra Nisia Trindade, que também não soube administrar a maior rede de hospitais federais do Brasil, um precioso legado da antiga capital.
TRAIÇÃO DE PAES – Agora vem o pior dessa ópera do desastre, que foi a traição de Eduardo Paes , a facada que o perdedor para Ruas deu no Lula: Peguei nas ruas diversos santinhos da campanha do Paes, que é filiado ao PSD do Kassab, e em 90 por cento deles estava em branco o espaço da Benedita (131) e de Lula o (13).
O candidato derrotado, Eduardo Paes fez péssimas escolhas, principalmente na Baixada Fluminense. Ele indicou para vice na sua chapa a irmã de um cacique bolsonarista de Caxias, Washington Reis, o ex-secretário dos Transportes do governador Cláudio Castro, o senhor Reis. Não adiantou essa manobra eleitoreira, porque Paes só venceu de Ruas na Capital, e em São Gonçalo levou uma derrota estarrecedora.
Agora vem uma pergunta. O que deveria ser feito? Bem, está muito claro que Paes deveria apostar em um candidato a vice no petismo, além de costurar um apoio amplo da esquerda.
AMPLA ALIANÇA – Por exemplo, Pedro Paulo deveria se candidatar à reeleição a deputado federal, logo, Paes poderia fazer uma ampla aliança com o PT e o PSOL, apostando em duas candidatas mulheres: Benedita e Monica Benício para fazer frente aos dois varões do Flávio, Portinho e Jordy, que foram eleitos.
Uma aliança PT & PSD, na qual a única concessão do Paes foi a candidata Benedita, configura uma submissão avassaladora a um candidato fraco como Paes, que pela segunda vez mostrou ser um cavalo paraguaio, ou seja, muito bem nas pesquisas e um derrotado nas urnas.
Que sirva de lição para o campo progressista, não só no Rio, mas nos demais Estados também.