terça-feira, outubro 20, 2026

Lula e Flávio levam Bolsa Família para o centro da campanha

 

Lula e Flávio levam Bolsa Família para o centro da campanha

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Foto: Lyon Santos/MDS

O Bolsa Família voltou para o centro da campanha presidencial. Do lado do presidente Lula, o governo antecipou o pagamento do benefício de outubro em todo o país, garantindo que todos os beneficiários recebam os recursos até amanhã, quatro dias antes da votação. Os depósitos começaram nesta segunda-feira, já com o reajuste de 15,04% anunciado em 17 de setembro, antes do primeiro turno. Pelo calendário original, os pagamentos seriam escalonados e terminariam apenas no dia 30. O Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que a medida tem caráter exclusivamente técnico e preventivo, sem relação com a disputa eleitoral. Segundo a pasta, a decisão busca proteger famílias vulneráveis diante dos riscos de secas e chuvas intensas associados ao fenômeno El Niño. (Folha)

Aliás, os três documentos que sustentam o decreto que elevou os benefícios em 15,04% — o parecer técnico do Ministério do Planejamento e Orçamento, o parecer da Consultoria Jurídica da pasta e a exposição de motivos enviada ao presidente — foram assinados na véspera da publicação do decreto e a proposta tramitou sob sigilo e em papel. O governo usou um procedimento excepcional, previsto em decreto de 2024, que dispensa o sistema eletrônico mediante autorização da Casa Civil. (Globo)

Já no lado de Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirmou que um eventual governo do senador adotará uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. Durante esse período, eles continuariam recebendo o auxílio, com possibilidade de retorno automático ao programa caso percam a fonte de renda. Daniella disse que a proposta busca estimular a independência financeira das famílias sem eliminar a proteção social. Atualmente, o Bolsa Família já tem uma regra que permite a permanência temporária de beneficiários cuja renda aumente, de acordo com critérios específicos. (g1)

As declarações de Daniella Marques sobre possíveis mudanças no Bolsa Família não caíram bem na campanha de Flávio Bolsonaro. Aliados do senador criticaram, nos bastidores, a decisão da coordenadora econômica de abordar o assunto a menos de uma semana do segundo turno. O PT, aliás, pretende usar as falas de Daniella para atacar Flávio Bolsonaro na reta final da eleição. Aliados de Lula pretendem explorar o assunto nas redes sociais e nos discursos do presidente. Influenciadores ligados ao petista já começaram a divulgar conteúdos sobre a declaração. (Metrópoles)

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro excluiu de sua conta no X publicações em que criticava o Bolsa Família e chamava o benefício social de “bolsa-farelo”. Ele também utilizou o termo para criticar o programa Renda Melhor, criado pelo governo do Rio em 2011. A iniciativa pagava um benefício adicional de até R$ 300 para as famílias que já recebiam Bolsa Família. (Estadão)

Pedro Doria. “Há uma diferença entre a pesquisa e a urna. A pesquisa ouve quem diz que vai votar. O segundo turno é decidido por quem vai de fato às urnas. E, em 2022, a abstenção quase não mudou de um turno para o outro: 20,9 por cento no primeiro, 20,6 no segundo. Se repetir, a maior parte de quem ficou em casa no dia 4 ficará em casa no dia 25. Por isso, essa eleição ainda está pra Flávio”. A análise no Ponto de Partida. (Meio)

  

A campanha do presidente Lula decidiu apresentar uma ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, acusando a empresa de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro por meio de seus algoritmos. A iniciativa pede a cassação da chapa presidencial do senador. Os advogados de Lula sustentam que os sistemas de recomendação de conteúdo, as ferramentas de inteligência artificial e os mecanismos de aprovação de anúncios do Instagram, Facebook e WhatsApp teriam beneficiado Flávio em detrimento do presidente. Em contrapartida, a campanha de Flávio já entrou com sete ações envolvendo pedidos de cassação da chapa de Lula e de inelegibilidade.(Folha)

  

Lula anunciou que entregará ainda hoje à Justiça Eleitoral uma autorização para a quebra de seu sigilo bancário e o de seus cinco filhos. A iniciativa amplia o desafio feito ao senador Flávio Bolsonaro durante o debate presidencial da Band. Durante uma agenda de campanha no Rio Grande do Sul, Lula afirmou que espera uma medida semelhante do adversário, incluindo a divulgação de informações financeiras de suas empresas e negócios. (g1)

Já o senador Flávio Bolsonaro voltou a prometer uma ofensiva contra o crime organizado e defendeu medidas para estimular o desenvolvimento econômico da região Norte durante um ato de campanha em Marabá, no Pará. Flávio afirmou que, se eleito, declarará "guerra aos narcoterroristas" a partir de janeiro de 2027. Entre as medidas estão penas de oito anos de prisão para furtos de celulares e a castração química de condenados por estupro. (CNN Brasil)

  

A reação negativa do público à pancadaria verbal no debate da Band está fazendo as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro reverem as estratégias para o confronto de sexta-feira, na TV Globo. Pesquisas qualitativas confirmaram a avaliação de que o presidente parecia cansado, enquanto o senador passou uma imagem de agressividade exagerada. (Globo)

Para ler com calma. Muita gente reclama da falta de checagem de fatos simultânea em debates eleitorais como o de domingo, mas as esquipes de checadores seguem verificando o que é dito e publicando online as conclusões. Há anos as empresas de checagem negociam com emissoras uma parceria para os debates, mas o acordo esbarra sempre na discordância dos políticos e na relutância de patrocinadores. (Lupa)

  

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a abertura de uma investigação criminal por abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitada pelo também ministro Alexandre de Moraes. Em parecer sigiloso encaminhado no sábado ao presidente da Corte, Edson Fachin, o procurador-geral Paulo Gonet concluiu que não há indícios suficientes para justificar a apuração. (Globo)

  

A votação da PEC da Segurança Pública no Senado ficará para depois do segundo turno da eleição. O adiamento, confirmado pela líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), representa um revés para o Palácio do Planalto, que pretendia apresentar a aprovação da proposta como uma das principais realizações da gestão Lula na reta final da campanha. O principal obstáculo é a divergência sobre a redução da maioridade penal dentro do próprio governo. (CNN Brasil)

  

Os desafios e as perspectivas das relações entre Brasil e Estados Unidos após as eleições presidenciais de 2026 foram tema de um webinar promovido pela Fundação FHC com o cientista político Guilherme Casarões, professor da Florida International University, e o consultor norte-americano Nick Zimmerman, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca durante o governo Obama. Assista aqui na íntegra. (Meio)

  

Tem semana em que a cobertura do Meio incomoda a esquerda, e semana em que incomoda a direita. É o que acontece quando o jornalismo tem um cliente só: quem lê. O Meio vive principalmente das assinaturas, e o patrocínio, quando existe, aparece com a marca de quem pagou. Nesta reta final, o trabalho segue o de sempre: ajudar o leitor a entender o país. Quem decide é ele. A assinatura do Meio Premium custa R$ 15 por mês e não tem fidelidade. Assine.

  

Viver

O número de brasileiros com 50 anos ou mais que ingressaram no ensino superior quase quadruplicou entre 2015 e 2024, passando de 58,4 mil para 211,2 mil novos estudantes. O crescimento de 262%, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi impulsionado principalmente pela expansão dos cursos de educação a distância (EaD). A educação a distância na rede privada foi a principal responsável pela expansão. Em dez anos, o número de ingressantes com mais de 50 anos nessa modalidade aumentou 509,5%, de 27,8 mil para 169,7 mil. A participação do EaD privado no total de novos alunos dessa faixa etária passou de 47,8% para 80,4%. No ensino presencial, o crescimento foi bem mais modesto: de 29,1 mil para 35,4 mil ingressantes no mesmo período. (Folha)

  

Hotéis de luxo, restaurantes e atrações turísticas em diferentes países estão adotando restrições à produção de fotos e vídeos para redes sociais. Na Riviera Francesa, o Hotel du Cap-Eden-Roc, em Antibes, passou a exigir autorização prévia para sessões de fotos. No Reino Unido, a loja rural The Hollies, em Cheshire, proibiu fotografias e filmagens entre 10h e 16h depois de se tornar popular nas redes sociais. As restrições chegaram ainda aos Estados Unidos e ao Japão. (Guardian)

  

Uma espada de bronze produzida há cerca de 2.700 anos foi descoberta enterrada verticalmente em uma floresta próxima à cidade de Gdansk, no norte da Polônia. A posição incomum do objeto levou arqueólogos a considerar a hipótese de que a arma tenha sido utilizada em um ritual durante a Idade do Bronze. A escavação revelou uma espada de aproximadamente 60 centímetros, datada de um período entre 900 e 700 a.C., com elementos decorativos ainda preservados. (CNN Brasil)

  

Panelinha no Meio. Quem disse que petiscos não podem ser saudáveis? As iscas de peixe assadas são facílimas de fazer e não são fritas. E, de quebra, vem a receita de uma maionese caseira. Bom apetite.

  

Cultura

A escritora Lygia Bojunga, de 94 anos, foi escolhida a Personalidade Literária deste ano do Prêmio Jabuti. A homenagem da Câmara Brasileira do Livro veio no ano em que o livro A Bolsa Amarela faz 50 anos. Para o curador do prêmio, Hubert Alquéres, Lygia mudou a forma como a literatura brasileira olha para a infância, pois seus livros confiam que crianças e jovens são capazes de entender assuntos difíceis. A escritora, que nasceu em Pelotas e já ganhou três Jabutis, foi a primeira autora de fora da Europa e dos Estados Unidos a receber o Hans Christian Andersen, em 1982, o prêmio mais importante da literatura infantil. (Globo)

  

A Netflix demitiu Dan Lin, que comandava a divisão de filmes da empresa desde 2024. A saída acontece uma semana depois do corte de mil funcionários e da demissão da diretora de conteúdo, Bela Bajaria, que foi substituída pelo executivo Peter Rice. A plataforma passa por uma grande reestruturação depois de meses de queda no engajamento do público, de ações estagnadas e da derrota para a Paramount na disputa pela compra da Warner. (Variety)

  

O cantor e compositor Nando Reis vai apresentar em dezembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o show Sou Delas, em que revisita com voz e violão as músicas que escreveu para as cantoras Cássia Eller e Marisa Monte. A apresentação acontece no dia 10 e faz parte do projeto Coala Apresenta, que no dia seguinte leva ao mesmo palco o músico japonês Shintaro Sakamoto, ex-integrante da banda Yura Yura Teikoku, em sua primeira apresentação no Brasil. Sakamoto vai dividir o palco com Tim Bernardes, com quem já gravou a música Volta e Meia, do grupo O Terno, do qual o brasileiro fez parte. Os ingressos para os dois shows já estão à venda no Sympla. (Folha)

  

Cotidiano Digital

A Nvidia lançou três novos modelos de inteligência artificial de código aberto, que empresas e usuários podem baixar e rodar nos próprios computadores, em vez de depender de serviços na nuvem. Os modelos foram feitos para agentes. O maior deles, o Nemotron 3.5 Super VL, é voltado para empresas, e a Nvidia afirma que ele termina certas tarefas mais rápido que modelos da Anthropic e da OpenAI depois de ser treinado para funções específicas, como análise de documentos e contabilidade. Companhias como Salesforce, Perplexity e EY já usam o sistema, segundo a fabricante. Os outros dois, da linha Bolt, são menores e foram pensados para rodar nos novos computadores pessoais com chips da Nvidia, que começam a chegar ao mercado por meio de parceiros como Microsoft e Dell. (TechCrunch)

  

Promotores dos Estados Unidos afirmam que o ex-engenheiro da OpenAI Abdulrahman Alfozan, acusado de instalar um aparelho de gravação em uma sala de reuniões da empresa, recebeu apoio do governo da Arábia Saudita. Segundo documento apresentado à Justiça, ele mantinha contato frequente com um integrante da família real saudita, e um oficial militar do país pagou passagens só de ida para que a mulher e o filho dele voltassem a Riad depois da prisão. Os promotores pediram que Alfozan continue preso até o julgamento, por considerarem que há risco de fuga. (Reuters)

  

No próximo domingo, 25 de outubro, o Brasil escolhe quem vai ocupar a Presidência pelos próximos quatro anos. E você, que lê a nossa newsletter diária, já sabe onde acompanhar: a partir das 17h, o Meio faz uma live da apuração do segundo turno. A nossa equipe reunida com especialistas e cientistas políticos para comentar os números e mostrar quais estados estão pesando mais. Salve na agenda.

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