sábado, abril 11, 2026

Tudo indica que Sicário foi morto na cela, como ocorreu em NY no caso de Epstein

Publicado em 11 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Os tentáculos malditos de Jeffrey Epstein - Charge publicada no jornal A Tarde.

Charge do Clériston (A Tarde)

Carlos Newton

Com as devidas proporções, o caso da morte do pistoleiro Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome Sicário, que ocorreu recentemente na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tem muita semelhança com o suicídio do magnata americano Jeffrey Epstein, ocorrido em 2019 numa prisão federal em Nova York.

Como aconteceu com “a morte e a morte” do célebre personagem Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, tanto Epstein quanto Sicário também tiveram duas mortes, porque teriam tentado o suicídio na cadeia, foram dados como mortos, mas estavam inconscientes, receberam socorro e só morreram muito depois, nos hospitais.

SABIAM DEMAIS – Como no filme de Alfred Hitchcock, Epstein e Sicário eram homens que sabiam demais. Ao morrer, o ricaço americano possuía fortuna equivalente a R$ 2 bilhões, enquanto o pistoleiro brasileiro ganhava RS 1 milhão por mês, que é salário de CEO de grande empresa privada.

Jeffrey Epstein era acusado de exploração sexual de menores, que ele oferecia a milionários e políticos do mundo inteiro, fazendo questão de se tornar íntimo deles e fotografá-los socialmente ou em plena ação, digamos assim, como ocorreu com o ex-príncipe Andrew, que sujou a barra da família real britânica e até perdeu o título de nobreza.  

Mais modesto, Sicário foi operador e pistoleiro do banqueiro Daniel Vorcaro, coordenando as ações de intimidação e segurança do patrão. Antes de sua ligação com o Banco Master, ele já era investigado em Minas Gerais por atuar como agiota e gerenciar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões.

“SUICIDADOS”? – Tanto no caso do pedófilo americano lá na matriz USA quanto no caso do capanga do banqueiro aqui na sucursal Brazil, tudo indica que ambos foram “suicidados”, naquele antigo e famoso método usado para matar o jornalista Vladimir Herzog, que somente agora foi reconhecido como assassinato.

A autópsia do magnata Epstein revelou que havia vários ossos fraturados no pescoço, como acontece em morte por enforcamento ou estrangulamento. Assim, não teria sido possível identificar se foi suicídio ou homicídio.

Os advogados tinham avisado ao juiz que ele havia recebido ameaças e que temia por sua segurança. Além disso, de acordo com o status especial imposto a Epstein, ele deveria ter um companheiro de cela. Mas no momento da quase morte, o pedófilo estava sozinho, porque o outro preso tinha sido transferido, o que representa uma infração ao regulamento da penitenciária.

CÂMARA NA CELA –  Os dois guardas designados para verificar sua cela à noite, Tova Noel e Michael Thomas, adormeceram em suas mesas por cerca de três horas e depois falsificaram os registros. As duas câmeras que filmavam a cela de Epstein também pararam de funcionar naquela noite, e outra câmera tinha imagens “inutilizáveis”. Aqui na humilde filial Brazil, todo o tempo que Sicário passou na cela foi filmado “sem pontos cegos”, segundo o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo.

Ou seja, existem imagens de Sicário dentro da cela que mostram que ele se suicidou ou foi suicidado, mas a Polícia Federal se recusa a exibi-las, alegando um sigilo que jamais foi decretado.

Na matriz, a morte do milionário está sendo investigada há sete anos pelo FBI e pelo Departamento de Justiça, num procedimento que parece o famoso “inquérito do fim do mundo” que o ministro Alexandre de Moraes inventou. E a morte de Sicário aqui na sucursal também parece que não vai terminar nunca.

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P.S. –
 A Polícia Federal já recebeu três pedidos do Congresso para liberar as imagens de Sicário na cela, mas não liberou. Os próprios legislas da PF requisitaram as gravações para concluir o laudo, mas também não foram atendidos. Assim, enquanto as imagens não vierem a público, continuará a surgir todo tipo de especulação sobre “a morte e a morte” de Sicário. E a Tribuna da Internet continuará a cobrar o fim desse sigilo absurdo. (C.N.)

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