Coluna de Opinião – Por José Montalvão
Deixei de assistir às sessões da Câmara de Vereadores de Jeremoabo há algum tempo, e confesso: foi por exaustão. O que deveria ser um espaço de debate sério e responsável se transformou em algo semelhante a um programa de rádio popular, onde parte dos vereadores gasta mais tempo mandando abraços para filhos, esposas, amigos e até empregadas do que discutindo os problemas reais do município.
Atendendo a um leitor deste blog, que enviou o vídeo da 13ª Sessão Ordinária do 2º Período Legislativo, realizada em 04 de novembro de 2025, senti-me na obrigação de comentar. Com todo o respeito que o cargo de vereador merece, há limites para o desrespeito à função pública.
Enquanto Jeremoabo enfrenta deficiências em serviços básicos como saúde, educação e infraestrutura, alguns vereadores preferem justificar o uso de diárias exorbitantes de R$ 900,00 em viagens a Salvador, sob a alegação de estarem “descobrindo” a data da emancipação política do município. Uma justificativa, no mínimo, absurda. A emancipação de Jeremoabo é comemorada há mais de um século — em 06 de julho de 1925 —, fato amplamente documentado e conhecido por todos os jeremoabenses.
Ao invés de gastarem recursos públicos com viagens duvidosas, os parlamentares deveriam prestar contas das denúncias graves já feitas da tribuna: superfaturamento de combustíveis, uso de veículos oficiais para fins de clientelismo político, aluguéis abusivos de impressoras e fornecimento suspeito de quentinhas, entre outras. Todas essas denúncias caíram no silêncio, o que pode configurar omissão e prevaricação, merecendo atenção imediata do Ministério Público.
Outro caso emblemático é o sumiço de ripões e mourões do Parque de Exposições, denunciado por vereadores, mas sem qualquer encaminhamento formal à Polícia Civil ou ao MP. Fica a impressão de que a tribuna serve apenas para discursos de ocasião, sem consequência prática.
Antes de se aventurarem em Salvador às custas do contribuinte, seria mais prudente que os vereadores de Jeremoabo olhassem para dentro da própria Casa e cumprissem o dever constitucional de fiscalizar o Executivo e zelar pela coisa pública.
Quanto à data da emancipação, já cumpri meu papel como cidadão e pesquisador da história local. Agora, deixo que os “doutos vereadores”, que se dizem especialistas no assunto, façam o que bem entenderem. Mas deixo também uma reflexão: apontar os erros dos outros é fácil; reconhecer e corrigir os próprios é o verdadeiro desafio. E talvez seja justamente aí que reside o grande problema da política jeremoabense.
🖋️ Opinião – Blog de José Montalvão
“Porque fiscalizar o poder é dever de todo cidadão — e calar diante do erro é compactuar com ele.”