quarta-feira, novembro 05, 2025

Piada do Ano ! Júlia Zanatta diz que galinha pintadinha é “militante do PSOL”


A deputada ofereceu como alternativa, a “Galinha Armadinha”

Deu no O Globo

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que a Galinha Pintadinha “virou militante do PSOL” e estaria espalhando “mensagens comunistas”. Na gravação, a parlamentar criticou a animação infantil por supostamente ter “caráter ideológico” e anunciou uma alternativa: a “Galinha Armadinha”, criada por ela como contraponto “sem doutrinação”.

Zanatta fez referência a uma publicação recente no perfil oficial da Galinha Pintadinha no Instagram, que seguia a trend das redes das “músicas que não são do mesmo cantor”. O vídeo comparava a música infantil Borboletinha a uma melodia semelhante ao hino comunista, de forma irônica. Para a deputada, no entanto, o conteúdo seria uma tentativa de associar posicionamentos ideológicos a conteúdos infantis.

“EXPOSIÇÃO” – “O problema é que quem consome esse conteúdo são crianças de até 6 anos, crianças que mal aprenderam a ler, mas que já estão sendo expostas a conteúdos para ficar aqui incutido na mente. E aí você não sabe de onde veio aquele pensamento do seu filho”, afirmou a parlamentar.

No vídeo, Zanatta também sugeriu que há um “plano” por trás de produções culturais infantis para “atacar a família e enfraquecer valores da sociedade”, sem apresentar provas. Ela afirmou ainda que falava “como mãe”, e não como deputada, e que sua preocupação refletiria a de “muitos pais brasileiros”.

Após a repercussão, a deputada publicou novo vídeo apresentando a “Galinha Armadinha”, um personagem armado com fuzil e chapéu militar. “É engraçado – o meu vídeo é que está incomodando, e não o conteúdo do Instagram da marca que se propôs a lacrar”, escreveu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A parlamentar do PL se apoia em interpretações distorcidas, convertendo um conteúdo lúdico em um inimigo ideológico artificial. Essa estratégia se alinha ao discurso de pânico moral que, sem apresentar provas, projeta uma ameaça invisível para mobilizar afetos, engajar bolhas e criar notoriedade pública. Ao invés de discutir educação midiática, acesso à cultura ou políticas voltadas para a infância, opta-se por transformar personagens infantis em armas de guerra cultural — uma manobra que empobrece o debate público e reduz a política a espetáculo.

Além disso, a criação proposta pela deputada da chamada “Galinha Armadinha”, apresentada como alternativa “sem doutrinação”, revela uma contradição explícita: denuncia suposta politização, ao mesmo tempo em que introduz símbolos bélicos no universo infantil. A defesa da infância, tão evocada pela parlamentar, é esvaziada quando se substitui música e imaginação por iconografia militarizada. Se há algo que deve preocupar famílias e educadores, não é uma brincadeira irônica sobre melodias, mas a normalização do conflito como linguagem pedagógica. Nesse contexto, a disputa não é pela neutralidade — é pela dominação simbólica do imaginário das crianças, e transformar isso em palanque eleitoral é, no mínimo, irresponsável. (M.C.)


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