Opinião – Por José Montalvão
Nunca tive coragem de ser puxa-saco de quem quer que seja. E sabe por quê? Porque quem puxa saco é, acima de tudo, desonesto. Para entender o mal que esse tipo de gente é capaz de fazer, não é preciso ir longe. Em quase todos os mandatos do prefeito Tista de Deda, ele estendeu a mão e ajudou um desses bajuladores. Mas bastou Tista deixar o cargo, e o mesmo indivíduo que antes vivia lhe fazendo agrados foi o primeiro a apunhalá-lo pelas costas, tornando-se um dos seus mais ferrenhos opositores, inclusive espalhando mentiras durante a última campanha eleitoral.
Aprendi que ajuda-se um amigo com críticas construtivas, com a verdade dita no momento certo. Já quem bajula um gestor, por interesse ou covardia, corrompe e destrói a boa política.
Fui um dos que lançaram Deri do Paloma como candidato a prefeito pela primeira vez. Caminhei ao seu lado por quase uma década, até o momento em que ele conseguiu se eleger. No entanto, após assumir o cargo, comecei a fazer críticas aos atos que não considerava republicanos. Ele não aceitou — e tampouco tolerou — minhas críticas construtivas. Diante disso, preferi saltar fora, mantendo minha coerência e minha liberdade. O resultado dessa história todos já conhecem: está aí, à vista de todos.
Durante a gestão de Deri do Paloma, continuei fazendo o meu papel: reproduzia pronunciamentos de vereadores da oposição, comentava os fatos e recebia, inclusive, elogios dos próprios vereadores. Nunca cobrei um centavo sequer pelo que fazia, justamente para preservar minha independência e liberdade. Sempre escrevi o que achava certo, sem amarras e sem medo de desagradar a quem quer que fosse.
Hoje, a maioria da Câmara é vidraça. E a minha forma de agir continua exatamente a mesma: não mudei uma vírgula. Portanto, se alguns vereadores estão incomodados com as críticas construtivas que venho fazendo, é muito simples resolver: cumpram o dever que o povo lhes confiou — fiscalizem com responsabilidade, honestidade e coragem.
Não sou contra vereadores. Pelo contrário, considero o cargo nobre e essencial à democracia. O que defendo é que a função seja exercida em benefício da coletividade, e não a serviço de interesses pessoais ou mesquinhos.
O meu compromisso é com os leitores deste Blog, com os colegas de profissão e com o órgão ao qual sou filiado. Se até hoje nunca me vendi, não será agora, na prorrogação do segundo tempo da vida, que irei trair minha consciência, minha história e a confiança de quem acredita em mim.
Jeremoabo, a terra onde nasci e que tanto amo, está acima de tudo e de todos os interesses pessoais.
