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Moraes diz a Cid que identificou juiz do TSE que repassava informações sobre ele para golpistas

 Foto: Gustavo Moreno/STF/Arquivo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)19 de fevereiro de 2025 | 22:00

Moraes diz a Cid que identificou juiz do TSE que repassava informações sobre ele para golpistas

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse ter identificado um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que passava informações sobre a localização dele para dois integrantes das Forças Especiais do Exército, os chamados “kids pretos”, que planejavam prender e assassinar Moraes. A informação consta da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL). O documento teve o sigilo derrubado nesta quarta-feira, 19.

Em um dos depoimentos da delação, Cid diz a Moraes que não sabia o motivo pelo qual o ministro era monitorado porque, conforme é praxe nas operações das Forças Armadas, havia a compartimentalização de informações. Ele afirma que o coronel o Exército Marcelo Câmara, outro ex-assessor de Bolsonaro, conseguia obter as informações sobre os deslocamentos e a agenda de Moraes com um “ministro” do TSE.

Moraes, então, o corrige: “Não é um ministro, é um juiz que nós já identificamos”. Ele não revela a identidade do magistrado durante os depoimentos. Segundo Cid, além de fornecer informações sobre a rotina de Moraes, o juiz do TSE também ajudava as Forças Armadas a elaborar petições à Justiça Eleitoral para pedir informações sobre as urnas.

“Um dos contatos dele [Marcelo Câmara] era um juiz, eu não sei dizer a função, mas um juiz do TSE. Inclusive, era ele que auxiliava as Forças Armadas a redigir os documentos que o general Paulo Sérgio encaminhava pro senhor [Alexandre de Moraes]. Ele mais ou menos que dizia: vai nessa linha, escreve isso aqui. Mas eu não sei efetivamente o nome dele”, disse Cid.

Segundo o depoimento dele, Moraes foi monitorado primeiro a pedido dos kids pretos Rafael Oliveira e Hélio Ferreira Lima. Os dois são apontados pela PF como participantes da operação “Copa 2022″, que pretendia prender e assassinar o ministro do STF.

Às vésperas do Natal, Bolsonaro também ordenou o monitoramento de Moraes. De acordo com Cid, o ex-presidente havia recebido a informação que o vice-presidente Hamilton Mourão estava se encontrando com Moraes em São Paulo.

Cid afirmou que não sabia de outros motivos para que o ministro do STF fosse monitorado. “Eu não tinha noção de que podia ser algo grave assim de sequestro, assassinato ou, sei lá, até que ponto eles poderiam chegar”, disse o ex-ajudante de ordens no depoimento a Moraes.

Na terça-feira, a Procuradoria-Geral da República denunciou Jair Bolsonaro, Marcelo Câmara, Rafael Oliveira, Hélio Lima, Mauro Cid e outras 28 pessoas. Os crimes imputados contra eles são: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano ao patrimônio da União, entre outros.

Em nota divulgada na noite desta terça-feira, 18, a defesa de Jair Bolsonaro rebateu a denúncia da PGR chamando-a de “inepta”, “precária” e “incoerente”. Os advogados do ex-presidente também alegam que a denúncia é baseada em um acordo de colaboração “fantasioso” de Cid.

O posicionamento de Bolsonaro também afirma que, “a despeito dos quase dois anos de investigações, (…) nenhum elemento que conectasse minimamente o (ex-) presidente à narrativa construída na denúncia foi encontrado”.

Pedro Augusto Figueiredo/Estadão

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