
Garcia, mais um pilantra contratado para destruir Moro
Carlos Newton
Depois do fracasso da apresentação do doleiro Rodrigo Tacla Duran como testemunha de acusação contra o senador Sérgio Moro (União-PR), surge em cena o ex-deputado estadual paranaense Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, dizendo que seria “agente infiltrado” do então juiz e da força-tarefa da Lava Jato.
No início do ano, o então ministro Ricardo Lewandowski ficou entusiasmado com a dobradinha Duran/Gracia, julgando que realmente poderiam ter informações comprometedoras contra Moro e seu entorno. Como relator dos processos, Lewandowski mandou suspender a ordem de prisão e aceitou a autorização para que Tacla Duran voltasse ao país, concedida pelo juiz federal Eduardo Appio, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, aquele fanático por Lula e que assinava suas decisões judiciais com a sigla “LUL22”.
DURAN ADIA A VOLTA – O juiz Appio marcou a volta de Duran para o dia 14 de abril, a comissão da Câmara providenciou a convocação, mas o doleiro adiou a viagem, sem maiores explicações.
Em maio, com a aposentadoria de Lewandowski por limite de idade no Supremo, os casos foram passados ao ministro Dias Toffoli, que deu sequência ao lance. Confirmou as decisões de Lewandowski e até definiu nova data (19 de junho) para Tacla Duran prestar depoimento contra Moro numa comissão da Câmara, repetindo o que já fizera por videoconferência, inutilmente, durante a Lava Jato.
Tudo certo, uma expectativa enorme, mas logo veio a decepção: Duran desmarcou novamente a viagem, alegando problemas de agenda. E tudo voltou à estaca zero.
O SUBSTITUTO – Como o espetáculo não pode parar, os inimigos da Lava Jato (leia-se: Lobby da Corrupção, comandado pelos irmãos Wesley e Joesley Batista) lançaram na arena o ex-deputado estadual paranaense Tony Garcia, que em 2005 e 2006 fez delação premiada nas investigações contra o então governador Beto Richa (PSDB), nas fraudes do Consórcio Nacional Garibaldi e no caso Banestado.
Nas últimas semanas, enquanto Tacla Duran sumia, Garcia tem dito em entrevistas que atuou como “agente infiltrado” do então juiz Sergio Moro, responsável pelo caso Banestado, e dos procuradores federais Carlos Fernando Santos Lima (hoje atuando como advogado) e Januário Paludo.
Garcia já avisou ao Ministério Público Federal que está trazendo dos EUA quase uma hora de gravações, feitas em 2005 e 2006, que julga comprometedoras para o ex-juiz e os dois procuradores.
PRAZO DE 30 DIAS – Toffoli ficou novamente entusiasmado e autorizou a Procuradoria e a Polícia Federal a apurarem as declarações de Garcia num prazo de 30 dias.
Em junho, o ministro-relator já havia determinado a suspensão dos processos contra o ex-deputado na Justiça Federal de Curitiba. O ministro mandou que lhe sejam encaminhadas cópias de “todos os feitos em que ele figure como parte, testemunha ou investigado”.
Garcia está nos EUA há 18 anos. Foi preso a primeira vez a pedido do Brasil em 2004, por envolvimento no escândalo do Banestado, mas conseguiu ser solto. Em 2016 foi novamente preso, desta vez em Las Vegas, onde perdeu cerca de US$ 300 mil no pôquer e a família teve de fazer uma vaquinha com amigos para pagar a dívida e a fiança.
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P.S. 1 – Personagens criminais, como Tacla Duran e Tony Garcia, estão sendo arregimentadas pelo Lobby da Corrupção, para destruir o que resta da Lava Jata e conseguir cancelar o ressarcimento dos prejuízos que deram à União e à Petrobras. Com a correção monetária, o total da indenização já chega perto de R$ 20 bilhões. A maior parte deve ser paga pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, e o restante cabe às empreiteiras.
P.S. 2 – A imprensa amestrada está inteiramente a favor do Lobby da Corrupção e não vê a hora de pedir a cassação do mandato de Sérgio Moro, depois de ter se livrado de Dallagnol. (C.N.)