sábado, julho 01, 2023

Opinião: TSE torna Bolsonaro um zumbi político, enquanto Lula relativiza democracia

 

Opinião: TSE torna Bolsonaro um zumbi político, enquanto Lula relativiza democracia
Foto: Clauber Cleber Caetano/ PR

A semana que deveria ter o ex-presidente Jair Bolsonaro como antagonista da democracia acabou com atenções divididas com uma fala de Luiz Inácio Lula da Silva que relativizou o próprio instituto pelo qual retornou ao Palácio do Planalto. A inelegibilidade de Bolsonaro, dentro do contexto antidemocrático pregado por ele durante quatro anos de mandato, não foi surpresa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a expectativa construída especialmente após as eleições de 2022.

 

Os aliados de Bolsonaro argumentam contra o que chamam de revanchismo e ativismo judiciário. É irônico que, durante o período em que Lula esteve preso, foram exatamente os mesmos argumentos utilizados pela esquerda para descredibilizar o sistema jurídico brasileiro. Essa instabilidade não trouxe qualquer benefício ao Estado brasileiro e ainda colocou sob o viés de desconfiança o sistema político. Agora é entender como vão se comportar os agentes envolvidos nesse processo.

 

A inelegibilidade do ex-presidente é fruto da ação inconsequente e soberba dele mesmo. Ancorado no rastro do que convencionamos chamar de bolsonarismo, Bolsonaro achou que a ele tudo era permitido. Enquanto a Câmara dos Deputados permaneceu omissa, especialmente no período de Arthur Lira, e a Procuradoria-Geral da República preferiu fingir não ver eventuais crimes cometidos por ele, o então presidente se comportou como um autocrata, ao mesmo tempo em que se mantinha como eleito dentro do regime democrático. O resultado disso é um país extremamente dividido e cujas consequências só o tempo poderá mostrar.

 

LEIA TAMBÉM:

 

Bolsonaro entra agora em uma espécie de limbo político até 2030. É uma espécie de zumbi ou morto-vivo. Para quem acredita piamente na capacidade do ex-presidente, ele mantém uma força política capaz de decidir os rumos da nação, estando elegível ou não. Para quem é adversário, o julgamento do TSE funcionaria como uma pá de cal a sepultar as chances de tê-lo enquanto figura relevante nas urnas. É provável que nenhum dos dois lados esteja inteiramente certo, pois tudo depende única e exclusivamente do comportamento do próprio Bolsonaro - algo impossível de prever.

 

A derrota de Bolsonaro no âmbito judicial, em especial com o tom adotado pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes, em defesa do sistema eleitoral pode ser considerado um marco para a forma com o Brasil se comporta diante de arroubos pré-autocráticos. Foram quatro anos com um golpismo enrustido de defesa da nação e que colocou em risco o próprio equilíbrio entre os Poderes e o funcionamento do Estado. Vide a forma como as linhas tênues que separam Executivo, Legislativo e Judiciário acabaram sendo transpassadas da mesma forma que as sedes desses espaços de poder foram destruídas no dia 8 de janeiro. É tudo simbólico.

 

Esse não é o fim do bolsonarismo. Nem de longe, inclusive. Talvez seja a maior ameaça ao predomínio dessa força sobre a direita no país. Esse episódio, todavia, é um registro bem claro que não dá para relativizar a democracia. Ou vivemos sob ela ou viveremos numa autocracia tal qual a Venezuela de Nicolás Maduro, mesmo que Lula escolha fingir que os vizinhos vivem no mesmo regime que o Brasil - e que tenha sido eleito por uma frente ampla em defesa dessa mesma democracia.

Em destaque

Cemitério Jardim da Saudade inaugura Espaço de Reflexão com celebração ecumênica em Salvador

                                          Foto Divulgação Cemitério Jardim da Saudade inaugura Espaço de Reflexão com celebração ecumênica ...

Mais visitadas