sábado, julho 08, 2023

Grupo de advogados defende o lobby e a promiscuidade no fórum de Gilmar


Arthur Lira viajou a Lisboa para abrir o Fórum de Gilmar

Frederico Vasconcelos
Folha

“De quando em vez se formula uma crítica a eventuais encontros havidos entre profissionais do ambiente jurídico, políticos e empresários. Encontros como esses podem ser feitos no Brasil, discretamente, se assim desejarem seus participantes. A organização de eventos sociais em paralelo ao ambiente acadêmico, ao que parece, lhes emprestou considerável transparência”.

A opinião é de manifesto firmado por 23 advogados e professores de direito em defesa do XI Fórum Jurídico de Lisboa. Foi publicado na revista Consultor Jurídico, no último dia 4. Neste ano, o evento criado por Gilmar Mendes atraiu fortes críticas na imprensa.

PRÓXIMOS A SALOMÃO – Os signatários são próximos de Luis Felipe Salomão, corregedor nacional de Justiça, ligado a duas entidades promotoras do fórum.

Salomão é membro do Conselho Científico do Centro de Pesquisas sobre o Sistema de Justiça Brasileiro, do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), professor da FGV e coordenador do Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da FGV Conhecimento.

Assinam o documento, entre outros, Luis Felipe Salomão Filho e Rodrigo Cunha Mello Salomão, filhos de Salomão, e seu sobrinho Paulo César Salomão Filho. Vários advogados são professores da FGV e do IDP e membros da OAB-RJ.

LOBBY ESCANCARADO – Nessa “agenda paralela”, diz Malu Gaspar, no O Globo, “em meio a drinques e canapés, candidatos a vagas em tribunais faziam seu lobby, enquanto empresários e advogados cortejavam ministros”.

Gilmar “era paparicado pelos comensais” num bar de Lisboa com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e outros parlamentares. Houve coquetel oferecido por Flávio Rocha, sócio da Riachuelo, e jantares da Azul e do BTG.

No domingo (25), véspera do fórum, Gilmar e Salomão almoçaram com os irmãos Joesley e Wesley Batista, delatores da Lava Jato, no restaurante Porto Santa Maria, na praia do Guincho, região de Cascais. Na mesa com os donos da J&F, que controla a JBS, Sidney Gonzalez, da FGV Conhecimento, e o ex-presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho.

ALVO DE INVESTIGAÇÃO – A Folha registrou que a FGV foi alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita do uso de estudos e pareceres para fraudar licitações e corromper agentes públicos. Em novembro do ano passado, a entidade foi objeto de decisão favorável de Gilmar, que suspendeu a apuração.

Guilherme Amado, do Metrópoles, publicou fotos dos irmãos Batista confraternizando com André Mendonça, do STF, relator da ação que propõe a suspensão dos acordos de leniência da JBS.

Como diz Malu Gaspar, “ninguém mais se espanta com o fato de ministros do Supremo e autoridades da República confraternizarem com prepostos de empresas e de interesses bilionários sobre os quais fatalmente terão de decidir”.

DIZ O MANIFESTO – Segundo o manifesto, “somente a dialética entre todos os agentes do processo é que permitirá traçarmos planos para encararmos os desafios vindouros. Certamente, o XI Fórum Jurídico de Lisboa deu um passo importante nesse sentido”.

Também assinou o manifesto o desembargador Marcus Abraham, do TRF-2, é professor licenciado da FGV e membro de um grupo de trabalho no Conselho Nacional de Justiça. Outro desembargador, Flavio Boson, do TRF-6, foi nomeado graças à amizade com o então presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Otávio Henrique Noronha, filho de João Otávio de Noronha, do STJ. Também assina o manifesto Thiago Gonzalez Queiroz, procurador do STJD.

Os eventos sociais em paralelo ao ambiente acadêmico foram transparentes, diz o documento, também assinado por André Luis Callegari; Antônio Carlos de Almeida Castro — Kakay; Eugênio Pacelli; Fernanda Tórtima; Flavio Boson; Fredie Didier; Giuseppe Pecorari Melotti; Gustavo Binenbojm; Gustavo Schmidt; José Roberto de Castro Neves; Juliana Bumachar; Juliana Loss de Andrade; Luís Inácio Lucena Adams; Luiz Gustavo A. S. Bichara; Luiz Rodrigues Wambier; Marcus Abraham; Pedro Ivo Velloso; Ronaldo Cramer; Thiago Gonzalez Queiroz e Ticiano Figueiredo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O que se vê é a promiscuidade total entre a nata do Judiciário, os advogados que defendem criminosos da elite e os próprio empresários envolvidos em corrupção. É a demonstração cabal do apodrecimento da Justiça brasileira, apenas isso. (C.N)

 


Em destaque

Qualquer “caminhada” desse tipo continuará sendo apenas bizarrice travestida de patriotismo

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Jrnoticias (Junior de Santinha ) (@jrnoticias.com.br)   * Por Jo...

Mais visitadas