segunda-feira, junho 10, 2019

O craque Neymar, o ministro Guedes e a esperança de impunidade dos corruptos


David Neres
Sem Neymar, Brasil ganha de 7 a 0 e para para a Copa América
Pedro do Coutto
São diversos os assuntos, mesclando futebol, reforma da Previdência e mais uma nova investida para, através de lei, superar a figura da prisão dos condenados pela segunda instância. São três os andares que tornam semelhantes as fases judiciais aos degraus que separam os vestiários dos gramados do Maracanã e praticamente de todos os estádios do mundo.
Nos três lances no campo do futebol vibram os torcedores na passagem do sonho à realidade. São minutos que antecedem a bola rolar.
RUMOR E CLAMOR – A esperança de uma vitória impulsiona o rumor e o clamor de multidões em delírio. Às vezes a decepção, outras vezes a alegria que leva às lágrimas. Vamos por partes nas trajetórias que se assemelham as histórias da bola rolando.
O time de Honduras é fraquíssimo, mas nem por isso todos nós sentimos um alívio com a ausência de Neymar. Um supercraque, sem dúvida, mas que sempre realiza jogadas em torno dele mesmo, prendendo demais a bola. O que, além de atrasar os ataques, fornece mais tempo para que as defesas adversárias se armarem. Além disso, contribui para que exponha mais a violência dos marcadores. Minha impressão é que o time brasileiro vai melhor sem ele.
Percebe-se que o craque está mais preocupado consigo mesmo do que com a equipe. Futebol é conjunto.
GUEDES NA PRIVADA – No seu espaço de domingo em O Globo, o colunista Lauro Jardim informou que se o projeto de reforma da Previdência não for aprovado Paulo Guedes deixará o Ministério da Economia para se dedicar ao campo da Previdência Privada onde atuam os fundos de pensão e de aposentadoria complementar. Segundo diz Lauro Jardim, o economista Paulo Guedes vai tentar reunir uma empresa que basicamente será formada pela Superintendência de Seguros (SUSEP), PREVIC, setor de previdência complementar além da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Para mim, não faz muito sentido. Sobretudo porque, além de misturar seguridade com previdência fechada, envolve também a Comissão de Valores Mobiliários, encarregada da fiscalização de fixar normas para as operações do mercado financeiro. Creio que tal ideia será difícil de prosperar.
SEM ENTUSIASMO – Ainda segundo Jardim, na semana que se encerrou, Paulo Guedes passou a demonstrar menos certeza na aprovação da emenda constitucional da reforma. Sente-se isso na atmosfera de ontem e a atmosfera de hoje. O entusiasmo do ministro diminuiu.
No seu espaço no Globo e na Folha de São Paulo, brilhante como sempre, Elio Gaspari destaca que já começou a ser redigido um projeto de lei no sentido de que seja relativizada a prisão dos condenados em segunda instância. Tal lei dependeria da sanção pelo presidente Jair Bolsonaro. Seria, a meu ver, um retrocesso. Mas não só isso. Uma medida que colide com três julgamentos do Supremo Tribunal Federal. A volta ao passado anularia as decisões do STF.
Muito bem. Entre os efeitos da volta da lei, se inclui a devolução do dinheiro roubado. Mas como o jogo só termina com o apito do juiz, vamos concluir que, como Casablanca, os ladrões pensam que sempre teriam Paris.

Em destaque

Editorial – Só se atira pedras em árvores que dão bons frutos

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Hevelin Agostinelli (@hevelin.agostinelli) Editorial – Só se atira ...

Mais visitadas