Charge do Son Salvador (Arquivo Google)
Carlos Newton
O presidente Bolsonaro era igual a Martin Luther King Jr. e tinha um sonho. No caso da matriz USA, o líder norte-americano comandava a luta pelas causas sociais, que ele fomentou admiravelmente. Mas aqui na sucursal Brazil o sonho era fazer um pacto dos três poderes e governar numa boa, com uma oposição compreensiva e uma Justiça complacente em relação às leis. Ora, muito antes de surgir o pensador, jurista e boêmio Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, no iluminismo do Século XVII, todos os governantes, sem exceção, tinham o mesmo sonho de Bolsonaro.
PACTO INVIÁVEL – Mas o sonhou acabou, diria John Lennon, porque o presidente brasileiro caiu na real e enfim foi informado de que em regime democrático não existe possibilidade de pacto entre poderes.
Conforme o barão de Montesquieu anteviu, numa época em que nem havia democracia, é fundamental que exista independência entre os três poderes, com o Executivo comandado pelo rei ou imperador, o Legislativo, responsável pelas leis para harmonizar as relações sociais, e o Judiciário, que acompanha o cumprimento das leis e arbitra as pendências.
Desde então, a prática política comprova que só existe pacto entre poderes em regimes ditatoriais. Justamente por isso, citando o genial Montesquieu, imediatamente consideramos aqui na TI a inscrição da ideia (?) de Bolsonaro como concorrente à Piada do Ano.
NOVA DILMA – Curiosamente, Bolsonaro vem se transformando numa nova versão de Dilma Rousseff, que estava sempre surpreendendo o respeitável público com suas tiradas de efeito e sua espontânea criatividade. É preciso reconhecer que Bolsonaro também é bom nisso, tem uma capacidade impressionante de dizer asneiras e pagar micos, como fez ao se referir em público ao tamanho do pênis dos japoneses. E ele mesmo acha uma graça enorme das coisas que diz, ridiculariza a si mesmo, consegue ser bizarro e hilário, ao mesmo tempo. Pode ser considerado pós-moderno.
Neste sábado, o Planalto divulgou extraoficialmente que decidiu adiar a cerimônia do protocolo de intenções com a assinatura dos chefes dos três Poderes, para segunda-feira, dia 10.
A justificativa foi de que houve divergências, e o Planalto resolveu suspender, por tempo indeterminado, a divulgação do “Pacto pelo Brasil”, como foi batizada a iniciativa.
SINÔNIMOS – “Suspender por tempo indeterminado” é uma maneira transversa de evitar dizer “desistir”. Nenhum governo aceita dizer que “desistiu”. Mas nada disso tem importância. Em tradução simultânea, essa desistência significa que a democracia continua prevalecendo no país.
Ou seja, o Executivo governa, o Legislativo prepara as leis, e o Judiciário decide as pendências. Apenas isso. É o que interessa. Os políticos já perceberam que Bolsonaro e Paulo Guedes não têm agenda. Aliás, Guedes nem acredita em agenda. Em sua ilusão neoliberal, ele pensa (?) que o mercado corrige tudo. Não passa pela cabeça do ministro da Economia que cabe ao governo intervir e regular as relações sociais sempre que houver necessidade ou distorções.
Entre a teoria mal alinhavada de Guedes e a prática consagrada de John Maynard Keynes, quem tem juízo fica com o Lord inglês que tirou o mundo da Grande Depressão.
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P.S. 1 – A cada dia, fica cada vez mais evidente o despreparo de Paulo Guedes. O velho “Chicago boy”, que é vaidosíssimo e agora decidiu escurecer os cabelos, não sabe o que fazer. Vai privatizar todas as estatais. Quando não houver mais nada para vender, o que será que ele nos dirá?
P.S. 1 – A cada dia, fica cada vez mais evidente o despreparo de Paulo Guedes. O velho “Chicago boy”, que é vaidosíssimo e agora decidiu escurecer os cabelos, não sabe o que fazer. Vai privatizar todas as estatais. Quando não houver mais nada para vender, o que será que ele nos dirá?
P.S. 2 – O Brasil cometeu um erro ao eleger Bolsonaro. É maluco e não entende de economia. Seria melhor ter elegido Ciro Gomes, que também é maluco, mas conhece a ciência econômica em profundidade. Não se deixaria enganar com tamanha facilidade. (C.N.)