
Bolsonaro faz mistério sobre a escolha do novo procurador-geral
José Carlos Werneck
No dia em que devem ser conhecidos os três nomes mais votados pela categoria para a Procuradoria- Geral da República, o presidente Jair Bolsonaro disse, na manhã desta terça-feira, que não sabe se a sua indicação sairá da lista tríplice.
Indagado se atual Procuradora-Geral, Raquel Dodge, pode ser reconduzida ao cargo, afirmou que pode escolher “todo mundo”, de dentro ou de fora da lista, e que agirá de acordo com o que determina a Constituição Federal.
AINDA NÃO VIU – “Ah, não sei, eu não vi a lista tríplice ainda”, afirmou ao ser perguntado sobre a lista feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República na qual aparecem os mais votados pelos membros do MPF. A afirmação foi feita depois que ele participou, com seus ministros, de uma cerimônia de hasteamento da bandeira ,no Palácio do Planalto.
“Todo mundo, todos que estão dentro, fora da lista, tudo é possível. Vou seguir a Constituição”, disse, depois de ouvir a pergunta sobre o nome da atual Procuradora-Geral Raquel Dodge, que concorre por fora e manifestou desejo de ser reconduzida ao cargo.
Ela fez gestões junto à Presidência da República, antes da formação da lista tríplice, além de contatos com os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e falou diretamente com Bolsonaro e com os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB) e de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).
NO PLANALTO – Na segunda-feira, Raquel Dodge esteve no Palácio do Planalto para participar da cerimônia pública de assinatura da medida provisória que dá agilidade à venda de bens apreendidos junto aos traficantes de drogas, quando ganhou um afago de Bolsonaro e sentou-se ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, que vem enfrentando uma inusitada “crise” motivada pela divulgação de mensagens trocadas entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava-Jato em Curitiba, publicadas pelo site “The Intercept”, mostrando uma suposta interferência de Sergio Moro nos atos do MPF.
Antes mesmo da formação da lista tríplice, prevista para ser divulgada na noite de hoje, procuradores que desejam o cargo, já fizeram gestões junto ao Palácio do Planalto, numa esperança de convencer o presidente da República e serem indicados para a PGR.
Bolsonaro, até agora, não firmou qualquer compromisso com nenhum candidato da lista escolhida pela categoria, o que provocou uma ferrenha e nunca vista disputa pelo cargo. O subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Antônio de Oliveira, por ser muito próximo da família Bolsonaro, passou a ser considerado um nome importantíssimo e decisivo no processo de escolha do novo Procurador-Geral da República.