
Aos 38 anos, qual é a experiência que Gustavo Montezano possui?
Pedro do Coutto
Reportagem de Bruno Rosa, Geralda Doca e Daiane Costa, O Globo de ontem, revelou que o Ministro Paulo Guedes iria escolher um nome com experiência no setor privado para presidente do BNDES. No final da tarde de ontem o nome foi escolhido. Trata-se do engenheiro Gustavo Montezano, que era secretário adjunto da Secretaria de Desestatização. Bem, com apenas 38 anos, não tem tanta experiência quanto se esperava.
Politicamente, digo eu, é preciso considerar que o BNDE, criado no governo constitucional de Vargas, restringia-se ao plano econômico, mas depois, com o passar do tempo, no governo Fernando Henrique Cardoso ganhou um “S”, passando a ser Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. (BNDES). Portanto, a face social foi incorporada ao banco de fomento e apoio à indústria, entre outras funções.
FOCO NA REALIDADE – O novo presidente do BNDES e o Ministro Paulo Guedes terão que se submeter à realidade dos fatos. Portanto, torna-se indispensável um novo olhar sobre a questão, incluindo-se o vínculo social como consequência no desenvolvimento na economia.
Na década de sua criação, o BNDES foi dirigido por Marcos Souza Dantas, Lucas Lopes, Cleanto de Paiva Leite e Roberto Campos. No governo JK, Lucas Lopes foi nomeado Ministro da Fazenda. Mas esses fatos pertencem ao passado.
Os nomes citados comprovam a qualidade humana que dirigiu a instituição por vários anos. Digo isso porque todos eles eram integrantes de uma elite técnica que ficou como marca de um tempo.
DISTRIBUIR RENDA – Mas, afinal de contas, o que adianta o desenvolvimento econômico sem o correspondente avanço social. O desenvolvimento social tem que ser calcado sobre uma nova distribuição de renda. Vale acentuar que distribuir renda não é dividir por dois. Pode ser até por dez, com nove para o capital e um para o trabalho humano, conforme se costuma fazer.
A distribuição resulta da chamada renda per capita, resultado da divisão do PIB pelo número de habitantes. No Brasil de hoje, seria dividir 6,5 trilhões de reais por 210 milhões de habitantes.
Lembro que há uns trinta anos eu e Villas-Bôas Correa estávamos em um avião para Brasília. No voo encontravam-se também o jornalista Roberto Marinho e o embaixador Walter Moreira Sales. Eu disse ao Villas: “A renda per capita neste avião é altíssima”. Mas, se fôssemos levar em conta a distribuição, outra realidade surgiria.
CAPITALIZAÇÃO – O projeto de capitalização na Previdência Social, derrubado pelo parecer de Samuel Moreira, só poderia ser aplicado para os que ingressassem no mercado de trabalho a partir de agora. Por quê isso? Simplesmente, porque não poderia se aplicar, para efeito de aposentadoria, às contribuições dirigidas a poupança de cada trabalhador.
E como ficaria o período, digamos, desde há vinte anos passados, que não poderia ser acrescido aos depósitos daqui para frente? O valor das aposentadorias seria mínimo.
Este comentário, acredito, tem como endereço a realidade, não a ficção, que Paulo Guedes tanto costuma alimentar.